Ambiente laboral: carga de trabalho mental, ruído e iluminação

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A Relação do Homem com o Ambiente Laboral
PREFÁCIO
Diversos textos tratam com frequência das relações que se estabelecem entre o homem e o
ambiente de trabalho. Estes temas têm sido abordados a partir de uma visão técnica,
sociológica e humana. Uns isoladamente e outros tratando de dar um caráter mais integrador.
A presente obra pretende realizar um estudo técnico de alguns problemas laborais, buscando,
fundamentalmente, uma forma de avaliar as características de um ambiente de trabalho para
sugerir uma forma de controle deste ambiente. Os exemplos aqui evidenciados trazem
resoluções de casos em que foram dadas respostas adequadas a situações desfavoráveis em
um ambiente de trabalho hostil.
Procurou-se incorporar ao trabalho referências bibliográficas atuais, incluindo vários sites da
internet, todos eles reconhecidamente sérios e de qualidade incontestável.
Os três capítulos da obra foram elaborados a partir de contribuições de diversos autores que
tratam do tema, fruto de conhecimentos advindos de experiências práticas, adquiridas ao
longo de anos de pesquisas, o que tem enriquecido o acervo cultural de cada um.
Outros muitos aspectos relacionados ao ambiente laboral não se encontram no presente
trabalho: ventilação, radiações ionizantes, contaminação ambiental e outros. Isso porque não
é nossa intenção esgotar o tema, ao contrário, este é um convite a novas abordagens. Sendo o
começo de um estudo científico, aberto às curiosidades e buscas dos leitores, nosso convite à
leitura da obra se faz presente aqui.
Que cada leitor compreenda e cuide dos detalhes da sua vida laboral para, consequentemente,
cuidar da sua saúde.
Boa leitura.
Os autores
$PELHQWHODERUDO
FDUJDGHWUDEDOKRPHQWDOUXtGRHLOXPLQDomR
$5HODomRGR+RPHPFRPR$PELHQWH/DERUDO
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RELAÇÃO HOMEM/TRABALHO: BREVE HISTÓRICO
O estudo científico do ambiente laboral (ambiente de trabalho) tem surgido, na
contemporaneidade, como produto do desenvolvimento da sociedade. É o mesmo que dizer
que o ritmo acelerado do desenvolvimento social e econômico é que tem provocado este
estudo sistemático sobre as condições em que se desenvolvem as atividades laborais.
A origem dos problemas no ambiente laboral é tão antiga quanto o surgimento do próprio
trabalho. Isto é óbvio. O que precisa ser levado em consideração é que naqueles tempos os
instrumentos de trabalho eram tão rudimentares que não se podia pensar que os riscos a que
os homens estavam expostos poderia constituir uma preocupação para eles.
As condições de trabalho em suas sucessivas fases históricas não demandaram a atenção do
homem com ele mesmo. O grau de desenvolvimento das ciências o impedia. Apenas alguns
lúcidos homens da ciência, intuíam, mais que descreviam, o efeito sobre a saúde do homem
das condições em que ele desenvolvia a sua atividade. As pesquisas históricas coincidem
quando assinalam Hipócrates (século V, a.C) como o primeiro nestas investigações. Seu livro:
"Dos ares, águas e lugares" é uma obra que trata da influência da natureza sobre a saúde do
homem e assinala duas causas fundamentais para as enfermidades que se apresentavam: as
influências externas, que podem ser inanimadas (tempeatua, lia, alietaço, veeos…,
aiadas paasitas de oige aial…, psíuias eoções… e iteas aça, sexo, idade….
Outra tentativa de proteger a saúde humana em uma época tão longigua como o século I a.C
os foi ofeeido po Pliio, haado de O Velho, e sua oa Históia atual". Essa oa
perdurou longo tempo representando os elementos nocivos e valores reconhecidos pela
humanidade de particular interesse na saúde ocupacional, pois descreveu os primeiros meios
utilizados para a proteção pessoal utilizado pelo homem para evitar a inalação do pó,
utilizando máscaras produzidas com bexigas de animais.
A Fisiologia humana, este complexo sistema de mecanismos que possibilitam a vida, oferece
um apoio particular ao campo da segurança humana. É possível conceber um estudo sobre as
capacidades e limitações do homem no desenvolvimento da sua atividade fundamental sem
conhecer os mecanismos o regem, sem conhecer o seu funcionamento? Galeno, no séc II d.C,
descreveu anatomicamente o coração e algumas estruturas cerebrais do homem. Descreveu
também os músculos que possibilitam o movimento indispensável para o trabalho, localizados
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nos braços e peito. Inicia-se, então, um estudo do corpo humano e a sua capacidade de
trabalho.
Outros homens, desta mesma época, contribuiram nestes estudos, sem dúvida, e alcançaram
valiosos conhecimentos que estabeleceram as bases e, sobre elas, se embasaram estágios
superiores do conhecimento.
Durante mais de dez séculos a literatura não recolheu estudos neste campo, até encontrar
ua oa uito ojetiva e peisa o apo ue os oupa: Dos ofíios e das efeidades
das Motahas, esita por Aureolus Tecfrastus Von Hchemchein, conhecido como Parecelso
(1493-1541). Ela descreveu as doenças profissionais que padeceram os mineiros e fundidores
de metais, enfatizando as patologias que apresentaram os profissionais que trabalhavam com
sílica e as intoxicações por chumbo e mercúrio.
Todas as obras e contribuições realizadas até o momento por seus precursores permitiram a
um Italiano erguer-se oo o “ato Patoo da Mediia Idustial, Beadio ‘aazzii,
nascido em Capri em 1733. Ele se destacou extraordinariamente por sua capacidade de
observação e de investigação. Cultivou com brilhantismo um conjunto de diferentes profissões
que assombra por sua diversidade, tais como historiador, poeta, filósofo, clínico, epidemólogo
e especialista em sanidade.
No seu famoso livro De Mois átífie Diatia (Doenças dos artífices) ele recolhe um
conjunto de observações sobre as águas subterrâneas, as características da terra, seus odores
e seus gases.
Nos 40 capítulos desta obra o autor recolheu informações do trabalho realizado pelos
trabalhadores com os metais, a pedra, a seda, o vidro. E de profissionais como os curtidores,
padeiros, químicos e outros. Descreveu os sinais e os sintomas do envenenamento do chumbo
e mercúrio. Condenou a falta de ventilação e a realização do trabalho a alta temperatura. Se
interessou pela questão da organização do trabalho e propôs intervalos de descansos nas
jornadas de longa duração.
Hoje, que os médicos higienistas são colocados dentro das indústrias, vemos que se cumpre a
recomendação do auto ue pegava ue os édios deve apede soe a atueza das
doenças profissionais em oficinas, moinhos, minas ou em qualquer lugar em que o homem
taalhe. Recomendação oposta às que existiam na época.
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Outros envestigadores como Pottes, Willian e Percival, contribuiram no século XVIII para
impulsar os estudos em campos mais estreitos da saúde industrial.
Durante o século XVIII um acontecimento que teve início na Inglaterra e que rapidamente
propagou-se pelos países da Europa, estremecendo, não só os alicerces do que até então havia
sido a proteção do trabalho do homem, também repercutindo em outras esferas como a
econômica ou a social: a criação da máquina a vapor. É de tal importância histórica, que
marcou uma época conhecida como Revolução Industrial.
Com a introdução da máquina a vapor o trabalho manual foi substituído pelo trabalho
mecanizado.
King, em 1984, disse que, com os avanços surgidos na tecnologia se acelerou o processo no
qual as máquinas tomaram as tarefas que anteriormente as pessoas realizavam.
Agora o homem tinha como função principal controlar tudo o que acontecia no processo
(trabalho mecânico), o que não lhe dava espaço para o trabalho físico, muito menos exigia-se
dele um desenvolvimento mental grande, o que poderia ser prejudicial para a saúde
psicológica do trabalhador. Ao referir-se ao que foi mencionado anteriormente, Becerra (2005)
considerou que:
outro aspecto tão prejudicial como as doenças e os acidentes que se
produzem com o aparecimento das máquinas e a especialização do trabalho
é o fato de que vigiar as mesmas não é atividade que exige do homem um
esforço de pensamento e não dá também lugar às atividades físicas.
No início dessa época cabe assinalar que os acidentes eram muito mais prováveis devido às
condições de trabalho que tinham que enfrentar os operários das máquinas (calor, pouca
iluminação, exposição ao pó, entre outros). A estes se adiciona a pouca capacitação que
recebiam antes de começar a usá-las, dando a possilidade de cometer inumeráveis erros. Além
das características que apresentavam essas máquinas, sendo incômodas e inseguras de operá-
las, pois, ao fabricá-las não se levou em consideração as habilidades e as capacidades de quem
as manipularia, tendo somente em conta que as mesmas seriam fabricadas para ser mais
produtivas possível.
Ante esta situação, Oborne (1990) afirma que
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em termos metafóricos, alargou-se os braços para conseguir controles
ialaçveis e as hailidades peetuais foa estiadas paa ouvi o
inaudível ou para ver o virtualmente invisível no mundo dos sinais.
E ais a fete o eso auto idia ue ...foa otadas as peas paa ajusta-se aos
espaços reduzidos e estreitos e as capacidades cognoscitivas encolheram-se para ajustar-se às
taefas hatas.
O descobrimento e a exploração da máquina a vapor significou o início da era industrial. A
produtividade das máquinas que utilizavam a nova descoberta de fonte de energia era muito
superior a tudo o que se imaginava. Os lucros eram enormes. Isto representou uma tragédia
para o proletariado. As máquinas eram construídas unicamente para a alta produtividade.
Pouco ou nada era adicionado para preservar a saúde do homem. Sua implantação foi tão
acelerada que não existia legislação que regulava o trabalho das crianças e das mulheres ou o
excessivo regime do trabalho.
O que se tinha, naquele momento da história, era o trabalhador trabalhando em lugares
contaminados, com jornadas de 12 ou 14 horas, expostos a emanação de gases e vapores
produzidos pelo próprio processo de produção.
O panorama neste período é talvez, o mais cruel de todas as épocas que antecederam-lhe e
que sucederam-lhe.
O contínuo desenvolvimento industrial trouxe consigo a maior complexidade nas tecnologias
das maquinarias que eram construídas, isto exigia uma maior qualificação do pessoal que a
operava e, capacitados, estes operários se tornavam insubstituíveis, pelo menos por um
tempo. Isso implicava que o empresário tinha que zelar para que esse homem qualificado não
ficasse doente ou acidentasse, pois sua ausência repercurtiria no seu bolso.
O ritmo do desenvolvimento industrial seguiu o seu avanço com a introdução de novas
tecnologias surgindo também, deste modo, novos riscos. Assim a indústria química, acelerada
durante a Primeira Guerra Mundial para abastecer de substâncias químicas e preparar
armamentos teve grande repercussão.
Depois outros campos como a agricultura, farmacologia e os têxteis também se
desenvolveram extraordinariamente.
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A indústria de contrução de máquinas implicava grandes fundições, onde o homem se expunha
diretamente ao trabalho com metal a altas temperaturas. E na medida em que surgem ou se
desenvolvem qualitativamente estas indústrias surge também um novo campo ao estudo do
ambiente de trabalho.
No início o que parece é que o ritmo do desenvolvimento sócio-econômico seria o objeto de
estudo dessa ciência, mas é precisamente as novas condições de trabalho do homem que a
obriga a estudar essas novas características.
Talvez o exemplo mais claro seja a implantação na escala industrial da energia do átomo. As
grandes vantagens no seu uso indicavam um avanço científico, mas antes do seu
descobrimento e aplicação, poderia se pensar nos perigos a que o homem estava se expondo?
Para finalizar este esboço histórico é preciso falar, pelo menos de forma sucinta, como foi o
surgimento de uma disciplina que prima pela proteção no trabalho: a Ergonomia.
Em 12 de julho de 1949 em Almirantazco, Inglaterra, reuniu-se um grupo de cientistas
interessados nos problemas laborais humanos. A este grupo deu-se o nome de Sociedade de
Investigaçao Ergonômica, onde o psicólogo britânico K.F.H Murrel faz referência ao termo
Ergonomia, com o fim de ser usado para denominar a nova ciência que começava a surgir
(APUD, 2003).
Murrel 16, o seu lssio livo deoiado Egoois, idia a azão que o levou a
propor a palavra Ergonomia. Ele considera que é simples, que pode-se traduzir para qualquer
idioma e, o mais importante, que não outorga preponderância a nenhuma especialidade em
particular, o que ressalta o seu caráter multidiciplinar.
U pouo ais tade, )ade 16 assiala ue a egooia é o estudo do hoe o
trabalho, com o propósito de conseguir um ótimo sistema homem-tarefa, no qual pode-se
manter um balanço adequado entre o trabalhador e as condições do taalho.
Outros autores como Viña (1986) a difine como
Ciência aplicada que estuda o sistema integrado pelo trabalhador, os meios
de produção e o ambiente do trabalho, para que o trabalho seja mais
eficiente e adequado às capacidades psicofisiológicas do trabalhador,
promovendo a sua saúde e obtendo a sua satisfação e bem estar.
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Embora muitos investigadores tenham definido esta ciência, tomando como base diferentes
critérios e opiniões, todos fazem referência à forma mais simples em que se pode explicar o
significado da mesma; os termos gregos ergo: trabalho e nomos: leis naturais. Pode-se então
concluir que seu significado é, em outras palavras, Leis do taalho, oodado o ele
todos os autores que tratam deste tema.
As relações que estabelecem entre a máquina e o operário que a opera, fizeram-se tão
complexas, em elementos tais como a determinação da capacidade intelectual do homem
para dominar a nova tecnologia, ou o estudo das dimensões com que são construídos os meios
de produção para que possam ser usados com comodidade pela maioria da população e
outros aspectos desta ordem, embora estejam relacionados com a saúde do trabalhador, que
constituem esta nova disciplina com o objetivo relacionado com a proteção do trabalho. Sobre
esta fica a grande tarefa de se colocar a altura do seu tempo e enfrentar os riscos que temos
hoje na indústria.
King (1984), afirma que foi o controle numérico (NC) e posteriomente os computadores de
controle numérico (CNC) que proporcionaram os meios que permitem a extensão da
automatização nos processos de produção.
São vários os autores que concordam que com os novos avanços na tecnologia uma nova
relação que se estabelece entre o homem e as máquinas e cada vez mais se tornam estreitas e
de fácil comunicação essa relação, considerando o operador como a pessoa que estuda todas
as possíveis opções que o entorno lhe demonstra, as analisa e é capaz de tomar as decisões
que lhe correspondem. Co este avaço da teologia e a iteação homem-máquina é mais
apropriado considerar o operador como alguém que resolve o problema e toma as decisões,
diz Teja (2003).
Muitas são as tarefas que a Ergonomia tem pela frente. Por mais desenvolvida que possa
parecer uma tecnologia, por mais cômodo que possa parecer uma máquina, por compatível
que aparenta ser um meio de produção, sem dúvidas, exige certa mobilização de estruturas
corporais particularmente envolvidas no desenvolvimento deste trabalho. É a tarefa pricipal da
Ergonomia investigar quais são as capacidades reais do homem para assimilar estas novas
condições, prever os efeitos que possam causar, não de maneira imediata mas sim a longo
prazo, quando dia após dia estas exigências laborais incidam, repetidamente no homem, que é
quando mais oculto é o risco. Talvez o melhor exemplo é o de continuar trabalhando para
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fazer mais compatíveis os atuais computadores, não para avaliar o homem em ordem
fisiológica ou antropométrica, mas também nos períodos do trabalho em que o homem, como
ser social. Se se separa o trabalhador do seu meio imediato e o absorve e transporta para fora
do seu contexto e das suas realidades, é preciso estudá-lo com estas variantes. As
transformações que ocorrem na personalidade destes operadores, dessa forma, estão por
estudar.
Referências
1. APUD, E. La importancia de la ergonomía para los profesionales de la salud. Ciencia y
enfermería, 2003, Volumen 9. Consultado: 2 marzo, 2005, Disponible en:
http://www.scielo.cl/scielo.php%3Fscript%3 Dsci_arttext%26pid%3DS0717-
95532003000100003%26lng%3Des %26nrm%3D%26tlng%3Des
2. BECERRA, A. A. Impacto sobre el hombre de la evolución de los sistemas hombres -
técnica - ambiente", Consultado: 16 de febrero, 2005]. Disponible en:
http://www.monografias.com/trabajos15/ergonomía .shtml
3. KING, J. Is there any future for man in man-machine manufacturing system. Proceding
of the 1st International Conference of Human Factors Manufacturing, Editado por T.
Luptum, 1984.
4. MURREL, K. F. H. Ergonomics. Inglaterra: Ed.: Chapman and Hall, 1969.
5. OBORNE, D. Ergonomía en Acción La adaptación del medio de trabajo al hombre,
1990. Consultado: Disponible en:
6. TEJA, G. M. M. D. L. Ergonomía Cognitiva, 2003. [Consultado: 23 de febrero, 2005].
Disponible en: http://www.ergoprojects.com.
7. VIÑA, S. Ergonomia. Ciudad de la Habana, Cuba: Departamento de ediciones internas
del IPSJAE, 1986.
8. ZANDER, J. Introduction to Ergonomics. Documentos del Curso Internacional de
Ergonomía. Wageningen., 1986.
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CAPÍTULO 1. CARGA DE TRABALHO MENTAL
A importância do trabalho mental aumenta com a tendência generalizada do aumento de
profissões onde o homem tem que receber informações e tomar decisões de controle. Esta
situação se agrava, e muito provavelmente de forma irreversível, com o desenvolvimento de
computadores que afetam radicalmente as características dos trabalhos até agora conhecidos.
Esta tendência parece que humanizaria o trabalho, e talvez assim fosse, se se conhecesse com
profundidade os efeitos negativos que estas profissões teriam, tal e como tem sido estudado e
esclarecido para trabalhos com os componentes físicos dominantes.
Esta incerteza que hoje está sobre a mesa, não nos muito tempo. As tecnologias
desenvolvem-se rapidamente impondo condições duras sobre o homem, como aconteceu
durante a Revolução Industrial, não permitindo outra alternativa senão trabalhar sob a sua
tirania.
Tratar de entender as bases psicofisiológicas que permitem desenvolver essas atividades,
tratar de informar sobre como avaliar o seu impacto e recomendar soluções para a investigar
suas consequências é o objetivo deste capítulo.
1.1 Introdução ao trabalho mental
É sabido que o desenvolvimento científico e tecnológico tem levado, como nos períodos
anteriores, a alterações nas condições de trabalho dos trabalhadores, no entanto, com a
implementação em escala industrial dos meios modernos de produção, o estudo de tais
condições tem provocado alterações qualitativamente diferentes no que existia antes.
A criação de equipamentos modernos altamente eficientes tem favorecido a sua rápida
difusão e exploração em escala global, exigindo do trabalhador não a força física, mas
também a atenção, a vigilância e o controle do processo. Estas novas exigências estão
geralmente acompanhadas de uma atividade física muito pequena, o que aumenta seus
efeitos prejudiciais. Em profissões com estas exigências é conveniente que o trabalhador tenha
que realizar, de alguma forma, uma atividade física.
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O exceder dos limites das capacidades mentais podem ser tão prejudicial ou mais para o
desenvolvimento normal do trabalho que o exceder das capacidades físicas, visto que um
trabalhador com maior exigência mental é acompanhado, geralmente, de maiores
responsabilidades. Isso pode gerar um erro em sua atuação e, o que pode culminar em um
acidente de grande proporção, tais como operações de caldeira, ou defeitos na produção
como os pontos de controle de qualidade, ou em maior consumo de combustível como em
operações da usina de energia ou em muitas manifestações.
Por outro lado, o convívio constante com a tensão emocional ou o stress, repercute de forma
desfavorável sobre o organismo humano, provocando transtornos cardiovasculares,
arterosclerose, diabetes mellitus, distúrbios digestivos, psiquiátricos e outros (Dihigo, 1989).
As principais consequências e os efeitos negativos que são produzidos pelo stress podem ser
vistos em Diretrizes para a Prevenção do Stress no Trabalho (2000), onde se expõe também
as causas que os produzem. Essas consequências serão elencadas em seguida:
a. Ao nível do sistema de resposta fisiológica: taquicardia, aumento da pressão arterial,
sudorese, alteração do ritmo respiratório, aumento da tensão muscular, aumento da
glicose no sangue, aumento do metabolismo, aumento do colesterol, supressão do
sistema imunológico, sensação de nó na garganta, pupilas dilatadas, dentre outras.
b. Em nível do sistema cognitivo: sensação de preocupação, indecisão, baixo nível de
concentração, desorientação, mau humor, hipersensibilidade à crítica, sentimentos de
falta de controle, e outras.
c. Ao nível do sistema do motor: falar rápido, tremores, gagueira, voz embargada,
imprecisões, explosões emocionais, consumo de drogas legais como tabaco e álcool,
excesso ou falta de apetite, comportamento impulsivo, risos nervosos, bocejos, e outras.
Entre as principais alterações que podem ser mencionadas pela presença de stress incluem:
a. Transtorno Respiratório: Asma, taquipnéia, hiperventilação etc
b. Transtorno Cardiovascular: doença coronariana, hipertensão arterial, alterações do ritmo
cardíaco etc.
c. Transtorno Imunológico: Desenvolvimento de doenças infecciosas.
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d. Transtorno endócrino: hipotireoidismo, hipertireoidismo, síndrome de Cushing etc.
e. Transtorno dermatológicos: prurido, suor excessivo, a dermatite atópica, queda de
cabelo, urticária crônica, rubor facial etc
f. Diabetes: Normalmente agrava a doença.
g. Dores Crônicas e cefaléias constantes.
h. Transtornos Sexuais: impotência, ejaculação precoce, vaginismo etc.
i. Transtornos psicopatológicos: ansiedade, medos, fobias, depressão, comportamentos de
dependência, insônia, transtornos alimentares, transtornos de personalidade etc.
Ou seja, tanto do ponto de vista social como do ponto de vista econômico, a adequação do
trabalho mental para as capacidades intelectuais dos homens traduz em grandes benefícios,
tanto para o homem quanto para a empresa.
1.2. Fundamentos fisiológicos e psicológicos do trabalho mental
Quanto à importância de se estudar a fadiga mental, pode-se afirmar que um crescente
interesse na investigação de sua origem, sua evolução, seu efeito sobre o homem e soluções
destinadas a evitá-la.
A predisposição para a ação tem sido fundamentalmente a maneira pela qual
filogeneticamente o homem tem respondido às situações que coloca em risco, de alguma
forma, a sua segurança para satisfazer as suas necessidades.
O homem perante situações emergentes mobiliza seu aparelho vascular cuja terminação
natural é o efeito muscular, mas que, nas emoções emergentes do homem moderno, este
último não tem ocorrido, e ele se mantém em um estado de suspensão, de prolongamento,
sem a sua neutralização por aqueles mecanismos fisiológicos para os quais foi destinado.
As novas exigências do desenvolvimento é a causa da arritmia biossocial. É uma situação
caracterizada porque as reações biológicas e neuropsiquiátricas deixam de responder a essas
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demandas e que, por sua natureza, o ritmo fisiológico é mais estável e mais conservador. Este
fator caracteriza também o aumento do stress da vida moderna.
Claude Barnard (apud Villavicencio, 2001), no século passado, havia notado que os homens
tendem a manter a constância do ambiente interno, apesar das mudanças no ambiente
externo, tende a induzir este controle no organismo.
Uma série de investigações conduzidas por Walter Cannon (apud Villavicencio, 2001), cujo foco
era demonstrar a constância do ambiente interno permitiu-lhe estabelecer a homeostase para
designar esta característica tão importante, ou seja, que o organismo tenta neutralizar a
influência que o meio externo tende a induzir, de modo que impede ou minimiza a
perturbação, desde que o rigor das mesmas não ultrapasse certos limites. Mas a maneira
como o corpo reage às ações do meio é estereotipado, o qual aumenta os efeitos negativos
que o ambiente induz, pois representa a resposta inespecífica do organismo perante agentes
agressores de natureza, reforçando o sofrimento geral do corpo ou stress sistêmico.
É importante ressaltar o papel da individualidade nos padrões de respostas às tensões
mantidas por um longo tempo. Neles incluem uma grande quantidade de aspetos, podendo
indicar as características na dinâmica e nas peculiaridades do comportamento e, em geral, a
relação biossocial, como uma forma de expressar a individualidade.
Dizendo de outra forma, o homem modifica o estímulo dependendo da sua personalidade,
com as múltiplas variáveis que a compõe, manisfestando uma derminada resposta (CUESTA,
2002).
As regularidades encontradas de respostas bioquímicas, principalmente de catecolaminas em
relação à tipologia do SNC (Sistema Nervoso Central) e a sua reatividade emocional, não
provam mais que certa tendência, muito específica, para um padrão de resposta particular.
Kulka (1980) diferencia a carga psicológica do stress como casos independentes de formas
principais de carga mental. Sugere que a carga psicológica ou mental aparece no processo de
assimilação de informações, quando, durante a atividade, se requer funções psíquicas,
enquanto que o stress é descrito como um estado de extrema motivação perante
determinados fatores ambientais, assim como uma reação não específica do organismo
perante um requerimento complexo, dependendo da sua magnitude e sensibilidade pessoal.
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Não obstante, sugere ainda que um dos fatores de stress mais comum é a alta densidade de
informações.
O grande número de variáveis que interveêm na origem e na evolução da fadiga tem
provocado disparidade de opiniões em torno da sua definição, mas não é difícil encontrá-la
definida como a perda temporária da capacidade de realizar trabalho consecutivo a uma
conclusão prolongada do mesmo (Almirall, 1986). De foa ais siples diminuição
temporal da eficiência funcional mental (Arquer, 1997 e Rosa, 2004).
Autores como Vidal (2003) a define, com outras palavras, dizendo que é um estado de defesa
primária que está representada pelo esgotamento nas áreas sensoriais, mentais e físicas,
dizendo depois que impede o melhor desempenho ou rendimento no trabalho que realiza.
O gráfico que se segue mostra um esboço geral dos estados decorrentes do trabalho,
apresentando-as como positivas e negativas.
Figura 1.1- Efeitos da carga de trabalho mental
EFEITOS POSITIVOS
ACLIMATAÇÃO
APRENDIZAGEM
ADAPTAÇÃO
EFEITOS NEGATIVOS
STRESS
CANSAÇO E ESTADOS
SIMILARES AO
CANSAÇO
CANSAÇO
MONOTONIA
SACIEDADE
RESTITUÇÃO
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Cuixart (2003) faz referência à resposta que tem o corpo como consequência do stress,
analisados desde o ponto de vista biológico, lembrando que a resposta do corpo varia,
dependendo da fase em que se encontra, ou seja, a fase da tensão inicial (ocorre uma
ativação geral do corpo, onde as alterações que se produzem são facilmente remissíveis, ou
seja, se excluído melhora a causa), ou a fase de tensão crônico ou prolongado stress (os
sintomas convertem-se em permanentes e desencadeia a doença).
A tabela 1.1 traz vários exemplos das alterações que ocorrem em alguns parâmetros:
Tabela 1.1 Consequências biológicas do stress
Afetação
Tensão (Fase Inicial)
Stress
cérebro
Ideação valiosa e rápida
Dor de cabeça, câimbras,
tremores, insônia, pesadelos
Humor
Concentração mental
Ansiedade, perda do senso de
humor
Saliva
Muito reduzida
Boca seca, nó na garganta
Músculos
Maior capacidade
Tensão e dores musculares,
tic nervoso
Pulmões
Maior capacidade
Hiperventilação, tosse, asma,
taquipnea
Estômago
Secreção ácida
aumentada
Ardor, indigestão, dispepsia,
vômitos
intestino
Aumenta a atividade
motora
Diarréia, cólicas, dor, colite
ulcerativa
bexiga
Diminuição do fluxo
Poliúria
Sexualidade
Irregularidades
menstruais
Impotência, frigidez,
amenorréia, dismenorréia
Pele
Baixa umidade
Seca, prurido, dermatite
Energia
Aumento de gasto
energético, aumento
consumo de oxigênio
Fadiga fácil
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Coração
Aumento do débito
cardíaco
Hipertensão, dor no peito
A restituição dessa energia desempenha um importante papel na reversibilidade dos efeitos
negativos produzidos, pois se esta não é adequada ou suficiente, a sensação de fadiga passa a
constituir um estado desagradável, chegando a ser intolerável, resultando em diferentes
estados: esgotamento e excesso de trabalho.
A atividade laboral exige um determinado esforço, o que representa para ele, uma carga de
trabalho mental que exige determinados requisitos do organismo. Entende- se por carga de
trabalho mental a diferença ...entre as demandas cognitivas de um posto de trabalho ou
taefa e a apaidade de ateço do taalhado ... (Almora, Urgell e Cortadaa, 2001).
A adaptação das exigências que impõem o trabalho ao homem, de forma que não ultrapassem
as suas capacidades é a base do problema.
A fadiga afeta três diferentes níveis básicos, destacando-se sua unidade de ação a:
a. Nível fisiológico, com a diminuição da atividade do organismo e a diminuição do
desempenho no plano de trabalho.
b. vel psicológico, com uma sensação de desconforto acompanhado por uma série de
alterações funcionais.
c. Nível psicofisiológico, considerado como um estado intermediário entre os dois anteriores.
Apesar da disparidade de opiniões sobre a fadiga um consenso, mais ou menos geral, de
considerá-la como um fenômeno de caráter central, com manifestações psicológicas,
fisiológicas e psicofisiológicas, que para serem avaliadas necessitam correlacionar as
informações tomadas em diferentes níveis.
também uma concordância ao afirmar que ao surgimento da fadiga intervém, não só as
características da tarefa que o indivíduo desenvolve, mas também é importante considerar as
condições ambientais presentes nas zonas onde se desenvolve a atividade do trabalhador,
assim como o fator humano e social. Entre os autores concordam com isso está Rosa (2004)
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 15
que insiste em esclarecer duas coisas, um: cansaço nem sempre é motivado pelo trabalho, e
outro, nunca é motivado apeas pelo taalho.
Apud, (1 afia ue: A fadiga é um estado de espírito de cansaço e de exaustão devido
ao esforço físico e mental extremo, resultante das condições ambientais, do clima social do
trabalho, das características próprias da atividade desenvolvida e de elementos associados a
sua vida pessoal e failia.
Outros fatores que devem ser considerados são:
a. A reação não específica do organismo perante o trabalho físico e mental.
b. Os variados mecanismos de compensação do homem perante o seu esforço.
c. O estado que se encontra os diferentes estágios da fadiga.
A tensão adicional criada como consequência da atenção necessária para as necessidades
extra laborais: superação técnica ou profissional, atenção aos filhos e familiares em geral, e
outras, pode representar uma carga adicional para o trabalhador, cuja magnitude dependerá
da urgência da situação.
Determinadas circunstâncias ecomicas ou políticas também podem mascarar a fadiga, em
especial reivindicações salariais ou determinado contexto político que impulsionam a tensão
interna, e, muitas vezes não são percebidos, no ambiente de trabalho, os seus efeitos. Essas
situações podem ser toleráveis em curto prazo, mas insustentável, se prolongadas.
Outros pesquisadores têm abordado o problema da fadiga tentando encontrar a base
neurofisiológica que a sustenta.
O cientista Pavlov disse, muitos anos, que a atividade organizada, destinada a uma meta
requer a manutenção de um tono cortical ótimo. Isso quer dizer que para que os processos
mentais humanos sigam seu curso correto, o estado de vigília é fundamental. É apenas em
condições ótimas de vigília que o homem pode receber e analisar informações; que os
necessários sistemas seletivos de conexões podem ser trazidos à mente, sua atividade
programada e o curso de seus processos mentais verificados, seus erros corrigidos e sua
atividade mantida em um curso apropriado.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 16
Investigações posteriores mostraram, porém, que a estrutura que regula o tono cortical
encontra-se no subcórtex e tronco encefálico.
Outros pesquisadores demonstraram que a formação reticular, não tem muitas proporções
ativadoras, mas também que tem muitos efeitos de inibição. A estimulação de certos núcleos
produzia invariavelmente ativação enquanto que a estimulação do restante dos núcleos levou
a mudanças características do sono e do desenvolvimento adequado dele.
Na primeira fase de estimulação o efeito inibidor se manifesta como uma diminuição da
capacidade de reação e sonolência. Se a estimulação continua, o relaxamento geral continua,
aparecendo a sonolência e finalmente o sono. Foi provado mais tarde que esta inibição ativa
pode ser estendida para o córtex celebral.
Quando a variedade de estímulos provenientes do exterior é muito grande e exige um nível de
atenção sustentada e elevada, a formação reticular por certo período de tempo, responde às
exigências da tarefa, que prolongada, começa a ocorrer um retardo, uma demora entre
aparição do estímulo e a consequente resposta, aumentando a defasagem na medida em que
se amplia a tarefa. A intensidade de um estímulo requer certa postura de atividade de SNC que
há de modular a resposta adequada na medida em que o estímulo o condiciona.
O tônus de vigília normal que normalmente desenvolvemos a nossa atividade é insuficiente
para enfrentar novas situações que se transformam em estímulos relevantes exigindo uma
postura de vigília maior.
As fontes de ativação são:
a. Os processos metabólicos.
b. A chegada de estímulos do mundo exterior.
c. O desejo, as intenções e os planos.
As duas últimas fontes de ativação podem, no homem imerso no subsistema, meios de
produção/ambiente, desempenhar um papel importante no aparecimento da fadiga.
O trabalhador, cujo trabalho demanda constantemente mudanças dos estímulos, requer um
elevado nível de alerta que se manifesta em uma mobilização do organismo para enfrentar as
possíves surpresas. Pavlov o chamou de eflexo de oietaço.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 17
No entanto, em situações caracterizadas por uma baixa estimulação ou por uma repetição de
um mesmo estímulo se traduz, iguamente, em uma redução em nível de ativação cerebral.
Luria (1981) explica este efeito, considerando que cada resposta a um estímulo exige uma
comparação com os antigos e que, esta é a que permite comparar se o estímulo é novo e deve
dar lugar a um novo reflexo de orientação. Se não for assim, não requer um movimento
especial do organismo, de forma que não se constrói o hábito ao perder a sua novidade, isto é,
ou porque os estímulos externos demandam uma mutante e sustentada atenção, em nível
muito elevado, ou porque os estímulos são monótonos e redundantes, surge então, como uma
consequência possível, a fadiga.
1.3. ISO 10075 e sua relacão com a carga mental do trabalho
Vários autores têm se referido às questões abrangidas na norma ISO 10075, relacionada com à
carga mental. Entre eles podemos encontrar Apud (1999) e ARQUER (2002).
Apud (1999), descreve os três estágios da fadiga, provocada pelo efeito da ativação mental
(excesso ou defeito): a monotonia, hipovigilância e a saturação mental. O quadro resumo a
seguir apresenta cada um desses estágios, com a descrição e as consequências que eles
trazem.
Tabela 1.2- Declarações, descrições e consequências da fadiga mental, de acordo com a norma ISO 10075.
Estados de Fadiga
segundo a Norma
ISO 10075
Descrição
Consequência do Estado
Monotonia
Estado de ativação reduzido,
principalmente nas tarefas
ou atividades longas,
uniformes e repetitivas.
Sonolência, apatia, diminuição e
flutuação de desempenho, redução da
adaptabilidade e da capacidade de
resposta e elevado nível de
variabilidade da frequência cardíaca.
Hipovigilância
Estado de evolução lenta.
Redução do rendimento na detecção,
em tarefas de vigilância pouco
variadas.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 18
Saturação mental
Estado de transtorno
nervoso e rejeição
fortemente emocional a uma
tarefa ou a uma situação
repetitiva.
São irritabilidade, diminuição do
desempenho, sensação de fadiga física
e uma tendência a guardar-se,
encolher em si mesmo.
Muitas são as fontes de pressão mental que afeta os indivíduos no seu ambiente de trabalho.
Dentre elas podemos citar:
1) As exigências da tarefa: É extremamente importante considerar cada um dos fatores e/ou
condições que a integram, os mesmos exercem pressão sobre a pessoa que executa o
trabalho e tem uma estreita relação com o resultado final em cada um dos postos de
trabalho onde se trabalha, entre as principais exigências da tarefa estão:
a- Atenção sustentada em uma ou mais fontes de informação.
b-Tratamento da informação: relacionado com a carga de trabalho mental, referindo-se ao
número e à qualidade das informações que se devem tratar e às fontes de informação, a
disponibilidade em que se encontram, as inferências que se deve fazer e as decisões que
devem tomar.
c- O nível de responsabilidade que é atribuído à pessoa, seja responsabilidade pela saúde e
pela segurança de outras pessoas (clientes internos e externos da empresa) ou por perdas de
produção.
d- A duração e o perfil temporal da atividade: o horário de trabalho, pausas, trabalho por
turnos.
e- O conteúdo das tarefas: controle, planejamento, execução e avaliação.
f- O risco que envolve a tarefa a ser realizada: o local em que se desenvolve (aéreo,
subterrâneo ...), por questões de tráfego, pelos materiais (explosivos, citostáticos) que são
gerenciados etc.
2) As condições de trabalho: É de extrema importância que na organização, se esforcem e
trabalhem para garantir as condições que permitam o bom desempenho do trabalho. Para isto
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 19
é necesrio criar um ambiente que facilite a percepção e a atenção de cada pessoa que
trabalha na área, mantendo o controle adequado sobre alguns elementos que podem impedir
a consecução dos objetivos pretendidos, tais como:
a- Excesso de ruído.
b- Mau desenho do sistema de iluminação.
c- Condições térmicas inadequadas.
d- A má qualidade do ar.
3) Características individuais: Cada pessoa tem diferentes níveis de tolerância e/ou reação
ao stress ou cansaço, razão pela qual se explica as variações que se observa no desempenho
e na saúde dos trabalhadores em atividades similares. Estas características alteram a relação
entre as pressões de trabalho e as tensões da pessoa, no sentido de que modulam a relação
entre as exigências da tarefa e os esforços realizado para satisfazê-lo.
De modo geral, pode-se destacar as habilidades e atitudes, o estado geral da saúde e as
necessidades pessoais e o estilo de vida.
4) Fatores sociais e organizacionais: Dentro dos elementos próprios da organização que
podem afetar os trabalhadores e causar stress estão:
a- A hierarquia dos controles.
b- O tipo de organização.
c- O conflito.
d- Os contatos sociais.
e- Os fatores do grupo.
1.4 Relação entre a fadiga mental e regimes de trabalho/descanso
Em análises realizadas sobre os diferentes aspectos envolvidos no surgimento e na evolução
de fadiga mental, se evidencia que um correto planejamento dos regimes de
trabalho/descanso, desempenha um papel importante.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 20
A aplicação adequada dos R-T-D (Regimes de Trabalho/Descanso), é fundamental para
prevenir os efeitos nocivos da fadiga, pois muitas vezes não é a duração do trabalho o mais
cansativo, mas a forma como é realizada de forma contínua.
Quando as pessoas estão executando um trabalho mental contínuo, as sensações subjetivas de
fadiga provavelmente aumentam na mesma proporção, independentemente da duração do
trabalho.
O descanso tem sido definido como o período para se recuperar dos efeitos do trabalho. Uma
definição posterior afirma que:
Tempo de descanso: É o que se necessita para o trabalhador possa se recuperar e prevenir a
fadiga que lhe produz o trabalho em função das características do processo de produção e das
condições existentes.
É importante destacar que este conceito não inclui o tempo para as necessidades pessoais, ou
seja, como necessário para a realização das necessidades fisiológicas e conservação da higiene
pessoal.
Por regimes de trabalho e descanso, deve ser entendido não o tempo do trabalho, mas
também sua distribuição no mesmo dia, assim como o caráter ativo e passivo das pausas.
Os efeitos negativos do trabalho podem surgir não apenas no sobreesforço do trabalhador,
mas também durante o subesforço. Assim sendo, tanto nas tarefas que ultrapassam as
capacidades e limitações do trabalhador, como quando estas exigem muito pouco os efeitos
negativos podem surgir.
O estudo dos regimes de trabalho/descanso desempenha um papel importante no
aperfeiçoamento da organização do trabalho, isso contribui para o equilíbrio ideal entre as
condições em que se realiza um determinado trabalho, e a capacidade do homem para realizá-
lo, contribuindo para o aumento da produtividade e a eficiência econômica, sem prejuízo para
a saúde do trabalhador.
Para e eficiência do estudo é imprescindível conhecer a capacidade de trabalho do trabalhador
e detectar quando ocorrem alterações que podem conduzir à deterioração da atividade ou a
dar origem a alterações fisiológicas ou psicológicas.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 21
Elementos que integram os regimes de trabalho e de descanso
Viña (1985) levanta os aspectos que devem ser levados em consideração para a organização de
regimes de trabalho e descanso.
1) Determinação do tempo total de descanso necessário: A determinação do tempo total de
pausa ou de suplementos por descanso é, em essência, o considerado para que o trabalhador
recupere o cansaço e para que possa atender suas necessidades pessoais.
A determinação destes suplementos por descanso é um elemento que tem sido altamente
controvertido. É difícil estabelecer este tempo e diversos autores que criaram suas
metodologias próprias para determiná-las. Inclusive se considera que a maioria dos
especialistas de renome de todo o mundo tem cada um a sua própria metodologia e parecem
da os esultados (OIT, 1998).
A dificuldade reside no grande número de elementos envolvidos. Entre os mais importantes se
encontram:
a- Fatores relacionados ao indivíduo.
b- Fatores relacionados à natureza do trabalho.
c- Fatores relacionados ao meio ambiente.
Esta mostra da diversidade de fatores que intervêm no cálculo exato dos suplementos de
descanso têm provocado que prestigiadas instituições, como a Organização Internacional do
Trabalho, adotem regras relativas à sua determinação (OIT, 1998).
Mas, de qualquer forma que seja efetuado seu cálculo, sempre será melhor do que defini-lo
arbitrariamente.
Uma vez calculado o suplemento de descanso é aconselhável verificar o seu resultado com o
objetivo de verificar se se ajusta ao tempo que realmente necessita o trabalhador a fim de que
o método utilizado não sofra por ser muito rigoroso ou generoso.
Os conhecidos benefícios que os períodos de repouso bem organizados trazem, pode-se
agregar que contribuem para o controle da disciplina do trabalho, já que estes constituem uma
necessidade na maioria das situações, que se não se programa, o trabalhador tenta levá-lo por
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 22
vontade, então o correto é programá-los e controlá-los. O risco de que um trabalhador leve
mais tempo do que o necessário, argumentando que ele necessita de um maior tempo de
descanso, é mais provável onde se remunera o trabalhador por tempo, ao não existir
descontos no salário por este motivo.
Os suplementos por descanso têm dois componentes principais:
Suplementos Fixos
a) Suplementos por necessidades pessoais: Aplicado aos casos inevitáveis de abandono do
posto de trabalho.
b) Suplemento por fadiga básica: É sempre uma quantidade constante e se aplica para
compensar a energia consumida na execução do trabalho e para aliviar a monotonia.
Suplementos variáveis: Se adiciona quando as condições de trabalho impedem de realizar a
tarefa sentado, com más condições ambientais e que o trabalho não seja considerado como
rápido.
a) O caráter do descanso: Diferentes autores têm sugerido ou aplicado uma modalidade de
descanso que consiste em mudar com relativa frequência a atividade que se desenvolve
habitualmente com outra atividade que envolve outras estruturas anatômicas que tenham
estado em descanso parcial ou total. Alguns pesquisadores têm chamado multiofício, outros
simultaneidade.
Dentre as dificuldades que se pode atribuir à implementação desta variante de descanso pode-
se mencionar:
1) Que o trabalhador domina a atividade de ambas profissões, o qual pode exigir uma
qualificação adequada.
2) Pelo menos um dos postos de trabalho permita manter-se sem o trabalhador por um curto
período de tempo, o que facilita que se produza a mudança. Em processos de produção
contínua, isto poderia ser uma limitação.
3) Que a proximidade das operações possibilite a alteração, pois pode ocorrer que se são áreas
muito distantes dentro da empresa, se traduziria em tempo improdutivo.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 23
4) Ajustar o salário pago às novas condições, remuneração diferente para cada profissão.
Conseguir essa mudança de conteúdo do trabalho se torna mais fácil na medida em que o nível
de qualificação seja mais baixo, pois é mais frequente encontrar trabalhadores que conheçam
os conteúdos dos dois trabalhos.
Nas tarefas eminentemente intelectuais, não é tão fácil, pois nelas trabalham, normalmente,
trabalhadores de uma alta qualificação, de grande experiência, nas mãos dos quais se
encontram importantes decisões industriais.
O problema é que é exatamente aí onde é mais necessário se promover a mudança de
atividade, pois é que o trabalhador está submetido a um maior rigor, a uma maior pressão
de trabalho.
Nessas situações, poderia ser conveniente, não existir objetivamente uma possível mudança
de atividade, pois o trabalhador que está exposto a alta carga de trabalho mental, durante
curtos períodos de tempo que estiveram incluídos dentro dos suplementos variávies de
descanso (que devem ser grandes pelas características complexas da tarefa), realizará uma
atividade totalmente alheia ao seu conteúdo de trabalho, sempre que ele demonstrar muito
baixo rendimento e não exigir esforços semelhantes na tarefa básica.
A vantagem seria demonstrada pela redução do tempo improdutivo dado pelo descanso
inativo.
Este tipo de procedimento pode ser classificado como descanso ativo produtivo.
Outra forma de ativação de descanso constitui a ginástica de trabalho. Esta deve ser aplicada
onde não a possibilidade de alternativa de atividades ou como um complemento da
mesma.
O outro método de estabelecer os suplementos variáveis é a partir das pausas inativas.
Mesmo nestas, introduz-se alguns elementos que têm favorecido a aceleração da recuperação
do homem.
Qualquer que seja o caráter que se dá ao descanso, tem que ajustar-se ao tempo estabelecido,
caso contrário, poderia quebrar a disciplina do trabalho.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 24
3) Distribuição total das pausas de descanso: A distribuição das pausas de descanso depende
dos efeitos negativos que tem tido o trabalho no homem.
Nas tarefas mentais, as alteracões que sofrem os indicadores relacionados com os três níveis
que se tomam como indicadores de fadiga mental, pode-se assinalar o momento de
estabelecer o descanso.
Outros elementos que podem ser utilizados são os indicadores próprios da tarefa, quer dizer, a
redução ou deterioração do trabalho evidenciados em um aumento do número de erros, em
uma diminuição da qualidade, ou talvez, na produtividade. Estes não são facilmente
detectáveis em todas as tarefas, pois em algumas ocasiões a diminuição da capacidade de
realizar trabalho, como consequência de um trabalho procedente, se esconde em um conjunto
de fatores. O que impossibilita individualizar a deterioração que sofreu a tarefa. Especialmente
quando, no produto final, a intervenção de uma grande quantidade de elementos, é muito
difícil tratar de particularizar que a deterioração sofrida nesse produto final é a fadiga do
trabalhador e não de qualquer outro fator, objetivo o subjetivo, cuja deficiente aplicação traria
como consequência um efeito igual à má operação do trabalhador, produto da fadiga.
Em todos estes casos é preciso programar as pausas quando se começa a detectar a ocorrência
de um comportamento anormal dos indicadores relacionados com os três níveis antes
mencionados, ou dos próprios da tarefa.
Se se realiza uma avaliação conjunta deles, a distribuição das pausas será, logicamente, mais
precisas.
Existem alguns critérios gerais que devem ser considerados ao estabelecer a duração e o
número de pausas de descanso.
Quando o trabalho pode ser considerado ligeiro e monótono, as pausas breves e frequentes
contribuem a aliviar a monotonia.
Geralmente as pausas devem ser mais frequentes pela tarde do que pela manhã, devido a
acumulação de fadiga durante o dia.
Caso se considere necessário, pode-se destinar uma das pausas para o lanche, com uma
duração variável de 10 - 15 minutos, dependendo da distância do local de trabalho e o lugar do
lanche.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 25
Em trabalhos de turnos corridos ou prolongados, as pausas devem ser estabelecidas nos
momentos que os fatores tecnológicos e organizativos o fazem inevitáveis. Em linhas gerais se
contemplarão uma ou duas pausas mais longas, de aproximadamente 10 - 15 minutos,
garantindo a não necessidade da substitução ou da rendição dos trabalhadores.
Além destes fatores é necessário considerar o tempo ou a duração da jornada do trabalho
assim como o horário para seu cumprimento.
1.5 Indicadores para medir a carga mental
A necessidade de conseguir nos sistemas homem/máquina altos graus de satisfação, eficiência
e bem-estar, e segurança no desenvolvimento do trabalho, é o que tem levado, ao longo da
história, a investigações sobre as formas de avaliação da carga mental.
Variados indicadores para avaliar a fadiga mental têm sido aplicados com mais ou menos
frequência pelos pesquisadores, no entanto, um consenso de que estes são agrupados em
três níveis: fisiológico, psicológico e psicofisiológico, chamando-os de procedimentos
baseados em desempenho, procedimentos subjetivos e medidas fisiológicas (Almora, Urgell e
Cortadaa, 2001).
1.5.1 Nível fisiológico
Os indicadores fisiológicos são utilizados sob a suposição de que a carga mental de uma tarefa
se pode avaliar através do grau de ativação fisiológico. Apresentam algumas desvantagens
onde se destaca suas enormes requisitos implantação. A aceitação com que é recebido
pelos sujeitos que participam na avaliação e, sobretudo, as dúvidas sobre sua validade como
índice de carga mental de trabalho. Entre eles se destacam a medida do componente P300 dos
potenciais evocados, o diâmetro pupilar e a frequência cardíaca (Almora, Urgell e Cortadaa,
2001).
Serão comentados, então, aqueles que são de uso relativo e boa aceitação.
a) A frequência cardíaca
A variabilidade da freqüência cardíaca (VFC) é considerada como um indicador de alta
sensibilidade e especificidade para atividades que exigem esforço mental considerável.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 26
Perante situações de stress ocorre um aumento da frequência cardíaca, que, segundo Selye
(apud Villavicencio, 2001), não segue um aumento uniforme, por estar estreitamente
relacionada com determinados traços de personalidade. Hischman Harvey (apud Villavicencio,
2001) encontraram variabilidade de respostas destes indicadores quando compararam a
resposta em indivíduos extrovertidos e indivíduos neuróticos, o que confirma a afirmação feita
por Selye.
O ligeiro aumento da FC é devido a pequenos movimentos e à manutenção de posições
específicas, que exigem uma determinada atividade muscular específica.
b) Variabilidade da frequência cardíaca (VFC)
É o indicador fisiológico mais associado ao esforço mental, mas também tem sido controverso.
A VFC é uma alteração no grau de excitabilidade do tecido cardíaco, produto de uma variação
na origem do estímulo elétrico excitado ou em sua condição normal.
A origem fisiológica da diminuição da VFC perante esta situação se deve a diversos reflexos
circulatórios.
Outras causas são distintos reflexos vasomotores, que, como resultado da variação no nus
vagal, podem ser a causa da arritmia sinusal e sugerem que tais variações podem ser causadas
por uma ataxia do SNC, talvez influenciada pela ação da formação reticular.
A magnitude da sua variação está comprometida em grande parte por fatores individuais,
fatores externos e a dificuldade de medi-la, o qual provavelmente seja a causa dos resultados
controversos encontrados.
No entanto, ao contrário do que acontece com a frequência cardíaca, há um consenso geral de
que a VFC, é sensível ao esforço mental, como é corroborado os trabalhos de Almirall (1986) e
Dihigo (1989).
Recentes pesquisas sugerem que a VFC pode chegar inclusive a refletir, antes de qualquer
outro indicador, a intensidade de esforço mental, mesmo que momentaneamente.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 27
c) Alterações nos níveis de colesterol
Em pessoas submetidas a situações de stress foram observadas evidências de aumento dos
níveis de colesterol, como resultado do metabolismo lipídico. Parece ser que as alterações
hormonais, sobretudo, elevados veis de cortisol e catecolaminas circulantes exercem uma
forte influência sobre essas mudanças.
Selye, em 1930, havia postulado a teoria da Síndrome Geral de Adaptação (SGA) baseada na
relação entre o SNC e o sistema endócrino (apud Villavicencio, 2001).
O colesterol e seus ésteres têm o maior potencial aterogênico entre os lipídicos podendo
acelerar a progressão da doença vascular aterosclerótica sobre todas coronariopatias,
presença de hiperlepemias.
Amaro ndez observou em pacientes com neuroses de ansiedade, sob tratamento de
ansiolíticos e depressivos uma diminuição significativa da colesterolemia após tratamento em
aqueles que apresentavam um valor inicial patológico ou duvidoso.
Embora existam algumas discrepâncias, alguns estudos mostram um aumento do colesterol
nos homens em comparação com as mulheres, assim como a herança desempenha um papel
importante na concentração de lipoproteínas no plasma.
A dieta e sua íntima relação com o peso corporal parecem ser fatores decisivos sobre o
assunto. Tampouco parece haver dúvida da influência que neles exercem as características da
personalidade.
Outros aspectos relativos aos estilos de vida, principalmente o fumar e o consumo de bebidas
alcoólicas, também aumenta a concentração de lipoproteínas.
O colesterol, em contraste com outras frações lipídicas, se altera especificamente quando a
atividade exige o concurso das capacidades e rendimento do homem, assim como quando põe
em risco os planos futuros do seu desenvolvimento intelectual.
1.5.2 Nível Psicofisiológicas
Os principais indicadores que se encontram neste nível são:
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 28
1- Tempo de Reação (TR): É o registro do tempo que transcorre desde o início do sinal do
estímulo até que se executa a ação de resposta.
Alguns autores têm definido o tempo de reação como um tempo empregado para reagir
voluntariamente com um movimento dado, a um determinado estímulo, sugerindo que é uma
medida importante para estudar numerosos processos mentais.
O TR é capaz de revelar o déficit funcional produzido como resultado de prolongadas
atividades com elevada carga emocional e com a participação do analisador visual.
Além dos atrasos em que podem decompor-se o TR este está influenciado pelas características
individuais. O TR aumenta quando a atividade exige uma carga mental considerável e,
portanto, a fadiga é maior.
Uma modalidade deste indicador é o tempo de reação simples redundante, em que há indícios
de que é melhor que o TRS ao participar dois canais de entrada de informação, indicando a
mesma mensagem.
a) Umbral de discriminação tátil (UDT): É a mínima distância em que é possível distinguir
entre dois estímulos táteis.
Os receptores fásicos são notavelmente sensíveis a mudanças no nível de atividade do sistema
nervoso central, o qual permite a introduzir como indicador de fadiga mental, tal e como
mostram muitas pesquisas.
Selye estabelece que existe uma diminuição significativa da agudeza do tato quando uma
sobrecarga do analisador visual (apud Villavicencio, 2001).
Almirall (1986), apoia as observações feitas por Selye em virtude de experiências realizadas em
trabalhadores expostos a carga física e mental. A sensibilidade ao toque varia
consideravelmente em diferentes regiões da pele, de modo que, por razões práticas, utilizou-
se o dorso da mão para sua medição.
Dentro dos receptores táteis os corpúsculos de Meissmer e Paccini, talvez sejam os mais
comprometidos pelas características de medição do UDT, pois, por sua localização na pele e
sua sensibilidade os coloca em uma posição vantajosa para reconhecer os estímulos destas
características.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 29
c) Frequência de Discriminação Cromática (FDC): Consiste em determinar a mínima
frequência na qual se discrimina a composição cromática de um disco que diminui sua
velocidade paulatinamente.
Não existem experiências prévias na sua aplicação, pois foi proposto pela primeira vez no
presente livro, depois de ser registrado um equipamento que mede este indicador psicológico
em uma patente (Dihigo, 1989).
A FDC é um parâmetro de excitabilidade das vias visuais e, presumidamente em todo o SNC,
embora ele tenha sido utilizado até agora em trabalhadores cujas profissões exigem o
concurso do analisador visual, talvez seja capaz de refletir a disfunção geral do sistema pois
segundo Luria (1978), a característica não específica da formação reticular afeta todas as
funções sensoriais e motoras do corpo.
No entanto, outros indicadores, como a frequência crítica de fusão, se discute sua validade em
profissões que não exercem o analisador visual. Somente a sua aplicação irá mostrar se é ou
não útil para outras situações.
d) Destreza manual: Utilizada para medir a rapidez, a coordenação e outras características das
respostas do movimento.
É um teste de papel e lápis constituído por três sub-provas: pontilhando, marcando e labirinto,
que são aplicadas uma vez quando se termina o trabalho . Permite mostrar as modificações
originadas pela fadiga para determinar o número de erros cometidos pelo sujeito, os que são
avaliados ao comparar-se com os resultados normais para essa população.
1.5.3 Nível Psicológico
Existe uma grande variedade de procedimentos subjetivos e/ou psicológicos que são úteis para
avaliar a carga mental, entre eles pode-se mencionar: Teste Yoshitake, a Escala de Cooper-
Harper, The Bedford, SWAT (subjetiva Workload Assessment Technique), NASA-TLX (Task Load
Index) e WP (Workload Profile). Alguns deles serão discutidos mais tarde. É necessário dizer
que uma das principais desvantagens que apresentam está relacionada com o momento de
escolher entre as diferentes técnicas, em função de qual será o objetivo e/ou o âmbito da
pesquisa (Almora, Urgell e Cortadaa, 2001).
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 30
Para que se possa entender melhor o que foi dito, as técnicas serão explicadas a seguir:
Teste de Yoshitake : Este é um teste que origem ao aparecimento desse tema, onde o
sujeito auto avalia as sensações subjetivas dos efeitos negativos da carga de trabalho, isso é
possível com a implementação de um questionário em que o sujeito faz uma análise subjetiva
acerca do seu cansaço.
Tabela 1.3 Teste Yoshitake
Nome:
Data:
Profissão:
Perguntas
Sim
Não
1. Sente peso na cabeça?
2. Sente cansado no corpo?
3. Sente as pernas cansadas?
4. Ten vontade de bocejar?
5. Se sente confuso, tonto?
6. Sente os olhos cansados?
7. Sente rigidez ou tropeça em seus movimentos?
8. Sente sonolência?
9. Ao estar de pé, fica inquieto?
10. Tem desejo de dormir?
Total Sub
11 Sente dificuldade para pensar?
12. Se cansa ao falar?
13. Está nervoso?
14. Se sente incapaz de fixar a atenção?
15. Se sente incapaz de se interessar por alguma coisa?
16. Se esquece das coisas facilmente?
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 31
17. Perdeu a confiança em si mesmo?
18. Se sentes ansioso?
19. Mantém posições incorretas com o seu corpo?
20. Perde a paciência com facilidade?
Total Sub
21. Sofre de dores de cabeça?
22. Sente dormência nos ombros?
23. Sente dor nas costas?
24. Tem dificuldade para respirar?
25. Sente sede?
26. Sente tontura?
27. Sente sua voz rouca?
28. Suas pálpebras tremem?
29. Suas pernas ou braços tremem?
30. Se sente doente?
Total Sub
Total
Classificação:
O teste estabelece como um parâmetro para reconhecer a existência de fadiga, mais de 20%
para homens e mais 23,3% para as mulheres.
Em experiências realizadas pelos autores em 25 indivíduos expostos a altas demandas
cognitivas em usinas de açúcar, foi comprovado que 76% da sua valorização era a fadiga
mental.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 32
SWAT Subjective Workload Assessment Technique,
Paylos e Aguilar explicam que este indicador foi desenvolvido por Reid & Nygren devido à
necessidade de uma medida da carga de trabalho com propriedades métricas conhecidas,
úteis em situações de trabalho.
SWAT recolhe dados de forma pouco invasiva e usa um procedimento de escala conhecida
como escala conjunta. Consegue as respostas em uma situação de trabalho através de três
descritores para cada um dos três fatores com os que define operativamente carga mental de
trabalho. Este enfoque minimiza o tempo necessário para dar respostas na fase de pontuação
e reduz o número e a complexidade dos descritores que devem memorizar a pessoa. No
entanto, apresenta dois problemas: não é muito sensível para baixas cargas de trabalho
mental e precisa de muito tempo para a primeira fase, a construção da escala.
Essa técnica reflete a natureza multidimensional da carga mental, de trabalho, que pode ser
explicado por três fatores:
a. A carga de trabalho por aspectos temporais ("time load"): tempo disponível, margens
de tempo.
b. A carga por esforço mental ("mental effort load"), tomada de decisão, estimativas e
cálculos, atendimento de fontes de informação, memória imediata e de longo prazo,
etc.
c. A carga por pressão psicológica ("Psychological stress load"), ou seja, por qualquer
coisa que contribui para a confusão, a frustração e a ansiedade do trabalhador:
motivação , formação ou treinamento, fadiga, saúde, estado mental, medo de dano
físico, medo do fracasso, stress, desconhecimento do trabalho, desorientação e
estressores físicos: temperatura, vibração, ruído, mesmo em grau moderado, podem
exigir um maior esforço da pessoa e algum desconforto ou irritação.
As etapas para se desenvolver o método são:
Fase de construção da escala: se familiariza as pessoas com os descritores e se obtém dados
referentes a como se combinam estas dimensões para criar cada impressão pessoal concreta
de carga de trabalho. Se pede que a pessoa ordene diferentes atividades (hipotéticas) segundo
a sua percepção da carga de trabalho. Para cada atividade deve especificar a distribuição
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 33
concreta de carga através das três dimensões. Estes dados se transformam em uma escala de
intervalo de carga de trabalho que vai de 0 até 100.
Fase de pontuação: Se coleta as informações sobre a carga de trabalho associada ao
desempenho de uma atividade atribuindo uma pontuação de 1 a 3 em cada uma das três
dimensões. O valor de escala associado a esta combinação (obtida na fase anterior) é,
portanto, atribuído como o valor da carga de trabalho para tal atividade.
NASA-TLX (Task Load Index): Este método é explicado por García (et al, 2001). Ele explica que
o método é desenvolvido por Hart e Staveland, e é a técnica utilizada na NASA para avaliar a
carga mental. Nessa técnica se distinguem seis dimensões da carga mental.
Como SWAT, o procedimento de aplicação está constituído por duas fases.
Fase de ponderação: é prévia à realização da tarefa, consiste em realizar as 15 comparações
binárias das 6 dimensões, escolhendo, de cada par, a que o sujeito percebe como a maior
fonte de carga. Para cada dimensão, se obtém um peso que é dado pelo número de vezes que
este foi selecionado nas comparações binárias. Este peso pode variar entre 0 (a dimensão não
tenha sido escolhido, em nenhuma das comparações) e 5 (a dimensão foi escolhida para todas
as comparações que apareciam).
Fase de valoração: imediatamente depois de realizar a tarefa, o sujeito tem de estimar, em
uma escala de 0 a 100, dividida em intervalos de cinco unidades, a carga mental da dita tarefa,
devido a cada uma das seis dimensões.
Com os dados obtidos nessas duas fases se calcula um índice global da carga mental da tarefa.
O WP (Workload Profile): Ainda se encontra em fase de desenvolvimento. Como as próprias
autoras reconhecem, ainda é necessário investigar mais profundamente as propriedades deste
procedimento antes de estabelecer conclusões definitivas sobre a sua utilidade e sua
aplicabilidade. Apesar disso, os resultados obtidos até o momento permitem pensar que se
trata de um procedimento subjetivo bem promissor.
Método LEST (Laboratório de Economia e Sociologia do Trabalho) (ORRANTLA, 2003).
Adequado para situações onde o trabalho é muito variado. O objetivo é fazer um diagnóstico
das condições de trabalho a partir das informações obtidas nos registros de observação. Além
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 34
disso permite a comparação entre os resultados previstos através da matriz da LEST (o
subjetivo) e a expressão dos trabalhadores com respeito a seu local de trabalho (o objetivo).
A informação serve como base para elaborar os histogramas que mostram as condições
insatisfatórias existentes no local em que está sendo analisado. Os fatores e parâmetros de
avaliação que se analiza em LEST são apresentados na Tabela 3, conhecidos como fatores de
carga.
Para a aplicação deste método é necessário considerar várias etapas que estão mensionadas a
seguir:
a. Pré diagnóstico: Se realiza uma avaliação subjetiva das condições de trabalho
existentes. Usando a matriz LEST, são mostrados os efeitos econômicos e sociais que podem
provocar os fatores de carga de trabalho, tanto para o trabalhador como para a empresa
(quando estes são inadequados). Esses efeitos podem ser desde leves até críticos e afetam a
saúde do trabalhador, causando cansaço recuperável, doenças profissionais, e em condições
extremas, a morte.
b. Recolha de informação: guia de observação é um inquérito que permite obter
informações sobre os diversos elementos das condições de trabalho existentes no local. Esta
informação servirá de base para estabelecer um programa de melhorias. É recomendável que
o inquérito seja aplicado por pessoal especializado. Um resumo das informação que se obtém
da guia de observação é mostrado, após a tabela 1.4.
Tabela 1 4- Fatores de Carga de trabalho
Ambiente Físico
Ambiente térmico
Ruído
Iluminação
Vibrações
Carga Física
Carga Estática (Posição)
Carga Dinâmica
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 35
Carga Mental
Alerta de Tempo
Complexidade/Rapidez
Atenção
Minuciosidade
Aspectos Psicossociais
Iniciativa
Estado Social
Comunicações
Cooperação
Identificação do Produto
Duração
Tipo
Existência de pausas
Tempo de Trabalho
Fatores de carga
A. Ambiente Físico/Ambiente térmico
a. Temperatura do ar no local de trabalho (° C).
b. Temperatura em diferentes estações do ano (janeiro, abril, julho e outubro).
c. Temperatura de globo negro.
d. Grau Hidrométrico.
e. Velocidade do ar no local de trabalho.
f. Contato direto com materiais quentes ou frios.
Ruído
a. Nível sonoro equivalente dB (A).
b. Tempo de exposição.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 36
c. Exposição a ruído impulsivo.
d. Dados para a análise espectral (banda de freqüência hertz e intensidade em decibéis).
e. Uso e tipo de proteção contra o ruído.
Iluminação
a. Natureza.
b. Tipo de iluminação artificial e forma de distribuição (fluorescentes ou incandescentes).
c. Distância a que se encontram as luzes.
d. Contraste do posto de trabalho.
e. Iluminação.
f. Nível de percepção exigida.
Vibrações
a. Importância.
b. Fonte.
c. Sensações experimentadas pelos trabalhadores.
d. Parte do corpo onde se percebem as vibrações.
e. Frequência estimada.
B. carga física
Carga estática
a. Posturas diferentes e sua duração.
b. Sentado (altura do assento regulável, encosto), descansa braços, descansa pés
c. Levantamento e transporte de cargas [peso, altura em que é depositado, o número de
cargas deslocadas (hrs)].
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 37
d. Paletização (peso, número de cargas, altura da base da paleta e da altura da paleta, altura
sobre a qual a carga é tomada ou depositada).
e. Deslocamento horizontais com carga, peso, distância de ida e volta com ou sem carga,
número de viagens por hora.
f. Deslocamento vertical (peso, desnível) para uma viagem com carga e/ou sem carga,
número de viagens por hora.
g. Esforços musculares de mão, braço, pernas, conjunto do corpo (intensidade do esforço,
duração em segundos, a frequência por hora).
C. Carga de trabalho mental
a. Tipo de trabalho (repetitivo ou não, em cadeia ou não).
b. Tempo para alcançar o ritmo, se deve ajustar ao ritmo da cadeia ou máquina.
c. Incidentes que envolvem atraso.
d. Risco de deterioração de materiais e/ou do produto.
e. Frequência de riscos se os erros implicam em rejeição das peças.
f. Possibilidade de que o trabalhador levante os olhos em relação ao seu trabalho.
D. Aspectos Psicossociais
a. Trabalhador pode ou não organizar seu trabalho.
b. Trabalhador pode ausentar-se temporariamente e recorrer um substituto.
c. Trabalhador intervém na máquina quando ocorre um acidente.
d. Habilidades e conhecimentos necessários para desempenhar a sua função no trabalho.
e. Relações Humanas (cooperativas, funcionais, hierárquias).
f. Possibilidades de comunicar-se e de impossibilidade de resolver os obstáculos.
E. Tempo de Trabalho
a. Duração semanal do trabalho.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 38
b. Tipo de trabalho (matutino, vespertino e noturno).
c. Existências de pautas e números.
d. Translado, duração e meio de transporte.
F Avaliação dos fatores de carga: consiste na atribuição de pontuação para cada fator de carga
de trabalho. LEST proporciona indicadores para cada um desses fatores. Os valores dos
indicadores são obtidos a partir das tabelas de dados do método, a partir das respostas obtidas
no manual de observação e de acordo com os critérios estabelecidos neste método. São
apresentados indicadores a cada um dos fatores que foram listados na tabela anterior.
A. Ambiente Físico
Os fatores de carga que compõem o meio ambiente físico são: o ruído, ambiente térmico,
iluminação e vibrações.
Ambiente térmico: O ambiente térmico é avaliado mediante a temperatura. Em LEST o
indicador para avaliar é a temperatura equivalente ou efetiva. Esta pode ser definida como a
temperatura que o indivíduo experimenta a mesma sensação de calor ou frio quando se
apresentam diferentes combinações de temperatura do ar, umidade e velocidade do vento.
Geralmente, se deve criar um ambiente cujas condições correspondam a uma zona de
conforto de 18 °C, é a condição ideal.
A temperatura interna ótima de 18 °C deve ser combinada com a temperatura externa, o que
dá como recomendável as seguintes zonas de conforto:
Verão: 18 °C a 24 °C.
Inverno: 17 °C a 22 °C.
Ruído: LEST apresenta alguns critérios para identificar os ruídos perigosos para o trabalhador,
entre os quais:
a. Intensidade sonora (dB)
b. Pureza do som.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 39
c. Frequência.
d. Duração da exposição e rapidez.
Para diagnosticar o risco por ruído é necessário estimar o nível sonoro contínuo equivalente
(Leq) para o qual se realiza um estudo de ruído de acordo com a norma ISO.
Na tabela 1.5 são apresentados os valores permissíveis do ruído, segundo as horas de
exposição ao que se é submetido.
Tabela 1.5 Exposições permissíveis ao ruído.
Duração por dia
(horas)
Nível de ruído (dB A)
8
90
6
92
4
95
3
97
2
100
1.5
102
1
105
0.5
110
0.25 ou menos
115
Iluminação: Este elemento do ambiente físico é avaliado a partir do nível de iluminação: a
importância dos contrastes dos objetos manipulados no espaço de trabalho, a natureza e a
qualidade da iluminação. Para medir o nível de iluminação utiliza-se um luxômetro ou
fotômetro e a medição é expressa em luxes.
Vibração: Os fatores importantes na avaliação das vibrações são: a frequência, a amplitude e
a duração da exposição. Estes fatores não são fáceis de quantificar, já que exigem um conjunto
de aparelhos complexos e caros. Por esta razão, o método de LEST, trata de conhecer a
importância das vibrações de forma quantitativa a partir de sua origem e da sensação que
experimentam os trabalhadores.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 40
B. carga física
É o resultado das contrações das fibras que constituem o músculo, sob o impulso de excitações
nervosas. Também é o esforço físico e pode ser estático ou dinâmico.
Estático: Isso ocorre quando a contração muscular é contínua e se mantém durante certo
tempo (mantém posturas, sustenta cargas).
Dinâmico: Quando sucessão de tensões e relaxamento dos músculos ativos (caminhar,
acionar uma manivela etc).
Método de avaliação da carga física: No método LEST a carga física se avalia a partir do
consumo de energia (gasto quilocalórico) necessário para executar uma tarefa e consiste em
decompor ao máximo as diferentes sequências do trabalho realizado pelo trabalhador para
determinar:
a) Os diversos esforços estáticos correspondentes às posturas e a duração acumulada de cada
um deles.
b) Os esforços dinâmicos resultado de transportes e levantamento de cargas, o deslocamento
do trabalhador (horizontal e vertical) e os esforços realizados pelos diferentes conjuntos
musculares do corpo.
O consumo de energia global é obtido pela soma dos gastos de energia de origem estática e
dinâmica.
C. Carga mental
É um dos aspectos ergonômicos mais complexos, depende do nível de exigência da tarefa, da
carga de trabalho, dos fatores ambientais e individuais como: idade, capacidade intelectual, o
herança sóciocultural, nível educacional, formação profissional, aprendizagem e experiência.
Sua avaliação pelo método LEST se centra unicamente sobre o nível de exigência da tarefa. Os
critérios utilizados são válidos para trabalhos o qualificados ou pouco qualificados e
representam os elementos que podem ser desfavoráveis na atividade mental. A carga mental é
avaliada a partir base em indicadores como: alerta do tempo, a complexidade/rapidez, a
atenção e a minuciosidade.
D. Aspectos Psicossociais
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 41
A análise feita por estes aspectos, está orientada a detectar em que grau o trabalhador é
dependente do seu trabalho. Qual a iniciativa e a autonomia ele tem e se este lhe permite ter
relações interpessoais. Os indicadores utilizados são: a iniciativa, o status social, as
possibilidades de comunicação, a cooperação no trabalho e a identificação com o produto.
E. Tempo de Trabalho
Para diagnosticar os efeitos sobre o trabalhador do tempo de trabalho, não é suficiente
conhecer a duração global, é necessário conhecer o número de dias que ele trabalha, o
número de pausas por dia, a importância do seu cargo e o tipo de programação, que estes
aspectos contribuem para a fadiga do trabalhador.
Uma vez obtidas as pontuações para cada fator de carga, o valor conseguido é colocado em
uma escala de avaliação (1 a 10, onde se determinará o nível em que se encontra o fator de
carga em questão). A tabela 1.6 apresenta a escala de avaliação para este método.
Tabela 1.6- Escala Geral de Avaliações
Pontuação
Condições
0, 1, 2
Situação satisfatória
3, 4, 6
Transtorno para o trabalhador, algumas
melhoras podiam contribuir para o
maior conforto do trabalhador.
6, 7
Nocividade dia, risco de fadiga para
o trabalhador.
8, 9, 10
Nocividade.
4 Elaboração de histogramas: As pontuações obtidas na avaliação são representadas
graficamente, com o propósito de visualizar rapidamente o estado de cada um dos fatores de
carga de trabalho.
5 Interpretação de resultados: Após a conclusão da análise, os resultados são resumidos em
uma tabela e, por sua vez, apresentados em um histograma.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 42
1.6. Medidas para enfrentar e prevenir o cansaço ou stress
Nas Notas Técnicas de Prevenção (NTP 355, 445, 534), escritas por Arquer (2002) e Cuixart
(2003) e Rosa (2004), algumas das medidas a tomar em conta para enfrentar ou prevenir o
estado de fadiga são citadas.
Entre as principais medidas são:
1 Adaptação das condições de trabalho sobre as características das pessoas que o
desenvolvem.
As ações para alcançá-las se traduzem em:
a. Eliminação de ruído e vibrações.
b. Manter níveis de iluminação adequados, evitando a iluminação excessiva.
c. Esforço visual.
d. Aquisição do mobiliário adequado e sua correta localização.
e. Atualização das ferramentas e equipamentos de trabalho (manuais de ajuda, listas de
verificação, registos e formulários, procedimentos de trabalho etc) seguindo os princípios
de clareza, simplicidade e utilidade real.
f. Eliminação de jornadas de trabalho muito longas.
g. Flexibilidade nos horários de trabalho.
2 Reformulação do conteúdo do local de trabalho.
Pode ser direcionado para realizar de diferentes tarefas, tais como:
a. Definir as metas de trabalhos parciais, que são realizáveis durante toda a jornada de
trabalho assegurando-se de que os prazos não sejam demasiadamente justos, para evitar
ter "agendas quentes e apertadas.
b. Propor, ou gerenciar, autonomia na realização das tarefas e eliminar qualquer forma de
pressão psicológica no trabalho.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 43
c. Organizar o tempo de trabalho, de modo a facilitar a auto-distribuição de pausas, de acordo
com as necessidades de cada indivíduo, aumentando seu poder reparador. Caso não seja
possível, se faz necessário um sistema de regulação de descanso, tendo em conta as
diferenças pessoais.
d. Ajustar a carga informativa às capacidades da pessoa, facilitando a aquisição de
informações necessárias e relevantes para a realização do trabalho.
3 Realização de exercícios físicos: Sua aplicação é necessária quando uma situação não
estressante, mas, do ponto de vista objetivo, é vivida por alguém como uma agressão.
Com eles se ensinam a controlar os efeitos fisiológicos do stress, para reduzir sintomas que
são percebidos como desagradáveis e negativas, portanto, cria ansiedade.
Algumas delas são de aprendizagem complexas e exigem, por vezes, um especialista, pelo
menos durante a fase inicial. As mais conhecidas e praticadas hoje em dia são as que se citam
na continuação:
a. Técnicas de relaxamento (Jacobson, Schultz): Atualmente o as mais utilizadas no
mundo ocidental. Com base na premissa de que é impossível estar relaxado
fisicamente e emocionalmente tenso. É baseado no relaxamento muscular que supõe,
por sua vez, o relaxamento do sistema nervoso. Portanto, eles são de grande
importância na ansiedade, depressão, impotência, baixa auto-estima, fobias, medo,
tensões musculares, hipertensão, dores de cabeça, distúrbios digestivos, insônia,
tiques, tremores etc
b. Técnicas respiratórias: muito úteis nos processos de ansiedade, hostilidade,
ressentimento, tensão muscular, fadiga e cansaço crônico.
c. Técnicas Auto-Hipnose: Altamente eficazes em cefaléias, para dores de pescoço e
dores nas costas, distúrbios digestivos como cólon irritado, fadiga, cansaço crônico,
insônia, distúrbios do sono.
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1.7 Teletrabalho
"Sociedade da Informação", "Sociedade do conhecimento" são conceitos hoje muito
difundidos. Não há dúvida de que a introdução dos computadores na tecnologia e, ainda mais,
no modo de vida das sociedades industrializadas mudou radicalmente a natureza das
concepções clássicas de como desenvolver o trabalho.
A história não é nova. A descoberta do fogo, a roda ou o motor a vapor tiveram uma influência
decisiva nas sociedades de suas respectivas épocas, fazendo alterações, não só no nível de
desenvolvimento dos meios de produção, mas repercutiram em grandes mudanças que
tiveram impacto nas formações sociais e econômicas de suas épocas. Muitos deles
determinaram o fim de uma e o início de outra.
A onipresença dos computadores exige uma reafirmação das concepções clássicas do modo
em que se desenvolve o trabalho. Hoje tudo parece indicar que a sua difusão aumentará, que
o número de funções a eles atribuídas crescerá, não apenas nos países industrializados, mas
também naqueles que estão lutando para se desenvolver.
Como salienta Chomsky e Dieterich (1999), estes meios modernos de informação criaram
modelos antropológicos denominando-os como "realidade virtual e ciberespaço", e utros
neste estilo.
Mas a questão fundamental a ser respondida é: Será que o homem filogeneticamente está
preparado para aceitar as novas condições impostas pelas novas tecnologias? Não avançará a
tecnologia mais rápido do que leva o homem a se adaptar a ela? Não seremos prisioneiros de
nosso próprio desenvolvimento? Qual é o preço?
Estas dúvidas estão começando a preocupar. Civit e March (2000) expressa sobre isso desta
forma: "... neste momento vemos aparecer uma nova maneira de trabalhar que por uma parte
tem a cara amável da liberdade e da flexibilidade e por outra o surgimento de novos
trabalhadores até agora freados pelas fronteiras e as distâncias".
Muitos séculos têm passado para desenvolver o homem e deixá-lo tal e como é hoje, com suas
características biológicas e sociais, definidas por um modo de vida, em certa medida moldada
pelas características e peculiaridades dos meios de produção. O computador e as novas
tecnologias de informação introduziram aí mudanças radicais.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 45
Estamos preparados para ficarmos longas horas na frente de uma máquina, recebendo
informações e tomando decisões? Esta tendência, inclusive chegou à nossas casas, onde se
pretende que esse mesmo indivíduo desenvolva suas atividades diárias, familiares, incluindo a
distração em frente ao computador. Esse é o modelo que alguns, como Echeverria (1999) têm
chamado de "Senhores do ar.
As consequências em termos de disfunções fisiológicas e transtornos psicológicos e distúrbios
sociais que tal modelo da vida propõe ainda estão para serem vistas.
Toffler comenta dramaticamente, como uma onda que se completará dentro de algumas
décadas e modificará a civilização criando novos códigos de conduta, caracterizados por
famílias não nucleares, endereços eletrônicos, códigos de conduta mais fortes que o dinheiro e
o poder.
Como parte deste processo de desenvolvimento, aparentemente irreversível, surge o
teletrabalho.
Gray (et al, 1993), define o teletrabalho como: "uma forma flexível de organização do
trabalho que consiste no desempenho da atividade profissional sem a presença física dos
trabalhadores na empresa. A atividade implica o uso contínuo de meios de telecomunicações
para o contato do teletrabalhador e da empresa".
Características do Teletrabalho
As diversas modalidades de teletrabalho dependerá de:
a. Tipo de trabalho.
b. Duração.
c. Número de empregados.
d. A forma de gestão.
e. O tamanho da empresa.
f. O equipamento necessário.
g. A disponibilidade econômica.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 46
Os tipos de teletrabalho que existem:
a. O domicilio de trabalho: Nas atividades que podem desenvolver de uma forma clara,
concreta, específica, simples, independente. Exemplo: Coleta de dados, contabilidade,
tradução etc
b. Escritórios satélites: Estas são geridas a partir de uma Rede central a que pertencem, mas
independentemente da sua rede.
c. Tele centros: Centros compartilhados por várias empresas para prestar serviço às pessoas
que vivem próximas a eles.
d. Móveis ou nômades: Trabalha onde surge a necessidade. Recorre a informações a partir de
diferentes pontos geograficamente distantes.
Vantagens e desvantagens do teletrabalho para os trabalhadores, Civit e March (2000).
Vantagens
Menor deslocamento: Se pode trabalhar da sua casa ou de um telecentro, ou mesmo do seu
carro, está sempre perto do seu negócio.
Melhoria da qualidade vida: Como resultado de um maior tempo de livre ao reduzir ou evitar
os deslocamentos, maior senso de independência já que não precisa morar perto da empresa,
e também pode organizar seu horário de trabalho.
Possibilidade de combinar o trabalho com atividades familiares ou sociais. Ao ser
possibilitado de organizar os horários de trabalho pode combiná-lo com as exigências de
atenção à família ou às necessidades sociais.
Desvantagens
a. Isolamento: Estado de solidão, falta de comunicação. Há uma separação com a organização
formal e informal. Diminui o sentimento de pertencer a um grupo de trabalho. Pode
acarretar problemas psicológicos por falta de status e deslocamento em seu rol de
convivência na organização.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 47
b. Tomada de decisões complexas: a ausência de um chefe por perto para consultar requer
tomada de decisão pelo teletrabalhador, com todo o risco que isso implica.
c. Insegurança econômica, social e profissional: A renumeração agora é pelo seu resultado
unicamente e a sua imagem dependerá somente dele.
Vantagens e desvantagens do teletrabalho para a empresa
Vantagens
a. Direção por Objetivos: Valorização do trabalhador pela sua produtividade, não por sua
presença.
b. Diminuição dos custos do escritório: não se necessita alugar escritórios caros. Isso se
realiza a partir de casa.
c. Flexibilidade para fornecer pessoal qualificado em tempos parciais: Permite que um
teletrabalhador desenvolva várias profissões.
Desvantagens
a. Introdução de mudança organizacional: Avaliação individual do trabalhador não é em
função do grupo. Torna-se difícil a motivação.
b. Impossibilidade de controlar o trabalhador fisicamente: Impede assinalar tarefas não
programadas ao trabalhador.
c. Reduz a confidencialidade das informações: Agora a informação está distante da empresa
e dos seus sistemas de segurança.
Vantagens e desvantagens do teletrabalho para a sociedade
Vantagens
a. Reduz o tráfego e, portanto, o consumo de energia: há menos movimento do trabalhador.
b. Reduz a poluição: Pela mesma causa acima mencionada.
c. Possibilita o acesso para os deficientes físicos e às pessoas com rigidez de hórario.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 48
Desvantagens
a. Barreiras sociais para o trabalho: Provavelmente tenha que desenvolver as tarefas do lar e
da sua profissão por incompreensão familiar do seu teletrabalho.
b. Desvantagens tecnológicas: As tecnologias necessárias podem ser custosas:
videoconferência, laptops etc.
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A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 51
CAPÍTULO 2. RUÍDOS E VIBRAÇÕES
Este capítulo abordará o estudo de um dos agentes agressores, ambientais, que com mais
frequência se encontram no ambiente industrial, as inconveniências e os prejuízos que causam
a vibração e o ruído ao homem.
A arte de harmonizar os sons e tratar de amplificá-los é tão antiga quanto a própria história do
homem. Naqueles tempos, o homem se valia dos recursos naturais que encontrava ao seu
alcance para tentar fazer a sua voz chegar a uma distância mais além.
Então o problema consistia em como conseguir amplificar o som.
Em meados do século XVIII, quando o advento da Revolução Industrial trouxe muitas
mudanças na tecnologia, o ruído ambiente industrial começa a aparecer como um risco, até
então desconhecido para o homem e ignorados os danos e as sequelas que ele provocava no
organismo humano, apesar da deficiência auditiva e de alguns problemas psicológicos
estarem evidentes.
Abasolo (2000) fala sobre este contexto de maneira bem clara, ao dizer que essas doenças têm
sido consequência das mudanças do homem, transformando as atividades laborais do meio
rural como a agricultura e criação de gado, para atividades no meio urbano e industrial,
dominado cada vez mais por atividades, máquinas e equipamentos barulhentos. Ignorando
que o desenvolvimento dessas atividades em locais habitualmente fechados provocaria o
acúmulo de energia sonora, que se se desenvolvessem em lugares abertos, um número bem
menor destas atividades. Portanto, pode-se considerar a civilização moderna como uma
"civilização ruidosa", do barulho.
É então quando, como resultado do desenvolvimento dá-se um giro oposto, e o problema que
aflige o desenvolvimento industrial passa a ser como reduzir o ruído.
É de se esperar que o acelerado desenvolvimento de novas técnicas, a criação de sistemas
automatizados e a crescente preocupação da sociedade, incidam de maneira determinante em
reduzir o ruído no ambiente de trabalho, considerando-o como um fator de poluição
ambiental, tão preocupante como qualquer outro, portanto, deve-se dedicar todos os esforços
e recursos para controlá-lo, tanto na indústria como na sociedade.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 52
2.1. Parâmetros e características do som
É importante saber com exatidão o que marca a diferença entre o que se chama de som e o
que se chama de ruído, e conhecer as características, qualidades e quantidades que os
definem como bons ou ruíns. É precisamente esta uma das questões que a atenção será dada
neste capítulo.
SOM
O termo som é definido como: A sensação produzida no ouvido por determinadas oscilações
da pressão externa (Fernández, 2002). Em outras palavras também foi definido pela
Secretaria do Estado, em 2001, onde foi afirmado ue o so é o ue se ouve. É uma
perturbação mecânica que se propaga através de um meio elástico com uma velocidade
característica deste".
Embora a propagação do som possa realizar-se tanto em meios sólidos como líquidos,
somente se estudará a mesma através do ar, por ser o mais comum, por ser onde se realiza a
transmissão do som na comunicação cotidiana dos seres humanos, quer através da música,
quer através da fala.
Quando um meio é perturbado por uma fonte de vibração, este provoca flutuações de pressão
criando regiões onde existem um aumento da mesma (compressão) e regiões onde a pressão é
menor (depressão). Elas viajam para longe da fonte que lhe deu origem em todas as direções,
produzindo as chamados ondas de som.
As ondas sonoras o ondas de tipo longitudinais, isto é, que o sentido do movimento dos
focos pontuais que compõem a sua oscilação vibram na mesma direção que sua propagação,
tal como faria uma mola que teria um peso suspenso e oscilaria livremente. Distingue-se,
essencialmente, das ondas transversais nas quais o movimento de focos pontuais vibram
perpendicularmente na direção da sua propagação, como é o caso das ondas
eletromagnéticas, as ondas de uma corda em vibração etc.
Figura 2.1. Representação esquemática de uma onda sonora
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 53
Freqüência (f) e comprimento de onda ()
Dois dos parâmetros físicos que caracterizam o som são a frequência e o comprimento de
onda. Entre elas existe uma relação inversa, ou seja, o aumento de uma implica,
necessariamente, na diminuição da outra.
Maggiolo (2003) define o comprimento de uma onda como a distância que existe entre dois
pontos consecutivos que vibram com igual fase em uma onda ou a distância que recorre uma
onda em um período de tempo (T).
O comprimento de onda, geralmente, se representa nas cristas da onda, portanto, se expressa
em unidades de comprimento (m).
A frequência é definida pela Secretaria do Estado (2001) como: O número de compressões e
rarefação das moléculas de ar por uma unidade de tempo, quando se produz o som. Esta se
mede em hertz (Hz), que é o mesmo que o número de ciclos por segundo.
A relação inversa que existe entre os dois parâmetros físicos que caracterizam o som pode se
ver facilmente na equação seguinte:
fV
Onde:
V: velocidade do som (m / seg)
f: freqüência de som (Hz)
: comprimento de onda (m)
A velocidade do som é uma variável que estará em função da temperatura do ar, da umidade
que esta contém, mas praticamente estas variações afetam a velocidade apenas uns 20 m/s
considerando os limites climáticos extremos.
O valor prático da velocidade mais generalizada é de 340 m/seg
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 54
Ruído
Diferentes autores têm definido o ruído de maneiras diferentes, uns atendendo a sua natureza
física, outros, atendendo à sensação que produz no homem. Algumas destas definições são:
Ruído: É todo o som indesejado, é o impacto ambiental nocivo causado por um som.
Dependendo da sua natureza, magnitude e duração pode resultar em uma ameaça para a
saúde e/ou produzir efeitos adversos para as pessoas e o meio ambiente (Secretaria de
Estado, 2001).
Fernández (2002) argumenta que é o som indesejado, que prejudica a saúde física e mental do
homem.
Todos os autores concordam, de uma ou de outra forma, que o ruído é um som indesejado,
que causa uma sensação auditiva desagradável ou incômoda.
O ruído é considerado, dentro da gama de poluentes ou agressores ambientais que existem,
como o que parece ter uma pesoalidade pópia, devido às características que ele possui
que são explicadas em Conama (2004) e Miliarium (2005):
- É um poluente que requer menos energia para ser produzido.
- Não deixa resíduos (não tem um efeito cumulativo no meio ambiente, mas sim no homem).
- Não e suscetível ao movimento através de sistemas naturais, tais como a poluição do ar
transportado pelo vento ou resíduos líquidos transportados por um rio por grandes distâncias.
- É onipresente, isto é, gerado facilmente, onde o homem realiza qualquer atividade e por isso
se encontra em toda parte.
- Tem uma grande capacidade de irritar as pessoas. Essa irritabilidade provocada pela
sensibilidade humana ao som varia de pessoa para pessoa.
- Não mata, ou pelo menos não o faz de forma direta, rápida e palpável.
- Está formado por ondas mecânicas, sendo esta talvez a característica que o faz ser um
poluente mais peculiar, ao ter uma existência transitória no tempo e ao apresentar
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 55
propriedades de onda, tais como, interferências, reflexões, difrações etc, torna-se difícil para
as pessoas em geral compreenderem a sua fenomenologia.
Decibel
O decibel é a unidade utilizada para expressar o logaritmo da razão entre uma quantidade
medida e uma quantidade de referência. Ela é usada para descrever os níveis de pressão de
potência ou a intensidade sonora (Secretaria de Estado, 2001).
Para entender melhor o que é o decibel, é necessário compreender alguns conceitos.
A emissão de uma fonte sonora pode ser considerada como pulsante que emite fontes de
ondas de forma esférica devido às propriedades isotrópicas do meio.
A amplitude com que vibram as partículas do ar é atenuada com a distância. A relação entre
eles expressa fisicamente o termo de intensidade a partir de:
2
2
r
A
CI
Onde:
I: Intensidade w / h
A: amplitude da onda, m
r: distância da fonte (M)
C: constante de proporcionalidade
Sendo assim, a potência que atravessa qualquer superfície esférica fora da fonte é constante
como é evidenciado pelo fato de ser independente de r.
2
4Potência AC
À medida que as fontes de ondas avaam, a mesma potência vai sendo distribuída em
superfícies cada vez maiores, então a Intensidade (I) diminui, mantendo constante a potência.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 56
Figura 2.2- Representação de uma onda sonora cuja intensidade aumenta
O som pode ser considerado como uma transmissão de energia através do ar. Portanto, pode-
se expressar também a intensidade a partir da compreensão que produz o avanço da onda no
meio. Assim:
2
2
r
P
I
Onde:
I: Intensidade, w/h
P: Pressão do Som, Pa
ρ: desidade do eio, ρ
C: velocidade m/s
O poduto ρC é oheido oo "ipedia aústica".
O conceito de intensidade está estreitamente relacionado com a energia, pode ser
osideado oo a energia que uma fonte sonora entrega ao meio y e que este irá
propagar, portanto, é a que nos transmite a sansação do quão forte ou fraco é um som.
Na figura 2.2 percebe-se o som no lado esquerdo, de forma débil, o mesmo vai aumentando
sua força a medida que se move para a direita.
O ouvido humano é assombrosamente sensível às pequeniníssimas variações de pressão que
se produzem no ar.
A partir do valor de pressão P0 = 20 uPa, o ouvido humano começa a reagir perante o estímulo
mecânico proveniente do ar. Este valor é conhecido como limiar auditivo, e ao contrário, é
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 57
capaz de tolerar sem dor os valores até 2 x 104 Pa, tomando ambos valores para as frequências
de maior sensibilidade auditiva.
Por outro lado, verificou-se que as variações de intensidade de um som, não são proporcionais
às variações de sensação de intensidade sonora que é percebida. Webber-Fechner, propôs
uma relação que expressa que a magnitude de uma sensação é proporcional ao logaritmo do
estímulo que ela provoca. Esta lei não se aplica apenas a sensações auditivas, mas também
expressa a relação de estímulo/sensação para o visual e o tátil. Esta lei se aplica aos níveis
elevados dos estímulos acima mencionados.
Com base nessa relação logarítmica e tendo em conta o intervalo de valores numéricos de
pressão audíveis é muito amplo, esses intervalos se adequaram a uma escala logarítmica que
reduz o alcance prático dos valores de pressão sonora entre 0 e 160.
A unidade dessa escala é o decibel, que refere às relações dos níveis de intensidade e é
conhecido como:
0
10 IILogeIntensidaddeNível
Como se observa, o nível de 0 decibels (dB) não se trata de um valor de 0 absoluto, mas se
refere à nossa fisiologia, ou seja, I representa um certo nível comparado com I0 que é o nível
mínimo capaz de estimular o nosso aparelho auditivo, portanto, o dB é uma expressão
matemática que expressa uma relação de níveis, permitindo utilizar dB para medir potência,
pressão etc.
As intensidades são proporcionais aos quadrados das pressões. Então pode-se representar a
expressão como:
 
2
0
10Pr PPLogessãodeNível
0
20Pr PPLogessãodeNível
Isto representa o nível de pressão sonora (NPS), que é o modo usual de expressar a força de
um som.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 58
2.2 Classificação do Ruído
A classificação dos diferentes tipos de ruídos surgiu devido à necessidade de grupar cada um
(de acordo com sua variação no tempo ou a natureza do seu espectro), para, dessa forma,
conhecê-los com maior profunidade e tentar evitá-los.
OS RUÍDOS SÃO ASSIM CLASSIFICADOS:
Ruído Ambiental: normalmente está presente no ambiente, de intensidade mensurável,
geralmente composto de sons de várias fontes próximas e distantes.
Ruído de fundo: aquele que prevalece na ausência do ruído gerado pela fonte do objeto em
avaliação.
Ruído tonal: ruído cujo espectro apresenta tons audíveis discretos, ou seja, que o nível de
pressão sonora determinado nos meios geométricos, dos terços dos oitavos é superior a 10 dB
ao nível de pressão sonora da banda oitava contínua.
Ruído constante: ruído cujo nível de pressão sonora não flutua significativamente durante o
período de observação, ou seja, os níveis determinados segundo a resposta lenta do
sonômetro variam em não mais de 5 dB por 8 horas de trabalho.
Ruído não constante: ruído cujo nível de pressão sonora flutua significativamente durante o
período de observação, ou seja, os níveis determinados pela resposta lenta do sonômetro,
variam em mais de 5 dB nas 8 horas de trabalho. (Dentro deste encontra-se o flutuante, o
impulso, o intermitente).
Ruído de flutuante: ruído cujo nível muda constantemente e em uma medida apreciável
durante o período de observação.
Ruído intermitente: ruído cujo nível cai bruscamente até o nível de ruído de fundo, várias
vezes, durante o período de observação. O tempo durante o qual se mantém a um nível mais
elevado do que o ruído de fundo é de 15 minutos ou mais.
Ruído de Impulsos: O ruído que varia em uma razão extremamente grande em tempos
menores a 1 segundo.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 59
2.3 Fundamentos da audição
A própria definição de ruído utilizada estabelece a importância do seu estudo não apenas no
seu aspecto físico, mas também o efeito que ele causa ao nosso corpo, visto que a intervenção
fisiológica que transforma o som físico em sensação é fundamental.
Sem pretender realizar um estudo fisiológico profundo sobre a energia acústica desde o
exterior do ouvido até a sua conversão em impulso nervoso, é essencial descrever brevemente
alguns dos seus mecanismos mais importantes.
As ondas sonoras que atingem a parte externa do ouvido são transmitidas pelo canal auditivo
até o tímpano, que transforma as ondas em estímulos vibratórios. Esta estimulação continua
viajando para o interior graças a uma cadeia de ossículos que recebem as vibrações do
tímpano e as transmite para a janela oval, ampliando o som umas 20 vezes.
Com a janela oval se inicia a estrutura anatômica que contém as células acústicas sensíveis ao
som. São cerca de 23 000 células acústicas, convergindo no nervo acústico, através do qual e
em forma de impulsos nervosos, se transmite o estímulo para o cérebro, que interpreta a
sensação de som.
Fernández (2002) descreve o que acontece com a sensacão do som:
é causada pela sucessão de compressões e rarefações que provoca a onda
acústica viajar pelo meio, fazendo com que a pressão existente oscile em
torno do seu valor de equilíbrio, atuando sobre a membrana do ouvido e
provocando no tímpano vibrações forçadas de idêntica frequência.
Essas sensações variam com a intensidade e com a frequência cuja magnitude é conhecida
com o nome de audibilidade.
O intervalo de audibilidade em individuos jovens abrange um amplo espectro que vai desde os
20 Hz até os 20 kHz, embora normalmente as maiores frequências audíveis não vão mais além
de 16 KHz.
Dentro da escala de 20 20 000 Hz, a sensibilidade auditiva muda com as variações de
frequência, necessitando maior estímulo para as frequências menores de 2 000 Hz e maiores
de 5 000 Hz, motivo pelo qual a escala de frequência de maior sensibilidade acústica se
encontra exatamente entre esses valores.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 60
Figura 2.3 Esquema do sistema auditivo
São consideráveis as variações do NPS que o necessárias para executar igual sensação de
audibilidade quando se variam as frequências das zonas de menor sensibilidade (baixa
frequência) para as zonas de maior sensibilidade. Variações de até 60 dB podem ser
observadas.
A amplitude das sensibilidades auditivas para as diferentes frequências fez com que, para seu
estudo mais detalhado, se dividisse o espectro auditivo em bandas de frequências. Cada banda
leva o nome da frequência central que compreende, ou seja, concentra em uma escala o valor
que abrange a banda. Por exemplo, a banda que contém as frequências de 40 Hz a 80 Hz está
definida para 63 e este valor representa a banda anterior.
As divisões que se têm feito sobre espectro auditivo dependem da exatidão com que se quer
realizar o seu estudo, os mais usados são a banda de oitava e a banda de um terço de oitava,
cujas características são:
- Banda oitava: f superior = 2 f inferior
- Terço de banda Oitava: f superior =
3inferior f2
As frequências centrais mais usadas são as de oitava que divide o espectro da seguinte forma:
f (Hz) 31,5 63 125 250 500 1000 2000 4000 8000 16000
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 61
2.4. Avaliação do Ruído
O ouvido humano não responde de igual maneira às diferentes variações de frequências, se
mantivermos constante NPS.
Isto provocou o estabelecimento de curvas de audibilidade para perceber se o ouvido iria
responder de igual maneira a estímulos diferentes.
Para fazer isso eles formaram grupos de indivíduos jovens sem danos auditivos e expostos a
tons puros em ambas as orelhas.
Os resultados desta prova foi o estabelecimento das curvas insoaudibilidade. (Veja a figura
2.4).
O primeiro critério para a avaliação do ruído baseia-se numa simplificação de curvas isofônicas
mostradas, que foi chamado "critério N de avaliação do ruído". Ele pressupõe a análise através
de bandas de oitava de ruído.
Figura 2.4 Curvas isofônica ou curvas de Isoaudibilidade.
Um dos critérios mais aceitos para avaliação estabelece que os ruídos constantes podem ser
avaliados a partir deste critério, que não o define em forma de curva e sim em forma de
tabela, como mostra na Tabela 2.1
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 62
O trabalho prático com a tabela consiste em determinar os NPS para cada uma das
frequências, levando cada valor à coluna "número de avaliação" (que corresponde ao NPS para
f = 1000 Hz).
De todos os valores obtidos na coluna "número de avaliação", toma-se o maior, concluindo
que esse é o NPS do ruído em questão.
Tabela 2.1 Avaliação do ruído segundo a ISO
Critério de Avaliação do ruído
No de
Avaliações
Frequências médias (Fm) das bandas oitavas
N
63
125
250
500
1000
2000
4000
8000
1
2
3
4
5
6
7
8
9
35
63
52
44
39
35
32
30
28
40
67
57
49
44
40
37
35
33
45
71
61
54
49
45
42
40
38
50
75
66
59
54
50
47
45
44
55
79
70
63
58
55
52
50
49
60
83
74
68
63
60
57
55
54
65
87
79
72
68
65
63
61
60
70
91
83
77
73
70
68
66
64
75
95
87
82
78
75
73
71
69
80
99
92
86
83
80
78
76
74
85
103
96
91
88
85
83
81
80
90
107
100
96
93
90
88
86
85
95
111
105
100
97
95
93
91
90
100
115
109
105
102
100
98
96
95
105
118
113
110
107
105
103
102
100
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 63
110
122
118
114
112
110
108
107
105
115
126
122
119
117
115
113
112
110
120
130
126
124
122
120
118
117
116
O outro critério de avaliação de ruído permite ser aplicado para ruídos constantes (o NPS não
varia mais do que 5 dB em oito horas de trabalho), como não constante (quando há oscilações
em mais de 5 dB em oito horas laborais).
Neste último caso, o método a aplicar é o cálculo de um nível sonoro equivalente contínuo: é
um ruído hipotético constante, o qual durante o mesmo período, representa a mesma
quantidade de energia sonora que a exposição real (Secretaria de Estado, 2001).
Assim:
 
t
00
2dtt
P
PA
T
1
Log10eqL
Uma vez que:
LA1.0
0
210
P
PA
Então:
 
dt10
T
1
Log10eqL
t
0
tLA1.0
Onde:
T: tempo total de exposição
PA: raiz quadrada da média de pressão sonora valor de correcção de filtro A
P0: pressão sonora de referência. P0 = 2 x 10 -5 Pa
Leq: nível sonoro equivalente contínuo
Mas, como LA (t) não é conhecida, a equação acima se torna:
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 64
 
n
1i
iLA1.0
10
N
1
Log10eqL
Onde:
N: número de observações
LA(i): é obtido por meio de medidas sucessivas de ruído e assume que o tempo de duração de
cada um LA(i) são iguais.
Se este último não ocorre, ou seja, em um determinado período de tempo, há um nível de som
e em outro período diferente, há um outro nível, a expressão se torna:
 
 
n
1i
iLA1.0
10it
T
1
Log10eqL
Onde:
t(i) é o tempo de exposição para um LA(i)
A unidade que expressa o nível sonoro contínuo equivalente é dB (A).
O instrumento que mede o NPS é conhecido como sonômetro, que converte as oscilações de
pressão em flutuações de voltagem, que são medidas por um voltímetro graduado em dB.
Os sonômetros possuem filtros, a resposta que neles se obtém (NPS) é muito aproximada da
resposta humana. O mais utilizado é o filtro de ponderação A, mas também podem ser usados
o B e o C. A função desses filtros é decompor o ruído complexo em suas frequências
fundamentais e ir atenuando os NPS em cada uma das suas frequências de acordo com a
resposta que daria aos ouvidos.
Assim atenuará em grande medida as baixas frequências, atenuará em menor medida as
frequências ao redor de 4000 Hz e, voltará a ter grande atenuação para altas frequências. Isso
corresponde, naturalmente, ao comportamento humano.
Geralmente, se estabelece que quando se mede um ruído com este filtro, o NPS não deve
exceder 85 dB (A) para qualquer atividade e permite 5 dB (A) a mais do que o critério N para
todas as classificações de atividade do trabalho.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 65
Este critério é mais prático do que o critério N, uma vez que não é necessário trabalhar com as
bandas de análise.
2.5. Origens e propagação do som
As fontes produtoras do som podem classificar-se em:
Fontes do ruído não direcional num campo livre: um campo livre é definido como um campo
sonoro em que a pressão sonora diminui inversamente com a distância da fonte e uma fonte
não direcional é aquela que emite sua energia sonora em todas as direções.
Nos meios industriais é muito difícil encontrar este último tipo de fonte, mas às vezes ela é
encontrada ao ar livre ou próximo a fontes localizadas em salas grandes.
Fontes de ruído direcional em um campo livre: Este é um tipo de fonte comum, uma vez que
elas não são fontes de ponto simples, mas várias fontes que emitem sons com maior energia
para uma direção do que para outra.
Fontes de ruído em um campo não livre: Esta situação é o caso mais recorrente, ou seja,
normalmente não se tem um campo aberto, sempre aparecem barreiras como paredes,
máquinas ou outras superfícies localizadas perto da fonte.
Interação do som com os obstáculos
A forma na qual o som interactua com estes obstáculos responde as leis de som. São elas:
Reflexão: As ondas sonoras são refletidas em uma superfície tal como fazem os raios de luz,
cumprindo com a relação que o ângulo com que incide na superfície é igual ao ângulo refletido
(Veja a figura 2.5).
Figura 2.5. Esquema da reflexão de uma onda sonora
A
B
C
i
r
S
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 66
Uma série de moléculas de AB que são animadas a se mover em direção à superfície S em um
certo ângulo de incidência i se refleti em um ponto de contato B, transferindo o choque,
agora na direção BC, correspondentes aos ângulos i e r iguais valores e as moléculas
perturbadas estarão em um mesmo plano. Este princípio descrito aqui em sua forma mais
simples, origem a um dos fenômenos mais indesejados na indústria conhecido como
reverberação e que será objeto de estudo neste capítulo.
Difração: Propriedade do som em torno dos obstáculos e se propaga por todo o local através
de uma abertura.
O fenômeno da difração depende da relação que existe entre o tamanho do obstáculo que se
interpõe na propagação do som e a do mesmo. Se as dimensões do obstáculo são de ordem,
ou menor do que , as distintas frentes de onda se convertem em centros emissores nos
pontos de intercepção com a barreira e em torno dela, completamente.
Figura 2.6 Difração de uma onda sonora por um obstáculo
Mas, se o obstáculo for plano, com estas aberturas, a parte da onda que intercepta as suas
bordas formariam um conjunto de centros emissores em todos os limites do orifício,
permitindo assim a passagem do som na abertura.
Esta é a razão pela qual se pode ouvir claramente uma conversa que acontece em duas salas
adjacentes, mediando entre elas uma porta ou uma janela. Estas agem como orifícios e como
as suas dimensões são de ordem das da voz, ocorre a difração. Note que isso o sucede
com a luz, visto que as suas são incoparavelmente menores que as do som.
Absorção e transmissão de som
O caso mais frequente da propagação do ruído é aquele em que ele, na sua trajetória, vai
interpondo determinados objetos, tais como paredes, homens, outras máquinas etc.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 67
De toda a energia do som que atinge a parte do obstáculo uma parte é absorvida por ela, outra
parte é refletida, e, por vezes, uma outra fração é transmitida para o outro lado do obstáculo.
É a relação entre a energia que é absorvida e é refletida da origem ao coeficiente de absorção.
Coeficiente de absorção: é definido como a fração da energia sonora que é dissipada no
interior de um material de total energia incidente.
Logo o coeficiente de absorção expressa-se por:
 
incidenteEnergia
absorvida Energia
absorção de eCoeficient
O coeficiente de absorção máximo é baseado no pressuposto de que uma janela aberta de 1
m2 de área, possui uma absorção total e, portanto, seu coeficiente de absorção é igual a 1. Sua
unidade é o sabine.
Na figura 2.7 mostra um aparelho de comprovação de tubo de Impedância
Acústica/Isolamento acústico, que foi projetado para fornecer, através de um método
acessível para a investigação, as propriedades relativas de materiais de absorventes de ruídos
bons e maus usando a extensa gama de mostras administradas (Hilton, 2005).
Cada material tem um coeficiente de absorção diferente. Os materiais suaves e porosos com
grande número de elementos interconectados têm altos níveis de absorção, enquanto que os
materiais duros e lisos são elementos interligados, a sua absorção é baixa.
Figura 2.7 Aparelho de comprovação de tubo de Impedância Acústica/Isolamento acústico
Estes coeficientes de absorção variam com a frequência, ou seja, haverá materiais que são
altamente absorventes para uma frequência e o seu coeficiente de absorção para outras
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 68
frequências não será tão elevado. O que se pode dizer é que no meio industrial as superfícies
que resistem à prova de ruído não apresentam o mesmo coeficiente de absorção.
É comum que uma fonte sonora esteja delimitada por superfícies de baixo coeficiente de
absorção, e podem constituir um campo reverberante.
Campo reverberante
Uma fonte sonora, ao emitir suas ondas, vai refletir nas paredes de todas as áreas do espaço,
reforçando o nível de som e produzindo um nível maior com a soma total produzida pela
fonte. Quando um som é emitido (por uma fonte sonora), tende a propagar-se em todas as
direções, mas quando se encontra com um obstáculo rígido é rejeitada (ressalto e mudança de
direção).
Quando isso ocorre em recinto fechado, as ondas sonoras são refletidas várias vezes pelas
superfícies, ampliando o som ou elevando o nível de ruído do local. Portanto, pode-se dizer
que esse som que muda de direção, e que permanece no local depois de desligada a fonte é o
que é chamado Reverberação (Isotécnica, 2004).
Maggiolo (2004) definiu o tempo de eveeaço oo: o tempo que demora um som para
diminuir em 60 dB (ou um milhão de vezes), depois de apagada a fote de so.
Sugere que o tempo de reverberação é diretamente proporcional ao volume do recinto e
inversamente proporcional à absorção equivalente.
O efeito que se produz na sua presença é indesejável, pois aumenta o grau de exposição ao
som internamente.
Às vezes, a energia do som é refletida em um grau tal que os níveis de pressão medidos a uma
certa distância da fonte, são independentes da direção e da distância da mesma.
2.6. Sobre a proteção auditiva
O registro do comportamento da resposta auditiva perante os estímulos sonoros conhecidos
em nível e frequência chama-se audiograma. Nele se pode apreciar os desvios auditivos dos
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 69
indivíduos que sofrem de perda auditiva, com base na comparação com os padrões normais. É
assim que se pode seguir as variações da sensibilidade do comportamento do ouvido humano
a diferentes estímulos em indivíduos expostos a níveis elevados de ruído.
A primeira área do sistema auditivo a ser afetada é a que começa imediatamente após a janela
oval, por ser a que mais diretamente recebe a energia sonora. Estas células são as que
recebem e reconhecem as frequências em torno de 4000 Hz, portanto esta área é a primeira a
ser afetada e por isso se reflete no audiograma como uma depressão.
O intervalo da perda de audição vai se estendendo paulatinamente para as outras frequências,
chegando a constituir perdas irreversíveis na surdez ocupacional.
O ouvido humano possui um mecanismo de defesa contra a exposição a níveis elevados de
pressão sonora: o reflexo estapediano. Este consiste em um pequeno músculo situado na
orelha média que ao contrair-se limita a vibração que transmitem os ossículos em cadeia. Em
indivíduos normais, o reflexo acontece aproximadamente entre 70 e 90 dB acima dos limiares
tonais auditivos.
Supõe-se que este mecanismo é a causa da diminuição auditiva temporária, que ao cessar a
exposição ao ruído, leva-se algum tempo para relaxar e deixar que o ruído passe normalmente.
Mas se níveis elevados de pressão sonora são mantidos por longos períodos de tempo, o limiar
de aumento de contração do músculo estapedial se eleva a valores maiores de NPS, o que
provoca que passem ao interior da janela oval valores elevados de pressão sonora que
incidirão diretamente nas células de Corti praticamente sem atenuação.
Este mecanismo de defesa não se manifesta para intervalo de frequência de aproximadamente
1000 a 2000 Hz, de modo que estas frequências são consideradas as mais perigosas, porque
não há defesa contra elas.
2.7. Os danos causados pelo ruído
Além da perda auditiva causada pela exposição contínua a níveis elevados de ruído, outros
transtornos podem ser observados.
São vários os autores que têm assinalado os danos causados pela exposição humana ao ruído,
entre eles é possível citar: Abasolo (2000), Martin e Miliarium (2005), concordando com
muitos dos efeitos negativos que causam, entre os mais destacados estão:
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 70
a) O sistema nervoso central (que rege as funções não voluntárias do corpo vai afetando o seu
funcionamento), refletindo-se em sintomas tais como: variações no pulso, aumento ou
diminuição da pressão arterial chegando inclusive à cardiopatia.
b) Provoca a aparição de úlceras e gastrites, produto da alteração do ritmo cardíaco.
c) O sistema respiratório aumenta ligeiramente o seu ritmo.
d) Produz sintomas como náuseas, irritabilidade, instabilidade, redução da atividade sexual,
ansiedade, depressão, insônia, sonolência, perda de apetite, diminuição de destreza e da
agilidade.
e) Contração dos vasos capilares da pele.
f) Aumento do metabolismo.
g) Digestão lenta.
h) Diminuição da acuidade visual e do campo visual.
i) O enfraquecimento das defesas do organismo.
j) Interferências na comunicação.
Estes sintomas podem variar de acordo com a susceptibilidade individual e a constituição
anatômica, mas como tendência pode ser observada na presença de ruído, sem excluir outras
causas que também podem provocá-los.
Sinais como alterações sensomotores que se evidenciam como uma diminuição na precisão,
afetam diretamente a qualidade do trabalho, diminui a produtividade e pode provocar um
aumento no número de acidentes.
Este último agravado pela situação de que os altos níveis de ruído dificultam a comunicação ou
o reconhecimento de um alarme.
A tabela 2.3 mostra a comparação dos sons comuns, com relação ao nível de pressão sonora e
aos danos que são provocados ao sistema auditivo (Miyara 2001).
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 71
Tabela 2.3. Níveis de ruído e resposta humana.
Níveis de ruído e resposta humana.
Som característico
Níveis de
pressão sonora
(dB)
Efeito
Áreas de lançamento de foguetes
(sem proteção auditiva)
180
Perda auditiva
irreversível
Operação na pista de jato
140
Dor forte
Trovão
130
Máximo esforço vocal
Decolar do jato (60 m). Buzina de
automóvel (1 m).
120
Extremamente forte
Martelo neumático
Concerto de Rock
110
Muito forte
Caminhão recolhedor de petardos
100
Muito incômodo, Dano
auditivo (8 horas)
Caminhão pesado (15 m)
Trânsito urbano
90
Incômodo
Relógio despertador (0.5 m).
Secador de cabelo
80
Difícil uso do telefone
Restaurante barulhento
Trânsito em autopista
Oficina de negócios
70
Falar normal
Ar condicionado
Conversa normal
60
Silêncio
Trânsito de veículos ligeiros (30m)
50
Precisa de atencão
consciente.
Dormitório
Oficina Tranquila
40
Muito silencioso
Biblioteca, sussurro a 5 m
30
Silencioso ao extremo
Estudo de radiodifusão
20
Audível sem esforço
Brisa suave
10
Apenas audível
2.8. Medidas de controle de ruído
Aqui serão retratadas algumas das possíveis medidas a serem tomadas em consideração para
alcançar no setor industrial os níveis de pressão sonora aceitáveis. Em qualquer caso que seja
utilizado deve-se ter em conta os seguintes pontos:
a) O controle de ruído é um problema de todos (homem, máquina e meio).
b) O seu objetivo é ter um nível de ruído aceitável a um custo aceitável.
c) O êxito das medidas de controle mede-se com a redução do ruído conseguido.
d) O controle pode ser executado em qualquer ponto do conjunto.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 72
e) O controle representa um compromisso entre o sucesso e o custo.
Autores como Maggiolo (2004) e Abasolo (2000), se dão a tarefa de definir quais as ações a
desenvolver para obter um bom controle dos ruídos que afetam os trabalhadores.
Essas ações podem ser agrupadas em três tipos que são: as ações sobre o foco de ruído, sobre
o ambiente e sobre o trabalhador. Cada uma delas será discutida a seguir.
Ação sobre o foco do ruído
São mais apropriadas, sempre que sejam possíveis, que o objetivo delas é eliminar o ruído
em sua origem. Para isto é necessário realizar ações que visam a:
a) Modificar os processos produtivos.
b) Substituir os equipamentos e ferramentas neumáticas por ferramentas elétricas.
c) Eliminar o atrito nas maquinarias de movimentos, em acabado de superfície e na
lubrificação.
d) Alcançar o equilíbrio e alinhamento das máquinas.
e) Colocar os silenciadores nos escapes de ar e/ou turbulências nos movimentos de fluidos.
f) Evitar a transmissão de vibrações entre os componentes colocando juntas elásticas.
g) Incorporar os materiais amortecedores entre as superfícies em colisão e inserir
antivibradores.
h) Proporcionar uma boa manutenção aos equipamentos de trabalho.
Ações sobre o meio ambiente
As ações sobre o ambiente em que o ruído se expande (recinto), consistem em interromper a
passagem de energia sonora da fonte geradora até o ouvido do trabalhador. Elas somente
devem ser utilizadas quando falham as mencionadas anteriormente. Para conseguir atingir o
seu objetivo estão direcionadas ações, tais como:
a) Encapsulamento ou encerramento do ruído (projetos de cápsulas).
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 73
b) Quando a cápsula não é viável, recorre-se ao isolamento do foco, e o trabalhador colocado,
neste último, em uma cabine.
c) Condicionamento acústico do local.
Ações sobre o trabalhador
As ações a serem tomadas para prevenir riscos em relação ao trabalhador, deverão ser usadas
somente quando todos os métodos citados e discutidos acima forem ineficazes ou inviáveis,
ou pelas características do trabalho, pelo custo de controle ou por qualquer outra
circunstância. As principais ações a situar:
1) A vigilância da saúde dos trabalhadores sempre que exista um risco para o mesmo, através
de:
- Realização de exame audiométrico.
- Teste com frequências determinadas de som.
2) É obrigatório, por parte dos encarregados da segurança da empresa informar e/ou formar
os trabalhadores sobre o risco a que ele expõe a sua saúde se não cumpre com o que lhe é
oferecido para a sua proteção: utilização dos meios de proteção individual: tampões,
abafadores, capacetes etc.
2.9. Controle do ruído: Desenvolvimento da metodologia
Não é de vital importância realizar uma correta avaliação do ruído, como é necessário
conhecer quais são os métodos ou procedimentos para sua eliminação, ou completamente, ou
pelo menos reduzi-la para atingir o valor máximo possível. É por isso que esta parte do livro
explicará em que consiste cada um dos métodos, nos casos em que é difícil a sua
compreensão, se desenvolverá o procedimento com um exemplo prático, para alcançar uma
maior compreensão. Entre os principais métodos se encontram:
1) Utilização de materiais elásticos: os materiais elásticos têm a propriedade de ajustar-se
sensivelmente às rápidas pressões que provoca uma onda sonora.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 74
- Painel elástico: Estão constituídos por uma chapa de madeira e um suporte. Cada painel tem
sua própria frequência e isso é de grande importância para a atenuação do som, pois quando a
sua frequência coincide com a do painel, aparece a ressonância e a energia sonora é
convertida em oscilações em grau máximo. Portanto, a absorção de um painel de elástico é
máxima para a sua frequência própria (Figura 2.8).
Figura 2.8 Painel elástico
A frequência natural é calculada por:
 
e
P
600
Hzf
Onde:
P: Painel de Peso (kg/m2)
e: espaço entre a parede e o painel (cm).
A absorção dos painéis melhora se na câmara de ar que fica entre o painel e a parede que atua
como um meio elástico é colocado um material com um alto coeficiente de absorção, sendo
seu uso mais vantajoso para as baixas frequências.
Ressonador: O ressonador acústico consiste em uma cavidade que se conecta com o exterior
através de um conduto ou pescoço em cuja boca B, incidem as ondas sonoras. Tem uma forma
semelhante à de uma garrafa (Figura 2.9).
Figura 2.9. Ressonador
B N V
L
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 75
Quando, por B, penetra uma onda movendo-se através do pescoço chegando a N, na cavidade
V se produz um som procedente do N. Mas nesta cavidade se originará uma reverberação e,
portanto, existirá uma energia que se propaga por N para o exterior de forma pulsante e
segundo a frequência própria do conjunto, que viaja em direção oposta à do som incidente.
Quando esta emissão secundária recebe uma nova onda que incide em B, suas ações se
neutralizarão e o ressonador atuará como absorvente, sendo máxima quando a frequência do
som incidente coincida com a frequência própria do ressonador produzindo-se a ressonância
em oposição ou cancelamento.
A frequência própria por um ressonador é dada por:
 
Hz
VL
S
2
v
F
Onde:
v: velocidade do som (cm/seg)
S: seção do pescoço (cm)
L: Comprimento do pescoço (cm)
V: volume da cavidade (cm3)
É chamado condutividade (c) ao coeficiente da seção do pescoço entre o seu comprimento.
L
S
C
Então, substituindo os valores é a seguinte:
V
C
5400F
O termo condutividade (c) assumirá valores diferentes dependendo das características
particulares do pescoço: se é circular, quadrado, retangular etc.
Praticamente os ressonadores vão perfurando uma placa de gesso ou de alumínio e
suspendendo a uma distância do teto e interpondo uma camada de fibra mineral. Cada orifício
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 76
atua como um ressonador individual, sendo máxima a sua absorção para as altas frequências
(Figura 2.10).
Figura 2.10. Conjunto de ressonadores feita a partir da perfuração de uma chapa
2) Tratamento Acústico: É uma das técnicas mais utilizadas para reduzir os elevados níveis de
pressão sonora quando existe um campo reverberante, é o uso de materiais absorventes. Ela
consiste em cobrir as paredes e/ou superfícies com estes materiais de forma que quando o
som incida sobre elas é reduzida a sua reflexão.
Este método é de interesse de locais de trabalho em que o problema é a dificuldade de
aprendizagem, por exemplo, no setor de serviços e da educação.
3 Utilização das Cápsulas
Quando o ruído não pode ser controlado na sua origem, em ocasiões, é conveniente isolá-lo
ou confiná-lo em recintos fechados para evitar a propagação de sua energia para outras áreas,
onde os trabalhadores trabalham. Dentro desse recinto fechado, cujas dimensões dependerão
das características do ruído, haverá um altíssimo NPS, por isso tratará de evitar por todos os
meios a entrada de pessoas.
Se tal situação fosse imprescindível como nos ventiladores de tiro forçado das termoelétricas,
deveriam extremar as medidas de proteção pessoal e controlar o tempo de exposição.
4 Utilização da Cabine
Em algumas ocasiões, o ruído provém de diversas fontes, dispersas por toda a área, assim o
trabalhador não consegue iidentificá-la, tornando-se complexa. Uma possível solução neste
caso, é isolar o trabalhador do que o cerca, ou seja, confiná-lo em uma cabine que impede ou
restringe as ondas que penetram no interior.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 77
Do ponto de vista prático, para aplicar esta técnica, exige certas características do local de
trabalho, tais como: não necessitam de deslocamento (ou muito limitado), procura beneficiar
o intercâmbio térmico, pois a cabina aumenta o calor, exige o uso de vidros para deixar passar
a visão.
Metodologia de Cálculo
Passo 1. Realizar uma análise de frequência do ruído determinando a mínima frequência que
excede o valor máximo permitido.
Passo 2. Selecionar as dimensões da cabine, suas características e materiais.
Passo 3. Calcular o coeficiente de isolamento resultante (Rres).
 
 
 
110SS1Log10Rres 10/RR
12 21
Onde:
S1: superfície interna da cabine (m2).
S2: Superfície externa da cabine, (m2).
R1: perda de transmissão interior (kg/ m2).
R2: perda de transmissão exterior (kg/ m2).
Passo 4. Determinar a área equivalente de absorção em função da frequência.
 
n
1i
i
SA
Onde:
A: área equivalente de absorção (m2).
α: Coefiiete de asoço itea sa/ m2).
Si: superfície interna da cabine (m2)
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 78
Passo 5. Atenuação obtida com a aine Δ Lf, dB.
 
ASLog10RresL if
Passo 6. Cálculo do NPS dentro da cabine.
fC L - L L
Onde:
Lc: NPS no interior da cabina (dB).
L: NPS no exterior da cabine (dB).
Δ Lf: atenuação obtida (dB).
5 Utilização de silenciadores (silenciosos ou silenciadores)
Estes são úteis para localizar a saída de equipamentos que emitem gases ou vapores, como os
motores de combustão interna, caldeiras etc.
Seu princípio é o de colocar um dispositivo na saída ou escape que diminua a sua energia
bruscamente, reduzindo assim o NPS. Seu uso mais generalizado é nos automóveis.
Existem diferentes tipos de silenciadores, que se diferenciam pelo uso que eles têm e podem
ser encontrados em Qualidade Total em Silenciosos.
O corpo humano como sistema vibrante
O corpo humano é um sistema elástico muito complexo, em que o esqueleto serve para como
estrutura suportante do conjunto de órgãos em suspensão e de conexão para os outros
músculos.
O esqueleto, os órgãos, os ligamentos e músculos têm certa elasticidade e possuem
propriedades iniciais.
Se se estuda o corpo humano em um instante, se pode considerar como uma estrutura
complexa, constituído por subsistemas de massas moles amortizadoras. Um modelo
simplificado é mostrado na figura 2.20.
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 79
Este sistema e seus subsistemas têm um valor de frequências de vibração característica.
Se se estimula externamente, cada subsistema e ao conjunto, estes responderão
progressivamente e poderão chegar até a ressonância, provocando os efeitos prejudiciais para
cada elemento, de acordo com o seu tratamento.
Figura 2. 20. o corpo como vibrante
Efeito de vibração
O corpo humano vai responder diferentemente à vibração:
Mecânicamente: Como diferentes estruturas têm sua própria frequência, quando o incidente
se iguala a ela ocorre a ressonância. Assim, temos um dos mais importantes "sistemas" que
compreende ao tórax-abdômen e começa a repercutir a frequência de 3-6 Hz.
Igualmente entre 20-30 Hz o sistema constituído por cabeça-pescoço-ombros.
A ressonância dos olhos aparece entre 60-90 Hz enquanto a mandíbula necessita de 100-200
Hz.
um efeito degenerativo paulatino da cartilagem das mãos, pés e a coluna vertebral,
fundamentalmente na região cervical (suporte a cabeça) e lombar (cabeça e tronco).
Fisiologicamente: Precisamente estes constituem um dos mais complexos e de mais difíceis
processos avaliativos, no entanto é possível determinar que os homens expostos à vibração
CABEÇA
OMBROS
BRAÇOS
ABDÔMEM
GLÚTEOS
RÓTULAS
PÉS
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 80
sofrem alterações na atividade de digestão dos alimentos e na atividade muscular, bem como
alterações do sistema cardiovascular.
Sociologicamente: Experiências realizadas em pilotos e motoristas, fundamentalmente, m
mostrado que se produzem transtornos ao sistema nervoso, refletindo em insônia,
irritabilidade, dores de cabeça, aumento do tempo de reação, alterações de reflexos.
REFERÊNCIAS
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A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 81
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A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 82
CAPÍTULO 3. ILUMINAÇÃO
Introdução
O projeto de iluminação não é apenas uma conjugação verbal de dois conceitos, mas a síntese
da ciência e da arte de iluminar, a compreensão de valores físicos mensuráveis e sua
transformação em sensações, em percepções. Projeto de iluminação significa ter em conta a
interação entre o homem, a luz, o ambiente e a matéria. Com a luz se pode jogar, se pode
atormentar ou relaxar o homem.
A luz natural proveniente do sol pode ser deslumbrante, cintilante e suave. Suas qualidades
mudam dependendo da hora do dia e variam com o clima e as estações do ano.
Em contraste com este quadro, a luz artificial é estática e imutável. O principal objetivo de um
sistema de iluminação artificial é fornecer iluminação suficiente para o desempenho de tarefas
visuais (Tutorial de instalações em edifícios, 2002).
Para que a luz seja efetiva é necessário que o sistema visual desencadeie o processo que
culmina com a visão. Este dispositivo é considerado por Vega (2000), como o mais valioso dos
sentidos que têm os seres humanos, sendo este o que proporciona ao homem, maior
informação das coisas ao seu redor, como a distância, a forma, as cores, as dimensões.
Considera-se que 80% da informação para o mundo exterior é recebida a partir do sistema
visual. Então, toda atividade humana, e é claro, o trabalho (com raras exceções) é
acompanhada por meio de observação visual (Escalona, 2002).
Mas não foi sempre assim. Através do desenvolvimento evolutivo do homem outros sentidos
tais como o olfato lhe trazia uma grande quantidade de informação, porém essa sensibilidade
foi gradualmente se enfraquecendo. O órgão visual foi o único, neste processo evolutivo, que
não não degenerou, mas que, ao contrário, se aperfeiçoou. Este é o resultado da crescente
tendência de atribuir a este órgão um grande número de funções.
Entretanto, o homem tem imposto ao órgão visual uma série de condições para o seu
desempenho para o qual filogeneticamente não está totalmente preparado: é esse o caso de
trabalhar com pouco nível de iluminação, com luz monocromática ou de espectros discretos
em contraposição com a luz natural e, finalmente, a tendência de manter a visão de perto por
A Relação do Homem com o Ambiente Laboral Página 83
longos períodos de tempo, o que origina uma doença muito comum na atualidade: miopia,
chamada também de doença dos intelectuais pela grande quantidade de pessoas que a
sofrem.
Especialmente o trabalho com níveis baixos de luz provocam cansaço visual, dores de cabeça e
várias doenças a longo prazo. Psicologicamente desenvolver um trabalho na penumbra
deprime o trabalhador em contraposição com aqueles que desenvolvem em ambiente claros e
bem iluminados. A luz percebida fisiologicamente exerce uma influência favorável sobre
outros processos, tais como a respiração, a atividade nervosa elevada e, geralmente, a
atividade vital do organismo e, consequentemente, na sua capacidade de trabalho.
Do ponto de vista econômico, o projeto adequado de sistemas de iluminação também é
importante, uma vez que favorece o aumento da produtividade do trabalho que facilita as
condições sob as quais o trabalhador realiza seu trabalho, reduzindo o tempo para interpretar
sinais e para identificar as maneiras de tomar medidas de controle. Também reduz os erros
nas atividades, o que promove um ganho de tempo do trabalhador na medida em que não
necessita retroceder o trabalho para corrigi-lo ou incrementar a sua qualidade ao ser capaz de
detectar erros e defeitos que os baixos níveis de iluminação iriam impedi-lo e, finalmente, a
redução de acidentes de trabalho com seus consequentes danos para a saúde ou para a vida
do trabalhador e as perdas econômicas que isso implica, bem conhecidas.
Apesar disso, iluminar custa, e caro, portanto a solução do problema não pode ser instalar
luminárias de forma arbitrária. Este é o objetivo de estudo deste capítulo.
3.1 A Luz
A luz é considerada uma onda eletromagnética, que, sob certas circunstâncias, lugar aos
fenômenos que originam as ondas: interferência, difração e polarização. Da mesma forma, em
outras circunstâncias, as ondas eletromagnéticas se comportam como se estivessem formadas
por um fluxo de partículas. É o caso do efeito fotoelétrico e outros fenômenos, cuja única
forma de justificar o seu comportamento é a partir da emissão descontínua de energia,
iúsulos paotes deoiados uata, ue sigifia luz e gego. Seu plural é
uatu.
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A mecânica quântica gerou interpretações e conceitos que diferem daqueles sustentados pela
mecânica clássica, pois se baseiam na emissão descontínua de energia, tenta visualizar as
propriedades moleculares e atômicas e seus elementos constituintes: elétrons, prótons,
nêutrons e demais partículas como os quarks. Essas propriedades incluem as interações das
partículas entre si e com a radiação eletromagnética.
Em cada caso a luz mostra a natureza ondulatória ou corpuscular, mas nunca ambos ao mesmo
tempo.
As teorias quânticas e ondulatórias da luz se complementam, portanto, ambos são aceitos,
que proporcionam uma descrição mais completa da luz. Agora, se a luz tem características
únicas, como é produzida industrialmente?
Deste ponto de vista prático, dois fenômenos físicos fundamentais são utilizados para produzir
luz.
Incandescência: É a forma mais antiga de produzi-la. Se a algum corpo é fornecido energia de
uma fonte externa de modo a ser capaz de elevar a sua temperatura a um nível desejado,
estes começam a emitir raios luminosos. As lâmpadas incandescentes são as que funcionam a
partir deste princípio, onde o calor a que é submetido o seu filamento ao passar a corrente
elétrica é o produtor de luz.
A luminescência: É a transmissão da luz criada a partir da excitação de elétrons de alguns
gases, resultantes das colisões que eles sofrem quando viajam em altas velocidades,
impulsionados por um campo elétrico criado entre dois eletrodos.
Os elétrons que giram em órbitas com níveis de energia definidos, ao se colidirem, se excitam,
manifestando-se nas órbitas de maior energia. Estes, quando caem a um nível inferior,
mostram a perda de energia em forma de um fóton de luz.
As lâmpadas de descarga elétrica são as que usam este princípio físico para produzir luz.
Atualmente, e talvez no futuro, são os de maior uso por seu alto rendimento luminoso, razão
pela qual se estimula a substituição das lâmpadas incandescente pelas de descarga
principalmente em interiores de recintos.
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No entanto, os mecanismos físicos descritos para produzir a luz têm a inconveniência de não
visualizar toda a energia irradiada pelo átomo ao perder sua excitação. Isso depende do
comprimento de onda com que a energia é emitida, que deve coincidir com a sensibilidade do
dispositivo ocular (faixa do espectro eletromagnético entre 3800-7500 Ao) será visível, caso
contrário, a energia irradiada não será percebida pelos olhos.
Em algumas lâmpadas de descarga que emitem radiações em regiões do espectro não visível,
pó fluorescente é adicionado para transformar essa energia em luz visível.
Fisiologicamente a iluminação mais favorável para o homem é a luz natural, além de ser a mais
econômica, por isso é necessário explorá-la ao máximo. As telhas translúcidas, os monitores, o
posicionamento correto dos vidros e janelas, podem ser formas de aumentar a sua exploração,
mas é realmente impossível predeterminar a quantidade de luz natural para tirar vantagem da
grande variabilidade dela.
Viña e Gregori (1986) sugerem que o ideal corresponde aos sistemas naturais artificiais nos
quais se atribuem sempre um máximo ao natural, que corresponde ao artificial o papel de
"completar" para alcançar o nível de iluminação necessário. O uso das células fotoelétricas
poderia ajudar neste aspecto.
3.2 O dispositivo ocular
Corresponde ao dispositivo ocular a recepção de informações provenientes do exterior que
vem pela luz que nele entra, enviando ao cérebro para interpretá-la.
Figura 3.1 Diagrama esquemático do olho humano.
Entre as partes que compõem o olho serão evidenciadas aqui as mais importantes para a
proteção do trabalho.
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a. A córnea é uma membrana transparente que cobre a parte da frente do globo ocular
que constitui a túnica fibrosa que, em certa medida, protege as estruturas mais
internas do olho.
b. A íris é a estrutura que regula a entrada de luz no interior do olho. É constituída de
músculos circulares e radiais, que apresentam uma abertura em seu centro chamado
pupila, por onde penetra a luz. O diâmetro da pupila está determinado por estes
músculos.
Quando se observa objetos com baixos níveis de iluminação se contraem os músculos
radiais aumentando o diâmetro da pupila. Isso permite que penetre mais luz no
interior do olho. Se o nível de iluminação é alta, os músculos circulares se contraem
diminuindo o diâmetro da pupila. Esse mecanismo permite a visão para uma ampla
gama de intensidade de luz e atua de forma reflexa.
c. O cristalino: É a lete dos olhos. É um citosistema altamente organizado que se
localiza entre a íris e o humor vítreo. A forma e a dimenção desta coincidem com a
lentilha (lente convexa). O cristalino pode aumentar ou diminuir a convexidade dos
seus rostos através dos músculos ciliares que permitem a partir da sua contração ou
relaxamento inchaço da lente. Participa assim dos meios refrativos do olho, sendo
capaz de aumentar e diminuir o grau para a focalização das imagens de perto. Este
mecanismo é chamado de acomodação e é de grande importância, uma vez que é
responsável por garantir a nitidez da imagem na parte mais interna do olho, destinada
a receber a imagem.
Quando se observa um objeto de perto os músculos se contraem aumentando a
convexidade do cristalino, o que possibilita a diminuição da distância focal. É quando
ocorre a acomodação.
Se se observa um objeto distante se relaxam os músculos ciliares, diminuindo a
convexidade do cristalino, aumentando a sua distância focal.
Em outras palavras, o mecanismo de acomodação tem como objeto buscar a distância
focal entre o cristalino e a retina para qualquer distância que se deseja observar.
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Quando se es observando objetos próximos é quando os músculos ciliares estão
contraídos, o que exige a realização de maior esforço, que se mantido por muito
tempo, pode levar ao desajuste do mecanismo.
uma série de profissões com estas características: desenhista, digitadores,
professores, advogados, dentre outras, de modo que o número de trabalhadores
destes setores com transtornos visuais é muito maior do que de outros.
d. A retina é a parte mais interna do olho onde convergem os raios de luz para formar a
imagem. É a mais interna das membranas e reveste o interior do olho, sendo a mais
importante devido a sua sensibilidade à luz. Pode ser considerada uma expansão do
nervo óptico.
Em cada retina cerca de 120 milhões (Gazzaniga, 2007)
de fotoreceptores (cones e bastonetes) que libertam moléculas neurotransmissoras a
uma taxa que é máxima na escuridão e diminui de um modo proporcional
(logarítmico), com o aumento da intensidade luminosa. Esse sinal é transmitido depois
à cadeia de células bipolares e células ganglionares.
Existem cerca de 1 milhão de células ganglionares e são os seus axónios que
constituem o nervo óptico. Há, portanto, cerca de 100 fotoreceptores por cada célula
ganglionar; no entanto, cada célula ganglionar recebe sinais que provêm de um
campo receptivo na retina, aproximadamente circular, que abrange milhares de
fotorreceptores.
Entre os fotoreceptores e as células bipolares, uma camada de células
horizontais ligadas a eles e ligadas entre si de modo que o potencial de cada uma delas
é uma média pesada das suas vizinhas (sendo o peso das mais próximas maior). Cada
célula bipolar recebe entradas de um fotoreceptor e de uma célula horizontal e produz
um sinal que é proporcional à diferença entre os sinais logarítimicos produzidos pelas
duas células; o que equivale a dizer que é um sinal com muito menor gama dinâmica,
porque é uma razão entre a intensidade local e a iluminação de fundo na vizinhança,
independentemente, por isso, do nível absoluto de iluminação. Como resultado disso,
áreas grandes da retina com iluminação uniforme produzem sinais muito fracos,
enquanto áreas de maior variação, como é o caso dos contornos dos objetos, resulta
em sinais fortes. Ou seja, a retina detecta essencialmente variações de luminosidade.
O sistema de fotoreceptores responde a uma alta gama dinâmica - com variações de
iluminação de de 1 para 1 milhão. Os bastonetes são apenas sensíveis a baixos níveis
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de iluminação, mas os cones, que são sensíveis a altos níveis de iluminação,
respondem dentro de uma gama de intensidade que varia com a iluminação média da
cena observada. É isso que nos faz sentir ofuscados quando a intensidade luminosa
aumenta de repente.
As células bipolares têm uma gama dinâmica muito mais baixa - precisam de
responder a um sinal proporcional à razão entre a intensidade local e a iluminação de
fundo. Deste mecanismo sensorial resulta um efeito de adaptação enorme.
Como as células horizontais têm uma resposta relativamente lenta, quando um
fotoreceptor detecta um objeto em movimento, elas ainda têm informação sobre a
situação anterior, e isso faz com que o sinal de saída das células bipolares, que passa
depois através da camada das células amacrinas para as células ganglionares, contenha
informação útil para a detecção de movimento.
Tudo isso justifica a importância de se garantir os níveis de iluminação adequados nos objetos
que precisam ser observados durante o trabalho.
Se se projeta em uma tela o espectro da luz visível e sua intensidade diminui paulatinamente,
o espectro bem iluminado apresenta cores brilhantes, mudam notavelmente seu aspecto à
medida que diminui a sua intensidade. A zona mais luminosa é alterada de amarelo para
verde, o tom vermelho se apaga em relação ao azul e logo desaparece e vão perdendo seus
tons as diversas partes do espectro, até que finalmente só uma banda permanece incolor.
Particularmente contrastantes são as intensidades das sensações que produzem o vermelho e
o azul, quando varia a intensidade da luz, aspecto a ter em conta em trabalhos que precisam
discriminar cores. Se o trabalho é executado em turnos rotativos nos quais, tanto de dia como
de noite seja necessário desenvolvê-los, a iluminação artificial deve satisfazer os níveis
adequados, para evitar erros. Isso é conhecido como o fenômeno de Purkinje.
Sánchez (et al., 1996) classifica os fatores que interferem no aparecimento destes transtornos.
Entre eles estão:
Locais: Estes podem ser de origen acomodativo (resultado de um esforço anormal da
acomodação por defeitos de refração); nervoso ou retinal (por anestesia, hiperestesia, ou
qualquer outra anormalidade da retina ou transtornos nervosos gerais), e muscular (por falta
de coordenação ou debilidade dos músculos extraoculares ).
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Ambientais: A iluminação (excesso, defeito ou distribuição), o predomínio de cores puras
em paredes, tetos e máquinas, os contrastes das cores e o reflexo da luz.
Outros como os psicológicos, excesso de trabalho e pouco descanso.
Finalmente, lembre-se que ao longo dos anos a visão enfraquece.
O Cristalino, normalmente transparente, torna-se cada vez mais opaco, dificultando a
passagem de luz, a retina torna-se menos sensível aos raios de luz, os músculos ciliares são
incapazes de conseguir as acomodações necessárias para pequenas distâncias. Pode-se dizer
que a acuidade visual em crianças é geralmente maior do que em adultos. Quando os adultos
chegam mais ou menos aos 40 anos até alcançar a velhice os valores antigos ficam próximos à
metade.
Villena (2005) levanta uma série de fatores de suma importância para a manutenção da função
visual. Entre os cuidados que devem ser tomados estão:
a. A intensidade da luz do local onde a atividade ocorre.
b. A distância visual com que se trabalha.
c. A transparência e a limpeza dos elementos que se encontram interpostos entre os
olhos e o objeto que se está trabalhando (vidros, telas, livros etc.)
d. A relação com o ambiente que te rodeia (janelas para a luz, posição de fontes de luz
etc.)
e. A organização dos períodos de trabalho (tempo de trabalho e pausas a realizar).
3.3. Grandezas e unidades de iluminação
A grandeza de base de iluminação é a intensidade da luz, sendo reconhecida em 1967 pelo
Sistema Internacional de Unidades (SI), com o nome de "candela(cd)".
As outras grandezas de iluminação são determinadas com base nas suas relação normais com
a intensidade da luz, tal como definido pelo Sistema Internacional de Unidade.
Magnitude: A intensidade da luz
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Unidade: Candela
Símbolo: cd
Definição: A Candela é a intensidade luminosa de uma fonte que emite uma radiação
monocromática com uma frequência de 540.1012 Hz em uma direção determinada e cuja
intensidade energética nessa direção é de 1/683 watt por estereoradiano.
Representa: A quantidade de luz emitida por uma fonte em todas as direções, por unidade de
ângulo sólido.
Se expressa por:
2
DEI
Onde:
I: intensidade de luz, cd
E: Nível de iluminação, lux
D: Distância entre a força de luz e a superfície, m.
2. Magnitude: Fluxo luminoso
 
Unidade: Lumen
Símbolo: lm
Definição: O lumen é igual ao fluxo luminoso de uma variação monocromática onde o fluxo de
energia é de 1/683 watt e uma frequência de 540,015 4. 1012.
Representa: A quantidade de luz emitida por estereoradiano por uma fonte de luz uniforme de
1 candela.
Se expressa por:
SE
Onde:
: O fluxo luminoso, lm.
E: Nível de iluminação, lux
S: Superfície, m2
3. Magnitude: Iluminação (E)
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Unidade: Lux
Símbolo: lx
Definição: O lux é igual à iluminação de uma superfície de 1 m2 quando se inicia sobre ela o
fluxo luminoso de 1lm.
Representa: A densidade de fluxo sobre uma superfície.
É expressa por:
S
E
Onde:
: O fluxo luminoso, lm
E: nível de iluminação, lx
S: área iluminada, m2
4. Magnitude: a luminosidade ou brilho (L ou B).
Unidade: Candela por unidade quadrada
Definição: A candela por unidade quadrada é igual à luminosidade de uma superfície plana
uniformemente iluminada em direção perpendicular cuja área é de 1 m2 e a sua intensidade
luminosa é de 1 cd.
Representa: Intensidade luminosa de uma fonte ou superfície em uma direção determinada
por unidade de área projetada da superfície.
É expressa por:
10000
rE
BoL
Onde:
L e B: a luminosidade ou brilho, cd/m2
r: fator de reflexo
3 O Brilho
O brilho ou luminância de uma superfície ou de uma fonte é igual à intensidade de luz emitida
em direção normal por unidade de área.
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O brilho depende:
Da intensidade da luz incidente: Existe uma relação direta entre a intensidade da luz incidente
e da luz refletida. Uma superfície escura pode chegar a ser tão brilhante quanto um branco se
se aumenta suficientemente a luz incidente.
Da proporção de luz refletida: Quando a luz incide sobre uma superfície, se reflete em um
determinado tamanho K, chamado de coeficiente de reflexão de luz. Para uma superfície
escura K assume valores pequenos, aumentando na medida em que a cor da superfície seja
mais clara, mas sempre manterá entre: 0 <K <1. Quando se trabalha com objetos claros e
brilhantes não é necessário iluminá-los tanto quanto precisam quando são escuros e
opacos. Isso é, geralmente, vantajoso, mas pode ser prejudicial.
Se uma superfície altamente brilhante pode chegar a causar reflexos de longo prazo, pode
causar sérios problemas. Um exemplo desse problema que se encontra hoje em estudos, é o
maior percentual de deficientes visuais que trabalham em salinas, comparado com o resto da
população. Acredita-se que a alta porcentagem de reflexão do sal (K> 0,9) exposto ao sol, pode
ser a causa desta doença. A determinação do brilho é um fator importante.Mas antes é
necessário determinar o tipo de reflexão.
Reflexão difusa: Criada quando a luz é refletida mais ou menos uniformemente em todos os
sentidos.
Reflexão dirigida: Criada quando o ângulo é formado entre o raio refletido e o normal são
iguais.
4 Contraste:
O contraste é um fenômeno com o qual se pode diferenciar cores atendendo à luminosidade e
à cor de fundo sobre a qual se projetam.
O contraste em brilho ou em cor é particularmente importante na iluminação, pois se a relação
deles é inadequada, se torna difícil a sua identificação, podendo chegar a parecer
invisível. Fazendo diferenças significativas de contraste de objeto-fundo propicia a efetuação
da tarefa com menores níveis de iluminação, e, portanto, com menos despesa, uma vez a visão
é mais rápida e precisa. A cor desempenha um papel importante no contraste, podendo
agregar altos valores a ele a partir do emprego de fundos escuros se o objeto for claro e fundo
claro se objeto for escuro.
É mais fácil ter fundos que façam um bom contraste com o objeto, pois é mais difícil alterar o
brilho ou a cor dele. Um exemplo é a cor verde escuro das lousas, que permite um bom
contraste com o giz branco. Outro exemplo é o microcomputador, que fornecem a
possibilidade de selecionar a seu gosto o fundo da tela do monitor. Se tanto o objeto quanto o
fundo não fosse possível alterar o seu brilho e suas cores, e estes fossem semelhantes, a
solução seria aumentar os níveis de iluminação.
Pérez (et al, 2005) refere-se ao contraste físico e perceptivo. O primeiro referindo-se às
quantidades diferentes de luz por parte de duas áreas, enquanto o segundo definido como
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percepções diferentes, argumentando que neste influenciam diversos fatores como: o estado
de adaptação do observador, a natureza dos contornos e o tamanho e a frequência espacial do
estímulo.
5 Distribuição de brilho no campo visual
A relação de brilho no campo visual deve ser o mais homogêneo possível, ou seja, não devem
existir grandes diferenças entre o brilho do objeto ou superfície com que se está trabalhando e
a área ao redor.
Como se tem visto, o brilho é a intensidade da luz emitida por uma superfície. Se, de forma
constante, é necessário estar mudando a visão para superfícies com diferentes níveis de brilho,
fará com que a íris tenha que regular constantemente o seu diâmetro para limitar o fluxo de
luz que penetra no olho.
Realmente para fazer com que o brilho da tarefa seja igual ao dos arredores é difícil, por isso
que foram estabelecidas proporções entre as duas. Considera-se que uma relação de brilho
entre as proximidades não maior de 3 a 1 é aceitável e uma relação entre o objeto e qualquer
parte do campo visual inferior que 10 a 1 é desejada, estabelecendo como a taxa máxima
permitida a relação de 40 a 1.
As relações anteriores mostram o critério de que as proporções de brilho a conseguir são
bastante amplas. Isso não deve ser confundido ou induzir a pensar que quando as relações de
brilho estão perto dos máximos permitidos as condições são boas. Deve-se conseguir a
uniformidade, evitando que nem o objeto de trabalho nem o seu entorno brilhe com
diferenças marcantes.
Para isso se dever ter em conta as condições concretas em que a tarefa é executada e a
reflexão da luz nas diferentes superfícies que a compõem.
7 Reflexo: O transtorno que provoca na visão um excessivo nível de brilho.
O reflexo, tanto direto como refletido é um fenômeno muito complexo e deve ser evitado em
todas as instalações de iluminação artificial, que causa uma diminuição da percepção visual
do olho humano (reflexo fisiológico) e com o tempo diminui também o bem-estar e
desempenho do indivíduo (reflexo psicológico).
Quando o sistema visual está adaptado para receber uma determinada quantidade de luz e
repentinamente sobre ele se faz incidir maior quantidade, provoca um impacto muito grande,
que o fluxo de luz que atinge a retina é maior do que o necessário para atingir a
sensibilidade normal, pois não decorreu tempo suficiente para que a íris regulasse o fluxo de
luz que devia penetrar.
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Isso causa uma cegueira temporária que durará o tempo que leva para a íris regular o fluxo de
luz novamente.
Embora a situação descrita seja a mais típica são poucas as profissões em que se faça
necessário trabalhar com diferentes níveis de brilhos tão intensos, sendo mais frequentes os
seguintes:
Reflexo direto: produzido quando o feixe de luz que emite a fonte luminosa incide diretamente
sobre os olhos.
A causa disto é a localização na linha de visão do trabalhador da fonte de luz. Para evitar isso
se colocam os acessórios especiais de proteção que podem ser classificados, em princípio, de
difusores e refletores.
Os difusores são feitos de vidro fosco ou vidro escuro para evitar o impacto direto do fixe de
luz.
Os refletores criam um fluxo de luz direcionado para uma zona determinada fazendo com ele
um ângulo protetor adequado, que não deve ser inferior a 170.
As janelas ou vidros utilizados para tirar proveito da luz natural, que por dia são fontes de alto
brilho, podem causar os reflexos ou ofuscamentos.
Reflexo Indireto: é causado pela incidência da luz sobre superfícies brilhantes, cuja reflexão é
direcionada para os olhos. As superfícies brilhantes são causadoras deste tipo de reflexo,
porque a sua reflexão é direcional.
Esta situação é fácil de evitar mudando a posição da fonte de luz, do local de trabalho ou a
posição do trabalhador. Cobrindo as superfícies brilhantes com cores de acabamento opacos
de reflexão não brilhantes, encontra-se outra solução.
Com o tempo de permanência à exposição de diferentes brilhos aumenta o desconforto,
chegando a ficar cansativo o que no início não se notava.
Morera, Saez e Varela (2004) sugerem que o desconforto do reflexo é um fenômeno que afeta
o conforto visual, colocando em risco a saúde e a segurança das pessoas na sua jornada
laboral, principalmente na forma de cansaço visual, dores de cabeça, entre outros. Como
resultado destas situações podem ser detectados problemas na qualidade e na produtividade
das tarefas realizadas em condições de iluminação inadequada.
O fenômeno do desconforto do reflexo é sutil. A percepção por parte do trabalhador não é tão
evidente como pode ser um nível sonoro excessivamente elevado. O olho humano adapta-se
progressivamente às condições de iluminação o que pode impedir de notar possíveis defeitos
na instalação da iluminação.
A avaliação do desconforto do reflexo se realiza mediante o índice UGR (Unified Glare Rating)
da Comissão Internacional de l'Éclariage (CIE). O índice UGR e seus métodos de cálculo são
descritos na publicação do CIE no117-1995: Disofot Glae i iteio lightig. á taela 3.1
mostra a escala UGR que quantifica desconforto do reflexo.
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Tabela 3.1 Escala de quantificação do desconforto do reflexo
Denominação
Valor UGR
Imperceptível
10
Pouco perceptível
13
Perceptível
16
Pouco aceitável
19
Inaceitável
22
Pouco desconfortável
15
Desconfortável
28
Intolerável
31
8 Difusão
A iluminação difusa é obtida quando a luz incide em diferentes direções.
É útil em muitos locais de trabalho, pois reduz significativamente o efeito indesejável das
sombras, que ao estar iluminado o objeto por diferentes ângulos, impede que isso ocorra.
Evita também o reflexo de superfícies espelhadas. Apesar destas vantagens, se você garantir
um nível determinado de iluminação em um local específico, a iluminação difusa é mais cara
que a dirigida porque espalha o feixe de luz sobre uma área maior.
Em locais de trabalho onde é necessário precisar determinados detalhes de relevância, como
irregularidades no acabamento de superfícies, inspeções, a iluminação difusa não é
recomendada porque não destaca os defeitos. A iluminação dirigida, neste caso, é mais eficaz.
A iluminação difusa pode ser alcançada, não a partir da instalação de maior número de
luminárias, mas, a partir da utilização de sistemas de iluminação indireta ou parcialmente
indireta, porque o teto e as paredes se convertem em fontes secundárias de grande superfície.
Um acabamento fosco sobre elas definitivamente favorece um alto grau de difusão.
O caminho para alcançar a iluminação difusa com a utilização de sistemas não diretos de
emissão de luz conduz a uma menor porcentagem de aproveitamento de energia, portanto,
também deve ser levado em consideração.
Uma solução muito particular é fornecida pela lâmpada que é colocada sobre a mesa de
cirurgia. É de grande diâmetro circular, colocando as fontes de luz para o perímetro da
lâmpada, de modo que quando o cirurgião se inclina sobre o paciente, a sombra que ele
projeta sobre ele é atenuada pela luz proveniente de outras fontes.
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Algumas características da luz suave (difusa) e dura (direta), segundo Rincóndelvago (2002).
A luz dura revela os contornos.
A Luz macia reduz o contraste também.
A luz suave é uma iluminação difusa, sem sombras. Obtém-se com fontes de luz de ampla
cobertura.
A luz dura é uma iluminação muito direcional e produz sombras pronunciadas. Obtém-se com
fontes de iluminação pontuais "spots" e da luz solar direta. Quanto menor é o tamanho da
fonte, mais dura é sua qualidade.
9 A Cor:
É a impressão que a luz produz na retina quando decomposta em seus diferentes