A análise patrimonial promove com empenho conspícuo, estudos de
compreensão do rédito, de maneira a ditar normas para o seu
comportamento. A ciência contábil, por meio de sua tecnologia analítica,
garante importantes conclusões para o funcionamento da resultabilidade,
concedendo a esta, a tarefa de integrar com eficácia, o rol das funções
que multiplicam o capital, transmitindo-lhe, prosperidade, pelo
crescimento constante e ilimitado.
1 - INTRODUÇÃO – ASPECTOS CONCEITUAIS E HISTÓRICOS DA RESULTABILIDADE
Quando Platão (428 – 348 a.C.) discursava sobre a república,
apresentando panoramas diversos, das questões sociais e aparentes deste
tipo de sociedade, inclusive, explicando aspectos da sua constituição no
mundo social, explanava tópicos sobre as diversas profissões (Livro I,
346 a-e), citando a “arte comércio”, a “profissão lucrativa” ou a “arte
de lucros” – terminologia totalmente relacionada com a disciplina
contábil -, uma menção remota, sem ser vaga, dos fenômenos que integram
um sistema maior denominado “Resultabilidade”.
O filósofo Aristóteles (384 – 322 a.C.), por sua vez, quando discutia
sobre “A política”, explicava que havia uma ciência que tratava da
capacidade de adquirir e obter lucros ou grandes fortunas; dizia ainda o
mestre (Livro I, Capítulo 3, Parágrafo 17): “... Na arte de ficar rico
não existem meios apropriados à finalidade proposta; porém tal objetivo
é a riqueza, assim como tem sido definida a aquisição de dinheiro”.
Em outra de suas obras – a “Ética a Nicômaco” –, o filósofo de Estagira,
esclarecia (Livro IV, Cáp. 1) que as dádivas deveriam ser controladas, e
os gastos deveriam ser bem realizados. Com isso o mestre afirmava que
tudo o que se recebe (dádiva), tinha que ter profundo equilíbrio com o
custo (gastos); estas concepções envolvem, portanto, o sistema do rédito
patrimonial.
As citações dos nobres autores se devem, exclusivamente, ao fato de ter
existido uma extrema movimentação patrimonial nos empreendimentos da
época; D`auria (1959, p. 23 e 24) nos conta, que no “Templo de Delfo”
havia menções de fenômenos redituais nas espécies de despesas, juros, e
aluguéis, relacionados principalmente com as festas religiosas. Então
critérios nítidos da intitulação de componentes da resultabilidade já
existiam nessa época.
Por isso que Vincenzo Masi (1997) afirmava que em Roma- império do
mundo- e em Grécia antiga (que nos referimos anteriormente), a
contabilidade teria sido exaltada. O cientista italiano (p. 4),
reclamava que nas obras de contabilidade da idade média havia a
necessidade de elevar tal disciplina “à alteza de logos e da razão como
haviam feito os contadores Gregos e Romanos( Logistikoi e Ratiocinatores)”
Aristóteles (384- 322 a.C.) estava, pois, certo em mencionar atitudes
para o controle das despesas e receitas, visto que o patrimônio público
necessitava do lucro; na Grécia, conforme explica Cosenza (2003) a
prática contábil entre os gregos era uma forma normal de vida, então
também saudável seria a “arte de lucros” de Platão (428 –348 a.C.).
O correto é destacar que à medida que a ciência da riqueza se
desenvolvia – tida anteriormente apenas como técnica - era abandonada a
sua parte pragmática, modificando assim, a forma que tratava o objeto
que estuda, tornando, desta maneira, vulnerável a sua mecânica, que
seria explicada pelo raciocino teórico, pois, denotaria teoremas
grandiosos e formidáveis no estudo dos bons lucros e resultados
específicos para o capital.
Toda grandeza comensurável, que forma um conjunto de coisas que servem à
satisfação das necessidades humanas são, pois, bens; e estes em
conjunto, formam o patrimônio. A formação deste implica a criação de um
negócio. O rei Salomão quanto escrevia o “Eclesiastes” (Cáp. 8,
versículo 3) dizia: “Não te comprometas com um mau negócio”. E
logicamente, o que seria um mau negócio? Aquele que não gera lucros
suficientes e equivalentes para a sua continuidade. A resultabilidade
eficaz é uma condição fundamental para a existência e funcionamento do
capital empreendido.
Também na idade média (quando se desenvolvia a “ciência do comércio” ou
“arte de registros”, ensinada como uma parte da aritmética nas escolas
diversas) o próprio Frei Luca Pacioli (Aloe e Vale 1966, p. 105) na sua
“Suma de Geometria e Aritmética, Proporção e Proporcionalidade” não
faltou com a coerência, ao ensinar, além dos registros, os aspectos
fenomênicos; aludia o mestre que o lucro seria lícito desde quando
obtido honestamente. Ultrapassava o religioso veneziano, a visão unívoca
para as contas e registros, pois, a razão contábil não poderia se ater
aos mesmos, que eram importantes apenas para representar a apuração dos
acontecimentos decisivos para o estado do resultado.
Testemunhos notáveis como aqueles dotados de um teor científico, são
raros quando se tem como base os de Coffy (Apud - Pfaltzgraff 1956); o
mestre já pregava sobre o capital, e o mesmo seria suposto a variações;
a contabilidade, segundo ele, deveria descobrir as causas e os efeitos
desses movimentos. Então de forma oculta havia uma pregação sobre o
capital no ângulo reditual, visto que, o resultado aqui entendido como
Lucro, era o fenômeno principal a ser observado.
No século XX, com a contabilidade científica bem adiantada, o contador
de Veneza, Fabio Besta (1922), aludia sobre o sistema de Resultabilidade;
assim expressava o Doutor (p. 88): “Os aumentos do patrimônio em geral
são, ou rendimentos, ou lucros, ou proveitos, ou recuperações, ou novas
dotações, ou superveniências ativas; as diminuições são, ou despesas, ou
perdas, ou cessão de bens, ou superveniências passivas”. Então o mestre
fazia importantes detalhamentos sobre os fatos do sistema de rédito.
O professor Vincenzo Masi (1968) de Bolonha, mais uma vez destacava a
qualidade científica da Contabilidade, quando definia os fenômenos
patrimoniais como seu objeto, ressaltando a necessidade de se estudar as
receitas e os custos, sejam eles fixos ou variáveis, na suas diversas
espécies, que podem se apresentar. O estudo contábil segundo ele, teria
que disciplinar a marcha ou comportamentos dos acontecimentos,
principalmente, para aqueles que se consideravam “irracionais”,
relativos ao bom resultado que produz a sanidade patrimonial.
Nos Estados Unidos da América, os estudos sobre os custos, receitas e
retornos lucrativos (rentabilidade), no início do século XX, em 1903,
levavam a empresa “Du Pont Powler Company”, especializada em consultoria
patrimonial, a criar uma relação que foi chamada de “Indicador de
retorno do Investimento” (ROI), que media o grau de lucros que os
investimentos das empresas produziam - sobre a análise de retorno, por
menção, temos estudo semelhante e recente produzido por Rodrigues e
Ferreira (2006)-, a fim de estudar a rentabilidade das aplicações. Essa
história contada por Johnson e Kaplan (1996), era relatada com o fito
nos estudos de resultabilidade, embora, os autores considerassem os tais
como próprios de uma “Contabilidade de Custos” infelizmente voltada
somente para a “escrita dos custos” ou “Compustítica”.
Porém, cada autor expôs de seu modo, os fatos de rentabilidade, absorção,
proporção dos custos, lucratividade, redimibilidade, redibilidade,
rendibilidade, relação de despesas, custos, estados de equilíbrio,
proporção de vendas nas suas espécies, entre outros acontecimentos.
Todavia, todos estes acontecimentos integram um sistema maior: o de
Resultabilidade.
Portanto, ostentar como faz o Neopatrimonialismo, o conjunto destes
inumeráveis e grandiosos fatos expostos, numa vigorosa tentativa de
enumerar os mesmos, procurando uma junção da teoria Masiana (de Vincenzo
Masi), positiva de D`auria (sistemática) e Lógica (Filosofia),
denotando-os todos como próprios de um sistema, que chamamos de
Resultabilidade, é um progresso em nosso conhecimento.
A resultabilidade como aqui entendemos - no ponto de vista
neopatrimonialista - é uma função sistemática, ou seja, um movimento
provocado pela cinemática dos componentes, custos e receitas; tal função
poderá ser eficaz ou não, dependendo da qualidade do seu resultado
(lucro ou prejuízo). Isso é o que prega a doutrina moderna da
Contabilidade.
A Filosofia Neopatrimonial por sua vez já generaliza a resultabilidade a
mais sete sistemas - os clássicos- provocando uma análise holística dos
resultados: financeiro, do risco, da produtividade, economicidade,
socialidade, elasticidade, etc. Como a todo e qualquer sistema que se
pode estudar e destacar no amalgama de riqueza.
2 - A CONCEITUAÇÃO MODERNA DO RÉDITO NOS DIZERES GERAIS DOS AUTORES
DIVERSOS, E NA CONCEPÇÃO NEOPATRIMONIALISTA
Portanto, numa contínua união da essência dos formidáveis conceitos em
torno do sistema do rédito, provindos de exímios esforços dos inúmeros
pensadores, a contabilidade reúne numa teoria geral, aspectos destas
mesmas designações em torno desta fenomenologia. A resultabilidade é
entendida como sistema de fatos que acontecem, considerando a natureza
funcional das receitas que absorvem os custos. Compreende este sistema
como função ou movimento, mas aceita-se com amplitude que tal conjunto
se interage com os outros (liquidez, estabilidade, economicidade, etc),
na visão avançada do Neopatrimonialismo.
Os conceitos da Resultabilidade reúnem-se numa Teoria Geral do
Conhecimento, que absorve as idéias de Rossi, Besta, Mais, D`auria,
Amorim, Herrmann Júnior, e diversos outros. Portanto, não se pode
considerar o resultado apenas como uma “diferença” - tal classificação é
parcial-; o rédito é, pois, um fato derivado dos investimentos e
desinvestimentos, como abordou Sá (1965, p.64) em sua tese.
As concepções que aceitam as terminologias neopatrimoniais são
inesgotáveis. Basta citar Besta (1922) que afirmava existir o resultado
(p. 88): “Pela diferença entre o total do patrimônio Líquido revelado
num instante anterior, e os seus aumentos que se tem alcançado depois, e
o total das suas diminuições que existem imediatamente no mesmo espaço
de tempo”. Vemos aqui um testemunho embrionário da teoria reditual, que
considera o resultado como a variação das quantidades ou massas dos
recursos próprios (teoria dualista).
Diversos autores consideram o resultado como a diferença das contas.
Porém, Johnson e Kaplan (1996) diziam que os métodos de estudo dos
custos se arrefeceram no tempo e na prática contábil; isto na ótica
escritural. Realmente, se considerássemos as planilhas que classificam
os custos, as receitas, ou até mesmo as informações que se denominam “gerenciais”,
elas não atendem por si mesmas a razão contábil, no que realmente se
relativiza ao aspecto administrativo.
E nunca a conseguiriam porque “o que falta é o conhecimento” (p. 14)
como abordavam os mestres; é a análise que explica o gerenciamento
utilizando a relevação como seu instrumento.
Exemplos notáveis se encontram no “Curso de Contabilidade” de Finney
(1967), principalmente no tratamento do rédito, pois, o mestre aponta o
estudo das causas e efeitos das variações dos custos e receitas; além
disso, ele trata da análise dos custos de mercadorias, despesas
administrativas, percentuais de gastos, aumento de vendas, entre outras
fatologias. A preocupação de Finney não foi somente com a criatividade
de informar, mas sim a de obter conhecimento sobre o que estava cifrado
estaticamente nestas formas.
Percebe-se que notável é a diferença da informação dos custos, com todo
o estudo da resultabilidade expressada dimensionalmente. A
“sistematologia” como definia D`auria (1959) seria o estudo da
Contabilidade sobre os sistemas patrimoniais; outro conceito é o de “sistematografia”,
que seria a evidenciaçao do conjunto de fenômenos. A demonstração do
Resultado, e a Planilha de Custos são “sistematografias”, que expõem uma
“sistematologia” patrimonial: A resultabilidade.
A teoria Geral da Contabilidade apenas promove, como absoluta categoria,
uma junção de idéias: a de Besta sobre a situação reditual; os aspectos
sistematológicos de D`auria; a essência do conhecimento reclamada por
Johnson e Kaplan; a orientação racional exposta por Finney; num rico
amalgama para a mente contábil. O raciocínio, nesta “fusão intelectual”
se dá em apoteose quanto adentram nos “estudos atômicos” do fenômeno
patrimonial.
Para Sá (1995) a resultabilidade é um sistema do capital que promove a
obtenção dos resultados. Neste sistema há, pois, necessidades de custos
ou gastos e meios de receitas. A função da resultabilidade é, pois,
promovida pelos desinvestimentos (receitas ou ingressos), que se
movimentam e giram produzindo o lucro, ao absorverem com facilidade os
investimentos em produção (custos). Porém, a função reditual poderá ser
negativa, considerando o funcionamento dos seus elementos.
As necessidades que compõem o sistema de resultabilidade são os
investimentos em custos. Há quem os divida em custos e despesas; os
primeiros são os principais, os segundos complementares. Geralmente são
designados como “Custo das Mercadorias Vendidas”, “Custos dos Serviços
Prestados”; “Despesas de Vendas”; “Despesas Tributárias”; “Despesas
Financeiras”; no aspecto gerencial, diversos autores - Martins (2003),
Leone (1979), Florentino (1973), Wernke (2004), Hansen e Mowen (2003),
Neves e Viceconti (1994)- definem os gastos como fixos e variáveis,
diretos e indiretos. Enfim, o sistema reditual assim é analisado de
forma dedutiva, considerando os seus meios e suas necessidades.
Os meios da resultabilidade são, pois, as receitas: as vendas de
mercadorias, produtos e serviços; as receitas não-operacionais (que não
fazem parte da principal atividade do empreendimento); as doações e os
rendimentos das aplicações; os juros ativos e descontos ativos, como as
demais recuperações dos custos que poderiam vir a causar aumento da
situação patrimonial.
A resultabilidade é um movimento produzido, diretamente, pelas receitas.
Primeiramente há necessidades de operação que ocasionam os custos, com a
finalidade de conseguirem os proveitos ou superveniências, depois é
necessário que os gastos sejam absorvidos ou recuperados; a receita tem
este objetivo: o de recuperar os investimentos para que se tenha o
resultado.
Percebe-se que os custos e receitas são também compostos, ou seja,
possuem sub-elementos. Fala-se deles de modo geral, porém, cada
componente do sistema reditual, possuem sub-sistemas. As receitas
possuem divisões - vendas, ganhos, proveitos, rendimentos de aplicações
- os custos também- gastos principais, despesas dos setores, custos
fixos e variáveis, despesas gerais, despesas com vendas-; um fenômeno
reditual é a junção de diversos outros fenômenos. Numa análise indutiva
percebe-se quais fenômenos particulares provocam o estado do elemento e,
conseqüentemente, do sistema.
O sistema reditual está entre os principais e básicos; isto é, dele
depende a eficácia patrimonial. Se o resultado é eficaz - quando cobre
os custos - o patrimônio cresce saudavelmente (elasticidade) e consegue
cobrir os seus riscos (invulnerabilidade), no contrário, poderá deixar
de existir a prosperidade.
A resultabilidade, por isso, se divide em duas espécies: o lucro ou o
prejuízo. A função de lucro existe quando a receita se demonstra maior
proporcionalmente que o custo. Nos casos de prejuízo ocorre o contrário:
o custo é maior que a receita.
Estas são qualidades da resultabilidade.
Para monteiro (1968, p. 68) o lucro seria: “uma forma de remuneração que
se desenvolve apenas no organismo de produção - na empresa-” e ainda
acrescenta que ele pode ser entendido: “como um acréscimo”, porque ele
agregará potência de massa na riqueza.
O professor Erymá Carneiro, na sua obra enciclopédica, diz que o lucro
(p. 131 -
132): “nada mais é do que a resultante aritmética entre o ativo e
passivo menos o capital, ou menos o capital mais as reservas
anteriores”. Porém, mais adiante ele acrescente(p. 137): “Assim o recebe
a contabilidade, assim ela o registra: como um fenômeno econômico que
constitui a finalidade vital da empresa”.
Também temos as conceituações de Gino Zappa (Apud - Monteiro 1968,
p.70): “O rédito é o acréscimo que, num determinado período de tempo, o
capital de uma dada empresa sofre em conseqüência da gestão”. De modo
geral seria uma conseqüência da administração no exercício.
Mas, digna de consideração é a abordagem de Zappa sobre o rédito que
destacamos:
“Somente no funcionamento do rédito manifesta-se a vida do capital.
Somente pela consideração do rédito que se induz a estudar, não quanto é
como quer a ciência moderna, mas quanto ocorre. Afirmamos, portanto, que
também neste aspecto econômico- aziendal, o acontecimento do rédito é o
fenômeno predominante da vida econômica, que o rédito é o alfa e o ômega
da ciência econômica”(ZAPPA, Gino. Il Redito di Impresa: Scritture
Doppie, Conti e Bilanci di Aziende Commerciali. 2ª ed. Milão: Dott. A.
Giuffrè - Editore, 1950. p. 94)
Percebe-se, que o mestre valoriza a capacidade do capital, não somente
“quanto é”, mas, sobretudo “quanto ocorre” tal fenômeno; de que modo que
se produz, e como influencia o capital.
Porém, podem ocorrer casos em que não há rédito - a receita é igual ao
lucro-; nestas ocasiões, tem-se o “ponto de equilíbrio” ou o chamado
“equilíbrio econômico”. Então não haverá espécies de resultabilidade a
serem analisadas, pois, foi uma situação nula ou o “ponto zero”. Tais
ocorrências são extraordinariamente raras, para deixar de dizer que
quase não acontecem.
Concluindo, os conceitos em torno da resultabilidade anunciados pela
doutrina neopatrimonialista são estes expostos nos parágrafos
anteriores, - coadunando na opinião de diversos autores - logicamente,
de modo muito conciso e breve. O sistema reditual é concebido como uma
função; um composto de elementos fenomenais; um conjunto, cuja eficácia
influencia a prosperidade do patrimônio.
3 - OS EFEITOS DO RÉDITO
Muito se tem pregado sobre os efeitos do rédito, ou seja, sobre o que
ele transmite na riqueza aziendal, quando eficaz; para a maioria dos
autores os efeitos desta fenomenologia são os dos mais importantes no
capital. Todos são unânimes nesta questão. Numa ótica generalizante o
rédito seria responsável por todos os estados do patrimônio, isto é:
seria a causa para a liquidez, equilíbrio, vitalidade, proteção,
aumento, etc. Esta observação não está errada, mas carece de uma
explicação pormenorizada. Neste tópico trataremos sobre alguns básicos
efeitos do rédito.
O primeiro deles seria o de sanidade, ou seja, o rédito apresenta tal
estado. Antigamente pensava-se que ele era o único sintoma deste estado
formidável; o nítido engano transpareceu, ao perceberem que a
resultabilidade é um dos sistemas. Não se pode comprovar a sanidade
apenas analisando esta função, e também não se pode determiná-lo sem
deixar de observá-la. Os balanços, pois, que traziam o lucro registrado,
eram considerados de empresas prósperas. Era uma verdade relativa no
tocante holístico de investigação. A interação de tal função pode ser
negativa e, portanto, transmitir maus estados para o patrimônio aziendal.
À medida que se desenvolviam os estudos, diferentes foram os graus de
concepção.
Outro efeito do rédito é o que condiz com as alterações da massa
patrimonial, ou seja, a função de resultabilidade, quando positiva,
propõe aumento do capital próprio, e quando negativa transmite redução,
portanto, alterações ou variações da massa de nosso objeto são causadas
por este sistema básico e fundamental.
Observando também o rédito num ângulo de campos de observação (estático
e dinâmico) ele pode transmitir efeitos diferentes: para a estática ele
é uma causa; entende-se este aspecto como relativo ao equilíbrio - no
patrimonialismo a estática era a doutrina do equilíbrio-; e para
dinâmica ele é uma variação. Tais considerações nunca originais de nossa
parte foram já explanadas por Sá (1953) na sua obra filosófica.
Inegável é o valor do rédito no capital da empresa, e relatamos apenas
alguns efeitos deste importante fenômeno - ideal para a variação do
capital, sanidade, equilíbrio estático e dinâmico-, sem querer apontá-los
todos. Mas, numa visão holística, tal fenômeno é responsável por todos
os efeitos do capital, mesmos aqueles provindos do ambiente.
Em certa época considerava-se o rédito como um elemento unicamente
provindo da gestão patrimonial. Então, o resultado, produzido era pelo
governo administrativo, porém, todavia, com o passar dos tempos, nas
pesquisas aprofundadas, percebera-se que tal opinião, nunca poderia ser
considerada como única simplesmente. Havia as questões ambientais que se
deveriam tomar em consideração.
Então profícuo seria considerar o rédito como um produto da gestão e do
efeito ambiental. Na verdade, a observação essencial fenomênica deste
sistema, é causada pelo movimento de outros fenômenos: os custos e
receitas. Porém, estes elementos funcionam por causas agentes que o
fazem apresentar certos estados, muitas vezes pouco esperados. Na
questão ambiental, uma chuva torrencial, em nada poderá transmitir de
negativo para um escritório contido num condomínio fechado, todavia,
numa plantação de café pode ser desastroso, a ponto de transformar toda
a produção em perda irremediável. É uma causa ambiental externa que se
deve levar em conta na análise reditual.
Portanto, tratamos aqui dos efeitos do rédito – impossível é tratar dos
efeitos sem considerar as causas. Importante é ter em mente todas estas
concepções. A resultabilidade é um dos principais sistemas do patrimônio.
A análise contábil quando procura concluir sobre os efeitos deste
importante fato, garante formidáveis aspectos dos estados que apresenta,
além de propor orientação sobre o que se deve fazer para a sua eficácia.
Porém, nota-se que neste estudo, não se pode esquecer das causas
ambientais, que são mais decisivas em certas ocasiões, que a vontade
administrativa.
4 - FATOS DA RESULTABILIDADE
A resultabilidade entendida como sistema, na concepção atual
neopatrimonialista, é um conjunto de partes; essas são componentes
redituais: os custos e as receitas. Ambos componentes são formados por
elementos, que por sua vez, se constituem de outros elementos. Então a
resultabilidade é uma sistemática que possue, também, subsistemas.
A teoria dos campos- derivada do neopatrimonialismo- apresenta uma visão
sublime da holística análise particularizada dos sistemas e conjuntos
patrimoniais. Nesta teoria, que conseguimos classificar os processos dos
estudos atômicos do fenômeno do capital. E a visão de subsistemas, que
esta tese fita como escopo. Então se percebe uma verdadeira gama de
fenômenos e fatos da resultabilidade (como sistema). Conclui-se que
diversos são os acontecimentos que podem ser considerados redituais.
A venda é um elemento da receita, então é um fenômeno reditual; as
prestações de serviços sejam elas a vista ou a prazo também são; os
rendimentos e proveitos de produção; a venda de resíduos; as doações em
casos extraordinários; as vendas de imobilizado e revenda de mercadorias
obsoletas, podem ser considerados fenômenos deste sistema. Também os
custos dos produtos vendidos; as despesas com vendas, com comissão, as
administrativas, gerais e financeiras; os gastos com frete e manutenção;
os acidentes fortuitos que provocam perdas são fenômenos da
resultabilidade. Mas, aqui são apenas citados alguns dos naipes
fenomenológicos do sistema de lucros.
A razão entre os fenômenos vai gerar o fato, ou seja, na verdade, o fato
é o efeito do fenômeno - no ponto de vista filosófico-, mas pela ciência
todos são acontecimentos. São redituais. E são diversos: a reditividade,
redimilidade, lucratividade, absorção dos custos, relação dos custos e
despesas, rentabilidade, redibilidade, acumulação reditiva, elasticidade
reditual, margem bruta, potência redímica, entre outros. Todavia,
falaremos sobre alguns deles.
Temos a reditividade como capacidade de um elemento reditual (formador
do sistema especifico) produzir o rédito. Tanto as despesas, sejam de
quaisquer espécies, como os custos técnicos, e, diretamente, as receitas
produzem o rédito. Porém, para detalhar, temos que considerar tal fato
como próprio da capacidade dos investimentos em produção, ou seja, a
reditividade é produzida pelas despesas e custos.
Tal fato se distingue da redimibilidade. Neste fenômeno considera-se a
capacidade do estado positivo- lucro- em eximir as despesas e gastos.
Redimível significa algo que “apaga”, “anula” e “perdoa” - lembre-se da
Remissão -; no campo contábil considera-se a capacidade da função
positiva do resultado em anular as necessidades dos gastos.
A lucratividade é, pois, a capacidade de se produzir lucros pelas
receitas. As vendas têm a capacidade de produzir lucros; os gastos, por
sua vez, devem produzir tal efeito, pois, para isso são criados ou
investidos, são, pois, reditivos. Quando o empreendimento apresenta um
nível lucrativo, pode-se dizer que todos os meios redituais (receitas) o
fizeram, mas, quando aparece um resultado negativo as causas giram em
torno do reditividade.
Notável influência transmite a rentabilidade, aqui entendida como
capacidade de um elemento da estrutura patrimonial, em produzir lucros.
Neste caso verifica-se principalmente se o capital próprio possui esta
qualidade. Também é comum analisar os investimentos patrimoniais, porque
tudo o que se aplica no patrimônio: os bens, os recursos imobilizados,
os créditos, as ações, deverão produzir proveitos aceitáveis.
Rentabilidade é a capacidade de um investimento ou grupo patrimonial,
produzir resultados positivos, ou seja, lucrativos.
Existe também a absorção dos custos, que consiste na capacidade de um
meio reditual recuperar os investimentos em gastos de produção. Neste
fato observa-se a adequação do desinvestimento na estrutura dos custos,
ou seja, se o gasto é absorvido. É um dos mais importantes fatos da
análise reditual.
Dos fatos aqui mencionados – em número de cinco: reditividade,
redimibilidade, lucratividade, rentabilidade e absorção de custos -
temos inumeráveis tipos de cálculos para o seu estudo. Porém, cabe aqui
neste limitado trabalho fornecer apenas alguns caminhos para esta
análise e entendimento.
Não queremos, todavia, taxar limites na contabilidade, porque inúmeros
são os fatos e fenômenos da resultabilidade.Entrementes, os conceitos
aqui expostos, como objetos do estudo da análise reditual são alguns,
dos inumeráveis que o leitor encontrará no cotidiano da vida de
consultor patrimonial.
5 - ANÁLISE REDITUAL PELAS RELAÇÕES
A relação é a razão que um elemento possui no outro, fornecendo condição
suficiente para se obter explicações dos estados fenomênicos que
apresentam. A razão ou quociente não é método novo na contabilidade,
apesar de ser o mais proveitoso e o mais usado na prática consultiva.
Na análise reditual muitas são as razões, então não e nossa intenção
querer aqui esgotar o assunto, mas, sim oferecer propostas para cálculo
(algumas delas) de maneira que se possa com segurança, estudar os
componentes deste importante sistema num ângulo que compreende as cinco
fatologias de: reditividade, redimibilidade, lucratividade,
rentabilidade, e absorção dos custos.
Os custos devem possuir a capacidade de produzir o resultado, do
contrário são considerados ineficazes. A reditividade é o fato produzido
pela movimentação dos custos em objetivar o resultado. Para a sua
análise é preciso observar que, quanto maior for a capacidade dos
investimentos em produção conseguirem efetivos lucros, melhor é a
situação do capital. Vejamos algumas relações que comprovam esta
condição:
Reditividade
Resultado Líquido Quociente que fornece as razões da reditividade do
custo principal.
Custo Técnico Quanto maior o resultado positivo, melhor.
Resultado Líquido Quociente que fornece as razões da reditividade das
despesas.
Despesas Gerais Quanto maior o resultado positivo, melhor.
A redimibilidade se apresenta como fato que anula os investimentos em
produção pelo resultado lucrativo. Poderá ser estudada pelos quocientes:
Redimibilidade
Custo Técnico Quociente que revela a capacidade do lucro em anular os
custos.
Lucro do período Quanto menor o resultado, melhor.
Despesas Gerais Quociente que revela a capacidade do lucro em anular as
despesas.
Lucro do período Quanto menor, melhor o resultado.
A redimibilidade é entendida como capacidade do lucro em absorver as
necessidades redituais, porém, temos também a rentabilidade que é quase
o contrário, pois, é a propriedade dos bens investidos e financiados
produzirem o lucro. Pode ser analisada pelos quocientes:
Rentabilidade
Lucros Quociente que revela a razão da rentabilidade dos investimentos.
Investimentos Quanto maior, melhor o resultado.
Lucros Quociente que revela a razão da rentabilidade dos recursos
próprios.
Capital Próprio Quanto maior, o resultado, melhor.
Se o capital próprio e os investimentos forem rentáveis (produzirem
lucros) então boa é a situação da resultabilidade. Quanto mais lucros o
empreendimento produzir, melhor é a situação do capital organizado à
disposição da atividade. Mas é necessário também expor as razões para
outro fato do sistema reditual que é a lucratividade:
Lucratividade
Lucro Quociente que revela as razões da lucratividade das vendas.
Vendas Quanto maior, melhor.
Lucro Quociente que revela as razões da lucratividade das outras
receitas.
Outras Receitas Quanto maior, melhor.
Os quocientes acima expostos revelam quanto que lucra as receitas. Uma
razão patrimonial sempre leva à outra razão. Após observar as relações
da reditividade, redimibilidade, rentabilidade, e lucratividade
analisamos a condição da absorção dos custos gerais pelas fórmulas:
Absorção dos Custos
Custos Principais Quociente que revela a razão da absorção dos custos
principais.
Vendas Quanto menor, melhor o resultado.
Despesas Quociente que revela a razão da absorção das Despesas.
Vendas Quanto menor, melhor o resultado.
Então traçando razões para os fenômenos de absorção, lucratividade,
rentabilidade, redimibilidade, redibilidade, o consultor poderá traçar
considerações para orientar os administradores do empreendimento. Estas
razões não são as únicas e exclusivas, mas são as gerais que a valiosa
tradição contábil transmite para o aspecto superior. Vemos as tais,
escritas por: Florentino (1989), Koliver (1971), Myer (1972), Franco
(1973), Herrmann Júnior (1975), Sá (2005), e diversos outros.
Deve-se traçar considerações sobre os resultados dos quocientes, sempre
considerando a unidade, ou seja, um. Por exemplo, a análise da
lucratividade observará “o quanto que as vendas lucram em cada unidade
de receita”. Na redimibilidade observa-se “quanto que se anula de
investimentos redituais por cada unidade de lucro”. Na rentabilidade
“quanto que lucra cada $ 1,00 de capital próprio o investido”. E assim
por diante.
Os resultados observados devem ser considerados com absoluta
relatividade. Nem sempre um resultado maior que a unidade poderá ser
considerado ruim, como é o caso da redimibilidade que costuma ser maior
que um. Os fatores como tipo de atividade, mercado, gerenciamento,
estado patrimonial, estado aziendal, políticas administrativas, devem
ser considerados. É bom observar tais quocientes no tempo de modo que se
possa produzir conclusões plausíveis.
6 – CONCLUSÃO
Importantes estudos devem ser feitos para a análise da resultabilidade,
que é um dos principais sistemas funcionais do patrimônio, responsável
por inúmeros efeitos como os relativos ao equilíbrio, poder de compra,
liquidez, aproveitamento, menor risco entre outros diversos do capital.
A análise contábil por meio de formidáveis cálculos pode obter razões
sobre os fenômenos redituais, de maneira a comprovar-lhes o estado,
diagnosticando as situações em laudos ou conclusões formais, de modo que
se possa aconselhar a decisão administrativa, no que tange à constante
eficácia que chamamos de prosperidade.
O profissional contábil muito mais que observar os lucros do balanço,
pode amparado pela ciência, analisar e promover explicações pelas razões
sobre a resultabilidade, sistema básico e fundamental, cujo efeito se
transmite na prosperidade do capital, fito de nosso conhecimento, que
não se restringe na forma de aparência dos fenômenos, mas na sua
essência substancial.
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Rodrigo Antônio Chaves da Silva
Contador e Pesquisador.
Membro da Associação Científica Internacional Neopatrimonialista (ACIN).
Membro do Clube Tablero Comando de Balanced Scorecard da Argentina.
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