1- ESTUDOS E REVOLUÇÃO NA CONTABILIDADE
Tarefa básica e exclusiva tinha o homem antigo, na idade dos metais e
nas épocas mais remotas da história, quando organizava o seu patrimônio,
e se empenhava com todos os meios possíveis para garantir a continuidade
do mesmo, utilizando-o para satisfação de suas necessidades surgidas no
tempo, como já expressava Viana (1971).
Organizar, prevenir, preservar os empreendimentos sempre foi o intuito
do antigo “escriba”, o contador, como já abordou Sá (2001). Na eloqüente
aspiração de evolução, crescimento social e prosperidade o homem
ajuntava os bens para as suas necessidades. Mas, a satisfação de suas
carências era ameaçada de ser feita quando estava atada aos problemas
dos riscos, que poderiam extinguir a riqueza organizada.
Logicamente, dentre todos os processos que atingiriam a história humana,
um deles, muito precioso e fundamental, foi o de evolução racional, da
estrutura cerebral, que fazia distinguir o espírito superior do
inferior, ou seja, fazia diferenciar o animal comum, com o humano, pois,
enquanto este pensava, aquele agia pragmaticamente.
Diversos nomes (Resende, Lage, Amaral Pires, Carlos e Elizabete Serra
Negra, 2005) dizem que as etapas do conhecimento geral estão
classificadas em quatro espécies ou períodos: o século XVII seria o da
revolução cientifica, o século XVIII e XIX temos a observação cientifica,
o século XX é marcado pela explosão científica e o momento atual seria a
filosofia do conhecimento, estágio máximo, mas nunca definitivo, pois,
ainda há de existir outros portentos racionais, provenientes do espírito
humano, que ultrapassa todas as barreiras demarcadas, na mesma crítica
contextual de sua faculdade intelectual.
Na contabilidade tal classificação (aquelas citadas anteriormente do
conhecimento geral) teria condições especiais e específicas. O século
XIX, realmente foi a fase da observação cientifica na contabilidade;
quase ao mesmo tempo houve a sua revolução cognitiva, produzida por
Coffy (1836) e Villa (1840); o século XX foi a fase da explosão
cientifica realizada por Vincenzo Masi (1893 - 1977), e hoje caminhamos
na chamada filosofia do conhecimento, que interage com o lema de
“conhecimento do conhecimento”.
As proposições sobre o capital ditadas pelo francês Coffy (Apud -
Pfaltzgraf, 1956), dariam novos ares, para os estudos contábeis, já que
eram as variações do capital ou o seu movimento, no dizer deste insigne
cientista que importavam, e não simplesmente as contas e registros. O
pai da contabilidade Italiana: Francesco Villa (Apud - Sá 1997), dizia
sobre aquilo que importava à contabilidade, como não sendo simplesmente
a demonstração e o registro, mas a substância que estes representavam,
absolutamente responsável pela sua criação, estrutura e significado.
Portanto, a revolução cientifica da contabilidade, foi promovida por
estes pensadores que explicavam o patrimônio ou o fenômeno contábil,
contido numa célula social. A inovação da contabilidade se deve a estes
dois talentos, primeiro a Coffy, depois a Villa.
Realmente, logo após estes mestres, os cientistas contábeis, passavam a
observar a verdadeira matéria contábil, embora, muitas vezes, tal
abordagem fosse homogeneizada com outros ramos do saber, surgindo então
diversas doutrinas: o materialismo substancial (esta é de criação de
Villa), o personalismo, o controlismo, o reditualismo, o aziendalismo, o
positivismo e outros movimentos cognitivos que estudavam a matéria
contábil de forma científica, embora nem sempre de forma original e
genuína, no parâmetro desta mesma disciplina.
Nos primeiros decênios do século XX, em meados do primeiro qüinqüênio
deste mesmo século, a explosão cientifica foi promovida pelo Italiano
Vincenzo Masi (1893 – 1977), de forma categórica; era o limiar de um
novo tempo para o conhecimento contábil; surgia então o patrimonialismo,
a doutrina que imputava o patamar superior à contabilidade; lugar
realmente merecido a esta ciência, sempre presente na sociedade humana,
no estudo dos empreendimentos.
O talento de Masi derivou diversos outros pensamentos, pois, a sua forma
de classificar o patrimônio em estrutura, cinemática e representação,
seria alvo de considerações futuras. Dos aspectos definidos pelo mestre,
no estudo do capital, o dinâmico, especialmente, seria o centro de
teorias científicas na área contábil; e realmente o movimento é um
fenômeno presente, no tempo, ressaltado, primeiramente, na filosofia
antiga por Heráclito (século VI a.C.) e depois por diversos pensadores,
entre eles: Aristóteles (384-322 a.C.), em sua obra “Da geração e da
corrupção” que tratava sobre a origem e fim das coisas existentes nos
elementos da natureza, nas diversas e específicas condições e mutações
que poderiam existir.
Hoje na chamada fase da filosofia do conhecimento contábil, o
patrimonialismo aperfeiçoado, denominado de Neopatrimonialismo, de
criação do mineiro Sá (1992), possue uma visão profunda e importante,
coerente com a era em que vivemos, abordando uma nova visão, respaldada
e ampliada pelo holístico, especialmente no que tange a dinâmica
patrimonial.
A dinâmica do patrimônio das células sociais é estudada pela visão do
Neopatrimonialismo, numa ótica sistemática. Tudo no patrimônio é
movimento, e este se chama função, que acontece na forma sistematizada,
começando pelas necessidades e terminando na satisfação das mesmas
necessidades com já dizia o italiano Giovanni Rossi (Apud – Sá, 1997).
Portanto, o que são as funções, como estão classificadas, como se
estruturam, em que grupos ou espécies, o que objetivam, qual seria a
natureza de cada uma delas, seu escopo, sua responsabilidade no devir da
atividade patrimonial, e importância, será a temática do próximo
subtítulo deste escrito.
2 - OS SISTEMAS DE FUNÇÕES PATRIMONIAIS
A visão da doutrina Neopatrimonialista, que amplia e embrenha, o aspecto
dinâmico de Masi, é aquela que especifica os sistemas de funções
patrimoniais. O patrimônio é, pois, uma constituição de sistemas -
também no linguajar evoluído de D`auria (1956) - e cada um deles possui
um exercício específico, sinônimo de movimento patrimonial.
A verdade em torno dos sistemas de funções patrimoniais se tornou um
axioma, uma idéia inquestionável pela sua realidade, ou seja, no
patrimônio, todo e qualquer fenômeno que gera movimento e transformação,
acontece de forma simultânea, hereditária e interdependente em um
processo totalmente sistemático.
Todo este processo começando e terminando pelas necessidades.
As necessidades são as carências de algo fundamental, pois, surgem com a
intenção de serem satisfeitas através de meios adequados, que quando
movimentados com um escopo racional, tende a gerar a eficácia ou
ineficácia, dependendo do grau da necessidade ou ação dos meios. As
necessidades, finalidades, meios e funções, constituem ser, elementos de
um sistema patrimonial.
De acordo com a natureza do sistema, ele se divide em espécies, que se
interagem, com uma autonomia relativa e interdependente. De acordo com a
classificação Neopatrimonialista, temos oito sistemas de funções. No rol
dos básicos e mais importantes temos quatro sistemas:
Liquidez® Sistema que possui a finalidade de satisfazer as necessidades
de dívidas pelos meios de pagamento (caixa, bancos, créditos, estoques e
outros bens).
Resultabilidade® Sistema que tem a finalidade de satisfazer as
necessidades de custos, pelas receitas.
Estabilidade®Sistema que tem a finalidade de satisfazer as necessidades
de equilíbrio, através do adequando movimento de outras funções e
através de uma adequada proporção da estrutura patrimonial.
Economicidade® Sistema que tem a finalidade de produzir a sobrevivência,
a fim de satisfazer a necessidade de continuidade do patrimônio.
Temos dois sistemas no rol dos complementares:
Produtividade® Sistema que tem a finalidade de satisfazer a necessidade
de desperdício, evitando-o, através de fenômenos específicos de
aproveitamento.
Invulnerabilidade® Sistema que tem a finalidade de satisfazer as
necessidades de riscos, através dos fenômenos pertinentes.
Existem também, mais dois sistemas, no quadro dos auxiliares:
Elasticidade® Sistema que tem a finalidade de satisfazer a necessidade
de crescimento da massa patrimonial, através dos fenômenos da dinâmica
ou movimento patrimonial.
Socialidade® Sistema que tem a finalidade de satisfazer as necessidades
de contribuição, com o ente - humano e com a sociedade, através da
interação destes com a substância patrimonial.
Portanto, são oito os sistemas patrimoniais e finalidades; são diversos
os meios separados em oito naturezas diferentes (financeira, reditual,
de estabilidade, etc); e são oito as funções patrimoniais. Contudo, com
o tempo, há ainda de surgir outros sistemas, que serão fundamentais,
para o estudo essencial, sublime e positivista da contabilidade.
Todas as funções sistemáticas acontecem de modo complexo, ao mesmo
tempo, com cooperação, com subseqüência, com dependência, com
relatividade, e muitas vezes, com lapso e extinção (casos de eficácia de
uma função e ineficácia em outra função, mas tudo com interdependência,
pela extrema conexão).
3- TEORIA DOS ASPECTOS DAS FUNÇÕES PATRIMONIAIS E OS ESTADOS DE EFICÁCIA
Para que o homem explicasse corretamente os fenômenos da natureza e do
universo, ele passou a produzir pensamentos sublimes, organizados e
abrangentes, que chamamos de teorias. A teoria é uma visão sublime e
divina dos fatos conforme expressou Santos (2001). A ciência só existe
com a teoria e sem esta, ela se extingue.
Como vimos, os sistemas básicos, complementares e auxiliares, estão
organizados em número de oito, portanto, sendo diversas as teorias sobre
os mesmos. Quando a contabilidade Neopatrimonialista aborda
racionalmente (que é o seu estágio comum) sobre a riqueza, ela emite
teorias. Aquelas relativas aos sistemas básicos são as teorias básicas e
aquelas relativas aos demais sistemas, são denominadas complementares (aquelas
relacionadas com a elasticidade, socialidade, produtividade e
invulnerabilidade).
É básico saber, conhecer e reconhecer que a liquidez é uma das mais
importantes funções do patrimônio, contudo, de forma complementar
sabe-se que esta função possui um risco, em relação à eficácia, sendo,
portanto, o conhecimento destas duas condições (liquidez e risco)
fundamentais para a definição de conclusões da análise contábil.
A eficácia nada mais é que a satisfação de uma necessidade específica;
quando a liquidez é eficaz, dissemos que o movimento de liquidez foi
suficientemente, ágil e competente para a satisfação das dívidas
contraídas em períodos diversos. Portanto, a eficácia é um estado de
sanidade inerente às funções: básicas, complementares e auxiliares.
De qualquer forma saber e conhecer a liquidez como um sistema básico e a
invulnerabilidade como sistema complementar, não influência “na
fundamental importância” do estudo dessas duas funções. Ou seja, não
importa se a teoria é básica ou complementar, todas as teorias são de
suma necessidade para os estudos contábeis.
Isto é, apesar da detalhada diferença de função, independentemente, de
ser esta fundamental, complementar ou auxiliar, todas influenciam o
patrimônio, sendo as tais, portanto, de extrema importância, não
prescindindo o estudo contábil particular de cada uma delas.
Como no patrimônio tudo ocorre de forma instantânea, concomitante,
hereditária e abrangente, posso disser que o movimento dos sistemas
básicos ocorre em um processo relacionado e amparado pelos sistemas
complementares e auxiliares tudo ao mesmo tempo (Veja Figura 1):

Ou seja, as funções básicas do patrimônio, isto é, aquelas da liquidez,
resultabilidade, estabilidade e economicidade, ocorrem de maneira
simultânea, hereditária, interdependente e autônoma, no mesmo fluir do
acontecimento das funções complementares de produtividade e
invulnerabilidade, na mesma ocorrência dos sistemas auxiliares de
socialidade e elasticidade; tudo isto com dimensões específicas e
condições ambientais diversas.
No mesmo tempo em que se movimenta sistematicamente a liquidez, o
sistema de invulnerabilidade e produtividade, estão agindo por si,
cooperando com ela, em processo semelhante, nos ambientes expressos por
dimensões. O mesmo pode ocorrer com a resultabilidade, pois, quando
acontece, existe em devir, influências da elasticidade e socialidade,
como que, também, da produtividade e invulnerabilidade. E assim por
diante.
Portanto, a liquidez, resultabilidade, estabilidade e economicidade,
ocorrem com autonomia, mas com nítidas influências dos sistemas
complementares do capital (o de produtividade e invulnerabilidade), e
também dos sistemas auxiliares do capital (o de elasticidade e
socialidade).Tal condição existe e quando se processa nos sistemas
básicos, tende a sofrer uma interdependência dos sistemas auxiliares e
complementares, de forma simultânea, hereditária e correlativa nos
ambientes endógeno e exógeno da riqueza.
4 - O RISCO
O risco é uma necessidade patrimonial, que carece de satisfação, por
parte, dos meios patrimoniais, que tendem a produzir a invulnerabilidade.
A invulnerabilidade é uma capacidade que o patrimônio possui na
prevenção dos riscos diversos inerentes às atividades geral dos sistemas
de funções patrimoniais. O risco é, portanto, uma ameaça à economicidade
ou sobrevivência da célula social. O risco é um estado fenomenológico de
incerteza.
Não é à toa, que as instituições financeiras, instituições de crédito,
casas bancárias e comércios diversos, têm o absoluto cuidado em analisar
os riscos do próprio estabelecimento, com o interesse de não perder a
existência, que poderá vir a prejudicar outros empreendimentos (quando
um empreendimento “falece”, a tendência é transmitir transtornos à toda
sociedade).
A teoria que rege o sistema de invulnerabilidade é semelhante a que rege
o risco patrimonial. Como disse numa visão particular, o sistema de
invulnerabilidade é uma função que produz fenômenos que previnem os
patrimônios dos riscos, mas, em uma visão geral, mais abrangente, a
invulnerabilidade é relativa a todos os sistemas patrimoniais, ou seja,
todos os sistemas possuem um grau de risco, que ameaça a eficácia, e é
evitado por este importante sistema do patrimônio.
Ou seja, a liquidez possui um risco, a resultabilidade também, a
estabilidade possui um risco e a economicidade também, a elasticidade
possui um risco e a socialidade também, sem esquecer também da
produtividade que o possui também; e esta capacidade de proteção advém
da invulnerabilidade que debela o risco e garante a própria eficácia da
função específica.
Todos os sistemas possuem um risco, ou seja, possuem a incerteza de
dinâmica adequada, de efeito satisfatório, consideravelmente, este risco
foi derivado de um comportamento passado, que prejudicará também o
comportamento futuro do capital se não for sanado; e acredito que tal
risco é concernente ao estado de eficácia patrimonial.
Ou seja, o risco que influencia um comportamento patrimonial atingindo
os seus sistemas, vai ser primordial na dificuldade do alcance da
eficácia do sistema em particular, para logo depois influenciar a
eficácia de todo o complexo patrimonial. O risco, portanto, quando não é
evitado, vai prejudicar a eficácia do patrimônio e tal fato ocorrerá
quando a invulnerabilidade for incompetente no seu efeito.
As ineficácias que ocorrem nos sistemas patrimoniais são relativas à
incompetência da invulnerabilidade que não consegue a proteção contra os
riscos.
Esta é uma das causas da ineficácia, contudo, não é a exclusiva, pois,
podem existir outras causas atadas aos processos de intensidade,
elasticidade, produtividade, lucratividade, equilíbrio, capitalização,
contribuição social, rotação, etc. Mas, o risco, como que a dinâmica é
totalmente fundamental para eficácia de cada sistema em particular e
para a eficácia global do patrimônio aziendal.
5 - A LIQUIDEZ
Entre os sistemas que se enquadram nos espécimes básicos e fundamentais,
está o sistema de liquidez, que é uma função que satisfaz as
necessidades de pagamento; esta é a definição, que figura nos escritos
de Sá, Masi, Hoji, Herrmann Júnior, Viana, Florentino, Koliver, D`auria,
Johnson, Robinson e muitos outros, embora alguns destes, tenham de forma
expressa embutido tal definição em seus escritos.
Quando a análise dos balanços estava se formando, na época moderna, o
estudo principal, que era imputado na observação dos empreendimentos era
o aspecto “financeiro”, portanto, a análise que de maneira abrangente,
era contábil, chamava-se financeira e vice-versa, pois, tal aplicação do
conhecimento contábil (embora nem sempre), residia exclusivamente nos
fenômenos de recebimento e pagamento, ou entradas e saídas financeiras
do capital de funcionamento. Esta era a observação principal dos estudos
da análise.
O professor Herrmann Júnior (1975), pai da editora Atlas, em uma de suas
obras denominada: “Análise de balanços para a administração financeira”
(p. 62) (obra constatada na bibliografia), abordava, que o motivo
inicial da análise dos balanços, era a função de liquidez. Tal processo
se tornou legal nos Estados Unidos da América, aonde se rezava a
seguinte frase: “Para nunca liquidar, o banco deve estar sempre pronto a
liquidar”; jaculatória extremamente financeira.
Nas aziendas bancárias, quase que exclusivamente, eram produzidos de
maneira comum, processos de análise financeira do capital, para o
consentimento liberativo de empréstimos aos empreendimentos
solicitantes. Nos estados Unidos, de maneira importante, o “Federal
Reserve Bank”, foi muito importante, para a normalização, desta pratica
conforme alusão de Matarazzo (1998).
Embora, a análise financeira do capital tenha sido incipiente, na
história contemporânea da contabilidade, não o foi na fase antiga, que
embora, coberta por empirismos, nunca preteriu estudos evoluídos de
análise, como os que se faziam no Egito antigo há 4000 anos atrás, em
relação a previsões futuras, conforme relatou Mellis (Apud – Sá 2001).
Os antigos estudos analíticos relatados explicavam os processos de
previsão. Então o que é previsão? Para que serve? È para resguardar o
objeto em si, dos fatos presentes e futuros que ameaçavam a sua
existência. Trazendo isto para o campo contábil, os estudos antigos
produzidos na idade dos metais, tinham o intuito de resguardar a riqueza
organizada, dos riscos que causam a descontinuidade, ou destroem o
funcionamento da riqueza.
Portanto, o risco foi uma temática embutida, de estudos do passado e a
liquidez foi a temática que iniciou os estudos do presente, por isso,
ambos sistemas, de forma relevante, já estavam sendo expressos com
contundência, nos escritos contábeis de épocas importantes da historia,
comprovado por diversos escritores.
6 - A LIQUIDEZ E O SEU RISCO DE INEFICÁCIA
A função que satisfaz as necessidades de pagamento que chamamos de
liquidez, por muito tempo foi tratada, como a única nos processos da
análise contábil, embora não fosse exclusiva nesta aplicação de
conhecimento da contabilidade. Obstante, as abordagens sobre a liquidez,
mesmo no tempo moderno, muitas vezes foram empíricas, apoiadas no desejo
eloqüente e evidente, produzido pela mente, de buscar uma verdade, que
acabava por demais escondida, pela mesma vontade assaz, pois, não se
baseava na pesquisa ou no respaldo científico.
O espírito empírico, envolto de uma aspiração oculta de uma verdade, que
acabava por se tornar dogmática, devido à maneira instantânea de
ostenta-la, acabou por produzir idéias, que são motivos de risos para
alguns, aceitação para uns poucos e investigação para muitos; acredito,
que eu esteja no grupo dos últimos citados.
Uma frase pregada pelos doutrinadores norte americanos é que o quociente
ideal para concluir a eficácia da liquidez seria 2:1, ou seja, “para
cada um real de divida deve existir dois reais para o pagamento”. Tal
frase possuía um teor significativo, mas era parcial e até mesmo
inverídica. As Pesquisas realizadas por Sá (1965), em sua tese,
comprovaram que a liquidez é mais motivada pela temporalidade dos
elementos financeiros do que pela proporção (pois, existe uma liquidez
estática e dinâmica).
Quando se estabelece um quociente padrão para o estado de função,
comete-se uma inversão, o quociente ideal existe para cada tipo de
empreendimento, agora, o quociente padrão não existe, pois, dificilmente
existirão estruturas patrimoniais, que possuirão o mesmo grau de
intensidade patrimonial, a mesma atividade, o mesmo produto, o mesmo
ambiente, a não ser se todos os empreendimentos do mundo, fossem
mesclados em um só, milagre este que não desejo e nem prefiro ver.
Portanto, o padrão para o todo não existe em nossa realidade física
contábil, pois, diferentes são as espécies de empreendimento, diferentes
são as atividades, diferentes são os produtos, diferentes são os
ambientes, diferentes são os ciclos, diferentes são os entornos sociais
que envolvem a azienda e o patrimônio contido nela.
Uma verdade fundamental é que a eficácia de um sistema só existe, quando
além de diversos fatores, existe a invulnerabilidade, que protege
suficientemente o sistema a ponto de suportar os riscos com
desenvoltura, facilidade e vigor. Ou seja, a eficácia de um sistema
depende também da eficácia da invulnerabilidade, que atinge tal sistema,
com absoluta influência, em um grau importante.
Tal condição já foi muito antes emitida por Zappa Hoog (2005), a Sá, em
mensagem eletrônica, cujo teor, foi repassado aos membros da ACIN (Associação
cientifica internacional Neopatrimonialista, instituição a qual sou
membro); tal mensagem é de teor realmente autêntico, quando Hoog, dizia
que a eficácia dos sistemas básicos era relativa à influência da
invulnerabilidade em cada um deles.
Embora influenciada por outros fatores, a liquidez como que, a sua
eficácia, é garantida, quando tal sistema está protegido dos riscos que
atinge o seu movimento. Contudo, o risco, não é um fenômeno exclusivo
inerente a este sistema (o de liquidez), deve-se considerar também, os
efeitos de produtividade, elasticidade, circulação, rédito, equilíbrio,
vitalidade, socialidade e sustentabilidade, que está extremamente
ligados à este relevante função.
A liquidez possui um risco, que deve ser evitado ou controlado, para que
não haja a insatisfação das dívidas a curto prazo, contraídas em tempos
diversos neste mesmo prazo. O movimento da liquidez só é ideal, quando
existe um grau de invulnerabilidade no seu processo.
O risco da liquidez, diz respeito á sua ineficácia, ou seja, liquidez é
ineficaz quando também, não existe uma proteção contra os transtornos
presentes e futuros, ligados ao patrimônio. O risco é inerente a
ineficácia. Não existe risco, da liquidez ser eficaz; isto é um
benefício. O risco emite a ineficácia do sistema, no estado em que o
sistema não apresenta proteção adequada contra as mesmas influências que
interagem nos empreendimentos.
A liquidez possui um risco, que quando não protegido, provoca a sua
ineficácia. Os fenômenos de recebimento e pagamento, estocagem, vendas,
concessão de créditos, aplicações financeiras, contração de dívidas,
devem ser realizados tendo em vista, o risco de ineficácia que só
acontece quando o movimento é incompetente na satisfação das
necessidades, ou a proporção agregada é
inadequada para capacidade patrimonial.
Avaliar o risco da liquidez do empreendimento, situação que pode tornar
esta função ineficaz, é uma temática da contabilidade cientifica apoiada
pela doutrina moderna do Neopatrimonialismo filosófico, presente em
nossos dias.
Como todo patrimônio possui um risco, os exercícios, que compõe o seu
organismo e órgãos, como produtos da espécie de função, possuem também
um risco especifico e fundamental para o crescimento e vitalidade da
massa patrimonial. Aliás, no atual mercado, a incerteza está presente
constantemente, em qualquer tipo de empreendimento ou célula social.
Os sistemas de invulnerabilidade e liquidez, apesar de autônomos, quanto
à espécie dos meios e necessidades peculiares, possuem uma relatividade
de autonomia, quando subligados aos estados de simultaneidade,
hereditariedade e interdependência dos sistemas.
A invulnerabilidade, portanto, existe em todos os sistemas e no estágio
atual da contabilidade, pode ser estudada, no âmbito da liquidez, em um
processo estreito de cooperação, que faz produzir efeitos diversos que
garantem os estados de ineficácia e ineficácia da própria liquidez. A
liquidez possui um risco e se sistema possui também, fenômenos de
prevenção dos mesmos.
7 - OS FENÔMENOS DE INVULNERABILIDADE NO SISTEMA DE LIQUIDEZ
O sistema da liquidez em sua interdependência com o sistema de
invulnerabilidade possui fenômenos que previnem as incertezas. Aliás, de
uma forma geral e básica são três os fenômenos de proteção do patrimônio:
as provisões, as reservas e os fundos de reintegração.
As concepções doutrinárias em torno desses fenômenos, são polêmicas e
discursivas, estando inclusive, presentes, nas normas legais relativas à
contabilidade, nas normas internacionais, nas doutrinas contábeis, e,
particularmente, no Neopatrimonialismo. Muitos definem tais fenômenos
como o resultado de ajustes, outros o definem pela sua origem, outros o
definem pela sua espécie e esta última definição, que realmente
interessa à contabilidade, pois, o fenômeno patrimonial da
invulnerabilidade, não pode ser considerado apenas, como o resultado de
um ajuste formal dos registros contábeis.
As reservas pertencem a um sistema específico do patrimônio, possuem
relação com os demais sistemas, quase que exclusivamente possuem origem
no sistema de resultados, mas nada mais é, de acordo com Sá (1962, p.
66), que um acantoamento, um “pedaço” ou uma “parcela”, do capital
funcionamento. Ou seja, as reservas são partículas do capital, provindas
dos lucros, destacadas para a prevenção dos riscos.
Os fundos de reintegração assumem outro papel importante na prevenção
dos riscos. Existem basicamente no patrimônio, em elementos que perdem o
valor com o tempo, como também elementos que devem ser pagos com o
tempo. A depreciação, a amortização (algumas, provisões figuram neste
grupo, apesar de seu tratamento conceitual, ser feito em separado) são
fundos, ou seja, são fenômenos que servem para guardar valores daquilo
que necessita de reposição futura.
As provisões por sua vez, possuem uma espécie semelhante à das reservas
e fundos, uma coisa estes três fenômenos possuem de igual; eles fazem
parte do sistema de invulnerabilidade. Mas, a provisão nada mais é, que
um fenômeno de proteção e resguardo do capital, que surge na certeza
futura. Portanto, as provisões surgem para um pagamento futuro, ou para
uma contingência futura real, não são acumulativas como os fundos e nem
são permanentes como as reservas, pois, possuem um fluir veloz, ou seja,
elas se extinguem e surgem constantemente nos períodos, para os
pagamentos e absorção dos riscos diversos.
Este último fenômeno (a provisão), especialmente, merece minha
consideração especifica, pois, tais fenômenos estão presentes no sistema
de liquidez. Apesar que, as reservas e os fundos contribuem com todos os
sistemas , as provisões são figuradas expressamente no sistema de
liquidez e tais fenômenos são importantes para um breve discurso.
No sistema de liquidez os principais fenômenos que preservam o
patrimônio dos riscos são as provisões, entre elas a:
Provisão para devedores duvidosos (chamada também de provisão para
créditos de liquidação duvidosa, porém, este fenômeno é na verdade um
“fundo de reintegração”)
Provisão para estoques obsoletos, incolocaveis e imprestáveis,
Provisão para tributos (Imposto de Renda, Encargos Sociais, etc),
Provisão para variação cambial, etc.
Tais fenômenos são realizados e figurados no sistema de liquidez, cada
um destes, tem uma característica fundamental; servem de uma maneira
concisa, para evitar os transtornos com relação às entradas e saídas
financeiras, com os investimentos e financiamentos financeiros, ou mesmo,
problemas com os recebimentos e pagamentos. Tais fenômenos ajudam a
evitar e resguardar a substância patrimonial, quando o recebimento não
foi feito no tempo (a provisão para devedores duvidosos), as vendas não
são concretizadas (provisão para os estoques obsoletos, incolocaveis e
imprestáveis), quando existe pagamento futuro (provisão para os tributos
diversos), também para a variação da moeda (provisão para câmbios), etc.
Tais fenômenos, portanto, figuram no sistema de liquidez e são
importantes, para a análise e para a proteção da eficácia da liquidez,
no que tange aos recebimentos e pagamentos, estocagem, venda, variação
da moeda, etc. As provisões no sistema de liquidez preservam o sistema,
porém, a avaliação, análise e estudo do risco, ultrapassa a observação
singular de tais fenômenos.
8 - AVALIAÇÃO E ANÁLISE DO RISCO DA LIQUIDEZ
A liquidez como sistema possui diversos aspectos que devem ser
observados, alguns deles, relacionados, com a contração de dívidas,
renovação dos créditos e estoques, liquidez comum, vendas, etc.
Utilizando os métodos de coeficientes e números índices, ou seja, em bom
verificar:
A percentagem das dividas com o passivo total
A evolução percentual das dívidas
A evolução percentual das vendas
Também é bom verificar os quocientes:
Ø De liquidez comum
Ø De rotação dos créditos
Ø De rotação dos estoques
Ø De rotação das dívidas com fornecedores, empréstimos, salários e
demais elementos.
Nesse parâmetro é que iremos seguir, ou seja, é necessário basicamente,
saber alguns quocientes de rotação dos elementos financeiros, a evolução
das vendas, a proporção e evolução das dívidas. Todos estes quocientes
podem ser observados, no entanto, o assunto pode ser estender, devido à
complexidade de seu âmbito.
A avaliação do risco pode ser feita, na observação singela dos
quocientes, por exemplo, se a empresa comercial, uma padaria, possui um
quociente de liquidez comum igual à $ 1,20 para cada $ 1,00 de dividas e
um giro de 2 vezes no ano, sabemos que o risco de ineficácia é alto,
para não dizer que a liquidez já esta ineficaz.
Outra forma de se avaliar o risco, é observar as variações positivas do
período, em confronto com as negativas, para observar se esta é maior
que aquela, tendo dessa forma, uma provável proposta percentual de
risco. Ou seja, o que se recebe no presente e no futuro deve ser maior
do que se paga no presente e no futuro. Os ingressos financeiros
presentes e futuros deverão ser maiores que os desembolsos presentes e
futuros do sistema de liquidez. È aconselhável que o que caiu
percentualmente nunca ultrapasse o que subiu percentualmente, o que
varia de negativo nunca deve ultrapassa o positivo:
Rp+ Rf > Pp + Pf
If (p+f ) > Df ( p + f)
Os recebimentos presentes (Rp) mais os recebimentos futuros (Rf),
deverão ser maiores que a soma dos pagamentos presentes (Pp) e
pagamentos futuros (Pf). Como também os ingressos financeiros presentes
e futuros (If p + f) deverão ser maiores que os desembolsos financeiros
presentes e futuros (Df p + f).
Suponhamos, por exemplo, que uma empresa de laticínios, que revende este
produto, ou seja, uma empresa comercial, durante 5 anos apresente
quocientes, que deixam por demais, duvidosa a sua eficácia. Tais
quocientes são extraídos juntamente com os coeficientes de dívidas com
relação ao total do passivo, também, com números índices das vendas
(Tabela 1):
Como a análise é de risco, deve-se observar à primeira vista, se existe
um desequilíbrio proporcional, uma evolução do giro, o estado da
liquidez e o progresso das vendas, para assim perguntar qual é o risco?
O que está prejudicando a liquidez? No comportamento passado o que houve
de ineficácia? A liquidez teve mais resistência à eficácia ou
ineficácia? São perguntas básicas e comuns, que devem estar na mente do
analista científico contábil.
Podemos ver, que o risco da liquidez teve foi grande. Enquanto a
liquidez comum caia, a proporção das dívidas aumentava, juntamente, com
um efêmero progresso dos giros e uma evolução das vendas (A empresa pelo
visto, possui mais investimentos circulantes que fixos). Com uma
observação visual, já se pode perceber que a invulnerabilidade desse
sistema não foi tão produtiva quanto aparenta.
Os coeficientes das dívidas e os números índice das vendas já apresentam
uma explicação do estado desses fenômenos. Porém, é preciso tecer
considerações sobre os quocientes, que já são relações, mas, devemos
saber qual foi o risco que as relações tiveram em tornarem involutivas,
ao mesmo tempo em que tiveram a inclinação de evoluírem. Portanto, a
atenção deverá estar nas variações positivas e negativas destas
relações.
O cuidado que tive em criar tal razão analítica foi o dos maiores, com a
cautela de não produzir idéias mirabolantes, como aquelas que foram
alertadas por Herrmann Júnior( 1975), , tendo acima de tudo, o respeito
às ilações do espírito, que transmitiu à carne, num processo moroso e
difícil, todas estas considerações.
Primeiramente é preciso avaliar o risco em percentuais, apropriando
então, um determinado tipo de quociente. Utilizarei então, o quociente
de giro dos créditos, lembrando que o objetivo desta análise é observar:
o quanto e qual foi o risco do comportamento, e como se avalia o mesmo,
considerando a marcha de um elemento (neste caso os créditos). Com os
números do quociente de crédito, individualmente, verificaremos as
variações positivas e negativas desta relação (Tabela 2):
Tabela 2: A variação percentual dos quocientes
QUOCIENTES DE GIRO DOS CRÉDITOS
Somamos então as variações positivas e negativas em separado:
Positivas Negativas Resultado igual à
+ 50 % - - 31,63% = + 18,37
Percebe-se que as variações negativas não foram superiores que as
positivas, mas tal condição não é suficiente para denotar conclusões. O
risco percentual de diminuição do quociente não ultrapassou o risco de
crescimento dos quocientes.
Além desta análise, é preciso verificar o conteúdo dos quocientes, ou
seja, o grau de risco que eles tiveram em diminuir sendo ineficaz, neste
caso, pois, os quocientes de giro dos créditos são por si mesmos,
essencialmente dinâmicos. A análise será feita com a rotação dos
créditos (o mesmo elemento utilizado nos percentuais), o primeiro passo,
é verificar numericamente a variação de cada quociente em particular
através de subtrações (Tabela 3), tal como uma “razão por diferença
aritmética”:
Tabela 3: As variações dos quocientes pela subtração
Então separamos a variação dos quocientes:
Positivas Negativas
+ 2,50 - 1,88
Note que a rotação positiva foi igual a duas vezes e meia (2,50)
enquanto a variação negativa foi igual a quase duas vezes ( -1,88),
agora, é preciso avaliar o risco de diminuição em cada unidade de
crescimento, ou seja, avaliar o risco de regressão em cada unidade de
crescimento, para saber qual seria o nível de oportunidade de evolver no
mesmo tempo em que a relação podia apresentar retrocesso.Para isto
deve-se buscar a relação das variações das relações, ou melhor, a
relação das relações.
Então basta produzir um quociente ou uma razão, selecionando a variação
diminutiva com a aumentativa, para, desta forma, verificar o risco:
Rpe = Vdqep
Vaqep
Ou seja, o risco patrimonial do elemento especifico (Rpe) é obtido pela
relação da variação diminutiva do quociente do elemento
patrimonial(Vdqep), no tempo, com a Variação aumentativa do quociente do
mesmo elemento patrimonial(Vaqep) , no tempo, em diferença aritmética,
que permite verificar o grau de risco que teve o elemento, em perder a
sua vitalidade e crescimento em cada unidade especifica de aumento com
perspectiva de evolução. No caso em que estamos estudando (a rotação dos
créditos):
Rpe = 1,88 = 0,75 ou 75 % Para cada unidade de crescimento existiu
2,50 0,75 unidades de queda ou, em cada 100 %
de crescimento existiu 75% de chances
de
diminuição, ou ainda, para atingir um risco total
faltou cerca de uma quarto de unidade
(0,25)
Tal condição foi delicada, ou seja, para cada rotação do crédito existiu
75 % de chance da rotação enfraquecer e diminuir. Isto demonstra que o
crédito possui problemas no seu recebimento, com relação aos seus
devedores, pois, o risco de ser moroso na sua renovação foi muito alto
(0,75 ou 75 %). Neste caso é aconselhável observar se existe também:
A provisão para os créditos(“fundos para créditos”)
O perfil dos clientes a quem se cede o prazo
Os prazos dos créditos
A proporção de crédito cedido
Essas observações podem ser realizadas com os demais quocientes, se
adequando, à sua interpretação, de forma a verificar a medida especifica
de risco do elemento. Nos créditos o risco foi grande, por isso, que não
cresceu mais e até mesmo diminuiu no período, contudo, quando a relação
do risco do quociente (tal é a demonstração de minha fórmula), for igual
a 1(ou seja, para cada 1 unidade de crescimento do quociente existiu 1
unidade de chances de regredir, ou a cada 100% de crescimento existiu
100% de chances de involuir), ou até mesmo maior, as cautelas deverão se
estender, já que, o que pode crescer e ser eficaz possui o mesmo risco
de diminuir e não ser eficaz dinamicamente.
Lembra-se que a “variação numérica aritmética” de minha fórmula (que se
utiliza por divisão numérica das relações), em muito se assemelha com a
“progressão aritmética por quociente” – existe também a regressão
aritmética -, ensinada pelo saudoso cientista Francisco D`auria (1959)
no capitulo 92(p. 315 - 318), da sua obra “Matemática Comercial”.
Tal é a condição de invulnerabilidade da liquidez, ou seja, o grau de
eficácia possui também, um grau de ineficácia devido ao risco inerente
da substância da função. Mas, nesta análise em particular, o risco de
queda do quociente, foi muito grande e merece ações especificas como as
que aconselhei anteriormente.
9 - O RISCO FUTURO DA LIQUIDEZ
O risco pode ser analisado não somente pela observação do passado, pelas
variações positivas e negativas, que apresentam as suas relações de
quocientes e percentuais, mas, pode também ser observada com relação ao
futuro. Uma fórmula de tendência apresentada por Sá (2004) poderá ser
utilizada para verificar o risco:
Tp = D %
n
A variação percentual de cada variável (D %), dividida pelo tempo (n),
dará o resultado de tendência do elemento (Tp), para averiguar se esta
tendência vai regredir ou diminuir (podendo também aumentar). Desta
forma se verifica o risco do elemento no futuro. Façamos tal análise com
o quociente da liquidez comum da tabela 1 (Tabela 4):
Tabela 4: As variações dos percentuais dos quocientes de liquidez
Tp = -10,59 + -0,33 + -0,66 + -16,94 = - 5,70 %
5
Agora aplicamos o resultado percentual no último quociente:
Tp = 2,50 x (5,70%) = (0,14) A tendência da liquidez comum é de
regressão, pois, de $ 2,50
Tp = 2,50 + (0,14) = 2,36 vai existir $ 2,36 de meios de pagamento para
cada unidade
de dívida.
A liquidez então, terá o risco de cair se não for tomada as providências
necessárias, quanto à paralisação dos meios de pagamento.Tal análise,
contudo, não deve se restringir a apenas um quociente, ela deverá ser
realizada com todos os quocientes produzidos em uma análise, como também
as outras variáveis que possa existir no processo analítico.
A análise do risco, conquista da doutrina neopatrimonialista, apresenta
mais uma colaboração de um de seus membros. Tal análise é importante na
prevenção dos riscos, pois, tange à invulnerabilidade do capital de
funcionamento.
A invulnerabilidade da liquidez se apresenta de forma contundente, no
ditame de seu estado de eficácia, podendo ser observada com relação ao
comportamento passado da liquidez ou até mesmo ao seu futuro, pois, o
risco de ineficácia existe a todo momento , não só, no exercício da
liquidez, mas também com relação a todos os sistemas do capital de
funcionamento.
10 – CONCLUSÃO
A eficácia da liquidez depende da invulnerabilidade do movimento e
fenômenos de seu sistema, com relação aos riscos de ineficácia ou
regressão dinâmica, que poderão vir a existir, pelas condições dos
ambientes diversos e específicos que influenciam também a riqueza
organizada.
A invulnerabilidade da liquidez é fundamental para o seu perfeito estado
e o seu perfeito efeito dinâmico e deve ser dimensionalisada, com
relação ao comportamento passado e futuro da cada elemento, obtido por
relações ou cálculos analíticos, para desta forma poder avaliar o risco,
orientando especificamente, a decisão administrativa.
A comprovação da eficácia da liquidez poderá ser obtida pela análise
complexa, da invulnerabilidade dos elementos que compõem o sistema e
promovem o movimento adequado na satisfação das necessidades de
pagamento contraídas em tempos diversos, no constante processo do devir
dinâmico patrimonial.
BIBLIOGRAFIA
ARISTÓTELES. Da geração e da Corrupção seguido de Convite à filosofia.
Apresentação de Ana Maria A. Goldfarb. São Paulo: Ed. Landy. 2001.
CHARCON, Wladimir. El conocimiento Contable. Pesquisa realizada no site
www. gestiopolis. com. br em 13/11/2005.
D`AURIA, Francisco. Contabilidade Geral (Teoria da Contabilidade
Patrimonial). São Paulo: Companhia Editora nacional, 1956.
_____. Matemática Comercial. 4ª ed. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 1959.
FLORENTINO, Américo Mateus. Análise Contábil: Analise de Balanços. 9º
Ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas. 1990.
FRANCO, Hilário. Estrutura, Análise e Interpretação de Balanços. 12. ed.
São Paulo: Atlas, 1973.
GOMEZ, Giovanny E. La actividad Empresarial y su relación con la
contabilidad financeira. Pesquisa realizada no site www. gestiopolis.
com. br em 18/11/2005
______. Estados Financeiros: Reflejo de la actividad econômica de la
empresa. Pesquisa realizada no site www. gestiopolis. com. br em
18/11/2005
HERCKERT, Werno. Circulação da riqueza. Revista Mineira de
Contabilidade, Belo Horizonte, MG, nº 04, 3. trim. CRCMG, 2001.
______.Economicidade da pequena célula social. Revista Mineira de
Contabilidade, Belo Horizonte, MG, nº 02, 1. Trim. CRC-MG, 2001.
HOJI, Masakasu. Administração Financeira: uma abordagem prática:
matemática financeira aplicada, estratégia financeira, analise,
planejamento e controle financeiro. 4ª ed. São Paulo: Atlas. 2003.
HOOG, Wilson Zappa. Axioma Contábil da preservação das células sociais.
Pesquisa realizada no site www.zappahoog.com.br em 21 de out. de 2005.
JÚNIOR Frederico Herrmann. Análise de Balanço para a Administração
Financeira. 10ª ed. São Paulo, Ed. Atlas. 1975.
KOLIVER, Olívio. Estrutura e Análise de Balanços. 4º Ed. Porto Alegre:
Staff editora Limitada. 1971.
MATARAZZO, Dante C. Analise Financeira de Balanços: Abordagem Básica e
Gerencial. 5ª ed. São Paulo: Atlas: 1998.
PIRES, Marco Antônio Amaral; RESENDE, Nourival de Souza; LAGE, Walmir
Moreira; NEGRA, Elizabete Marinho Serra; NEGRA, Carlos Alberto Serra. A
visão Neopatrimonialista da Entidade Contábil: A célula Social.
Disponível em www.classecontábil.com.br pesquisa realizada em 10 de dez.
de 2005.
PFATZGRAFF, Rogério. Aspectos científicos da contabilidade. 3º edição.
Rio de Janeiro: Livraria Tupã. 1956.
ROBINSON, Roland I.; JOHNSON, Robert W. Finanças- problemas e soluções.
Tradução e Adaptação de Eurico Ribeiro. Rio de Janeiro: Ao livro técnico
S. A. 1966.
SÁ, Antonio Lopes de. História Geral e das Doutrinas da Contabilidade.
São Paulo: Ed. Atlas, 1997.
____. Princípios Fundamentais de Contabilidade. São Paulo: Ed. Atlas,
2000.
____. Teoria Geral do Conhecimento Contábil. Belo Horizonte: IPAT-UNA,
1992.
____. Análise de Balanço ao alcance de todos. 3. ed. São Paulo: Atlas,
1962.
____.Introdução à Analise dos Balanços. Rio de Janeiro: Ed. Tecnoprint,
1981.
____. Teoria da Contabilidade. São Paulo: Atlas, 1999.
____.Intensidade Funcional eficaz da riqueza e análise contábil sobre a
continuidade do empreendimento. Revista Brasileira de Contabilidade, Ano
XXX, nº 130, CFC, Jul. / Ago. 2001.
_____. Teoria do Capital das Empresas. Rio de Janeiro: Fundação Getulio
Vargas. 1965.
_____. Moderna Analise de Balanços ao Alcance de todos. Curitiba: Ed.
Juruá. 2005.
_____. Fundamentos da Contabilidade Geral. 2ª ed. Curitiba: Ed. Juruá.
2005.
SANTOS, Manoel da Silva. A grande Caminhada, o homem, a contabilidade e
o computador – da pré-história à historia contemporânea. Revista Mineira
de Contabilidade, Belo Horizonte, MG, nº 04, 3. Trim. CRC-MG, 2001.
SILVA, Rodrigo Antonio Chaves da. Analise do giro do capital circulante
na dinâmica patrimonial. Revista Mineira de Contabilidade, Belo
Horizonte, MG, nº 18, 2º trimestre, CRCMG, 2005.
______. Liquidez estática e dinâmica. Revista Mineira de Contabilidade,
Belo Horizonte, MG, nº 20, 4º trimestre, CRCMG, 2005.
______. Filosofia da Análise da Estabilidade da Liquidez. Revista
Catarinense da Ciência Contábil, Florianópolis, SC, v. 4, nº 11, CRCSC,
2006.
______. Análise da Tendência Patrimonial. Revista Mineira de
Contabilidade, Belo Horizonte, MG, nº 22, 2º trimestre, CRCMG, 2006.
VIANA, Cibilis da Rocha. Teoria Geral da Contabilidade. Volume I, 5.
ed., Porto Alegre: Livraria Sulina Editora, 1971.
Rodrigo Antônio Chaves da Silva
Contador e Pesquisador
Membro da Associação Científica Internacional Neopatrimonialista (ACIN)
Membro do Clube Tablero Comando de Balanced Scorecard da Argentina
Acerca de GestioPolis
Participar en la comunidad
Derechos de Autor
GestioPolis es la primera comunidad de conocimiento en negocios de Hispanoamérica
Derechos Reservados sobre el concepto del sitio web
GestioPolis.com
© 2008 Carlos López
| Hazte miembro de GestioPolis |
|
Y Descarga 11 eBooks
GRATIS |