A responsabilidade empresarial em relação ao meio ambiente deixou de
ser apenas uma postura frente às imposições para transformar-se em
atitudes voluntárias, superando as próprias expectativas da sociedade.
Compreender essa mudança de paradigma é vital para a competitividade,
pois o mercado está, a cada dia, mais aberto e competitivo, fazendo com
que as empresas tenham que se preocupar com o controle dos impactos
ambientais. Este cenário que, a princípio, parece colocar as
organizações em xeque, no que diz respeito às suas relações com a
natureza, deve ser encarado como uma oportunidade para que as mesmas
passem a implementar práticas sustentáveis de gerenciamento, não apenas
como uma postura reativa a exigências legais ou pressões de grupos
ambientalistas, mas sim com a intenção de obter vantagens competitivas.
Os Sistemas de Gestão Ambiental vêm se tornando um grande aliado das
organizações que buscam manter seus processos, aspectos e impacto
ambiental sob controle.
Palavras chave: gestão ambiental, vantagem competitiva, consciência
ambiental
Abstract
The managerial responsability in relation to the environment stopped
being just a posture in front of the impositions to change in voluntary
attitudes, overcoming the own expectations of the society. It is vital
for the competitiveness to understand that paradigm change, because the
market is quite open and more competitive nowaday, making the companies
worry about the control of the environmental impacts. At first this
scenery seems to put the organizations in check as their relationships
with the nature. That fact should be faced as an opportunity for them to
start implementing new practices of maintainable management, not just as
a reactive posture to legal demands or pressures of environmental groups,
but with the intention of obtaining competitive advantages. The Systems
of Environmental Administration is turning into a great ally of the
organizations that are seeking to maintain their processes, aspects and
environmental impact under control.
Key words: environmental administration, competitive advantage,
environmental conscience.
1 – INTRODUÇÃO
A gestão ambiental vem ganhando um espaço crescente no meio empresarial.
O desenvolvimento da consciência ecológica em diferentes camadas e
setores da sociedade mundial acaba por envolver também o setor
empresarial. Naturalmente, não se pode afirmar que todos os setores
empresariais já se encontram conscientizados da importância da gestão
responsável dos recursos naturais.
A empresa que não buscar adequar suas atividades ao conceito de
desenvolvimento sustentável está fadada a perder competitividade em
curto ou médio prazo.
Muitas vezes os investimentos em gestão ambiental são direcionados por
fatores competitivos, mas existem fatores diversos que determinam a
realização de investimento em gestão ambiental por parte de empresas,
dependendo de sua realidade. Assim, o empresário e o investidor, que
antes viam a gestão ambiental como mais um fator de aumento de custos do
processo produtivo, se deparam com vantagens competitivas e
oportunidades econômicas de uma gestão responsável dos recursos naturais.
O Sistema de Gestão Ambiental permite que a organização atinja o nível
de desempenho ambiental por ela determinado e promova sua melhoria
contínua ao longo do tempo. Consiste, essencialmente, no planejamento de
suas atividades, visando à eliminação ou minimização dos impactos ao
meio ambiente, por meio de ações preventivas ou medidas mitigadoras.
Neste contexto, este artigo busca evidenciar a importância da Gestão
Ambiental na empresa, apresentando-se como fonte de estratégia
competitiva e também na construção da imagem corporativa.
2 – O AMBIENTE COMO ESTRATÉGIA EMPRESARIAL
O fator ambiental vem mostrando a necessidade de adaptação das empresas
e conseqüentemente direciona novos caminhos na sua expansão. As empresas
devem mudar seus paradigmas, mudando sua visão empresarial, objetivos,
estratégias de investimentos e de marketing, tudo voltado para o
aprimoramento de seu produto, adaptando-o à nova realidade do mercado
global e corretamente ecológico.
O paradigma atual de desenvolvimento é um modelo meramente capitalista,
que visa ao lucro máximo. Portanto, o crescimento econômico em si gera
bem-estar à sociedade, e o meio ambiente é apenas um bem privado, no que
se refere à produção e descarte dos seus resíduos. Dentro desse processo,
ao longo dos últimos 30 anos, pode-se afirmar que os recursos naturais
são tratados apenas como matéria-prima para o processo produtivo,
principalmente no processo produtivo industrial. O que aconteceu é que
este modelo, da maneira como foi idealizado, não é sustentável ao longo
do tempo. Ficou claro que os recursos naturais eram esgotáveis, e,
portanto, finitos, se mal utilizado.
Assume-se que as reservas naturais são finitas, e que as soluções
ocorrem através de tecnologias mais adequadas ao meio ambiente. Deve-se
atender às necessidades básicas usando o princípio da reciclagem.
Este novo fazer foi construído, em grande parte, a partir dos resultados
da Rio-92, onde a noção de Desenvolvimento Sustentável se alastrou e se
estruturou. Porém, o que a noção e os conceitos de sustentabilidade
trazem como novo desafio são os caminhos para a Gestão Ambiental.
As questões sociais e ambientais são reunidas e passam a ser ainda mais
exigidas no conceito de sustentabilidade. A sustentabilidade para Gray
(2003) é um conceito difícil de aplicar em qualquer corporação
individual. Ele é basicamente um conceito global. Mas isto não significa
que não tenha aplicação em corporações – como, na verdade, um número
cada vez maior de empresas e grupos de pressão/solucionadores de
problemas corporativos está rapidamente reconhecendo.
Essa conscientização nos conduzirá ao desenvolvimento sustentável,
definido no Relatório Brundtland (Nosso Futuro Comum), elaborado pela
Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento (1988), como “aquele
que atende as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade
de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades”.
Para Callenbach (1993), a administração ambiental está associada à idéia
de resolver os problemas ambientais em benefício da empresa. Ela carece
de uma dimensão ética, e suas principais motivações são a observância
das leis e a melhoria da imagem da empresa. Já o gerenciamento ecológico
é motivado por uma ética ecológica e por uma preocupação com o bem-estar
das futuras gerações. Seu ponto de partida é uma mudança de valores na
cultura empresarial.
Quanto ao gerenciamento ecológico, Capra apud Callenbach (1993) diz que
envolve a passagem do pensamento mecanicista para o pensamento
sistêmico. Um aspecto essencial dessa mudança é que a percepção do mundo
como máquina cede lugar à percepção do mundo como sistema vivo. Essa
mudança diz respeito à nossa percepção da natureza, do organismo humano,
da sociedade e, portanto, também à nossa percepção de uma organização de
negócios.
Neste sentido, Sá (2002) refere que há uma consciência social em marcha,
cuja formação se acelera e que condena a especulação gravosa da riqueza
e o uso inadequado de utilidades, como fatores de destruição do planeta
e como lesão à vida dos entes que povoam o mundo.
Esse novo paradigma precisa ser acompanhado por uma mudança de valores,
passando da expansão para a conservação, da quantidade para a qualidade,
da denominação para a parceria.
Bertalanffy (1977), com sua Teoria Geral dos Sistemas, enfatiza que tudo
está unido a tudo e que cada organismo não é um sistema estático fechado
ao mundo exterior, mas sim um processo de intercâmbio com o meio
circunvizinho, ou seja, um sistema aberto num estado quase estacionário,
onde materiais ingressam continuamente vindo do meio ambiente exterior e
neste são deixados materiais provenientes do organismo.
Segundo Bateson (1987), um sistema vivo não se sustenta somente com a
energia que recebe de fora, mas
fundamentalmente pela organização da informação que o sistema processar.
As empresas, para Capra apud Callenbach (1993), são sistemas vivos, cuja
compreensão não é possível apenas pelo prisma econômico. Como sistema
vivo, a empresa não pode ser rigidamente controlada por meio de
intervenção direta, porém, pode ser influenciada pela transmissão de
orientações e emissão de impulsos. Esse novo estilo de administração é
conhecido como administração sistêmica.
2.1 – Benefícios da administração com consciência ecológica
Para Winter apud Callenbach (1993), seis são as razões pelas quais todo
administrador ou empresário responsável deve implementar os princípios
da administração com consciência ecológica em sua companhia:
® Sobrevivência humana – sem empresas com consciência ecológica, não
poderemos ter uma economia com consciência; sem uma economia com
consciência ecológica, a sobrevivência humana estará ameaçada.
® Consenso público – sem empresas com consciência ecológica, não haverá
consenso entre o povo e a comunidade de negócios; sem esse consenso, a
economia de mercado estará politicamente ameaçada.
® Oportunidades de mercado – sem administração com consciência
ecológica, haverá perda de oportunidades em mercados em rápido
crescimento.
® Redução de riscos – sem administração com consciência ecológica, as
empresas correm o risco de responsabilização por danos ambientais, que
potencialmente envolvem imensas somas de dinheiro, e de
responsabilização pessoal de diretores, executivos e outros integrantes
de seus quadros.
®Redução de custos – sem administração com consciência ecológica, serão
perdidas numerosas oportunidades de reduzir custos.
®Integridade pessoal – sem administração com consciência ecológica,
tanto os administradores como os empregados terão a sensação de falta de
integridade pessoal, sendo, assim, incapazes de identificar-se
totalmente com seu trabalho.
Alguns setores já assumiram tais compromissos com o novo modelo de
desenvolvimento, ao incorporarem, nos modelos de gestão, a dimensão
ambiental. A gestão de qualidade empresarial passa pela obrigatoriedade
de que sejam implantados sistemas organizacionais e de produção que
valorizem os bens naturais, as fontes de matéria-prima, as
potencialidades do quadro humano criativo, as comunidades locais, e
devem iniciar o novo ciclo, onde a cultura do descartável e do
desperdício seja coisas do passado. Atividades de reciclagem, incentivo
à diminuição do consumo, controle de resíduo, capacitação permanentes
dos quadros profissionais, em diferentes níveis e escalas de
conhecimento, fomento ao trabalho em equipe e às ações criativas são
desafios-chave neste novo cenário.
Estes processos de produção de conhecimento têm oportunizado as práticas
positivas e pró-ativas, que sinalizam o desabrochar de métodos e de
experiências que comprovam, mesmo que em um nível ainda pouco
disseminado, a possibilidade de fazer acontecer e tornar real o novo,
necessário e irreversível, caminho de mudanças.
Quadro 1 – A transição dos anos 90 rumo a uma consciência ambiental
Visão Dominante
Visão da Ecologia Profunda
Domínio sobre a natureza
Harmonia com a natureza é essencial
Meio ambiente natural é visto, principalmente, como fonte de recursos
para pessoas e indústrias
Toda natureza tem um valor intrínseco, não somente como “recursos”
Crescimento na produção industrial e no consumo de energia e recursos
naturais para satisfazer o crescimento populacional
Todas as espécies foram criadas iguais
Crença de que os recursos são infinitos
Os recursos da terra são limitados, impondo limites reais ao crescimento
Progresso tecnológico continuará a produzir soluções para todos os
problemas
Tecnologia deve ser apropriada, tanto em termos humanos quanto
ambientais. A ciência não tem todas as respostas
Consumismo: o consumidor é o rei
Ao invés do consumismo, o objetivo deve ser simplificar nossas
necessidades – como nos coloca o “Lifestyle Movement”: viva simplesmente
para que outros possam simplesmente viver
Estruturas de poder centralizadoras
Estruturas de poder deverão ser descentralizadas, baseadas em
“biorregiões naturais”e afinadas com os direitos e requisitos das
minorias.
Fonte: Sustainabilit apud Meyer (2000).
Por sua vez, a competitividade moderna também exige das indústrias
adequação a esta tendência ambiental, o que está propiciando o
surgimento das indústrias de produtos e serviços ambientais, as chamadas
“indústrias verdes”, que têm suas atividades especializadas e
direcionadas à criação e desenvolvimento de processos, programas,
serviços e equipamentos anti-poluidores que visam diminuir ou eliminar a
poluição, como por exemplo: reciclagem de lixo, filtros, catalizadores,
etc.
Empresas experientes identificam resultados econômicos e resultados
estratégicos do engajamento da organização na causa ambiental. Estes
resultados não se viabilizam de imediato, há necessidade de que sejam
corretamente planejados e organizados todos os passos para a
interiorização da variável ambiental na organização para que ela possa
atingir o conceito de excelência ambiental, trazendo, com isso, vantagem
competitiva.
3 - GESTÃO AMBIENTAL
A Gestão Ambiental inclui uma série de atividades que devem ser
administradas, tais como: formular estratégias de administração do meio
ambiente, assegurar que a empresa esteja em conformidade com as leis
ambientais, implementar programa de prevenção à poluição, gerir
instrumentos de correção de danos ao meio ambiente, adequar os produtos
às especificações ecológicas, além de monitorar o programa ambiental da
empresa.
Gestão Ambiental é o sistema que inclui a estrutura organizacional,
atividades de planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos,
processos e recursos para desenvolver, implementar, atingir, analisar
criticamente e manter a política ambiental. É o que a empresa faz para
minimizar ou eliminar os efeitos negativos provocados no ambiente pelas
suas atividades.
É a forma pela qual a organização se mobiliza, interna e externamente,
para a conquista da qualidade ambiental desejada. Ela consiste em um
conjunto de medidas que visam ter controle sobre o impacto ambiental de
uma atividade.
Antonius (1999) revela que, de modo geral, o gerenciamento ambiental
pode ser conceituado como a integração de sistemas e programas
organizacionais que permitam:
®o controle e a redução dos impactos no meio ambiente, devido às
operações ou produtos;
®o cumprimento de leis e normas ambientais;
®o desenvolvimento e uso de tecnologias apropriadas para minimizar ou
eliminar resíduos industriais;
®o monitoramento e avaliação dos processos e parâmetros ambientais;
®a eliminação ou redução dos riscos ao meio ambiente e ao homem;
®a utilização de tecnologias limpas (clean technologies), visando
minimizar os gastos de energia e materiais;
®a melhoria do relacionamento entre a comunidade e o governo;
a antecipação de questões ambientais que possam causar problemas ao meio
ambiente e, particularmente, à saúde humana.
Figura 1: Ilustra as mudanças na empresa através da conscientização
ambiental
A gestão ambiental começa a ser encarada como um assunto estratégico
dentro das organizações e isso tem se tornado um fator importante de
competitividade.
Os instrumentos de gestão ambiental objetivam melhorar a qualidade
ambiental e o processo decisório. São aplicados a todas as fases dos
empreendimentos e podem ser: preventivos, corretivos, de remediação e
pró-ativos, dependendo da fase em que são implementados.
3.1 – Tendências da gestão ambiental na empresa
A gestão ambiental da empresa está experimentando importantes mudanças.
Isto faz com que se amplie o âmbito de atuação da Responsabilidade
Ambiental, aparecendo novas funções emergentes. É preciso analisar com
mais profundidade essas mudanças e suas implicações e as necessidades de
qualificação, do perfil, para poder antecipar-se nas demandas das
empresas e oferecer uma formação adaptada na evolução do perfil. De
acordo com a Fundació Fórum Ambiental (2001), as tendências são:
3.1.1 – Tendência na pro-atividade
Se detecta uma mudança na visão das empresas para a proteção do meio
ambiente, que se manifesta na tendência de prevenir riscos ambientais em
lugar de atuar uma vez produzidos ditos riscos. A função da
Responsabilidade Ambiental adquire um caráter estratégico, de forma que
seu peso nas decisões da companhia é cada vez maior. Esta mudança de
mentalidade requer necessidades de formação específicas para a
Responsabilidade Ambiental, que há de ter uma visão pro-ativa e há de
ser capaz de aplicar os conceitos de melhora contínua no dia-a-dia da
empresa, identificando oportunidades de mudanças e de melhora para a
competitividade.
3.1.2 – Tendência da integração do meio ambiente, da qualidade e da
segurança trabalhista
A integração dos três sistemas se constitui um fenômeno emergente nas
empresas. As semelhanças entre os sistemas não só permitem otimizar
recursos aproveitando possíveis sinergias, mas que possibilitam uma
maior vinculação dos sistemas com a estratégia da empresa e a melhora da
qualidade de gestão. Com esta tendência, conforma-se a formação dos
futuros Responsáveis pelo Meio Ambiente, que deverá proporcionar os
conhecimentos necessários sobre qualidade, segurança trabalhista e meio
ambiente e sobre como administrá-los de forma integral.
3.1.3 – Caráter transcendente da função
As atividades de Responsabilidade Ambiental transcendem não só a seu
departamento, mas a toda empresa, de forma que este trabalho tem que
relacionar-se com uma grande diversidade de pessoas, tanto a nível
interno das organizações como a nível externo. Ele tem implicações
importantes para a formação que se reforça nas competências pessoais dos
Responsáveis Ambientais para que possam relacionar-se de forma efetiva
com uma multiplicidade de atores.
4 - SGA - SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL
Os Sistemas de Gerência Ambientais atuais tiveram suas origens com o
desenvolvimento de sistemas de qualidade. É uma ferramenta de gestão que
possibilita a uma organização de qualquer dimensão ou tipo controlar o
impacto das suas atividades no ambiente.
Um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) pode ser definido como um conjunto
de procedimentos para gerir ou administrar uma organização, de forma a
obter o melhor relacionamento com o meio ambiente.
Ele fornece um detalhe mais adicional no programa ambiental. Estabelece
procedimentos, instruções de trabalho e controles, assegurando-se que a
execução da política e da realização dos alvos possa se transformar numa
realidade. Um SGA possibilita uma abordagem estruturada para estabelecer
objetivos, para os atingir e para demonstrar que foram atingidos.
Os SGA acontecem por interferência de normas internacionais e de normas
de grandes conglomerados organizacionais ou por exigências de clientes e
outras partes interessadas.
Para que seja estabelecido um SGA, deverão ser identificados todos os
aspectos pertinentes às atividades, produtos e serviços das organizações
e os impactos significativos que poderão provocar no meio ambiente. Essa
identificação pode ser realizada através de uma revisão inicial,
englobando pelos menos as seguintes áreas:
*legislação e outros instrumentos legais e normativos;
*aspectos ambientais;
*análise das práticas e procedimentos de gestão ambiental;
*avaliação dos incidentes/acidentes prévios.
Os SGA não são obrigatórios, ou seja, não há legislação de qualquer
nível, em qualquer lugar do mundo, que obrigue, a uma organização
produtiva a realizar o desenvolvimento e sua implantação. Contudo, o
comércio internacional, cada vez mais, vem estabelecendo, como condição
de comercialização de produtos e serviços, a certificação formal dos
fornecedores em termos de gestão ambiental.
Isto implica mudança de cultura e até mesmo mudança estrutural. A
questão deixa de ser assunto exclusivo de um departamento e se torna
parte integrante da atividade de cada membro da empresa, desde a alta
administração até o chão de fábrica.
4.1 - Padrões ambientais do sistema de gerência
Com expectativas ambientais cada vez mais estritos do desempenho muitos
negócios estão reconhecendo a necessidade de integrar a gerência
ambiental em suas operações de negócio.
Neste contexto, o campo ambiental teve um crescimento constante de
padrões nacionais e regionais. A Instituição Britânica dos padrões tem
BS 7750, a Associação Canadense dos Padrões tem a Gerência Ambiental,
Padrões Examinados, Rotulagem Ambiental e a União Européia tem todas
estas, mais os regulamentos da EMA, e muitos outros países, por exemplo,
EUA, Alemanha e Japão, introduziram Programas Rotulagem Ambiental.
Há uma similaridade grande entre os padrões ambientais do sistema de
gerência aplicados em uma base internacional, européia, e nacional.
Tomamos como exemplo a ISO14001 , EMAS e BS7750 . Todos estes padrões
têm um jogo similar dos ingredientes.
®uma compreensão objetiva de aspectos ambientais e de seus impactos;
®a necessidade para uma política ambiental, esclarecendo os princípios
ambientais promovidos pela companhia;
®objetivo e alvos que definem os objetivos ambientais e o trajeto para a
realização deles;
®um sistema ou um programa ambiental de gerência, definindo como os
objetivos e os alvos serão realizados;
®auditoria interna do sistema de gerência ambiental para assegurar a
eficácia e o cumprimento;
®revisão da gerência do sistema para assegurar-se de que continue a ser
apropriado e eficaz para a organização e seus alvos.
4.1.1. - ISO 14000
A ISO 14000 séries dos padrões consistem em dois tipos de padrões:
Padrões da organização que podem ser usados para executar e avaliar o
Sistema de Gerência Ambiental (EMS) dentro de uma organização, incluindo
a ISO 14010 séries de padrões de auditorias ambientais e a ISO 14030
série dos padrões para a avaliação de desempenho ambiental.
Padrões de produtos que podem ser usados para avaliar os impactos
ambientais dos produtos e dos processos. Fazem parte deste grupo a ISO
14020, série de padrões de rotulagem ambiental, a ISO 14040, série de
padrões da análise do ciclo de vida, e a ISO 14060, série de padrões do
produto.
Figura 2 - Gestão Ambiental ISO 14000
Fonte: Adaptado de Cajazeira (1997).
4.1.2. - BS 7750
Padrão britânico BS 7750 é usado para descrever o Sistema de Gerência
Ambiental da companhia, avaliando seu desempenho e definindo a política,
as práticas, os objetivos; e fornece um catalisador para a melhoria
contínua.
BS 7750 é projetado para ser compatível com o esquema da (EMAS) e também
com o padrão internacional ISO 14001. Ele requer uma política ambiental
de acordo com a legislação ambiental que possa a organização efetuar e
força um compromisso à melhoria contínua.
Em junho 1993, a Organização de Padrões Internacional (ISO) reviu as
recomendações do Grupo Estratégico Consultivo sobre o meio ambiente
(SAGE) e decidiu-se dar forma a um comitê técnico internacional novo
ISO/TC 207
4.1.3 - EMAS
O EMAS – Sistema Comunitário de Eco-Gestão e Auditoria ou Eco-Management
and Audit Scheme é um instrumento voluntário dirigido às empresas que
pretendam avaliar e melhorar os seus comportamentos ambientais e
informar o público e outras partes interessadas a respeito do seu
desempenho e intenções ao nível do ambiente, não se limitando ao
cumprimento da legislação ambiental nacional e comunitária existente.
Em 2001 foi publicado o novo regulamento EMAS (EMAS II), tendo como
revisão:
®alargamento de aplicação do EMAS a todos os setores de atividade
econômica (incluindo as autoridades locais);
®adoção do modelo de sistema de gestão ambiental da norma ISO 14001;
®levantamento ambiental mais abrangente e exigente;
®adoção de um logotipo visível e facilmente reconhecível, que permitirá
às empresas registradas no EMAS publicá-lo de
uma forma mais eficaz;
®maior envolvimento de todos os colaboradores na implementação do EMAS;
®melhoria do conteúdo da Declaração Ambiental;
®abertura à elaboração de uma Declaração Ambiental global;
®validação anual das alterações à Declaração Ambiental.
O EMAS está aberto à participação voluntária de todas as organizações
interessadas em melhorar o seu desempenho ambiental global e prestar
informações relevantes sobre o resultado da gestão dos aspectos
ambientais ao público e a outras partes interessadas.
4.2. - Benefícios do Sistema de Gestão Ambiental
Hoje em dia, face à crescente concorrência global, as expectativas dos
clientes não se cingem à procura de um determinado nível de qualidade ao
menor custo. Eles estão cada vez mais informados e predispostos a
comprar e usar produtos que respeitem o ambiente.
Temos, portanto, vantagens para o ambiente e para a organização. As
vantagens ambientais resultam da definição de regras escritas para a
realização de operações com potencial impacto ambiental e a introdução
de práticas ambientais nessas operações, conseguindo-se reduzir os
riscos ambientais da atividade (emissões, derrames, acidentes, entre
outros).
A introdução de práticas ambientais vai, por outro lado, originar a
redução de custos, via melhoria da eficiência dos processos, redução de
consumos (matéria-prima, água, energia), minimização do tratamento de
resíduos e efluentes e diminuição de prêmios de seguros, multas, etc.
Do mesmo modo, ao estabelecer uma estrutura de gestão ambiental,
interfere-se com toda a organização, promovendo a definição de funções,
responsabilidades e autoridades, levando, conseqüentemente, a um aumento
de motivação nos colaboradores.
Uma última vantagem passa pela melhoria da imagem da empresa e sua
aceitação pela sociedade, desde que corretamente explorada através da
função Marketing.
Temos assim, esquematicamente e entre outras vantagens:
®melhoria na organização interna;
®melhoria da imagem;
®aumento da satisfação e confiança dos clientes;
®aumento da motivação e envolvimento no sistema, por parte dos
colaboradores internos;
®confiança no sistema e reflexão sobre o mesmo;
®melhoria da posição competitiva, face aos concorrentes não
certificados;
®redução de custos;
®cesso a determinados mercados e concursos, em face de um sistema com
base em critérios internacionalmente aceitos;
®minimização do impacto ambiental das atividades.
Os benefícios com a implementação de um Sistema de Gestão Ambiental
estão intimamente ligados à mudança comportamental, aprendizado e
inovação organizacional.
5 – A GESTÃO AMBIENTAL COMO VANTAGEM COMPETITIVA
Visando assegurar sua sustentabilidade, as empresas buscam implantar
mecanismos de gestão ambiental e sua implantação deve ser encarada com
seriedade, envolvendo o comprometimento da alta administração.
A Gestão Ambiental correlacionada aos aspectos econômico-contábeis
permite a identificação dos custos ambientais gerados pelas atividades e
processos organizacionais. Dessa forma, a empresa pode estabelecer
planos de ações e mecanismos de controle com o objetivo de mitigar ou
eliminar tais custos, melhorando decisivamente a eficiência da
utilização de recursos da companhia, fator chave para acumulação de
riquezas.
Assim, pode-se alavancar a estratégia competitiva da empresa e assegurar
o cumprimento de seu papel social, através da atuação responsável. Junto
às exigências e atribuições de responsabilidade que a sociedade
estabelece para as empresas, através de suas leis, são oferecidas
oportunidades. A gestão eficiente sabe detectar oportunidades para
investimentos rentáveis onde parece haver apenas exigências e despesas.
No Brasil é crescente a preocupação ambiental. Existem muitas empresas
que estão obtendo certificações internacionais para seus produtos e/ou
Sistemas de Gestão Ambiental. Ainda que tenhamos uma realidade muito
distinta dos países desenvolvidos, temos uma série de oportunidades
ligadas à Gestão Ambiental que nos mostram caminhos alternativos para um
crescimento econômico sem destruição dos recursos naturais.
Faria (2000) diz que uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio
Vargas, com apoio do Banco Mundial, expôs 11 estudos de caso a respeito
de algumas abordagens inovadoras na gestão ambiental. Ela menciona o
caso da empresa produtora de Papel e Celulose Klabin: “Para dar
respostas à pressão de produtos favoráveis ao ambiente, esta empresa
decidiu ampliar suas áreas preservadas e cultivar uma imagem junto ao
mercado internacional. Através da adoção de práticas ambientalmente
responsáveis, tais como a reserva de espaço em suas terras para áreas de
preservação, a empresa não observou perdas significativas de receita,
pelo contrário, garantiu espaço em um mercado mais exigente, com a
obtenção de certificados de sua produção de madeiras com práticas
ambientalmente corretas”.
5.1 – Vantagens competitivas a partir da implantação de Sistemas de
Gestão Ambiental
Algumas empresas já vêm adotando práticas conscientes, pensando no
avanço futuro do valor que o meio ambiente assume para a sociedade.
Assim, pode-se citar alguns exemplos de empresas que descobriram
oportunidades de negócios conscientes dos recursos naturais.
Muitas empresas que antes viam o investimento na questão ambiental como
medidas que aumentavam o custo da produção, descobriram que a Gestão
Ambiental reduz custos e pode tornar a fábrica mais eficiente. Em média,
de acordo com Faria (2000), um bom programa de Gestão Ambiental paga-se
sozinho em um prazo de dez a quinze meses. Com o programa, a empresa
economiza água, energia e matéria-prima.
Tem-se alguns exemplos de retorno de investimento e redução de custos a
partir da implantação do Sistema de Gestão Ambiental (SGA), nas
seguintes empresas, conforme Faria (2000):
®Bahia Sul- Produtora de Papel em Mucuri- BA, foi a primeira a obter
certificação ISO 14.000 no Brasil. Atuando em setor altamente poluente,
investiu um milhão de dólares no projeto de implantação do SGA, levando
três anos para implantá-lo. A economia anual após a Certificação chega a
novecentos e vinte mil dólares.
®OPP- Química, produtora de resinas poliolefínicas, certificou quatro
unidades em 1996 e em todas obteve ganhos suficientes para compensar o
investimento de cerca de dois milhões de dólares, economizando água,
energia, vapor e perda de matéria-prima.
®Copesul (Companhia Petroquímica do Sul), em processo de certificação em
1998, considera que o Sistema de Gestão Ambiental proporciona:
capacidade de operação a baixos custos e com altos rendimentos
operacionais, avaliado principalmente pelo menor consumo energético e de
matéria-prima, com reciclagem e produção maximizada de seus principais
produtos- o eteno e o propeno.
®Alpargatas- Santista Têxtil- unidade de Americana- SP, obteve a
certificação pela implantação de Sistema de Gestão Ambiental segundo os
requisitos da norma ISO 14001, em dezembro de 1997. Os trabalhos para a
certificação demoraram cerca de dois anos. Foram investidos um milhão de
dólares durante este processo e estima-se investimentos em torno de
seiscentos mil para as melhorias constantes exigidas pelo sistema. Os
dirigentes da empresa afirmam que os investimentos retornam, gerando
vantagens competitivas, além de preparar as empresas para as exigências
cada vez maiores das Leis ambientais.
®Cenibra (Celulose Nipo- Brasileira), localizada em Minas Gerais, foi
recomendada para receber a certificação pela norma ISO 14001, em outubro
de 1997. Durante o processo de implantação, investiu cerca de seiscentos
e cinqüenta mil dólares. A empresa afirma que a adoção de práticas
ambientalmente corretas levará a uma contínua redução de custos no
processo produtivo
®Wolkswagen do Brasil- unidade de São Carlos recebeu a certificação de
conformidade com a norma ISO 14001, em março de 1998. Foi planejada
desde sua concepção para atender todos os requisitos da legislação
ambiental brasileira.
Os responsáveis afirmam que o Sistema de Gestão Integrado tem retorno
garantido não só no aspecto financeiro como no de qualidade de vida. A
fábrica de São Carlos reduziu custos em consumo de água, energia e
combustível.
Verifica-se, portanto, que os resultados positivos no sentido de atingir
redução de custos através de Sistemas de Gestão Ambiental são
consideráveis e as vantagens competitivas adquiridas por este restrito
grupo não podem ser desprezadas, pois estas representam estratégias
pioneiras em um setor que, tudo indica, tende a crescer no Brasil.
A Gestão Ambiental, mais do que uma atitude politicamente correta,
tornou-se uma indispensável vantagem competitiva. Os Sistemas de Gestão
Ambiental passaram a ser desenvolvidos com maior ênfase, quando grandes
acidentes, como Bhopal, na Índia, e Exxon Valdez no Alasca, causaram
impactos ambientais de grandes proporções e acirraram ainda mais a
mobilização da sociedade em prol da ecologia.
Hojda (1998) refere que todo o desenvolvimento de normas voltadas ao
Sistema de Gestão Ambiental teve aspectos importantes, ao demonstrar que
o correto estabelecimento da Gestão Ambiental, além de responder às
exigências da comunidade mundial e do consumidor-cidadão, também oferece
às organizações vantagens competitivas matematicamente mensuráveis:
redução de custos, em função da economia de recursos naturais e
diminuição da geração de resíduos; possibilidades de conquistar mercados
restritos, como o da União Européia; economia de recursos pertinentes a
indenizações por responsabilidade civil; mais facilidade para obtenção
de financiamentos junto a organismos multilaterais de crédito, como o
Banco Mundial (BID), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD) e o
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e
atendimento às legislações inerentes ao meio ambiente.
5.2 – Fatores que podem determinar a Vantagem Competitiva da Gestão
Ambiental
Foi elaborado um trabalho pelas acadêmicas Angélica do Espírito Santo e
Cristina Hsieh da USP, orientadas pelo professor Miguel Juan Bacic, em
que é colocado como fatores que podem determinar a Vantagem Competitiva
da Gestão Ambiental:
5.2.1 - Atendimento dos interesses dos stakeholders
Governo: por meio de legislação, o governo vem buscando punir práticas
das empresas que tenham impactos ambientais significativos, através de
multas e proibições. Porém, enquanto as empresas não se conscientizarem
da importância de uma atuação ecologicamente correta, as regulamentações
serão necessárias, devido a algumas razões elucidadas por Porter
(1992):
®cria pressão para motivar as empresas a inovar;
®melhora a qualidade ambiental para os casos em que a inovação e os
resultados de melhoria na produtividade de recursos não suplantam o
custo de adequação;
®alerta e educa as empresas sobre possíveis ineficiências de recursos e
áreas potenciais para melhorias tecnológicas;
®aumenta a probabilidade de que as inovações nos produtos e no processo
em geral sejam amistosas ao meio ambiente;
®cria demanda por melhorias ambientais até que empresas e consumidores
sejam capazes de perceber e mensurar as ineficiências;
®nivela o campo de batalha durante o período de transição para soluções
ambientais baseadas em inovações, assegurando que uma empresa não possa
galgar posições competitivas em relação às outras, fugindo dos
investimentos de natureza ambiental.
Comunidade: o envolvimento das organizações com as questões
sócio-ambientais pode transformar-se numa oportunidade de negócios. O
conceito que a sociedade faz da empresa é um dos fatores determinantes
do sucesso ou fracasso do negócio, uma vez que está correlacionado ao
goodwill da empresa, seu ativo intangível.
Acionistas: os acionistas mais informados tendem a preferir injetar
recursos em empresas com preocupação ambiental, por serem mais seguras e
conceituadas, o que garante o recebimento dos seus dividendos. Dessa
forma, as empresas ecológicas podem assegurar o aporte de recursos para
alavancar os seus negócios.
Funcionários: para Hojda (1998), a implantação da Gestão Ambiental exige
Treinamento, Conscientização e Competência dos funcionários envolvidos,
o que ajudará na eficiência e na melhoria do processo de produção,
reaproveitando o máximo da potencialidade da empresa. Além disso, os
empregados sentem-se melhor por estarem associados a uma empresa
ambientalmente responsável, demonstra ter mais subsídios de assegurar
sua continuidade e o emprego de seus funcionários. A empresa, tendo uma
imagem segura e confiável, promove a satisfação dos seus empregados, e
que pode até mesmo resultar em aumento de produtividade.
5.2.2.- Diferenciação do produto:
Pesquisa e Desenvolvimento: a Gestão Ambiental exige das empresas maior
investimento em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), pois para minimizar o
dano ambiental, a área de desenvolvimento será incentivada a procurar
novas alternativas de produção e inovações. Nesse aspecto, as novas
inovações servem como estratégia competitiva tanto em liderança de custo
como em diferenciação de produtos. A reciclagem é um exemplo da evolução
das pesquisas sobre tecnologias limpas. Hojda (1998) cita a Opel e a
Mercedes-Benz, entre outras várias indústrias automobilísticas, que há
alguns anos projetam seus automóveis com materiais que podem ser
reaproveitados na fabricação de um carro novo. Destaca ainda que "na
Holanda, 60% dos vidros utilizados na indústria de embalagem são
reciclados, enquanto, no Brasil, apenas 30%".
5.2.3. - Garantia de mercado:
Imagem: muitos empresários estão com medo de ser vistos com outros olhos
pela sociedade. Isso foi comprovado por François Moyen, presidente da
Belgo Mineira, que declarou na Revista Exame do dia 10 de julho de 1997
(p.45): "mais vale investir que ter a imagem estragada, pois o custo
para recuperá-la será mais alto". E ele conhece bem este problema, pois
suas usinas Monlevade e Sabará foram classificadas como as mais
poluidoras do Estado por uma associação ambientalista de Minas Gerais,
enfrentando dificuldades para mudarem as suas imagens de poluidoras.
Ademais, as diversas ONGs pressionam empresas através de campanhas
veiculadas na imprensa e lobby junto a legisladores. A empresa, sob a
mira de uma ONG, será bombardeada na imprensa e provavelmente passará a
ser percebida pela população como ambientalmente irresponsável, o que
representa forte publicidade negativa, afetando a competitividade do
produto da empresa no mercado, além de representar a necessidade de
maior custo em publicidade para restituir a sua imagem.
Comércio Exterior: atualmente, o comércio exterior está mais prudente
quanto a esta questão ambiental, principalmente nos países
desenvolvidos, forçando os países emergentes a adotarem padrões de
qualidade ambiental, a fim de que seus produtos sejam aceitos no livre
comércio. Com a criação da ISO 14000, os critérios de qualidade ficaram
mais rigorosos, levando as empresas a praticarem a Gestão Verde, para
continuarem competitivas no mercado.
5.2.4.- Otimização dos custos:
Custos no processo produtivo: na Gestão Ambiental, o primeiro passo para
conquistar a vantagem competitiva em custo é eliminar o desperdício.
Segundo Porter e Linde (1995), as empresas não conhecem o custo da
poluição em termos de desperdícios de recursos, de esforços e diminuição
de valor para o consumidor. Dessa forma, a empresa pode, inicialmente,
estar avaliando o seu processo através de uma auditoria ambiental, por
exemplo, visando identificar os custos desnecessários como gastos
excessivos com energia e água. A partir de então, o controle de custos
pode ser usado como ferramenta para prevenir futuros impactos
ambientais.
Custos financeiros: os bancos que assinaram o "Pacto Verde" e,
principalmente, organizações de desenvolvimento como BIRD, BID, etc,
oferecem linhas de crédito específicas para projetos ligados ao meio
ambiente com melhores condições, tais como maior prazo de carência e
menores taxas de juros.
5.3 – Tipos genéricos de Estratégia Ambiental Corporativa
O modelo apresentado por Orsato (2003), na Figura 3, identifica os
elementos envolvidos na Gestão Ambiental Corporativa. Para o autor, é
fundamental esta separação para identificar condições específicas nas
quais as Estratégias Ambientais Corporativas podem melhorar a
competitividade da empresa, porque até o momento não foram tratados como
áreas independentes da ação estratégica.
Figura 3: Tipos Genéricos de Estratégia Ambiental Corporativa
Fonte: Orsato (2003)
Os quadrantes da Figura 3 representam uma tipologia de Estratégias
Ambientais Especializadas que as empresas podem adotar. A estrutura do
setor no qual a empresa opera, seu posicionamento dentro do setor, os
tipos de mercado a que a empresa atende e suas competências determinarão
o foco competitivo mais apropriado (processos organizacionais ou
produtos e serviços) e a fonte potencial de vantagem competitiva (custo
ou diferenciação) para a empresa.
Estratégia 1 – Produtividade de Recursos: fatores sociais e econômicos e
outros, de acordo com Orsato (2003), influenciaram empresas a atingirem
um grau significativo de produtividade de trabalho e capital,
possibilitando-as reduzir substancialmente os custos de manufatura e o
preço final dos produtos. Estudos demonstram que o potencial de um novo
conjunto de práticas empresarias para desenvolver a produtividade de
recursos pode até emergir em um novo sistema econômico.
O autor cita, como exemplo, cervejarias na Namíbia, Suécia, Canadá e
Japão que não apenas utilizam matéria-prima de forma mais eficiente,
mas, por converterem os resíduos do processo de fabricação da cerveja em
produtos comerciais, também lucram com estas novas atividades
empresarias. Numa fábrica tradicional de cerveja, os grãos de cevada
gastos para fabricar a cerveja são vendidos para criadores de porcos e
gado a preços baixos. Já nas cervejarias orientadas à produtividade dos
recursos, os grãos gastos (contendo 70% de fibras e 26% de proteínas)
são utilizados por plantadores de cogumelos. Uma vez que os executivos
reconheçam que sua atividade empresarial privilegia estratégias baseadas
em produtividade de recursos, eles podem concentrar esforços na
exploração de oportunidades ocultas. Embora outras áreas potenciais de
sua atividade empresarial estejam propensas a gerar lucros a partir dos
investimentos ambientais, focalizar no que faz mais sentido do ponto de
vista empresarial pode realmente se tornar fonte de uma vantagem
competitiva.
Estratégia 2 – Além da conformidade legal: a imagem corporativa pode ser
melhorada, influenciando uma opinião pública positiva sobre as práticas
de Gestão Ambiental. Na Europa, EUA e Japão, as montadoras Ford, General
Motors e Toyota, por exemplo, já tornaram obrigatório para seus
fornecedores certificar seus Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) conforme
a ISO 14001.
Processos organizacionais que vão além da conformidade podem exercer
influência indireta na imagem da empresa e eventualmente ter impacto em
seu desempenho de mercado. Essa influência, porém, depende de
circunstâncias particulares.
Orsato (2003) exemplifica o seguinte: quando os consumidores europeus
rejeitaram a decisão da Shell de abandonar plataformas de petróleo em
desuso no Mar do Norte, tornou-se mais fácil para os consumidores
assumir uma posição de ‘sim ou não’ e boicotar os produtos da empresa.
Naquela situação específica, a rejeição de práticas organizacionais -
que não estavam diretamente relacionadas com os produtos vendidos pela
empresa - resultou em uma queda substancial nas vendas. O caso Brent
Spar, como ficou conhecido, mostrou que o desempenho ambiental geral da
Shell estava se tornando importante para os clientes e a sociedade em
geral. Durante boa parte dos anos 90, a Shell foi acusada de negligência
social e ambiental nas suas operações na Nigéria (África), culminando na
acusação de estar envolvida na conspiração que resultou na execução do
ambientalista Ken Saro-Wiva na Nigéria. O incidente de Brent Spar foi a
‘gota d´água’ para muitos se revoltarem contra as práticas da Shell.
Mais importante, a Shell parece ter aprendido a lição. Desde 1998, a
empresa mudou sua estratégia ambiental radicalmente, adotando práticas
que vão muito além da conformidade legal. Hoje, a empresa considera o
relatório ambiental uma ferramenta essencial de comunicação para abordar
tais preocupações. Ao perseguir uma estratégia que vai além da
conformidade das práticas ambientais, a Shell atualmente lidera as
empresas que melhoraram a imagem que consumidores e colaboradores têm
sobre suas operações. Neste caso, a Shell sugere que as estratégias que
vão além da conformidade beneficiarão corporações multinacionais que são
suscetíveis às pressões dos acionistas em seu país e à opinião pública
em geral.
Estratégia 3 – Produtos e serviços ecologicamente orientados: É a
estratégia mais clara das quatro possibilidades apresentadas na Figura
3. Os produtos ecologicamente orientados representam, hoje, um nicho de
mercado definido, explorado por todas as empresas do mundo.
Fundamentalmente, as empresas que almejam gerar vantagem competitiva a
partir de estratégias baseadas em produtos e serviços orientados
ecologicamente precisam observar três pré-requisitos básicos de acordo
com Orsato (2003: (i) os consumidores precisam estar dispostos a pagar
pelos custos da diferenciação ecológica; (ii) informações confiáveis
sobre o desempenho ambiental do produto precisam estar disponíveis para
o consumidor; e (iii) a diferenciação deve ser difícil de ser imitada
pelos concorrentes.
Estratégia 4 – Liderança de custo ambiental: no conceito tradicional de
liderança de custo, a vantagem competitiva é obtida quando a empresa
apresenta os custos mais baixos no setor. Obter vantagem de custo, para
Orsato (2003), depende de vários fatores, tais como custo da força de
trabalho, acessibilidade de matérias-primas, tecnologia e competências
organizacionais. Mas se obter vantagem de custo exige considerável
esforço, mais difícil ainda é reduzir custos e os impactos ambientais
associados com os produtos ou serviços ao mesmo tempo – pré-requisitos
da estratégia baseada em liderança de custo ambiental. Essa é a razão
pela qual esta é a mais ambiciosa das estratégias apresentadas na Figura
3. A necessidade de inovações radicais no desenho dos produtos também
explica a dificuldade de encontrar exemplos empíricos desta estratégia.
Sintetizando, como os quatro tipos de estratégias genéricas sugeriram, a
distinção entre os processos organizacionais e os produtos/serviços
vendidos pela empresa não é apenas um exercício teórico. Orsato (2003)
diz que esta particularidade possui implicações diretas na maneira como
as organizações podem otimizar seus esforços na área ambiental e
focalizar no tipo de estratégia genérica que faz mais sentido para a
empresa. Algumas empresas podem, até mesmo, desenvolver estratégias mais
ambiciosas e explorar soluções mais arriscadas e radicais.
6 – CONCLUSÃO
A preocupação com o meio ambiente tem apresentado uma dinâmica
diferenciada nas organizações e nas nações nas quais estas se encontram.
O mercado não mais aceita o descaso no tratamento dos recursos naturais.
Os consumidores estão interessados em produtos limpos. A legislação
torna-se mais rígida, imputando sanções aos infratores, obrigando as
empresas a encarar com seriedade e responsabilidade a variável ambiental
em sua estratégia operacional.
Adequar-se às exigências ambientais dos mercados, governos e sociedade,
apesar de levar a empresa a despender um montante considerável, traz
benefícios financeiros e vantagens competitivas. Muitas empresas perdem
anualmente, produzindo resíduos e gastam muito mais para limpá-los.
Portanto, o uso de ferramentas de Gestão Ambiental que proporcionem o
desenvolvimento e uso de tecnologias limpas, bem como a melhoria
contínua dos processos produtivos, trazem maior eficiência e
competitividade à empresa.
Posto isto, verifica-se que a sociedade é que dá permissão para a
continuidade da empresa. Os detentores de recursos não querem arriscar
indefinidamente seus patrimônios em companhias que se recusem a tomar
medidas preventivas na área ambiental.
As empresas precisam administrar seus recursos sob a ótica ecológica e,
para tanto, torna-se necessário integrar o controle ambiental com os
aspectos econômicos e financeiros, a fim de melhor suportar suas
estratégias e decisões, o que se converte em ganhos nos negócios e para
a sociedade.
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________________
Maria Elisabeth Pereira Kraemer
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da equipe de Ensino
e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale
do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela
Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela
Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente
Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação
Científica Internacional Neopatrimonialista.
ENDEREÇO: Avenida Joca Brandão nº 111, Edifício Dona Emília, apto 902 -
Centro. CEP 88.301-300 - ITAJAÍ – SC –
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