Resumo
A ameaça à sobrevivência humana em face da degradação dos recursos
naturais, a extinção das espécies da fauna e flora, o aquecimento da
temperatura devido à emissão de gases poluentes fizeram a questão
ambiental ocupar um lugar de destaque nos debates internacionais. O meio
ambiente da empresa é constituído por diversas formas de relacionamento,
considerando as disciplinas gerenciais, as técnicas e o processo de
produção junto às instalações e ao meio interno e externo, incluindo-se
também a relação entre mercado, cliente, fornecedores, comunidade e
consumidor. Neste sentido, o gerenciamento ambiental não pode separar e
nem ignorar o conceito de ambiente empresarial em seus objetivos, pois o
desenvolvimento deste conceito possibilita melhores resultados nas
relações internas e externas, com melhorias na produtividade, na
qualidade e nos negócios.
Abstract
The menace to the human survival in face of the degradation of the
natural resources, the extinction of the species of the fauna and flora,
the heating of the temperature due to the emission of pollution gases
insisted to occupy a prominence place in the international debates. The
environment of the company is constituted by several relationship forms,
considering the managerial disciplines, the techniques and the
production process close to the facilities and to the internal and
external middle, being also included the relationship among market,
customer, vendors, community and consumer. In this sense, the
environmental management cannot separate and ignore the concept of
managerial atmosphere in its objectives, because the development of this
concept facilitates better results in the internal and external
relationships, with improvements in the productivity, in the quality and
in the business.
Palavras-Chave: gestão ambiental, desenvolvimento sustentável,
responsabilidade ambiental e social, impacto ambiental.
Word-key: environmental administration, maintainable development,
environmental and social responsibility, environmental impact.
1 – Introdução
A incorporação da variável ambiental dentro da gestão empresarial se tem
convertido em uma necessidade inexplicável para aquelas empresas que não
queriam atuar e cumprir com as obrigações perante a sociedade.
Esta incorporação se desenvolve eficientemente mediante a inclusão junto
ao sistema de gestão geral da empresa, conhecida como Sistema de Gestão
Ambiental, que deve instrumentar-se mediante os meios e estruturas
necessárias para que não fique só como uma mera declaração de intenções.
Neste contexto, este artigo trata do desenvolvimento econômico em
relação ao meio ambiente; a responsabilidade ambiental da empresa;
desenvolvimento sustentável; gestão ambiental; impacto ambiental;
benefícios da gestão ambiental; sistema de gestão ambiental e por fim
trata dos padrões internacionais de gestão ambiental como: ISO 14000, BS
7750 e EMAS.
2 - Desenvolvimento econômico em relação ao meio ambiente
Os avanços ocorridos na área ambiental quanto aos instrumentos técnicos,
políticos e legais, principais atributos para a construção da estrutura
de uma política de meio ambiente, são inegáveis e inquestionáveis. Nos
últimos anos, saltos quantitativos foram dados, em especial no que se
refere à consolidação de práticas e formulação de diretrizes que tratam
a questão ambiental de forma sistêmica e integrada.
Neste sentido, o desenvolvimento da tecnologia deverá ser orientado para
metas de equilíbrio com a natureza e de incremento da capacidade de
inovação dos países em desenvolvimento, e o programa será atendido como
fruto de maior riqueza, maior benefício social eqüitativo e equilíbrio
ecológico. Meyer (2000) enfoca que, para esta ótica, o conceito de
desenvolvimento sustentável apresenta pontos básicos que devem
considerar, de maneira harmônica, o crescimento econômico, maior
percepção com os resultados sociais decorrentes e equilíbrio ecológico
na utilização dos recursos naturais.
Assume-se que as reservas naturais são finitas, e que as soluções
ocorrem através de tecnologias mais adequadas ao meio ambiente. Deve-se
atender às necessidades básicas usando o princípio da reciclagem.
Parte-se do pressuposto de que haverá uma maior descentralização, que a
pequena escala será prioritária, que haverá uma maior participação dos
segmentos sociais envolvidos, e que haverá prevalescência de estruturas
democráticas. A forma de viabilizar com equilíbrio todas essas
características é o grande desafio a enfrentar nestes tempos.
Neste sentido, Donaire (1999) diz que o retorno do investimento, antes,
entendido simplesmente como lucro e enriquecimento de seus acionistas,
ora em diante, passa, fundamentalmente, pela contribuição e criação de
um mundo sustentável.
Estes processos de produção de conhecimento têm oportunizado o
desabrochar de práticas positivas e pró-ativas, que sinalizam o
desabrochar de métodos e de experiências que comprovam, mesmo que em um
nível ainda pouco disseminado, a possibilidade de fazer acontecer e
tornar real o novo, necessário e irreversível, caminho de mudanças.
Isto é corroborado por Souza (1993), ao dizer que as estratégias de
marketing ecológico, adotadas pela maioria das empresas, visam a
melhoria de imagem tanto da empresa quanto de seus produtos, através da
criação de novos produtos verdes e de ações voltadas pela proteção
ambiental.
Desse modo, o gerenciamento ambiental passa a ser um fator estratégico
que a alta administração das organizações deve analisar.
Figura 1 - Motivação para proteção ambiental na empresa

Fonte: Callenbach et al (1993, p. 26)
Neste contexto, as organizações deverão, incorporar a variável ambiental
no aspecto de seus cenários e na tomada de decisão, mantendo com isso
uma postura responsável de respeito à questão ambiental.
Empresas experientes identificam resultados econômicos e resultados
estratégicos do engajamento da organização na causa ambiental. Estes
resultados não se viabilizam de imediato, há necessidade de que sejam
corretamente planejados e organizados todos os passos para a
interiorização da variável ambiental na organização para que ela possa
atingir o conceito de excelência ambiental, trazendo com isso vantagem
competitiva.
Os dez passos necessários para a excelência ambiental segundo Elkington
& Burke, apud Donaire (1999) são os seguintes:
"1 - Desenvolva e publique uma política ambiental.
2 - Estabeleça metas e continue a avaliar os ganhos.
3 - Defina claramente as responsabilidades ambientais de cada uma das
áreas e do pessoal administrativo (linha de assessoria).
4 - Divulgue interna e externamente a política, os objetivos e metas e
as responsabilidades.
5 - Obtenha recursos adequados.
6 - Eduque e treine seu pessoal e informe os consumidores e a comunidade.
7 - Acompanhe a situação ambiental da empresa e faça auditorias e
relatórios.
8 - Acompanhe a evolução da discussão sobre a questão ambiental.
9 - Contribua para os programas ambientais da comunidade e invista em
pesquisa e desenvolvimento aplicados à área ambiental.
10 - Ajude a conciliar os diferentes interesses existentes entre todos
os envolvidos: empresa, consumidores, comunidade, acionistas etc."
A primeira dúvida que surge quando considerarmos a questão ambiental do
ponto de vista empresarial é sobre o aspecto econômico. Qualquer
providência que venha a ser tomada em relação à variável ambiental, a
idéia é de que aumenta as despesas e o conseqüente acréscimo dos custos
do processo produtivo.
Donaire (1999) refere que "algumas empresas, porém, têm demonstrado que
é possível ganhar dinheiro e proteger o meio ambiente mesmo não sendo
uma organização que atua no chamado 'mercado verde', desde que as
empresas possuam certa dose de criatividade e condições internas que
possam transformar as restrições e ameaças ambientais em oportunidades
de negócios”.
3 – A responsabilidade ambiental da empresa
Ecologia e empresa eram considerados dois conceitos e realidades
inconexas. A ecologia é à parte da biologia que estuda a relação entre
os organismos vivos e seu ambiente. Dessa forma a ecologia é entendida
como uma ciência específica dos naturalistas, distanciada da visão da
Ciência Econômica e Empresarial. Para a empresa o meio ambiente que
estuda ecologia constitui simplesmente o suporte físico que fornece a
empresa os recursos necessários para desenvolver sua atividade produtiva
e o receptor de resíduos que se geram.
Alguns setores já assumiram tais compromissos com o novo modelo de
desenvolvimento, ao incorporarem nos modelos de gestão a dimensão
ambiental. A gestão de qualidade empresarial passa pela obrigatoriedade
de que sejam implantados sistemas organizacionais e de produção que
valorizem os bens naturais, as fontes de matérias-prima, as
potencialidades do quadro humano criativo, as comunidades locais e devem
iniciar o novo ciclo, onde a cultura do descartável e do desperdício
sejam coisas do passado. Atividades de reciclagem, incentivo à
diminuição do consumo, controle de resíduo, capacitação permanentes dos
quadros profissionais, em diferentes níveis e escalas de conhecimento,
fomento ao trabalho em equipe e às ações criativas são desafios-chave
neste novo cenário.
A nova consciência ambiental, surgida no bojo das transformações
culturais que ocorreram nas décadas de 60 e 70, ganhou dimensão e situou
o meio ambiente como um dos princípios fundamentais do homem moderno.
Nos anos 80s, os gastos com proteção ambiental começaram a ser vistos
pelas empresas líderes não primordialmente como custos, mas como
investimentos no futuro e, paradoxalmente, como vantagem competitiva.
Figura 2 - O Sistema Econômico e o Meio Ambiente

Fonte: Tietenberg (1994)
A inclusão da proteção do ambiente entre os objetivos da organização
moderna amplia substancialmente todo o conceito de administração.
Administradores, executivos e empresários introduziram em suas empresas
programas de reciclagem, medidas para poupar energia e outras inovações
ecológicas. Essas práticas difundiram-se rapidamente, e em breve vários
pioneiros dos negócios desenvolveram sistemas abrangentes de
administração de cunho ecológico.
Para se entender a relação entre a empresa e o meio ambiente tem que se
aceitar, como estabelece a teoria de sistemas, que a empresa é um
sistema aberto. Sem dúvida nenhuma, as interpretações tradicionais da
teoria da empresa como sistema tem incorrido em uma certa visão parcial
dos efeitos da empresa geral e em seu entorno.
A empresa é um sistema aberto porque está formado por um conjunto de
elementos relacionados entre si, porque gera bens e serviços, empregos,
dividendos, porém também consome recursos naturais escassos e gera
contaminação e resíduos. Por isto é necessário que a economia da empresa
defina uma visão mais ampla da empresa como um sistema aberto.
Neste sentido Callenbach (1993), diz que é possível que os investidores
e acionistas usem cada vez mais a sustentabilidade ecológica, no lugar
da estrita rentabilidade, como critério para avaliar o posicionamento
estratégico de longo prazo das empresas.
4 - Desenvolvimento Sustentável – a expressão entra em cena
Em 1983, a ONU cria a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento como um organismo independente. Em 1987, a comissão
sobre a presidência de Gro Harlem Brundtland, primeira-ministra da
Noruega, materializa um dos mais importantes documentos do nosso tempo –
o relatório Nosso Futuro Comum, responsável pelas primeiras
conceituações oficiais, formais e sistematizadas sobre o desenvolvimento
sustentável - idéia-mestra do relatório.
O segundo capítulo – “Em busca do desenvolvimento sustentável” – o
relatório define o desenvolvimento sustentável com sendo “aquele que
atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as
gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades”.
Ele contém dois conceitos-chave: o de “necessidades, sobretudo as
necessidades essenciais dos pobres no mundo, que devem receber a máxima
prioridade”; e “a noção das limitações que o estágio da tecnologia e da
organização social impõe ao meio ambiente, impedindo-o de atender às
necessidades presentes e futuras”.
Em 1992 no Rio de Janeiro, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento, reconheceu-se à importância de assumir a
idéia de sustentabilidade em qualquer programa ou atividade de
desenvolvimento.
Nesse aspecto as empresas têm um papel extremamente relevante. Através
de uma prática empresarial sustentável, provocando mudança de valores e
de orientação em seus sistemas operacionais, estarão engajadas à idéia
de desenvolvimento sustentável e preservação do meio ambiente.
Neste novo paradigma, Almeida (2002) diz que a idéia é de integração e
interação, propondo uma nova maneira de olhar e transformar o mundo,
baseada no diálogo entre saberes e conhecimentos diversos. No mundo
sustentável, uma atividade – a econômica, por exemplo – não pode ser
pensada ou praticada em separado, porque tudo está inter-relacionado, em
permanente diálogo.
Abaixo tem-se as diferenças entre o velho e o novo paradigmas:
Quadro 1 – Paradigma cartesiano versus paradigma da sustentabilidade
|
Cartesiano |
Sustentável |
|
Reducionista,
mecanicista, tecnocêntrico |
Orgânico,
holístico, participativo |
|
Fatos
e valores não relacionados |
Fatos
e valores fortemente relacionados |
|
Preceitos
éticos desconectados das práticas cotidianas |
Ética
integrada ao cotidiano |
|
Separação
entre o objetivo e o subjetivo |
Interação
entre o objetivo e o subjetivo |
|
Seres
humanos e ecossistemas separados, em uma relação de dominação |
Seres
humanos inseparáveis dos ecossistemas, em uma relação de sinergia |
|
Conhecimento
compartimentado e empírico |
Conhecimento
indivisível, empírico e intuitivo |
|
Relação
linear de causa e efeito |
Relação
não’linear de causa e efeito |
|
Natureza
entendida como descontínua, o todo formado pela soma das partes |
Natureza
entendida como um conjunto de sistemas inter-relacionados, o todo
maior que a soma das partes |
|
Bem-estar
avaliado por relação de poder (dinheiro, influência, recursos) |
Bem-estar
avaliado pela qualidade das inter-relações entre os sistemas
ambientais e sociais |
|
Ênfase
na quantidade (renda per capita) |
Ênfase
na qualidade (qualidade de vida) |
|
Análise |
Síntese |
|
Centralização
de poder |
Descentralização
de poder |
|
Especialização |
Transdisciplinaridade |
|
Ênfase
na competição |
Ênfase
na cooperação |
|
Pouco
ou nenhum limite tecnológico |
Limite
tecnológico definido pela sustentabilidade |
Fonte: Almeida (2002).
Os empresários neste novo papel, tornam-se cada vez mais aptos a
compreender e participar das mudanças estruturais na relação de forças
nas áreas ambiental, econômica e social. Também, em sua grande parte, já
decidiram que não querem ter mais passivo ambiental.
Além disso, desenvolvimento sustentável introduz uma dimensão ética e
política que considere o desenvolvimento como um processo de mudança
social, com conseqüente democratização do acesso aos recursos naturais e
distribuição eqüitativa dos custos e benefícios do desenvolvimento.
Camargo, apud Novaes (2002), diz que nos últimos dois séculos têm vivido
sob a tríade da liberdade, da igualdade e da fraternidade. À medida que
caminhamos para o século XXI, precisamos tomar como inspiração os
quatros valores da liberdade, da igualdade, da fraternidade e da
sustentabilidade.
O desenvolvimento sustentável, além de equidade social e equilíbrio
ecológico, segundo Donaire (1999), apresenta, como terceira vertente
principal, a questão do desenvolvimento econômico. Induz um espírito de
responsabilidade comum como processo de mudança no qual a exploração de
recursos materiais, os investimentos financeiros e as rotas do
desenvolvimento tecnológico deverão adquirir sentidos harmoniosos. Neste
sentido, o desenvolvimento da tecnologia deverá ser orientado para metas
de equilíbrio com a natureza e de incremento da capacidade de inovação
dos países em desenvolvimento, e o progresso será entendido como fruto
de maior riqueza, maior benefício social eqüitativo e equilíbrio
ecológico.
Sachs apud Campos (2001) apresenta cinco dimensões do que se pode chamar
desenvolvimento sustentável:
Figura 4 - As cinco dimensões da sustentabilidade.

Fonte: Sachs apud Campos (2001)
- A sustentabilidade social – que se entende como a criação de um
processo de desenvolvimento sustentado por uma civilização com maior
equidade na distribuição de renda e de bens, de modo a reduzir o abismo
entre os padrões de vida dos ricos e dos pobres.
- A sustentabilidade econômica – que deve ser alcançada através do
gerenciamento e alocação mais eficientes dos recursos e de um fluxo
constante de investimentos públicos e privados.
- A sustentabilidade ecológica – que pode ser alcançada através do
aumento da capacidade de utilização dos recursos, limitação do consumo
de combustíveis fósseis e de outros recursos e produtos que são
facilmente esgotáveis, redução da geração de resíduos e de poluição,
através da conservação de energia, de recursos e da reciclagem.
- A sustentabilidade espacial – que deve ser dirigida para a obtenção de
uma configuração rural-urbana mais equilibrada e uma melhor distribuição
territorial dos assentamentos humanos e das atividades econômicas.
- A sustentabilidade cultural – incluindo a procura por raízes endógenas
de processos de modernização e de sistemas agrícolas integrados, que
facilitem a geração de soluções específicas para o local, o ecossistema,
a cultura e a área.
A busca de sustentabilidade é um processo, sendo a própria construção do
conceito uma tarefa ainda em andamento e muito longe do fim. Alguns
resultados práticos já podem ser reconhecidos e celebrados como
argumenta Almeida (2002), que entre julho de 1996 e julho de 2001, o
Índice Dow Jones de Sustentabilidade ultrapassou com folga o Índice Dow
Jones Geral: 18,4% para o primeiro, contra 14,8% para o segundo. O
Índice Dow Jones de Sustentabilidade reflete a lucratividade das ações
das 312 empresas com melhor desempenho sócio ambiental, dentre as cerca
de três mil que compõem o Índice Dow Jones Geral, principal índice
bolsista do mundo.
Hoje, a principal ferramenta de escolha de ações de empresas com
responsabilidade social e ambiental é o Índice Dow Jones de
Sustentabilidade (DJSI, em inglês Dow Jones Sustainability Group Index).
O DJSI foi lançado em setembro de 1999 pela Dow Jones e a Sustainable
Asset Management (SAM), gestora de recursos da Suíça especializada em
empresas comprometidas com a responsabilidade social e ambiental. O
índice é formado por 312 ações de empresas de 26 países e quatro
brasileiras integram a lista: Itaú, Unibancos, Embraer e Cemig.
Os índices de sustentabilidade fornecem marcas de nível objetivas para
os produtos financeiros que são ligados aos critérios econômicos,
ambientais e sociais. Oferecem uma linha de base do desempenho como uma
marca de nível e universo do investimento para o número crescente de
fundos mútuos, de certificados e de outros veículos de investimento que
são baseados no conceito de sustentabilidade.
As empresas que integram a lista do DJSI tem vários benefícios como:
- Reconhecimento público da preocupação com a área ambiental e social.
- Reconhecimento dos stakeholders importantes tais como legisladores,
clientes e empregados (por exemplo conduzir a uma lealdade melhor do
cliente e do empregado).
- Benefício financeiro crescente pelos investimentos baseados no índice.
- Os resultados altamente visíveis, internos e externos à companhia,
como todos os componentes são anunciados publicamente pelo Boletim do
Índice e a companhias são intituladas a usar “membro da etiqueta oficial
de DJSI”.
Verifica-se, portanto, que as empresas estão cuidando dos aspectos
sociais e ambientais e muitas delas têm ganho econômico e maior
durabilidade a longo prazo, ou seja, o risco do investidor é menor.
O Jornal Valor Econômico de 07 de março de 2003, trouxe a seguinte
manchete : “Sustentabilidade entra na pauta das multinacionais, que diz:
Presidentes e diretores de multinacionais e de grandes grupos
brasileiros participaram segunda-feira dia 10 de março de 2003, no Rio,
da reunião executiva do Conselho Empresarial Mundial para o
Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, na sigla em inglês). A entidade, que
representa 169 grupos com faturamento anual de US$ 6 trilhões, discutiu
os caminhos do desenvolvimento sustentável, abordando temas como
pobreza, recursos naturais, inovação tecnológica e biotecnologia.
O vice-presidente da República, José Alencar, participou de um seminário
durante o encontro. Fernando Almeida, diretor-executivo do Conselho
Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS,
equivalente nacional do WBCSD), disse que na reunião o Brasil poderá se
tornar o primeiro caso do projeto-piloto Sobrevivência Sustentável.
Criado pelo WBCSD, o projeto tem o objetivo de desenvolver atividades em
áreas de baixa renda, oferecendo condições para que essas regiões se
desenvolvam conforme o conceito de sustentabilidade.
Almeida previu que os líderes empresariais reunidos no Rio poderão
apoiar a iniciativa de transformar o Brasil no primeiro "case" do
Sobrevivência Sustentável. A idéia é começar com dois projetos-piloto,
um na caatinga e outro na região Noroeste do estado do Rio. Segundo ele,
os temas discutidos pelo WBCSD, como clima e energia, acesso a água,
biodiversidade, inovação e tecnologia, valem também para os 42 conselhos
nacionais (por país), que reúnem cerca de mil empresas. Há ainda
projetos setoriais discutidos pelo conselho, como florestas, mineração,
cimento e setores elétrico e financeiro.
5. – Gestão ambiental – o novo paradigma
Gestão ambiental é um aspecto funcional da gestão de uma empresa, que
desenvolve e implanta as políticas e estratégias ambientais.
Diversas organizações empresariais estão cada vez mais preocupadas em
atingir e demonstrar um desempenho mais satisfatório em relação ao meio
ambiente. Neste sentido, a gestão ambiental tem se configurado como uma
das mais importantes atividades relacionadas com qualquer empreendimento.
Além dessa ferramenta, a problemática ambiental envolve também o
gerenciamento dos assuntos pertinentes ao meio ambiente, por meio de
sistemas de gestão ambiental, da busca pelo desenvolvimento sustentável,
da análise do ciclo de vida dos produtos e da questão dos passivos
ambientais.
Para Meyer (2000), a gestão ambiental é apresentada da seguinte forma:
*objeto de manter o meio ambiente saudável (à medida do possível), para
atender as necessidades humanas atuais, sem comprometer o atendimento
das necessidades das gerações futuras.
*meio de atuar sobre as modificações causadas no meio ambiente pelo uso
e/ou descarte dos bens e detritos gerados pelas atividades humanas, a
partir de um plano de ação viáveis técnica e economicamente, com
prioridades perfeitamente definidas.
*instrumentos de monitoramentos, controles, taxações, imposições,
subsídios, divulgação, obras e ações mitigadoras, além de treinamento e
conscientização.
*base de atuação de diagnósticos (cenários) ambientais da área de
atuação, a partir de estudos e pesquisas dirigidos em busca de soluções
para os problemas que forem detectados.
Assim, para que uma empresa passe a realmente trabalhar com gestão
ambiental deve, inevitavelmente, passar por uma mudança em sua cultura
empresarial; por uma revisão de seus paradigmas. Neste sentido, a gestão
ambiental tem se configurado com uma das mais importantes atividades
relacionadas com qualquer empreendimento.
Quadro 2 – Visão geral da gestão ambiental
|
GESTÃO
AMBIENTAL
|
|||
|
Gestão
de Processos |
Gestão
de Resultados |
Gestão
de Sustentabilidade |
Gestão
do Plano Ambiental |
|
Exploração
de recursos |
Emissões
gasosas |
Qualidade
do ar |
Princípios
e compromissos |
|
Transformação
de recursos |
Efluentes
líquidos |
Qualidade
da água |
Política
ambiental |
|
Acondicionamento
de recursos |
Resíduos
sólidos |
Qualidade
do solo |
Conformidade
legal |
|
Transporte
de recursos |
Particulados |
Abundância
e diversidade da flora |
Objetivos
e metas |
|
Aplicação
e uso de recursos |
Odores |
Abundância
e diversidade da fauna |
Programa
ambiental |
|
Quadros
de riscos ambientais |
Ruídos
e vibrações |
Qualidade
de vida do ser
humano |
Projetos
ambientais |
|
Situações
de emergência |
Iluminação |
Imagem
institucional |
Ações
corretivas e preventivas |
Fonte: Macedo, R.K. 1994.
De acordo com Macedo (1994), se uma unidade produtiva, ao ser planejada,
atender a todos os quesitos apresentados na tabela acima, através de
ferramentas e procedimentos adequados, certamente ela atenderá a todas
as requisições existentes relativas à qualidade ambiental.
O mesmo autor subdivide a gestão ambiental em quatro níveis:
Gestão de Processos – envolvendo a avaliação da qualidade ambiental de
todas as atividades, máquinas e equipamentos relacionados a todos os
tipos de manejo de insumos, matérias primas, recursos humanos, recursos
logísticos, tecnologias e serviços de terceiros.
Gestão de Resultados – envolvendo a avaliação da qualidade ambiental dos
processos de produção, através de seus efeitos ou resultados ambientais,
ou seja, emissões gasosas, efluentes líquidos, resíduos sólidos,
particulados, odores, ruídos, vibrações e iluminação.
Gestão de Sustentabilidade (Ambiental) – envolvendo a avaliação da
capacidade de resposta do ambiente aos resultados dos processos
produtivos que nele são realizados e que o afetam, através da
monitoração sistemática da qualidade do ar, da água, do solo, da flora,
da fauna e do ser humano.
Gestão do Plano Ambiental – envolvendo a avaliação sistemática e
permanente de todos os elementos constituintes do plano de gestão
ambiental elaborado e implementado, aferindo-o e adequando-o em função
do desempenho ambiental alcançado pela organização.
Os instrumentos de gestão ambiental objetivam melhorar a qualidade
ambiental e o processo decisório. São aplicados a todas as fases dos
empreendimentos e poder ser: preventivos, corretivos, de remediação e
pró-ativos, dependendo da fase em que são implementados
5.1. - Impacto Ambiental
A expressão “impacto ambiental” teve uma definição mais precisa, nos
anos 70 e 80, quando diversos países perceberam a necessidade de
estabelecer diretrizes e critérios para avaliar efeitos adversos das
intervenções humanas na natureza.
A definição jurídica de impacto ambiental no Brasil vem expressa no art.
1º da Res. 1, de 23.1.86 do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente,
nos seguintes termos: “considera-se impacto ambiental qualquer alteração
das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente,
causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das
atividades humanas, que direta ou indiretamente, afetam-se: a saúde, a
segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas;
a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a
qualidade dos recursos naturais”.
O Impacto ambiental é a alteração no meio ou em algum de seus
componentes por determinada ação ou atividade. Estas alterações precisam
ser quantificadas, pois apresentam variações relativas, podendo ser
positivas ou negativas, grandes ou pequenas.
O que caracteriza o impacto ambiental, não é qualquer alteração nas
propriedades do ambiente, mas as alterações que provoquem o
desequilíbrio das relações constitutivas do ambiente, tais como as
alterações que excedam a capacidade de absorção do ambiente considerado.
Assim, de acordo com Moreira (2002) o ambiente urbano como relações dos
homens com o espaço construído e com a natureza, em aglomerações de
população e atividades humanas, constituídas por fluxo de energia e de
informação para a nutrição e biodiversidade; pela percepção visual e
atribuição de significado às conformações e configurações da aglomeração;
e pela apropriação e fruição (utilização e ocupação) do espaço
construído e dos recursos naturais.
Porém o impacto ambiental é entendido como qualquer alteração produzida
pelos homens e suas atividades, nas relações constitutivas do ambiente,
que excedam a capacidade de absorção desse ambiente.
Em suma, os impactos ambientais afetam a estabilidade preexistente dos
ciclos ecológicos, fragilizando-a ou fortalecendo-a.
Antes de se colocar em prática um projeto, seja ele público ou privado,
precisamos antes saber mais a respeito do local onde tal projeto será
implementado, conhecer melhor o que cada área possui de ambiente natural
(atmosfera, hidrosfera, litosfera e biosfera) e ambiente social (infraestrutura
material constituída pelo homem e sistemas sociais criados).
A maioria dos impactos é devido ao rápido desenvolvimento econômico, sem
o controle e manutenção dos recursos naturais. A conseqüência pode ser
poluição, uso incontrolado de recursos como água e energia etc. Outras
vezes as áreas são impactadas por causa do subdesenvolvimento que traz
como conseqüência a ocupação urbana indevida em áreas protegidas e falta
de saneamento básico.
De maneira geral, os impactos ambientais mais significativos encontram-se
nas regiões industrializadas, que oferecem mais oportunidades de emprego
e infra-estrutura social, acarretando, por isso, as maiores
concentrações demográficas.
Quadro 3 - Principais impactos ambientais
|
ATIVIDADES
DE MAIOR POTENCIAL DE IMPACTO AMBIENTAL |
TIPO
DE DEGRADAÇÃO |
|
Garimpo
de ouro |
Assoreamento
e erosão nos cursos d'água
Poluição
das águas, aumento da turbidez e metais pesados
Formação
de núcleos populacionais com grandes problemas sociais·
Degradação
da paisagem
Degradação
da vida aquática com conseqüências diretas sobre a pesca e a
população |
|
Mineração
industrial, Ferro, Manganês, Cassiterita, Cobre, Bauxita, etc. |
Degradação
da paisagem
Poluição
e assoreamento dos cursos d'água
Esterilização
de grandes áreas
Impactos
sócio-econômicos |
|
Agricultura
e pecuária extensivas (grandes projetos agropecuários) |
Incêndios
florestais, destruição da fauna e flora
Contaminação
dos cursos d'água por agrotóxicos
Erosão
e assoramento dos cursos d'água
Destruição
de áreas de produtividade natural
Reservas
extrativistas |
|
Grandes
Usinas Hidrelétricas |
Impacto
cultural - provas indígenas
Impacto
sócio-econômico
Inundação
de áreas florestais, agrícolas, vilas, etc
Impacto
sobre flora, fauna e ecossistemas adjacentes |
|
Pólos
industriais e/ou grandes indústrias |
Poluição
do ar, água e solo
Geração
de resíduos tóxicos
Conflitos
com o meio urbano |
|
Caça
e pesca predatórias |
Extinção
de mamíferos aquáticos e diminuição e peixes
Drástica
redução de animais de valores econômico e ecológico |
|
Indústrias
de Alumínio |
Poluição
atmosférica
Poluição
marinha
Impactos
indiretos pela enorme demanda de energia elétrica |
|
Crescimento
populacional vertiginoso (migração interna) |
Problemas
sociais graves, chegando - em alguns casos - a um aumento de 40% da
população entre 1970 e 1980
Ocupação
desordenada do solo com sérias conseqüências sobre os recursos
naturais |
Fonte: http://www.sivam.gov.br
6 – Benefícios da Gestão Ambiental
A gestão ambiental facilita o processo de gerenciamento, proporcionando
vários benefícios às organizações. North apud Cagnin (2000) enumera os
benefícios da gestão ambiental, que estão discriminados abaixo:
Quadro 4: Benefícios da gestão ambiental
BENEFÍCIOS ECONÔMICOS
Economia de Custos
Ö Redução do consumo de água, energia e outros insumos.
Ö Reciclagem, venda e aproveitamento e resíduos, e diminuição de
efluentes.
Ö Redução de multas e penalidades por poluição.
Incremento de Receita
Ö Aumento da contribuição marginal de “produtos verdes”, que podem ser
vendidos a preços mais altos.
Ö Aumento da participação no mercado, devido à inovação dos produtos e à
menor concorrência.
Ö Linhas de novos produtos para novos mercados.
Ö Aumento da demanda para produtos que contribuam para a diminuição da
poluição.
BENEFÍCIOS ESTRATÉGICOS
Ö Melhoria da imagem institucional.
Ö Renovação da carteira de produtos.
Ö Aumento da produtividade.
Ö Alto comprometimento do pessoal.
Ö Melhoria nas relações de trabalho.
Ö Melhoria da criatividade para novos desafios.
Ö Melhoria das relações com os órgãos governamentais, comunidade e
grupos ambientalistas.
Ö Acesso assegurado ao mercado externo.
Ö Melhor adequação aos padrões ambientais.
Fonte: Adaptado de North, K. Environmental business management.
Genebra: ILO, 1992. In: Cagnin, 1999.
.
7 – SGA - Sistema de Gestão Ambiental
Para a institucionalização da função Gestão Ambiental na organização, é
preciso ressaltar algumas condições ou princípios em que ela deverá se
basear. São as etapas de um SGA, apresentadas sob a forma de princípios:
Política do Ambiente é a posição adotada por uma organização
relativamente ao ambiente. A elaboração e definição desta política é o
primeiro passo a dar na implementação de um SGA, traduzindo-se numa
espécie de comprometimento da organização para com as questões do
ambiente, numa tentativa de melhoria contínua dos aspectos ambientais.
Planejamento - O sucesso de um bom SGA, tal como acontece com muitas das
medidas que queremos que sejam tomadas com sucesso, requer um bom
planejamento. Deve-se começar por identificar aspectos ambientais e
avaliar o impacto de cada um no meio ambiente. Por aspectos ambientais
entende-se, por exemplo, o ruído, os resíduos industriais e as águas
residuais. A organização deve estabelecer e manter procedimentos para
identificar os aspectos ambientais que controla e sobre os quais exerce
alguma influência, devendo igualmente garantir que os impactos por eles
provocados estão considerados no estabelecimento da sua política
ambiental.
Através dos requisitos legais, relativamente a cada um dos aspectos
ambientais, estabelecem-se objetivos e metas que se definem num Programa
Ambiental, que clarifica a estratégia que a organização irá seguir na
implementação do SGA. Neste Programa de Gestão Ambiental, os objetivos
ambientais a estabelecer e manter devem ser considerados relevantes para
a organização. Deve ser designado um responsável por atingir os
objetivos a cada nível da organização, sem esquecer os meios e
espaçamento temporal para que os mesmos possam ser atingidos.
Implementação - As regras, responsabilidades e autoridades devem estar
definidas, documentadas e comunicadas a todos, por forma a garantir a
sua aplicação.
A gestão deve providenciar os meios humanos, tecnológicos e financeiros
para a implementação e controle do sistema.
O responsável pela gestão ambiental deverá garantir que o Sistema de
Gestão Ambiental é estabelecido, documentado, implementado e mantido de
acordo com o descrito na norma e que à gestão de topo é transmitida a
eficiência e eficácia do mesmo.
A organização deverá providenciar formação aos seus colaboradores,
conscientizando-os da importância da Política do Ambiente e do SGA em
geral, da relevância do impacto ambiental das suas atividades, da
responsabilidade em implementar o SGA e das conseqüências em termos
ambientais de trabalhar em conformidade com procedimentos específicos.
A organização deve estabelecer e manter procedimentos para a comunicação
interna entre os vários níveis hierárquicos e para receber e responder
às partes externas.
Compete ainda à organização estabelecer e manter informação que descreva
os elementos base do SGA e da sua interação, controlando todos os
documentos exigidos pela norma.
As operações de rotina que estejam associadas a impactos ambientais
consideráveis deverão ser alvo de um controle eficaz.
Por último, devem ser estabelecidos e mantidos procedimentos que visem
responder a situações de emergência, minimizando o impacto ambiental
associado.
Verificação e ações corretivas - A organização deve definir, estabelecer
e manter procedimentos de controle e medida das características chave
dos seus processos que possam ter impacto sobre o ambiente. Do mesmo
modo, a responsabilidade pela análise de não conformidades e pela
implementação de ações corretivas e preventivas deve estar devidamente
documentada, bem como todas as alterações daí resultantes. Todos os
registros ambientais, incluindo os respeitantes às formações e
auditorias, devem estar identificáveis e acessíveis.
Procedimentos e planos que visem garantir auditorias periódicas ao SGA,
de modo a determinar a sua conformidade com as exigências normativas,
devem ser estabelecidos e mantidos.
Revisão pela direção - Cabe à direção, com uma freqüência definida por
ela própria, rever o SGA e avaliar a adequabilidade e eficácia do mesmo,
num processo que deverá ser devidamente documentado. A revisão pela
direção deve ter em conta a possível necessidade de alterar a Política
do Ambiente, objetivos e procedimentos, como resposta a alterações
organizativas, melhorias contínuas e modificações externas.
Após todo este processo que deverá ser acolhido de braços abertos por
toda a estrutura organizacional e em especial pela gestão, a organização
deverá estar em condições de proceder à respectiva certificação do seu
SGA por uma autoridade independente e externa.
7.1. - ISO 14000
A ISO é uma organização internacional fundada em 1946 para desenvolver
padrões de manufatura, do comércio e da comunicação, tais como linhas
padrão do parafuso, tamanhos do recipiente de transporte, formatos de
vídeo, etc. Estes padrões são para facilitar o comércio internacional
aumentando a confiabilidade e a eficácia dos bens e serviços. Todos os
padrões desenvolvidos por ISO são voluntários; entretanto, os países
freqüentemente adotam padrões de ISO e fazem-nos imperativos.
Após a aceitação rápida da ISO 9000, e o aumento de padrões ambientais
em torno do mundo, a ISO (International Organization for Starda-dization)
constitui o Grupo Estratégico Consultivo sobre o meio ambiente (SAGE) em
1991, para considerar se tais padrões atendiam o seguinte:
- Promover uma aproximação comum à gerência ambiental similar à gerência
da qualidade;
- Realçar a habilidade das organizações de alcançar e medir melhorias no
desempenho ambiental; e
- Facilite o comércio e remova as barreiras de comércio.
- Em 1992, as recomendações do SAGE criaram um comitê novo, o TC 207,
para padrões ambientais internacionais da gerência. O comitê, e seus sub-comitês
incluem representantes da indústria, das organizações de padrões, do
governo e das organizações ambientais de muitos países.
Os padrões aplicam-se a todos os tipos e tamanhos de organizações e são
projetados a abranger circunstâncias geográficas, culturais e sociais
diversas.
A ISO 14000 séries dos padrões consistem em dois tipos de padrões
a) Padrões da organização que podem ser usados para executar e avaliar o
sistema de gerência ambiental (EMS) dentro de uma organização, incluindo
a ISO 14010 séries de padrões de auditorias ambientais e a ISO 14030
série dos padrões para a avaliação de desempenho ambiental.
· Sistemas de gerência ambientais - Os padrões do EMS incluem uma
especificação e uma guia. O original da especificação é consultado como
a ISO 14001 (sistemas de gerência ambientais – especificações como
orientação para o uso). A ISO 14001 é o padrão que uma organização
registra seu EMS usando third-party independente de avaliar o sistema e
confirmar que o EMS da organização se conforma às especificações do ISO
14001. A ISO 14001 é o único padrão na série inteira a que uma
organização pode ser registrada. O original do guia é consultado como
ISO 14004 (sistema de gerência ambiental – guias gerais em princípios,
sistemas e técnicas). A intenção da ISO 14004 é ajudar a organização a
desenvolver e executar um EMS que se encontre com as especificações da
ISO 14001. São pretendidos para o uso como uma ferramenta de gerência e
não uma certificação ou um registro voluntário, interno.
· Auditoria Ambiental - Estes originais fornecem uma estrutura ambiental
consistente de auditoria e permitem também o registro third-party sob
ISO 14001. Os guias para auditoria ambiental incluem originais:
esboçando os princípios gerais (ISO 14010),
estabelecendo os procedimentos da auditoria (ISO 14011),
e descrevendo os critérios da qualificação do auditor (ISO 14012).
Os artigos novos do trabalho forma propostos para as avaliações
ambientais do local (ISO 14015), revisões e a gerência iniciais do
programa de auditoria.
· Avaliação de Desempenho Ambiental - A ISO 14031 fornecerá a
organização uma orientação de como desenvolver e executar um sistema
ambiental da avaliação de desempenho (EPE). Este padrão define EPE como
"uma ferramenta de gerência que ajude a uma organização focalizar sua
melhora no desempenho ambiental". O padrão fornecerá também a orientação
no desenvolvimento e na seleção de indicadores do desempenho.
Figura 5 - Espiral do Sistema de Gestão Ambiental (ISO 14001)

Fonte: Adaptado de Maimon (1996) e Cajazeira (1997).
b) Padrões de produtos que podem ser usados para avaliar os impactos
ambientais dos produtos e dos processos. Fazem parte deste grupo a ISO
14020 série de padrões de rotulagem ambiental, a ISO 14040, série de
padrões da análise do ciclo de vida e a ISO 14060 série de padrões do
produto.
· Rotulagem Ambiental - Os padrões são desenvolvidos para três tipos de
programas:
Os programas do tipo I são consultados como os programas do "practitioner"
que são produto ou categoria do produto baseada, similares ao programa
bem escolhido ambiental ou ao programa azul do angel de Germany.
Os programas do tipo II são baseados nos termos e nas definições comuns
que podem ser usados para reivindicações self-declaradas.
Os programas do tipo III são baseados do "em um conceito do cartão
relatório", bem como etiquetas existentes do nutrition.
Esta série inclui também um padrão que esboça um jogo de princípios
comuns para todos os tipos de programas de rotulagem.
· Análise do Ciclo de Vida (LCA) - Diversos padrões de LCA estão sendo
desenvolvidos atualmente que cobrem cada estágio do ciclo de vida de um
produto, incluindo a avaliação do inventário, a avaliação do impacto, e
a avaliação da melhoria. As aplicações específicas de LCA incluem
comparar produtos alternativos e processos, o ajuste de linhas de base
do desempenho, e benchmarking o progresso. Os conceitos de LCA podiam
ser usados como uma base eco-rotulagem.
· Aspectos ambientais em padrões do produto - A ISO 14060 (guia para a
inclusão de aspectos ambientais em padrões do produto) é o sexto padrão.
Este original é uma guia para escritores dos padrões nas áreas fora da
gerência ambiental, e o TC 207 está emitindo o padrão de esboço ao
secretariado central do ISO para uma experimentação de 12 a 18 meses.
7.2. - BS 7750
Padrão britânico BS 7750 - a especificação para sistemas de gerência
ambientais, baseada nos princípios do padrão britânico BS 5750 e o ISO
da qualidade 9000 séries, foi esboçada em 1991 pela instituição
britânica dos padrões (BSI). O comitê, o ambiente e o comitê da política
dos padrões da poluição dos padrões britânicos instituem constituídos
por 40 membros de indústria, comércio, governo e partidos legislativos
do corpo e os interessados.
É usado para descrever o sistema de gerência ambiental da companhia,
avalia seu desempenho e defini a política, as práticas, os objetivos; e
fornece um catalisador para a melhoria contínua.
O padrão foi publicado primeiramente em junho 1992, e subseqüentemente
revisto e revisado a uma edição nova de janeiro 1994.
BS 7750 é projetado agora ser compatível com o esquema da (EMAS) e
também com padrão internacional ISO 14001. Ele requer uma política
ambiental de acordo com a legislação ambiental que possa a organização
efetuar e força um compromisso à melhoria contínua.
Deve relacionar-se aos locais dentro da organização abrangida pelo
sistema de gerência, deve fornecer uma vista geral das atividades da
companhia no local e em uma descrição daquelas atividades.
A revisão e a definição preparatórias dos efeitos ambientais da
organização não são parte de uma avaliação BS 7750, porém a auditoria
destes dados fornecerá um exame externo com uma riqueza da informação
nos métodos adotados pela companhia.
A companhia declarará seus objetivos ambientais preliminares, aqueles
que podem ter a maioria de impacto ambiental. A fim ganhar a maioria de
benefício estes transformar-se-ão as áreas preliminares de consideração
dentro do processo da melhoria, e o programa ambiental da companhia.
O sistema de gerência ambiental fornece um detalhe mais adicional no
programa ambiental. O EMS estabelece procedimentos, instruções de
trabalho e controles assegurar-se de que a execução da política e da
realização dos alvos possa se transformar uma realidade.
Em junho 1993, a organização de padrões internacional (ISO) reviu as
recomendações do Grupo Estratégico Consultivo sobre o meio ambiente (SAGE)
e decidiu-se dar forma a um comitê técnico internacional novo ISO/TC 207
7.3 - EMAS
O EMAS – Sistema Comunitário de Eco-Gestão e Auditoria ou Eco-Management
and Audit Scheme foi estabelecido pelo Regulamento (CEE) nº 1836/93 de
29 de Junho, que definia as responsabilidades dos Estados-membro na
criação das estruturas de base do EMAS, as condições de funcionamento e
operacionalidade dessas estruturas, bem como os requisitos de adesão a
este sistema.
É um instrumento voluntário dirigido às empresas que pretendam avaliar e
melhorar os seus comportamentos ambientais e informar o público e outras
partes interessadas a respeito do seu desempenho e intenções ao nível do
ambiente, não se limitando ao cumprimento da legislação ambiental
nacional e comunitária existente.
Em 2001 foi publicado o novo regulamento EMAS (EMAS II), instituído pelo
Regulamento (CE) n.º 761/2001 do Parlamento Europeu e do Conselho de 19
de Março de 2001, que revoga o primeiro.
As vantagens em aderir ao EMAS são:
· Ajuda ao cumprimento legal;
· Permite melhorar o desempenho ambiental;
· Demonstrar às partes interessadas um empenho na melhoria ambiental;
· Integrar princípios de desenvolvimento sustentável na ação da
autoridade, de acordo com a agenda local 21;
· Permite realizar economias no que respeita à redução de resíduos,
poupança de energia e utilização de recursos;
· Permite melhorar o controle da gestão;
Após o registro no EMAS as organizações podem utilizar o logotipo nas
seguintes modalidades:
O relatório ambiental de EMAS é chamado de Indicação Ambiental. É uma
maneira para que a empresa faça a informação em seu desempenho ambiental
publicamente disponível. Pode ser usado para informar os sucessos,
problemas e objetivos no campo da gerência ambiental. Também é usado
para:
- Motivar os empregados a se motivarem ativamente em medidas da proteção
ambiental;
- Documento de atividade e desempenho ambiental;
- Reforça o compromisso à execução da gerência ambiental;
- Monitore o sucesso, e
- Ajude no planejamento.
8 - Conclusão
O desenvolvimento sustentável é um importante conceito de crescimento,
presente no debate político internacional em especial quando se trata de
questões referentes à qualidade ambiental e à distribuição global de uso
de recursos.
A sociedade como um todo acaba por sofrer as conseqüências de um
problema nascido de sua relação com o meio ambiente. Os grandes
problemas que emergem da relação da sociedade com o meio ambiente são
densos, complexos e altamente inter-relacionados e, portanto, para serem
entendidos e compreendidos nas proximidades de sua totalidade, precisam
ser observados numa ótica mais ampla.
A implantação de um sistema de gestão ambiental poderá ser soluções para
uma empresa que pretende melhorar a sua posição em relação ao meio
ambiente. O comprometimento hoje exigido às empresas com a preservação
ambiental obriga mudanças profundas na sua filosofia, com implicações
diretas nos valores empresariais, estratégias, objetivos, produtos e
programas.
Como diz Callenbach (1993), nós, seres humanos, somos organismos que
pensam. Não precisamos esperar que os desastres nos ensinem a viver de
maneira sustentável
9 – Referencias
ALMEIDA, F. O bom negócio da sustentabilidade. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 2002.
CALLENBACH, E., et al. Gerenciamento Ecológico – Eco-Manangement – Guia
do Instituto Elmwood de Auditoria Ecológica e Negócios Sustentáveis. São
Paulo: Ed. Cultrix, 1993.
CAGNIN, C. H. Fatores relevantes na implementação de um sistema de
gestão ambiental com base na Norma ISO 14001. 2.000. Dissertação (Mestrado
em Engenharia da Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina,
Florianópolis.
CAMPOS, L. M. S. SGADA – Sistema de gestão e avaliação de desempenho
ambiental: uma proposta de implementação. 2001. Tese (Doutorado em
Engenharia da Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina.
Florianópolis.
COMISSÃO Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento Nosso Futuro Comum.
Rio de Janeiro: FGV, p.44-50, 1988.
CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 001, de 23 de
janeiro de 1986, publicado no D. O U. de 17.2.86. <www.mma.gov.br/por/conama/res/res/86/res0186.html>
Acesso em 03 jun. 2002.
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MACEDO, R. K. de, Gestão Ambiental - Os Instrumentos Básicos para a
Gestão vAmbiental de Territórios e de Unidades Produtivas. ABES: AIDIS.
Rio de Janeiro. vRJ. 1994.
MAIMON, D. Passaporte Verde Gestão ambiental e competitividade. Rio de
Janeiro: Qualitymark, 1996.
MEYER, M. M. Gestão ambiental no setor mineral: um estudo de caso. 2000.
Dissertação (Mestrado em Engenharia da Produção) – Universidade Federal
de Santa Catarina, Florianópolis.
MOREIRA, A. C. Conceitos de ambiente e de impacto ambiental aplicáveis
ao meio urbano. http://www.usp.br/fau/docentes/depprojeto/a_moreira/producao/conceit.htm
. Acesso em 21 de mar.2002.
NOVAES, W. A década do impasse. Da Rio-92 à Rio+10. São Paulo: Estação
Liberdade, 2002.
SOUZA, M. T. S. Rumo à prática empresarial sustentável. Revista de
Administração de Empresas. São Paulo, SP: v.4, n.33, p. 40-52,
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TIETENBERG, T. Economia de recursos ambiental e natural.
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http://www.valoronline.com.br. 7 de março de 2003, ano 4, nº 712.
Sustentabilidade entra na pauta das multinacionais.
http: www.sivam.gov.br. Acesso em 13 de setembro de 2002.
Maria Elisabeth Pereira Kraemer - beth.kraemerarrobaterra.com.br
Contadora, Professora e Integrante da equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI - Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN - Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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