PALAVRAS-CHAVE: Custos da Qualidade, Gestão dos Custos Ambientais e
Custeamento Baseado em Atividades.
MANAGEMENT OF THE COSTS OF THE ENVIRONMENTAL QUALITY
BY COSTING BASED ON ACTIVITIES
ABSTRACT
The contemporary directions of the competition and of the technology
appear significant changes in the managerial context. These changes,
characterized as administration of the business, signal the migration of
the ecology, increasing the social responsibility.
The incorporation of the environmental theme and the accounting treatment and, more specifically, the area of costs, should not be treated as a consequence of this world tendency that appears, necessarily, as a result of the application of approaches, as the “Total Quality”, that they incorporated, gradually, to the companies last decade.
An administration of resources that guarantees the maintainable life and the well-being of the future generations, forces to arrive to agreements and commitments that incorporate environmental legislation and the environmental costs to the economic models. Inside of this context, a methodology that comes being used thoroughly is the Costing by Activity.
The obtained results are of great value so that the company renders
bill of its social responsibility. They serve, also, as subsidies for
the internal decisions in relation to the necessary measures for the
continuation of the system of environmental management.
KEY WORDS: Costs of the Quality, Administration of the Environmental
Costs, Finance based on Activities.
1 – INTRODUÇÃO
O novo contexto econômico caracteriza-se por uma rígida postura dos
clientes, voltada à expectativa de interagir com organizações que sejam
éticas, com boa imagem institucional no mercado, e que atuem de forma
ecologicamente responsável.
Diante deste novo cenário, as organizações necessitam direcionar suas
estratégias para a variável ambiental, a fim de obter vantagem
competitiva.
As estratégias da empresa devem levar em conta a preocupação com
gastos relevantes por natureza e volume, principalmente em função da
relação custo/benefício. Estes gastos tornam-se relevantes para a
organização, bem como para a qualidade de vida da população atual e das
gerações futuras.
Nestas condições, um gerenciamento dessa variável exige ferramentas
gerenciais para o controle dos custos e despesas. Isto exposto, se faz
necessário que os gastos de natureza ambiental sejam controlados e
gerenciados continuamente.
Para isso, as empresas podem adotar sistemas de custos da qualidade
ambiental, a fim de apurar os seus números que, na maioria das vezes,
estão distorcidos por outros custos da empresa.
2 – MEIO AMBIENTE E CUSTOS DA QUALIDADE AMBIENTAL
A busca pela preservação do meio ambiente tomou forma e começou a
sensibilizar a sociedade e as autoridades.
Hoje, após anos de intensas discussões, conclui-se que a ausência de
crescimento ou desenvolvimento é nociva ao meio ambiente e que a grande
questão atual é torná-lo sustentável.
De acordo com Alves (2001), a variável ambiental é um aspecto
significativo a ser considerado e tratado na estratégia das
organizações. A gestão ambiental, por sua vez, deve ser gerida
eficientemente, monitorando-se os custos de controle, a poluição e os
custos das falhas da falta de controle de gestão.
Moura (2000) diz que os custos da qualidade ambiental devem ser
utilizados na avaliação e melhoria da posição de competitividade das
companhias, com relação aos seus concorrentes. Daí a sua importância.
Enfatiza também que a gestão de custos da qualidade ambiental é uma
ferramenta fundamental para o gerenciamento do sistema de gestão
ambiental, pois fornece elementos para a alta administração das empresas
à tomada de decisões, direcionando a melhoria do desempenho ambiental.
Desse modo, o gerenciamento ambiental passa a ser um fator estratégico
que a alta administração das organizações deve analisar.
A Gestão Ambiental inclui uma série de atividades que devem ser
administradas, tais como: formular estratégias de administração do meio
ambiente, assegurar que a empresa esteja em conformidade com as leis
ambientais, implementar programa de prevenção à poluição, gerir
instrumentos de correção de danos ao meio ambiente, adequar os produtos
às especificações ecológicas, além de monitorar o programa ambiental da
empresa.
Além dessa ferramenta, a problemática ambiental envolve também o
gerenciamento dos assuntos pertinentes ao meio ambiente, por meio de
sistemas de gestão ambiental, da busca pelo desenvolvimento sustentável,
da análise do ciclo de vida dos produtos e da questão dos passivos
ambientais.
3 – GESTÃO AMBIENTAL
A nova consciência ambiental, surgida no bojo das transformações
culturais que ocorreram nas décadas de 60 e 70, ganhou dimensão e situou
o meio ambiente como um dos princípios fundamentais do homem moderno.
Nos anos 80, os gastos com proteção ambiental começaram a ser vistos
pelas empresas líderes não primordialmente como custos, mas como
investimentos no futuro e, paradoxalmente, como vantagem competitiva.
A inclusão da proteção do ambiente entre os objetivos da organização
moderna amplia substancialmente todo o conceito de administração.
Administradores, executivos e empresários introduziram em suas empresas programas de reciclagem, medidas para poupar energia e outras inovações ecológicas. Essas práticas difundiram-se rapidamente e logo,vários pioneiros dos negócios desenvolveram sistemas abrangentes de administração de cunho ecológico.
Esse novo paradigma precisa ser acompanhado por uma mudança de
valores, passando da expansão para a conservação, da quantidade para a
qualidade, da denominação para a parceria.
Na concepção de Tachizawa (2002), esse novo paradigma pode ser chamado
de visão do mundo holístico – a visão de um mundo integrado, e não um
conjunto de partes dissociadas. Pode ser denominado de visão sistêmica e
de nova dimensão ecológica, usando essas expressões numa acepção muito
mais ampla e profunda do que a usual.
A Gestão Ambiental, diz o mesmo autor, envolve a passagem do pensamento
mecanicista para o pensamento sistêmico, no qual um aspecto essencial
dessa mudança é que a percepção do mundo como máquina cede lugar à
percepção do mundo como sistema vivo.
Essa mudança diz respeito a nossa concepção da natureza, do organismo humano, da sociedade e, portanto, também de nossa percepção de uma organização de negócios. As empresas são sistemas vivos, cuja compreensão não é possível apenas pelo prisma econômico.
Como sistema vivo, a empresa não pode ser rigidamente controlada por
meio de intervenção direta, porém, pode ser influenciada pela
transmissão de orientações e emissões de impulsos.
A Gestão Ambiental demanda uma dimensão ética, cujas principais
motivações são a observância das leis e a melhoria da imagem da
organização.
É motivada por uma ética ecológica e por uma preocupação com o bem-estar das futuras gerações. Não questiona a ideologia do crescimento econômico, que é a principal força motriz das atuais políticas econômicas e, tragicamente, da destruição do ambiente global. Como enfoca Tachizawa (2002), rejeitar essa ideologia não significa rejeitar a busca cega do crescimento econômico irrestrito, entendido, em termos puramente quantitativos, como maximização dos lucros.
A gestão ambiental implica o reconhecimento de que o crescimento
econômico ilimitado num planeta finito só pode levar a um desastre.
Dessa forma, faz-se uma restrição ao conceito de crescimento,
introduzindo-se a sustentabilidade ecológica como critério fundamental
de todas as atividades de negócios.
Assim, para que uma empresa passe a realmente trabalhar com gestão
ambiental deve, inevitavelmente, passar por uma mudança em sua cultura
empresarial; por uma revisão de seus paradigmas.
4 - DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do
presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras
atenderem a suas próprias necessidades.
Ele contém dois conceitos-chave: 1) o conceito de “necessidades”,
sobretudo as necessidades essenciais dos pobres no mundo, que devem
receber a máxima prioridade; 2) a noção das limitações que o estágio da
tecnologia e da organização social impõe ao meio ambiente, impedindo-o
de atender às necessidades presentes e futuras.
Além disso, desenvolvimento sustentável introduz uma dimensão ética e
política que considere o desenvolvimento como um processo de mudança
social, com conseqüente democratização do acesso aos recursos naturais e
distribuição eqüitativa dos custos e benefícios do desenvolvimento.
Para a existência de uma sociedade sustentável, Meyer (2000) diz que é
necessária a sustentabilidade ambiental, social e política,
constituindo-se em alinhamentos e ajustes ao longo do processo, a fim de
se buscar um estágio final equilibrado.
O desenvolvimento sustentável, além de equidade social e equilíbrio
ecológico, segundo Donaire (1999), apresenta, como terceira vertente
principal, a questão do desenvolvimento econômico.
Induz um espírito de responsabilidade comum como processo de mudança no qual a exploração de recursos materiais, os investimentos financeiros e as rotas do desenvolvimento tecnológico deverão adquirir sentidos harmoniosos.
Neste sentido, o desenvolvimento da tecnologia deverá ser orientado
para metas de equilíbrio com a natureza e de incremento da capacidade de
inovação dos países em desenvolvimento, e o progresso será entendido
como fruto de maior riqueza, maior benefício social eqüitativo e
equilíbrio ecológico.
Sob esta ótica, o conceito de desenvolvimento sustentável, de acordo com
Meyer (2000), apresenta pontos básicos que devem considerar de maneira
harmônica crescimento econômico, maior percepção com os resultados
sociais decorrentes e equilíbrio ecológico na utilização dos recursos
naturais.
Sachs apud Campos (2001) apresenta cinco dimensões do que se pode chamar
desenvolvimento sustentável, ou como chamava na época (1992):
ecodesenvolvimento. Para Sachs, todo o planejamento de desenvolvimento
que almeje ser sustentável precisa levar em conta as cinco dimensões de
sustentabilidade:
- A sustentabilidade social – que se entende como a criação de um
processo de desenvolvimento sustentado por uma civilização com maior
equidade na distribuição de renda e de bens, de modo a reduzir o abismo
entre os padrões de vida dos ricos e dos pobres.
- A sustentabilidade econômica – que deve ser alcançada através do
gerenciamento e alocação mais eficientes dos recursos e de um fluxo
constante de investimentos públicos e privados.
- A sustentabilidade ecológica – que pode ser alcançada através do
aumento da capacidade de utilização dos recursos, limitação do consumo
de combustíveis fósseis e de outros recursos e produtos que são
facilmente esgotáveis, redução da geração de resíduos e de poluição,
através da conservação de energia, de recursos e da reciclagem.
- A sustentabilidade espacial – que deve ser dirigida para a obtenção de
uma configuração rural-urbana mais equilibrada e uma melhor distribuição
territorial dos assentamentos humanos e das atividades econômicas.
- A sustentabilidade cultural – incluindo a procura por raízes endógenas
de processos de modernização e de sistemas agrícolas integrados, que
facilitem a geração de soluções específicas para o local, o ecossistema,
a cultura e a área.
Nos dias de hoje, as organizações, segundo Campos (2001), produzem bens
vastamente consumidos pelas sociedades modernas e algumas destas
sociedades assumem estes bens como de suma importância para a sua
sobrevivência.
Torna-se então, inegável o relevante papel que estas organizações de
produção de bens têm na busca pela prática de um desenvolvimento
sustentável.
Sabemos que a produção dos bens consumidos pelas sociedades gera
poluição ao ambiente, danos que acabam atingindo direta ou indiretamente
a própria humanidade. Mas sabemos também que a mesma sociedade parece
não querer abrir mão do conforto e comodidade proporcionados por alguns
bens.
Então, para solucionarmos este conflito, temos que passar por uma
mudança de valores e de orientação nos sistemas produtivos das
organizações e da sociedade, com a produção e o consumo, visando à
minimização de danos e impactos ambientais negativos normalmente
causados.
Para isto, Campos (2001) diz que temos que conhecer estes danos e
impactos ambientais, identificando a magnitude do impacto, as suas
conseqüências diretas e indiretas, buscando ainda medidas mitigadoras
mais adequadas a cada situação.
5 - CICLO DE VIDA DOS PRODUTOS
O ciclo de vida do produto tem sido estudado em ampla gama de contextos
organizacionais, influenciando as relações comerciais entre países
exportadores e importadores, tendo como preocupações, de caráter
ambiental, aspectos que compreendem desde o processo produtivo e seus
produtos, o uso, até o posterior descarte.
As preocupações iniciais, conforme Tavares Jr (1997), encontram-se nos
aspectos das normas técnicas dirigidas aos produtos, no que tange ao
dimensionamento dos valores-limite em relação à questão ambiental.
Mais tarde, estas preocupações passaram a ser relacionadas com os processos de fabricação, buscando uma forma de reduzir o impacto que estes processos causavam ao meio ambiente.
A avaliação do ciclo de vida contribui para que a empresa venha a reduzir as perdas e a falta de controle sobre o processo de fabricação, ajudando-a a separar e organizar suas instalações e processos de modo a melhor atender às necessidades do produto e do Gerenciamento Ambiental.
Desta forma, é possível que a administração da empresa adote uma
filosofia orientada para o processo, dentro do contexto do Gerenciamento
Ambiental, visando às questões das perdas e de consumo de recursos
naturais. Uma maneira eficaz que pode ser utilizada pela empresa na
orientação da nova filosofia a ser adotada é a série de normas ISO
14000.
A série ISO 14000, na organização do seu comitê técnico TC-207 – Gestão
Ambiental, encarregado da elaboração das normas e guias internacionais
para o SGA – Sistema de Gerenciamento Ambiental, criou o subcomitê SC-5
para Avaliação do Ciclo de Vida que encontra-se sediado na França.
Este subcomitê trata da avaliação dos produtos ou processos,
considerando os impactos causados ao meio ambiente, desde a extração da
matéria-prima usada na geração do produto, e por todo processo
produtivo, levando em conta as emissões de efluentes, até o descarte do
produto com sua reintegração ao meio ambiente.
A norma, no seu contexto geral, vem unificar a linguagem e a metodologia
de mercado (cliente e fornecedor), incentivando as mudanças na condução
do SGA e sistematizando os procedimentos, de maneira a se obter melhoria
na qualidade de vida.
Tecnicamente, a Análise do Ciclo de Vida é composta das seguintes fases,
segundo as normas ISO 14000:
- ISO 14040 – Análise do Ciclo de Vida – Princípios gerais e práticas
- ISO 14041 – Análise do Ciclo de Vida - Inventários
- ISO 14042 – Análise do Ciclo de Vida – Análise dos impactos
- ISO 14043 – Análise do Ciclo de Vida - Interpretações
Ostrenga (1994) diz que custeio por ciclo de vida é a prática de se
organizar os custos de acordo com os estágios de vida de um produto ou
serviço, e usar esse perfil para se tomar decisões a seu respeito.
O controle dos custos ambientais por ciclo de vida dos produtos, de
acordo com Ribeiro & Rocha (1999), permitirá ao gestor da área de
controle ambiental identificar e analisar os estágios em que se
concentram as realizações de tais custos. Obtida a justificativa para a
sua realização, torna-se um elemento de controle e acompanhamento dos
próximos processos, de forma a assegurar sua conformidade com os dados
orçados.
A avaliação do ciclo de vida do produto é definida por Chehebe (1998)
como uma técnica para avaliação dos aspectos ambientais e dos impactos
potenciais, associados a um produto, compreendendo etapas que vão desde
a retida da natureza das matérias-primas elementares que entram no
sistema produtivo (berço) à disposição final (túmulo).
O referido autor diz que a análise do ciclo de vida pode ser utilizada
com um enfoque gerencial para vários propósitos, pois ajuda no seguinte:
- a identificar oportunidades de melhoramentos dos aspectos ambientais,
considerando as várias fases de um sistema de produção;
- na tomada de decisão, por exemplo, no estabelecimento de prioridades
ou durante o projeto de produtos e processos, podendo levar à conclusão
de que a questão ambiental mais importante para uma determinada empresa
pode estar relacionada ao uso de seu produto, e não às suas
matérias-primas ou ao processo produtivo;
- como parte do processo para avaliar a seleção de componentes feitos de
diferentes materiais;
- Na avaliação da performance ambiental.
Na realidade, a análise do ciclo de vida propõe-se a responder às
questões e às dúvidas mais comuns quando da concepção de um produto.
De acordo com Alves (2001): que embalagens causam menos danos ao
meio ambiente: retornáveis ou recicláveis? Quais dessas alternativas são
mais viáveis economicamente? Essas e outras questões são importantes,
pois as empresas são responsáveis pelo produto até a disposição final,
conforme a legislação brasileira atual.
6 – PASSIVO AMBIENTAL
O passivo ambiental são as obrigações contraídas pela empresa perante
terceiros, que têm como origem um gasto ambiental (ativos, custos,
despesas etc).
Assim, segundo Ribeiro & Gonçalves (2002), constituem-se obrigações
ambientais aquelas decorrentes de compras de ativos ambientais, de
elementos consumidos durante o processo de produção e aqueles
provenientes de penalidades impostas às organizações por infração à
legislação ambiental, por danos ao meio ambiente e à propriedade de
terceiros.
Com a dinâmica dos negócios, os passivos ambientais devem ser tratados
com muita atenção e devem fazer parte da tomada de decisões das
organizações na aquisição de outras empresas, na formação de cluster,
nas fusões, nas análises de riscos do negócio, na venda da empresa e na
concepção de novos produtos, dentre outras transações pertinentes ao
assunto.
Para a ONU apud Ribeiro (1998), existem três tipos de obrigações
decorrentes do passivo ambiental:
1) - Legais – são as provenientes de instrumentos legais.
2) Construtivas – são aquelas que a empresa propõe-se a cumprir
espontaneamente, excedendo as exigências legais.
3) Justas (equitable) – refletem a consciência de responsabilidade
social; ou seja, a empresa cumpre em razão de fatores éticos e morais.
Alves (2001) ressalta que a variável custos da qualidade ambiental
decorrente de gastos para manter o padrão de emissão dos resíduos, em
conformidade com as leis que regulamentam a questão ambiental no Brasil,
bem como as despesas originadas pela falta de controle, como os passivos
ambientais e os demais custos envolvidos (dentre eles: ciclo de vida de
produtos, manutenção dos sistemas de gestão e custos dos estudos de
novas tecnologias menos impactantes ao meio ambiente), deverão fazer
parte do controle de custos gerenciais das organizações.
7 - CUSTOS DA QUALIDADE
Com o propósito de participar de forma efetiva neste mercado com
tendências à globalização, os fatores de produção sempre estiveram
constituindo o núcleo de preocupações dos gestores empresarias, tanto no
contexto de ambiente produtivo em si, como também no que diz respeito à
dinamicidade de fatores externos de qualquer forma, associados aos
núcleos de transformação das empresas.
Para conquistar a qualidade, gasta-se um montante considerável de
recursos financeiros. Isto é corroborado por Wernke (1998), ao dizer que
esses recursos são despendidos principalmente em treinamentos internos
sobre conhecimento e interprestação das normas ISO, e também com a
remuneração da consultoria externa encarregada de implementar o processo
de certificação.
Os conceitos de custos da qualidade passaram a ser disseminados com a
bibliografia que tratava do controle da qualidade e buscava oferecer
suporte às ações de melhorias, além de tentar medir a qualidade das
empresas.
A partir daí, surgem conceitos iniciais de custos da qualidade,
buscando oferecer suporte às ações de melhoria e como forma de medir a
qualidade das empresas.
O primeiro conceito de custos da qualidade foi dado por Juran apud
Campos (1996), que são aqueles custos que não deveriam existir se o
produto fosse fabricado perfeitamente logo da primeira vez, ou seja, se
não houvesse falhas de produção, que levam a retrabalho, desperdícios e
perdas da produtividade.
Os custos da qualidade são um importante indicativo para avaliar
quanto as empresas estão perdendo ou deixando de ganhar por não estarem
produzindo com qualidade. Então, os custos da qualidade buscam
identificar e apontar as falhas existentes, assim como os custos para se
prevenir problemas decorrentes dessas falhas.
Já Feigenbaum (1994) define custos da qualidade como aqueles custos
associados com a definição, criação e controle da qualidade, assim como
a avaliação e retroalimentação da conformação da qualidade, garantia e
requisitos de segurança, e aqueles custos associados com falhas nos
requisitos de produção e depois que o produto já se encontra nas mãos do
cliente. Estes custos estão relacionados com a satisfação do cliente.
O mesmo autor classifica esses custos em dois grandes grupos: os Custos
do Controle e os Custos de Falhas no Controle. Os Custos do Controle se
subdividem em Prevenção e Avaliação e no caso dos Custos de Falhas no
Controle em Custos de Falhas Internas e Custos de Falhas Externas.
Abaixo, será detalhado cada custo de conformidade com Shank &
Govindarajan (1995).
Custos de Prevenção – A soma de todos os custos associados à medidas
tomadas para planejar o processo, de modo a garantir que não ocorrerão
defeitos.
Por exemplo, projetar um processo de fabricação sem defeitos, um
projeto de produto estável, treinamento e desenvolvimento de empregados,
círculos de qualidade, manutenção preventiva e o custo de gerenciar as
relações com o fornecedor para melhorar a qualidade dos insumos
recebidos.
Custos de Avaliação – Aqueles custos associados à medição do nível de
qualidade obtido pelo sistema ou, em outras palavras, custos associados
à inspeção para garantir que as exigências do cliente sejam atendidas.
Por exemplo, inspeção e teste de protótipo, inspeção e teste de
recebimento, inspeção durante o processo, e auditoria de qualidade em
produtos acabados.
Custos de Falha Interna – Aqueles custos incorridos para corrigir a
produção defeituosa antes que ela chegue ao cliente. Por exemplo,
refugo, retrabalho, reparo, reprojeto, reinspeção de retrabalho,
paralisação devido a defeitos e custo de oportunidades de vendas
perdidas, causadas por ter produção insuficiente para vender.
Custos de Falha Externa – Aqueles custos associados à entrega de
produtos com defeito ao cliente.
Por exemplo, ajustes de garantia, investigação de defeitos,
devoluções, cancelamentos, processos judiciais e perda da boa vontade do
cliente.
Os investimentos em qualidade e programas de melhoria, segundo Coral
(1996), devem trazer retorno financeiro para a empresa, do contrário não
são justificados. Por esse motivo, a utilização de medidas eficazes para
a qualidade torna-se necessária para garantir o sucesso de programas de
melhorias.
Neste contexto, custos da qualidade são uma excelente ferramenta de
suporte para a qualidade, pois apontam as áreas que necessitam maior
atenção e que possibilitam maior retorno para a organização.
8 - COMO MEDIR OS CUSTOS DA QUALIDADE
Segundo Coral (1996), existem dois enfoques para se medir os custos da
qualidade: o enfoque tradicional e uma nova tendência que se baseia na
utilização de valor agregado.
No enfoque tradicional, os custos da qualidade são obtidos através da
identificação de itens de prevenção, avaliação, falhas internas e falhas
externas em uma organização.
Os cálculos dos custos são retirados de relatórios contábeis e
através de ajustes em sistemas de custos tradicionais, levando aos
mesmos problemas dos sistemas tradicionais de custos, uma vez que os
itens dos custos da qualidade são separados em grandes blocos de custos
e não relacionam tais itens às suas causas.
Neste enfoque, adiciona-se um relatório financeiro de falhas, que serve
para medir a qualidade em uma empresa, porém, não aponta as causas de
falhas, não possuindo efeito significativo no gerenciamento da
qualidade.
Já o enfoque da utilização do valor agregado aos custos da qualidade
relaciona os itens de prevenção e falhas com as atividades que agregam
valor para o consumidor.
Portanto, o gerenciamento da qualidade baseia-se na eliminação de
atividades que não agregam valor e que resultam em custos desnecessários
para a organização. Nesta metodologia, os custos da qualidade são
obtidos através de sistemas de custeio baseados em atividades.
Para Juran & Gryna, apud Alves (2001), a mensuração dos custos da
qualidade é vista pelos administradores como a forma de se atender a
vários objetivos ou questões, dentre os quais se destacam:
-aumentar a produtividade através da qualidade;
-avaliar os programas de qualidade por intermédio de quantificações
físicas e monetárias;
-conhecer na realidade o quanto a empresa está perdendo pela falta de
qualidade;
-revelar o impacto financeiro das decisões de melhoria;
-tornar a qualidade um dos objetivos estratégicos da organização;
-identificar as oportunidades para diminuir a insatisfação dos clientes;
-identificar as principais oportunidades para a redução dos custos;
-expandir os controles orçamentários e de custos da qualidade; e
-estimular o aperfeiçoamento da qualidade por meio de divulgação.
Verifica-se, portanto, diante do exposto, que os conceitos de custos da
qualidade são aplicáveis também aos custos da qualidade ambiental.
9 – CUSTOS DA QUALIDADE AMBIENTAL
Os custos de qualidade, na realidade, buscam identificar e apontar as
falhas existentes, bem como os custos para se prevenir problemas
decorrentes destas falhas.
Para Bovenberg & Goulder, apud Alves (2001), a interface entre a
competitividade e a preservação do meio ambiente dá-se por meio da
gestão dos custos da qualidade ambiental.
As empresas, para se adequarem à nova postura de preservação ambiental e
buscarem uma política de qualidade ambiental na gestão da sua
organização, devem se preocupar também com os custos da relação meio
ambiente e meio empresarial, destacando estes custos dos demais.
Neste sentido, Campos (1996) diz que o meio empresarial deverá se
preocupar com dois aspectos relacionados aos seus custos da qualidade
ambiental: o primeiro, e mais complexo, buscar formas de considerar os
custos tratados, até então, como “externalidades”, ou seja,
internalizá-los; o segundo, identificar e obter, para em seguida
avaliar, os custos ambientais, sejam tanto os relacionados aos processos
empresariais quanto os relacionados aos processos produtivos.
A apuração destes custos torna-se uma ferramenta imprescindível ao
direcionamento das tomadas de decisões.
Para melhor entendimento dos conceitos dos custos da qualidade ambiental
e da sua padronização, a GEMI, Global Environmental Management
Initiative, e a USEPA, U.S. Environmental Protection Agency apud Alves
(2001), atribuíram quatro categorias de custos da qualidade ambiental e
sugerem a seguinte classificação:
- Custos Convencionais: incluem os custos que, na maior parte das vezes,
recebem atenção especial na contabilidade gerencial, tais como:
investimentos em equipamentos, matéria-prima, mão-de-obra e materiais
indiretos. Incluem todos custos associados aos aspectos ambientais
tangíveis de tais processos e atividades. Seu controle conduz ao aumento
da eficiência produtiva, por eliminar o desperdício.
- Custos Potencialmente Ocultos: são aqueles ligados a todas as
atividades necessárias para que a empresa se mantenha em conformidade
com as leis e outras políticas ambientais inerentes à própria
organização. Alves (2001) dá como exemplo os custos com o monitoramento
ambiental, treinamento e relatório ambiental.
- Custos com Contingências: são os gastos que podem ou não ocorrer
devido a futuros custos de regulamentações, multas e penalidades, gastos
com recuperação de recursos naturais danificados, etc. Se o fato gerador
de tais custos é conhecido antecipadamente, possibilita à empresa
definir ações a fim de evitá-los.
- Custos de Imagem e Relacionamento: envolvem a percepção e o
relacionamento que os acionistas, comunidade e governo desenvolvem com a
companhia. Para Alves (2001), apesar de difícil quantificação, o
desempenho ambiental pode melhorar ou prejudicar o relacionamento da
empresa com terceiros, e os impactos gerados podem ter custos e/ou
implicações financeiras.
Moura (2000) classifica os custos de qualidade ambiental pelos
tradicionais conceitos dos custos da qualidade e diz que, no Brasil, os
custos da qualidade ambiental são mais difundidos. Esses custos,
conforme o autor, estão categorizados abaixo
- Custos de prevenção – são os custos das atividades que visam evitar
problemas ambientais no processo industrial, no projeto, no
desenvolvimento, no início do ciclo de vida do produto, bem como em
todas as fases do ciclo de vida.
- Custos de avaliação – são os custos dispendidos para manter os níveis
de qualidade ambiental da empresa, por meio de trabalhos de laboratórios
e avaliações formais do sistema de gestão ambiental ou sistema gerencial
que se ocupe de garantir um bom desempenho ambiental da empresa,
englobando os custos de inspeções, testes, auditorias da qualidade
ambiental e despesas similares.
- Custos de falhas internas – são os primeiros a ocorrer em decorrência
da falta de controle, resultando de ações internas na empresa, tais como
correções de problemas ambientais e recuperação de áreas internas
degradadas, desperdícios de material, como resultado de problemas
ambientais causados, e retrabalhos em processos causados por não
conformidades ambientais.
- Custos de falhas externas – compreendem os custos da qualidade
ambiental insatisfatória e não conformidades fora dos limites da
empresa, resultantes de uma gestão ambiental inadequada, englobando os
custos decorrentes de queixas ambientais de consumidores, levando à
existência de despesas com correção e recuperação de áreas externas
degradadas ou contaminadas pela atividade da empresa, pagamento de
multas aplicadas por órgãos ambientais de controle, indenizações
decorrentes de ações legais resultantes de disposição inadequada de
resíduos, acidentes no transporte de produtos tóxicos, inflamáveis e
corrosivos, dentre outros.
- Custos intangíveis – são aqueles com alto grau de dificuldade para
serem quantificados, embora se perceba claramente a sua existência.
Normalmente, não podem ser diretamente associados a um produto ou
processo.
Por exemplo, perda de valor da empresa (ou das ações) como resultado
de desempenho ambiental insatisfatório; baixa produtividade dos
empregados como resultado de um ambiente poluído, contaminado ou
inseguro; e dificuldades e aumento de tempo e custos na obtenção do
licenciamento ambiental como resultado de multas e problemas anteriores.
Os custos da qualidade ambiental, para Moura (2000), referem-se à
definição, criação e montagem de um sistema de controle da qualidade
ambiental, bem como da avaliação, de conformidade com os objetivos e
metas derivados da política ambiental, de normas legais e outros
compromissos assumidos pela empresa, além de outros custos associados
com as conseqüências de falhas ambientais, acidentes e incidentes.
Para se ter um efetivo controle dos investimentos e gastos na área
ambiental, Alves (2001) diz que o sistema de custos da qualidade
ambiental pode auxiliar, sobremaneira, a competitividade e sobrevivência
das organizações, principalmente por apontar deficiências na gestão da
qualidade ambiental, podendo contribuir para as ações de melhoria
contínua no desempenho ambiental da empresa.
Para implantação de um sistema de custos da qualidade ambiental, Moura
(2000) segue os mesmos procedimentos empresariais tradicionais que
consistem em:
- preparação do gerenciamento geral do programa de custos da qualidade
ambiental;
- identificação dos itens de custos da qualidade ambiental;
- identificação dos centros de responsabilidade (centros de custos);
- preparação dos formulários de coleta de dados dos custos da
qualidade;
- treinamento das pessoas responsáveis pela obtenção dos dados e do
pessoal da contabilidade;
- levantamento dos custos pelas pessoas responsáveis (coleta de dados);
e
- preparação dos relatórios de análise.
10 – GESTÃO DE CUSTOS AMBIENTAIS
O controle dos custos ambientais conforme, Ribeiro & Gonçalves (2002),
tornou-se muito relevante, dado o significativo volume que representam
e, portanto, seus efeitos influem diretamente na continuação da empresa.
Esse controle refletirá o nível de falhas existentes e o volume de
gastos necessários para eliminar e/ou reduzir estas falhas, seja na
forma de investimentos de natureza permanente ou de insumos consumidos
no processo operacional.
A gestão dos custos ambientais inclui tanto aspectos da gestão ambiental
como da gestão de custos.
Ao nível de empresas, a Gestão Ambiental abrange, sobretudo, a gestão de materiais e de energia que cada empresa tira do meio ambiente e devolve ao meio ambiente.
Enquanto uma parte desses materiais da energia entra no produto, outra se torna resíduos sólidos, água residual, bem como ar e calor residual.
Portanto, ao contrário da proteção ambiental tradicional, a gestão
ambiental integrada não visa ao tratamento, mas à evitação desses
resíduos.
Como resíduos são materiais que custam na aquisição, necessitam
mão-de-obra durante o processo produtivo e causam custos adicionais no
tratamento final, não só constituem uma carga para o meio ambiente, mas
também uma carga financeira.
Os custos dos resíduos, por definição, representam despesas sem
acréscimo de valor, e a redução deles geralmente produz efeitos
positivos em termos econômicos e ecológicos.
A gestão dos custos ambientais é um instrumento estratégico para
aumentar e reduzir os custos, conduzindo a um processo de mudanças em
desenvolvimento contínuo.
É por intermédio da gestão dos custos ambientais que se fortalecem os sistemas de gestão ambiental existentes ou se facilita o estabelecimento de sistemas padronizados.
Ela gera informações básicas, ajuda a formar consciência e a criar
estruturas que podem ser utilizadas como primeiros passos para o
processo ISO 14001.
Ela enfoca o fluxo de material, energia e água, não a racionalização.
Ao contrário da maioria das outras ferramentas da gestão dos custos,
ela não objetiva primordialmente a redução de (custos do) trabalho,
evitando, portanto, dois tipos de conflitos sociais: com os empregados
(emprego) e com a opinião pública (impacto ambiental).
Com o aumento da competitividade mundial, segundo Campos (1996), as
empresas começaram a se preocupar mais em controlar e gerenciar seus
custos, com seus programas de qualidade. Neste contexto, trabalhar com
custos da qualidade passa a ser fundamental para medir e guiar a
qualidade, as estratégias de custos e a diferenciação das empresas
modernas.
Com isso, surgem novos sistemas de custos para substituir a
obsolescência e imprecisão dos sistemas de custos tradicionais, já que,
por sua vez, por sua natureza, a maioria destes custos se enquadra na
classificação de Custos Indiretos de Fabricação, dificultando, com isso,
sua identificação e alocação.
De acordo com estudos realizados e constatações práticas, os atuais
sistemas de custos repassam, muitas vezes, custos ao produto final que
não lhe pertencem. Portanto, necessita-se de ferramentas gerenciais que
condizentes com a realidade.
Neste cenário, o Custeio Baseado em Atividades (ABC) tem-se mostrado
como o mais apropriado para auxiliar a gestão dos custos ambientais,
inclusive para contribuir no gerenciamento do controle dos impactos
ambientais.
O ABC preocupa-se em melhorar a apropriação dos custos aos produtos,
sendo um sistema de custeio que se destaca por detalhar, principalmente,
os custos indiretos. Vêm tentando minimizar os impactos de alocações
inadequadas, através do custeamento das atividades exigidas pelos
produtos ou demais atividades operacionais.
Ele constitui o ponto culminante da análise estratégica dos custos
e, em conseqüência, contribui significativamente para o processo de
planejamento estratégico da empresa.
Este sistema não é centrado apenas em números. Isto é, ele não se
preocupa exclusivamente com os aspectos monetários, mas procura
contemplar aspectos físicos das atividades, analisando fatos, atividades
e processos. Assim, são definidos como elementos importantes desta
abordagem de custeio, conforme Zardo & Schlosser (2002):
- Função: grupo de processos desempenhados com uma finalidade
específica, como a função de marketing e vendas e, por exemplo, a de
controle ambiental.
- Processo: conjunto de atividades encadeadas com um fim específico,
como por exemplo, uma linha de montagem de um produto ou o conjunto de
procedimentos necessários para o tratamento de uma determinada
quantidade de resíduos poluentes, em um período em particular.
- Atividades: ação empreendida e recursos consumidos para se chegar a um
dado objetivo, como estudar o processo de produção para verificar, por
exemplo, o que causa a poluição.
- Tarefa: trabalho desenvolvido para a execução das atividades, como,
por exemplo, selecionar os pontos passíveis de produção de resíduos
poluentes.
- Operações: operacionalização das tarefas, ou seja, a menor fração de
trabalho, como visitar pontos passíveis de produção de resíduos
poluentes.
Pelo fato de o método em questão dividir a empresa em atividades, sua
implantação resulta numa base de apoio adequada para a definição de
metas de resultados e para a obtenção de excelência empresarial, a qual,
segundo Brimson (1996), é a integração eficaz do custo das atividades de
todas as unidades de uma empresa para melhorar, continuamente, a
prestação dos serviços que satisfaçam ao cliente.
De acordo com Brimson (1996), a capacidade de alcançar e manter a
excelência empresarial requer a melhoria contínua e deliberada de todas
as atividades dentro de uma empresa.
Nesse sentido, o autor aponta, como elementos-chave, a eficácia em
custos, a integração de atividades, a coerência interna em todas as
unidades da empresa, a satisfação do cliente e a alocação correta de
custos.
Quanto à eficácia em custos, as atividades devem ser realizadas com
tanta eficácia quanto possível. Isso significa que a empresa produz a
custo baixo, mas não necessariamente ao menor custo. Ter custos baixos
significa que os custos totais estão abaixo da média de todos os
concorrentes que oferecem produtos ou serviços equivalentes ao mesmo
segmento de cliente
Quanto à integração de atividades, as empresas são organizadas com
rígidas especializações por assunto, de maneira que os relatórios
gerenciais enfatizam as unidades organizacionais individuais, quase como
se fossem independentes e auto-suficientes.
Portanto, estas e outras questões afins poderão ser facilmente
respondidas, quando os gerentes dispõem de um sistema de gestão e de
apuração dos custos fundamentado no método de custeio ABC.
Segundo Martins (1996), nada melhor do que conhecer os custos de
todas as atividades para daí se ter condições de verificar quais as
atividades que não adicionam valor e que precisam ter seus gastos
reduzidos ou anulados, e quais as atividades que podem sofrer processo
de racionalização (às vezes de reengenharia) para se chegar a esta
adaptação ao mundo real.
Enfim, o ABC é uma ferramenta de gestão que dá às organizações uma visão
mais clara de sua economia interna e externa, através do qual os custos
passam a ser visíveis, e dessa forma, podem ser alvo de programas que
objetivem melhores resultados para a empresa.
Além disso, proporciona o cálculo mais acurado do custo dos
produtos, o qual suporta diversos tipos de decisões.
Portanto, os recursos da área de gestão ambiental, conforme Zardo &
Schlosser (2002), devem ser rigorosamente mensurados e avaliados
econômico, financeira e fisicamente, de forma a garantir um adequado
balanceamento de recursos possuídos pela empresa, para assegurar a
eficácia da aplicação destes recursos e para satisfazer as exigências do
público externo ou, mais precisamente, para o cumprimento da
responsabilidade social da empresa.
A análise dos custos da qualidade ambiental mostra-se uma ferramenta
gerencial importantíssima não somente à tomada de decisão, mas também à
gestão ambiental de forma equilibrada e concisa.
11 – CONCLUSÃO
As despesas e os investimentos na área ambiental constituem itens que
não podem faltar no rol da gestão econômica das organizações, bem como
os custos da qualidade ambiental, ferramenta que as mesmas estão
utilizando para atingir as metas do desafio do crescimento econômico, da
administração dos passivos ambientais, da análise do ciclo de vida e da
contribuição para o desenvolvimento sustentável.
Para se ter um efetivo controle dos investimentos e gastos na área do
meio ambiente, o Sistema de Custos da Qualidade Ambiental pode auxiliar
a competitividade e sobrevivência das organizações, porque aponta
deficiências na gestão da qualidade, contribuindo para a melhoria
contínua no desempenho ambiental da organização.
Os custos da qualidade ambiental, na sua maioria, são compostos por
atividade indireta, e para a apuração ser mais eficiente, o Custeio por
Atividade retrata a realidade, uma vez que o foco está na atividade,
podendo, com isto, proporcionar eliminação de custos de falhas e
desperdícios, melhorias no processo produtivo e conseqüente aumento da
competitividade.
12 – REFERENCIAIS
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Maria Elisabeth Pereira Kraemer
Contadora, Professora e Integrante da equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI - Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN - Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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