Abstrat
The human activities on the environment are intensifying along the time
and in a more accentuated way starting from the Industrial Revolution,
in the end of the XIX century, resulting in poverty, social and economic
exclusion, consumerism, waste and environmental degradation.
The university is the privileged place for an education driven to the demands of our time.
It is attributed to it the responsability of educating for the
maintainable development, as its students directly or for influence of
its managers and other key agents implied in the process.
1 – Introdução
O rápido crescimento demográfico, o esbanjamento dos recursos naturais e
a degradação do meio ambiente, a pobreza persistente de grande parte da
humanidade, a opressão, a injustiça e a violência de que padecem ainda
milhões de pessoas exigem ações corretivas de grande envergadura.
Segundo Mayor (1998), a educação é a chave do desenvolvimento
sustentável, auto-suficiente – uma educação fornecida a todos os membros
da sociedade, segundo modalidades novas e com a ajuda de tecnologias
novas, de tal maneira que cada um se beneficie de chances reais de se
instruir ao longo da vida.
Devemos estar preparados, em todos os países, para remodelar o ensino,
de forma a promover atitudes e comportamentos que sejam portadores de
uma cultura da sustentabilidade.
É aí que entram em jogo as universidades, assim como todos os
estabelecimentos de ensino superior, que assumem uma responsabilidade
essencial na preparação das novas gerações para um futuro viável.
Pela reflexão e por seus trabalhos de pesquisa básica, esses
estabelecimentos devem não somente advertir, ou mesmo dar o alarme, mas
também conceber soluções racionais. Devem tomar a iniciativa e indicar
possíveis alternativas, elaborando esquemas coerentes para o futuro.
Devem, enfim, fazer com que se tome consciência maior dos problemas e
das soluções através de seus programas educativos e dar, eles mesmos, o
exemplo.
Esta tarefa se materializa na promoção de programas de ensino novos e/ou
reorientados, de acesso mais abrangente e contínuo, na criação de
painéis de peritos que aconselham os governos e fazem um acompanhamento
crítico da atuação destes e de outros agentes da sociedade.
Neste sentido, os trabalhos desenvolvidos dentro das instituições de
ensino de nível superior têm um efeito multiplicador, pois cada
estudante, convencido das boas idéias da sustentabilidade, influencia o
conjunto, a sociedade, nas mais variadas áreas de atuação.
A educação está sendo, nos dias de hoje, repensada como uma preparação
para a vida: trata-se de garantir a segurança do emprego e a aptidão
para o trabalho, de permitir a cada um satisfazer às demandas de uma
sociedade em rápida evolução,
assim como as mudanças tecnológicas que condicionam hoje,
direta ou indiretamente, cada aspecto da existência e, finalmente, de
conseguir responder à busca da felicidade, do bem-estar e da qualidade
de vida.
2 – Meio ambiente
A concepção ecológica concebe o universo como um todo interligado e
interconectado entre si. Reconhece a interdependência fundamental de
todos os seres vivos, não como uma coleção de partes dissociadas, mas
como uma rede de fenômenos articulados e fortemente imbricados, dentro
da qual seres humanos e sociedades participam de forma cíclica dos
processos da natureza.
Neste sentido, Bertalanffy (1977), com sua Teoria Geral dos Sistemas,
enfatiza que tudo está unido a tudo e que cada organismo não é um
sistema estático fechado ao mundo exterior, mas sim um processo de
intercâmbio com o meio circunvizinho,
ou seja, um sistema aberto num estado quase estacionário, onde
materiais ingressam continuamente, vindos do meio ambiente exterior, e
neste são deixados materiais provenientes do organismo.
Para Bateson (1987), um sistema vivo não se sustenta somente com a
energia que recebe de fora, mas fundamentalmente pela organização da
informação que o sistema processar.
Esse processo de interligação foi sabiamente descrito no século passado
por um chefe índio, numa carta enviada ao Presidente dos Estados Unidos
que, de acordo com Dias (1993, p. 47),
em sua obra A carta do Chefe Indígena Seattle, dizia: “[...]
ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que à Terra é nossa
mãe.
Tudo o que acontecer a Terra, acontecerá aos filhos da Terra. Se os
homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos[...] à Terra não
pertence ao homem; o homem pertence a Terra[...] todas as coisas estão
ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.
Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede”.
Foi com a Revolução Industrial que o homem começou realmente a
transformar a face do planeta, a natureza de sua atmosfera e a qualidade
de sua água. O meio ambiente está sendo agredido, devido ao rápido
crescimento da população humana, que provoca declínio cada vez mais
acelerado de sua qualidade e de sua capacidade para sustentar a vida.
O impacto da espécie humana sobre o meio ambiente tem sido comparado,
por alguns cientistas, às grandes catástrofes do passado geológico da
Terra.
A humanidade deve reconhecer que agredir o meio ambiente põe em perigo a sobrevivência de sua própria espécie e pensar que o que está em jogo não é uma causa nacional ou regional, mas sim a existência da humanidade como um todo.
É a vida que está em jogo. Não podemos conceber um ecossistema
sem o homem, não podemos encontrar o homem sem algum ecossistema.
Com todos os desastres que têm acontecido com o meio ambiente,
percebemos que o ser humano tem sido capaz de modificar seu meio
ambiente para adaptá-lo às suas necessidades.
Com o rápido crescimento da população, criou-se uma demanda sem
precedentes, que o desenvolvimento tecnológico pretende satisfazer,
submetendo o meio ambiente a uma agressão que está provocando o declínio
cada vez mais acelerado de sua qualidade e de sua capacidade para
sustentar a vida.
Um dos impactos que o uso de combustíveis fósseis tem produzido sobre o
meio ambiente terrestre é o aumento da concentração de dióxido de
carbono (CO2) na atmosfera, dando lugar a um aumento da temperatura
global da Terra.
Outros males importantes causados pelo ser humano ao meio ambiente são o
uso de pesticidas que contaminam regiões agrícolas e interferem no
metabolismo do cálcio das aves; a erosão do solo, que está degradando de
20 a 35% das terras de cultivo de todo o mundo; a perda das terras
virgens;
o crescente problema mundial do abastecimento de água, como
conseqüência do esgotamento dos aqüíferos subterrâneos, assim como pela
queda na qualidade e disponibilidade da água e a destruição da camada de
ozônio.
Percebe-se, portanto, que hoje os problemas vividos no mundo são
realmente em decorrência da intervenção humana no planeta e nos
ecossistemas.
A título de exemplo, podemos citar: destruição da
biodiversidade ou a extinção de espécies; destruição progressiva da
camada de ozônio por gases; efeito estufa ou aquecimento global;
crescimento da população mundial; poluição e indisponibilidade de água
potável.
Desde a década de 50, a deterioração ambiental e sua relação com o
estilo de crescimento econômico já eram objeto de estudo e preocupação
internacional.
Cita-se o teólogo luterano Albert Shweitzer, filósofo, organista
intérprete de Bach e médico missionário que em 1952 recebeu o Prêmio
Nobel da Paz por popularizar a ética ambiental e pelos seus esforços em
defesa da “Irmandade das Nações”.
Durante conferência proferida em 20 de outubro de 1952 na Academia
Francesa de Ciências (Paris), sobre o tema
“O problema da ética na evolução do pensamento”, ele declarou:
“quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja
animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante”.
Nos anos 60, nos Estados Unidos, houve uma profunda mudança na atitude
do povo americano com relação à necessidade de normas ambientais
federais, suscitada pela obra “Silent Spring” (Primavera Silenciosa), de
Rachel Carson, uma bióloga marinha norte-americana que provocou os
políticos à ação.
O livro, publicado em 1962, presidiu o rito de passagem para o
momento novo na história humana: o da preocupação com os rumos do
desenvolvimento próprio da sociedade industrial.
“Primavera Silenciosa” relata os efeitos da má utilização dos pesticidas
e inseticidas químico-sintéticas, alertando sobre as conseqüências
danosas de inúmeras ações humanas sobre o ambiente.
Carson iniciou o debate sobre o custo ambiental dessa contaminação para
o homem. Já nessa época, apontava para os prejuízos do uso de produtos
químicos no controle de pragas e doenças, advertindo que estavam
interferindo nas defesas naturais do próprio ambiente e, segundo Dias
(1993, p. 54),
a autora dizia que “nós permitimos que esses produtos químicos fossem utilizados com pouca ou nenhuma pesquisa prévia sobre seu efeito no solo, na água, animais selvagens e sobre o próprio homem”.
O livro teve os direitos comprados por uma multinacional de
agroquímica e, diz-se, isto impede sua republicação.
Nos últimos anos, a preocupação em defender a natureza passou a ser
mundial, devido a afirmações aterradoras como:
√ Nosso planeta está poluído, sua temperatura se eleva, as erosões
progridem, as áreas agrícolas irrigáveis diminuem, a população aumenta e
os ecossistemas sofrem efeitos devastadores.
√ Mudar a economia mundial, de acordo com o novo modelo de
desenvolvimento ambientalmente mais adequado, é a única alternativa para
a sobrevivência a longo prazo da humanidade.
√ Os países desenvolvidos têm hoje menos de 25% da população mundial,
mas consomem 75% de toda a energia produzida, 70% dos combustíveis
comercializados, 85% dos produtos da madeira e 72% do aço.
Portanto, fica clara a importância da questão ambiental em qualquer
discussão e também dentro dos debates da sociedade, no sentido de
enfatizar a consciência de preservação do meio e a evolução para a
gestão da sustentabilidade, porque, a cada dia, ficam evidentes as
conseqüências das agressões que o homem comete contra a natureza.
3 -– A expressão “Desenvolvimento Sustentável” entra em cena
O modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios. Se, por
um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a
miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia a dia.
Diante dessa constatação, surge a idéia do desenvolvimento sustentável, buscando conciliar o desenvolvimento econômico à preservação ambiental e, ainda, ao fim da pobreza no mundo. Fortalece-se a percepção de que é imperativo desenvolver, sim, mas sempre em harmonia com as limitações ecológicas do planeta, ou seja, sem destruir o ambiente,
para que as gerações futuras tenham chance de existir e viver bem, de
acordo com as suas necessidades (melhoria da qualidade de vida e das
condições de sobrevivência).
As metas do desenvolvimento sustentável são:
√ A satisfação das necessidades básicas da população (educação,
alimentação, saúde, lazer, etc.).
√ A solidariedade para com as gerações futuras (preservar o ambiente de
modo que elas tenham chance de viver).
√ A participação da população envolvida (todos devem se conscientizar da
necessidade de conservar o ambiente e fazer cada um a parte que lhe cabe
para tal).
√ A preservação dos recursos naturais (água, oxigênio, etc).
√ A elaboração de um sistema social, garantindo emprego, segurança
social e respeito a outras culturas (erradicação da miséria, do
preconceito e do massacre de populações oprimidas, como, por exemplo, os
índios).
√ A efetivação dos programas educativos.
A educação ambiental é parte vital e indispensável na tentativa de se
chegar ao desenvolvimento sustentável, pois é a maneira mais direta e
funcional de se atingir pelo menos uma de suas metas: a participação da
população.
Educação para a Vida Sustentável envolve uma pedagogia que coloca a
compreensão da vida como seu ponto central. O educando experimenta um
aprendizado no mundo real que supera nossa alienação da natureza, o que
reacende um sentido de pertinência e desenvolve um currículo que ensina
às nossas crianças os princípios básicos da ecologia, tais como:
√ aquilo que uma espécie desperdiça é a comida da outra espécie e a
matéria circula continuamente pela da teia da vida;
√ a energia que guia os ciclos ecológicos emana do sol;
√ a diversidade assegura a resiliência;
√ a vida, desde o seu início, há mais de três bilhões de anos, não tomou
o planeta por combate, mas por atuar em rede.
Essa pedagogia sugere o planejamento de um currículo integrado,
enfatizando o conhecimento contextual, no qual os vários assuntos são
entendidos como recursos a serviço de um foco central.
Uma maneira ideal de alcançar a integração é aproximar-se da
chamada ‘aprendizagem por projetos”, que consiste em facilitar as
experiências de aprendizagem ao envolver alunos em projetos complexos e
contemporâneos, através dos quais eles desenvolvam e apliquem
habilidades e conhecimentos.
Uma das formas de levar a educação ambiental à comunidade é pela ação
direta do professor na sala de aula e em atividades extracurriculares.
Por meio de atividades como leitura, trabalhos escolares, pesquisas e
debates, os alunos poderão entender os problemas que afetam a comunidade
onde vivem, a refletir e criticar as ações que desrespeitem e, muitas
vezes, destroem um patrimônio que é de todos.
Os professores são a peça fundamental no processo de conscientização da
sociedade dos problemas ambientais, pois buscarão desenvolver, em seus
alunos,
hábitos e atitudes sadios de conservação ambiental e respeito à
natureza, transformando-os em cidadãos conscientes e comprometidos com o
futuro do país.
Além disso, desenvolvimento sustentável introduz uma dimensão ética e
política que considera o desenvolvimento como um processo de mudança
social, com conseqüente democratização do acesso aos recursos naturais e
distribuição eqüitativa dos custos e benefícios do desenvolvimento.
O grande desafio do século 21 é, então, o de mudar o sistema de valores
que está por trás da economia global, de modo a torná-lo compatível com
as exigências da dignidade humana e da sustentabilidade ecológica.
4 – A nova missão do ensino superior: educar para o desenvolvimento
sustentável
Segundo Morin (2003), os saberes necessários à educação do futuro não
têm nenhum programa educativo, escolar ou universitário. Para ele, não
estão concentrados no ensino fundamental, no médio, nem no ensino
universitário, mas abordam problemas específicos para cada um desses
níveis.
Eles dizem respeito aos buracos negros da educação, completamente
ignorados, subestimados ou fragmentados nos programas educativos.
Programas esses que, na opinião do autor, devem ser colocados no centro
das preocupações sobre a formação dos jovens, futuros cidadãos.
Um dos saberes necessários à educação, para Morin (2003), é a condição
planetária, sobretudo na era da globalização. Esse fenômeno que estamos
vivendo hoje, em que tudo está conectado, é um outro aspecto que o
ensino ainda não tocou, assim como o planeta e seus problemas, a
aceleração histórica, a quantidade de informação que não conseguimos
processar e organizar. Existe neste momento um destino comum a todos os
seres humanos.
Compreender a noção de desenvolvimento sustentável na prática educativa
é uma noção que continua a ter um sentido muito vago. O mundo
desenvolvido não mostra grande entusiasmo perante tal obrigação.
Ao contrário, os países em desenvolvimento reconhecem a seriedade da
questão, dizendo – e o argumento tem perfeita justificação – que vivem
há muitos anos consumindo apenas o estritamente necessário e que têm,
pois, o direito de dispor no futuro de uma fatia maior dos recursos.
Para ter acesso a uma melhor qualidade de vida, devemos melhorar os
nossos conhecimentos. Maturana (1998) diz que o verdadeiro conhecimento
não leva ao controle ou à tentativa de controle, mas leva ao
entendimento, à compreensão, a uma harmônica e ajustada aos outros e ao
meio.
Para ele, conhecer é viver, viver é conhecer. Diz ainda que
todo conhecer é uma ação efetiva que permite a um ser vivo continuar sua
existência no mundo que ele mesmo traz à tona ao conhecê-lo.
É preciso progredir no campo da ciência e da tecnologia, das ciências
sociais e humanas. Para garantir a qualidade a nível humano, é preciso
melhorar também o sistema de valores. A sabedoria consiste, exatamente,
na íntima aliança entre conhecimentos e valores.
É aí que entram em jogo as universidades, assim como todos os
estabelecimentos de ensino superior, que assumem uma responsabilidade
essencial na preparação das novas gerações para um futuro viável.
Pela reflexão e por seus trabalhos de pesquisa básica, esses
estabelecimentos devem não somente advertir, ou mesmo dar o alarme, mas
também conceber soluções racionais. Devem tomar a iniciativa e indicar
possíveis alternativas, elaborando esquemas coerentes para o futuro.
Devem, enfim, fazer com que se tome consciência maior dos problemas e
das soluções através de seus programas educativos e dar, eles mesmos, o
exemplo.
Os trabalhos desenvolvidos dentro das instituições de ensino de nível
superior têm um efeito multiplicador, pois cada estudante, convencido
das boas idéias da sustentabilidade, influencie o conjunto, a sociedade,
nas mais variadas áreas de atuação.
Todos os estabelecimentos de ensino superior estão bastante conscientes
do papel que devem cumprir na preparação das novas gerações para um
futuro viável.
As universidades envolvidas partilham a convicção de que o progresso
econômico e a proteção ambiental estão indissoluvelmente ligados. Um não
tem futuro sem o outro como demonstra a figura 1
Figura 1 - Interpretação do Desenvolvimento Sustentável

Adaptado de González & Abadía (2002, p. 85)
Para Kornhauser (2001), a educação é o cimento da construção do
desenvolvimento humano sustentável. É preciso elaborar estratégias e
programas de educação relacionados com o ambiente, que abranjam tanto o
ensino escolar como a educação informal, que adotem a perspectiva da
educação permanente a ser desenvolvida pelos poderes públicos, o setor
produtivo, o comércio e as comunidades locais.
5 – A universidade do século XXI rumo ao desenvolvimento sustentável
O desafio do desenvolvimento sustentável procura, na universidade, um
agente especialmente equipado para liderar o caminho, porque a sua
missão é o ensino e a formação dos decisores do futuro ou dos cidadãos
mais capacitados para a tomada de decisão,
porque é rica e extensiva a sua experiência em investigação
interdisciplinar e porque a sua natureza fundamental de motor do
conhecimento lhe imprime um papel essencial num mundo cujas fronteiras
se dissolvem a cada dia.
A Organização das Nações Unidas (ONU) deu os primeiros sinais às
universidades quanto ao seu papel no caminho global para o
desenvolvimento sustentável.
Os documentos associados às Conferências em Desenvolvimento
Humano em 1972 e em Ambiente e Desenvolvimento – UNCED em 1999
explicitam objetivos e medidas dirigidas às instituições de ensino
superior (quadro 1).
|
Documento |
Objetivos |
Medidas
Recomendadas |
|
UNCHD
(1972)
Declaração
de Estocolmo
(Princípios
9 e 24) |
Prever
e/ou minorar aspectos contrários ao desenvolvimento sustentável. |
Formulação
de acordos multi- ou bilaterais ou de outras formas de cooperação
(nomeadamente em transferência tecnológica). |
|
UNCED
(1991)
Relatório
do Comitê Preparatório |
Envolver
todos na educação para o desenvolvimento sustentável. |
Envolvimento
de decisores no governo, de especialistas que os aconselhem nas
universidades, institutos de investigação, etc. |
|
UNCED
(1992)
Declaração
do Rio (Princípio 9) |
Fortalecer
o desenvolvimento de capacidades para o desenvolvimento sustentável. |
Intercâmbio
de conhecimento científico e tecnológico. Desenvolvimento, adaptação,
difusão e transferência de tecnologias, incluindo as novas e
inovativas. |
|
UNCED
(1992)
Agenda
21
(Capítulos
31, 34, 35 e 36) |
Clarificar
o papel da ciência e tecnologia no desenvolvimento sustentável. |
(Re)desenho
dos programas nacionais em Ciência e Tecnologia por forma a
clarificar contribuições do setor para o desenvolvimento sustentável
e identificar funções/ responsabilidades do sector no
desenvolvimento humano. |
|
Gerar
e disseminar conhecimento e informação em desenvolvimento sustentável. |
Produção
de avaliações científicas de longo prazo sobre depleção dos
recursos, uso da energia, impactos na saúde e tendências demográficas,
e tornar públicas em formas amplamente compreendidas. |
|
|
Educar
todos para o desenvolvimento sustentável. |
Desenvolvimento
de programas de educação em ambiente e desenvolvimento (acessível
a pessoas de todas as idades). Incentivos dos países às
universidades e a redes de trabalho neste âmbito. |
Quadro I – A ONU e as universidades no âmbito do
Desenvolvimento Sustentável (1972-1992)
Fonte:http:www.campus.unl.pt – Acesso em 26.09.2003
As universidades estão cada vez mais conscientes do papel que têm a
desempenhar para preparar as novas gerações para um futuro viável.
Nos anos 80, com a publicação do Relatório Brandtland e também da cúpula “Planeta Terra” do Rio, as universidades se esforçaram para definir e ao mesmo tempo assumir seu papel no que se refere ao ensino para um futuro viável.
Com essa finalidade, em diferentes períodos e lugares, as universidades propuseram e adotaram declarações ambiciosas, onde apareciam os grandes princípios e objetivos do processo de reforma que estavam prontos a adotar.
Neste sentido, pode-se citar os seguintes documentos como
declarações para o desenvolvimento sustentável: a resposta das
universidades:
5.1 – Declaração de Talloires – em outubro de 1990, vinte presidentes de
universidades, os reitores e pró-reitores das universidades de todas as
regiões do mundo mostraram seus interesses sobre a velocidade crescente
da poluição e da degradação ambientais e a depleção de recursos naturais.
Esta declaração foi assinada no Centro Europeu da Universidade de Tufts,
Talloires, França.
Consta na declaração que as universidades têm um papel crucial na
educação, investigação, formação de políticas e troca de informação
necessárias à concretização destes objetivos e que os líderes
universitários têm que garantir a liderança e apoio na mobilização dos
recursos internos e externos, de forma a que as suas instituições
respondam a este desafio urgente. Para isto tem as seguintes ações:
√ aumentar a consciência para o desenvolvimento ambientalmente
sustentável – usar todas as oportunidades para reforçar a consciência
pública, governamental, industrial, institucional e universitária,
defendendo publicamente a necessidade urgente de caminhar rumo a um
futuro ambientalmente sustentável.
√ criar uma cultura institucional da sustentabilidade – encorajar todas
as universidades a envolver-se na educação, investigação, formação de
políticas e troca de informação sobre a população, ambiente e
desenvolvimento rumo a um futuro mais sustentável.
√ educar para a cidadania ambientalmente responsável – estabelecer
programas para produzir conhecimento em gestão ambiental,
desenvolvimento econômico sustentável, população e domínios
relacionados, de forma a assegurar que todos os graduados universitários
sejam formados em ambiente e cidadãos responsáveis.
√ incentivar a literatura ambiental – criar programas para desenvolver a
capacidade do corpo docente de cada faculdade de ensinar matérias
ambientais a todos os estudantes universitários.
√ praticar a ecologia institucional - estimular os dirigentes
universitários e os docentes e investigadores ambientais a desenvolver
investigação, políticas, programas de intercâmbio de informação e
curricular para um futuro ambientalmente sustentável.
√ envolver todas as partes interessadas – encorajar governos, fundações
e indústria a apoiar a investigação interdisciplinar, a educação, o
desenvolvimento de políticas e o intercâmbio de informação em
desenvolvimento ambientalmente sustentável. Expandir o trabalho com as
comunidades locais e as organizações não governamentais para ajudar a
encontrar soluções para os problemas ambientais.
√ colaborar para abordagens interdisciplinares – reunir professores e
gestores universitários com técnicos ambientais de forma a desenvolver
abordagens interdisciplinares aos currículos e a iniciativas de
investigação, operação e comunicação que suportem um futuro
ambientalmente sustentável.
√ aumentar a capacidade das escolas primárias e secundárias –
estabelecer parcerias com as escolas primárias e secundárias para
potenciar as capacidades dos seus professores em ensinar assuntos
relacionados com a população, o ambiente e o desenvolvimento sustentável.
√. alargar o serviço e o alcance, nacional e internacionalmente –
trabalhar com a Conferência da ONU em Ambiente e Desenvolvimento (UNCED),
o Programa Ambiental da ONU (UNEP) e outras organizações internacionais
e nacionais para promover um esforço universitário global rumo a um
futuro sustentável
√. manter o movimento – estabelecer um comitê de acompanhamento e um
secretariado para continuar este momentum, informar e apoiar mutuamente
os esforços na efetivação desta declaração
Os signatários da Declaração de Talloires comprometem-se a criar uma
cultura institucional da sustentabilidade, encorajando todas as
universidades a envolverem-se na educação, investigação, formação de
políticas e intercâmbio de informação em ambiente e desenvolvimento.
5.2 – Declaração de Halifax – um ano mais tarde, em dezembro de 1991, em
Halifax – Canadá, os representantes sêniores da IAU – Associação
Internacional das Universidades, da Universidade Unida das Nações e da
Associação das Universidades e Faculdades do Canadá, juntaram-se com 20
presidentes das universidades das várias partes do mundo para discutir
as seguintes ações a todas as universidades:
√ utilizar os recursos intelectuais da universidade para incentivar uma
compreensão melhor por parte da sociedade dos perigos físicos,
biológicos e sociais relacionados que enfrentam o planeta Terra.
√ enfatizar a obrigação ética da geração atual para superar aquelas mal
práticas da utilização de recursos e daquelas circunstâncias difundidas
do ser humano que se encontram na raiz da insustentabilidade ambiental.
√ realçar a capacidade da universidade de ensinar e praticar princípios
sustentáveis, para aumentar o interesse ambiental e para aumentar a
compreensão da ética ambienta entre a faculdade, os estudantes e o
público em geral.
√ cooperar com todos os segmentos da sociedade e na perseguição de
medidas práticas para conseguir a revisão e a reversão eficazes daquelas
práticas da corrente que contribuem à degradação ambiental.
√ empregar todas as comunicações entre universidade, enfatizando estes
empreendimentos à UNCED, aos governos e ao público em geral.
A Declaração de Halifax foi liberada na conclusão da conferência.
5.3 – Declaração de Swansea – em agosto de 1993, na conclusão da
conferência quinquenial das Universidades da Comunidade (ACU), os
participantes expressaram a opinião de que as soluções aos problemas
ambientais seriam eficazes se tivessem a participação de toda a
sociedade na busca da sustentabilidade. Para isto desencadeou ações
para:
√ incitar as universidade da ACU a procurar estabelecer e disseminar uma
compreensão mais desobstruída do desenvolvimento sustentável
– desenvolvimento que se encontra com as necessidades do presente sem
comprometer as necessidades das gerações futuras e incentivar os
princípios e as práticas sustentáveis mais apropriadas do
desenvolvimento nos níveis locais, nacionais e globais, nas maneiras
consistentes com suas missões.
√ utilizar recursos da universidade incentivando à melhor compreensão
por parte dos governos e do público, sobre grandes perigos físicos,
biológicos e sociais relacionados que enfrentam a Terra e para
reconhecer a interdependência significativa e as dimensões
internacionais do desenvolvimento sustentável.
√ enfatizar a obrigação ética da geração atual para superar aquelas
práticas da utilização do recurso e aquelas circunstâncias difundidas.
√ realçar a capacidade da universidade de ensinar e praticar princípios
sustentáveis, para aumentar o interesse ambiental e para aumentar a
compreensão da ética ambiental entre a faculdade, os estudantes e o
público em geral.
√ cooperação com todos os segmentos da sociedade e perseguição de
medidas práticas para conseguir a revisão e a reversão eficazes daquelas
práticas da corrente que contribuem à degradação ambiental.
√ incentivar universidades a rever suas próprias operações para refletir
as melhores práticas sustentáveis
√ pedir urgente ao conselho da ACU para considerar e executar as
maneiras e os meios, dar vida a esta declaração na missão de cada um de
seus membros e com a empresa comum da ACU.
Esta declaração foi feita na Universidade do Wales, Swansea, no dia 20
de agosto de 1993, e já foi liberada na conclusão da Associação da
Conferência das Universidades.
5.4 – Acordos da Conferência da Terra – Até a Conferência do Rio (UNCED),
as universidades praticamente estiveram fora do palco da discussão sobre
o desenvolvimento sustentável.
A experiência trouxe uma lição clara: as universidades não se devem esquivar ao desafio, pois de acordo com Associação Internacional das Universidades
- IAU, 1993, se não nos envolvermos, se não usarmos as nossas forças combinadas para ajudar a resolver os problemas emergentes da nossa sociedade global, então seremos ignorados no despertar de um outro motor de mudança, uma outra agência ou estrutura que será convidada a promover a liderança.
Agenda 21 local – capítulo 36 - promover a educação, a consciência
pública e a formação. Área programática – reorientar a educação para o
desenvolvimento sustentável - ONU, 1992. Bases para a ação:
√ a educação, incluindo a educação formal, a consciência pública e a
formação devem ser reconhecidas como um processo através do qual os
seres humanos e as sociedades podem alcançar o seu completo potencial.
√ a educação é vital à promoção do desenvolvimento sustentável e à
melhoria das capacidades humanas em lidar com as questões do ambiente e
do desenvolvimento.
√ enquanto a educação básica fornece as bases para qualquer educação em
ambiente e desenvolvimento, as posteriores necessitam ser incorporadas
como uma parte essencial da aprendizagem.
√ a educação formal e a educação não-formal são ambas indispensáveis na
mudança de atitudes que capacitará as pessoas a avaliar e resolver as
suas preocupações de desenvolvimento sustentável.
√ a educação é também vital ao alcance de uma ética e consciência
ambiental, de valores e atitudes, habilidades e comportamentos
consistentes com o desenvolvimento sustentável e para uma efetiva
participação pública nos processos decisórios.
√ para ser efetiva, a educação ambiental e de desenvolvimento deve lidar
com as dinâmicas biofísicas e socioeconômicas do ambiente e de
desenvolvimento (que pode também ser espiritual) humano, deve ser
integrada em todas as disciplinas e deve empregar métodos formais e não-formais
e meios efetivos de comunicação.
5.5 – Declaração de Kyoto – promovida pela Associação Internacional das
Universidades (IAU), sublinha a dimensão ética da educação para o
desenvolvimento sustentável que, além de ensinar princípios, deve
promover práticas igualmente sustentáveis. Na 9ª Mesa Redonda da IAU,
que ocorreu em Kyoto (Japão) a 19 de novembro de 1993, cerca de
90 líderes universitários reuniram-se para discutir e adotar uma
declaração de princípios, baseada nas declarações emanadas das
conferências de Talloires (1990), Halifax (1991) e Swansea (1993). As
ações foram as seguintes:
√ pressionar as universidades em todo o mundo a procurar estabelecer e
disseminar uma compreensão mais clara do conceito de «desenvolvimento
sustentável» - «o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do
presente sem comprometer as necessidades das gerações futuras» - e
encorajar princípios e práticas de desenvolvimento sustentável mais
apropriados ao nível local, nacional e global, de formas mais
concentâneas com as suas missões.
√ utilizar os recursos das universidades para encorajar uma melhor
compreensão, por parte dos governos e do público em geral, dos perigos
inter-relacionados físicos, biológicos e sociais que ameaçam o planeta
Terra e para reconhecer a interdependência significativa e as dimensões
internacionais do desenvolvimento sustentável.
√ sublinhar a obrigação ética da geração presente em ultrapassar as
práticas de utilização dos recursos e as disparidades globalmente
disseminadas que estão na base da insustentabilidade ambiental.
√ potenciar a capacidade da universidade de ensinar, investigar e agir
no seio da sociedade, de acordo com os princípios de desenvolvimento
sustentável; aumentar a literatura ambiental e melhorar a compreensão da
ética ambiental no meio acadêmico e entre o público em geral.
√ cooperar entre si e com todos os segmentos da sociedade na procura de
medidas práticas e de política que alcancem o desenvolvimento
sustentável e assim assegurem os interesses das gerações futuras.
√ encorajar as universidades a rever as suas próprias operações de forma
a refletir as melhores práticas de desenvolvimento sustentável.
√ solicitar ao conselho administrativo da IAU que considere e implemente
as formas e meios adequados à vitalização da presente Declaração,
refletida na missão de cada um dos seus membros e na política conjunta
da IAU.
5.6 – Carta Copernicus - A Carta Copernicus, chamada de Carta Patente da
Universidade para o Desenvolvimento Sustentável, define os princípios de
ação a serem adotados pelas universidades rumo ao desenvolvimento
sustentável.
O Programa Copernicus (Cooperation Program for Environmental
Research in Nature and Industry through Coordinated University Studies)
é um programa de cooperação européia para a pesquisa sobre a natureza e
a indústria com os estudos coordenados da universidade e foi lançado
pela Conferência dos Reitores da Europa (CRE) em 1988.
Este programa é o principal agente regional em diálogo nesta matéria a
nível internacional e trabalha em parceria com a Associação das
Universidades Européias (EUA), o Instituto de Investigação para a Europa
Sustentável (SERI), a Associação Ambiental das Universidades e
Faculdades do Reino Unido (EAUC) e algumas universidades singularmente
proativas em desenvolvimento sustentável no espaço europeu.
Tendo como visão tornar a sustentabilidade uma marca registrada tanto do
espaço europeu da investigação como do espaço europeu da educação,
o programa Copernicus desenvolve a sua própria estratégia de ação consubstanciada nos princípios de sua carta, conforme quadro 2.
|
Objetivos
gerais |
Prioridades |
Áreas-chave |
Ações
Copernicus |
|
|
Identificar
formas de as universidades ajudarem a sociedade a responder ao
desafio do desenvolvimento sustentável |
Gerar
conhecimento em desenvolvimento sustentável |
Investigação
multidisciplinar
Redes
de peritos |
Seminário
virtual em expansão e desenvolvimento sustentável |
|
|
Disseminar
conhecimento em desenvolvimento sustentável aos alunos |
Formação de professores
Currículos universitários em desenvolvimento
sustentável |
|
||
|
Disseminar
conhecimento em desenvolvimento sustentável à sociedade |
Parcerias e redes de trabalho a nível local
Serviço à sociedade em:
-ciência e investigação;
-definição de políticas; desenvolvimento de
capacidades;
-transferência tecnológica |
Conferências
anuais, desde 1998:
Sustainable Universities: inter-, multi-and
trans-disciplinary issues and options, (Barcelona, 1999) |
||
|
Alcançar
a sustentabilidade nas universidades |
Implementar
práticas ambientalmente responsáveis pelas e nas universidades |
Promover
a gestão ambiental das universidades
Promover
padrões sustentáveis de produção e consumo nas universidades |
Projetos:
-Universidade
de baixa energia;
-Campus-solar
europeu
-Química
sustentável |
Fonte: http://www.copernicus-campus.org Acesso em 27.09.2003.
Quadro 2 – Estratégia do Programa Copernicus para o Desenvolvimento
Sustentável
A carta patente foi introduzida e apresentada à Conferência Bianual de
CRE em Barcelona em outubro de 1993 e assinada em Genebra em abril de
1994 por um conjunto de 196 universidades européias.
5.6.1 - Preâmbulo - A exploração da biosfera pelo homem ameaça hoje a
sua própria existência. Ao longo das últimas décadas, as pressões sobre
o ambiente global tornaram-se auto-evidentes, fazendo erguer uma voz
comum pelo desenvolvimento sustentável. Nas palavras do Relatório
Bruntland,
nós temos que aprender a cuidar das necessidades presentes sem
comprometer a capacidade das gerações futuras de em qualquer parte
satisfazerem as suas próprias necessidades.
A consciência está aí. O que falta é uma estratégia compreensível para
construir um futuro sustentável eqüitativo para todos os seres humanos,
como foi sublinhado pela Conferência do Rio (UNCED) e pela Conferência
das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Ambiental, em 1992.
Essa estratégia requer um novo enquadramento mental e novo conjunto
de valores.
A educação é essencial à promoção de tais valores e para aumentar as
capacidades das pessoas de enfrentar as questões ambientais e de
desenvolvimento. A educação em todos os níveis, especialmente a educação
universitária para a formação de decisores e professores,
deve ser orientada para o desenvolvimento sustentável e para forjar atitudes, padrões de capacidade e comportamentos ambientalmente conscientes, tal como um sentido de responsabilidade ética.
A educação tem que se tornar educação ambiental no sentido mais lato
do termo.
5.6.2 - O papel das universidades - As universidades e equivalentes
instituições de ensino superior formam as futuras gerações de cidadãos e
possuem conhecimentos de especialidade em todos os campos da
investigação, tanto em tecnologia como nas ciências naturais, humanas e
sociais.
É conseqüentemente seu dever propagar a literatura ambiental e promover
a prática de uma ética ambiental na sociedade, em concordância com os
princípios definidos na Magna Carta das Universidades Européias e
subseqüentes declarações universitárias e com as recomendações da UNCED
para o ambiente e o desenvolvimento.
Na verdade, as universidades são cada vez mais chamadas a desempenhar um
papel preponderante no desenvolvimento de uma forma de educação
multidisciplinar e eticamente orientada, de forma a encontrar soluções
para os problemas ligados ao desenvolvimento sustentável.
Elas devem, portanto, assumir um compromisso para com um processo
contínuo de informação, educação e mobilização de todas as partes
relevantes da sociedade com relação às conseqüências da degradação
ecológica, incluindo o seu impacto sobre o ambiente global e as
condições que garantem um mundo sustentável e justo.
Para alcançar estes objetivos e cumprir a sua missão básica, as
universidades são pressionadas a desencadear todos os esforços para
subscrever e implementar os dez princípios de ação abaixo definidos.
√ compromisso institucional – as universidades devem demonstrar um
compromisso real para com a teoria e a prática da proteção ambiental e
do desenvolvimento sustentável no seio da comunidade acadêmica.
√ ética ambiental – as universidades devem promover, entre os seus
docentes, alunos e o público em geral, padrões de consumo sustentáveis e
um estilo de vida ecológico, estimulando paralelamente programas que
desenvolvam as capacidades do corpo docente para ensinar literatura
ambiental.
√ educação dos funcionários universitários – as universidades deverão
proporcionar educação, formação e encorajamento aos seus funcionários em
matérias ambientais, para que eles possam prosseguir o seu trabalho de
uma forma ambientalmente responsável.
√ programas de educação ambiental – as universidades deverão incorporar
uma perspectiva ambiental em todo o seu trabalho e estabelecer programas
de educação ambiental envolvendo docentes, investigadores e estudantes,
expondo-os a todos os desafios globais do ambiente e desenvolvimento,
seja qual for o seu campo de trabalho ou estudo.
√ interdisciplinaridade – as universidades devem encorajar a educação
interdisciplinar e colaborativa e programas de investigação relativos ao
desenvolvimento sustentável enquanto parte da missão central da
instituição.
Devem também procurar ultrapassar os instintos competitivos entre
disciplinas e departamentos.
√ disseminação do conhecimento – as universidades devem apoiar esforços
para suprir as falhas na atual literatura disponível aos estudantes,
profissionais, decisores e público em geral, preparando material
didático informativo, organizando leituras públicas e estabelecendo
programas de formação. Elas devem também estar preparadas para
participar em auditorias ambientais.
√ redes de trabalho – as universidades devem promover redes
interdisciplinares de peritos ambientais ao nível local, nacional,
regional e internacional, com o objetivo de colaborar em projetos
ambientais comuns de ensino e investigação. Para isto, a mobilidade de
estudantes deve ser encorajada.
√ parcerias – as universidades deverão tomar a iniciativa de forjar
parcerias com outros setores preocupados da sociedade, de modo a
desenhar e implementar abordagens, estratégias e planos de ação
coordenados.
√ programas de educação contínua – as universidades deverão inventar
programas de educação ambiental sobre estes assuntos e para diferentes
grupos-alvo, por exemplo: empresas, agências governamentais,
organizações não-governamentais, meios de comunicação social.
√ transferência tecnológica – as universidades devem contribuir para
programas educacionais concebidos para a transferência de tecnologias de
educação e inovação e métodos de gestão avançados.
5.7 – Declaração dos estudantes para um futuro sustentável – organizado
pelo CEED – Comunidade Ambiental de Desenvolvimento Educacional, esta
Declaração ganhou respaldo no Reino Unido, na Universidade de Sunderland,
com 80 pessoas de 34 universidades e faculdades britânicas nos dias 2 a
5 de julho de 1995.
Foi discutida a responsabilidade ambiental dos estudantes na tentativa particular de moldar uma declaração abrangendo ações mais adicionais.
Nessa época, os participantes da conferência desenvolveram guias para
a ação, tendo como o começo de um acoplamento entre estudantes e as
agendas ambientais institucionais e internacionais.
5.8 – Parceria Global do Ensino Superior para o Desenvolvimento
Sustentável – GHESP – esta parceria foi formada em 2000 pela ULSE –
University Leaders for a Sustainable Future - Universidade Líder para um
Futuro Sustentável, Copernicus-campus, IAU - Associação Internacional
das Universidades e UNESCO
– Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em resultado do programa de trabalho da Comissão para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (CSD-UM) e antecipando a Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (WSSD).
Essa parceria teve como primeiro produto a Declaração de Luneburg em
10 de outubro de 2001. Esta Declaração é a instrução mais elevada para o
desenvolvimento sustentável.
5.9 – Declaração de Luneburg – esta declaração, emanada da Conferência
sobre o Ensino Superior para o Desenvolvimento Sustentável, relembra os
compromissos assumidos e,
num esforço de efetivar o seu cumprimento, define metas
concretas a atingir pela GHESP, em representação de mais de 1.000
universidades a nível mundial, até 2006. Dentre estas metas, salientam-se:
√ criar um ambiente de aprendizagem global para o ensino superior para o
desenvolvimento sustentável;
√ produzir um pacote de ferramentas orientadas para a ação universitária,
incluindo estratégias de implementação à medida, estratégias para a
reforma em áreas específicas da atividade universitária, um inventário
dos recursos disponíveis e outro de melhores práticas e casos de estudo.
A criação da GHESP e o seu trabalho comprovam que, antes de educar
cidadãos para enfrentar o desafio do desenvolvimento sustentável,
importa educar as universidades para assumirem a sua missão nesse
desafio.
5.10 – Declaração de UBUNTU – dirige um apelo à ONU em 2002, no sentido
de esta designar os educadores como o décimo grupo de intervenientes-chave
no processo da Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável
de Joanesburgo - WSSD.
E reforça o compromisso das universidades na criação de um
espaço de aprendizagem global em educação e sustentabilidade, a se
desenvolver com base em redes internacionais e mediante a criação de
centros de excelência regionais que congreguem todas as instituições
formais de ensino, do fundamental ao superior.
5.11 – Conferências Internacionais sobre Gestão Ambiental para as
Universidades Sustentáveis – EMSU – conferência-franja da Conferência
WSSD,
em 2002 na África do Sul, reuniu 150 delegados em torno da
pergunta: qual o papel do ensino superior no desenvolvimento sustentável?
Uma resposta particular mereceu especial atenção e foi apresentada pela
Universidade Politécnica da Catalunha, sob a seguinte forma, conforme
mostra a figura 2.

Fonte: http://www.campus.unl.pt. Acesso em 26.09.2003
Figura 2 – O papel da universidade na sociedade, relativamente ao
desenvolvimento sustentável
Neste modelo, surgem distintos quatro níveis de intervenção para as
universidades:
1 – educação dos decisores para um futuro sustentável;
2 – investigação de soluções, paradigmas e valores que sirvam uma
sociedade sustentável;
3 – operação dos campus universitários como modelos e exemplos práticos
de sustentabilidade à escala local;
4 – coordenação e comunicação entre os níveis anteriores e entre estes e
a sociedade.
Neste sentido, as universidades são diariamente chamadas a exercer um
papel de liderança na proposição de uma forma de educação inter(trans)
disciplinar que comporte uma dimensão ética e que tenha por objetivo
conceber soluções para os problemas ligados ao desenvolvimento
sustentável.
6 – Conclusão
Ao longo das últimas décadas, as pressões sobre o ambiente global
tornaram-se auto-evidentes, fazendo erguer uma voz comum pelo
desenvolvimento sustentável. Essa estratégia requer um novo
enquadramento mental e novo conjuntos de valores.
A educação é essencial à promoção de tais valores e para aumentar as
capacidades das pessoas de enfrentar as questões ambientais e de
desenvolvimento. A educação em todos os níveis, especialmente a educação
universitária para a formação de gestores e professores,
deve ser orientada para o desenvolvimento sustentável e para forjar
atitudes, padrões de capacidade e comportamentos ambientalmente
conscientes, tal como um sentido de responsabilidade ética.
Todos os estabelecimentos de ensino superior estão bastante conscientes
do papel que devem cumprir na preparação das novas gerações para um
futuro sustentável. As universidades envolvidas partilham a convicção de
que o progresso econômico e a proteção ambiental estão indissoluvelmente
ligados.
Neste sentido, as universidades são diariamente chamadas a exercer um
papel de liderança na proposição de uma forma de educação
inter(trans)disciplinar que comporte uma dimensão ética e que tenha por
objetivo conceber soluções para os problemas ligados ao desenvolvimento
sustentável.
A universidade é, dentre as várias instituições de ensino formal, aquela
à qual compete ministrar o mais elevado grau de ensino, o superior, ou
seja, o da educação para máxima capacitação e qualificação dos seus
cidadãos na resolução e antecipação dos problemas que mais a afetam.
E para cumprir esta missão, a universidade busca
incessantemente as raízes e soluções desses problemas, por meio da
investigação e do desenvolvimento de metodologias e ferramentas novas e
inovativas.
Fouto (2003) diz que o ensino é o cerne da atividade da universidade e a
educação a sua missão primeira. Face aos objetivos de desenvolvimento
sustentável, a educação para o desenvolvimento sustentável será,
portanto, o principal papel da universidade no século XXI.
Maria Elisabeth Pereira Kraemer - beth.kraemerarrobaterra.com.br
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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