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PALAVRAS-CHAVE: Contabilidade, Gestão ambiental, Impacto ambiental
1 – INTRODUÇÃO
Cada vez mais, as organizações nacionais se conscientizam de que a
implementação do Sistema de Gestão Ambiental – SGA pode aliar melhorias
nos processos industriais com a preservação do meio ambiente.
Uma forma de estruturar as atividades voltadas para o meio ambiente foi
desenvolvida pela Internacional Organization for Standardization (ISO).
A ISO 14.001 é uma norma de adesão voluntária, que contém os requisitos
para a implantação do SGA, podendo ser aplicada a qualquer tipo ou porte
de organização.
Os SGAs buscam prover às organizações formas de gerenciar todos os seus
aspectos e impactos ambientais mais significativos. Partem,
inicialmente, da identificação e priorização destes aspectos e impactos,
desenhando, em seguida, um sistema que busca a melhoria contínua,
baseado no controle destes impactos.
Como diz Negra (2001) as Ciências Contábeis, como uma ciência social e,
portanto da relação entre o homem e sua riqueza, deve criar mecanismos
de registro, análise e interpretação dos fenômenos resultantes das ações
contra o meio ambiente. Isto se mostra verdadeiramente, pois muitos
autores e pesquisadores já a segmentaram em Contabilidade Ambiental. A
Contabilidade Ambiental pode e vai oferecer, ainda, muitos mecanismos,
técnicas e tecnologias no tratamento das relações econômicas e de
riqueza ligada ao meio ambiente.
Portanto, a Contabilidade não pode mais ignorar os problemas ambientais,
porque ela forma um elo de ligação entre as empresas e a comunidade. A
contabilidade vai despertar o interesse para as questões ambientais,
ajudando a classe empresarial a implementar, em sua gestão empresarial,
a variável ambiental, não apenas para constar na legislação, mas por uma
verdadeira conscientização ecológica.
2 – DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO EM RELAÇÃO AO MEIO AMBIENTE – O DESPERTAR
DE UMA CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA
Os avanços ocorridos na área ambiental quanto aos instrumentos técnicos,
políticos e legais, principais atributos para a construção da estrutura
de uma política de meio ambiente, são inegáveis e inquestionáveis. De
acordo com Leão (2002), nos últimos anos, saltos quantitativos foram
dados, em especial no que se refere à consolidação de práticas e
formulação de diretrizes que tratam a questão ambiental de forma
sistêmica e integrada.
Segundo Campanhola (1995), o paradigma atual de desenvolvimento, baseado
nos modelos dos países desenvolvidos, dos países industrializados do
Norte, é um modelo meramente capitalista, que visa o lucro máximo.
Portanto, o crescimento econômico em si gera bem-estar à sociedade, e o
meio ambiente é apenas um bem privado, no que se refere à produção e
descarte dos seus resíduos. Dentro desse processo, ao longo dos últimos
30 anos, pode-se afirmar que os recursos naturais são tratados apenas
como matéria-prima para o processo produtivo, principalmente no processo
produtivo industrial.
O que aconteceu é que este modelo, da maneira como foi idealizado,
não é sustentável ao longo do tempo. Ficou claro que os recursos
naturais eram esgotáveis, e, portanto finitos, se mal utilizado.
Neste sentido, o desenvolvimento da tecnologia deverá ser orientado para
metas de equilíbrio com a natureza e de incremento da capacidade de
inovação dos países em desenvolvimento, e o programa será atendido como
fruto de maior riqueza, maior benefício social eqüitativo e equilíbrio
ecológico. Meyer (2000) enfoca que, para esta ótica, o conceito de
desenvolvimento sustentável apresenta pontos básicos que devem
considerar, de maneira harmônica, o crescimento econômico, maior
percepção com os resultados sociais decorrentes e equilíbrio ecológico
na utilização dos recursos naturais.
As campanhas de valorização para a existência de uma vida melhor a todos
os seres, principalmente, o homem, como diz Raupp (2001), pode parecer
utopia. No entanto, caso não sejam levadas a sério, a vida no planeta
estará seriamente ameaçada. Em decorrência, não podemos mais considerar
o crescimento sem benefícios sociais e sua distribuição eqüitativa para
todas as parcelas da população.
Assume-se que as reservas naturais são finitas, e que as soluções
ocorrem através de tecnologias mais adequadas ao meio ambiente. Deve-se
atender às necessidades básicas usando o princípio da reciclagem.
Parte-se do pressuposto de que haverá uma maior descentralização, que a
pequena escala será prioritária, que haverá uma maior participação dos
segmentos sociais envolvidos, e que haverá prevalescência de estruturas
democráticas. A forma de viabilizar com equilíbrio todas essas
características é o grande desafio a enfrentar nestes tempos.
Este novo fazer foi construído em grande parte, a partir dos resultados
da Rio-92, onde a noção de Desenvolvimento Sustentável se alastrou e
estruturou-se. Porém, o que a noção e os conceitos de sustentabilidade
trazem como novo desafio são os caminhos para a Gestão Ambiental.
Essa conscientização nos conduzirá ao desenvolvimento sustentável,
definida no Relatório Brundtland (Nosso Futuro Comum), elaborado pela
Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento, como “aquele que
atende as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as
gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades”.
Alguns setores já assumiram tais compromissos com o novo modelo de
desenvolvimento, ao incorporarem nos modelos de gestão a dimensão
ambiental. A gestão de qualidade empresarial passa pela obrigatoriedade
de que sejam implantados sistemas organizacionais e de produção que
valorizem os bens naturais, as fontes de matérias-prima, as
potencialidades do quadro humano criativo, as comunidades locais e devem
iniciar o novo ciclo, onde a cultura do descartável e do desperdício
sejam coisas do passado. Atividades de reciclagem, incentivo à
diminuição do consumo, controle de resíduo, capacitação permanentes dos
quadros profissionais, em diferentes níveis e escalas de conhecimento,
fomento ao trabalho em equipe e às ações criativas são desafios-chave
neste novo cenário.
Neste sentido, Donaire (1999) diz que o retorno do investimento, antes,
entendido simplesmente como lucro e enriquecimento de seus acionistas,
ora em diante, passa, fundamentalmente, pela contribuição e criação de
um mundo sustentável.
Estes processos de produção de conhecimento têm oportunizado o
desabrochar de práticas positivas e pró-ativas, que sinalizam o
desabrochar de métodos e de experiências que comprovam, mesmo que em um
nível ainda pouco disseminado, a possibilidade de fazer acontecer e
tornar real o novo, necessário e irreversível, caminho de mudanças.
Isto é corroborado por Souza (1993), ao dizer que as estratégias de
marketing ecológico, adotadas pela maioria das empresas, visam a
melhoria de imagem tanto da empresa quanto de seus produtos, através da
criação de novos produtos verdes e de ações voltadas pela proteção
ambiental.
Desse modo, o gerenciamento ambiental passa a ser um fator estratégico
que a alta administração das organizações deve analisar.
A Gestão Ambiental inclui uma série de atividades que devem ser
administradas, tais como: formular estratégias de administração do meio
ambiente, assegurar que a empresa esteja em conformidade com as leis
ambientais, implementar programa de prevenção à poluição, gerir
instrumentos de correção de danos ao meio ambiente, adequar os produtos
às especificações ecológicas, além de monitorar o programa ambiental da
empresa.
Além dessa ferramenta, a problemática ambiental envolve também o
gerenciamento dos assuntos pertinentes ao meio ambiente, por meio de
sistemas de gestão ambiental, da busca pelo desenvolvimento sustentável,
da análise do ciclo de vida dos produtos e da questão dos passivos
ambientais.
3 – GESTÃO AMBIENTAL – O NOVO PARADIGMA
Gestão ambiental é o sistema que inclui a estrutura organizacional,
atividades de planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos,
processos e recursos para desenvolver, implementar, atingir, analisar
criticamente e manter a política ambiental. É a forma pela qual a
organização se mobiliza, interna e externamente para a conquista da
qualidade ambiental desejada. Ela consiste em um conjunto de medidas que
visam ter controle sobre o impacto ambiental de uma atividade.
A gestão ambiental começa a ser encarada como um assunto estratégico
dentro das organizações e isso tem se tornado um fator importante de
competitividade.
Diversas organizações empresariais estão cada vez mais preocupadas em
atingir e demonstrar um desempenho mais satisfatório em relação ao meio
ambiente. Neste sentido, a gestão ambiental tem se configurado como uma
das mais importantes atividades relacionadas com qualquer empreendimento.
Para Meyer (2000), a gestão ambiental é apresentada da seguinte forma:
1) objeto de manter o meio ambiente saudável (à medida do possível),
para atender as necessidades humanas atuais, sem comprometer o
atendimento das necessidades das gerações futuras. 2) Meio de atuar
sobre as modificações causadas no meio ambiente pelo uso e/ou descarte
dos bens e detritos gerados pelas atividades humanas, a partir de um
plano de ação viáveis técnica e economicamente, com prioridades
perfeitamente definidas. 3) Instrumentos de monitoramentos, controles,
taxações, imposições, subsídios, divulgação, obras e ações mitigadoras,
além de treinamento e conscientização. 4) Base de atuação de
diagnósticos (cenários) ambientais da área de atuação, a partir de
estudos e pesquisas dirigidos em busca de soluções para os problemas que
forem detectados.
O objeto da gestão ambiental é a otimização dos processos da
transformação de um sistema ecológico, primitivo ou não. Macedo (1999)
diz que a gestão ambiental é o processo necessário e suficiente para
garantir que a introdução de um sistema humano organizado em um sistema
ecológico primitivo tenha como resultado um novo sistema humano
organizado
Os sistemas de gerenciamento ambiental acontecem por interferência de
normas internacionais e de normas de grande conglomerados
organizacionais ou por exigências de clientes e outras partes
interessadas. Porém, as normas da série ISO 14000 são as mais utilizadas
e praticadas no Brasil e no mundo.
De acordo com Alves (2001), quando uma organização opta pela Implantação
da Norma ISO 14001, abre novos caminhos no mercado internacional,
proporciona vantagem competitiva e introduz sensível redução de custos
na operação, além de incrementar a receita com subprodutos do processo,
como, por exemplo, venda de papelão e EPS (Poliestireno expandido),
dentre outros.
4 – BENEFÍCIOS DA GESTÃO AMBIENTAL
O sistema de gestão ambiental facilita o processo de gerenciamento,
proporcionando vários benefícios às organizações. North apud Cagnin
(2000) enumera os benefícios da gestão ambiental, que estão
discriminados abaixo:
Quadro 1: Benefícios da gestão ambiental
BENEFÍCIOS ECONÔMICOS
Economia de Custos
Ö Redução do consumo de água, energia e outros insumos.
Ö Reciclagem, venda e aproveitamento e resíduos, e diminuição de
efluentes.
Ö Redução de multas e penalidades por poluição.
Incremento de Receita
Ö Aumento da contribuição marginal de “produtos verdes”, que podem ser
vendidos a preços mais altos.
Ö Aumento da participação no mercado, devido à inovação dos produtos e à
menor concorrência.
Ö Linhas de novos produtos para novos mercados.
Ö Aumento da demanda para produtos que contribuam para a diminuição da
poluição.
BENEFÍCIOS ESTRATÉGICOS
Ö Melhoria da imagem institucional.
Ö Renovação da carteira de produtos.
Ö Aumento da produtividade.
Ö Alto comprometimento do pessoal.
Ö Melhoria nas relações de trabalho.
Ö Melhoria da criatividade para novos desafios.
Ö Melhoria das relações com os órgãos governamentais, comunidade e
grupos ambientalistas.
Ö Acesso assegurado ao mercado externo.
Ö Melhor adequação aos padrões ambientais.
Fonte: Adaptado de North, K. Environmental business management. Genebra:
ILO, 1992. In: Cagnin, 1999.
Os principais benefícios da norma ambiental ISO 14001, segundo Neto e
Tocalino (1999), são:
Ö Demonstração para clientes, acionistas, empregados, seguradoras, meios
de comunicação, autoridades, legisladores e ONGs do compromisso
ambiental da empresa, levando à melhoria de sua imagem;
Ö Existência de mecanismos estruturados para gerenciar aspectos
ambientais e para promover melhoria contínua do sistema;
Ö Acesso à legislação ambiental e suas aplicações;
Ö Controle mais eficiente das matérias-primas;
Ö Redução do consumo de energia e recursos naturais;
Ö Aproveitamento e minimização de resíduos;
Ö Melhoria das relações, proporcionando, inclusive, abertura de novos
mercados, em especial os estrangeiros;
Ö Evidência, por entidade independente, da competência ambiental da
empresa;
Ö Eliminação de erros que favorecem a crescente evolução da empresa, por
meio das auditorias ambientais.
Os benefícios com a implementação de um Sistema de Gestão Ambiental
estão intimamente ligados à mudança comportamental, aprendizado e
inovação organizacional.
Convém salientar que a existência de um plano ambiental formal, embora
importante, não é suficiente, pois a transformação da questão ambiental
em valor da organização vai depender das ações da alta administração e
de suas gerencias.
5 – PRINCÍPIOS DE GESTÃO AMBIENTAL
No relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e desenvolvimento
(ONU, 1987), denominado “Nosso Futuro Comum”, ficou muito clara a
importância da preservação ambiental para que consigamos o
Desenvolvimento Sustentado.
Nesse sentido, a Câmara de Comércio Internacional, reconhecendo que a
proteção ambiental se inclui entre as principais prioridades a serem
buscadas por qualquer tipo de negócio definiu, em 27 de novembro de
1990, uma série de princípios de gestão ambiental. Assim, para ajudar as
empresas ao redor do mundo a melhorar seu desempenho ambiental, a Câmara
do Comércio Internacional estabeleceu o denominado Business Charter for
Sustainable Development, que inclui uma série de princípios que deverão
ser buscados pelas organizações. Eles compreendem 16 princípios para a
gestão Ambiental que, sob a ótica das organizações, são essenciais para
atingir o Desenvolvimento Sustentável:
1 - Prioridade Organizacional - estabelecer políticas, programas e
práticas no desenvolvimento das operações voltadas para a questão
ambiental. Reconhecer que ela é a questão-chave e prioridade da empresa.
2 - Gestão Integrada – integrar as políticas, programas e práticas
ambientais em todos os negócios como elementos indispensáveis de
administração em todas suas funções.
3 - Processos de Melhoria – continuar melhorando as políticas
corporativas, os programas e performance ambiental, tanto no mercado
interno quanto externo, levando em conta o desenvolvimento tecnológico,
o conhecimento científico, as necessidades dos consumidores e os anseios
da comunidade, como ponto de partida das regulamentações ambientais.
4 - Educação do Pessoal – educar, treinar e motivar o pessoal no sentido
de que possam desempenhar suas tarefas de forma responsável com relação
ao ambiente.
5 - Prioridade de Enfoque – considerar as repercussões ambientais antes
de iniciar nova atividade ou projeto e antes de instalar novos
equipamentos e instalações ou de abandonar alguma unidade produtiva.
6 - Produtos e Serviços – desenvolver e produzir produtos e serviços que
não sejam agressivos ao ambiente e que sejam seguros em sua utilização e
consumo, que sejam eficientes no consumo de energia e de recursos
naturais e que possam ser reciclados, reutilizados e armazenados de
forma segura.
7 - Orientação ao Consumidor – orientar e, se necessário, educar
consumidores, distribuidores e o público em geral sobre o correto e
seguro uso, transporte, armazenagem e descarte dos produtos produzidos.
8 - Equipamentos e Operacionalização – desenvolver, desenhar e operar
máquinas e equipamentos levando em conta o eficiente uso da água,
energia e matérias –primas, o uso sustentável dos recursos renováveis, a
minimização dos impactos negativos ao ambiente e a geração de poluição e
o uso responsável e seguro dos resíduos existentes.
9 - Pesquisa – conduzir ou apoiar projetos de pesquisas que estudem os
impactos ambientais das matérias-primas, produtos, processos, emissões e
resíduos associados ao processo produtivo da empresa, visando à
minimização de seus efeitos.
10 - Enfoque Preventivo – modificar a manufatura e o uso de produtos ou
serviços e mesmo os processos produtivos, de forma consistente com os
mais modernos conhecimentos técnicos e científicos, no sentido de
prevenir as sérias e irreversíveis degradações do meio ambiente
11 - Fornecedores e Subcontratados – promover a adoção dos princípios
ambientais da empresa junto aos subcontratados e fornecedores
encorajando e assegurando, sempre que possível, melhoramentos em suas
atividades, de modo que elas sejam uma extensão das normas utilizadas
pela empresa.
12 - Planos de Emergência – desenvolver e manter, nas áreas de risco
potencial, planos de emergência idealizados em conjunto entre os setores
da empresa envolvidos, os órgãos governamentais e a comunidade local,
reconhecendo a repercussão de eventuais acidentes.
13 - Transferência de Tecnologia – contribuir na disseminação e
transferência das tecnologias e métodos de gestão que sejam amigáveis ao
meio ambiente junto aos setores privado e público.
14 - Contribuição ao Esforço Comum – contribuir no desenvolvimento de
políticas públicas e privadas, de programas governamentais e iniciativas
educacionais que visem à preservação do meio ambiente.
15 - Transparência de Atitude – propiciar transparência e diálogo com a
comunidade interna e externa, antecipando e respondendo a suas
preocupações em relação aos riscos potenciais e impacto das operações,
produtos e resíduos.
16 - Atendimento e Divulgação – medir a performance ambiental. Conduzir
auditorias ambientais regulares e averiguar se os padrões da empresa
cumprem os valores estabelecidos na legislação. Prover periodicamente
informações apropriadas para a alta administração, acionistas,
empregados, autoridades e o público em geral.
Com base nos princípios da Carta Empresarial da Câmara de Comércio
Internacional e da necessidade do meio empresarial se adaptar às novas
exigências em relação às questões ambientais, o Britisch Standards
Institute (BSI) – apoiando-se em sua experiência no que se refere aos
Sistemas de Gestão da Qualidade – lançou, em 1992, a norma BS 7750. Esta
norma, de caráter voluntário, propõe um Sistema de Gestão Ambiental (SGA)
que procura não só ordenar e integrar os procedimentos existentes na
empresa, mas também permitir que esta seja passível de certificação.
Esta norma está diretamente relacionada à norma BS 5750, que trata dos
Sistemas de Gestão da Qualidade. (ABNT, 1995).
Em 1992, o Strategic Advisory Group on Environment (SAGE) deu sinal
verde para o Conselho Técnico da ISO, que então encarregou um novo
Comitê Técnico, o TC 207, do desenvolvimento de normas internacionais
para gestão ambiental.
De acordo com Campos (1996), pode-se dizer que a série ISO 14000
trata-se, na realidade, de uma conseqüência formal de todo este
movimento institucional (encontros, fóruns, surgimento de ONGs),
descrito até então, e que vem pressionando empresas de todos os tipos a
se preocuparem com a questão ambiental e o desenvolvimento.
O TC 207 começou estabelecendo normas para os sistemas de gestão, com
afinalidade de certificação das boas práticas de gerenciamento
ambiental.
O termo Gestão Ambiental é definido pela ISO 14001 como parte integrante
da função global da gestão da organização que desenvolve, implementa,
alcança, revisa e mantém a política ambiental.
6 – SGA – SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL
Tomando-se por base o modelo normativo NBR 14001, o Sistema de Gestão
Ambiental é definido como a parte do sistema de gestão da organização
que inclui estrutura organizacional, atividades de planejamento,
responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para
desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a sua
Política Ambiental.
O Sistema de Gestão Ambiental permite que a organização atinja o nível
de desempenho ambiental por ela determinado e promova sua melhoria
contínua ao longo do tempo. Consiste, essencialmente, no planejamento de
suas atividades, visando a eliminação ou minimização dos impactos ao
meio ambiente, por meio de ações preventivas ou medidas mitigadoras.
Os SGA não são obrigatórios, ou seja, não há legislação de qualquer
nível, em qualquer lugar do mundo, que obrigue a uma organização
produtiva a realizar o desenvolvimento e a implantação de se SGA.
Contudo, o comércio internacional, cada vez mais, vem estabelecendo como
condição de comercialização de produtos e serviços, a certificação
formal dos fornecedores em termos de gestão ambiental.
A empresa que não buscar adequar suas atividades ao conceito de
desenvolvimento sustentável está fadada a perder competitividade em
curto ou médio prazo. Investir numa empresa que polui é temerário para
qualquer acionista com um mínimo de visão estratégica.Quanto mais
poluidora a atividade, maior são os desperdícios, os passivos ambientais,
os riscos de multas, ações judiciais e reivindicações da comunidade.
Tecnologias mais modernas levam em conta, invariavelmente, a redução dos
níveis de poluição.
Isto implica mudança de cultura e até mesmo mudança estrutural. A
questão deixa de ser assunto exclusivo de um departamento e se torna
parte integrante da atividade de cada membro da empresa, desde a Alta
Administração até o chão de fábrica.
Para que toda essa revolução cultural aconteça, a implantação de um
Sistema de Gestão Ambiental é imprescindível e os resultados já
relatados por diversas empresas, como os exemplos abaixo, podem ser
responsáveis pelo crescente interesse do empresariado. (www.fdg.org.br)
Ö Prevenção de riscos e prejuízos (acidentes ambientais, passivos
ambientais, multas e outras penalidades, ações judiciais, etc);
Ö Redução de custos de seguro;
Ö Observância dos requisitos legais pertinentes;
Ö Redução de desperdícios, através da otimização do uso de recursos (matérias-primas,
insumos, energia, água) e aproveitamento dos rejeitos;
Ö Melhor relacionamento com a comunidade;
Ö Maior agilidade nos processos de licenciamento;
Ö Maior competitividade com mercados que valorizam a preservação
ambiental (Ecomarketing);
Ö Acesso a financiamentos com taxas reduzidas;
Ö Melhoria da imagem institucional (conceito de empresa cidadã).
A empresa moderna está atenta a essas questões e considera a gestão
ambiental parte integrante do seu negócio. A implantação de um Sistema
de Gestão Ambiental deve ser uma das prioridades estratégicas de
qualquer organização que queira garantir sua competitividade e
sobrevivência no mundo globalizado.
Para a institucionalização da função Gestão Ambiental na organização, é
preciso ressaltar algumas condições ou princípios em que ela deverá se
basear. São as etapas de um SGA, apresentadas sob a forma de princípios:
Ö Política Ambiental – uma organização devera definir sua política
ambiental e garantir compromissos para o seu sistema de gestão
ambiental;
Ö Planejamento – uma organização deverá formular um plano que satisfaça
e realize a sua política ambiental;
Ö Implementação e Operação – uma organização deverá desenvolver
conscientização, envolvimentos, capacidades e mecanismos de suporte
necessários para o atingimento de sua política, objetivos e metas
ambientais;
Ö Análise, Avaliação e Ações – uma organização deverá monitar, mensurar
e avaliar o seu desempenho ambiental, bem como propor e implementar
medidas destinadas a sua otimização;
Ö Inspeção e Aperfeiçoamento – uma organização deverá inspecionar e
aperfeiçoar continuamente o seu sistema de gestão ambiental, com o
objetivo de otimizar o seu desempenho ambiental global.
Com isto em mente, o sistema de gestão ambiental, para Costa (1996), é
mais bem visto como uma estrutura organizacional que deve ser
continuamente monitorada e revisada, no sentido de fornecer orientações
efetivas às atividades ambientais da organização, em resposta às
mudanças dos fatores externos e internos. Neste sistema, cada indivíduo
na organização deve assumir responsabilidades individuais pela melhoria
ambiental.
Para realizar, de forma adequada, o conjunto dos princípios dos SGA, com
base nos requerimentos das normas nacionais e internacionais que lhes
são afetadas, há uma série de atividades típicas, envolvendo basicamente:
(i) análises ambientais, (ii) avaliações ambientais, (iii) análises
documentais de métodos, processos e procedimentos, (iv) análises de
conformidade, (v) formulação de métodos, processos e procedimentos, (vi)
planificação de ações corretivas e preventivas, (vii) monitoração e
avaliações de resultados e (viii) replanificações.
Os SGA demandam equipes multidisciplinares. Todavia, requerem mais três
ingredientes importantes, a saber:
Ö envolvimento da alta administração da organização com relação as
suas necessidades e aos princípios e compromissos;
Ö envolvimento direto dos funcionários da empresa, sobretudo aqueles que
serão investidos da responsabilidade de multiplicar conceitos, processos,
princípios e compromissos;
Ö todos os analistas envolvidos, internos e externos, precisam ter
domínio de técnicas e práticas de gestão empresarial.
Os Sistemas de Gestão Ambiental, embora possam ser inicialmente
desenvolvidos sob a liderança de um ou mais especialistas externos,
seguramente só será mantido e aprimorado com o engajamento da própria
organização.
Os instrumentos de gestão ambiental objetivam melhorar a qualidade
ambiental e o processo decisório. São aplicados a todas as fases dos
empreendimentos e poder ser: preventivos, corretivos, de remediação e
pró-ativos, dependendo da fase em que são implementados. De acordo com
Fernandes (2000) os principais instrumentos de gestão ambiental,
destacamos:
a) O Estudo de Impacto Ambiental (EIA)
b) Avaliação do Impacto Ambiental (AIA)
c) Auditoria Ambiental
d) O Capital Natural
Para o Brasil, a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas,
oferece as seguintes normas brasileiras relativas ao tema “Sistemas de
gestão Ambiental”.
Ö NBR 14.001 – Especificações e Diretrizes para o Uso – Esta norma
fornece as diretrizes para as organizações com vistas à determinação das
políticas ambientais a serem adotadas, levando em conta os requisitos
legais e os impactos ambientais significativos. Contém os requisitos a
serem auditados para fins de certificação/registro e/ou autodeclaração.
Todos os requisitos dessa norma aplicam-se a qualquer sistema de gestão
ambiental; no entanto, a sua implantação não oferece garantia
satisfatória a todos que a utilizarem.
Ö NBR 14.004 – Diretrizes Gerais sobre Princípios, Sistemas e
Técnicas de Apoio – Fornece às organizações as diretrizes para iniciar,
manter e aprimorar um SGA, fortalecendo sua relação com a gestão global
da organização e estabelece princípios que servirão de orientação aos
responsáveis na execução do gerenciamento.
Ö NBR 14.010 – Princípios Gerais – Esta norma estabelece os princípios a
serem aplicados nas auditorias ambientais. Recomenda uma auditoria
baseada em objetivos definidos, com base na qual o auditor-líder,
mediante consulta prévia ao cliente, determina o escopo, a extensão e os
limites dos trabalhos.
Ö NBR 14.011 – Procedimentos de Auditoria – Auditoria de Sistemas de
Gestão Ambiental – Nessa norma, os procedimentos que conduzirão os
trabalhos servirão de base para auditorias em todos os tipos de
organizações.
Ö NBR 14.012 – Critérios de Qualificação para Auditores Ambientais –
Estabelece os requisitos da qualificação do auditor e a sua experiência
profissional.
7 – A CONTABILIDADE COMO SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL
A contabilidade, uma das ciências mais antigas do mundo, originou-se com
o intuito de quantificar a riqueza humana, ou seja, o patrimônio.
A Contabilidade, nos últimos anos do século que terminou, foi
diretamente atingida por modificações de base. O consagrado objeto desta
ciência, ou seja, a riqueza das células sociais, passou,
instintivamente, por uma ampliação indagativa.
Rompeu-se a barreira do ambiente interno das empresas e instituições e
passou-se a buscar conexões com fatos de maior amplitude. Tal rompimento,
todavia, exigiu mudanças de métodos científicos e de óticas de
observação para que pudesse, inclusive, utilizar racionalmente os
progressos e atender com maior adequação às novas necessidades das
empresas e instituições.(SÁ, 2002, p. 48).
A Contabilidade, como ciência que estuda a situação patrimonial e o
desempenho econômico-financeiro das entidades, possui instrumentos
necessários para colaborar na identificação do nível de Responsabilidade
Social dos agentes econômicos.
O comportamento funcional da riqueza precisa atender ao indivíduo, mas,
igualmente, ao ambiente onde este se insere. Tal verdade, é que nos leva
a raciocinar, na atualidade, sobre o que a empresa, por exemplo,
“agrega” ou “acrescenta” à sociedade e não apenas a si mesma (evidenciável
no Balanço Social) além do que ela oferece de lealdade e sinceridade aos
que dela participam e aos que nela acreditam. (SÁ, 2001, p. 24).
[...] uma célula social que só tem por objetivo o seu lucro, sem
oferecer uma contribuição compatível a terceiros, é nociva, ou, pelo
menos, indesejável ao todo onde se insere. Isto, porque uma célula é
parte de um todo, vive para o todo, embora também exista para si mesma,
mas, em forma de integração permanente, o que, não ocorrendo, resulta em
algo anormal. (SÁ, 2001, p. 24).
A partir deste contexto, podemos definir contabilidade ambiental como o
estudo do patrimônio ambiental (bens, direitos e obrigações ambientais)
das entidades. A Contabilidade Ambiental surgiu em 1970, quando as
empresas passaram a dar um pouco mais de atenção aos problemas do meio
ambiente. É um conjunto de ações planejadas para desenvolver um projeto,
levando em conta a preocupação com o meio ambiente.
A Contabilidade Financeira Ambiental passou a ter status de um novo ramo
da ciência contábil em fevereiro de 1998, com a finalização do
“relatório financeiro e contábil sobre passivo e custos ambientais”pelo
Grupo de Trabalho Intergovernamental das Nações Unidas de Especialistas
em Padrões Internacionais de Contabilidade e Relatórios (ISAR) – United
Nations Intergovernamental Working Group of Experts on International
Standards of Accounting and Reporting).
Tem o objetivo de registrar as transações da empresa que impactam o meio
ambiente e os seus efeitos na posição econômica e financeira que reporta
tais transações, devendo assegurar, conforme Junior (2000), que: a) os
custos, ativos e passivos ambientais estejam contabilizados de acordo
com os princípios fundamentais da contabilidade, e b) o desempenho
ambiental tenha ampla transparência de que os usuários da informação
contábil necessitam.
O mesmo autor ainda refere que as inovações trazidas pela Contabilidade
Ambiental estão associadas, pelo menos, três temas: a) a definição do
custo ambiental; b) a forma de mensuração do passivo ambiental, com
destaque para o decorrente de ativos de vida longa; e c) a utilização
intensiva de notas explicativas abrangentes e o uso de indicadores de
desempenho ambiental, padronizados no processo de fornecimento de
informações ao público.
A Contabilidade Ambiental constitui-se numa especialidade da ciência
contábil com base na materialidade dos valores envolvidos. De acordo com
Bergamin Jr (2000), para o usuário externo da informação contábil
tornar-se material, toda informação que, não sendo evidenciada, ou sendo
mal evidenciada, pode levá-lo a sério erro sobre a avaliação do
empreendimento e de suas tendências, o que se aplica de forma plena às
informações sobre o desempenho ambiental das empresas.
Vários são os fatores que dificultam o processo de implementação da
contabilidade ambiental. Bergamin Jr (1999) enumera os seguintes:
ausência de definição clara de custos ambientais; dificuldade em
calcular um passivo ambiental efetivo; problema em determinar a
existência de uma obrigação no futuro por conta de custos passados;
falta de clareza no tratamento a ser dado aos “ativos de vida longa”,
como por exemplo, no caso de uma usina nuclear; reduzida transparência
com relação aos danos provocados pela empresa em seus ativos próprios,
dentre outros.
A avaliação da utilidade da Contabilidade Ambiental, segundo o mesmo
autor, deve ser realizada tendo em vista o atendimento das finalidades
que pretende atingir, que são: a) expor o progresso da empresa no
gerenciamento das questões ambientais de forma comparada com
empresas-pares e durante o decorrer do tempo; b) apresentar o nível de
sua exposição ao risco ambiental para a comunidade de negócios (instituições
financeiras, fundos de pensão, seguradoras e potenciais parceiros de
negócios) e para a sociedade em geral; e c) demonstrar à capacitação
gerencial da empresa na administração de questões ambientais, e
apresentar a forma como a mesma integra essas questões a sua estratégia
geral de longo prazo.
Portanto, a Contabilidade, entendida como meio de fornecer informações
deveria buscar responder a este novo desafio, atendendo aos usuários
interessados na atuação das empresas sobre o meio ambiente, subsidiando
o processo de tomada de decisão, além das obrigações com a sociedade no
que tange a responsabilidade social e a questão ambiental.
Verifica-se, portanto, que por meio da identificação, mensuração
divulgação das referidas informações, a Contabilidade, conforme Kraemer
(2002), pode contribuir muito com a sociedade e com o Governo, buscando
soluções para os problemas sociais, pois a Contabilidade, como meio de
fornecer informações, deve buscar responder a este novo desafio,
satisfazendo os usuários interessados na atuação das empresas sobre o
meio ambiente, devendo, ainda, contribuir para o sistema de gestão
ambiental.
8 – O BALANÇO PATRIMONIAL COM ÊNFASE AO MEIO AMBIENTE
A Contabilidade Ambiental passou a ter status de um novo ramo da ciência
contábil em fevereiro de 1998, com a finalização do “relatório
financeiro e contábil sobre o passivo e custos ambientais” pelo Grupo de
Trabalho Intergovernamental das Nações Unidas de especialistas em
padrões Internacionais de Contabilidade e Relatórios (ISAR – United
Nations Intergovernanmental Working Group of Experts on International
Standards of Accounting and Reporting).
Bergamin Jr (2000), diz que paralelo a este trabalho, o ISAR vem
coordenando esforços com o Comitê de práticas de Auditoria Internacional
(IAPC – International Audititing Practices Committee), no sentido de
formalizar um conjunto de padrões de auditoria voltado para a
verificação do desempenho ambiental relatado nas demonstrações contábeis.
A Contabilidade Ambiental tem o objetivo de registrar as transações da
empresa que impactam o meio ambiente e os seus efeitos na posição
econômica e financeira da empresa que reporta tais transações, devendo
assegurar, conforme o autor acima, que: a) os custos, ativos e passivos
ambientais estejam contabilizados de acordo com os princípios
fundamentais da contabilidade, e b) o desempenho ambiental tenha ampla
transparência de que os usuários da informação contábil necessitam.
O Balanço Ambiental tem por principal objetivo tornar pública, para fins
de avaliação de desempenho, toda e qualquer atitude das entidades, com
ou sem finalidade lucrativa, mensurável em moeda, que, a qualquer tempo,
possa influenciar ou vir a influenciar o meio ambiente, assegurando que
custos, ativos e passivos ambientais sejam reconhecidos a partir do
momento de sua identificação, em consonância com os Princípios
Fundamentais de Contabilidade – Resolução 750-93 do CFC.
Toda e qualquer atividade, desenvolvida ou em desenvolvimento, ocorrida
ou a incorrer, não importando se em maior ou menor relevância, desde
que, mensurável em moeda, que cause ou possa vir a causar qualquer tipo
de dano ao meio ambiente, bem como, toda e qualquer ação destinada a
amenizar e/ou extinguir tais danos, devendo ser registrada contabilmente
em contas contábeis específicas, na data de sua ocorrência, em
consonância com o disposto nos Princípios Fundamentais de Contabilidade
– Resolução 750-93 do CFC, mediante adoção dos seguintes procedimentos:
a) Os custos ambientais representam aplicação direta ou indireta no
sistema de gerenciamento ambiental do processo produtivo e em atividades
ecológicas da empresa.
b) Os ativos ambientais são todos os bens e direitos destinados ou
provenientes da atividade de gerenciamento ambiental, podendo estar em
forma de capital circulante ou capital fixo.
c) Os passivos ambientais, todos relacionados a financiamentos
específicos, contingências vinculadas ao meio ambiente, desde que
claramente definidas deverão se classificados no passivo circulante ou
realizável de longo prazo, em contas contábeis específicas.
Notas Explicativas Ambientais – deverão ser destacadas das demais notas
e conter as informações sobre critérios adotados com relação a: a)
avaliação dos estoques ambientais; b) formas de avaliação e depreciação,
inclusive taxas utilizadas no exercício; c) avaliação do ativo diferido,
destacando as bases utilizadas pela empresa para ativar os gastos
ambientais; d) dívidas relacionadas ao meio ambiente, informando,
inclusive, o critério contábil de apropriação; e) valor do lucro do
exercício destinado a sua utilização no meio ambiente.
De acordo com as Normas e Procedimentos de Auditoria NPA 11 Balanço e
Ecologia do IBRACON e na importância que representa a Ciência Contábil
e, conseqüentemente, as Demonstrações Contábeis, não somente para os
capitalistas da sociedade, mas também para toda uma comunidade, estamos
propondo que o Balanço patrimonial, inclusive as Notas Explicativas das
empresas, independentemente de serem elas públicas ou privadas, devem
ser publicados, doravante, com destaque para as questões ambientais,
cujo modelo proposto, transcrevemos abaixo.
ALANÇO
PATRIMONIAL
|
ATIVO
CIRCULANTE
Circulante
Financeiro
Caixa
e Bancos
Clientes
Estoques
Circulante
Ambiental
estoques
REALIZÁVEL
A LONGO PRAZO
Longo
Prazo Financeiro
Títulos
a Receber
Longo
prazo Ambiental
Estoques
PERMANENTE
Permanente
Financeiro
Investimentos
Financeiros
Ações
de outras Cias
Imobilizado
Financeiro
Máquinas
e Equipamentos
Veículos
e Acessórios
(-)
Depreciação Acumulada
Diferido
Financeiro
Despesas
de Exercícios Seguintes
Permanente
Ambiental
Imobilizado
Ambiental
Máquinas
e Equipamentos
Instalações
(-)
Depreciação Acumulada
Diferido
Ambiental
Despesas
de Exercícios Seguintes |
PASSIVO
CIRCULANTE
Circulante
Financeiro
Fornecedores
Títulos
a Pagar
Circulante
Ambiental
Fornecedores
Financiamentos
EXIGÍVEL
A LONGO PRAZO
Longo
Prazo Financeiro
Financiamentos
Longo
Prazo Ambiental
Financiamentos
PATRIMÔNIO
LÍQUIDO
Patrimônio
Líquido Financeiro
Capital
Social
Reservas
de Capital
Reservas
de Lucros
Lucros
(Prejuízos) Acumulados
Patrimônio
Líquido Ambiental
Reservas
p/ Preservação do Meio Ambiente |
9 – CONCLUSÃO
A incorporação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) no planejamento
estratégico das organizações visa à melhoria do desempenho ambientalista
das empresas, garantindo-lhes a sobrevivência nos dias atuais. O mercado
não mais aceita o descaso no tratamento dos recursos naturais; os
consumidores estão interessados em produtos limpos; a legislação
torna-se mais rígida, impondo sanções aos infratores, obrigando as
empresas a encarar com seriedade e responsabilidade a variável ambiental
em sua estratégia operacional.
A competitividade da empresa aumenta após a adequação à ISO 14001 pela
adoção de medidas visando melhores taxas de conversão de matérias-primas,
menores gastos com energias e com uma força de trabalho consciente,
capacitada e motivada.
Para a conquista e manutenção do certificado ISO 14001 são necessários
investimentos consideráveis em equipamentos, mão-de-obra especializada,
consultorias, dentre outros, que devem ser alvo de intenso controle
financeiro, com o objetivo de otimizar a utilização dos recursos
empregados.
Uma das formas encontradas para atender a este propósito é o uso da
contabilidade no Sistema de Gestão Ambiental. A Contabilidade Ambiental
possui potencial para auxiliar os gestores nesta tarefa. Ela pode ser
usada para demonstrar a responsabilidade ambiental da empresa, através
da utilização dos relatórios contábeis onde deverão ser evidenciados, de
forma transparente e fidedigna, os gastos com o controle ambiental.
A Contabilidade, importante ramo do conhecimento humano, ainda não tem
dado o destaque necessário e cabível ao tema meio ambiente, como já
ocorre em outras áreas. Porém, cabe destacar, que apesar de pequeno, em
relação aos demais assuntos tratados na área Contábil, há autores e
pesquisadores que vêm examinando as repercussões de impactos ambientais
nas organizações e de que forma elas estão geridas e controladas.
No Brasil, as organizações, principalmente as indústrias, por imposições
de normas legais vigentes, estão adotando cada vez mais processos de
controle e de gestão ambiental em suas atividades produtivas. O artigo
225 da Constituição Federal de 1988, as leis 6.803/80, 6.938/81 e
9.605/98 são exemplos marcantes de textos legais que determinam as
empresas a adotarem procedimentos voltados ao controle ambiental.
Maria Elisabeth Pereira Kraemer beth.kraemerarrobaterra.com.br
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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