A longevidade da empresa

Para compreender as organizações e entender o seu processo de evolução, é preciso refletir que viver mais é objetivo dos seres humanos e das organizações.

A longevidade dos seres humanos está relacionada a alguns fatores, tais como: clima mais frio, alimentação adequada, exercícios físicos e ao estilo de vida menos estressante. Os ucranianos, que são pastores, vivem em um clima frio, comem pouco sal e gordura, caminham muito e levam uma vida tranquila. São um dos povos com maior longevidade, chegam viver até 160 anos.

As causas do envelhecimento humano são várias. A gordura corporal é uma delas. Aos 75 anos, os indivíduos apresentam o dobro da gordura que tinham aos 25. A água presente no corpo diminui provocando a desidratação. O peso corporal e o peso dos órgãos sofrem alterações com a diminuição do número de células. O metabolismo muda em decorrência da diminuição do consumo de oxigênio. Diante dessas mudanças, a força muscular diminui.

Os cientistas e profissionais da saúde buscam formas de controlar as causas do envelhecimento humano. No entanto, afirmam que os hábitos, costumes e a cultura dos grupos são fundamentais para que se tenha vida longa.

De acordo com COLLINS e PORRAS(1995), algumas organizações vivem mais que outras e as empresas que passaram do patamar de boas para excelentes o fizeram pelo processo de transformação evolutiva, concluindo que o que torna as empresas realmente visionárias são algumas práticas comuns ao longo de suas histórias como: Dar as ferramentas, não ter soluções; Mais do que lucros, ter ideologia central; Preservar o núcleo/estimular o progresso; Metas audaciosas; Culturas de devoção; Testar de tudo e aplicar o que der certo; Gerentes treinados internamente; Nunca é suficiente (inovação permanente)

Conforme as pesquisas apresentadas por GEUS (1998), empresas longevas eram sensíveis ao seu ambiente; Empresas longevas eram coesas e dotadas de um forte senso de identidade; Empresas longevas eram tolerantes. Gerentes dos séculos XVII, XVIII e XIX já adotavam a descentralização; Empresas longevas eram conservadoras nas finanças (dinheiro em caixa: flexibilidade e independência de ação); A maioria das empresas longevas antecipava as necessidades de mudanças; As empresas longevas transformavam crises em novos negócios.

Para PRADO FILHO (2003),”uma organização é como um ser humano, se veste, se comunica e necessita ter um estilo. Precisa ter uma identidade.” Nessa perspectiva, elas constroem um nome, uma marca. Não passaram pela vida, fizeram e fazem a diferença. Esta diferença foi e é criada pelo seu principal capital, as pessoas porque as empresas longevas ou visionárias se constroem com base no potencial, na energia e na alma das pessoas. Seus pensamentos ou estratégias não seguem a lógica econômica pura e simples do mercado, suas visões não são de curto prazo. Elas seguem as suas ideologias, formam suas culturas próprias e estimulam o progresso desafiando as próprias condições sociais, políticas e econômicas do momento em que vivem. Por isso a resistência às macro-adversidades imprevisíveis não necessita ser absoluta.

O estabelecimento de uma visão consistente, capaz de resistir mais tempo do que outras empresas concorrentes, é na verdade estabelecer as bases para uma vida.

Nesta perspectiva é possivel explicar que num círculo virtuoso e de constante aprendizagem, “toda a organização tem um objetivo básico e fundamental que é a viabilidade (…) a empresa tem como seu propósito primordial para a existência sua própria existência, (…) a empresa luta para continuar viável e sobreviver.”(McGuire:1963, p. 167).

As organizações, assim como os seres vivos , buscam a vida, a longevidade e a melhoria continua. Percebe-se que em ambos os casos, os que possuem melhor capacidade adaptativa ao meio ambiente ou que conseguem dominá-lo vivem mais. A adaptação estratégica exige muito mais que instinto. Exige criatividade, inovação e flexibilidade. Elas criam seus aprendizados, são altamente adaptativas. Não diminuem a força muscular porque são inovadoras. Controlam a gordura e o peso corporal porque são flexíveis. Dominam o estresse porque são criativas. O conhecimento brota das fontes humanas, alimentadas de nutrientes de fora, de dentro e de dentre seu ambiente, de encontro às tendências degenerativas naturais. Todo o trabalho criativo é fruto do esforço coletivo e traz atrás de si uma bagagem de estudo dos antecessores. As pessoas são a alma da empresa.

Ao longo de seu ciclo de vida, como os organismos vivos, “as organizações quando jovens são bastante flexíveis, mas nem sempre são controláveis. À medida que as organizações envelhecem, essa relação se altera. A controlabilidade aumenta e a flexibilidade diminui. É a mesma diferença que há entre um bebê e uma pessoa mais velha. O bebê é bastante flexível e consegue até colocar o pé na boca, mas seus movimentos e o seu comportamento não são muito controláveis.À medida em que envelhecemos, acabamos eventualmente perdendo também o controle.”(Adizez, 1990, p 2)

Neste sentido, confirma CAVALCANTE (2003), a corporação é um organismo vivo, fértil e fertilizador. Que fala e ouve, ri e chora, sonha e se apaixona, cria e deduz, intui e interfere. O conhecimento não vale o quanto pesa, mas o quanto flui. E só flui se os vasos forem comunicantes e as cabeças pensantes integrarem um sistema e uma cultura organizacional que permitam o seu fluxo livre , o que significa descartar a intolerância e regras que abafem novas idéias. Cabe destaque à afirmativa de GEUS (1998) que “a tolerância deriva de uma estrutura de valores. Ela só pode existir numa empresa na qual as pessoas reconheçam o valor de criar espaço para a inovação”, espaço este que constitui-se num magma de significações, fonte de energia para ações ofensivas e defensivas numa contínua oxigenação e revitalização da empresa.

Referências bibliográficas

ADIZES, Ichak. Os ciclos de vida das organizações. São Paulo: Thoson Pioneira, 1990.

COLLINS, James C., PORRAS, Jerry I. Feitas para durar: práticas bem sucedidas de empresas visionárias. Rio de Janeiro : Rocco, 1995.

GEUS, Arie de. A empresa viva: como as organizações podem aprender a prosperar e se perpetuar. Rio de Janeiro : Campus, 1998.

McGUIRE, Joseph W. A empresa e a Sociedade. São Paulo:Graw-Hill Book Company, 1963.

MOREIRA, Bernardo L. Ciclo de Vida das Empresas. São Paulo: Editora STS, 1999.

RIBEIRO, C. R. M. A empresa imortal Rio de Janeiro : Vozes,1995.

CAVALCANTE. Elina Maria Borges. Longevidade: Uma questão de estratégia. Disponível em < http://www.redadultosmayores.com.ar> Acesso em 09.12.03.

PRADO FILHO, Hayrton Rodrigues. Estratégia imprescindível. Revista Banas Qualidade, n 132, maio/2003, p.3.

“toda a organização tem um objetivo básico e fundamental que é a viabilidade (…) a empresa tem como seu propósito primordial para a existência sua própria existência, (…) a empresa luta para continuar viável e sobreviver.”(McGuire:1963, p. 167)

Ao longo de seu ciclo de vida, como os organismos vivos, “as organizações quando jovens são bastante flexíveis, mas nem sempre são controláveis. À medida que as organizações envelhecem, essa relação se altera. A controlabilidade aumenta e a flexibilidade diminui. É a mesma diferença que há entre um bebê e uma pessoa mais velha. O bebê é bastante flexível e consegue até colocar o pé na boca, mas seus movimentos e o seu comportamento não são muito controláveis.À medida em que envelhecemos, acabamos eventualmente perdendo também o controle.”(Adizez, 1990, p. 2) O envelhecimento

Saúde da empresa uma mente coletiva ou organizacional,

caracterizando-a como entidade física e psicológica autônoma, dotada de necessidades, valores, comportamentos e objetivos, à semelhança dos indivíduos.

Hazle saber al autor que aprecias su trabajo

Tu opinión vale, comenta aquíOculta los comentarios

Comentarios

comentarios

Compártelo con tu mundo

Cita esta página
Guarda Canterle Nilsa María. (2004, febrero 14). A longevidade da empresa. Recuperado de https://www.gestiopolis.com/a-longevidade-da-empresa/
Guarda Canterle, Nilsa María. "A longevidade da empresa". GestioPolis. 14 febrero 2004. Web. <https://www.gestiopolis.com/a-longevidade-da-empresa/>.
Guarda Canterle, Nilsa María. "A longevidade da empresa". GestioPolis. febrero 14, 2004. Consultado el 26 de Abril de 2018. https://www.gestiopolis.com/a-longevidade-da-empresa/.
Guarda Canterle, Nilsa María. A longevidade da empresa [en línea]. <https://www.gestiopolis.com/a-longevidade-da-empresa/> [Citado el 26 de Abril de 2018].
Copiar
Imagen del encabezado cortesía de mescon en Flickr
DACJ