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A INCERTEZA DO INVESTIMENTO E AS EXPECTATIVAS DA CLASSE EMPRESARIAL NA TEORIA KEYNESIANA

Autor: Mario Gómez Olivares

Comercio internacional

02-2002

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Introdução

Com a definição da eficiência marginal do capital, Keynes demarca-se da visão estática da economia clássica, incorporando o futuro na avaliação do investimento. Keynes utiliza uma definição de investimento que realça a relação em termos de expectativas dos rendimentos prováveis e do conhecimento do preço de oferta corrente do bem capital. Deste modo distancia-se dos conceitos de produtividade marginal do capital e de taxa natural de juro. Iremos discutir aqui primeiro rigorosamente o conceito que Keynes utiliza e não o que geralmente e-lhe atribuído em termo de taxa de retorno, segundo, o modo como são introduzidas as expectativas no conceito de eficiência marginal do capital, terceiro, a diferencia entre risco e incerteza na determinação do investimento e por último o modo como os empresários avaliam a incerteza na determinação do investimento.
1. A eficiência marginal do capital

Keynes define a eficiência marginal do capital, como a relação entre o rendimento provável de um bem capital e o seu preço de oferta ou reposição, i. e. a relação entre o rendimento provável de mais uma unidade dessa classe de capital e o custo da respectiva produção. Calcula-se a taxa de rendimento que se espera obter do dinheiro inves­tido num bem apenas produzido e não dos rendimentos históricos que um bem tem rendido sobre o seu custo origi­nal[i].
Utilizando um raciocínio muito clássico, Keynes considera que, de acordo com o princípio dos rendimentos decrescentes, a eficiência marginal do capital virá a reduzir-se consoante o aumento do inves­timento. Em parte porque o rendimento provável irá baixar, se a sua oferta aumentar, e, em parte porque a pressão para produzir esse tipo de capital fará com que o seu preço de oferta seja maior.
No curto prazo, a influência do preço de oferta predomina sobre a diminuição dos rendimentos. Quanto maior o período a considerar, maior será a influência do segundo factor. Assim, para cada classe de capital pode traçar-se uma curva que mostra em que proporção terão de aumentar os investimen­tos durante esse período, de modo a que a eficiência marginal do capital baixe até à cifra envolvida:
“ Thus for each type of capital we can build up a schedule, showing by how much investment in it will have to increase within the period, in order that its marginal efficiency should fall to any given figure. We can aggregate these schedules for all the differ­ent types of capital, so as to provide a schedule relating the aggregate investment to the corresponding marginal efficiency of capital in general which the rate will estab­lish. We shall call this the investment demand-schedule; or, alternatively, the schedule of the marginal efficiency of capital”[ii].
 
Resultará evidente, que a taxa real de investimento corrente será puxada até o ponto em que a eficiência marginal do capital não exceda a taxa corrente de juros para as diferentes formas de capital. Sendo Qr o rendimento provável de um activo no tempo r, e d é o valor presente de uma unidade monetária ao prazo de t anos, descontada a taxa corrente de juro. O somatório Qtdt será o preço de procura do investimento, que será levado a ser igual ao preço de oferta de investimento. Se Qr dr for menor que o preço de oferta, não existirá investimento no bem de capital.
A inexactidão tradicional consiste em considerar a eficiência marginal do capital em termos do rendimento corrente do equipamento de produção, o que apenas seria correcto numa situação estática em que não existissem mudanças futuras que influenciassem o presente. A curva de eficiência marginal do capital é de fundamental importância, porque as expectativas do futuro influenciam o presente através deste factor, mais do que através da taxa de juro.
Se a eficiência marginal do capital fosse reduzida ao estatuto da taxa da juro, que é um fenómeno corrente, fechar-se-ia a possibilidade de consid­erar a influência do futuro na análise do equilíbrio pre­sente. A restituição dessa possibilidade faz-se considerando o modo como as expectativas do futuro afectam o presente, através dos preços da procura do equipamento duradouro:
“It is therefore, consonant with, and agreeable to, our broad principles of though, that expectations of the future should affect the present through the demand price for durable equipment”[iii].
 
Keynes clarifica, assim, que a decisão sobre a taxa de investimento depende da relação que existe entre a curva de eficiência marginal do capital e a taxa de juro correspondente a diversas escalas do investimento corrente. Como a eficiência marginal do capital mede a relação dos rendimentos esperados de um bem de capital actual com o preço de oferta ou reposição desse bem de capital, é necessário investigar mais profundamente os factores espera­dos futuros que modificam essa relação presente, i.e. os factores que influenciam as decisões dos empresários no sentido de ampliar ou reduzir a produção .
2. A eficiência marginal do capital e as expectativas dos empresários
 
A integração das expectativas é vital, como percepção por parte dos empresários sobre os acontecimentos futuros do funcionamento económico[iv]. Se considerarmos o efeito da expectativa de descida do custo previsto de um equi­pamento sobre a eficiência marginal do capital, sejam as expectativas produzidas por modificações no custo do trabalho, por modificações na unidade de salários, ou por efeito da evolução tecnológica, a produção resultante do equipamen­to actual terá que concorrer com a produção  obtida com um equipamento de menor custo, a qual poderá vender os bens mais baratos. Os lucros provenientes das vendas do equipamento novo e antigo reduzir-se-ão, se toda a produção se tornar mais barata, pelo que a eficiência marginal descerá:
“ (...) in so far as much development are foreseen as probable, or even as possible, the marginal efficiency of capital produced today is appropriately diminished”[v].
 
A expectativa de uma descida no preço do dinheiro estimula o investimento e, por consequência o preço do dinheiro influencia o nível do emprego, porque eleva a curva de eficiência marginal do capital, deslocando a curva de procura de investimentos à alta. Pelo contrário, uma subida no valor do dinheiro implica uma descida da curva de eficiência marginal do capital [vi].
A importância de tais alterações nas expectativas deriva dos efeitos que estas mutações provocam sobre o desejo de produzir novos bens. Um efeito estimulante de preços maiores nas expectativas, não é devido à diminuição da taxa de juros, mas sim ao facto de que se eleva a eficácia marginal de um volume dado de capital.
Se a taxa de juro se elevar pari passu à previsão de aumen­tos dos preços, não existirão efeitos estimulantes sobre a produção de novos bens de capital, porque o incentivo para a produção dependerá de um aumento da eficiência marginal do capital relativamente à taxa de juro, pelo que o efeito estimulante de expectativas de preços maiores apenas fará sentido se a eficiência marginal do capital aumentar, e não porque uma variação antecipada no valor do dinheiro modi­fique a taxa de juro monetária, pois nesse caso a taxa de juro subiria, mantendo a situação inalterada:
“If the rate of interest were to rise pari passu with the marginal efficiency of capital, there would be no stimulating effect from the expectations of rising prices”[vii].
 
A expectativa de uma descida da taxa de juro, pode fazer baixar a eficiência marginal do capital, se a produção resultante do equipamento actual for concorrer com o equipamento novo, o qual requer uma recompensa menor. Esta hipótese só será valida se a procura estiver a descer para esse tipo de bem.
É importante entender a dependência entre a eficiência marginal do capital de um volume determinado de capital e as expectativas, pois é essa dependência que faz com que a eficiência marginal do capital fique sujeita a certas flutuações violentas que explicam o ciclo económico, na medida em que o auge e a depressão podem ser descritos como flutuações da eficiência marginal do capital relativamente à taxa de juro[viii].
3. A eficiência marginal do capital e o risco
Dois tipos de riscos afectam o volume do investimento. O primeiro é o risco do empresário ou detentor efectivo do dinheiro, perante a possibilidade de obter realmente rendimentos prováveis esperados. O segundo tipo de risco, num sistema de crédito, é o risco do prestamista, pois se as expectativas do empresário não se verifi­cam quando pede dinheiro em empréstimo, este não cum­prirá as obrigações contraídas. Uma terceira causa, não mencionada como risco, mas que afecta o investimento, são as mudanças no padrão monetário, que faz dos empréstimos em dinheiro um risco adverso, dimi­nuindo a segurança, pela eventual depreciação dos activos reais, embora estas mudanças possam reflectir-se na alteração dos preços dos bens reais duradouros.
O primeiro dos riscos, como custo social real, diminui na média social, ou quando aumenta a exactidão das previsões e da informação. O segundo é uma adição ao custo do investimento, inexistente quando o prestamista e empresário coincidem. O risco duplica-se pois o empresário agrega ao tipo de juro, o suficiente para obter um rendimen­to mínimo provável, que o induzirá a investir. Este risco leva a aumentar a margem entre as expectativas relativamente aos rendimentos e a taxa de juro à qual se pretende contrair uma dívida. Por isso mesmo, as relações de força entre o empresário e o prestamista determinarão essa margem de segurança. A apreciação desse risco dependerá do nível da actividade económica.
4. As expectativas contraditórias dos investidores e produtores e o nível do emprego
 
As expectativas são o modo como os agentes económicos interrelacionam o presente com o futuro. Sendo a economia capitalista uma economia de mercado, em que a produção é intertemporal - não apenas porque a produção leva tempo, mas sobretudo porque o investimento em bens de capital reflecte necessidades futuras de consumo - as expec­tativas de todos os agentes, mas sobretudo de empresários e investidores, são de vital importância para o emprego.
Por outro lado, as expectativas são a forma como as previsões sobre o futuro incidem sobre as decisões dos agentes económicos; nesse sentido, as expectativas dependem do modo como as previsões sobre os negócios incidem sobre essas decisões e do modo como elas se realizam.
Mas as expectativas exercem uma influênca recíproca sobre as previsões não apenas objectivamente, pela qualidade da informação, mas também psicologicamente, pela relevância da informação. Como existem dois tipos de decisões básicas dos agentes encarregues do investimento, a decisão de produzir com um determinado equipamento e a decisão de adicionar equipamento ao existente, as expectativas serão de curto prazo, na medida em que influenciam a produção corrente, ou serão expectativas de longo prazo, que influenciam a produção futura, embora seja evidente que existem decisões na base de expectativas de longo prazo que levam a modificar as decisões de produzir no presente, pelo que a linha divisória entre os dois tipos de expectativas é difícil de traçar.
Um empresário que decida produzir um determinado bem ou ampliar a produção desse tipo de bem, deverá considerar não apenas os rendimentos presentes da utilização de um determi­nado equipamento, mas sobretudo os rendimentos futuros.
No presente, a produção de um bem deve considerar os custos de produção para uma determinada procura, tomando em conta várias escalas possíveis de produção, assim como o valor das vendas a realizar, e considerando a elasticidade da procura. As expectativas reflectem essas previsões na perspectiva de que a situação manter-se-á como dantes. Por isso o volume de produção e de emprego actual depende dessas expec­tativas. A realização da produção e das vendas originará um processo de revisão ou confirmação das expectativas que levará a novas previsões.
A formação das expectativas depende da efectivação da informação considerada relevante, pelo que a produção e o emprego serão influenciados subse­quentemente. As expectativas que levaram a comprar um deter­minado equipamento ou à formação de existências, podem não influenciar directamente a formação de novas expectativas sobre o volume de produção a realizar e não terão consequências sobre o emprego.Assim, Keynes acredita que:
“(...) on each and every occasion of such decision, the decision will be made, with reference indeed to this equipment and stock, but in the light of the current expectations of prospective costs and sale-proceeds”[ix].
 
 O que quer dizer que não será das expectativas actuais que resultará uma mudança no volume de emprego, mas será da mudança das expectativas de longo prazo que resultarão variações no emprego. Assim, as variações de expectati­vas de curto prazo não tornam as mudanças no emprego violen­tas ou rápidas, estas influenciam gradualmente a produção e o emprego. Assim se explica a lentidão das mudanças no volume de emprego, em situações de depressão ou de recuperação, pelo que, para cada estado das expectativas, existirá sempre um nível variável da produção e do emprego. No entanto:
“(...) a mere change in expectations is capable of producing an oscilla­tion of the same kind of shape as a cyclical movement, in the course of working itself out.. But the actual course of events is more complicated still. For the state of expecta­tion being superimposed long before the previous change has fully worked itself out”[x].
 
O nível do emprego depende, em cada momento e situação, não apenas do estado actual das expecta­tivas, mas também das expectativas passadas, na medida em que estas se reflectem na existência de um volume e qualidade do equipamento actual[xi]:
“(...) so that the economic machine is occupied at any given time with a number of overlapping activities, the existence of which is due to various past states of expectations”[xii].
 
O processo de formação das expectativas de curto prazo é gradual e contínuo, e a sua realização depende quase exclusivamente dos resultados obtidos. Alias, é sensato que os produtores determinem as suas decisões de produzir na base de expectativas de curto prazo, quando não se esperam grandes mudanças que alterem as previsões sobre os rendimentos futuros e sobre os custos dos factores, nem originem antecipações não esperadas.
Outro é o caso quando se trata de bens de equipa­mento, os quais serão produzidos, seja quando a procura aumen­ta, o que implica antecipar rendimentos maiores esperados, seja pelo aumento do rendimento por unidade de output, seja por aumento do emprego. Neste caso, as expectativas dos produtores baseiam-se nas expectativas de longo prazo dos investidores, as quais pela sua própria natureza não podem ser obtidas com a lucidez de um determinado resultado, para além de que as expectativas de longo prazo podem ser revistas imprevistamente[xiii].
Posto isto, há que considerar mais em detalhe o estado das expectativas de longo prazo, as quais são vitais numa economia monetária em que as decisões do produtor e do investidor são de natureza diversa e por vezes antinómica, sobretudo se os objec­tivos a alcançar forem diferentes e contraditórios.

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Mario Gómez Olivares

Departamento de Economia, Instituto Superior de Economia e Gestão, Universidade Técnica de Lisboa

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