A avaliação é parte integrante do processo ensino/aprendizagem e ganhou na atualidade espaço muito amplo nos processos de ensino. Requer preparo técnico e grande capacidade de observação dos profissionais envolvidos.
Segundo Perrenoud (1999), a avaliação da aprendizagem, no novo paradigma, é um processo mediador na construção do currículo e se encontra intimamente relacionada à gestão da aprendizagem dos alunos.
Na avaliação da aprendizagem, o professor não deve permitir que os resultados das provas periódicas, geralmente de caráter classificatório, sejam supervalorizados em detrimento de suas observações diárias, de caráter diagnóstico.
O professor, que trabalha numa dinâmica interativa, tem noção, ao
longo de todo o ano, da participação e produtividade de cada aluno. É
preciso deixar claro que a prova é somente uma formalidade do sistema
escolar. Como, em geral, a avaliação formal é datada e obrigatória,
deve-se ter inúmeros cuidados em sua elaboração e aplicação.
1 . INTRODUÇÃO
A avaliação, tal como concebida e vivenciada na maioria das escolas
brasileiras, tem se constituído no principal mecanismo de sustentação da
lógica de organização do trabalho escolar e, portanto, legitimador do
fracasso, ocupando mesmo o papel central nas relações que estabelecem
entre si os profissionais da educação, alunos e pais.
Os métodos de avaliação ocupam, sem duvida espaço relevante no conjunto das práticas pedagógicas aplicadas ao processo de ensino e aprendizagem. Avaliar, neste contexto, não se resume à mecânica do conceito formal e estatístico; não é simplesmente atribuir notas, obrigatórias à decisão de avanço ou retenção em determinadas disciplinas.
Para Oliveira (2003), devem representar as avaliações aqueles instrumentos imprescindíveis à verificação do aprendizado efetivamente realizado pelo aluno, ao mesmo tempo que forneçam subsídios ao trabalho docente,
direcionando o esforço empreendido no processo de ensino e aprendizagem de forma a contemplar a melhor abordagem pedagógica e o mais pertinente método didático adequado à disciplina
– mas não somente -, à medida que consideram, igualmente, o contexto
sócio-político no qual o grupo está inserido e as condições individuais
do aluno, sempre que possível.
A avaliação da aprendizagem possibilita a tomada de decisão e a melhoria
da qualidade de ensino, informando as ações em desenvolvimento e a
necessidade de regulações constantes.
2 . ORIGEM DA AVALIAÇÃO
Avaliar vem do latim a + valere, que significa atribuir valor e mérito
ao objeto em estudo. Portanto, avaliar é atribuir um juízo de valor
sobre a propriedade de um processo para a aferição da qualidade do seu
resultado,
porém, a compreensão do processo de avaliação do processo
ensino/aprendizagem tem sido pautada pela lógica da mensuração, isto é,
associa-se o ato de avaliar ao de “medir” os conhecimentos adquiridos
pelos alunos.
A avaliação tem sido estudada desde o início do século XX, porém,
segundo Caro apud Goldberg & Souza (1982), desde 1897 existem registros
dos relatos de J. M. Rice sobre uma pesquisa avaliativa utilizada para
estabelecer a relação entre o tempo de treinamento e o rendimento em
ortografia, revelando que uma grande ênfase em exercícios não levava
necessariamente a um melhor rendimento.
As duas primeiras décadas deste século, de acordo com Borba & Ferri
(1997), foram marcadas pelo desenvolvimento de testes padronizados para
medir as habilidades e aptidões dos alunos e influenciados,
principalmente nos Estados Unidos, pelos estudos de Robert Thorndike.
Nessa época, as pesquisas avaliativas voltavam-se particularmente para a
mensuração de mudanças do comportamento humano. Caro apud Goldberg &
Souza (1982) aponta várias destas pesquisas realizadas nos anos 20 para
medir efeitos de programas de diversas áreas sobre o comportamento das
pessoas.
Eram realizados experimentos relativos à produtividade e à moral dos
operários, à eficácia de programas de saúde pública, à influência de
programas experimentais universitários sobre a personalidade e atitudes
dos alunos, etc.
A avaliação da aprendizagem tem seus princípios e características no
campo da Psicologia, sendo que as duas primeiras décadas do século XX
foram marcadas pelo desenvolvimento de testes padronizados para medir as
habilidades e aptidões dos alunos.
A avaliação é uma operação descritiva e informativa nos meios que
emprega, formativa na intenção que lhe preside e independente face à
classificação. De âmbito mais vasto e conteúdo mais rico, a avaliação
constitui uma operação indispensável em qualquer sistema escolar.
Havendo sempre, no processo de ensino/aprendizagem, um caminho a seguir
entre um ponto de partida e um ponto de chegada, naturalmente que é
necessário verificar se o trajeto está a decorrer em direção à meta, se
alguns pararam por não saber o caminho ou por terem enveredado por um
desvio errado.
É essa informação, sobre o progresso de grupos e de cada um dos seus
membros, que a avaliação tenta recolher e que é necessária a professores
e alunos.
A avaliação descreve que conhecimentos, atitudes ou aptidões que os
alunos adquiriram, ou seja, que objetivos do ensino já atingiram num
determinado ponto de percurso e que dificuldades estão a revelar
relativamente a outros.
Esta informação é necessária ao professor para procurar meios e
estratégias que possam ajudar os alunos a resolver essas dificuldades e
é necessária aos alunos para se aperceberem delas (não podem os alunos
identificar claramente as suas próprias dificuldades num campo que
desconhecem) e tentarem ultrapassá-las com a ajuda do professor e com o
próprio esforço. Por isso, a avaliação tem uma intenção formativa.
A avaliação proporciona também o apoio a um processo a decorrer,
contribuindo para a obtenção de produtos ou resultados de aprendizagem.
As avaliações a que o professor procede enquadram-se em três grandes
tipos: avaliação diagnostica, formativa e somativa.
3 – EVOLUÇÃO DA AVALIAÇÃO
A partir do início do século XX, a avaliação vem atravessando pelo menos
quatro gerações, conforme Guba e Lincoln, apud Firme (1994). São elas:
mensuração, descritiva, julgamento e negociação.
3.1 – Mensuração – não distinguia avaliação e medida. Nessa fase, era
preocupação dos estudiosos a elaboração de instrumentos ou testes para
verificação do rendimento escolar. O papel do avaliador era, então,
eminentemente técnico e, neste sentido, testes e exames eram
indispensáveis na classificação de alunos para se determinar seu
progresso.
3.2 – Descritiva – essa geração surgiu em busca de melhor entendimento
do objetivo da avaliação. Conforme os estudiosos, a geração anterior só
oferecia informações sobre o aluno.
Precisavam ser obtidos dados em função dos objetivos por parte dos alunos envolvidos nos programas escolares, sendo necessário descrever o que seria sucesso ou dificuldade com relação aos objetivos estabelecidos.
Neste sentido o avaliador estava muito mais concentrado em descrever
padrões e critérios. Foi nessa fase que surgiu o termo “avaliação
educacional”.
3.3 – Julgamento – a terceira geração questionava os testes padronizados
e o reducionismo da noção simplista de avaliação como sinônimo de
medida; tinha como preocupação maior o julgamento.
Neste sentido, o avaliador assumiria o papel de juiz, incorporando, contudo, o que se havia preservado de fundamental das gerações anteriores, em termos de mensuração e descrição.
Assim, o julgamento passou a ser elemento crucial do processo
avaliativo, pois não só importava medir e descrever, era preciso julgar
sobre o conjunto de todas as dimensões do objeto, inclusive sobre os
próprios objetivos.
3.4 – Negociação – nesta geração, a avaliação é um processo interativo,
negociado, que se fundamenta num paradigma construtivista. Para Guba e
Lincoln apud Firme (1994) é uma forma responsiva de enfocar e um modo
construtivista de fazer.
A avaliação é responsiva porque, diferentemente das alternativas anteriores que partem inicialmente de variáveis, objetivos, tipos de decisão e outros, ela se situa e desenvolve a partir de preocupações,
proposições ou controvérsias em relação ao objetivo da avaliação, seja ele um programa, projeto, curso ou outro foco de atenção. Ela é construtivista em substituição ao modelo científico, que tem caracterizado, de um modo geral, as avaliações mais prestigiadas neste século.
Neste sentido, Souza (1993) diz que a finalidade da avaliação, de acordo com a quarta geração, é fornecer, sobre o processo pedagógico, informações que permitam aos agentes escolares decidir sobre as intervenções e redirecionamentos que se fizerem necessários em face do projeto educativo,
definido coletivamente, e comprometido com a garantia da
aprendizagem do aluno. Converte-se, então, em um instrumento referencial
e de apoio às definições de natureza pedagógica, administrativa e
estrutural, que se concretiza por meio de relações partilhadas e
cooperativas.
4 – FUNÇÕES DO PROCESSO AVALIATIVO
As funções da avaliação são: de diagnóstico, de verificação e de
apreciação.
4.1 – Função diagnóstica - A primeira abordagem, de acordo com Miras e
Solé (1996, p. 381), contemplada pela avaliação diagnóstica (ou
inicial), é a que proporciona informações acerca das capacidades do
aluno antes de iniciar um processo de ensino/aprendizagem, ou ainda,
segundo Bloom,
Hastings e Madaus (1975), busca a determinação da presença ou
ausência de habilidades e pré-requisitos, bem como a identificação das
causas de repetidas dificuldades na aprendizagem.
A avaliação diagnóstica pretende averiguar a posição do aluno face a
novas aprendizagens que lhe vão ser propostas e a aprendizagens
anteriores que servem de base àquelas, no sentido de obviar as
dificuldades futuras e, em certos casos, de resolver situações
presentes.
4.2 – Função formativa -
A segunda função á a avaliação formativa que, conforme Haydt (1995, p. 17), permite constatar se os alunos estão, de fato, atingindo os objetivos pretendidos, verificando a compatibilidade entre tais objetivos e os resultados efetivamente alcançados durante o desenvolvimento das atividades propostas.
Representa o principal meio através do qual o estudante passa a conhecer seus erros e acertos, assim, maior estímulo para um estudo sistemático dos conteúdos.
Outro aspecto destacado pela autora é o da orientação fornecida por este tipo de avaliação, tanto ao estudo do aluno como ao trabalho do professor, principalmente através de mecanismos de feedback.
Estes mecanismos permitem que o professor detecte e identifique deficiências na forma de ensinar, possibilitando reformulações no seu trabalho didático, visando aperfeiçoa-lo.
Para Bloom, Hastings e Madaus (1975), a avaliação formativa visa
informar o professor e o aluno sobre o rendimento da aprendizagem no
decorrer das atividades escolares e a localização das deficiências na
organização do ensino para possibilitar correção e recuperação.
A avaliação formativa pretende determinar a posição do aluno ao longo de
uma unidade de ensino, no sentido de identificar dificuldades e de lhes
dar solução.
4.3 – Função somativa – Tem como objetivo, segundo Miras e Solé (1996,
p. 378) determinar o grau de domínio do aluno em uma área de
aprendizagem, o que permite outorgar uma qualificação que, por sua vez,
pode ser utilizada como um sinal de credibilidade da aprendizagem
realizada.
Pode ser chamada também de função creditativa. Também tem o
propósito de classificar os alunos ao final de um período de
aprendizagem, de acordo com os níveis de aproveitamento.
A avaliação somativa pretende ajuizar do progresso realizado pelo aluno
no final de uma unidade de aprendizagem, no sentido de aferir resultados
já colhidos por avaliações do tipo formativa e obter indicadores que
permitem aperfeiçoar o processo de ensino. Corresponde a um balanço
final, a uma visão de conjunto relativamente a um todo sobre o qual, até
aí, só haviam sido feitos juízos parcelares.
5 – OBJETIVOS DA AVALIAÇÃO
Na visão de Miras e Solé (1996, p. 375), os objetivos da avaliação são
traçados em torno de duas possibilidades: emissão de “um juízo sobre uma
pessoa, um fenômeno, uma situação ou um objeto, em função de distintos
critérios”, e “obtenção de informações úteis para tomar alguma decisão”.
Para Nérici (1977), a avaliação é uma etapa de um procedimento maior que incluiria uma verificação prévia. A avaliação, para este autor, é o processo de ajuizamento, apreciação, julgamento ou valorização do que o educando revelou ter aprendido durante um período de estudo ou de desenvolvimento do processo ensino/aprendizagem.
Segundo Bloom, Hastings e Madaus (1975), a avaliação pode ser considerada como um método de adquirir e processar evidências necessárias para melhorar o ensino e a aprendizagem, incluindo uma grande variedade de evidências que vão além do exame usual de ‘papel e lápis’.
É ainda um auxílio para classificar os objetivos significativos e as
metas educacionais, um processo para determinar em que medida os alunos
estão se desenvolvendo dos modos desejados, um sistema de controle da
qualidade, pelo qual pode ser determinada etapa por etapa do processo
ensino/aprendizagem, a efetividade ou não do processo e, em caso
negativo, que mudança devem ser feitas para garantir sua efetividade.
6 – MODELO TRADICIONAL DE AVALIAÇÃO VERSUS MODELO MAIS ADEQUADO
Gadotti (1990) diz que a avaliação é essencial à educação, inerente e
indissociável enquanto concebida como problematização, questionamento,
reflexão, sobre a ação.
Entende-se que a avaliação não pode morrer. Ela se faz necessária para
que possamos refletir, questionar e transformar nossas ações.
O mito da avaliação é decorrente de sua caminhada histórica, sendo
que seus fantasmas ainda se apresentam como forma de controle e de
autoritarismo por diversas gerações. Acreditar em um processo avaliativo
mais eficaz é o mesmo que cumprir sua função didático-pedagógica de
auxiliar e melhorar o ensino/aprendizagem.
A forma como se avalia, segundo Luckesi (2002), é crucial para a
concretização do projeto educacional. É ela que sinaliza aos alunos o
que o professor e a escola valorizam. O autor, na tabela 1, traça uma
comparação entre a concepção tradicional de avaliação com uma mais
adequada a objetivos contemporâneos, relacionando-as com as implicações
de sua adoção.
Tabela 1 – Comparação entre a concepção tradicional de avaliação com uma
mais adequada
|
Modelo
tradicional de avaliação |
Modelo
adequado |
|
Foco na
promoção – o alvo dos alunos é a
promoção. Nas primeiras aulas, se discutem as regras e os modos
pelos quais as notas serão obtidas para a promoção de uma série
para outra.
Implicação
– as notas vão sendo observadas e registradas. Não importa como
elas foram obtidas, nem por qual processo o aluno passou. |
Foco na aprendizagem -
o alvo do aluno deve ser a aprendizagem e o que de proveitoso e
prazeroso dela obtém.
Implicação
- neste contexto, a avaliação deve ser um auxílio para se saber
quais objetivos foram atingidos, quais ainda faltam e quais as
interferências do professor que podem ajudar o aluno. |
|
Foco nas provas - são
utilizadas como objeto de pressão psicológica, sob pretexto de
serem um 'elemento motivador da aprendizagem', seguindo ainda a
sugestão de Comenius em sua Didática Magna criada no século
XVII. É comum ver professores utilizando ameaças como "Estudem!
Caso contrário, vocês poderão se dar mal no dia da prova!" ou
"Fiquem quietos! Prestem atenção! O dia da prova vem aí e vocês
verão o que vai acontecer..."
Implicação
- as provas são utilizadas como
um fator negativo de motivação. Os alunos estudam pela ameaça da
prova, não pelo que a aprendizagem pode lhes trazer de
proveitoso e prazeroso. Estimula o desenvolvimento da submissão
e de hábitos de comportamento físico tenso (estresse). |
Foco nas competências -
o desenvolvimento das competências previstas no projeto
educacional devem ser a meta em comum dos professores.
Implicação
- a avaliação deixa de ser somente um objeto de certificação da
consecução de objetivos, mas também se torna necessária como
instrumento de diagnóstico e acompanhamento do processo de
aprendizagem. Neste ponto, modelos que indicam passos para a
progressão na aprendizagem, como a Taxionomia dos Objetivos
Educacionais de Benjamin Bloom, auxiliam muito a prática da
avaliação e a orientação dos alunos. |
|
Os estabelecimentos de ensino estão centrados nos resultados das
provas e exames - eles se
preocupam com as notas que demonstram o quadro global dos
alunos, para a promoção ou reprovação.
Implicação
- o processo educativo permanece oculto. A leitura das médias
tende a ser ingênua (não se buscam os reais motivos para
discrepâncias em determinadas disciplinas). |
Estabelecimentos de ensino centrados na qualidade
- os estabelecimentos de ensino
devem preocupar-se com o presente e o futuro do aluno,
especialmente com relação à sua inclusão social (percepção do
mundo, criatividade, empregabilidade, interação, posicionamento,
criticidade).
Implicação
- o foco da escola passa a ser o resultado de seu ensino para o
aluno e não mais a média do aluno na escola. |
|
O sistema social se contenta com as notas -
as notas são suficientes para os quadros estatísticos.
Resultados dentro da normalidade são bem vistos, não importando
a qualidade e os parâmetros para sua obtenção (salvo nos casos
de exames como o ENEM que, de certa forma, avaliam e
"certificam" os diferentes grupos de práticas educacionais e
estabelecimentos de ensino).
Implicação
- não há garantia sobre a qualidade, somente os resultados
interessam, mas estes são relativos. Sistemas educacionais que
rompem com esse tipo de procedimento tornam-se incompatíveis com
os demais, são marginalizados e, por isso, automaticamente
pressionados a agir da forma tradicional. |
Sistema social preocupado com o futuro -
Implicação
- valorização da educação de resultados efetivos para o
indivíduo.
|
Adaptado de Luckesi (2002)
Mudando de paradigma, cria-se uma nova cultura avaliativa, implicando na
participação de todos os envolvidos no processo educativo. Isto é
corroborado por Benvenutti (2002), ao dizer que a avaliação deve estar
comprometida com a escola e esta deverá contribuir no processo de
construção do caráter, da consciência e da cidadania, passando pela
produção do conhecimento, fazendo com que o aluno compreenda o mundo em
que vive, para usufruir dele, mas sobretudo que esteja preparado para
transformá-lo.
7 - A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMO PROCESSO CONSTRUTIVO DE UM NOVO
FAZER
O processo de conquista do conhecimento pelo aluno ainda não está
refletido na avaliação. Para Wachowicz & Romanowski (2002), embora
historicamente a questão tenha evoluído muito, pois trabalha a
realidade, a prática mais comum na maioria das instituições de ensino
ainda é um registro em forma de nota, procedimento este que não tem as
condições necessárias para revelar o processo de aprendizagem,
tratando-se apenas de uma contabilização dos resultados.
Quando se registra, em forma de nota, o resultado obtido pelo aluno,
fragmenta-se o processo de avaliação e introduz-se uma burocratização
que leva à perda do sentido do processo e da dinâmica da aprendizagem.
Se a avaliação tem sido reconhecida como uma função diretiva, ou seja,
tem a capacidade de estabelecer a direção do processo de aprendizagem,
oriunda esta capacidade de sua característica pragmática, a fragmentação
e a burocratização acima mencionadas levam à perda da dinamicidade do
processo.
Os dados registrados são formais e não representam a realidade da
aprendizagem, embora apresentem conseqüências importantes para a vida
pessoal dos alunos, para a organização da instituição escolar e para a
profissionalização do professor.
Uma descrição da avaliação e da aprendizagem poderia revelar todos os
fatos que aconteceram na sala de aula. Se fosse instituída, a descrição
(e não a prescrição) seria uma fonte de dados da realidade, desde que
não houvesse uma vinculação prescrita com os resultados.
A isenção advinda da necessidade de analisar a aprendizagem (e não julgá-la) levaria o professor e os alunos a constatarem o que realmente ocorreu durante o processo: se o professor e os alunos tivessem espaço para revelar os fatos tais como eles realmente ocorreram, a avaliação seria real, principalmente discutida coletivamente.
No entanto, a prática das instituições não encontrou uma forma de agir que tornasse possível essa isenção: as prescrições suplantam as descrições e os pré-julgamentos impedem as observações.
A conseqüência mais grave é que essa arrogância não permite o
aperfeiçoamento do processo de ensino e aprendizagem. E este é o grande
dilema da avaliação da aprendizagem.
O entendimento da avaliação, como sendo a medida dos ganhos da
aprendizagem pelo aluno, vem sofrendo denúncias há décadas, desde que as
teorias da educação escolar recolocaram a questão no âmbito da cognição.
Pretende-se uma mudança da avaliação de resultados para uma avaliação
de processo, indicando a possibilidade de realizar-se na prática pela
descrição e não pela prescrição da aprendizagem.
8 - CONCLUSÃO
A avaliação é a parte mais importante de todo o processo de
ensino-aprendizagem. Bevenutti (2002) diz que avaliar é mediar o
processo ensino/aprendizagem, é oferecer recuperação imediata, é
promover cada ser humano, é vibrar junto a cada aluno em seus lentos ou
rápidos progressos.
Enquanto a avaliação permanecer presa a uma pedagogia ultrapassada, a
mesma autora diz que a evasão permanecerá, e o educando, o cidadão, o
povo continuará escravo de uma minoria, que se considera a elite
intelectual, voltada para os valores da matéria ditadora, fruto de uma
democracia mascarada e opressora.
Acreditamos que o grande desafio para construir novos caminhos,
segundo Ramos (2001), é uma avaliação com critérios de entendimento
reflexivo, conectado, compartilhado e autonomizador no processo
ensino/aprendizagem. Desta forma, estaremos formando cidadãos
conscientes, críticos, criativos, solidários e autônomos.
Os novos paradigmas em educação devem contemplar o qualitativo,
descobrindo a essência e a totalidade do processo educativo,
pois esta sociedade reserva às instituições escolares o poder de conferir notas e certificados que supostamente atestam o conhecimento ou capacidade do indivíduo, o que torna imensa a responsabilidade de quem avalia.
Pensando a avaliação como aprovação ou reprovação, a nota torna-se
um fim em si mesma, ficando distanciada e sem relação com as situações
de aprendizagem.
Mudar a nossa concepção se faz urgente e necessário. Basta romper com
padrões estabelecidos pela própria história de uma sociedade elitista e
desigual.
Neste sentido, Perrenoud (1993) afirma que mudar a avaliação
significa provavelmente mudar a escola. Automaticamente, mudar a prática
da avaliação nos leva a alterar práticas habituais, criando inseguranças
e angústias e este é um obstáculo que não pode ser negado pois envolverá
toda a comunidade escolar.
Se as nossas metas são educação e transformação, não nos resta outra
alternativa senão juntos pensar uma nova forma de avaliação. Romper
paradigmas, mudar nossa concepção, mudar a prática, é construir uma nova
escola.