1 – INTRODUÇÃO
Devido à crescente responsabilidade social que devem assumir as
entidades econômicas, surge a necessidade de elaborar e apresentar
informação sobre as atividades relacionadas com essa responsabilidade.
Este volume de informações agrupa aspectos do tipo social, ético,
ambiental ou ecológico, e ainda tem recebido diversas denominações como
“Contabilidade Social”.
A contabilidade social não só busca medir resultados no processo
monetário, mas também toma o recurso humano desde a ótica humana vendo-o
como um ser que sente e que tem necessidades a satisfazer.
A contabilidade social aparece como uma necessidade da empresa de contar
com informação pertinente para tomar decisões inteligentes com relação à
gestão social, medindo o impacto da entidade na sociedade.
Cada um dos tipos de informação que compõem esta contabilidade tem
registrado outras ramificações da mesma, entre as quais se destacam a
Contabilidade Ambiental, a Contabilidade dos Recursos Humanos e a
Informação de Caráter Ético.
2 – EMPRESA E SOCIEDADE: A RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA
Na sociedade de mercado, a empresa é a unidade básica de organização
econômica. As empresas são o motor central do desenvolvimento econômico
e devem ser, também, um motor vital do desenvolvimento sustentável. Para
isto, é imprescindível que elas definam adequadamente sua relação com a
sociedade e com o meio ambiente.
O conceito que melhor define essa relação é o de Responsabilidade Social
Corporativa – Corporate Social Responsability (CSR) – definido pela
World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) como: “a
decisão da empresa de contribuir ao desenvolvimento sustentável,
trabalhando com seus empregados, suas famílias e a comunidade local,
assim como com a sociedade em seu conjunto, para melhorar sua qualidade
de vida”. A responsabilidade social faz com que a “empresa sustentável”
se converta em peça chave na arquitetura do desenvolvimento sustentável.
As empresas hoje são agentes transformadores, que exercem uma influência
muito grande sobre os recursos humanos, a sociedade e o meio ambiente.
Neste sentido, vários projetos são criados, atingindo principalmente os
seus funcionários e em algumas vezes seus dependentes e o público
externo, contemplando a comunidade a sua volta ou a sociedade como um
todo. O grande problema é que não se realiza um gerenciamento correto a
fim de saber qual o retorno para a empresa.
Posto isto, várias normas, diretrizes e padrões foram criados, como a
Norma AA 1000, a SA 8000 e a GRI, contribuindo para criar um modelo de
visão sobre as práticas de responsabilidade social e empresarial e sua
gestão de desempenho. No Brasil, temos o Instituto Ethos, que é uma
iniciativa de padronização, além de apresentar o modelo do Balanço
Social proposto pelo IBASE.
Na União Européia, temos o Livro Verde que divide as áreas de conteúdo
da Responsabilidade Social Corporativa em dois grandes blocos, sendo que
o primeiro é relativo a aspectos internos e o segundo a aspectos
externos.
Na dimensão interna, ao nível da empresa, as práticas socialmente
responsáveis implicam, fundamentalmente, os trabalhadores e prendem-se
em questões como o investimento no capital humano, na saúde, na
segurança e na gestão da mudança, enquanto as práticas ambientalmente
responsáveis se relacionam sobretudo com a gestão dos recursos naturais
explorados no processo de produção. Estes aspectos possibilitam a gestão
da mudança e a conciliação do desenvolvimento social com uma
competitividade reforçada.
Quanto à dimensão externa, a responsabilidade social de uma empresa
ultrapassa a esfera da própria empresa e estende-se à comunidade local,
envolvendo, para além dos trabalhadores e acionistas, um vasto espectro
de outras partes interessadas: parceiros comerciais e fornecedores,
clientes, autoridades públicas e ONG que exercem a sua atividade junto
das comunidades locais ou no domínio do ambiente, conforme mostra a
figura 1.

Figura 1 – Dimensões da Responsabilidade Social
Fonte: Mendonça (2002).
2.1 – NORMA AA1000 - desenvolvida pelo Instituto de Responsabilidade
Social e Ética – ISEA, foi criada para assistir organizações na
definição de objetivos e metas, na medição do progresso em relação a
estas metas, na auditoria e relato da performance e no estabelecimento
de mecanismos de feedback. Compreendem princípios e normas de processo.
Os estágios das normas de processo são: planejamento; responsabilidade;
auditoria e relato; integração de sistemas; comprometimento dos
stakeholders.
As normas de processo da AA1000 associam a definição e a integração de
sistemas dos valores da organização com o desenvolvimento das metas de
desempenho e com a avaliação e comunicação do desempenho organizacional.
Por este processo, focalizado no comprometimento da organização para os
stakeholders, a AA1000 vincula as questões sociais e éticas à gestão
estratégica e às operações da organização.
Em 2002, o ISEA realizou uma fase de consulta a stakeholders e fez uma
revisão da norma, apresentando novos elementos, e esta norma foi
denominada de AA 1000S. É um padrão básico de responsabilidade para
melhorar a qualidade do processo de contabilidade, auditoria e relato.
Não é um padrão certificável e sim um instrumento verificável de mudança
organizacional, derivado da melhoria contínua, e de aprendizagem e
inovação para ”servir de modelo do processo a seguir na elaboração;
proporcionar mais qualidade a outros padrões específicos e complemento a
outras iniciativas”.
2.2 – NORMA SA 8000 – ou Social Accountability é o primeiro padrão de
certificação social que busca garantir os direitos básicos dos
trabalhadores. Quem credencia as organizações qualificadas para
verificar a conformidade é a Social Accountability International – SAI.
A SA 8000 constitui um instrumento de informação extremamente importante
para o consumidor globalizado, pois, atualmente, os fatores
determinantes da sua escolha vão além de preço e qualidade. As pessoas
necessitam saber como o produto ou serviço que estão adquirindo foi
produzido, repudiando imediatamente aqueles que agregam procedimentos
como, por exemplo, o trabalho infantil. Além de proteger sua reputação e
a integridade de suas marcas, a SA 8000 possibilita às companhias de
todo o mundo externarem seus valores éticos e seu grau de envolvimento
social, aspectos fundamentais frente a um consumidor-cidadão cada vez
mais participante e vigilante. O quadro 1 mostra alguns dos principais
pontos apresentados pela norma SA 8000.
Quadro 1 – Principais pontos da Norma SA 8000
|
Trabalho
Infantil |
É
proibida a contratação de crianças de 15 anos ou menos. Se
existirem funcionários nessa faixa etária, eles não poderão ser
demitidos. Nesse caso, é de responsabilidade da empresa assegurar
sua educação. |
|
Liberdade
de associação e direito à negociação coletiva |
Protege
o direito dos trabalhadores de formar sindicatos e afiliar-se a
grupos organizados |
|
Discriminação |
Proíbe
a discriminação baseada na cor, nacionalidade, religião, deficiência
física, sexo, orientação sexual, afiliação a sindicato ou
partido político. |
|
Horário
de trabalho |
A
jornada normal deverá ser de 44 horas semanais. As horas extras
devem ser voluntárias e ter caráter temporário, não devendo
exceder 12 horas semanais. |
|
Práticas
disciplinares |
Proíbe
punição física, coerção e abuso verbal no uso da disciplina. A
empresa também deve impedir comportamentos, como gestos, linguagem
e contato físico, que sejam sexualmente coercitivos, ameaçadores,
abusivos ou exploratórios. |
|
Comunicação |
A
política de responsabilidade social deve ser documentada,
implementada e comunicada a todos os funcionários. |
Fonte: Revista Exame - Guia de boa cidadania corporativa (2001)
2.3 – GRI - GLOBAL REPORTING INITIATIVE (Iniciativa Global para
apresentação de relatórios) - é um acordo internacional, criado com uma
visão de longo prazo, multi-stakeholder, cuja missão é elaborar e
difundir as diretrizes para organização de relatórios de
sustentabilidade aplicáveis globalmente e voluntariamente, pelas
organizações CERES -
Centre for Education and Research in Environmental (Centro para Educação e Pesquisa Ambiental), SIGMA - Support for Improvement in Governance and Management in Central and Eastern European Countries (Apoio à melhoria governamental e gerencial de países da Europa Central e Ocidental), ISO - International Organization for Standardization (Organização Internacional para padronização), ECCSR - Eastern Caribbean Securities Registry (Registro de Seguridades do Leste Caribiano), IRRC - Investor Responsibility Research Center (Centro de Pesquisa de Responsabilidade do Investidor), WEF -
Water Environment Federation (Federação dos Ambientes Aquáticos ou Marinhos),AA 1000 - A standard for ethical performance. Accountability (Padrão de desempenho ético).
SA 8000 Social Accountability 8000 Responsabilità Sociale 8000 – Responsabilidade Social ou Contabilidade Social, que desejam dar informação sobre os aspectos econômicos, ambientais e sociais das suas atividades, produtos e serviços, conforme figura 2.

Figura 2 – Organizações ligadas ao GRI
Fonte: Fundació Fórum Ambiental (1999).
O GRI não oferece nenhum modelo de Balanço Social. O que propõe baseia-se
no conceito de sustentabilidade. Busca transformar a elaboração destes
relatórios sobre sustentabilidade uma rotina e conferir-lhes
credibilidade como as demonstrações financeiras em termos de
comparabilidade, rigor e verificabilidade.
Os indicadores para a elaboração dos relatórios abordam os três
elementos inter-relacionados da sustentabilidade, tal como se aplicam a
uma organização, como segue no quadro 2.
Quadro 2 – Elementos e indicadores
|
Econômico |
Inclui,
por exemplo, os gastos e benefícios, produtividade no trabalho,
criação de emprego, despesas em serviços externos, despesas em
investigação e desenvolvimento, investimentos em educação e
outras formas de capital humano. O aspecto econômico inclui, embora
não se limite só a ele, a informação financeira e respectivas
declarações. |
|
Ambiental |
Inclui,
por exemplo, impacto dos processos, produtos, serviços no ar, água,
solo, biodiversidade e saúde humana. |
|
Social |
Inclui,
por exemplo, o tratamento que se dá aos grupos minoritários e às
mulheres, o trabalho feito em favor dos menores, a saúde e segurança
ocupacionais, estabilidade do empregado, direitos laborais, direitos
humanos, salários e condições de trabalho nas relações
externas. |
Fonte:http://www.globalreporting.org
3 – CONTABILIDADE SOCIAL MEDINDO A RESPONSABILIDADE SOCIAL
Grande é a responsabilidade social da informação contábil em face da
sociedade humana. Existem, todavia, segundo Sá (2001), diversas
utilidades da informação e algumas são de tal maneira específicas que a
forma de conceituá-las nem sempre tem sido a melhor. Ele entende que, na
área do inadequado conceitualmente, esteja, ainda, a denominação
Contabilidade Social.
Para que a Contabilidade Social consiga sua efetivação e êxito, é
preciso que a organização adote, uma gestão participativa, envolvente e
comprometida com todas as camadas que formam o sistema social e
organizacional.
A Contabilidade Social é responsabilidade de todos e parte fundamental
na companhia, e pode ser ramificada em Contabilidade Ambiental, a
Contabilidade de Recursos Humanos e a Informação de caráter ético.
As definições de Contabilidade Social se dividem basicamente em: temas e
objeto de tratamento, âmbito econômico que a utiliza e a continuação do
conceito de alguns experts no tema. O quadro 3 traz algumas definições
mais relevantes.
Quadro 3 – Definições mais relevantes segundo alguns organismos ou
autores.
|
Autor/Organismo |
Definição |
|
American
Accounting Association |
A
contabilidade é uma ciência que mede e interpreta as atividades e
fenômenos que são de natureza econômica e social essencialmente. |
|
Seidler
e Seidler |
Modificação
e aplicação das práticas, técnicas e disciplinas da
contabilidade convencional a análises e solução dos problemas de
natureza social. |
|
Ramanathan |
Processo
de seleção de variáveis de acordo com os comportamentos sociais
observados na empresa e sua evolução. |
|
Gray,
Owen e Maunders |
A
contabilidade social pode ter dois sentidos:
a)
Custos e benefícios do impacto de comportamento da empresa;
b)
Apresentação periódica de um informe social da entidade. |
|
Mathews
e Perera |
Propõe
ampliar os objetivos da contabilidade tradicional e estendê-los a
empregados, produtos e comunidades e prevenção da contaminação
ou sua redução. |
Fonte: Llena (2001)
Mathews e Perera apud Llena (2001) classificaram a Contabilidade Social
no seguinte:
3.1 – Contabilidade da Responsabilidade Social (CRS)
Publicação ad hoc e de caráter voluntário de informação qualitativa e
quantitativa, econômica e não econômica relativa à atividade de uma
empresa privada, incluindo informes sobre os trabalhadores e avaliação
dos recursos humanos.
O propósito da CRC consiste em tornar públicas questões concretas das
empresas do setor privado que produzem um impacto social a curto prazo.
Põe à disposição, de todas as partes integrantes da sociedade informação
relevante acerca dos objetivos políticos, programas, atuação e
contribuição dos objetivos sociais da empresa. Pode utilizar-se com o
fim de melhorar a imagem da empresa e inclusive a tabulação dos gastos
destinados a melhorar o bem-estar de seus trabalhadores ou a segurança
pública de seus produtos ou do meio ambiente.
Este tipo de informação social tem caráter voluntário, não regulamentado,
não sujeito a auditorias e, portanto, carece de uniformidade.
3.2 – Contabilidade do Impacto Total (CIT)
Efeito combinado total da organização sobre o entorno. É necessário
avaliar os aspectos externos, tanto positivos como negativos. Muitas
vezes se denomina análise de custos-benefício. O propósito da CIT
consiste em avaliar os custos totais a médio e longo prazos (tanto
custos públicos como privados) do funcionamento de uma organização do
setor privado.
Os custos privados são custos internos cobertos pela empresa, enquanto
os públicos são custos externos, favorecidos pela comunidade em sua
totalidade.
3.3 – Contabilidade Sócio-Econômica (CSE)
Consiste num micro enfoque do processo de avaliação de atividades
realizadas com fundos públicos, utilizando índices tanto econômicos como
não econômicos.
O propósito da CSE objetiva promover a avaliação a curto e médio prazos
de projetos de financiamento público.
3.4 – Contabilidade de Indicadores Sociais (CIS)
Utilizada na avaliação de macro-acontecimentos sociais, em termos de
definição de objetivos e avaliação do grau em que estes têm sido
alcançados.
Esta avaliação é de grande interesse para os políticos nacionais. O
propósito da CIS é promover uns índices de medição não econômicos a
longo prazo para as estatísticas sociais do setor público.
4 – RAMIFICAÇÕES DA CONTABILIDADE SOCIAL
4.1 – Contabilidade Ambiental
É uma das ramificações da Contabilidade Social de maior relevância na
atualidade.
A preocupação mundial em torno do meio ambiente caminha para um consenso
em torno da adesão a um novo estilo de desenvolvimento que deve combinar
eficiência econômica com justiça social e prudência ecológica. A
combinação desses elementos somente será possível se houver um esforço
conjunto de todos com objetivo de atingir o bem-estar geral no futuro.
De acordo com Llena (2001), isto tem gerado uma demanda por parte da
sociedade para que as empresas incorporem em sua gestão o objetivo de
preservação do entorno social e ambiental. Para isto, é preciso que as
entidades integrem a variável ambiental em sua gestão, através do
estabelecimento de sistemas de gestão ambiental e políticas ambientais.
Os contadores têm um papel fundamental nesta perspectiva, uma vez que
depende desses profissionais elaborar um modelo adequado para esta
entidade, incentivar as empresas a implementarem gestões ambientais que
possam gerar dados apresentáveis contabilmente, nos balanços sociais,
além de criar sistemas e métodos de mensuração dos elementos e de
mostrar ao empresário as vantagens dessas ações.
Para Sá (2001), as exigências sociais e ambientais, aquelas do mercado,
a luta imperialista, a velocidade extrema das comunicações, o progresso
espantoso no processo da informação, as aplicações científicas cada vez
mais ousadas em quase todos os ramos do saber humano, foram os fatores
que inspiraram as modificações conceituais, também em Contabilidade.
Gray (2003) diz que a primeira tarefa da Contabilidade Ambiental é
compreender melhor este processo e os processos sociais relacionados. A
segunda é buscar formas através das quais a Contabilidade possa ser
ajustada dentro da atual ortodoxia, visando encorajar uma maior
interação social e ambiental benigna.
Diante disto, a Contabilidade Ambiental é o processo que facilita as
decisões relativas à atuação ambiental da empresa, a partir da seleção
de indicadores e análises de dados, da avaliação destas informações com
relação aos critérios de atuação ambiental, da comunicação e da revisão
e melhora periódica de tais procedimentos.
As inovações trazidas pela Contabilidade Ambiental estão associadas a
pelo menos três temas:
® a definição do custo ambiental;
® a forma de mensuração do passivo ambiental, com destaque para o
decorrente de ativos de vida longa, e;
® a utilização intensiva de notas explicativas abrangentes e o uso de
indicadores de desempenho ambiental, padronizados no processo de
fornecimento de informações ao público.
Junto a essas variáveis, se encontra ainda o respeito ao meio ambiente,
cuja incidência econômica, sócio-jurídica e cultural está fora de toda
dúvida e cujo impacto deve ser reconhecido na Contabilidade.
A Contabilidade não vai resolver os problemas ambientais, mas face à sua
capacidade de fornecer informações, pode alertar os vários atores
sociais para a gravidade do problema vivenciado, ajudando, desta forma,
na procura de soluções.
4.1.1 - Finalidade e destinatário da Contabilidade Ambiental
Existem três motivos básicos para a empresa adotar uma Contabilidade
Ambiental:
Razão de gestão interna – Está relacionada com uma ativa gestão
ambiental e seu controle.
Exigências legais – A crescente exigência legal e normativa pode obrigar
os diretores a controlar mais seus riscos ambientais, sob pena de
multas.
Demanda dos partícipes – A empresa está submetida cada vez mais a
pressões internas e externas. Essas demandas podem ser dos empregados,
acionistas, administração pública, clientes, bancos, investidores,
organizações ecológicas, seguradoras e comunidade local.
Convém especificamente saber por que a empresa quer um sistema de
Contabilidade Ambiental. Em outras palavras, que resultados espera obter
com isto. É importante conhecer quais são os objetivos:
® saber se a empresa cumpre ou não com a legislação ambiental vigente;
® ajudar a direção em seu processo de tomada de decisões e na fixação de
uma política e nos objetivos de gestão ambiental;
® comprovar a evolução da atuação ambiental da empresa através do tempo
e identificar as tendências que se observam;
® detectar as áreas da empresa que necessitam especial atenção (áreas
críticas) e os aspectos ambientais significativos;
® no caso de empresas com uma política ambiental já estabelecida:
conhecer se tem cumprido com os objetivos ambientais fixados pela
companhia;
® identificar oportunidades para uma melhor gestão dos aspectos
ambientais;
® identificar oportunidades estratégicas: como a empresa pode obter
vantagens competitivas graças a melhoras concretas na gestão ambiental:
quais são as melhoras que dão valor à companhia.
® obter informação específica para fazer frente à solicitação dos
partícipes concretos.
Os partícipes (conforme figura 3) podem ser: diretores, empregados,
acionistas, comunidade local, administração pública, clientes,
fornecedores, investidores, bancos e entidades financeiras, seguradoras,
organizações ecológicas, universidades e centros de pesquisas. Seus
interesses estão descritos no quadro 4.

Fonte: Fenech (2002)
Figura 3 – Partícipes envolvidos na responsabilidade social e ambiental
Quadro 4 - Interesses específicos de cada partícipe
|
PARTÍCIPE |
PRINCIPAIS
INTERESSES |
|
1
– Trabalhadores |
Garantia
de emprego. Salários. Orgulho e sentimento de dignidade. Saúde e
segurança no lugar no trabalho. |
|
2
– Comunidade local |
Riscos
de saúde. Ruídos. Odores. Resíduos
expelidos no solo, água e ar. Conhecimento da atividade da empresa.
Riscos de acidente. |
|
3
– Clientes e fornecedores |
Qualidade
dos produtos. Preços. Segurança nos produtos. Garantia nos
produtos. |
|
4
– Administração pública |
Cumprimento
da legislação. Acidentes e denúncias. Consumo de recursos. Evidência
de que a empresa cumpre seus compromissos ambientais. |
|
5
– Entidades financeiras, investidores e acionistas |
Resultados
financeiros. Informações sobre responsabilidade ou obrigações
legais e respeito a terceiros. Custos ambientais e sua gestão.
Investidores ambientais. Vantagens comerciais relacionadas com a
gestão ambiental. Custo do não cumprimento legal. |
|
6
– Organizações ecológicas |
Informação
ambiental no âmbito local. Impacto nos ecossistemas. Impactos
ambientais do produto ou serviço. |
Fonte:
Fundació Fórum Ambiental (1999).
4.2 – Contabilidade dos Recursos Humanos
O conceito de contabilidade de recursos humanos como o processo de
identificar e de medir dados sobre os mesmos, foi enriquecido pela
contribuição de acadêmicos e de especialistas, a partir de 1973.
Foi elaborado em 1996, o trabalho acadêmico do professor João Eduardo
Prudêncio Tinoco, que é uma tese de doutorado do Departamento de
Contabilidade e Atuaria da Faculdade de Economia, Administração e
Contabilidade da Universidade de São Paulo – FEA – USP com o título de:
“Contribuição ao Estudo da Contabilidade Estratégica de Recursos
Humanos”. Este trabalho é pioneiro na área e está sendo muito usado como
fonte de pesquisa, pois é considerado um excelente estudo da
contabilidade dos recursos humanos.
Gupta (1994) diz que embora houvesse teoristas adiantadas da
contabilidade como (Paton, 1922, Scott, 1925) que reconheceram os
recursos humanos como um recurso e comentados que “em um negócio um
pessoal bem-organizado e leal pode ser’ um recurso mais importante’do
que um estoque de mercadoria” (Paton, 1922), o fato remanesce,
entretanto, que era Likert (1967) que usou primeiramente o termo
“contabilidade de recurso humana” (um termo desde substituído pela
“contabilidade de recurso humano”) ao logicamente demonstrar a fraqueza
da estrutura tradicional da contabilidade não trazendo os recursos
humanos dentro do seu contexto.
Desde então, um número de investigadores tentou enriquecer o pensamento
construindo modelos para atribuir figuras do custo ou do valor aos
recursos humanos e estabelecendo a utilidade de dados da contabilidade
de recursos humanos para várias situações na tomada de decisão.
O conceito da contabilidade de recurso humano segundo Rao (1993), pode
basicamente ser examinado de duas dimensões: (i) o investimento em
recursos humanos; e (ii) o valor de recursos humanos A despesa incorrida
criando, aumentando e atualizando a qualidade do recurso humano é um
investimento em recursos humanos. Tal investimento traz resultados
lucrativos como uma produtividade mais elevada e uma renda também mais
elevada à organização. O rendimento que o investimento em recurso humano
gera será considerado como a base de valor do recurso humano.
A literatura em contabilidade de recurso humano conforme Gupta (1994),
revela que existem vários estudos como os de Becker (1964), Thurow
(1970), Mincer (1962) e Schultz (1962), que tratou do conceito da taxa
de retorno do investimento no capital humano. A premissa básica
Flamholtz (1974) teoria da contabilidade para recursos humanos é: (i) as
pessoas são recurso valioso de uma empresa e (ii) informação no
investimento e no valor do recurso humano é útil para a tomada de
decisão interna e/ou externa.
O custo histórico ou original de Brummet (1968) sugeriu a capitalização
da despesa da empresa na seleção, orientação, treinamento, recrutamento
e no desenvolvimento das pessoas, e trata-os como recursos com a
finalidade da contabilidade de recurso humano.
O modelo do custo de oportunidade por Hekimian (1967) apud Rao (1993)
deu o ímpeto para avaliar o custo de oportunidade dos empregados, chave
para a base quantitativa, planejamento e controle para o funcionamento
das atividades do recurso humano. Já Hermanson (1964) apud Gupta (1994)
propôs um modelo ajustado do valor atual quantificando o valor do
capital humano de uma companhia.
De acordo com ele, as quantidades dos salários futuras pagáveis
representam uma responsabilidade, quando recursos humanos ou
operacionais e devem ser inclusos na contabilidade. Tinoco (1996) diz
que Hermanson foi um dos pioneiros contadores a abordar os recursos
humanos no contexto das organizações, focalizando-os como ativos.
Rao (1993), diz que Lev (1971) avaliou o capital humano como o valor
atual; do salário futuro das pessoas até a aposentadoria. Likert (1971)
desenvolveu um modelo para diagnosticar as mudanças na organização
humana sobre um período de tempo. As variáveis humanas são divididas em
três categorias: (i) variáveis causais; (ii) variáveis intervenientes e
(iii) variáveis de resultado final. Quanto as variáveis humanas, Tinoco
(1996) diz que as: Ö variáveis causais - resultam em mudanças nas
atitudes, motivações e comportamentos dos subordinados;
Ö variáveis intervenientes – produzem mudanças na produtividade,
inovação e desenvolvimento da força-trabalho; e
Ö variáveis de resultado final – as tendências dos lucros das entidades
podem ser previstas. Lucros assim previstos podem ser descontados, para
se determinar o valor presente da empresa e de seus recursos humanos.
A interação entre variáveis causais e intervenientes foi mostrada para
afetar a satisfação de trabalho, os custos, a produtividade e o salário.
De acordo com Llena (2001) é proposto distintas técnicas de avaliação do
capital humano:
Ö - valor do custo histórico;
Ö -custo de oportunidade
Ö -custo de compensação
Ö -custo de reposição
Ö -desconto de salários futuros
Ö - valor econômico, etc...
Todas estas técnicas de avaliação monetárias que logicamente devem
basear-se em número de empregados de cada categoria existente na
empresa. Também existem técnicas de avaliação não monetárias as que se
reconhecem informações relativas a determinadas qualidades do capital
humano. Entre as mais utilizadas se encontram o modelo de Likert-Bower.
Este ramo da contabilidade ressurge na atualidade devido às novas
propostas empregadas pela responsabilidade social das empresas. Desde o
começo deste século se tem reconhecido que as empresas têm um certo grau
de responsabilidade social que não se limita a maximizar a atuação
econômica e os benefícios.
4.3 – Informação de caráter ético
Ao começar o exercício profissional, tal como se deverá aplicar a
“partida dobrada” para que um lançamento contábil se encerre, a ética
será aplicada de igual forma. Pensemos em um conceito de equilíbrio
entre: estado, empresa, empregados, sociedade e região em seu conjunto.
A responsabilidade social e a ética caminham lado a lado. É a partir da
moral e dos valores éticos daqueles que conduzem uma empresa, que parte
a prática da responsabilidade social corporativa.
A ética passa a ser uma pressão coletiva. E espera-se que trabalhe pelo
bem-estar coletivo. No Brasil, os consumidores já podem julgar se uma
empresa é boa ou ruim tendo por base a responsabilidade social. Este
julgamento leva maneira como são tratados os funcionários e a ética nos
negócios.
Neste contexto, cabe ao profissional contábil pautar suas ações
profissionais sob a luz da ética que lhe oportuniza operar com justiça,
prudência e equilíbrio, visando que seu trabalho seja realizado de forma
eficaz, competente e com lisura, pois, do contrário, poderá o usuário
sofrer sérias conseqüências.
Dentre todas as profissões, a do contabilista talvez seja uma das que
exija do profissional, a todo instante, um apelo ao comportamento ético,
pois é a atividade contábil aquela que, através de seus relatórios,
registros, demonstrativos e principalmente pela assinatura da
responsabilidade técnica pelo serviço prestado, expõe aos dependentes e
usuários da contabilidade tais informações.
Llema (2001) diz que estas informações são de valores éticos da empresa,
no que se refere a dados relativos às atuações da empresa relacionadas
com a proteção do consumidor e da comunidade, ou da prestação de ajudas
ou serviços à sociedade sem ter lucro.
Os principais aspectos que se incluem neste tipo de informação estão
demonstrados no quadro 5, conforme Llema (2001).
Quadro 5 – Informações de caráter ético
|
Políticas
e relações com os clientes. |
|
Atividades
e donativos de caráter político. |
|
Políticas,
ações e medição de atividades dirigidas a oferecer igualdade de
oportunidades entre coletivos diferenciados tradicionalmente por
sexo, religião, raça, procedência, idade, etc. |
|
Atividades
e políticas relacionadas com o bem-estar da comunidade. |
|
Publicidade |
|
Políticas
e descrições de comprovação da segurança dos produtos e
processos produtivos. |
|
Descrição
de práticas éticas e práticas externas não-éticas. |
|
Atividades
e donativos de caridade. |
|
Concessão
de prêmios, etc. |
Fonte: Llema (2001).
Sabe-se que a regulamentação a respeito da publicação deste tipo de
informação tem sido escassa, todavia destaca-se a do Balanço Social que
foi promulgado na França. Llema (2001) diz que existe também algum
requerimento no Tratado da União Européia a respeito da segurança dos
produtos a fim de proteger e informar o consumidor.
6 – CONCLUSÃO
A contabilidade social contribui com elementos de caráter qualitativo,
que ajudam a orientar corretamente os administradores e empresários no
manejo, fortalecimento e progresso do fator humano.
Neste sentido, as entidades devem desenvolver sistemas de informação que
incorporem aspectos sociais de forma mais clara e estruturada, de
maneira que se justifiquem suas atuações em determinados campos sociais,
porque a contabilidade social se sustenta nas necessidades de prover
mensagens enfocadas na chamada gestão social, que busca satisfazer as
necessidades dos trabalhadores e melhorar o nível de vida da população
mediante o aumento da qualidade de seus produtos.
A contabilidade social da empresa, de acordo com Ensuncho (2003), não
tem só o objetivo de produzir utilidades. Tem também com um objetivo
social fundamental: “o homem”.
Maria Elisabeth Pereira Kraemer - beth.kraemerarrobaterra.com.br
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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