O sistema da economicidade sob a ótica do neopatrimonialismo

A célula social quando é constituída é para se perpetuar no tempo e prosperar. Isto é o normal. Ela nasce para viver e sobreviver como as espécies na Biologia.

O normal da espécie é sobreviver com o passar dos anos. Assim, também, o normal na célula social é a sobrevivência na temporalidade. Assim deveria ocorrer com a riqueza da célula social, mas, não é isso que se verifica na maioria das empresas. Se formos fazer uma pesquisa vamos encontrar dados assustadores e decepcionantes, pois, 80% das microempresas morrem no primeiro ano de existência. As empresas chamadas familiares chegam na segunda ou terceira geração e desaparecem. As de porte maior fundem-se com outras organizações. São poucas as que sobrevivem e tem vida longa. Para que isso ocorra é necessário que tenha vitalidade patrimonial.

Economicidade e liquidez

A economicidade é o sistema da vitalidade da riqueza e que garante a sobrevivência do patrimônio enquanto que liquidez é o sistema do pagamento eficaz dos compromissos da riqueza célula social com terceiros.

Há uma interação constante entre estes dois sistemas com os demais.

Quando há liquidez eficaz, onde os pagamentos são feitos em dia, se exerce a economicidade. Esse deve ser o objetivo de toda célula social seja ela lucrativa ou não. A economicidade será comprometida quando há disfunção do sistema da liquidez. Por disfunção entendemos desvio de dinheiro para assuntos particulares ou investimentos que comprometem a liquidez.

Economiciade e resultabilidade

A economicidade depende da eficácia da liquidez e, também, depende do exercício, eficaz, do sistema da resultabilidade. Há uma interação constante entre ambos.

Quando a dinâmica patrimonial apresenta rédito positivo se exerce a economicidade.

Há casos em que se vendem meios patrimoniais com prejuízo para atrair o cliente para que leve outras mercadorias e para aumentar a clientela. Este prejuízo será compensado com venda de outros meios patrimoniais. É o caso das promoções principalmente em supermercados. Neste caso o rédito negativo de um ou mais meios patrimoniais não afetará a economicidade da célula social por maior giro de outras mercadorias e aumento de clientela. Nos ensina Sá (2000), o paradoxo de perda eficaz é, portanto, dependente da ocorrência de resultado futuro, ou seja a perda só se comprovará eficaz se e somente se resultar em elemento futuro que venha a representar um acréscimo de valor na empresa e que possa, não só anular a redução momentânea, mas, superá-la.

A perda momentânea com aumento de clientela se compensará no futuro com prosperidade. A clientela é um bem imaterial que não se registra contabilmente, no momento, mas é um valor patrimonial.

Na dinâmica do meio patrimonial o natural é que o mesmo apresente resultado, por pequeno que seja, para a sanidade da riqueza. A saúde do patrimônio deve ser um dos objetivos básicos da atividade da liderança e do pessoal.

O fenômeno ambiental endógeno e a economicidade

É a influência que ocorre no patrimônio pela direção ou pessoal com repercussão na economicidade. Esta terá eficácia se as lideranças decidirem baseados em modelos contábeis eficazes. Esses, elaborados por Contador que é o profissional capacitado e competente para delinear modelos para a tomada de decisão. Ele tem condições de orientar o empresário para que este possa orientar corretamente a atividade patrimonial. Pessoas pouco esclarecidas tentam deturpar a grande missão do contador no terceiro milênio. Em 1999 a Organização das Nações Unidas em publicação específica afirmou: “O profissional da Contabilidade é imprescindível ao desenvolvimento econômico, social, e até político de qualquer nação” (Ver Os Contadores na visão das Nações Unidas, Prof. Lopes de Sá (2000)).

É o profissional que tem condições de analisar a dinâmica do capital, orientar e assessorar o empresário para que a célula social tenha economicidade e prosperidade, pois, o Contador é o gestor do patrimônio.

Observando a dinâmica patrimonial podemos ver duas formas de organização:

lo. As aziendas econômicas – só vivem para a maximização do lucro e da riqueza para a minoria.

2o. As empresas que pretendem se perpetuar.

As empresas têm tendência de morrer cedo porque seus líderes concentram-se na produção e no lucro e esquecem que a célula social é um patrimônio e um conjunto de pessoas que ali estão para sobreviverem e não morrer passado algum tempo.

Para a economicidade da célula social:

1o. Sensibilidade às influências ambientais (entorno). Ter capacidade de se adaptar as mudanças impostas pelo ambiente;

2o. Coesão interna, ter um sentido de união em torno dos objetivos da empresa;

3o. Tolerância às novas idéias do pessoal. Sair do convencional e dar oportunidade de criatividade ao grupo;

4o. O controle financeiro para que não tenha desperdício, que os investimentos sejam feitos visando o bem estar da riqueza aziendal e sua independência financeira onde não seja necessário empréstimo, mas trabalhar com recurso próprio;

5o. Sucessão de liderança – Dar continuidade gerencial instruindo aqueles com potencialidade de líder para, assim, ter continuidade administrativa quando se fizer necessário;

6o. Persistência – Deve existir tanto nas horas boas como nas horas de dificuldades;

7o. Confiabilidade – O cliente deve se sentir confiante ao negociar com a empresa. Deve haver ética nos negócios;

8o. Cliente permanente – Este deve ser um dos objetivos básicos da célula social. Constantemente dar atenção para aumentar o cliente permanente. Pois a dinâmica patrimonial depende do cliente. Na visão empresarial moderna o cliente é como se fosse o patrão;

9o. Planejamento – Toda atividade do capital deve ser planejada a curto e em longo prazo;

10o. Conhecimento – Transformar o conhecimento pessoal em conhecimento corporativo gerador de riqueza.

A instrução, o conhecimento cada vez mais se faz necessário no terceiro milênio.O conhecimento constitui uma das fontes de geração de riqueza.

Esta será a era do conhecimento. Terá poder quem tiver o domínio do conhecimento.

Na célula social há duas formas de conhecimento:

1o. O transmitido pelo modo tradicional. É o planejar o que se quer transmitir e depois passar aos empregados;

2o. É criar um ambiente onde se quer aprender. A pessoa só aprende aquilo que ela quer, aprende aquilo que ela achar necessário. Aprendendo ela terá mais condições de entender o fenômeno patrimonial e o entorno.

Fenômeno ambiental exógeno e a economicidade

É aquele que vem do entorno e vai influenciar o patrimônio com repercussão na economicidade. São os fenômenos circulatórios da riqueza em decorrência das influências externas. Por influência externa entendemos de mercado, do governo, da natureza, da política, da tecnologia etc.

Assim, como há influência ambiental do entorno há influência do capital na comunidade, matéria essa, que se estuda no sistema da socialidade. Há uma interação constante entre ambos. A economicidade interessa para a célula social como também, para a sociedade onde está inserida a célula social, pois, a sobrevivência e prosperidade desta vai gerar empregos, taxas e impostos, novas filiais, a motivação de criar novas empresas para gerar meios patrimoniais que poderá utilizar em sua dinâmica patrimonial.

Para que se tenha economicidade na célula social é necessário à direção como o pessoal dar atenção à influência externa, pois, esta poderá repercutir na dinâmica do capital.

Sabemos que uma direção competente pode anular influência ambiental exógena que pode causar diminuição na dinâmica patrimonial. O desejável é que sempre que ocorram influências externas que prejudiquem o bom andamento dos meios patrimoniais fossem anulados por modelos contábeis competentes. Uma das influências externas que podem criar problemas na economicidade é a concorrência. Com a abertura das fronteiras comerciais aumentou a concorrência da qualidade e dos preços.

A vida patrimonial tem um contexto mais amplo do que receber e pagar com meios de pagamento. Não basta ter uma liquidez eficaz. É necessário, também, ter uma visão holística onde se analisa todo fenômeno interno e externo que vai tanger a riqueza da célula social.

Muitas empresas fracassam por miopia de seus dirigentes. Não enxergam ou não querem ver os acontecimentos ambientais.

Citemos alguns fatores de diminuição da economicidade e até do desaparecimento da empresa.

1o. Falta de conhecimento do negócio;

2o. Mau atendimento ao cliente;

3o. Falta de qualidade e preços nos produtos;

4o. Desvio de meios de pagamento para casos particulares;

5o. Falta de objetivos comuns;

6o. Falta de controle financeiro;

7o. Fraudes internas e externas;

8o. Inadimplência;

9o. Concorrência;

10o. Obsoletismo.

Há agentes internos e externos que influenciam a dinâmica da riqueza. São como se fossem forças derivadas do ambiente interno como: dirigentes, pessoais e do ambiente externo como: mercado, natureza, tecnologia etc.

Não se pode extrapolar pensando que devemos analisar o fenômeno de mercado, pois, esse é matéria para o economista, mas, não podemos esquecer que o mesmo influenciará a dinâmica do meio patrimonial da célula social.

Balanço social e a economicidade

Balanço Social é um demonstrativo dos fenômenos circulatórios ambientais. Ele espelha aquilo que a empresa agregou à comunidade, ou seja, o que pagou à instrução do pessoal, na assistência social, no meio ambiente natural, aos empregados, aos Bancos, ao Governo, aos acionistas etc.

Alguns estudiosos têm a Alemanha como local de onde surgiu o Balanço Social. Schmalenbach, expoente da doutrina reditualista, se preocupou com o que a azienda oferece a sociedade em que vive.

Depois, em 1977, a França foi a primeira nação a editar e publicar uma lei sobre o Balanço Social.

Mais recente a Lei 8.118/98 do município de Porto Alegre-RS criou o Balanço Social nas empresas inseridas no município.

Há uma preocupação em estreitar as relações da célula social com o entorno visando o bem estar social.

Sabemos que toda empresa tem uma responsabilidade com a comunidade. Interessa, portanto, ao pessoal interno e externo da empresa e a sociedade que se exerça a economicidade da célula social.

Sempre que a célula social for próspera e exercer a economicidade haverá benefício social. Sempre que a célula social desaparecer haverá prejuízo social. Tem se visto que o desaparecimento de empresas, ultimamente, tem causado desemprego e com isso problemas na comunidade.

O fenômeno do desemprego é matéria de estudos e análise da ciência Econômica, mas interessa, também, à Ciência Contábil isso porque o fenômeno econômico vai influenciar a dinâmica da organização. Devemos diferenciar os campos de estudos da cada ciência, mas, não podemos ignorar que há influências ambientais com repercussão no patrimônio e em conseqüência na economicidade.

O neopatrimonialismo contábil vem se mostrando competente na análise e no estudo do fenômeno patrimonial delineando, assim, um caminho que leva o patrimônio da empresa a ter sanidade com vitalidade e, assim, se perpetuar na temporalidade. Proporcionando, assim, uma sociedade humana e mais justa.

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Herckert Werno. (2007, marzo 18). O sistema da economicidade sob a ótica do neopatrimonialismo. Recuperado de https://www.gestiopolis.com/o-sistema-da-economicidade-sob-a-otica-do-neopatrimonialismo/
Herckert, Werno. "O sistema da economicidade sob a ótica do neopatrimonialismo". GestioPolis. 18 marzo 2007. Web. <https://www.gestiopolis.com/o-sistema-da-economicidade-sob-a-otica-do-neopatrimonialismo/>.
Herckert, Werno. "O sistema da economicidade sob a ótica do neopatrimonialismo". GestioPolis. marzo 18, 2007. Consultado el 17 de Noviembre de 2018. https://www.gestiopolis.com/o-sistema-da-economicidade-sob-a-otica-do-neopatrimonialismo/.
Herckert, Werno. O sistema da economicidade sob a ótica do neopatrimonialismo [en línea]. <https://www.gestiopolis.com/o-sistema-da-economicidade-sob-a-otica-do-neopatrimonialismo/> [Citado el 17 de Noviembre de 2018].
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