E-learning na contabilidade

A rápida obsolescência do conhecimento impõe a necessidade de transformar o aprendizado em prática constante, o que se traduz em custos elevados. O panorama poderia ser desolador, não fossem as novas possibilidades que a Internet oferece para o ensino.

O mundo atual vem transpondo barreiras, quebrando antigos padrões de comportamento e impondo novas regras. Como diz Schwez (2001), os caminhos da Ciência Contábil que nos trouxeram até aqui não são do mesmo tipo e espécie dos que poderão conduzir-nos daqui para frente.

Nos tempos em que vivemos, continua o mesmo autor, as empresas modernas estão recrutando para seus quadros pessoas dinâmicas, que tenham mais a oferecer, para resolver suas dificuldades. Neste cenário está o contador, que luta pela valorização da sua profissão, tentando se informar cada vez mais e melhor, tendo a Internet como o melhor lugar para se conseguir isso. Esta afirmativa é corroborada por Varella (2002), ao dizer que o profissional contábil tem que evoluir e, nesse caminho, só existe uma saída: a informação, o conhecimento. Sem isso, o profissional perderá clientes.

1 – introdução

A evolução da tecnologia da informação tem sido muito rápida. O tempo e os meios disponíveis não são os mesmos. Vive-se um momento de crise econômica, de paradigmas, crise de identidade e desregulação na organização do trabalho.

As exigências de treinamento das empresas não cabem mais no espaço compreendido pelas quatro paredes da sala de aula. Nos últimos dois anos, segundo Moreira (2001), diversas companhias começaram a pôr em prática projetos de treinamento à distância baseados em Intranets, Internet, transmissão via satélite ou outros meios digitais para suprir a demanda de aperfeiçoamento e reciclagem de profissionais.

Matos (1996) diz que é difícil para o sistema educacional gerenciar essas transformações, assim como adequar os modelos de formação a esse tempo de constante emergência de novas demandas. Porque não se pode mais admitir a formação de competências estáveis, a formação continuada surge como a necessidade que se impõe aos planejadores da educação. É algo que se agrega como uma formação complementar, como atualização de conhecimento, como (re)significação de metas e padrões que foram superados pelas novas tecnologias e pelos relacionamentos no mundo do trabalho e na comunicação cultural.

Neste contexto, surge como muitas inovações tecnológicas, o e-learning, também conhecido como “aprendizado eletrônico” ou “educação a distância”, que se anuncia como resposta possível, então, quando somos desafiados pelo espaço onde vivem esses aprendizes, fazendo dos usuários novos beneficiários da multiplicidade de experiências que as teias virtuais disponibilizam.

De acordo com Cornachione Jr (2001), o ensino da contabilidade, passa a contemplar novas realidades, novas potencialidades derivadas de mídias alternativas, da conectividade que assola a humanidade atualmente, abordando aspectos da tecnologia da educação e seus impactos no ensino e aprendizagem relativos à nossa área do conhecimento: a Contabilidade.

2 – O que é e-learning

No século XXI, a mudança faz parte de nossa vida. As pessoas assumem novas funções a um ritmo acelerado. Antigas funções mudam rapidamente, e as demandas de treinamento para que as pessoas simplesmente permaneçam trabalhando não param de crescer.

Conhecimento tornou-se o bem mais valioso que uma empresa pode ter nos dias de hoje. Como multiplicá-lo? Como aumentar os gráficos de produção e desempenho através desse novo potencial?

A resposta é única: e-learning, um treinamento profissional pela Internet. Uma solução para as questões tempo, espaço e disponibilidade. Mais uma tendência inevitável na vida das empresas.

As necessidades de treinamento para a geração atual de trabalhadores podem ser maiores do que nunca. O e-learning é um novo mecanismo que todos os profissionais de treinamento precisarão compreender profundamente para ser bem-sucedidos. À medida que você e outros alcem a profissão a novos níveis, o e-learning será adotado por uma força de trabalho determinada a alcançar o sucesso em uma sociedade impulsionada pela tecnologia e que muda continuamente.

É a interação humana em tempo real via Internet, permitindo que pessoas e organizações reúnam-se com custos decididamente mais baixos para uma variedade de propósitos e de negócios, inclusive reuniões com clientes, eventos de marketing e transferência de conhecimento entre colaboradores e parceiros. É um aprendizado eletrônico ou educação a distância que revolucionará a forma de desenvolver as capacidades dos quadros de funcionários. Seu grande potencial permite a difusão de conteúdos atualizados, dinâmicos e personalizados, propiciando melhores experiências de aprendizado e estimulando a colaboração das pessoas com seus pares e especialistas.

Com o e-learning de hoje, as companhias podem treinar equipes de vendas e ensiná-las a usar um novo produto, mesmo que os escritórios estejam em lugares dispersos. No mundo acadêmico, o ensino a distância permite que as pessoas assistam aulas de universidades online. Instituições de peso como Stanford e Harvard, agora, oferecem cursos inteiros via Web, através de e-learning.

O ensino a distância pode ser feito de duas formas: síncrono e assíncrono. A primeira delas imita uma sala de aula tradicional, ou seja, as aulas acontecem em tempo real e conectam estudantes e instrutores através de streaming de áudio e vídeo ou uma sala de chat. Já o modo assíncrono permite que estudantes acessem cursos “empacotados” na hora que desejarem, trabalhando da forma que lhe convier e se comunicando com o professor e outros estudantes através de e-mail.

Como diz Hall (2001), permanecer sintonizado com as necessidades de hoje pode estar a apenas um teclado de distância, à medida que uma parte cada vez maior do treinamento chega diretamente a nossa estação de trabalho. Desenvolver as habilidades dos funcionários é fundamental para gerar uma vantagem competitiva sustentável. Nos dias de hoje, nenhum empresário consciente ignora os desafios que isso implica na prática.

Competição, globalização, tempo escasso, ciclo reduzido de lançamento de produtos, custos. Tudo contribui para que cada vez mais empresas invistam no treinamento a distância de seus funcionários. O e-learning, está transformando a percepção das empresas sobre o valor de pessoas capacitadas. A agilidade de resposta ao mercado é a chave desta transformação.

3 – Vantagens do e-learning

De acordo com Rosenberg (2001) estas são as vantagens do aprendizado eletrônico:

a – Reduz custos. Apesar das aparências, o e-learning é a maneira mais barata de instrução. Ele corta despesas de transporte, reduz o tempo de treinamento e elimina a necessidade de sala/professor. O alto investimento inicial pode ser rapidamente recuperado com a economia nos custos cotidianos.

b – Enriquece a capacidade de resposta. O e-learning pode alcançar um número infinito de pessoas virtualmente ao mesmo tempo. Isso é ótimo quando as práticas empresariais e capacidades têm de mudar rapidamente.

c – As mensagens podem ser iguais para todos (coerentes entre si) ou personalizadas, conforme a necessidade. Dependendo do objetivo, todos podem receber o mesmo conteúdo e os programas também podem ser adaptados para cada indivíduo.

d – Seu conteúdo é mais atualizado e confiável. O e-learning pode ser atualizado instantaneamente. Essa característica é uma benção para as empresas que tentam manter as pessoas atualizadas diante das rápidas mudanças.

e – Funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. Essa abordagem “bem na hora – a qualquer hora” torna as operações da empresa realmente globais.

f – A pessoa não demora para aprender a lidar com ele. Com tantas pessoas já acostumadas com a WEB, aprende-se a acessar um sistema de e-learning rapidamente.

g – É universal. Todas as pessoas na Web podem receber virtualmente o mesmo material da mesma maneira.

h – Forma comunidades. A Web capacita as pessoas a construir comunidades de prática onde possam trocar conhecimentos e insights após o término do treinamento.

i – Pode ser escalonado. Os programas podem ter de dez participantes a cem, ou, até mesmo, 100 mil, com pouco esforço ou custo adicional.

j – Justifica o investimento na Web. Os executivos estão procurando formas de ter retorno sobre o alto investimento que fizeram em Intranets. O e-learning é uma das possibilidades.

k – Fornece um valioso serviço ao consunidor. Embora o foco principal do e-learning seja interno, ele pode ser utilizado numa iniciativa de e-commerce para ajudar os consumidores a obter maior benefício do site.

O e-learning ainda tem os contras, como é apontado por Moore (2001), pois tende a isolar os estudantes fisicamente, podendo causar efeitos negativos na construção e sociabilidade de um time. Pessoas extrovertidas, que gostam de trocar idéias, podem sofrer de solidão nas salas de aula virtuais.

4 – O e-learning abrindo caminho para a competitividade

Hall (2001) diz que, ao mesmo tempo em que as organizações ao redor do globo se esforçam para produzir novos produtos sob o conceito “just-in-time”, que atendam a demanda do mercado e competem entre si, buscando eficiência de custo, o e-Learning vem se tornando o principal meio para atender as necessidades de treinamento em um mundo sob constantes e cada vez mais rápidas mudanças.

Neste sentido, os funcionários de uma empresa precisam saber como integrar e utilizar todas as novas tecnologias em benefício de suas atividades profissionais.

Com cerca de 2/3 do orçamento de treinamento sendo gastos com custos de viagens e deslocamento, os gerentes têm buscado a implementação do e-Learning para reduzir custos e aumentar o potencial de seus programas de treinamento. É o mercado mais promissor da indústria educacional. Tem tudo para explodir, e a expectativa é que este mercado tenha o seu tamanho duplicado a cada ano após 2002.

A era industrial deu lugar à era da informação, quando os computadores passaram a estar disponíveis para a força de trabalho nas organizações. De acordo com a Gazeta Mercantil de 17/04/2001, funcionários agora precisam saber obter informações e conhecimentos que façam diferença em suas atividades, melhorando processos e produtos. Além disso, a média do tempo de permanência de um funcionário deverá ser reduzida, e não será difícil que uma pessoa passe por mais de sete organizações ao longo de sua vida profissional. Portanto, a busca permanente por informações e habilidades não deverá diminuir.

Empresas dos mais variados setores estão complementando os métodos de treinamentos convencionais como ensino eletrônico ou e-Learning. Muitas, especialmente as que mantêm diversas filiais pelo país, tem como objetivo reduzir despesas com passagens aéreas, hospedagem dos funcionários e aluguel de salas de reuniões. Para outras, a WEB serve como um meio para auxiliar na gestão do conhecimento e garantir sua competitividade no mercado.

5 – A tecnologia na educação

Chegado o novo milênio, e há tantos anos ouvindo a mesma ladainha, como diz a Gazeta Mercantil em seu artigo e-Learning e Desenvolvimento, no dia 10/12/2001, está mais do que na hora de nos convencermos de que, na verdade, o futuro já chegou, e não podemos mais aceitar, passivamente, a falta de investimentos e de vagas nas escolas, ou discrepâncias, como o fato de só continuarem abertos os caminhos às melhores universidades, principalmente as públicas, aos que forem abençoados com um lugar ao sol nas caríssimas escolas particulares.

A evolução da tecnologia está revolucionando as práticas e estruturas educacionais no mundo todo, mudando o processo de ensino-aprendizagem, a gestão institucional e as oportunidades de negócios no campo da educação. É evidente que as mudanças não irão ocorrer da noite para o dia.

Ainda, um recém-nascido na incubadora das novas tecnologias, o e-Learning, conforme foi publicado na Gazeta Mercantil em 10/12/2001, emerge como uma ferramenta inovadora, capaz não de resolver totalmente, mas de, quem sabe, amenizar e trazer um pouco mais de recursos para construir a ponte que levará o País ao crescimento econômico e à justiça social, dádivas que parecem tão inatingíveis quanto o sonho de inúmeros pais de ver o filho ser “Doutor”.

Do ponto de vista acadêmico, conforme a Gazeta Mercantil de 10/12/2001, a aplicação da tecnologia na educação ainda desperta algumas dúvidas, principalmente quanto a sua eficácia, mas nem por isso devemos desprezar este novo recurso para apoiar a formação de estudantes em todos os níveis. É certo que a convivência e a presença do professor na sala de aula são insubstituíveis, mas o simples acesso à informação e aos materiais didáticos não deixa, evidentemente, de ter enorme valor.

Foram divulgados no “Relatório do Desenvolvimento Humano de 2001”, da Organização das Nações Unidas (ONU), de acordo com a Gazeta Mercantil (2001) que no campo da educação, os avanços brasileiros são ainda modestos – o percentual de adultos alfabetizados subiu de 84,5% para 84,9%. O estudo demonstra ainda que, do ponto de vista tecnológico, o Brasil ainda tem, da mesma maneira, uma longa jornada a percorrer, ocupando o 43º lugar entre 72 países no mais novo índice criado pelo Pnud, o TAI (Índice de Avanço Tecnológico), que avalia como um país está criando e difundindo tecnologia e construindo uma base de capital humano, refletindo assim sua capacidade para participar das inovações tecnológicas. Vale ressaltar que o Brasil ficou atrás de países como México, Argentina, Costa Rica, Chile, Uruguai, Trinidad e Tobago e Panamá.

A educação já se estabeleceu em todo o mundo como um negócio, e isto não será mais revertido em uma economia capitalista num mundo globalizado. Caberá a todos, cidadãos e políticos, a melhor utilização dos recursos financeiros e tecnológicos disponíveis, a fim de transformar o quadro negro da educação no Brasil.

Em entrevista ao ex-banqueiro de investimento Claúdio Haddad (2002), perguntaram o que achava da tecnologia na educação, como por exemplo, e-learning. Ele respondeu que vê com muito otimismo e disse ser totalmente favorável ao uso da tecnologia na educação. É uma questão acima de tudo econômica: há um alto custo de oportunidade para as pessoas, a dificuldade de colocar todo mundo em uma mesma sala de aula, durante o mesmo tempo, é imensa. Trata-se de um projeto futuro, crescerá cada vez mais. Disse ainda que o aluno brasileiro só precisa se adaptar, porque é menos acostumado do que o norte-americano a estudar fora da sala de aula ou sozinho. Isso porque é menos disciplinado e gosta de se socializar mais.

No âmbito do ensino superior, Wolynec (2001), prevê os principais benefícios:

  •  Aumento da interação entre estudantes e professores, por meio do uso de correio eletrônico, videoconferência e Internet.
  •  Intensificação da comunicação entre estudantes, por meio de grupos de trabalho e discussão, utilizando os novos instrumentos de comunicação.
  •  Maior desenvolvimento de habilidades práticas por parte dos estudantes.
  •  Ampliação do acesso de estudantes a recursos educacionais.

No âmbito da pesquisa, a WEB propicia:

  •  Aumento da cooperação internacional com a participação de pesquisadores de diferentes continentes sem que estes necessitem manter contato presencial.
  •  Acesso à informação, que deverá resultar em crescimento da interdisciplinaridade, favorecendo a solução de problemas complexos mediante utilização de desenvolvimentos obtidos em diferentes campos de pesquisa.

Para Wolynec (2001) a WEB elimina as principais desvantagens do ensino a distância tradicional: a falta de interação entre os alunos do curso e destes com os professores. As perspectivas de uso da rede para essa modalidade de ensino propiciaram o surgimento de um grande número de empresas, desde desenvolvedores de software, produzindo ferramentas para ensino virtual e on-line, passando por provedores de conteúdo e chegando até a consórcios de universidades, oferecendo grande variedade de cursos para uma clientela global.

A Souza Cruz, por exemplo, implantou sua nova universidade corporativa, a Universidade Souza Cruz, em maio de 2001. Surrage (2001) diz que a universidade funciona no ambiente virtual da Intranet da empresa e oferece aos funcionários cursos de informática, de inglês, cursos gerenciais, entre outros. Renata Elgarten, gerente de Recursos Humanos da empresa, diz que “a democratização do conhecimento, a flexibilidade de adaptação ao ritmo de aprendizagem e ao tempo disponível de cada um, e o estímulo ao autodesenvolvimento são os principais benefícios do e-Learning”.

Na Telemar, uma das maiores empresas de telefone do Brasil, o grande número de funcionários e unidades tornou a implantação do ensino a distância uma necessidade. Em apenas oito meses, a Universidade Telemar (UNITE) já treinou mais de seis mil empregados da empresa em todo o País. Para Maria Inês de Góes, gerente Corporativa de Captação, Educação e Treinamento da Telemar, o e-Learning faz parte do nosso negócio. Temos todas as variantes para escolher o ensino a distância como forma de treinamento: estamos em 64% do território nacional, somos mais de trinta mil funcionários, precisamos de velocidade para capacitar nossa gente e somos uma empresa de telecomunicação.

A Fundação Bradesco é uma das instituições que mais tem investido em e-Learning. Segundo Teixeira (2001), o projeto de educação a distância começou em 1997, com a ajuda de professores e webdesigners. Em 1999, a empresa lançou o portal de educação, para atender 101 mil alunos das 38 escolas da Fundação Bradesco. O próximo passo é levar a iniciativa do portal às escolas públicas. Com o resultado positivo do portal educativo, a Fundação Bradesco aplicou o mesmo critério de ensino para treinamento de seus 45 mil funcionários.

6 – Educação a distância – ead

Conforme o decreto nº 2494 de 10 de fevereiro de 1998, que regulamenta o artigo 80 da LDB nº 939/96: “Educação a distância é uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação”.

Portanto, verifica-se que o governo brasileiro reconhece essa modalidade do aprender, deixando claro a presença de diversos meios de comunicação.

O Ministro da Educação (MEC), no dia 18 de outubro de 2001, publicou a Portaria nº 2.253, que prevê a oferta de disciplinas utilizando método não presencial. Vale para instituições de ensino superior e poderá ser introduzida apenas em cursos reconhecidos. As instituições devem, em caráter opcional, colocar à disposição dos alunos 20% da carga presencial, a distância. Isto quer dizer que o aluno terá a possibilidade de optar entre presencial e não presencial, não podendo ultrapassar 20% da carga horária total do curso.

A Educação a Distância, EAD, é um método não presencial em educação que pressupõe qualquer forma de ensino/aprendizagem, onde professores e alunos não estão em contato físico nem, necessariamente, interagindo ao mesmo tempo.

Como diz Palácio (2002), as estratégias disponíveis que viabilizam esta forma de comunicação são inúmeras. Correspondência, telefone, televisão, rádio, todas podem ser consideradas não presenciais e são utilizadas isoladamente ou integradas entre si. Há bastante tempo (veja o exemplo do telecurso). Não é, portanto, nenhuma novidade. O que mudou, fazendo com que este método se tornasse relevante a ponto do MEC introduzi-lo na LDB, são os recursos de acesso e interação à informação que temos a nossa disposição nos dias de hoje. Este fenômeno pode ser atribuído à Internet que é um veículo de comunicação de massa (como TV, rádio, etc.) que proporciona interação entre aluno e professor (como no caso da correspondência) em tempo real (telefone). Ou seja, integra todos os recursos que já existiam numa só ferramenta.

A educação brasileira está começando a dar seus primeiros passos na Internet. Isso se deve ao crescimento e reconhecimento da EAD, ou e-Learning, uma modalidade de ensino que, segundo especialistas na área, poderá amenizar os problemas educacionais do Brasil. Dessa forma, a EAD, realizada principalmente por meio da WEB, está se transformando em uma alternativa promissora e eficaz.

Na EAD, o aluno assume um papel de investigador, segundo Horta (2000), pesquisando/debatendo temas que o interessam, e pode estudar em qualquer lugar, a qualquer hora e em seu ritmo (anywhere, anytime and anyspace). Já o professor passa a ser um moderador, coordenando o andamento de cada aluno, contornando crises, indicando caminhos e, principalmente, aprendendo tanto quanto ensina.

No segundo semestre de 2000, foi criada a Universidade Virtual Pública do Brasil (Unirede), um consórcio formado por 57 universidades públicas brasileiras, que tem como objetivo auxiliar a colocar o país em um patamar educacional melhor, utilizando para isso o ensino a distância.

A diretora do Departamento de Política de Educação a Distância do MEC, professora Carmem Moreira Castro Neves, de acordo com o Diário do Grande ABC de 15/01/2001, clipping no e-Learning Brasil, diz que apesar de ainda estar engatinhando, no Brasil, o sistema de ensino a distância será a área de maior crescimento no mercado de educação nos próximos cinco anos. O país precisa dessa nova modalidade de ensino, pois o mundo contemporâneo exige de profissionais de todas as áreas, atualização e aperfeiçoamento constantes.

Para a coordenadora executiva da Associação Brasileira de Ensino a Distância (ABED), professora Adylles Castelo Branco, conforme o Diário do Grande ABC de 15/01/2001, clipping no e-Learning Brasil, o problema desse rápido crescimento do EAD no país é a má qualificação de profissionais. As instituições de ensino ainda precisam tomar conhecimento do que significa esse sistema, adverte a coordenadora. Segundo ela, é necessário investir no treinamento de pessoal. A maneira de se trabalhar na EAD é completamente diferente do ensino tradicional, por isso, os profissionais devem estar altamente capacitados.

O professor deixou de ser um transmissor de conhecimentos para se transformar num educador-facilitador, com uma nova visão pedagógica. Isto é corroborado por Freitas (2001), ao dizer que caberá a ele substituir os métodos tradicionais por novos recursos e integrá-los ao ambiente escolar, cada vez mais digital. Ao mesmo tempo, deverá atuar cada vez mais como um direcionador, facilitando o processo de aprendizagem de seus educandos.

Neste sentido, a EAD vem exigindo o desenvolvimento de um modelo pedagógico específico, em que aprender a aprender, de maneira colaborativa, em rede, é mais importante do que aprender a aprender sozinho, por conta própria. Como argumenta Azevedo (2000), ela requer, portanto, um novo tipo de aluno, o aluno on-line. Mas demanda também um novo tipo de professor, um professor on-line, que não se limita a saber “mexer com o computador”, navegar na WEB ou usar o e-mail, nem a dominar um conteúdo ou técnicas didáticas, mas seja especialmente capaz de mobilizar e manter motivada uma comunidade virtual de aprendizes em torno da sua própria aprendizagem.

Para Palácio, (2002), adotar ferramentas tecnológicas adequadas para medir o ensino online, capacitar o corpo docente na contextualização do conteúdo dado em sala de aula ao novo ambiente, integrar a instituição, como um todo, à cultura da EAD, e procurar parcerias especializadas no mercado que já tenham experiências do e-Learning no mundo corporativo, são estratégias consistentes para implantação de EAD em instituições de ensino.

Na prática, a EAD é um caminho sem volta, e, de acordo com Palácio (2002), tende a crescer dentro das instituições de ensino, ultrapassando, em breve, os 20% definidos pelo MEC. Não tardará para que tenhamos graduações inteiras oferecidas a distância.

A EAD privilegia o que a LDB diz em um de seus parágrafos, que todos devem ter acesso à educação, porque transpõe as paredes da sala de aula, levando o conteúdo ao aluno, proporcionando estudos às pessoas que tenham dificuldade de locomoção ou horário.

Para Marisa Éboli, apud Moreira (2001), o ensino a distância funciona muito bem quando trabalha com o conhecimento. Marisa Éboli é professora da Faculdade de Economia e Administração da USP e consultora em projetos de educação corporativa da Fundação Instituto de Administração. Quando o foco é habilidade ou atitude, Marisa impõe restrições. Segundo ela, é até possível combinar o ensino virtual com o presencial, num curso dedicado ao desenvolvimento de habilidade, com as aulas virtuais servindo como complemento. Mas nos cursos que trabalham com atitudes, as empresas nunca podem prescindir de sala de aula. Do mesmo modo, acredita, que as empresas jamais devem adquirir cursos de prateleira sobre temas ligados ao foco central de seu negócio.

Em entrevista exclusiva a Manager On Line de 18/08/2001, o Ministro da Educação, Sr. Paulo Renato, garante que não medirá esforços para viabilizar o ensino e a realização de cursos a distância. Diz que o objetivo é contemplar a necessidade de atendimento das mudanças em relação aquilo que o mercado de trabalho exige. O profissional de hoje tem de ser capaz de se adaptar rapidamente às mudanças e precisa estar avançando sempre no conhecimento em sua área de atuação. A estrutura dos cursos, da educação como um todo, tem de permitir essa atualização permanente. Não pode haver mais aquela estrutura curricular rígida, de apenas transmitir o conhecimento. O conhecimento, hoje, é renovado.

A Educação a Distância é um tema novo, mas com objetivos sólidos e funcionalidade comprovada. Conforme Filho (2000), isto é indiscutível. Porém, estamos entrando em uma área que mexe com princípios antigos e históricos de uma sociedade, e, por isso, o valor que tal tema propõe é de suma importância para todos nós.

7 – E-learning na contabilidade

O cenário contemporâneo nos apresenta o que talvez seja um dos maiores desafios enfrentados pela humanidade, o de viver numa era de constantes inovações e descobertas científicas e tecnológicas e de intensas mudanças sociais e culturais. Neste contexto, a Educação tem que assumir um papel de ponta, estando à frente, propondo alternativas e desenvolvendo competências para atender às demandas e necessidades que se apresentam.

Para isto, o papel dos educadores deve ser repensado e novas estratégias na formação desses profissionais devem ser previstas, criando, nas universidades e escolas, o ambiente para a formação de sujeitos críticos, dotados de autonomia de aprendizagem, aptos a lidarem com as situações e recursos contemporâneos de forma competente, tendo em vista um desenvolvimento sustentado no conhecimento e uma Educação para a paz e para a harmonia do planeta.

Neste sentido, a Educação desenvolvida por ambientes de aprendizagem, mediados por tecnologias de comunicação, como a Internet e a teleconferência, pode ser uma alternativa, pois apresenta características que atendem às necessidades atuais, dentre elas: possibilidade de atender a uma clientela diversificada; superação de barreiras geográficas; possibilidade de individualização do processo de aprendizado, respeitando os ritmos próprios; desenvolvimento da autodisciplina e autoconhecimento, autonomia e responsabilidade.

E, justamente, Educação foi um dos temas que mais preocupou o Senhor Serafim Abrantes, ex-presidente do Conselho Federal de Contabilidade. Através da educação, ele acredita que será possível multiplicar o número de bons profissionais do país.

O envolvimento da contabilidade com a internet segundo Cornachione Jr (2001), tem crescido de maneira mais acentuada desde a disseminação da internt em termos comerciais juntamente com a World Wide Web (forma gráfica). Até então, o uso era mais acadêmico, envolvendo professores e pesquisadores de universidades que possuíam o acesso à rede mundial, sob a forma textual.

O referido autor diz ainda que, com o advento da implantação da Rede Contábil Internacional (International Accounting Network – IAN), houve a geração de um fórum mundial sobre a contabilidade, congregando associações, instituições, pessoas, países etc., com interesse em fomentar o intercâmbio sobre este assunto. Outras iniciativas, particulares, têm buscado semelhante atuação, por vezes mais localizada ou centradas em determinados temas ou assuntos, porém com igual objetivo: reunir e permitir a troca de idéias e informações sobre a contabilidade.
O profissional contábil que não se modernizar, que não equipar seus escritórios como o que há de mais moderno em informática, ajudando a si e ao seu cliente, estará fadado ao fracasso.

Foi baseado neste propósito que iniciado no mês de julho de 2001, o Projeto de Educação a Distância, consiste em três canais abertos de TVs, cujo funcionamento se assemelha ao sistema digital a cabo, que, transmitem das 6 às 22 horas, sete dias por semana, teleconferências nacionais e internacionais para profissionais e estudantes da área contábil.

Com uma programação de 300 cursos por ano, destinados ao aprimoramento dos profissionais da Contabilidade, até setembro de 2001, a Comissão de Educação Continuada do Conselho Federal de Contabilidade já tinha implantado 42 pontos de transmissão em todo o Brasil. Deste total, 27 estão instalados nos Conselhos Regionais. Os outros, funcionam em associações e sindicatos da área contábil.

O professor Schwez (2001), presidente da Comissão de Educação Continuada do Conselho Federal de Contabilidade, diz que a expectativa agora é levar a tecnologia para dentro das escolas e faculdades, que também poderão se beneficiar com o projeto. Para ele, que há mais de 25 anos é professor do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a Educação a Distância já é uma realidade e se apresenta como moderna opção na área educacional.

De acordo com Madeira (2001), chefe do Departamento de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Minas Gerais, o ensino interativo já é uma realidade que as universidades não podem negar. Para ele, além de se apresentar como uma excelente oportunidade para troca de experiências e o acesso às novas informações, o Programa de Educação a Distância, contribuirá para democratização do conhecimento. Diz ainda que o projeto, sem dúvida, vai obrigar as universidades a repensarem o conhecimento que, até agora, vivia enclausurado entre quatro paredes.

O programa também é elogiado por Leitão (2001), Coordenador do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade Integrada de Caratinga. Ele lembra que mais do que uma tendência, a educação a distância é uma imposição do mundo globalizado. Diz ainda que hoje não tem como o profissional deixar de se atualizar, mas nem sempre ele pode participar dos eventos promovidos pela categoria.

É como diz Cornachione Jr (2001): “estamos todos diante de importante desafio: ignorá-lo, certamente não é uma idéia prudente. Questioná-lo até o mais puro sentimento de razão e certeza? Talvez não haja tempo suficiente. Assim como os métodos educacionais adotados atualmente (os tradicionais) passaram por provações, e foram, desta forma, sofrendo evoluções, os meios alternativos considerados pela tecnologia da educação estão passando por processo semelhante. Porém, o sentimento mais forte atualmente é que a presença da vontade e do interesse (em todos os participantes), bem como de procedimentos éticos é que irão pautar a evolução destas alternativas até que seus usos estejam disseminados entre nós”.

8 – considerações finais

O momento atual exige que o indivíduo mantenha-se atualizado técnica e culturalmente, sob pena de não sobreviver no mercado de trabalho.

As mudanças determinadas pelas descobertas tecnológicas, geram a necessidade de ajustes, tanto sob o aspecto da elaboração de novas metodologias de trabalhos como na formação dos futuros profissionais, que devem apresentar um novo perfil que venha atender aos atuais procedimentos no processamento da contabilidade.

A tecnologia da informação veio agilizar os procedimentos contábeis, embora muitos profissionais da área de contabilidade ainda não estejam convenientemente ou adequadamente, capacitados à prática da contabilidade em ambiente informatizado.

O e-Learning é tanto uma mudança cultural quanto uma mudança tecnológica. As pessoas estão acostumadas a aprender na sala de aula com todos os “rituais” e aspectos sociais que fazem parte deste método tradicional. É um tipo diferente de experiência, veio para ficar e deveria fazer parte de qualquer projeto de negócios de agora em diante. Ele pode proporcionar um impacto direto na competitividade, na taxa de retenção de colaboradores, no processo de recrutamento e nos custos.

Com o advento do e-learning, também muda o aprendizado em sala de aula. O professor será menos um instrutor e mais um guia, um facilitador. O conhecimento virá de várias fontes.

Para o Contador acompanhar a evolução da tecnologia, não somente daquela utilizada pelas empresas, mas de sua aplicação na própria Contabilidade, influindo na rapidez e na qualidade da informação e da orientação que dela esperam os usuários dos serviços contábeis, terão que se preparar muito.

Para Peixe (2002) a aplicação da modalidade de Educação a Distância em Ciências Contábeis é uma oportunidade para demonstrar de forma efetiva o verdadeiro compromisso na difusão e socialização do saber em termos de perspectivas. O ensino na área de contabilidade, pela sua responsabilidade social, tem de dar uma resposta rápida a novos desafios, pela aplicação e utilização efetiva de todas as metodologias e formas de ensinar.

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Pereira Kraemer Maria Elisabeth. (2005, marzo 17). E-learning na contabilidade. Recuperado de https://www.gestiopolis.com/e-learning-na-contabilidade/
Pereira Kraemer, Maria Elisabeth. "E-learning na contabilidade". GestioPolis. 17 marzo 2005. Web. <https://www.gestiopolis.com/e-learning-na-contabilidade/>.
Pereira Kraemer, Maria Elisabeth. "E-learning na contabilidade". GestioPolis. marzo 17, 2005. Consultado el 23 de Junio de 2018. https://www.gestiopolis.com/e-learning-na-contabilidade/.
Pereira Kraemer, Maria Elisabeth. E-learning na contabilidade [en línea]. <https://www.gestiopolis.com/e-learning-na-contabilidade/> [Citado el 23 de Junio de 2018].
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