A contabilidade gerencial no contexto operacional da atual economia globalizada

Nos últimos 20 anos, o mundo e sua economia estão passando por um processo de mudança violenta. Essa transformação tem sido tão grande que alterou praticamente todos os aspectos de nossas vidas. Mudou nossa noção do que é público ou privado, mudou o modo de avaliarmos o que produzimos e redefiniu completamente o conceito de propriedade e de riqueza. Em apenas 20 anos, essa mudança monumental, embora quase imperceptível, levantou novos países e derrubou antigas potências. Neste sentido, no presente artigo pretende-se abordar a globalização da economia, as mudanças de nível tecnológico, os reflexos dessas mudanças na gestão empresarial e as implicações das mudanças na contabilidade gerencial.

1 – Introdução

O mundo vem assistindo à uma continuada revolução econômica-financeira-contábil, especialmente através do incessante surgimento de novos conceitos, instrumentos e produtos que, graças as maravilhas da tecnologia da informação, se tornaram acessíveis aos gestores.

Johnson & Kaplan (1993, p.3), afirmam que “o ambiente econômico contemporâneo exige excelência dos sistemas corporativos de contabilidade gerencial. Com a tremenda competição global, o rápido progresso na tecnologia de processos e produtos e as violentas flutuações nas taxas de câmbio e preços das matérias-primas, o sistema de contabilidade gerencial de uma organização precisa fornecer informações oportunas e precisas, para facilitar os esforços de controles de custos, para medir e melhorar a produtividade, e para a descoberta de melhores processos de produção.

O sistema de contabilidade gerencial também necessita informar custos precisos dos produtos, de modo que a fixação de preços, a introdução de novos produtos, o abandono de produtos obsoletos e a resposta a produtos rivais possam se basear na melhor informação possível sobre as necessidades de recursos para aquele produto”.

Com esses papéis vitais nas informações de planejamento e na comunicação, motivação e avaliação, o sistema de contabilidade gerencial da organização é um componente necessário na estratégia da empresa para alcançar o sucesso competitivo.

O processo de profundas alterações que o nosso País atravessa, como resultado de fatores históricos internos e de uma opção clara no sentido da sua integração num espaço mais amplo, sofisticado, desenvolvido e competitivo, conduziu os nossos gestores à necessidade de, rapidamente, se adaptarem às estruturas internas das suas empresas e a aperfeiçoarem os seus métodos de gestão global, particularmente no domínio da gestão financeira.

2 – Globalização da economia

O processo de globalização passou a ser, nos últimos anos, uma expressão corrente na literatura e no noticiário cotidiano. Sua presença e sua influência são suficientemente marcantes para que não possam deixar de ser considerados.

Originário no mundo jornalístico, o termo globalização logo vulgarizou-se e ganhou numerosos adeptos no universo político-ideológico. Coutinho (1996, p. 220) diz que a globalização pode ser entendida como um estágio avançado do processo histórico de internacionalização correspondente a:

1 – Uma etapa de forte aceleração da mudança tecnológica, caracterizada pela intensa difusão das inovações telemáticas e informáticas e pela emergência de um novo padrão de organização da produção e da gestão na indústria e nos serviços: padrão esse caracterizado pela articulação das cadeias de suprimento e de distribuição através de redes que minimizam estoques, desperdícios, períodos de produção e tempos-de-respostas, tornando os processos mais rápidos e eficientes. A superioridade competitiva deste novo padrão tornou-se imperiosa a sua adoção universal, evidentemente adaptada às peculiaridades nacionais;

2 – A rápida difusão deste novo padrão de organização da produção e da gestão vem acentuando o peso do comércio regional intra-indústria (e também intra-firma, especialmente nos casos das transnacionais) uma vez que os sistemas Just-in-Time e a resposta adaptadas às demandas….

3 – O avanço da concentração dos mercados dentro dos blocos regionais,…

4 – A difusão desigual da mudança tecnológica entre os países centrais…

5 – A persistência destes desequilíbrios reverteu a posição do pólo principal do sistema….

A globalização está alterando de maneira fundamental o cenário econômico mundial. Ela é resultado da tendência generalizada à liberalização do comércio e dos mercados de capitais, da crescente internacionalização das estratégias de produção e distribuição das empresas, bem como dos avanços tecnológicos que estão rapidamente aluindo as barreiras ao comércio internacional de bens de serviços e à mobilidade do capital (Qureschi, 1996),estando presente na realidade e no pensamento, desafiando grande número de pessoas em todo o mundo.
Ianni (1995, p.11) diz que: “a despeito das vivências e opiniões de uns e outros, a maioria reconhece que esse problema está presente na forma pela qual se desenha o novo mapa do mundo, na realidade e no imaginário”.

Este é um fenômeno não muito recente, mas a velocidade de sua expansão tem apresentado taxas crescentes de aceleração e, em muitos casos, assustadoramente crescentes.

Segundo Martins (1992, p.30), “… a globalização de mercados vêm obrigando os profissionais, pesquisadores e professores de Contabilidade a se adaptarem a mudanças no seu ambiente profissional, não só em termos de normas e práticas como também de conceitos e objetivos”.

A economia mundial, no período do pós-guerra, vem passando por sucessivas transformações em direção à internacionalização da produção e dos mercados.

As inovações tecnológicas ocorridas a partir de meados da década de 70 geraram um novo paradigma tecnológico. Os fundamentos desse novo paradigma são as novas tecnologias de informação e inovações organizacionais relacionadas.

Os níveis de competitividade alcançados dentro do novo paradigma, tanto nas novas indústrias como na revitalização das antigas, representam saltos qualitativos em relação às práticas tradicionais.

Com esse desenvolvimento, Thorstensen (1994, p. 21) diz que, “a utilização dos computadores e de novos equipamentos de comunicação nas indústrias e em serviços tornou possível a introdução de inovações organizacionais e na gestão, redefinindo os fatores determinantes da competitividade”.

Essas novas tecnologias de informação e inovações organizacionais estão deslocando os fatores críticos de competitividade das empresas dos custos de produção para os custos de transação e gestão.

Para enfrentar a competição não basta ter grande escala de produção e uma estrutura administrativa capaz de executar as estratégias definidas pela alta direção.

O domínio da tecnologia de produção em si é fundamental, mas não representa mais a garantia de controle de mercado. A organização flexível e a gestão de fatores fora da esfera da produção tornaram-se críticos.

As qualificações mais demandadas dos recursos humanos estão deixando de ser especialização e disciplina, mas capacidade de detectar e resolver problemas trabalhando em grupos muitas vezes interdisciplinares e capacidade de agir estrategicamente.

A evolução tecnológica tem provocado a necessidade de uma descentralização maior referente ao processo de gerenciamento das empresas multinacionais ou nos negócios conjuntos nesse nível.

Em se tratando de descentralização, Martins (1992, p.31) explica que “juntamente com a necessidade de redução de custos, esse processo de descentralização também muito tem a ver com a utilização da Contabilidade como forma de avaliação de desempenho e acompanhamento, um pouco mais à distância, do comportamento dos investimentos efetuados”.

3 – Mudanças de nível tecnológico

Catelli & Guerreiro (1995, p.17), dizem que “o ambiente mundial vem passando por modificações profundas no que diz respeito aos aspectos geopolíticos, social e econômico. No que se refere ao último aspecto, o processo de mudanças tem impactado fortemente a atuação de países e das empresas. Neste contexto ambiental turbulento, as empresas tem sido submetidas a novos desafios, principalmente a uma acirrada competição. A necessidade de busca da excelência tem levado as empresas a repensarem sua filosofia de atuação, seus processos e técnicas operacionais, processos gerenciais e instrumentos de gestão”.

Entretanto, o que se constata, é que está acontecendo verdadeira revolução na organização das empresas, através da utilização de tecnologias avançadas de produção, e se tem verificado que um forte obstáculo vem inviabilizando o seu sucesso continuado, pois a abordagem tradicional encara a fábrica apenas como uma coleção de máquinas e de operações individuais.

Segundo Nakagawa (1993, p. 23), para obter as melhorias, existe novo paradigma para produção que não é a automação, robotização, nem mesmo qualquer uma das tecnologias orientadas para o uso de computadores, embora ele faça uso destes e outros conceitos e técnicas, tais como, o Just-in-Time (JIT), o Total Quality (TQC) (Controle de Qualidade Total) Computer Aided Design (CAD) Computador Ajudando o Desenho, Computer Aided Manufacturing (CAM) Computador Ajudando a Fabricação, Flexible Manufacturing System (FMS) Sistema de Fabricação Flexível, Computer Integrated Manufacturing (CIM), Fabricação Integrada por Computador ou Manufatura Integrada por Computador, Material Requirements Planning (MRP) Planejamento das Necessidades de Materiais e TOC/OPT – Teoria das restrições/tecnologia da produção otimizada, todos sendo considerados como implementação da Filosofia de Excelência Empresarial.

Ainda que, de forma introdutória e conceitual, em seguida serão apresentados alguns dos principais conceitos de filosofia industrial e de qualidade.

Just-in-Time – O JIT, procura eliminar os estoques intermediários e finais, partindo do pressuposto que os estoques são custosos e encorajadores da ineficiência fabril. Podemos dizer que é a qualidade no fluxo do processo fabril, e que é conceito de administração de produção.

Padoveze (1994, p. 384), refere-se que o “JIT nasceu no momento certo da visão de que os estoques são elementos encorajadores e acobertadores de ineficiência gerencial e lentidão do processo fabril”. Já Berliner & Brimson (1992, p. 117), dizem que “a medida que os níveis de inventário decrescem dentro da filosofia, Just-in-Time e acontecem mudanças operacionais, o processo de valorização de inventário é simplificado”. Johnson & Kaplan (1993, p. 195), dizem que no JIT “a meta de estoques operacionais zero proibia que uma peça fosse produzida sem que o estágio de produção seguinte estivesse preparado para processá-la”.

Total Quality Control – O TQC, tem a sua abordagem de “fazendo as coisas corretas na primeira vez”, sendo básica as seguintes premissas:

  • qualidade significa satisfazer às necessidades dos consumidores.
  • consumidores tanto podem ser os usuários finais dos produtos acabados, como as pessoas das operações seguintes, dentro do processo total de manufatura, conforme cita Nakagawa (1993, p. 25).

Computer Aided Design – CAD/CAE, poderá ser traduzido como o Computador Ajudando o Desenho/Computador Ajudando a Engenharia. O produto e suas partes e peças são especificados e desenvolvidos por computador, para integração com a fase seguinte do processo CIM, que é a feitura do processo.

Computed Aided Manufacturing – CAM, a seqüência computacional do CAD é o CAM – Computador ajudando a fabricação. Esse ferramental computacional parte dos dados especificados no CAD, e os transforma em linguagem das máquinas que vão trabalhar as peças, identificando e especificando como as peças deverão ser fabricadas. É a etapa do que denominamos engenharia do processo, ou engenharia de fábrica.

Flexible Manufacturing System – FMS, é o que espelha adequadamente o conceito de célula de produção. Padoveze (1994, p. 380), refere que “as máquinas componentes do FMS são controladas por computador, e são programadas para mudar rapidamente de um estágio de produção para outro. A chave de um FMS é o fluxo automatizado de materiais para a célula, através do sistema automático de movimentação de materiais, e a remoção automática dos componentes produzidos, após a sua conclusão”.

Ainda, o mesmo autor diz que outro fundamento do FMS é a possibilidade de eliminação do tempo de preparação entre uma máquina e outro componente da célula, aumentando drasticamente a velocidade de produção, com a eliminação dos tempos de preparação e movimentação de material, além do incremento da qualidade e redução de estoques.

Computer Integrated Manufacturing – CIM, para um ambiente CIM é necessário que haja integração computadorizada entre as três etapas, que são: a engenharia do produto (o desenvolvimento da idéia do produto); a engenharia do processo (a formatação e a definição da forma de executar a fabricação do produto); e a fabricação propriamente dita. Padoveze (1994, p. 378) diz que o CIM busca agilizar e integrar o processo produtivo, a partir do desenvolvimento do produto, até a fabricação final.

Material Requirements Planning – MRP significa planejamento das necessidades de materiais. Pode ser definido como um conjunto de técnicas que utiliza as listas de materiais, os dados do controle de estoques e o programa de produção, para calcular as necessidades de materiais, acionar e controlar a emissão de pedidos e ordens de fabricação, controlar e gerenciar os estoques e a produção. O inventário para o MRP é vantagem de custo.

Teoria das Restrições/Tecnologia da Produção Otimizada – TOC/OPT. A Teoria das Restrições (Theory of Constraints) denominada também de GDR (Gerenciamento das Restrições), desenvolvida por Goldratt e Cox traduziu-se numa filosofia de manufatura denominada OPT – Optimized Manufacturing Technology (Tecnologia da Produção Otimizada), que é considerada uma variante da filosofia JIT. Segundo Goldratt, o que determina a resistência, “a força” de uma corrente (um sucesso fabril, por exemplo), é seu elo fraco. Só existe um elo fraco numa corrente. Este elo fraco restringe o melhor desempenho de toda a corrente. Essa restrição ou gargalo é que deve ser imediatamente trabalhada. Eliminada a primeira restrição, outras restrições, outros elos fracos da corrente, irão aparecer, e assim sucessivamente, num contínuo aperfeiçoamento e fortalecimento do processo produtivo e empresarial.

Em se tratando de mudanças de nível tecnológico, Drucker (1990, p. 70), observa que “a fabricação do futuro será uma rede de informações. Os gerentes terão de entender todo o processo de produção”. Ainda o mesmo autor cita, na p. 66, que “o objetivo da nova contabilidade industrial é integrar a produção na estratégia dos negócios”.

Quanto às mudanças tecnológicas, Iudícibus (1995, p. 304) diz que “a maior inovação (de inspiração japonesa e hoje seguida em todo o mundo) não reside em máquinas sofisticadas, em pacotes de computador mais avançados, mas sim em dois fatores: 1) o aperfeiçoamento constate da força de trabalho, premiando a fidelidade à empresa, ampliando a cultura geral dos operários, bem como sua participação criativa e

2) uma mudança da mentalidade e da forma de trabalho no setor produtivo, a saber, ao contrário do que era praticado até então, colocam-se, agora, no mesmo time, desde as fases embrionárias do desenvolvimento de um novo produto, os engenheiros de design e os de processo (e o contador de custos acompanhando), de forma a delinear um produto que, mais tarde, na hora de ser produzido de fato, apresentará o menor número de problemas possíveis ou, se possível, nenhum, evitando custos de redesenho, reprocessamento, aumentando a qualidade e a satisfação dos clientes”.

4 – Os reflexos dessas mudanças na gestão empresarial

A atual competitividade dos negócios e as constantes mudanças nos diversos ambientes das empresas exigem a maximização do desempenho e do controle empresarial. Neste sentido, a Controladoria exerce papel preponderante na empresa, apoiando os gestores no planejamento e controle de gestão, através da manutenção de um sistema de informações que permita integrar as várias funções e especialidades.

Hoje, com a Excelência Empresarial, as informações gerenciais devem cobrir todo o ciclo de vida do produto, o qual em suas definições afeta sobremaneira o projeto de sua qualidade.

Segundo Beuren & Oliveira (1996, p. 31), “a preocupação dos empresários hoje está voltada à satisfação dos clientes. Esta situação traz consigo um clima de competitividade e faz com que as empresas comecem a exigir mais qualidade de seus produtos e serviços e, por conseqüência, maior produtividade”.

Neste sentido, Robles Jr. (1994, p. 12) diz que “a era que se inicia é a da Qualidade, em que o desperdício será duramente punido. As organizações começam a conscientizar-se da importância do aproveitamento total dos materiais. A ordem é fazer certo pela primeira vez, procurando ao máximo evitar perdas”.

Para as empresas tornarem-se competitivas, é essencial que não se tornem complacentes. Muitas vezes, consideram-se invulneráveis e por isso implantam uma estratégia de tirar partido de sua atual posição de mercado. A marca de excelência de uma empresa é um compromisso contínuo em tornar-se totalmente competitiva. Isto requer a constante eliminação de desperdícios, bem como a habilidade de manter a liderança industrial na introdução de novos produtos rentáveis ou na diversificação de produtos.

Segundo Brimson (1996, p. 18), “as manifestações mais visíveis de um fabricante de sucesso neste novo ambiente são o aumento de automação e informatização, a redução de mão-de-obra direta e de estoques, a maior atenção ao produto e planejamento da produção e ciclos de vida do produto mais curto. A revolução é baseada nas novas filosofias de manufatura, gerenciamento de qualidade e planejamento dos recursos de manufatura, juntamente com a implantação cuidadosa de tecnologias avançadas”.

A competitividade tem levado as empresas a reverem suas formas de organização. Empresas multinacionais lançam-se em projetos de racionalização de estruturas em nível mundial. Esse processo é conhecido por produção global ou globalização, cujo principal propósito é buscar o grau máximo de eficiência operacional. Para tanto, analisa-se o desempenho de todas as unidades fabris, procurando-se concentrar nas mais eficientes a produção que deverá atender à demanda em níveis globais (Robles Jr., 1994).

A globalização também visa a fabricação de um produto que satisfaça mais consumidores de uma forma mais abrangente. É a maneira que as multinacionais têm encontrado para enfrentar a concorrência de pequenas empresas, porém com alto padrão de eficiência.

Para manter-se à frente da concorrência, as empresas precisam ter informações que permitem o entendimento necessário dos fatores que elas podem influenciar. Brimson (1996, p. 20), coloca que “a gerência deve exercer uma pressão constante em toda a empresa por reduções de custos mensuráveis e ganhos de produtividade”.

Os princípios de gestão de negócios estão mudando: portanto, os procedimentos de controle e medição da eficácia de desempenho necessitam ser revisados. Mercados globais significam concorrentes globais onde há alta qualidade, baixos custos e atendimento total ao cliente. As empresas já estão fazendo altos investimentos para atender e satisfazer seus consumidores.

As empresas que não acompanharem a essas evoluções, serão obrigadas a se reposicionar ou a encerrar suas atividades. Em face destas mudanças, muitos começam a questionar-se sobre como deveria ser uma moderna técnica de apuração dos custos que lhes permitissem gerir e decidir sobre seus negócios.

No que se refere as mudanças (Ching, 1995, p. 13), comenta que “assistimos no momento a três revoluções simultâneas no mercado. A primeira é econômica, e pode ser percebida pelo surgimento de blocos econômicos, transferência de riqueza e globalização dos mercados.

A segunda é tecnológica; ela possibilitou o aumento da produtividade das fábricas e escritórios e permitiu gerir a empresa com menor número de funcionários. A terceira é administrativa; através dela notamos que a qualidade e o aumento de produtividade vêm juntos em primeiro lugar. Os empregos foram absorvidos pelas novas tecnologias e pela busca de maior produtividade, uma necessidade para qualquer empresa envolvida em concorrência árida”.

Segundo a Price Waterhouse (1993, p. 159), “o empresário tem que equipar-se para utilizar todos os recursos tecnológicos e humanos disponíveis da melhor forma e no sentido amplo do conceito, ou seja, melhor qualidade, menor custo, máximo aproveitamento e sem desperdícios”. Do empresário é requerido o conhecimento e o contínuo acompanhamento dos negócios de seu ramo de atividade.

Para isso, conforme a Price Waterhouse (1993) é necessário adequado embasamento teórico e prático sobre as metodologias de custeio. É preciso aplicar recursos em qualidade, informações, tecnologias e especialização. É preciso aplicar recursos em treinamento. E, finalmente, na maior parte dos casos é necessário contar com o suporte de especialistas, quer sejam eles internos ou externos em relação à organização.

Para sobreviver, as empresas têm que ser susceptíveis a mudança. A habilidade para avaliar decisões passadas, reagir à situações presentes e predizer eventos futuros pode ser vista como fator crítico de sucesso.

5 – Implicação das mudanças na contabilidade gerencial

Mudanças importantes na tecnologia, como a substituição do tradicional departamento produtivo em linha, em que apenas uma fase do processo de produção era completada pela “célula”, na qual os operários completam todas as fases de fabricação de um produto, o esforço de diminuir inventários, bem como a necessidade de eliminar atividades que não adicionam valor aos produtos, fizeram com que alguns conceitos e técnicas de custeio viessem a ser contemplados como mais capazes de evidenciar os custos de produção e de produtos do que as tradicionais técnicas de custeio.

Hoje, a necessidade de um sistema contábil nas empresas é uma realidade. O sistema deve possibilitar um controle eficaz e fornecer à administração todas as informações concernentes à situação patrimonial e financeira, e aos resultados obtidos.

Li (1977), menciona que a medida que a Contabilidade tem evoluído e ampliado o seu alcance, tornou-se parte essencial de todos os fins empresariais. Preocupa-se com o que aconteceu, com o que acontece e com o que se pode esperar que aconteça, portanto, tornou-se indispensável à administração, para assegurar que controles e planejamentos apropriados produzem operações lucrativas.

Neste contexto, a visão da empresa como um todo e a definição das necessidades representam as premissas básicas para a eficácia do processo. Cabe ressaltar, mais uma vez, a importância da participação do Contador, por ser a Contabilidade uma área de intensa interação com as demais.

Segundo Sá (1994, p. 25), “a administração e a contabilidade tenderão a um avizinhamento extremo, o processo decisório far-se-á mediante modelos contábeis. O futuro, cada vez mais, estará nas mãos dos cientistas da Contabilidade”.

Neste sentido, Spanholi (1994, p. 5) enfoca que “o profissional, até mesmo graduado, terá de começar a reaprender para usar o seu intelecto de forma diferente, utilizando a criatividade, a lógica e o sinergismo. Cabe, portanto, indagar: até quando vamos ignorar esta realidade? Precisamos repensar a função da contabilidade nos moldes tradicionais e as novas especialidades profissionais”.

Segundo Silva (1994, p. 27), “as organizações cresceram, o sistema econômico tornou-se complexo, evoluindo também a Contabilidade”.

Os informes da contabilidade gerencial, não raras vezes, são de pouca valia para os gerentes operacionais, no seu empenho de reduzir custos e melhorar a produtividade. Tais informes afetam, com freqüência, a produtividade, por demandarem os gerentes operacionais tempo tentando entender e explicar divergências apresentadas, pouco a ver com a realidade econômica e tecnológica de suas operações.

Nestes termos, Johnson & Kaplan (1993), fortalecem esta idéia de que sistemas de contabilidade gerencial podem e devem ser projetados em apoio às operações e estratégias da organização.

A tecnologia existe para implementar sistemas radicalmente diferentes dos hoje em uso. O que falta é conhecimento. Mas tal conhecimento pode emergir da experimentação e da comunicação. O espírito inovador visível há cem anos, no princípio do movimento de administração científica, pode ser recuperado por gerentes inovadores e pesquisadores acadêmicos comprometidos com o desenvolvimento de novos conceitos no projeto de sistemas de contabilidade gerencial relevantes.

Esses aspectos devem ser de conhecimento do contador gerencial, e grande parte deles deverá estar presente no sistema de informação contábil, dentro dos aspectos peculiares da empresa. Cada empresa tem seus produtos, sua tecnologia de produção, administrando-a dentro de conceitos que julga mais adequados a sua realidade produtiva, e trabalha dentro de uma filosofia de qualidade gerencial e de produtos, que deve permear por toda a empresa.

Isto conduziu os profissionais da Contabilidade a redesenhar seus sistemas de informações gerenciais, incorporando novos conceitos que melhor retratam as alterações nos métodos de administração de produção.

Spanholi (1994, p. 7) diz que “o impacto provocado pelas mudanças tecnológicas é um fenômeno presente, não só na contabilidade, mas em todos os segmentos da sociedade. Não há volta; é um processo irreversível”.

Portanto, a Contabilidade Gerencial deve consistir de um sistema de informações atualizadas. Lago (1996, p. B-02) comenta que “todos nós temos de tomar decisões financeiras, diariamente, e para tanto é imprescindível dispormos das mais atualizadas informações”.

6 – Considerações finais

Com este artigo, pretendeu-se evidenciar a constatação do revigoramento da Contabilidade, como um sistema de informação de eventos e transações econômicas das empresas, no atual cenário de competição global.

A empresa do mundo moderno mudou suas estratégias; a globalização dos mercados e a alta competitividade fizeram com que ela evoluísse em níveis de alta eficiência, em que a especialização passou a constituir uma de suas características mais relevantes. Os estudos sobre a empresa delineiam, atualmente, previsões de administração estratégica e atividades até pouco tempo atrás desconhecidas, como a reengenharia de processos e o enfoque da qualidade total (Casanova e Vargas, 1995).

Quanto as mudanças, Kanitz (1977), diz que o mundo está mudando de maneira contínua, mais rápida e imprevisivelmente. Se hoje temos uma idéia do que controlar, nada é possível afirmar em relação ao futuro imediato.

Em se falando de mudanças, Nakagawa (1993) ressalta que, em tal cenário, o modelo de decisão das empresas requer a mais perfeita e completa integração de todas as áreas funcionais, e a Controladoria desponta como o principal responsável pela disponibilidade na empresa de um sistema de informações que suporte adequadamente tal modelo de decisão.

Diz ainda que, pode-se afirmar que hoje a Contabilidade já tem a sua resposta às necessidades informativas das empresas que estão adotando as tecnologias avançadas de produção.

Cabe tão-somente aos Contadores a responsabilidade de se integrarem efetivamente na equipe que toma as principais decisões da empresa, para disseminar e implementar os conceitos e sistema de gestão.

Neste sentido, Coopers & Lybrand (1993, p. 184), focalizam que a contabilidade como ciência está preparada para analisar, registrar e gerar dados e informações: cabe entretanto, aos profissionais desta área reciclarem seus conceitos com o intuito de apresentarem um modelo que melhor indique a realidade da manufatura diante da economia, podendo, desta forma, apresentar resultados fidedignos.

Bibliografía

BERLINER, Callie, BRIMSON, James A. Gerenciamento de custos em indústrias avançadas – base conceitual. São Paulo: Queiroz, 1992.

BEUREN, Ilse Maria, OLIVEIRA, Hilamar Voigt de. Mensuração das atividades empresariais: custeio baseado em atividades X método das unidades de esforço de produção. Revista do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, v. 25, n. 84. p. 31-9, jan/mar.1996.

BRIMSON, James A. Contabilidade por atividades: uma abordagem de custeio baseado em atividades. São Paulo: Atlas, 1996.

CASANOVA, Ruth Marambio, VARGAS, Domingo Fabres. O modelo ABC – uma nova perspectiva na contabilidade gerencial. Revista Brasileira de Contabilidade, Brasília, a. 24, n 93, p.45-50, maio/jun. 1995.

CATELLI, Armando, GUERREIRO, Reinaldo, Uma análise crítica do sistema “ABC – Activity Based Costing”. Revista Brasileira de Contabilidade, Brasília, a. 24, n. 91, p. 16-23, jan./fev.1995.

CHING, Hong Yuh. Gestão baseada em custeio por atividade (activity based management). São Paulo: Atlas, 1995.

COOPERS & LYBRAND Auditores e Consultores. Novas tecnologias de produção. Curso de Contabilidade Gerencial. Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo. São Paulo: Atlas, 1993.

COUTINHO, Luciano G.et. O Brasil e a economia global. Rio de Janeiro: Campus, 1996.

DRUCKER, Peter. Uma nova teoria da produção. Revista Exame, v. 22, n. 13, p 64-72, 27 jun. 1990.

IANNI, Octávio. Teorias da globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995.

IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade gerencial. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1995.

JOHNSON, H. Thoman, KAPLAN, Robert S. Contabilidade gerencial: a restauração da relevância da contabilidade nas empresas. Rio de Janeiro: Campus, 1993.

LAGO, Humberto Campos. Balanços defasados! Diário da indústria e comércio de Santa Catarina, n. 297, p. B-02, 02 abril, 1996.

LI, David H. Contabilidade gerencial. São Paulo. São Paulo: Atlas, 1977.

MARTINS, Eliseu. Globalização de mercados e harmonização das práticas contábeis. Revista Brasileira de Contabilidade. Brasília, a.20, n 78, p. 28-34, jan./mar. 1992.

NAKAGAWA, Masayuki. Gestão estratégica de custos. São Paulo: Atlas, 1993.

PADOVEZE. Clóvis Luís. Contabilidade gerencial – um enfoque em sistema de informação contábil. São Paulo: Atlas, 1994.

QURESHI, Zia. Globalização: novas oportunidades, duros desafios. Finanças & Desenvolvimento, Rio de Janeiro: Fundo Monetário Internacional e Banco do Brasil, v. 1, n. 16, p.30-3, mar.1996.

ROBLES JÚNIOR. Antônio. Custos da qualidade – uma estratégia para a competição global. São Paulo: Atlas, 1994.

SÁ, Antônio Lopes de. Perspectivas do conhecimento contábil para o 3º milênio. Revista Brasileira de Contabilidade, Brasília, a. 23,n 88, p. 16-25, out. 1994.

SILVA, Hélio da. Controle gerencial: uma abordagem comportamental. Revista de Divulgação Cultural, Blumenau, v. 17 , n. 55 , p. 27-30, maio./ago. 1994.

SPANHOLI, Valdemar. Contabilidade e informática: uma abordagem do futuro. Revista do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, v.22, n. 74, p. 3-7, jul./set. 1994.

THORSTENSEN, Vera, NAKANO, Yoshiaki. O Brasil frente a um mundo dividido em blocos. São Paulo: Nobel, 1994.

WATERHOUSE, Price. Medidas de qualidade. Curso de Contabilidade Gerencial. Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo. São Paulo: Atlas, 1993.

Hazle saber al autor que aprecias su trabajo

Tu opinión vale, comenta aquíOculta los comentarios

Comentarios

comentarios

Compártelo con tu mundo

Escrito por:

Cita esta página
Pereira Kraemer Maria Elisabeth. (2005, marzo 17). A contabilidade gerencial no contexto operacional da atual economia globalizada. Recuperado de https://www.gestiopolis.com/contabilidade-gerencial-contexto-operacional-tual-economia-globalizada/
Pereira Kraemer, Maria Elisabeth. "A contabilidade gerencial no contexto operacional da atual economia globalizada". GestioPolis. 17 marzo 2005. Web. <https://www.gestiopolis.com/contabilidade-gerencial-contexto-operacional-tual-economia-globalizada/>.
Pereira Kraemer, Maria Elisabeth. "A contabilidade gerencial no contexto operacional da atual economia globalizada". GestioPolis. marzo 17, 2005. Consultado el 17 de Noviembre de 2018. https://www.gestiopolis.com/contabilidade-gerencial-contexto-operacional-tual-economia-globalizada/.
Pereira Kraemer, Maria Elisabeth. A contabilidade gerencial no contexto operacional da atual economia globalizada [en línea]. <https://www.gestiopolis.com/contabilidade-gerencial-contexto-operacional-tual-economia-globalizada/> [Citado el 17 de Noviembre de 2018].
Copiar
Imagen del encabezado cortesía de 30239838@N04 en Flickr
DACJ