Análise dos fenômenos de vendas e lucros com relação à liquidez

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A análise do capital por meio dos balanços possui como escopo a busca de explicação dos fatos patrimoniais conspícuos nas dimensões qualitativas e quantitativas, temporais e espaciais próprias dos informes que inspiram indagações diversas.Uma análise básica da riqueza, nunca, desde o século XX, preteriu com bases cientificas designar as razões dos elementos fundamentais de estudo dos aspectos financeiro e reditual, o que motivou a Masi (1873-1977), pai do patrimonialismo, produzir livros com o titulo da temática inquirida neste breve ensaio textual.Tal assunto básico para tecnologia contábil, apesar de sempre ser tratado, nunca foi consuto e hoje deve ser abordado com veemência e compreensibilidade, para os peritos em contabilidade, e os liceístas da mesma matéria e profissão, no ímpeto cientifico adequado, que almeja as conclusões de eficácia e prosperidade do capital de funcionamento.

1. Análise patrimonial através de balanços

A análise de balanços surgiu sem resmulengos, quando os cientistas e profissionais contábeis perceberam que os orçamentos, planos de contas, registros, contas, demonstrações e demais informações, eram formas de nosso conhecimento, portanto, caminhos e instrumentos para se obter as razões dos fatos patrimoniais com planeza intelectual e proficiência.

As informações contábeis são realmente representações dos aspectos estáticos e dinâmicos que pertencem à riqueza das empresas e entidades. As demonstrações dos fatos se referem àquilo que se vai explicar, pois, é vulnerável à reflexão e conhecimento. A relevação tal como Masi (1968) explicou são os critérios para nos fazer conhecer os comportamentos dos fenômenos patrimoniais.

O próprio Kant (1714-1825) no auge de seus pensamentos filosóficos, dizia em sua critica a razão (Apud – Margenau, Berganimi 1966) que os conceitos são derivados dos dados, entretanto, os dados sem conceitos são “frios” e não representam utilidade, pois, em vez de serem entendidos ou decifrados para o seu “aquecimento”, ocorre o contráctil que deixa a informação “morta”; “gelada”, sem utilidade precípua para a qual foi produzida; a contabilidade num caso como este fica sem o devido e ideal efeito.

Ora, o próprio Casson parafraseado por Masi (Apud – Herrmann Júnior, 1972 Pág 45) perguntava: “Que conhece das cifras o indivíduo que conhece somente as cifras?”, ou seja, não basta produzir balancetes, prestações de contas, balanços financeiros, registros e guias de impostos, se estas “cifras” não são suscetíveis ao raciocínio e explicadas pelo conhecimento contábil, já que a informação é submissa a razão contábil.

Do mesmo modo que uma radiografia ou um outro exame qualquer é apenas um instrumento para o médico estudar, realizar diagnósticos e designar tratamentos, os balancetes, balanços e demonstrações são as “radiografias” do contador para que este ausculte o “organismo” patrimonial, definindo a terapêutica ou o estado preciso de comportamento. É certo, real e verdadeiro termos a mesma intenção do médico: a de “gerenciar” o “corpo patrimonial” e produzir récipes consultivas para a sua “saúde”.

Ora, quando Rontgen (1845 – 1923) descobriu, digo, criou os Raios X, sabia ele que está máquina, ou este processo, seria um instrumento a serviço da medicina e não o seu objeto. O primogênito na laureação do prêmio Nobel – porque Rontgen foi o primeiro a ganhar tal prêmio em 1901- sabia que a sua patente descoberta seria uma forma que “representaria” as patologias ósseas, musculares, cerebrais, não sendo a própria doença em foco (aqui está a falha daqueles que confundem a informação contábil com a própria contabilidade, sua função, objeto e objetivos); sua mentalidade estava avançada milênios adiante.

Pois, quando se produziam balanços – os quais foram mais difundidos por Luca Pacioli (1494) segundo relata Amorim (1970) na explicação do “método doppio” (partida dobrada)- e demais demonstrações, pensava-se que estes eram os objetos de nossa ciência o que derivou o movimento doutrinário que se chamava contismo.

Atualmente o pragmatismo contábil pugna a favor deste pensamento: que a contabilidade é uma “ciência da informação”, imputando, a esta disciplina o múnus de prática informativa, reduzindo o seu potencial cognitivo para zurzir o mesmo; porém, tão malgrada posição terá que se modificar, para que a concepção deste ramo do conhecimento humano e social, saia do cacófato em que eles o concebem e discursam erroneamente, atanazando esta disciplina.

Tal posição intelectual emite pouco frenesi aos animais superiores na compreensão dos fenômenos da riqueza, que não são “Fenômenos da informática”; e nem “Fenômenos da Informação”, mas, “Fenômenos Patrimoniais” sujeitos à explicação cientifica da contabilidade, de forma própria como nenhuma outra ciência.

O pai da sociologia moderna, criador do positivismo Augusto Comte (1798 – 1857) dizia que o verdadeiro conhecimento residiria nas relações dos fatos, ou seja, nas suas razões e não na produção de idéias subjetivas e dogmáticas que nortearam a história do conhecimento; o verdadeiro saber é contráctil a esta posição.

Destarte, o conhecimento contábil passou a se modificar, e uma das obras incipientes deste esforço racional foi a “La Tenue des Livres à parties doubles” de Coffy(1834) averiguada por Costay ( Apud- D`auria 1954) que buscava analisar o capital ou a atividade das “Enterprises” ( empresas e entidades) existentes na sociedade.

No século XIX, a busca da explicação contábil dos fatos da riqueza foi enaltecida na aspiração de interpretar os informes da relevação, e, no século XX tal desiderato ganhou impulso célere, nas pesquisas realizadas nos Estados Unidos da América, pois, neste país se tornava obrigatória a análise feita pelos Bancos a empresas que solicitavam empréstimos (Apud – Herrmann Júnior 1975).

Surge então a “Análise de Balanços”, pois, o objeto da contabilidade não era e nunca foi os “Balanços”, entremente, todavia, o “Patrimônio” ou a “Riqueza” que se representava através destes informes; então o estudo contábil analítico era do capital por meio dos demonstrativos e tinha este escopo.

Com o aparecimento da “Análise patrimonial através dos Balanços” que se buscou mais autenticamente as razões dos estados de comportamentos patrimoniais nos seus aspectos: estático e dinâmico, a fim de detectar as situações de eficácia, ou as patologias, que estipulam as propedêuticas e terapêuticas exatas, para a prosperidade do capital das empresas e patrimônio das entidades como já dizia D`auria (Apud – Franco 1973).

2. Os fenômenos patrimoniais como objeto da contabilidade

Não há dúvida que os fenômenos patrimoniais são objeto do estudo contábil. Pois, não existe ciência alguma que deixe de centralizar os seus esforços na compreensão dos fenômenos. Inexiste conhecimento organizado que deixe de estudar os acontecimentos de seu interesse. Os fatos são realmente estudados, e existem diversos, de acordo com os segmentos disciplinares são os “fenômenos jurídicos”; “fenômenos químicos”; “fenômenos físicos”; “fenômenos matemáticos”; “fenômenos metafísicos”; “fenômenos paranormais” e outros mais; como a contabilidade estuda o patrimônio é lógico que ela perquire os “Fenômenos Patrimoniais”.

A relevação representa a técnica ou o conjunto de meios que nos fazem conhecer os fenômenos da riqueza patrimonial, tal como as suas categorias diversas. A informação apenas esclarece o conteúdo fenomenal contábil, que se divide, ora nos aspectos estáticos, ora, nos aspectos dinâmicos, senão, em ambos ao mesmo tempo de forma concomitante e interdependente.

Na verdade toda representação estática encerra em seu conteúdo elementos dinâmicos e estes fazem a riqueza ter estados diversos de sanidade, ou patologia de acordo com o seu comportamento, que, obviamente, será observado pela análise patrimonial ou análise contábil através dos balanços.

O ângulo de observação dos fenômenos patrimoniais utilizados pela contabilidade destoa e muito dos demais pontos de vista de outras disciplinas; apesar do patrimônio ser estudado pelo direito, economia e administração, a maneira de observar o fenômeno patrimonial é diferente nestas ciências e muito peculiar no campo contábil. O fenômeno patrimonial é objeto da contabilidade e somente ela pode estuda-los de modo a definir os comportamentos idéias – porque como disciplina evidencia e indaga os tais – como já dizia Masi (1968):

A contabilidade estuda os fatos ou fenômenos patrimoniais… e de fato a contabilidade e somente a contabilidade como ciência, conhece o patrimônio aziendal, os seus elementos qualitativos e os seus valores nas várias categorias ou sistemas nos quais podem ser considerados; a contabilidade e somente a contabilidade, pode estudar a natureza dos investimentos patrimoniais, a sua constituição e a sua gestão, como também os financiamentos nas suas várias formas e modos de constituição e de realização em que podem ser efetuados… as pesquisas e a aplicações concretas são extensíssimas, assim diga-se para as receitas… o rédito… As entradas e as saídas especialmente financeiras…

Contudo, somente através da teoria, dos teoremas, das leis cientificas, pode a contabilidade com notável grandeza, estudar os acontecimentos patrimoniais, ora, os básicos que ocorrem na atividade ou os fortuitos que acontecem e são importantes na observação das causas de estados diversos na riqueza.

3. Os fenômenos financeiros

Alguns dos fenômenos que causavam o interesse dos estudiosos nos primeiros tópicos da análise de balanços foram os chamados “Financeiros”, porque eram concernentes ao sistema de liquidez que compreende os pagamentos e recebimentos diversos e a capacidade de liquidar as dividas, pois, estas influenciam na vitalidade e no definhamento do capital de funcionamento.

A preocupação inicial era verificar se as empresas tinham capacidade de pagar os compromissos exigíveis, quando em algumas situações solicitavam créditos a bancos ou instituições financeiras para o funcionamento perfeito de sua atividade.

Portanto, a análise dos fenômenos financeiros surgiriam como primícias em comparação às outras como disse Sá (1962,1981, 1982). Em especial nos Estados Unidos da América, onde as empresas necessitavam freqüentemente de empréstimos a bancos e estes só poderiam concede-los mediante o estudo dos balanços produzidos e assinados pelo contador, conforme afirmou Matarazzo (1998).

Era, pois, o aspecto financeiro que interessava, ou seja, a condição de liquidez da empresa e sua solvência; o que ela tinha a receber e o que ela tinha a pagar; o montante líquido destas duas grandezas; o potencial para “fazer frente” às exigibilidades e sua correta debelação; quais os tipos de dívidas que a azienda possuía; enfim: o que a empresa tinha de meios e necessidades de pagamento. O aspecto financeiro diz respeito ao “que se tem” para pagar e “o que se tem” para o pagamento, conforme explicou Sá (1999).

Neste sentido desenvolveram então uma série de estudos sobre os fenômenos financeiros, ou seja: os fenômenos de recebimento e pagamentos; de entradas e saídas financeiras; de concessão de crédito e insolvência destes; de contração de dividas nas suas respectivas naturezas; de estocagens e aplicações financeiras; tal como outros diversos acontecimentos que existem sistematicamente na liquidez.

A partir desses estudos que a análise contábil por meio dos balanços passava a se tornar obrigatória como norma, ou lei, para bancos em toda situação em que solicitassem créditos junto ao mesmo. O risco de insolvência destas aziendas- os bancos- poderia aumentar com a concessão do empréstimo cedido então rezavam constantemente uma jaculatória: “Para nunca liquidar o banco deve estar sempre pronto a liquidar” como disse Herrmann Júnior (1975).

4. Os fenômenos redituais

Quase concomitamente com os estudos sobre o sistema financeiro, surge em conjunto a necessidade de avaliar, observar, entender, analisar e explicar os fenômenos redituais relativos à lucratividade que condizem com a capacidade do capital em obter resultados positivos, no seu constante funcionamento.

Desde a época de paciolo (1494) o lucro era ressaltado e este insigne frei dizia que seria licito ao proprietário do empreendimento usufruir o bom lucro de seu capital; para o religioso – contador a atividade lucrativa era sadia quando fomentada pela ética e o respeito humano.

Mas, foi a partir do século XIX com a revolução cientifica na contabilidade, que os estudos do rédito e seus específicos fenômenos mereceram a atenção dos estudiosos, principalmente os Italianos – basta citar Zappa (Apud – Aloe 1969) que produziu uma obra sobre os resultados da empresa, com maior atenção, importância e representatividade.

Então com notabilidade e eficiência passava a existir o estudo dos fenômenos do sistema de resultabilidade: as vendas e demais receitas, os custos, as despesas, os gastos eventuais, o aproveitamento destes fatos, a lucratividade e muitos outros acontecimentos que se demonstravam nos balanços redituais, que Franco (1973) denominava de “Balanços Dinâmicos” porque representavam as “Variações Patrimoniais”.

E, o bom progresso do capital depende e muito dos fenômenos redituais que promovem variação no capital próprio e patrimônio total. A lucratividade como fato, garante a economicidade da célula social como que, a sua eficácia e prosperidade.

A análise básica do capital não depende somente dos fenômenos financeiros, mas, também, da capacidade da riqueza em produzir lucros. Neste intuito que o professor Vincenzo Masi no final da década de 30 – tal como me relatou o professor Lopes de Sá pessoalmente – lançou a obra: “Analisi finanziarie e reddituali in relazione al capitale in gestione nelle imprese” com a benéfica finalidade de orientar os contadores no estudo destes importantes gêneros de acontecimentos.

Para uma boa análise do capital é necessários no mínimo, observar a capacidade de pagamento da empresa (liquidez e fenômenos financeiros) e a capacidade de obter resultados (resultabilidade e fenômenos redituais); pagar os compromissos e obter lucros representam objetivos centrais no estudo do patrimônio.

O estudo dos fenômenos redituais de vendas e lucros em relação à liquidez, representa a atividade fundamental do contador na consultoria contábil. O capital das empresas e o patrimônio das entidades para serem “sadios” devem ter um bom funcionamento das vendas, lucros, no mesmo patamar de comportamento adequado da liquidez.

5. Análise das vendas

As vendas são fenômenos redituais provenientes dos elementos patrimoniais comuns à atividade aziendal; tal acontecimento busca recuperar os custos investidos e propor uma margem superior para produzir o lucro. São chamados também de ingressos como já dizia Franco (1973).

Tais fenômenos- as vendas- pertencem ao gênero de receitas. As receitas são fenômenos do sistema reditual que geram resultados (que podem ser negativos ou positivos), originam principalmente das vendas de produtos e mercadorias ou da prestação de serviços, e são calculadas pelos custos, despesas e gastos.

O surgimento de uma empresa incide ao surgimento de uma atividade, e preconização de um produto, então, a azienda necessita vender o seu produto para que a atividade continue e gere benefícios redituais, portanto, o cliente, o local onde está o empreendimento, a propaganda, a popularidade, a velocidade de produção, a demanda, a oferta, a comunidade, a cultura, a estrutura física são fatores ambientais que influenciam e muito as vendas.

Como a venda é um fenômeno patrimonial pertencente a azienda, possui em seu teor um aspecto cinemático que provoca situações diversas no capital; apesar de ser representado estaticamente pela informação é um acontecimento em constante marcha.De modo grosseiro, pode-se verificar os valores que a empresa tenha vendido, ou seja: “produziu 100 unidades e vendeu 80”, ou então “Vendeu $10.000 no mês”, porém, tal forma de observar balanços não atinge a sua real finalidade.

Em essência o fato de vender um tanto e produzir um outro tanto, interessa, quando existe compatibilidade entre as relações dos fenômenos, contudo, observar tais aspectos de forma estática refrata o verdadeiro sentido da análise: buscar a eficácia do fenômeno ou verificar o seu ideal comportamento.

Portanto, deve-se proceder analisando o fenômeno no tempo, ou seja, averiguar o seu comportamento durante alguns períodos, a fim de verificar se ele regrediu ou evoluiu, porém, é necessário estuda-lo considerando também os ambientes que influenciam a atividade.

Somente observando a causa e efeito dos fenômenos de venda, ou seja: as situações empresarias, o mercado, o local, o tipo de produto, o tipo de atividade, a administração, que a análise poderá ser realmente substancial, pois, perquire a verdadeira situação comportamental deste importante fenômeno.

Analisar simplesmente “quanto” e o “que” se vendeu não é suficiente; o próprio empresário sabe dessas informações; é preciso saber se a grandeza que se vendeu foi eficaz, ou seja, garantiu a satisfação das necessidades materiais, debelando os custos, despesas e gastos investidos no exercício social.

Mas, um dos aspectos importantes neste estudo das vendas é verificar o seu progresso. Quanto mais cresce o movimento das vendas melhor para o capital. A atividade então, funciona em ritmo de eficácia porque se vende mais e bem.
Uma dos importantes métodos extraído da matemática aplicada – porém apropriando tal forma para a contabilidade e seus objetivos – é o chamado “Índices” ou “números-índice” que consiste em utilizar um valor como base e comparar as demais cifras com relação a ele. Ou seja, a base é “100” e os demais números serão comparados com relação a ele. Eis a fórmula:

X ® 100 Índice: Y x 100
Y ® ? X

Se a base de X é 100 quanto significa Y? Então vejamos um exemplo: suponhamos que X seja igual a $ 100.000 e Y igual $ 220.000; vejamos o índice:

100.000 ® 100 Índice: 220.000 x 100 Índice = 220%
220.000 ® x 100.000

Então a venda de 100.000 em um ano cresceu 220% no outro ano, ou seja, ela ultrapassou ao dobro de sua proporção e movimento, contudo, não quer dizer que apenas, por este motivo o capital está bem reditualmente; a evolução foi boa, mas, deve-se ter abrangência de variável, isto é, seria bom que tivesse vários anos ou períodos para firmeza a de conclusões.

Hoje na situação em que está a ciência contábil, ela pode afirmar que não basta simplesmente vender se não existe o efeito das vendas. A empresa pode vender e estar em má situação, com um péssimo funcionamento do capital porque, o produto da venda não existe ou é mal destinado. As questões são muitas, e os estudos científicos não aceitam mais o paradigma imponderável de empirismo, pois, cada vez mais se embrenha na substância patrimonial.

6. A análise de lucros

Os lucros são espécies de resultados do patrimônio, produzidos após um período de gestão, num confronto de fenômenos de investimentos de desinvestimentos redituais. O lucro é um fenômeno, um movimento da empresa; um acontecimento necessário para a vitalidade e prosperidade do capital.

Como principal escopo empresarial o lucro se destaca; mas, porém, tal movimento é necessário também para as entidades sem o qual não sobreviveria. O lucro é benéfico e proveitoso, contudo, não basta ter lucros se estes não produzem efeitos.

Quando a empresa vende, ela produz lucros; mas, podem existir casos em que isto não acontece, então o capital terá prejuízos, por isso, que disse anteriormente que não basta vender se este fenômeno não produz efeitos que transparecem no estado positivo do resultado. Pode-se vender e não ter lucros.

Portanto, em uma análise reditual, não basta verificar o comportamento das vendas, deve-se também analisar a cinemática dos lucros em consonância; este seria o básico na análise destes fenômenos (isto seria o mínimo exigido no que deve ser observado na análise reditual: as vendas e os lucros).

Quanto mais se vende, e mais se lucra, melhor será para o capital; quanto menos se vende, e mais se lucra, temos uma situação pitoresca, porém estável; quanto mais se vende, e menos se lucra, existe uma situação desfavorável; mas, quanto menos se vende e lucra, haverá uma situação perigosa. Cada caso é um caso, devendo ser observados como extrema cautela.

O importante é verificar se as vendas se alteram em consonância com os lucros e porque se alteram; qual é a causa e conseqüência disto, de acordo com o tipo de empreendimento e atividade.Por isso, é aconselhável utilizar o mesmo método que relatei anteriormente sobre a análise de vendas: os “Números-Índice” para observar o comportamento dinâmico dos lucros no tempo. É uma opção aconselhável.

7. Análise da liquidez

A análise da liquidez é aquela que condiz com o estudo da capacidade de pagamento do patrimônio. Então tal análise é concernente à investigação das entradas e saídas financeiras; recebimentos e pagamentos; créditos, dívidas e estoques; como que os fenômenos de imobilização financeira, e fatos de solvência e insolvência. A eficácia de movimento da liquidez que é perquirida por esta tecnologia contábil.

Porém, a análise financeira apesar de parecer ser simples ela não é fácil; o seu cálculo exige cautela; as suas conclusões solicitam certeza, e o seu estudo necessita sagacidade; a análise contábil da liquidez é uma das mais complexas que se possa imaginar (por isso, tempos atrás escrevi um artigo intitulado “Liquidez Estática e Dinâmica” que foi publicado na insigne Revista Mineira de Contabilidade, tratando sobre a substancial análise de liquidez).

Tratarei de forma básica sobre a análise financeira do capital. O intuito deste estudo é verificar a capacidade de pagamento da empresa, ou seja, se ela está boa ou ruim e porque está em tal estado. Para isto utilizarei o método denominado “Quociente” que é uma relação dos fatos componentes ou uma razão no estudo dos mesmos (Por isto que Roberto Pfaltzgraff produziu uma obra intitulada “Manual de Análise de Balanços” chamando os quocientes de “Ratios” que significa o mesmo que “razão”).

As razões ou quocientes são métodos da contabilidade que buscam a explicação entre dois fatos, ou seja, “Porque” eles estão daquela forma, em “Quanto” está, e “Qual” seria o significado ou relação daquilo. Há quem chame os quocientes de índices, contudo, foge da terminologia lógica: um quociente é uma relação, e um índice é uma comparação entre dados de períodos diferentes; no ponto de vista contábil, um quociente pode se tornar um índice, porém aquele não é igual a este; a natureza de um apesar de influenciar a do outro, não permite que se afirme a igualdade.

Alguns quocientes tradicionais, comuns, que surgiram na análise financeira do capital, no intuito de obter explicações sobre a capacidade de pagamento são os seguintes:

Quociente de Liquidez Comum
Ativo Circulante Quociente que busca a razão da capacidade de pagamento, ou seja,
Passivo Circulante quanto de meios de pagamento existem para as dívidas.

Quociente de Liquidez Deduzida
Ativo Circulante – Estoques Quociente que busca a razão da capacidade de pagamento
Passivo Circulante deduzindo os estoques, ou seja, quanto existe de meios de pagamento sem considerar os estoques.

Quociente de Liquidez Absoluta
Disponibilidades Quociente que busca a razão da capacidade imediata de pagamento, ou
Passivo Circulante seja, quanto que existe de disponibilidades paras as dívidas.

Quociente de Giro dos bens realizáveis
Vendas Quociente que busca a razão dos giros dos bens realizáveis, ou
Créditos + Estoques seja, quanta vezes que se renova tais elementos.

Quociente de Giro das dívidas
Contração de dívidas no período Quociente que busca a razão do giro das dívidas, ou seja,
Saldo final das dívidas quantas vezes se renova tais elementos.

Tais quocientes servem para averiguar o quanto que o capital possui para o pagamento das dívidas de modo imediato ou geral; qual seria a velocidade de renovação dos bens realizáveis (geralmente quanto maior melhor); qual seria a velocidade de rotação das dívidas (geralmente quanto menor melhor); quanto existe de dinheiro e crédito para o pagamento: relações essenciais e básicas para a conclusão da eficácia da liquidez.

O quociente mais utilizado na tradicional análise de liquidez é o “Comum” que revela quanto existe de meios financeiros para o pagamento. Por exemplo, se a empresa possui $ 12.000,00 nas dívidas e $ 13.000,00 no Ativo circulante, qual seria a minha capacidade de pagamento? Veremos:

Quociente de Liquidez Comum
13.000 = 1,08 Para cada um real de dívida o capital possui $ 1,08 de meios para o
12.000 pagamento.

A situação está boa, porém merece cuidado, pois, o capital possui pouca “folga” para o pagamento. Quanto maior tal relação melhor para a empresa. E, a medida de sanidade é 1, ou seja, maior do que um está bom e menor do que um aparenta estar mau, porém, existem outros aspectos a se considerar.

A liquidez é um movimento e como o tal, depende da velocidade de seus componentes meios, para a eficácia real de seu sistema; como disse, existe uma “Liquidez dinâmica” real que é atinente à agilidade da capacidade de pagamento como Sá (1965) defendeu em sua tese de doutorado (obra esta que possuo assinada pelo mestre).

De uma maneira geral explico: quando a liquidez está com um bom resultado (maior que 1) ao mesmo tempo em que existe uma boa renovação de seus meios de pagamentos (giro dos bens realizáveis) em comparação com as dívidas (giro das dívidas), com uma evolução das vendas (Índice de Vendas) e Lucros (Índices de lucros) a situação financeira e reditual da empresa está normal e eficaz.

Quando a liquidez comum é ineficaz, mas, os giros e as vendas evoluem juntamente com os lucros pode existir uma boa situação financeira. Neste caso a liquidez está em bom funcionamento mesmo quando não aparenta estaticamente tal resultado pelo seu quociente comum, porque, tal função depende mais da temporalidade de seus elementos do que de sua proporção com bem disse Sá (1992, 1999, 2005).

Isto porque tudo depende do “Giro” ou da “Renovação” dos elementos, como defendeu Sá (1965) em sua “Teoria da Liquidez Financeira do Capital” apresentada à “Real Academia de Ciências Econômicas y Financeiras de Barcelona” na Espanha publicada juntamente com sua Tese a “Teoria do Equilíbrio”.

O correto é que exista uma liquidez e que esta evolua ou se estabilize concomitamente com o progresso das vendas e dos lucros. A liquidez deve existir e estar em boa situação; as vendas e lucros devem evolver no tempo; quando tais situações não são compatíveis deve-se aprofundar a análise contábil, a fim de verificar a real causa para tal estado ou comportamento.

8. Análise das vendas e lucros em comparação com a liquidez

A análise financeira e reditual não se resumem nos poucos cálculos aqui descritos, ela abrange a um infinito número de quocientes e fatos. Os fenômenos financeiros e redituais integram um mosaico sistemático de categorias patrimoniais; são básicos para o capital, e, além disso, possuem uma interligação importante.

Não basta ter uma boa liquidez comum, se esta não condiz com as vendas do período. As vendas fazem com que os elementos do capital se movimentem ou “girem”. O giro dos elementos circulantes é de extrema importância para a eficácia da liquidez.

Os fenômenos de lucros também possuem extrema ligação com a liquidez, em especial com o elemento caixa. Quando se lucra é porque as vendas foram realizadas com uma margem maior, e a tal que figurará na proporção do caixa, pois, tais acréscimos aumentarão a capacidade de pagamento.

Portanto, as vendas que geram lucros, denotam profunda harmonia e efeito; os lucros que geram bens financeiros também representam uma boa situação. Uma interação correta seria esta: que o capital circulante promova as vendas, que estas gerem lucros e estes aumentem o potencial de pagamento como bem disse Sá (1999).

Esta sintonia entre os fenômenos redituais e o sistema de liquidez deverá existir para que os estados de dinâmica possam alcançar a eficácia. O capital de funcionamento, basicamente, necessita de tais fenômenos para que consiga uma boa atividade.

A análise básica do capital é aquela atinente ao estudo das vendas, lucros em comparação com a liquidez, para verificar se os sistemas financeiros e redituais possuem uma boa interligação; se harmonizam entre si, em comparação com o tempo. Vejamos um exemplo prático desta situação de análise de vendas, lucros e liquidez (Anexo 1).

Pelo quadro comparativo nos sete anos percebe-se uma boa situação financeira e reditual: quando as vendas prosperam vagarosamente (houve crescimento durante o período analisado), os lucros também evoluíram (cresceram 76%), ao mesmo tempo em que a liquidez foi o estável, e, o giro dos bens realizáveis foi muito maior do que os das dívidas (porque, a capacidade de pagamento existe em proporção e dinâmica). Quando existe ao mesmo tempo o progresso dos fenômenos redituais, com a liquidez, haverá uma boa situação no capital.

Portanto, não basta vender, é preciso também lucrar, ter giros, meios de pagamento para que se note o verdadeiro efeito. Porém as vendas e os lucros devem estar em inteira correspondência com o sistema financeiro, em proporção quantitativa e temporalidade dinâmica.

Tudo isto porque não existe acontecimento isolado no patrimônio: tudo é hereditário, interdependente; tudo possui “relação a” alguma coisa; os fenômenos financeiros possuem estreita e forte ligação. Quando há especifico comportamento em um fato haverá uma influência no outro.

A análise básica dos fenômenos financeiros e redituais do capital condizem com o estudo da cinemática das vendas, e dos lucros em comparação com o sistema de liquidez, contudo, tal tecnologia não se restringe aos cálculos aqui descritos porque o assunto é inesgotável e pode preencher muitas paginas sem a sua completa exaustão e este artigo oferece apenas caminhos para tão abrangente temática.

9. Conclusão

Um assunto relevante nos estudos contábeis, tanto para iniciante acadêmico, como para os mais experientes em matéria contábil, é o que trata sobre a análise financeira e reditual do capital de funcionamento que propõe verificar a capacidade de pagamento da empresa em comparação com o potencial de geração de resultados.

O capital para ter um bom funcionamento, eficácia e prosperidade, basicamente, necessita ter uma boa capacidade de pagamento e uma boa lucratividade, deste modo, obterá bom crescimento e uma atividade sã, ou seja, é necessário que o capital detenha uma evolução das vendas, dos lucros e da liquidez tudo ao mesmo tempo.

A contabilidade como ciência moderna propõe o estudo fundamental dos fenômenos redituais com relação aos financeiros, com o intuito de verificar se o estado de procedimento possui sanidade, em comparação com a capacidade de aportes, dividas e lucros, movimentos básicos e imprescindíveis para uma boa atividade e um ideal comportamento do capital no alcance da eficácia e prosperidade que garante a satisfação das necessidades humanas e sociais.

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VIANA, Cibilis da Rocha. Teoria Geral da Contabilidade. Volume I, 5. ed., Porto Alegre: Livraria Sulina Editora, 1971.

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Chaves da Silva Rodrigo Antonio. (2007, enero 16). Análise dos fenômenos de vendas e lucros com relação à liquidez. Recuperado de https://www.gestiopolis.com/analise-dos-fenomenos-de-vendas-e-lucros-com-relacao-a-liquidez/
Chaves da Silva, Rodrigo Antonio. "Análise dos fenômenos de vendas e lucros com relação à liquidez". GestioPolis. 16 enero 2007. Web. <https://www.gestiopolis.com/analise-dos-fenomenos-de-vendas-e-lucros-com-relacao-a-liquidez/>.
Chaves da Silva, Rodrigo Antonio. "Análise dos fenômenos de vendas e lucros com relação à liquidez". GestioPolis. enero 16, 2007. Consultado el 12 de Diciembre de 2018. https://www.gestiopolis.com/analise-dos-fenomenos-de-vendas-e-lucros-com-relacao-a-liquidez/.
Chaves da Silva, Rodrigo Antonio. Análise dos fenômenos de vendas e lucros com relação à liquidez [en línea]. <https://www.gestiopolis.com/analise-dos-fenomenos-de-vendas-e-lucros-com-relacao-a-liquidez/> [Citado el 12 de Diciembre de 2018].
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