Resumo
Desde os primórdios, o Capital Intelectual manifesta-se em todas as
ações da vida, nas decisões e até mesmo na sobrevivência da espécie
humana, e é a partir de bem pouco tempo que as organizações e seus
administradores vêm percebendo a sua influência e suas implicações nos
resultados empresariais. Os ativos intangíveis, como as qualificações
dos funcionários, a tecnologia da informação e os incentivos à inovação,
por exemplo, podem desempenhar papel preponderante na criação de valor
para a empresa. Os sistemas tradicionais de mensuração, não foram
concebidos para lidar com a complexidade desses ativos, cujo valor é
potencial, indireto e dependente do contexto. Os ativos baseados no
conhecimento devem ser avaliados com extrema cautela, porque seu impacto
sobre o destino de qualquer negócio é tremendo. Para Sveiby (2000),
muito mais do que contribuir para a valorização total da empresa, o
conhecimento é à base de sua estrutura interna e externa. Para poder
competir e enfrentar os desafios de um mercado cada vez mais exigente,
as empresas têm que investir em recursos humanos. Drucker (1996) diz que
os meios de produção, a base tradicional do capitalismo, estavam, agora,
nas cabeças e mãos dos trabalhadores.
1 – Introdução
Os fatores clássicos de produção nos dias de hoje, conforme Edvinsson &
Malone (1998), não são mais os principais responsáveis pela criação do
valor de mercado. O capital em forma de imobilizado e o trabalho na
velha concepção de mão-de-obra cedeu o lugar a fatores que, na falta de
melhor expressão, designamos por intangíveis. Os ativos intelectuais
tornaram-se os elementos mais importante no mundo dos negócios.
Bateson apud Raupp (2001) dizia que existem cinco tipos de criaturas no
mundo. Primeiro, as que somente são. Segundo, as que são e vivem.
Terceiro, as que são, vivem e se movem. Quarto, as que são, vivem, se
movem e pensam. E, finalmente, aquelas que mais nos interessam: as que
são, vivem, movem-se, pensam e pensam como pensam. Portanto, neste novo
milênio, vão valer, acima de tudo, a agregação de valor e a geração de
riqueza contidas nos cérebros das pessoas.
Como um bem humano, o Capital Intelectual nas empresas, apresenta-nos um
paradoxo. Se o pessoal constitui uma vantagem competitiva principal,
como o é, tem-se que investir nele desenvolvê-lo e ceder-lhe espaço para
seus talentos. Quanto mais fizermos isso, contudo, mais enriqueceremos
seus passaportes e aumentaremos sua mobilidade potencial.
Valorizar o capital humano é fundamental para a competitividade
empresarial. Pois os recursos humanos são os principais responsáveis
pelo desempenho das empresas e constituem vantagens competitivas num
mercado cada vez mais exigente.
Com a globalização, o avanço tecnológico, as empresas estão investindo
em capital humano, com o objetivo de ter retorno mais rápido.
Neste contexto, este trabalho abordará: o conhecimento, o conhecimento
como gerador de riqueza das organizações, gestão do conhecimento – a
chave da vantagem competitiva, capital intelectual: principal fonte de
intangíveis nas empresas e um diferencial competitivo em relação aos
concorrentes, capital humano – a mina na empresa, capital estrutural,
capital do cliente, avaliação do capital intelectual e gestão do capital
intelectual.
2 – O conhecimento
O conhecimento conforme Padoveze (2000) é gerado e operacionalizado pelo
ser humano, acumulado e administrado pela sociedade para satisfação de
suas necessidades. As empresas e demais instituições, que são sociedade
de pessoas com objetivos bem definidos, fazem o papel de reunir e
operacionalizar especialidades de conhecimento e com isso conseguem
maior eficiência e eficácia na gestão do conhecimento, para atender seus
objetivos e cumprir suas missões.
O conhecimento sempre desempenhou importante papel nas grandes
transformações sociais. Na primeira fase da Revolução Industrial, Paiva
(1999) coloca que foram aplicadas as ferramentas, processos e produtos;
na segunda fase – revolução da Produtividade -, passou a ser aplicado ao
trabalho. Atualmente, o conhecimento está sendo aplicado ao próprio
conhecimento; é a Revolução Gerencial, segundo Drucker (1996). Portanto,
com a Era da Informação, passou a ser o elemento essencial para o
sucesso da organização.
Atualmente, as empresas têm feito grande uso da tecnologia da informação
como instrumento gerencial. Estas informações são utilizadas para repor
estoques, abastecer depósitos e outros ativos físicos, economizando
tempo e como dinheiro. Administrar o conhecimento como faturas,
mensagens, patentes, processos, habilidade dos funcionários,
conhecimento dos clientes, fazendo uso intensivo de máquinas,
computadores, para tal, determina o sucesso ou fracasso da empresa nos
tempos de hoje.
Toffler (1980) diz que, no momento atual, que é identificado pela
Terceira Onda, é a Era do Conhecimento, onde se permite uma grande
descentralização de tarefas. Esta fase é caracterizada pelo poder do
cérebro, na qual a informação assume o papel de principal recurso
econômico.
Hoje, com a sociedade do conhecimento, nos três fatores tradicionais de
produção (recursos naturais, mão-de-obra e capital), acrescenta-se o
conhecimento e a inteligência das pessoas, agregando valor aos produtos
e serviços. Como argumenta Drucker (1996), o conhecimento passou a ser o
recurso, ao invés de um recurso.
Todavia, segundo Paiva (1999) o conhecimento passou a representar um
importante diferencial competitivo, para as empresas que sabem
adquiri-lo, mantê-lo e utilizá-lo de forma eficiente e eficaz. Esse
conhecimento passou a gerar o Capital Intelectual que, às vezes, é bem
mais importante que o Capital Econômico.
3 – O Conhecimento como Gerador de Riqueza das Organizações
O conhecimento é a base principal de valorização nas organizações de
hoje. Então o que poderá dar de errado em uma estratégia orientada para
o conhecimento? Muito pouco. Um dos principais problemas para aqueles
que desejam adota-la é o famoso fantasma da era industrial, que ainda
assombra o mundo empresarial. A era industrial ainda vê as pessoas como
custos e não como receitas. Mas como utilizamos, desenvolvemos, e
estruturaremos continuamente o conhecimento dentro das organizações?
O conhecimento, material intelectual bruto, transforma-se em capital
intelectual, a partir do momento que passa a agregar valor aos
produtos/serviços. E esse capital é, em alguns casos, mais valioso do
que o próprio capital econômico.
O novo milênio estará desafiando todas as organizações a mostrarem suas
competências. As tarefas diárias exigem um alto grau de conhecimento e
inteligência, no qual nos impedem de ter relacionamentos estreitos, os
sistemas tem que ser cada vez mais abertos, igualitários e honestos. Os
empregados têm que pensar conjuntamente para, em conjunto, explorar as
oportunidades, os serviços e resolver os problemas. Porque a organização
diz respeito à forma como estruturarmos os nossos relacionamentos,
adequando a nova realidade, devido mudanças das nossas idéias sobre
métodos e os padrões de organização.
O estágio atual para o futuro só é possível preparando as pessoas,
educando-as, treinando-as, desenvolvendo-as, enfim, investimento em
quem, de fato vai fazer essa transformação.
4 – Gestão do Conhecimento – A Chave da Vantagem Competitiva
A gestão do conhecimento surgiu na década de 1990, como uma proposta de
agregar valor à informação e facilitar o fluxo interativo em toda a
corporação. Ela desenvolve sistemas e processos que visam adquirir e
partilhar ativos intelectuais. Reporta inevitavelmente ao uso pleno do
conhecimento, direcionando-o como diferencial estratégico competitivo de
sucesso. Aumenta a geração de informações que sejam úteis e
significativas e promovam atividades, enquanto procura aumentar o
aprendizado individual e grupal. Além disso, ela pode maximizar o valor
da base de conhecimento da organização em funções diversas e
localizações diferente.
Essa ferramenta como diz Rigby (2000) mostra que as empresas de sucesso
não são um conjunto de produtos, mas sim de bases de conhecimento
distintas. Esse capital intelectual é a chave da vantagem competitiva da
companhia com seus clientes-alvo. A gestão do conhecimento procura
acumular o capital intelectual que criará competências essenciais
exclusivas e produzirá resultados melhores.
Com o enfoque da gestão do conhecimento começa-se a rever a empresa,
suas estratégias, sua estrutura e sua cultura. Isso se dá num ambiente
competitivo, onde a rápida globalização da economia e as melhorias nos
transportes e comunicações dão aos consumidores uma gama de opções sem
precedentes. Pressões sobre os preços não deixam margem para
ineficiência. O ciclo de desenvolvimento de novos produtos é cada vez
mais curto. As empresas precisam de qualidade, valor agregado, serviço,
inovação, flexibilidade, agilidade e velocidade de forma cada vez mais
crítica. As empresas tendem a se diferenciar pelo que elas sabem e pela
forma como conseguem usar esse conhecimento.
5 – Capital Intelectual: Principal Fonte de Intangíveis nas Empresas e
um Diferencial Competitivo em Relação aos Concorrentes
O termo capital intelectual teve sua origem na propriedade intelectual;
os componentes de conhecimentos de uma empresa, reunidos e legalmente
protegidos. É um conjunto de benefícios intangíveis que agregam valor às
empresas.
Segundo Brooking, apud Antunes & Martins (2002), o capital intelectual
pode ser dividido em quatro categorias:
Ativos de Mercado: potencial que a empresa possui em decorrência dos
intangíveis que estão relacionados ao mercado, tais como: marca,
clientes, lealdade dos clientes, negócios recorrentes, negócios em
andamento (backlog), canais de distribuição, franquias etc.
Ativos Humanos: compreendem os benefícios que o indivíduo pode
proporcionar para as organizações por meio da sua expertise,
criatividade, conhecimento, habilidade para resolver problemas, tudo
visto de forma coletiva e dinâmica.
Ativos de Propriedade Intelectual: incluem os ativos que necessitam de
proteção legal para proporcionar às organizações benefícios tais como:
know-how, segredos industriais, copyright, patentes, designs etc.
Ativos de Infra-Estrutura: compreendem as tecnologias, as metodologias e
os processos empregados, como cultura, sistema de informação, métodos
gerenciais, aceitação de risco, banco de dados de clientes etc.
Os fatores que geram o capital Intelectual de acordo com Brooking apud
Antunes & Martins (2002), são:
- conhecimento, pelo funcionário, de sua importância para os objetivos
da empresa;
- funcionário tratado como ativo raro;
- alocar a pessoa certa na função certa considerando suas habilidades;
- oportunizar o desenvolvimento profissional e pessoal;
- identificação do know-how gerado pela P & D;
- avaliar o retorno sobre o investimento em P & D;
- definir uma estratégia proativa para tratar a propriedade intelectual;
- mensurar o valor de marcas;
- avaliar investimentos em canais de distribuição;
- avaliar a sinergia resultante de treinamento e os objetivos
corporativos;
- prover infra-estrutura e adequado ambiente de trabalho;
- valorizar a opinião dos funcionários;
- oportunizar a participação dos funcionários na definição dos objetivos
da empresa;
- estimular os funcionários para a inovação.
Fica, assim, clara a importância do Capital Intelectual para o
desenvolvimento das empresas, além de representar diferencial
competitivo em relação aos concorrentes. A era atual, como diz Sá (2002)
exige a capitalização de intelectos (no sentido de investimentos maiores
em qualidade da inteligência agente sobre os capitais) na busca da
eficácia comum dos mais importantes valores das células sociais e de
aumento do valor efetivo da própria riqueza.
O capital intelectual pode ser dividido em três grandes capitais. O
capital humano, o capital estrutural e o capital do cliente. Todos são
intangíveis, mas descrevem coisas tangíveis para os executivos. É o
intercâmbio entre eles que cria o Capital Intelectual.
5.1 – Capital Humano – A Mina na Empresa
Fonte: Cinca (2002)
As pessoas geram capital para a empresa através de sua competência, sua
atitude e sua capacidade para inovar. As competências incluem as
habilidade e a educação e a atitude se refere às condutas. Porém é
finalmente a capacidade de inovar, a que pode gerar mais valor para uma
companhia. Tudo isto constitui o que chamamos de capital humano.
Constitui o capital humano o conhecimento acumulado, a habilidade e
experiências dos funcionários para realizar as tarefas do dia-a-dia, os
valores, a cultura, a filosofia da empresa, e diversos ativos
intangíveis, ou seja, as pessoas que são os ativos humanos da empresa. A
principal estratégia da empresa será de atrair, reter, desenvolver e
aproveitar o máximo o talento humano, que será cada vez mais, a
principal vantagem competitiva.
Para entender melhor o capital humano é preciso entender as habilidades
que determinam qualquer tarefa, processo ou negócio, relacionadas
abaixo:
Habilidade do tipo commodity: são as habilidades adquiridas, costumam
não serem específicas de uma empresa e podem ter o mesmo valor para
qualquer organização. É por exemplo, a habilidade de atender ao
telefone.
Habilidades alavancadas: o conhecimento pode ser mais valioso para uma
determinada empresa do que para outra. São específicas a um setor e não
a uma empresa. Os programadores, por exemplo, da Andersen Consulting
podem alavancar essa habilidade enquanto os do Bank of America só
agregam valores aos seus funcionários.
Habilidades proprietárias: são os talentos específicos à empresa, em
torno dos quais uma organização constrói seu negócio. Pode ser
codificada em forma de patentes, direitos autorais, expertise. O
Ritz-Carlton é o especialista em administração hoteleira.
A gestão do capital humano passa pelo levantamento do potencial humano,
pela identificação das potencialidades estratégicas a desenvolver e pela
capacitação necessária.
O capital humano, portanto, configurando-se como um grande referencial
de sucesso no meio empresarial, é o que vai determinar o futuro da
companhia. Sem um gerenciamento adequado deste requisito, nenhuma
empresa terá sucesso com suas metas e objetivos e, conseqüentemente, não
alcançará os resultados esperados. Muito menos poderá pretender
manter-se competitiva no mercado.
5.2 - Capital Estrutural
Compreende os ativos intangíveis relacionados com a estrutura e os
processos de funcionamento interno e externo da organização que apóiam o
capital humano, ou, tudo o que permanece na empresa quando os empregados
vão para casa.
Edvinsson (1997) propõe a seguinte divisão para o capital estrutural:
Capital organizacional abrange o investimento da empresa em sistemas,
instrumentos e filosofia operacional que agilizam o fluxo de
conhecimento pela organização, bem como em direção às áreas externas,
como aquelas voltadas para os canais de suprimento e distribuição.
Capital de inovação refere-se à capacidade de renovação e aos resultados
da inovação sob a forma de direitos comerciais amparados por lei,
propriedade intelectual e outros ativos e talentos intangíveis
utilizados para criar e colocar rapidamente no mercado de novos produtos
e serviços.
Capital de processos é constituído por aqueles processos, técnicas (como
o ISO 9000) e programas direcionados aos empregados, que aumentam a
ampliam a eficiência da produção ou a prestação de serviços. É o tipo de
conhecimento prático empregado na criação contínua de valor.
Para gerenciar o capital estrutural, é preciso uma rápida distribuição
do conhecimento, o aumento do conhecimento coletivo menor tempos de
espera e profissionais mais produtivos. A função da gerência da empresa
é utilizar corretamente o capital estrutural, para que o mesmo aumente o
valor para os acionistas.
5.3 – Capital do Cliente
É definido como o valor de sua franquia, seus relacionamentos contínuos
com pessoas e organizações para as quais vende.
Para Sveby (1998), a escolha da empresa do conhecimento no que diz
respeito a clientes, portanto, tem um significado estratégico vital
porque o tipo de cliente com os quais uma empresa do conhecimento
trabalha determinada tanto a qualidade quanto a quantidade de suas
receitas intangíveis do conhecimento. Existem três tipos de clientes,
segundo o mesmo autor.
os que melhoram a imagem, no qual suas referências e seus depoimentos
são muitos valiosos;
os clientes que melhoram a organização, esses exigem soluções de ponta,
melhorando a estrutura interna da empresa; e
os clientes que aumentam a competência, que contribuem com projetos que
desafiam a competência dos funcionários, fazendo que os funcionários
aprendam com eles.
6 – Avaliação do capital intelectual
Existe uma metodologia desenvolvida por Sveiby (1998) para avaliação dos
ativos intangíveis, que tem como objetivo criar um sistema de
gerenciamento de informações para os gestores da empresa, que precisam
conhecê-la, acompanhar a sua evolução e adotar medidas corretivas,
quando necessárias.
As avaliações dos ativos intangíveis são feitas para atender as
necessidades de atendimento dos clientes, credores e acionistas ou para
uso dos gestores da empresa.
Para avaliar os ativos intangíveis, o processo é o seguinte:
determinação da finalidade: uso externo e/ou interno; a classificação
dos funcionários dentro de uma das três categorias de ativos
intangíveis, que são: competência, estrutura interna e estrutura
externa; a formulação de uma estratégia para gestão do conhecimento;
informações que deverão enfatizar o fluxo, a mudança e os dados de
controle; comparação dos indicadores em relação aos anos anteriores;
apresentação dos indicadores num quadro denominado de Monitor de Ativos
intangíveis.
As informações geradas pela Avaliação do Capital Intelectual são úteis
para os gestores, já que lhes possibilitam: sistematização das
informações; identificação e mensuração de indicadores financeiros e não
financeiros; detalhamento da competência dos profissionais, geradores de
receitas da organização; proporciona subsídios para tomada de decisões
sobre pessoal, investimentos e clientes.
7 – Gestão do Capital Intelectual
Segundo estudo do Financial and Management Acconting Committee (Técnica
Contable) apud Baum & GonçalveS (2001) os conceitos básicos relativos à
medida e gestão do capital intelectual estão relacionados a três
aspectos:
Fonte: Pontes (2001)
Contexto econômico – o crescimento é maior nas indústrias e nações
voltadas à criação, transformação e capitalização dos conhecimentos do
que aquelas ligadas à exploração e utilização dos recursos naturais em
seus processos. O conhecimento é um diferencial de competitividade.
Contexto Contábil – a contabilidade tradicional não está habilitada a
medir aspectos da empresa quanto à capacidade de dirigentes e pessoal, o
valor das informações, da capacidade tecnológica, potencial de mercado e
investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
Contexto Empresarial – a visão na gestão da empresa, a partir da atual
era do conhecimento em relação à era industrial passa a ter o seguinte
enfoque:
Fonte: Baum & GonçalveS (2001)
Para Stewart (1998) os ativos intelectuais de uma corporação, são
geralmente três ou quatro vezes mais valiosos que os tangíveis que
constam nos livros e diz que os passos para administrá-lo são:
- definir a importância do investimento intelectual para o
desenvolvimento de novos produtos;
- avaliar a estratégia dos componentes e o ativo do conhecimento;
- classificar o seu portfolio: o que você tem, o que você usa, onde eles
estão alocados;
- analisar e avaliar o valor do portfolio: quanto eles custam, o que
pode ser feito para maximizar o valor deles, se deve mantê-los,
vendê-los ou abandoná-los;
- investir baseado no que se apreendeu nos passos anteriores,
identificar espaços que devem ser preenchidos para explorar
conhecimento, defender-se da concorrência, direcionar a ação da empresa
ou avançar na tecnologia; e
- reunir o seu novo portfolio de conhecimento e repetir a operação ad
infinitum.
Encontra-se em desvantagem em relação às demais, as empresas que ainda
não se deram conta do seu Capital Intelectual, pois não encontraram a
importância do mesmo dentro do seu patrimônio. O primeiro passo para o
gerenciamento deste capital é identificá-lo, para depois mensurá-lo.
Percebe-se então que o gerenciamento do capital intelectual é mais do
que apenas o gerenciamento de conhecimentos. Gerenciamento do capital
intelectual para Edvinsson (1997) é a alavancagem do capital humano e do
capital estrutural em conjunto. Trata-se de um efeito multiplicador
entre capital humano e capital estrutural. Isso posto, capital
intelectual é uma função de gênero e de metas.
Padoveze (2000) apresenta as medidas como sugestão para o gerenciamento
do capital intelectual.
7.1 – Indicadores para o capital humano – reputação dos empregados da
companhia junto a empresa de colocação de empregados; anos de
experiência na profissão; taxa de empregados com menos do que dois anos
de experiência; satisfação dos empregados; proporção dos empregados,
dando novas idéias e sugestões e proporção implementada; valor
adicionado por empregado; valor adicionado por unidade monetária de
salário.
7.2 – Indicadores para o capital estrutural – número de patentes;
percentual de despesas de P&D (pesquisa e desenvolvimento) sobre as
vendas líquidas; custo de manutenção de patentes; custo de projeto do
ciclo de vida por vendas; número de computadores individuais, ligados ao
banco de dados; número de vezes que o banco de dados é consultado;
atualização do banco de dados; contribuição ao banco de dados; volume de
uso do sistema de informação (SI); custo do SI por vendas; lucro por
custo do SI; satisfação com o serviço do SI; taxa de implementação de
novas idéias pelo total de novas idéias geradas; número de introdução de
novos produtos; introdução de novos produtos por empregado; número de
equipes de projeto multifuncionais; proporção do lucro dos novos
produtos introduzidos; tendência do ciclo de vida dos produtos nos
últimos cinco anos; tempo médio para planejamento e desenvolvimento de
produto; valor das novas idéias (economias e ganhos em dinheiro).
7.3 – Indicadores para a clientela e relacionamentos – participação no
mercado; crescimento no volume de negócios; proporção das vendas por
repetitividade dos clientes; lealdade à marca; satisfação dos clientes;
reclamação dos clientes; rentabilidade dos produtos como uma proporção
das vendas; número de alianças cliente/fornecedores e seu valor;
proporção dos negócios dos clientes (ou fornecedores) que os produtos e
serviços da empresa representam (em valor).
Desta forma, segundo Tinoco (1996), o valor gerado em decorrência do
trabalho humano, constitui-se em um ativo que precisa ser devidamente
contabilizado, mensurado, analisado e divulgado.
9 – Conclusão
Com as mudanças econômicas, tecnológicas, políticas e sociais, houve uma
profunda alteração da estrutura e valores da sociedade. Nessa nova era,
o conhecimento passou a ter uma importância fundamental em todas as
atividades econômicas, como seu principal ingrediente.
O problema todo consiste em mensurar esse capital intelectual. A grande
questão é saber como identificar e disseminar o conhecimento gerado
dentro da empresa, promovendo a transformação de material intelectual
bruto gerado pelos ingredientes da organização em Capital Intelectual, e
que garanta uma trajetória de crescimento e desenvolvimento.
Sabe-se que existe a consciência da necessidade de continuar com estudos
e definições, a fim de tornar o Capital Intelectual uma ferramenta
gerencial cada vez mais eficiente, ou mesmo uma demonstração como parte
integrante das Demonstrações Contábeis, pois o modelo tradicional de
Contabilidade, que descreveu com tanto brilho as operações das empresas
durante meio milênio, não tem conseguido acompanhar a revolução que está
ocorrendo no mundo dos negócios.
Apesar das dificuldades encontradas na busca da mensuração desse grande
ativo que é o capital intelectual, a ciência contábil está procurando
dar a sua contribuição em mais uma tarefa árdua de avaliação de todos os
elementos que interagem sobre o patrimônio.
Todavia, não podemos deixar de reconhecer premente de mudanças e alguns
ajustes nos sistemas e práticas contábeis para que essa nova realidade
seja devidamente reconhecida e refletida nos registros contábeis. Na
verdade, as informações sobre o capital intelectual vêm a complementar e
ampliar as informações contábeis atuais.
A nova tendência de gestão do conhecimento nas empresas possui
características marcantes e poderosas, capazes de promover no ambiente
interno das empresas, nos mercados nos quais elas participam, e na
sociedade na qual interferem, cenários racionais de aproveitamento da
força do trabalho, criando oportunidades efetivas de desenvolvimento
individual e corporativo.
Em vista disso, é fundamental que a administração tenha alguns cuidados,
para que os funcionários considerados como Capital Intelectual do
departamento não mudem para outras áreas (ou empresas) e mesmo que
permaneçam, não percam a motivação para o constante aperfeiçoamento.
Stewart (1998) diz que os ativos do conhecimento, assim como dinheiro ou
equipamentos, existem e só vale a pena cultivá-los no contexto da
estratégia. Não se pode definir e gerenciar os ativos intelectuais sem
saber o que se está tentando fazer com eles. Toda organização possui
valiosos materiais intelectuais sob a forma de ativos e recursos,
perspectivas e capacidades táticas e explícitas, dados, informação,
conhecimento e talvez sabedoria. Entretanto, não se pode gerenciar o
capital intelectual – não é possível sequer encontrar suas formas mais
soft – sem localizá-lo em pontos estrategicamente importantes e onde a
gerência realmente seja importante.
Referências Bibliográficas
ANTUNES, M. T. P. MARTINS, E. Capital intelectual: verdades e mitos.
Revista de Contabilidade & Finanças da USP – FEA – Departamento de
Contabilidade e Atuaria. São Paulo – SP, ano XIII, nº 29, p.41-54,
mai/agos.2002.
BAUM, M. S. GONÇALVES, O. Ativos intangíveis – mensurar ou ignorar. In
Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul, 8., 2001, Gramado.
Anais da VIII Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul. Gramado:
RS, 2001. v.3, p.101-120.
CINCA, C. S. La contabilidad em la era del conocimiento. www.5campus.org
Acesso em 13.06.2003.
DRUCKER, Peter F. Sociedade pós-capitalista. 5.ed. são Paulo: Pioneira,
1996.
EDWINSSON, L. O capital intelectual como instrumento de gestão.
Administração e finanças. Case Studies – Skandia. Insight. jul/ago.
1997.
EDVINSSON, Leif, e Malone, Michel S. Capital intelectual. Tradução de
Roberto Galma; revisão técnica de Petros Katalifós. São Paulo: Makron
Books, 1998.
PADOVEZE, Clóvis Luís. Aspectos da gestão econômica do capital humano.
Revista de Contabilidade do Conselho Regional de Contabilidade de São
Paulo. São Paulo – SP: ano IV, nº 14, p.4-20, dez/2000.
PAIVA, Simone Bastos. O capital intelectual e a contabilidade: o grande
desafio no alvorecer do 3º milênio. Revista Brasileira de Contabilidade.
Brasília – DF: ano 28, nº 117, p.76-82, mai/jun.1999.
PONTES, R. M. SARDENBERG, D.P. Capital intelectual: ativo intangível.
www.uol.com.br/cultvox Acesso em 15.12.2001.
RAUPP. Elena Hahn. A contabilidade e o valor real das empresas mediante
identificação dos valores internos. Revista Brasileira de Contabilidade.
Brasília – DF: ano 30, nº 128, p.50-68, mar/abr.2001.
RIGBY, D. K. Quem tem medo das ferramentas gerenciais? HSM Management.
Revista de Informação e Conhecimento para Gestão Empresarial. São Paulo,
SP: ano 4, n.19, p.122-130, mar/abr.2000.
SÁ, A. L. de. Os valores intangíveis da riqueza patrimonial e a
contabilidade do intelectual. http://www.lopesdesa.com.br. Acesso em 01
jun.2002.
STEWART, Tomas A. Capital intelectual: a nova vantagem competitiva das
empresas. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
SVEIBY, K. E. A nova riqueza das organizações: gerenciando e avaliando
patrimônio de conhecimento. 5ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
SVEIBY, Karl Erik O valor do intangível. HSM Management. Revista de
Informação e Conhecimentos para Gestão Empresarial. São Paulo – SP: ano
4, nº 22, p.66-69, set/out/2000.
TINOCO, J. E. P. Contribuição ao Estudo da Contabilidade Estratégica de
Recursos Humanos. 1996. Tese (Doutorado em Controladoria e
Contabilidade) Universidade de São Paulo, FEA/USP.
TOFFLER, Alvin. A terceira onda. 16. ed. Rio de Janeiro: Record, 1980
AUTORIA: Maria Elisabeth Pereira Kraemer
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da equipe de Ensino
e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale
do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela
Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela
Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente
Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação
Científica Internacional Neopatrimonialista.
ENDEREÇO: Avenida Joca Brandão nº 111, Edifício Dona Emília, apto 902 -
Centro. CEP 88.301-300 - ITAJAÍ – SC –
Nota: Es probable que en esta página web no aparezcan todos los elementos del presente documento. Para tenerlo completo y en su formato original recomendamos descargarlo desde el menú en la parte superior
Acerca de GestioPolis
Participar en la comunidad
Derechos de Autor
GestioPolis es la primera comunidad de conocimiento en negocios de Hispanoamérica
Derechos Reservados sobre el concepto del sitio web
GestioPolis.com
© 2008 Carlos López
| Hazte miembro de GestioPolis |
|
Y Descarga 11 eBooks
GRATIS |