Resumo
O maior desafio, quando se trata de discutir a questão ambiental, é o de
compatibilizar o crescimento econômico com a preservação ambiental. Para
isso, as demonstrações contábeis podem ser o canal adequado para tais
evidências, principalmente porque nestas estão contidas todas as
informações pertinentes à situação patrimonial e ao desempenho da
empresa em um determinado período. A sociedade passa a conhecer as ações
ambientais da organização através da divulgação externa da informação
ambiental oportuna em relatórios ambientais, balanço social e
indicadores de desempenho ambiental. A utilização de indicadores de
desempenho ambientais confiáveis e a disseminação de indicadores de eco-eficiência
são medidas necessárias para conferir transparência aos negócios das
empresas. Esses indicadores serão mais valiosos se forem transparentes
no tempo, se consistirem em indicadores relativos e se forem comparáveis
com indicadores de outras empresas. A participação da Contabilidade é de
extrema importância, pois vai despertar o interesse para as questões
ambientais, ajudando a classe empresarial a implementar, em sua gestão,
a variável ambiental, não apenas para constar na legislação, mas por uma
verdadeira conscientização ecológica. Portanto, a Contabilidade deve
evidenciar as medidas adotadas e os resultados alcançados pela empresa
no processo de proteção e preservação do meio ambiente, já que a mesma é
responsável pela comunicação entre a empresa e a sociedade.
1 - Introdução
A Contabilidade é conhecida como um sistema de informações formal e
estruturado, tendo como um dos objetivos principais informar para o
controle do patrimônio, avaliação de desempenho e tomada de decisão.
Para isto precisa de um corpo de conceitos e de uma metodologia que
possam representar, de modo objetivo, os eventos econômicos ocorridos
nas empresas.
O ambiente em que esses eventos estão ocorrendo está sendo interferido
por variáveis que não eram objeto de classificação conceitual e
metodológica pela Contabilidade, como é o caso da questão ambiental.
Sendo assim, faz-se necessário que a Contabilidade, como instrumento de
informações para a tomada de decisões, possa desenvolver e incorporar,
em seus conceitos e métodos, formas de registrar e mensurar os eventos
econômicos relativos ao meio ambiente, capazes de mostrar resultados da
gestão ambiental, devidamente acompanhados de um conjunto de indicadores
apresentados nas notas explicativas, propiciando à sociedade avaliar o
desempenho ambiental da organização.
Os indicadores ambientais expressam informação útil e relevante sobre a
atuação ambiental da empresa e sobre seus esforços pela influência em
tal atuação. São os cálculos específicos de um aspecto concreto que
possam ser utilizados para acompanhar e demonstrar o desempenho.
São variáveis específicas a cada fator ambiental, que permitem a
aferição das oscilações de comportamento e/ ou de funcionalidade do
fator, tornando-se o elemento mais adequado para a análise qualitativa e
quantitativa das variações da qualidade ambiental de um ecossistema. O
alcance dos objetivos ambientais de uma empresa pode ser medido por
esses indicadores.
Os indicadores de meio ambiente estão estreitamente associados aos
métodos de produção e de consumo; refletem freqüentemente intensidades
de emissões ou de utilização dos recursos e suas tendências e evoluções
dentro de um determinado período. Podem servir para evidenciar os
progressos realizados visando dissociar as atividades econômicas das
pressões ambientais correspondentes.
Portanto, para que estes sejam calculados, Paiva (2003) diz que se faz
necessário que a empresa divulgue algumas informações relativas ao meio
ambiente que servirão como dados na geração de novas informações, que
por sua vez trarão informações valiosas para decisões que envolvam a
posição econômica da empresa em sua relação com o meio ambiente,
afetando sua posição presente, mas fundamentalmente no futuro.
Partindo dessa premissa, é que este trabalho está enfocando o seguinte:
indicadores de desempenho ambiental, tipos de indicadores, categorias de
indicadores ambientais, classificação dos indicadores ambientais e
indicadores ambientais como sistema de informação contábil.
2 – Indicadores de desempenho ambiental
As organizações produzem impactos ambientais em vários níveis, incluindo
os âmbitos local, regional, nacional e internacional, que afetam o ar,
água, solo e biodiversidade. Alguns deles são de fácil compreensão,
enquanto outros colocam importantes desafios de avaliação, devido à sua
complexidade, incerteza e sinergias.
Os indicadores de desempenho ambiental (“environmental performance
indicators”- EPI’s) sintetizam as informações quantitativas e
qualitativas que permitem a determinação da eficiência e efetividade da
empresa, de um ponto de vista ambiental, em utilizar os recursos
disponíveis.
São úteis para orientar, gerir e comunicar o desempenho ambiental. São
informações simples e instrumentos orientadores para o objetivo de
melhoria contínua, pois permitem aumentar a clareza, transparência e
comparabilidade da informação fornecida pela organização.
Os indicadores de desempenho ambiental são úteis para diferentes
stakeholders, como segue:
Os indicadores de desempenho ambiental relevantes, sob o ponto de vista
financeiro, atualmente praticados, segundo a UNCTAD/ISAR – United
Nations Conference on Trade and Development/Initiative for Social Action
Renewal, apud Nossa (2002), são:
√ investimento de capital relacionado ao meio ambiente;
√ custos operacionais e administrativos relacionados com o meio
ambiente, como o percentual de vendas, valor adicionado, resultado
líquido, resultado divisional ou outras unidades de custos de saída,
como, por exemplo, custo de produção ou custo local de vendas;
√ custos totais de conformidade com a regulamentação;
√ multas e penalidades, custos com recuperação e danos;
√ custos de resíduos e disposição do lixo para custos de material;
√ custos evitados/benefício de medidas de prevenção de poluição; custo
reduzido na compra de materiais resultantes de reciclagem ou
reutilização;
√ custos marginais de medidas de proteção ambiental;
√ prêmios de seguros como medida de efetividade de atividade de gestão
de risco;
√ redução de emissão / despesa;
√ investimento ambiental / total de investimento;
√ custo de energia ou consumo de combustível ou custo de embalagem;
√ doações e outros custos ambientais
3 - Tipos de indicadores
Pode fazer-se uma distinção entre três tipos diferentes de indicadores
ambientais:
√ Indicadores Absolutos e Relativos
√ Indicadores de Empresa, de Centro de Trabalho e de Processo
√ Indicadores Relacionados com a Quantidade e com o Custo
3.1 - Indicadores Absolutos – São indicadores que informam os dados
básicos sem análise ou interpretação. Como exemplo de um indicador
absoluto, kg de sucata de alumínio. Os indicadores absolutos são o
reflexo global dos impactos ambientais.
Do ponto de vista ecológico, os indicadores absolutos são o enfoque
principal, posto que representam o consumo de recursos por parte da
empresa e sua emissão de substâncias contaminantes, por exemplo, o
consumo de energia em kilowates/hora ou a quantidade de resíduos em
toneladas.
3.2 - Indicadores Relativos – São indicadores que comparam os dados com
outros parâmetros. Exemplo deste indicador, kg de sucata de alumínio por
tonelada de produto, os níveis absolutos de emissão ou de consumo de
recursos com outros dados significativos de referência. Os indicadores
relativos ilustram a eficiência ambiental da produção.
Demonstram o comportamento ambiental de uma empresa em relação ao seu
tamanho ou capacidade de produção. Enquanto os indicadores absolutos
descrevem o grau de contaminação ambiental, os indicadores relativos
demonstram se as medidas ambientais dão lugar às melhoras da eficiência.
3.3. - Indicadores de Empresa, de Centro de Trabalho e de Processo – Os
indicadores ambientais podem referir-se a diferentes equipamentos e, em
conseqüência, podem obter-se a partir de dados de toda a empresa, de
projetos ou centros individuais de trabalho e de departamento ou
processo de produção específica. Portanto, podem dividir-se em
indicadores de empresa, de centro de trabalho e de processo.
Os indicadores determinados em nível mais baixo na organização (processo
de produção) são apropriados como instrumentos de planejamento, controle
e supervisão para o departamento em questão. A fim de detectar pontos
fracos e iniciar rapidamente ações corretivas, é aconselhável determiná-los
a intervalos mais curtos, por exemplo, trimestralmente, mensalmente ou
semanalmente.
Determinar os indicadores de processo é especialmente importante para o
seguimento do principal foco de consumo de recursos e da causa principal
das emissões.
Os indicadores de instalações e da empresa, por outra parte, servem como
uma ferramenta de informação de comportamento geral para a gestão
ambiental durante um período de tempo mais longo, além de informação
interna, por exemplo, na informação anual para a diretoria executiva.
Os indicadores de centros de trabalho podem ser usados adicionalmente
para ilustrar impactos ambientais nas declarações ambientais.
3.4 - Indicadores Relacionados com a Quantidade e com o Custo – Os
indicadores ambientais podem ter relação com quantidade, isto é, com
medidas físicas como kilogramas, toneladas, mercadorias, etc. Devido à
relevância cada vez maior dos aspectos relacionados com os custos na
proteção ambiental, podem desenvolver-se ao mesmo tempo indicadores
relativos aos custos (indicadores de custos ambientais).
Considerando os custos indiretos de eliminação de resíduos (armazenamento,
transporte, pessoal e gastos de compra dos materiais para eliminação) as
próprias taxas e eliminação dos resíduos, se podem obter condições
favoráveis para adotar medidas de proteção ambiental eficazes com
relação a seu custo.
A base destas avaliações de custo ambiental sempre é os valores
absolutos das quantidades compradas ou eliminadas, com as que se aplicam
os custos internos pertinentes, por exemplo: a quantidade de resíduos
determina os custos proporcionais de eliminação de resíduos, o consumo
de energia determina os custos em conceito de energia.
4 - Categorias de indicadores ambientais
A ISO 14031 é uma norma cujo objetivo é definir de um processo de
Avaliação do Desempenho Ambiental dos Sistemas das Organizações. De
acordo com este documento, os Indicadores para a Avaliação do Desempenho
Ambiental são utilizados pelas organizações como um meio de apresentar
dados quantitativos ou qualitativos ou informações de uma forma mais
compreensível e útil. Eles ajudam a converter dados selecionados em
informações precisas quanto ao desempenho ambiental, através do
desempenho do gerenciamento ambiental da organização, do desempenho
ambiental das operações da organização ou da condição ambiental.
Os Indicadores Ambientais são definidos em três categorias. Dependendo
de se descrever ou não o impacto ambiental de uma empresa (comportamento
do meio ambiente), as atividades de gestão ambiental, ou a situação do
meio ambiente externa da empresa, pode diferenciar-se os seguintes
grupos:
√ Indicadores de Comportamento ou Rendimento Ambiental
√ Indicadores de Gestão Ambiental
√ Indicadores de Situação ou Estado Ambiental
4.1 – Indicadores de Comportamento ou Rendimento Ambiental
Esses indicadores permitem avaliar e controlar os impactos ambientais.
Divididos nas áreas de indicadores de materiais e energia e indicadores
de infraestrutura e transporte, centram-se no planejamento, controle e
seguimento do impacto ambiental da empresa.
4.1.1– Indicadores de Materiais e de Energia
a) Indicadores de Entradas
Os indicadores de entradas permitem observar o fluxo de materiais
importantes, água e energia dentro de uma empresa. Permitem que se
persigam os objetivos principais e que se obtenham medidas apropriadas
de otimização. Estas medidas são:
√ o uso eficiente de matérias-primas, água e energia;
√ a redução dos custos de produção reduzindo o consumo;
√ a redução dos resíduos e as emissões por meio de uma proteção
ambiental integrada;
√ a redução da degradação do meio ambiente em etapas preliminares de
produção;
√ o desenvolvimento de produtos mais seguros para o meio ambiente.
a)1 - Materiais
Os indicadores de materiais podem ilustrar-se em termos absolutos e em
termos relativos, isto é, em proporção ao Rendimento da Produção (RP) ou
em Unidade de Produção (UP).
O importante no estabelecimento dos indicadores de materiais é informar
as principais matérias-primas e os materiais auxiliares e secundários da
empresa. Preparar um balanço de entradas e saídas pode ajudar a
determinar uma estrutura, tal como a empregada para os eco-balanços.
Os indicadores ambientais ajudam a controlar a substituição de materiais
problemáticos por alternativas mais seguras para o meio ambiente, como
por exemplo: matérias-primas renováveis, embalagens reutilizadas,
matérias-primas recicláveis, etc.
Quadro 1 - Indicadores de Materiais
Fonte: http://www.ihobe.es (2003)
a) 2 - Energia
Estes indicadores proporcionam a informação necessária para ilustrar a
importância para uma empresa de fontes de energia baixas em emissões,
como o gás natural ou as fontes de energia renováveis. O consumo de
energia pode relacionar-se com o rendimento de produção (RP) obtido por
uma empresa e representado concretamente por unidade de produção (UP).
Outra medida para a tomada de decisão é a intensidade em energia, que
representa a proporção de um processo, uma máquina, ou um departamento
em concreto como uma parte do consumo total de energia. Para os
processos de produção que requerem maior quantidade de energia, serve de
ajuda determinar indicadores de energia relativos ao processo para
observar a eficiência.
Quadro 2 - Indicadores de Energia
Fonte: http://www.ihobe.es (2003)
a) 3 - Água
O indicador do consumo total de água se determina para todos os tipos de
água e todos os pontos de consumo de água. Pode fazer-se uma distinção
entre água potável e água bruta (água superficial, de manancial, lago,
rio ou de chuva). O indicador “quota de tipo de água” indica a proporção
de um tipo específico de água em porcentagem em relação com o consumo
total. O consumo específico de água, por outra parte, indica o consumo
de água em metros cúbicos (m3) por unidade produzida (artigo, lote, kg,
etc), e, por conseguinte, considera as variações do volume de produção.
Dependendo da intensidade em água (quota de consumo de água de um
processo ou produto) também vale a pena estabelecer indicadores para
processos individuais (produtos, equipamentos, instalações).
Quadro 3 - Indicadores de Água
b) Indicadores de Saídas
Os indicadores de saídas são usados para supervisionar as emissões e os
fluxos de resíduos assim como para controlar aspectos dos produtos
relevantes para o meio ambiente. Suas metas são as seguintes:
√ identificação as principais fontes de emissões e resíduos;
√ redução os fluxos e os custos dos resíduos/as emissões atmosféricas/as
águas residuais;
√ otimização os aspectos ambientais dos produtos;
√ redução os impactos ambientais locais.
b) 1 - Resíduos
Os indicadores de resíduos são de grande importância para a gestão do
meio ambiente. A base para estabelecer indicadores de resíduos é a
quantidade total de resíduo medida em kilogramas ou toneladas.
Os resíduos podem ser destinados à valorização ou à eliminação. Dentro
do grupo dos resíduos a valorizar-se encontram-se os recicláveis. A
proporção de resíduos recicláveis em porcentagem (taxa de reciclagem) se
obtém ao relacionar o material reciclado com a quantidade total de
resíduos. A porcentagem de resíduos que se destina à eliminação,
mediante sua destituição em lixão, em relação com a quantidade de
resíduos indica a taxa de eliminação em tanto por cento.
Quadro 4 - Indicadores de Resíduos
Fonte: http://www.ihobe.es (2003)
b) 2 - Emissões Atmosféricas
As emissões na atmosfera têm uma especial importância devido a seus
diversos impactos ambientais (contaminação dos solos, etc). As
quantidades absolutas de substâncias tóxicas emitidas podem usar-se como
indicadores básicos. Devido à variedade de emissão na atmosfera, os
indicadores deveriam limitar-se nas substâncias mais relevantes. Entre
eles se incluem: óxido de nitrogênio, dióxido de carbono, dióxido de
enxofre, partículas e compostos orgânicos voláteis
Um método útil de obter dados sobre emissões é calcular a partir de
números de entradas e da quantidade de energia consumida.
Quadro 5 - Indicadores de Emissões Atmosféricas
b) 3 - Águas Residuais
A quantidade total de águas residuais em metros cúbicos se obtém pela
soma de todos os fluxos de água contaminadas e não contaminadas que se
descarregam no coletor ou na rede de esgoto. Os indicadores quantidade
de água não contaminada e águas residuais contaminadas podem ser
determinadas com base em números.
Quadro 6 - Indicadores de Águas Residuais
Fonte: http://www.ihobe.es (2003)
b) 4 - Produtos
Os indicadores de produtos medem as melhorias do impacto ambiental de
produtos, individual ou da gama completa de produtos. Também indicam
vantagens relativas em comparação com outros produtos e/ou competidores.
Os indicadores de produtos podem referir-se só aos aspectos ambientais
do processo interno de fabricação de uma empresa, ou ao ciclo de vida
completo do produto.
O primeiro dado que se necessita para estabelecer os indicadores de
produtos são as quantidades absolutas de produto medida em artigos ou
kilogramas. Os indicadores relativos do produto devem desenvolver-se
especialmente para a empresa em particular, posto que os respectivos
atributos de produtos diferem dependendo da empresa ou setor. Por
exemplo, podem referir-se aos seguintes aspectos do produto:
possibilidade de reciclagem, etiquetas ambientais recebidas, forma de
eliminação mais segura para o meio ambiente, uso de matérias-primas
renováveis, fabricação eficiente quanto aos recursos. produção e
utilização baixas em emissões e vida útil do produto.
Para uma orientação estratégica dos produtos ambientais, poderiam-se
usar indicadores tais como “ingressos de eco produtos” ou “proporção de
ingressos de ecoprodutos em relação com o total de ingressos”.
Quadro 7 - Indicadores de Produtos
Fonte: http://www.ihobe.es (2003)
4.1.2 - Indicadores de Infraestrutura e Transporte
Os indicadores de infraestrutura e transporte se referem aos impactos
ambientais causados pelos equipamentos de fabricação e a logística de
produção. Estes indicadores podem ajudar a alcançar as seguintes metas:
utilização eficiente do meio ambiente do equipamento e da área de
produção, otimização da logística e dos custos de transporte e
supervisão dos impactos ambientais locais.
a) Indicadores de Infraestrutura
Valorizar o equipamento existente por tipo e quantidade é uma
necessidade para estabelecer indicadores ambientais na categoria de
equipamento e infraestrutura. Baseando-se nisto, pode determinar-se em
detalhe o impacto ambiental de cada máquina.
O uso do espaço pode servir como indicador. Começando com a superfície
total da empresa, as zonas se podem dividir-se em zonas cerradas e zonas
verdes (zona que permite a drenagem da água da chuva), e ilustrar-se em
seus metros quadrados absolutos respectivos ou em unidades relativas,
como um tanto por cento da superfície total.
Quadro 8 - Indicadores de Infraestrutura
Fonte: http://www.ihobe.es (2003)
b) Indicadores de Transporte
A importância do transporte na proteção ambiental tem aumentado muito.
Entre os problemas não só se inclui a redução dos impactos ambientais,
tais como contaminação do ar, consumo de energia e ruído, mas também se
inclui assegurar uma logística de transporte segura: um requisito que
está ganhando totalmente importância em todos os tipos de empresas.
Uma distinção pode-se fazer entre os transportes de passageiros e de
mercadorias. Enquanto as empresas fabricantes deveriam centrar-se em
transporte de mercadorias e matérias-primas quando estabelecem seus
indicadores, o transporte de passageiros e os deslocamentos por negócios
são mais importantes para as empresas de serviços. Os indicadores de
transportes são especialmente importantes para as empresas comerciais,
visto que seu campo de negócio principal consiste em distribuir
mercadorias.
Quadro 9 - Indicadores de Transportes
Fonte: http://www.ihobe.es (2003)
c) Custos Ambientais
Os indicadores dos custos ambientais integram os aspectos do meio
ambiente nas estruturas de decisão da direção. Representar ação
ambiental em forma de valores de custos não é mais que traduzir assuntos
ambientais na linguagem da direção. Os indicadores de custos ambientais,
para tanto, podem servir como ferramentas de motivação e incentivo para
uma proteção ambiental eficiente em quantidade de custos. Para tanto, é
importante não representar a proteção ambiental como algo que acarreta
custos e supõe uma desvantagem para a organização, senão representar
como uma oportunidade. Porém, devem descrever-se com detalhes as áreas
nas quais as medidas ambientais preventivas ou as soluções integradas
reduzem custos.
Todavia, normalmente na Contabilidade das empresas não se reconhecem as
reduções de custos conseguidas ou os potenciais existentes de redução de
custos; isto é especialmente importante para justificar os esforços da
gestão ambiental. Para tanto, os custos totais e as economias de custos
devem registrar-se para cumprir com este propósito. Em uma análise de
custos totais ambientais também são incluídos, por exemplo, os gastos de
transportes e de pessoal, a depreciação das mudanças do meio ambiente e
os custos de armazenamento e os que, finalmente, podem aumentar os
custos de compra dos materiais residuais.
Fonte: http://www.ihobe.es (2003)
4.2.2. Indicadores da Área Funcional
a) Formação e de Pessoal
Envolver os empregados é um fator importante na implantação da gestão
ambiental da empresa. Os indicadores de formação e de pessoal são
empregados para mostrar as capacidades existentes e as medidas levadas
em consideração. Dependendo da empresa, os aspectos puramente ambientais
podem ampliar-se a áreas ligadas, tais como assistência sanitária,
segurança do trabalho e de processos ou segurança no transporte.
Os indicadores de proteção ambiental, segurança e higiene têm uma certa
ligação. O equipamento com altos níveis ambientais habitualmente tem
altos níveis de segurança; os riscos ambientais podem reduzir-se
evitando acidentes.
Para a categoria de prevenção sanitária se usa o indicador gasto em
prevenção sanitária, que proporciona informações sobre as medidas
preventivas chegadas em consideração.
Quadro 14 - Indicadores de Segurança e Higiene
Fonte: http://www.ihobe.es (2003)
c) Compra
Em muitos setores, os esforços de gestão ambientais de um fornecedor têm
uma importante influência no próprio comportamento ambiental de uma
empresa. Um exemplo de indicador que oferece informação sobre a
categoria de compras é o número ou proporção de fornecedores que têm
implantado políticas ambientais. Outros indicadores de compras se
referem ao número ou proporção de fornecedores que têm um sistema de
gestão ambiental de acordo com a ISO 14001. A proporção de fornecedores
pode ser em relação ao número de fornecedores ou o volume comprado, isto
em valores.
Quadro 15 - Indicadores de Compras
Fonte: http://www.ihobe.es (2003)
d) Comunicação Externa
As empresas que informam sua situação ambiental e a discutem com grupos
de interesses externos não melhoram necessariamente seu comportamento
ambiental. Contudo, as medidas de comunicação ambiental podem melhorar a
compreensão da percepção que o público tem de questões ambientais, assim
como a importância dada pela população, grupos ambientais, científicos,
etc.
Indicadores para tais atividades podem ser, por exemplo, o número de
prêmios ambientais recebidos como reconhecimento externo do compromisso
da empresa com o meio ambiente, o gasto anual com patrocínio ambiental,
o número de conferências informativas ambientais que se celebram a nível
local.
Entre estes indicadores encontram-se o nível e a estrutura dos recursos
aplicados na luta contra a poluição e a intensidade de utilização dos
recursos naturais. Estes indicadores são para integrar a variável
ambiental nas políticas econômicas.
Indicadores ambientais são igualmente derivados da contabilidade
ambiental tanto em termos físicos quanto monetários. Os trabalhos da
OCDE têm por objetivo as contas físicas dos recursos naturais como
ferramenta de gestão sustentável dos recursos, assim como os recursos
aplicados na luta contra a poluição e na proteção ambiental.
6.1 - Indicadores derivados das contas de Recursos Naturais
A fim de definir uma metodologia comum, a OCDE examinou diferentes
abordagens adotadas pelos países-membros no campo da contabilidade dos
recursos naturais. Estes trabalhos conduziram à definição de
contas-piloto da OCDE relativas às florestas e à água. O método de base
utilizado para as contas-piloto é simples e serve de guia aos países que
estabelecem contas de recursos naturais.
As contas-piloto propõem tabelas de entradas-saídas físicas, permitindo
acompanhar a produção, a transformação e a utilização de cada recurso
através da economia. Oferecem ainda uma ferramenta de análise para
avaliar o impacto da atividade econômica setorial sobre o recurso. Os
principais fluxos que resultam destas contas servem para calcular os
indicadores de utilização sustentável dos recursos naturais. Entre estes
indicadores encontram-se as intensidades de utilização dos recursos
florestais e dos recursos hídricos.
6.2 - Indicadores derivados das contas de Gastos Ambientais
A OCDE, há vários anos, tem estudado os recursos aplicados na luta
contra a poluição (LCP), cujos dados são publicados regularmente e
completam as informações econômicas das contas nacionais. Os indicadores
derivados destes trabalhos refletem o nível de gastos LCP vinculados
contra o PIB, assim como a estrutura destes recursos por setor ambiental
e por setor de origem.
7 – Conclusão
A Contabilidade, vista como um sistema de informação da situação e da
evolução patrimonial, econômica e financeira da empresa, deve incluir,
em seus relatórios, todos os dados relacionados ao meio ambiente,
facilitando o acesso a mais esta informação ao seu grande número de
usuários, auxiliando-os no processo de tomada de decisão.
Segundo Leonardo (2003), a integração entre a gestão ambiental e a
Contabilidade tende a minimizar as dificuldades de se estabelecer um
conjunto de informações capazes de exteriorizar aos stakeholders o
desempenho ambiental decorrente de suas atividades.
A capacidade de informação aumenta quando for acompanhada de relatório
contábil descritivo, onde é possível extrair indicadores de avaliação de
desempenho ambiental, financeiro e econômico.
De posse do cálculo dos indicadores, a história do relacionamento
empresa/ambiente passa a ficar registrada, proporcionando aos usuários
seu acompanhamento. Isso possibilita, de acordo com Paiva (2003), também
que se faça inferência sobre esse relacionamento, pois com base nos
indicadores passados e presentes, os rumos a serem tomados tornam-se
mais claros.
Verifica-se, portanto, que por meio da identificação, mensuração e
divulgação das referidas informações, a Contabilidade pode contribuir
muito com a sociedade e o governo, buscando soluções para os problemas
sociais, pois a Contabilidade, como meio de fornecer informações, deve
buscar responder a este novo desafio, satisfazendo os usuários
interessados na atuação das empresas sobre o meio ambiente, devendo
ainda contribuir para a tomada de decisão.
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PAIVA, P. R. de. Contabilidade ambiental: evidenciação de gastos
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__________
Maria Elisabeth Pereira Kraemer - beth.kraemer@terra.com.br
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da equipe de Ensino
e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale
do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela
Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela
Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente
Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação
Científica Internacional Neopatrimonialista.
ENDEREÇO: Avenida Joca Brandão nº 111, Edifício Dona Emília, apto 902 -
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