The objective of that study is to explain the importance of the administrative sciences in the administration of the small family agribusinesses of the Southwest of Paraná. Portraying the main managerial difficulties faced by the rural entrepreneurs in the several areas that understand his/her enterprise. Being approached some necessary administrative presuppositions for the understanding of the administration. The characterization of the small family agribusinesses located in the Southwest area of Paraná is done necessary for a better visualization of the developed problem, leaving for the study of the focuses marketing, financial and productive, presenting the problem and throwing some hypotheses of solving them, always with the mentality of optimizing the involved resources.
1. Introdução
O presente estudo visa lançar um contínuo debate sobre a importância da
capacitação gerencial dos proprietários de pequenas agroindústrias
familiares do sudoeste do Paraná, conhecimentos esses de fundamental
importância para o desempenho do empreendimento. Atualmente o setor
agropecuário esta passando por uma transformação onde a produção e
comercialização de commodities agrícolas por pequenas propriedades
rurais não são suficientes para proporcionar uma rentabilidade digna
para os agricultores familiares da região, tendo que procurar novas
alternativas, como o processo de verticalização da produção, via
agroindustrialização, alternativa esta que envolve o entendimento de um
mercado complexo e com peculiaridades que precisam ser bem entendidas e
exploradas estrategicamente para que os empreendimentos sejam bem
sucedidos.
Os complexos agroindustriais de transformação de matéria-prima produzida
pela agricultura (integração principalmente), a indústria de insumos (agrotóxicos,
adubos químicos e sementes) e os responsáveis pela comercialização têm,
cada vez mais, se apropriado das riquezas geradas pela agricultura. Há
50 anos atrás o agricultor produzia com insumos próprios,
industrializava e comercializava sua produção, grande parte diretamente
para o consumidor. A lógica moderna de produção expropriou grande parte
desses benefícios, deixando para o agricultor somente a parcela da
produção, justamente a mais arriscada. Esse processo tem sido facilitado
pela mentalidade individualista e centralizada no lucro, que cada vez
mais domina os agricultores e a sociedade.
SETOR/ANO
1945
2000
§ INSUMOS
Inseticidas, Herbicidas, Adubo, Sementes, Máquinas, etc.
13%
24%
PRODUÇÃO
Planta/Colhe
Cria/Engorda
61%
13%
AGROINDÚSTRIA
Recebe, Beneficia, Industrializa
0%
36%
COMÉRCIO
26%
27%
Total Percentual
100%
100%
(EWEIN, 2003, p. 32)
Segundo Abramovay (1992, p. 45) “Agricultura familiar é aquela onde a
propriedade, a gestão e a maior parte do trabalho vêm de pessoas que
mantêm entre sí vínculos de sangue ou de casamento”.
A inexistência de um processo de integração vertical com a transformação
dos produtos, que estimule os agricultores a gerar um maior valor
agregado e de reter esse valor na unidade produtiva, sem transferí-lo a
outros agentes e que possibilite ampliar a autonomia no ciclo produtivo,
diversificar o risco, e de principalmente manter os membros da família
na unidade, é o grande desafio dos tempos atuais do desenvolvimento
regional.
Segundo os Dados do Fórum Intergovernamental e da Sociedade/Programa
Fábrica do Agricultor (1999) Existiam aproximadamente 399 agroindústrias
de pequeno porte na região Sudoeste do Paraná, sendo que 44,5% desse
total estão funcionando clandestinamente.
A realidade da agricultura familiar de pequenas propriedades, presentes
no Sudoeste do Paraná é da colonização européia que traz nas suas raízes
culturais a aptidão natural para a transformação da produção, bem como a
presente necessidade de verticalizar a produção familiar para agregar
maior valor à matéria-prima, fez com que nos últimos anos o segmento de
agroindústrias familiares de pequeno porte passasse de um perfil de
escala de produção doméstica e descaracterizada, para um perfil de
escala comercial profissionalizada.
As agroindústrias familiares de pequeno porte se caracterizam pela alta
taxa de informalidade, pouco aporte tecnológico e gerencial, pouca
capacidade para assimilar informações técnicas gerenciais e
mercadológicas e um enfoque empresarial voltado para a produção. Em
decorrência dessas características, têm pouca capacidade de adaptação às
mudanças do ambiente econômico, não conseguindo sobreviver a bruscas
mudanças nas estruturas de oferta e demanda. (VIEIRA, 1997).
2. Dificuldades Gerenciais
Segundo os Dados do Fórum Intergovernamental e da Sociedade do Sudoeste
do Paraná/Programa Fábrica do Agricultor (1999) “Identificou-se algumas
dificuldades para a implantação de uma agroindústria de pequeno porte,
sendo as principais: O deficiente acompanhamento técnico; A inadequação
das tecnologias utilizadas; A elevada burocracia da legislação vigente
para o registro dos empreendimentos e produtos agroindustriais;
Dificuldades de acesso ao crédito e maneiras de gerenciar o
empreendimento”.
Como o trabalho tem como ênfase a gestão de negócios, delimitou-se a
analisar os problemas ligados a capacidade de administrar o
empreendimento.
As pequenas agroindústrias familiares, não possuem uma divisão racional
das atividades, isto ocorre pelo fato dos empreendimentos de pequeno
porte disporem de poucos recursos, os gerentes da empresa, em geral, seu
próprio dono e alguns familiares, são polivalentes, atuando em várias
funções, exercendo, no mais das vezes, papéis que vão do principal
executivo até gerente e supervisor de vendas, de produção, de
administração e finanças. Também não é raro ver-se os próprios gerentes
sendo mão-de-obra de produção, administração e vendas.
Um dos principais problemas enfrentados pelas agroindústrias de pequena
escala, esta a dificuldade crescente de acesso aos canais modernos de
comercialização, isto, ocorre pelo encolhimento dos canais de varejo,
proporcionados pelo crescimento do ramo supermercadista como agente
concentrador das vendas de alimentos.
A falta de visão empreendedora do negócio a longo prazo indica que não
há a uma preocupação em planejar um horizonte maior, isto é,
estratégico, resumindo-se a apenas previsões tática, isto é,
operacionais e de curto espaço de tempo
Outro problema enfrentado pelos gestores de agroindústrias de pequeno
porte é o despreparo em gerar e avaliar informações, sejam elas ligadas
às áreas de produção, finanças e ou comercialização, tal fato se
justifica pela exigüidade de tempo que o gestor tem, devido
principalmente por não haver uma divisão do trabalho familiar, e também,
pela baixa escolaridade dessas pessoas, as quais tornam inibidas, no
processamento de dados em informações bem como da análise a ser efetuada.
Um dos aspectos mais importante é sem dúvida, a falta de instrumentos
gerenciais na área financeira, seja na avaliação do caixa, na apuração
dos custos inseridos na cadeia produtiva que está englobado, bem como a
dificuldade em formular o preço de venda com a margem de lucro que
almeja, fato esse de grande importância, pois uma margem de lucro muito
alta pode deixar o produto com pouca atratividade de preço, fortalecendo
outros concorrentes diretos e agroindústrias de grande porte ou
prejuízos pelo desconhecimento dos custos que estão inseridos no produto.
3. Conceitos de Administração
Para um melhor entendimento do assunto abordado necessário se faz de um
embasamento teórico das principais abordagens que envolvem as ciências
administrativas, formulando assim pressupostos necessários para a
análise dos fenômenos a serem discutidos.
A definição de Administração segundo SOUZA et al. (1995, p. 15): “é uma
ciência. E também uma arte. Ciência porque possui referencial teórico
próprio, possível de ser tratado pelo método cientifico. E arte porque
inclui, na resolução dos problemas que surgem na condução das
organizações, habilidades, sensibilidade e intuição.
Também esta prática não está restrita às empresas, mas é “[...]
necessária em todos os tipos de atividade organizada e em todos os tipos
de organização. De fato, a administração é necessária onde quer que as
pessoas trabalhem em conjunto e procurem alcançar uma meta comum. [...]
A administração é necessária às atividades produtoras de bens e serviços,
em empreendimentos privados e públicos, e em grandes e pequenos grupos”(MEGGINSON
et al. 1986, p. 5/6)
Segundo Kwasnicka (1987, p. 141) “O processo de administrar (management)
é considerado como um processo de planejar, organizar, dirigir e
controlar os recursos (humanos, tecnológicos e financeiros), utilizados
pela empresa de forma a atingir os objetivos estabelecidos.
As funções primordiais que um administrador deve executar em seu
empreendimento, são: o planejamento, sendo a primeira das funções a
serem executadas, é neste momento em que são definidos os objetivos
gerais e específicos, bem como são traçados os planos de alcance, onde
devem constar os recursos necessários, os cursos de ações, tendo como
base o estudo do ambiente; a organização tem como função criar o aparato
estrutural para que se possa executar os planos definidos no
planejamento, envolve a definição das atividades da empresa, o
agrupamento dessas atividades para que os recursos sejam usados
eficientemente, fazer a ligação entre hierarquia e divisão do trabalho;
a direção tem o objetivo de direcionar os membros da organização a
executar suas tarefas de forma eficiente, evitando conflitos e dispersão
dos recursos disponíveis, envolvendo atividades de delegação, motivação,
comunicação, sendo que é a função administrativa a qual o aspecto humano
é o fator decisivo para o seu sucesso; o controle é a função que avalia
as atividades da organização para ver se os objetivos estão sendo
atingidos, desenvolvendo padrões e efetuando as retro-alimentações do
processo administrativo.
Segundo Chiavenato (2001, p. 179) “O processo administrativo, não é
apenas uma seqüência cíclica, mas também um processo de funções
intimamente relacionadas em uma interação dinâmica”.
FIGURA 1 - O PROCESSO ADMINISTRATIVO COMO UM SISTEMA ABERTO.
AMBIENTE EXTERNO
FONTE: CHIAVENATO, Pág. 132
De Acordo com Chiavenato (2000, p. 71) “o ambiente representa todo o
universo que envolve externamente uma empresa, isto é tudo aquilo
situado fora de empresa. É do ambiente que as empresas obtêm os recursos
e informações necessários para subsistência e funcionamento, e é no
ambiente que colocam os resultados de suas operações”.
Nenhuma empresa se situa no vácuo, ela se interage com o ambiente e seu
resultado depende das influências sofridas por este. Já em 1940 Barnard[1]
lançou pressupostos teóricos explicando que as organizações não eram
sistemas fechados, não dependiam somente de técnicas mecanicistas de
produção e eficiência[2] de recursos e sim que eram sistemas abertos com
constante interação com o ambiente. Dentro da análise ambiental pode-se
dividir o ambiente em relação às interações com a empresa em duas
partes:
O ambiente geral (macro ambiente) é constituído de um conjunto amplo e
complexo de condições e fatores externos que envolve e influencia
difusamente todas as empresas. Não é uma entidade concreta com a qual a
empresa possa interagir diretamente, mas um conjunto difuso de condições
genéricas e externas às empresas e que contribui de um modo geral para
tudo aquilo que ocorre dentro de cada empresa, para as estratégias
adotadas e para as conseqüências das ações empresariais. O ambiente
geral é constituído das seguintes variáveis: tecnológicas, políticas,
econômicas, legislativas, sociais, demográficas e ecológicas (CHIAVENATO,
2000, p. 74).
O ambiente geral é muito complexo, pois interfere mais do que é
interferido pela empresa, cabe ao administrador obter o máximo de
informações possíveis em seu ramo de atuação para reduzir os riscos das
ameaças proporcionadas pelo ambiente bem como flexibilizar no
aproveitamento das oportunidades que possam surgir. Sendo a informação a
palavra chave do processo de avaliação do ambiente geral, essa deve ser
desenvolvida, pois sem informações o grau de incertezas na tomada de
decisões torna-se um delimitador na eficácia da administração do
empreendimento.
O ambiente de tarefa é o meio ambiente específico da empresa que
corresponde ao segmento do ambiente geral mais imediato e próximo da
empresa. É constituído pelas outras empresas, instituições, grupos e
indivíduos com os quais uma determinada empresa mantém interface e entra
em interação direta para poder operar. É o contexto ambiental mais
próximo da empresa e que lhe fornece as entradas ou insumos de recursos
e informações, bem como a colocação e distribuição de suas saídas ou
resultados. Os principais setores são: consumidores ou usuários,
fornecedores, concorrentes e grupos regulamentadores. (CHIAVENATO, 2000,
p. 78)
O ambiente de tarefa é a onde a empresa atua com mais influência, pois é
nele que estão inseridos os consumidores, fornecedores bem como os
concorrentes, tríade essa muito estudada e analisada na tomada de
decisões: o que produzir, como produzir, para quem produzir são apenas
algumas indagações que surgem quando se analisa essa parte do ambiente
de vital importância para a sobrevivência do empreendimento.
FIGURA 2 - A EMPRESA E SEU AMBIENTE GERAL E AMBIENTE DE TAREFA
FONTE: CHIAVENATO, pág. 80
A tomada de decisão é o processo de análise e escolha, entre várias
alternativas disponíveis, do curso de ação que a pessoa deverá seguir. A
principal atitude esperada pelo tomador de decisões é a racionalidade
explicitada na escolha da melhor alternativa de ação. A racionalidade
reside na escolha eficiente dos meios para o alcance dos objetivos
propostos num princípio da eficácia. (CHIAVENATTO, 2000, p. 386)
O processo de tomada de decisões é sem dúvida a função mestra de
qualquer gestor organizacional, pois é nesse processo altamente racional
que se comprova o grau de conhecimento possuído pelo dirigente, sobre os
aspectos situacionais percebidos e entendido, sendo que aqueles que
desconhece são deixados de lado, não interferindo na tomada de decisão.
A esse fenômeno dá-se o nome de racionalidade limitada a qual só são
racionais aqueles onde os aspectos são percebidos e interpretados.
Parece um paradigma de um lado deve-se ter o maior número de informações
possíveis e de outro um grau de conhecimento necessário para analisar e
aproveitar essas informações canalizando-as no processo de decisões.
As empresas são classes de organizações, isto é, são unidades sociais
que procuram atingir objetivos específicos: a sua razão de ser é servir
a esses objetivos. Um objetivo da empresa é uma situação desejada que
ela pretende alcançar. Dentro dessa colocação, os objetivos empresariais
têm muitas funções, a saber: a) ao apresentarem uma situação futura, os
objetivos indicam uma orientação que a empresa procura seguir e
estabelecem linhas-mestras para a atividade dos participantes; b) os
objetivos constituem uma fonte de legitimidade que justifica as
atividades de uma empresa e até a sua própria existência; c) os
objetivos servem como padrões, pelos quais os participantes e os
estranhos a ela podem comparar e avaliar o êxito da empresa, ou seja, a
sua eficiência e o seu rendimento; d) os objetivos servem como unidade
de medida para se verificar e comparar a produtividade da empresa ou de
seus órgãos ou ainda de seus participantes. (CHIAVENATO 2000, p. 50)
Qualquer empresa independente do tamanho ou ramo de atuação deve através
de seus dirigentes traçar objetivos claros de onde quer chegar, essas
orientações servem para determinar todo o processo de administração,
pois é através deles que o dirigente se orientará na tomada de decisões,
servindo também como padrões de eficácia[3] no seu atingimento. O
administrador que não traça objetivos margeia os fenômenos que acontecem
ao seu redor, não tendo a clara visão do negócio, atuando muita vezes
como um “bombeiro” apagando incêndios”, isto é, sendo um gerente puro e
simplesmente situacional.
Segundo Batalha (2001, p. 561) “A gestão do empreendimento rural, que
compreende coleta de dados, geração de informações, tomada de decisão e
ações decorrentes, é tratada na literatura restritamente aos aspectos
econômicos da gestão do empreendimento (custos, finanças e contabilidade)”.
Essa visão míope do empreendimento rural que muitos autores defendem,
fazem com que aconteça um esquecimento de outras importantes ferramentas
gerenciais, tais como: nos aspectos mercadológicos do produto e
comercialização; nos processos de produção e controle da qualidade; da
logística[4] necessária para o escoamento da produção entre outras.
4. Caracterização das Agroindústrias do Sudoeste do Paraná:
Segundo dados do Fórum Intergovernamental e da Sociedade/Programa
Fábrica do Agricultor, em 1999 existiam aproximadamente 399
agroindústrias de pequeno porte na região sudoeste. As principais linhas
de transformação das agroindústrias familiares do sudoeste do Paraná são:
cana-de-açucar (açúcar mascavo, melado, rapadura e aguardente); carnes e
embutidos (suínos e frangos); leite (queijo, iogurte, doce de leite),
frutas e hortaliças (doces, sucos geléias e conservas); Massa e
panificação (macarrão, bolachas e biscoitos). Conforme o quadro pode-se
observar a proporcionalidade de agroindústrias por matérias primas:
QUADRO 1 – PROPORÇÃO DE AGROINDÚSTRIAS POR MATÉRIAS-PRIMAS NO SUDOESTE
DO PARANÁ – 1999
continua
Matéria-Prima
Produto
N° Agroindústria
Abelha
Mel, cera e própolis
03
Abóbora
Doce
05
Amendoim
Rapadura e amendoim beneficiado
07
Arroz
Arroz beneficiado
09
Ave
Carne
16
Bovino
Carne, embutido e charque
17
Cabra
Leite
02
Cana-de-açucar
Açúcar mascavo, melado, aguardente e rapadura
57
Cenoura
Doce e conserva
03
Cereais
Cereais beneficiados
02
Codorna
Ovo ingredientes in natura e conserva
03
Erva-mate
Erva mate e chá
01
QUADRO 1 – PROPORÇÃO DE AGROINDÚSTRIAS POR MATÉRIAS-PRIMAS NO SUDOESTE
DO PARANÁ – 1999
conclusão
Matéria-Prima
Produto
N° Agroindústria
Farinha de trigo
Pão, massa, bolacha, cuca, torta, salgado e bolo
08
Feijão
Feijão beneficiado
02
Figo
Figada
02
Fruta
Fruta embalada, polpa e doce
09
Galinha
Ovos
06
Leite
Leite pasteurizado, queijo e iogurte
60
Milho
Fubá, farinha, quirera, biju e canjica
16
Olericola
Conserva
06
Peixe
Filé
07
Pepino
Conserva
05
Pipoca
Pipoca
02
Rá
Carne
01
Sorgo
Vassoura
05
Suíno
Carne, embutido, defumado e torresmo
43
Tomate
Massa de tomate
02
Trigo
Farinha de trigo
09
Uva
Vinho, vinagre e suco
11
Total
399
FONTE: FÓRUM INTERGOVERNAMENTAL E DA SOCIEDADE/PROGRAMA FÁBRICA DO
AGRICULTOR (1999)
O levantamento do Fórum Intergovernamental e da Sociedade/Programa
Fábrica do Agricultor aponta que quase a totalidade das agroindústrias
apresentam pendências nos processos de registros, quanto a pessoa física
ou jurídica dos empreendimentos e/ou quanto aos produtos agroindustriais
sob a ótica jurídica, fiscal, tributária, sanitária e ambiental.
Do total de agroindústrias em 1999, 35,6% apresentavam registro no
Serviço de Inspeção Municipal (SIM), 12,0% no Serviço de Inspeção
Estadual (SIP), 2,0% no Serviço de Inspeção Federal (SIF), 2,6% no
Ministério da Agricultura e 4,3% na Secretaria e Ministério da Saúde.
Restando 44,5% que estavam na clandestinidade, restringindo a
comercialização dos produtos no mercado informal.
No aspecto de qualidade e periodicidade na oferta dos produtos pelas
pequenas agroindústrias do sudoeste, apresentam muitas dificuldades para
inserir no mercado por não possuir um processo organizado que possa
fornecer ao consumidor o produto quando e como este o desejar.
Na organização do trabalho verifica-se nas pequenas agroindústrias
familiares a grande participação da força de trabalho feminina, isto se
deve pela tradição passada de geração a geração de receitas e preparos
artesanais no processamento de alimentos, outra característica marcante
na maioria desses empreendimentos rurais é a mão-de-obra familiar
podendo contar com até 02 (dois) trabalhadores fixos, bem como mão-de-obra
temporária nas épocas de pico na produção.
Em termos de associativismo segundo o Programa Fábrica do Agricultor, o
sudoeste é a região que mais se destaca, muitos projetos principalmente
em assentamentos rurais e associações comunitárias buscam no
associativismo a alavancagem necessária para a produção e
comercialização em escala de seus produtos, objetivando uma redução nos
custos e um incremento na margem de lucro, proporcionada por um preço
mais compensador gerado por essa sinergia[5] de produção.
5. Aspectos Mercadológicos
Um dos principais problemas enfrentados pelas pequenas agroindústrias
familiares é sem dúvida a colocação dos produtos transformados no
mercado consumidor. Devido a tradição dos agricultores familiares na
produção de grãos e de sua comercialização em locais próximos da área de
cultivo, sendo esses entregues a cooperativas, cerealistas ou vendidas a
outros particulares, com preços formados através de commodites agrícolas
ou na base de preços fixados na região. Como são produtos uniformes há
uma certa facilidade de comercialização. Quando se fala de produtos
agrícolas transformados há uma grande complexidade nas relações de troca,
pois de um lado tem-se um mercado consumidor exigente quanto a qualidade
e também preços acessíveis, bem como, de órgãos regulamentadores que
fiscalizam a qualidade e procedência dos produtos através de licenças de
comercializações tais como: SIM, SIP, certificações essas necessária
para a comercialização de produtos alimentares. Do outro lado tem-se um
produtor inexperiente nas negociações, fixação de preços, criação de
marca e embalagem bem como na tramitação de processos de certificações
sanitárias. É comum no setor agrícola a figura do atravessador, que tem
a função de intermediar as relações comerciais, fazendo com que a margem
do lucro do produtor seja reduzida, pois entrega por um preço pré-estabelecido
por aquele, repassando para o comerciante ou consumidor final por preços
calculados com uma grande margem de lucro.
FIGURA 3 – CANAIS DE COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO (TIPO - LONGO)
FONTE: DO PRÓPRIO AUTOR
Quanto maior for os canais de comercialização menor será a margem de
lucro para o produtor, pois a cada transação entre os elementos
constituintes desses canais será acrescido a margem de lucro
correspondente dos meios de troca.
Esses são os principais problemas que são presenciados nos aspectos
mercadológicos. Para reverter essa problemática o administrador rural
deve construir um canal de comercialização menor possível, o ideal seria
a venda direta ao consumidor final, mas se isso não for possível, deve-se
no mínimo eliminar a figura do atravessador entregando o seu produto
direto a varejistas, para isso faz necessário um bom apoio logístico no
escoamento dessa produção, com isso obterá um preço melhor em seus
produtos.
FIGURA 4 – CANAIS DE COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO (TIPO – CURTO)
FONTE: DO PRÓPRIO AUTOR
Através do conhecimento repassado entre gerações, os produtos
agroprocessados são em grande parte artesanais ou quase artesanais,
limitados, portanto a uma pequena escala de produção. Para esta
magnitude da oferta, tem-se encontrado demanda fácil nos mercados locais.
Em sua grande maioria esses produtos são informais ou mesmo
clandestinos, não possuindo registros ou licenças sanitárias dos órgãos
responsáveis. Quando em alguns casos esses produtos têm registro ou
autorização sanitária, não possuem formato adequado ou um bom trabalho
de marketing para apresentação do produto. E mais uma vez, devido a sua
pequena escala de produção e por se dirigirem a um mercado local, muitas
vezes informal, como feiras-livres, pequenos varejistas, etc., a falta
de registro ou apresentação não tem representado um impedimento para
comercialização de seus produtos.
Entretanto dinâmica oposta ocorre nas grandes redes de supermercados
brasileiros, que abastecem boa parte da população urbana. Operando num
ramo muito competitivo e dinâmico, as grandes redes exigem quantidade,
qualidade e apresentação de marketing, sendo imprescindível que os
produtos tenham todas as autorizações previstas na legislação brasileira.
O nível de exigência chega a ser tão intenso que as grandes redes exigem
o pagamento de “luvas” (licença) para iniciar a colocação dos produtos
nas prateleiras, em geral o primeiro lote de venda, além de exigir que o
próprio produtor garanta o abastecimento da rede e a arrumação dos
produtos para venda. (DEL GROSSI; SILVA, p. 5)
Os agricultores familiares que transformam parte da sua matéria-prima em
produtos prontos para o consumo (produtos transformados), deparam-se,
freqüentemente, com uma séria dificuldade, ou seja, a colocação dos
produtos no mercado. Isso resulta em canais mercadológicos pouco
desenvolvidos e de poucas exigências de consumo, ocasionando um retorno
menor que o esperado. Com isso os familiares das pequenas agroindústrias
chegam a conclusão que devem aumentar a escala de produção com o máximo
dos recursos existentes. Essa atitude traz uma série de implicações tais
como: a busca de novos mercados que possam absorver essa maior produção
onde exigirá um maior gasto de tempo, o volume de matéria-prima que
deverá ser planejada principalmente no que diz respeito a sazonalidade
dos mesmos, bem como os custos de obtenção. Com a conquista de novos
mercados, cresce também a exigência dos mesmos com a qualidade e
sanidade dos produtos, nesse momento os órgãos fiscalizadores entram em
ação, exigindo condições necessárias e certificações para a produção. É
nesse momento que a família toma uma séria decisão, a da ampliação do
negócio onde envolve desde uma infra-estrutura adequada com o tamanho da
produção e exigências sanitárias, a mordenização dos equipamentos e a
busca dos certificados de comercialização necessários a essa atividade.
6. Aspectos Financeiros
Quanto aos aspectos de controles financeiros as pequenas agroindústrias
familiares deixam a amostra o seu “calcanhar de Aquiles”, muitos
proprietários não conhecem os custos de suas produções, não há precisão
no controle das entradas e saídas de recursos financeiros e a apuração
da lucratividade se resume a um aspecto contábil rudimentar que
negligencia o real valor dos ganhos recebidos.
A implantação de um controle dos custos deve ser dividida por todos
aqueles que estão diretamente envolvidos na produção, isto é, deve haver
uma conscientização de que todas as fases que envolvem movimentação de
caixa, devem ser anotados e transcritos em planilhas de custos, sendo
esses dados transformados em informações que alimentarão o processo de
formação do produto acabado, mesclando o verdadeiro custo a uma margem
por escala, tornando-se mais competitivo em relação a produtos
similares.
Um simples caderno de controle de caixa, onde há a data da operação,
descriminação do fato, se é um débito (saída) ou crédito (entrada) de
recursos e o saldo, ter-se-ia um importante instrumento de controle como
um gerador de informações importante. Essa filosofia tem que ser posta
ao proprietário de maneira que a execute ou delegue a um membro da
família que se encarregue de anotar essas informações.
Há também o problema de recebimentos das vendas que devem ser
controlados para evitar uma queda brusca do capital de giro, a criação
de uma carteira de recebimentos faz com que o produtor sempre tenha a
possibilidade de entradas equilibradas com as saídas. Manter um capital
de giro estável não é uma tarefa fácil para nenhum administrador, pois
as variáveis, principalmente as do mercado interferem muito na
previsibilidade. As sobras devem ser aplicadas diversificadamente,
diminuindo-se os riscos de perda.
A inversão de capital deve ser analisada e gradativa, isto é, comprar
bens de capital (máquinas e equipamentos) de maneira que não haja uma
excessiva imobilização de capital. Como existem algumas linhas de
créditos, estas devem ser as preferidas, pois os juros são subsidiados
por órgãos públicos de fomento (BNDES, Paraná 12 meses), cobrando uma
taxa bem inferior a das instituições bancárias de varejo.
A compra de matérias-primas (a matéria principal, embalagens, etc.),
deve ser negociada de forma que as entradas de recursos possam cobrir
essas compras sem descapitalizar o empresário rural. Os fornecedores
devem ser diversificados para se ter a opção de compra e o poder de
barganha.
8. Aspectos Produtivos
Quanto aos aspectos produtivos, pode se considerar que as pequenas
agroindústrias familiares do sudoeste do Paraná estão passando por
processos de transformação sejam eles exigidos pelas leis sanitárias e
ambientais, as quais cobram uma estrutura física apropriada a atividade
produtiva, principalmente na manipulação de alimentos. As pequenas
cozinhas e despensas domésticas de uso familiar estão se tornando
distintas das áreas de produção. Estas unidades produtivas necessitam de
um layout apropriado (arranjo físico), bem como, de métodos mais
eficientes para conseguir escala de produção. A grande dificuldade de
muitas agroindústrias é a matéria-prima, por se tratar de produtos de
origem vegetal, sofrem a sazonalidade, como por exemplo, em produtos
para conserva (pepinos), fator que produz uma descontinuidade da
produção, muitas vezes com parada total de produção. O ideal seria um
aproveitamento melhor e uma flexibilização da produção. Exemplificando-se
poderia ter-se uma produção de geléias e doces tipo “ximias”[6] de
pêssegos (outubro à janeiro), uva (dezembro à janeiro), maçã (março à
junho), abóbora (fevereiro à julho)[7], cítricos (junho à setembro), com
esse aproveitamento de culturas a produção seria contínua. A
flexibilização seria a adaptação dos meios produtivos para que culturas
com épocas diferentes pudessem ser aproveitadas como exemplo ter-se-ia a
produção de conservas (legumes) e compotas (frutas), pois o processo de
produção é semelhante e abrir-se-ia uma diversificação de produtos
evitando-se a ociosidade produtiva.
Existem dois tipos de agroindústrias familiares: a primeira é aquela que
produz o seu estoque de matéria-prima, isto é, sendo que a produção
possui fases de declínio; essa atividade é encarada como um acréscimo de
receitas, não sendo, via de regra, a principal atividade da propriedade.
A segunda é mais complexa, pode haver um estoque estratégico na própria
propriedade, mas o principal fornecimento e de terceiros, não há súbitas
paradas, podendo essa matéria-prima vir de outras regiões, encarecendo
os custos de fabricação. Essas unidades produtivas possuem uma escala
produtiva e certificações legais, fornecendo seus produtos até para
outras regiões, como exemplo tem-se os embutidos que são repassados para
vários estabelecimentos mercadistas, sendo a atividade principal do
empresário rural.
A logística é outro problema dessas unidades produtivas, a dificuldade
de acesso as propriedades bem como do encarecimento do frete, refletem
nos custos de produção. Alguns empresários rurais investem na compra de
seu próprio veículo, outros buscam no associativismo a compensação de
escala para absorver o custo de transporte ou ficam a mercê dos
intermediários, recebendo menos pelo produto.
Cada vez mais os consumidores finais estão exigindo dos produtores,
produtos com qualidade, mesmos esses feitos artesanalmente. Esse
controle de qualidade deve ser acompanhado em todos os processos da
cadeia produtiva e não se privar apenas do momento de transformação.
Escolher os fornecedores é um bom começo, pois quanto mais confiável for
a procedência dessa matéria-prima, maior será o grau de qualidade do
produto final.
7. Considerações Finais
O presente trabalho abordou as pequenas agroindústrias familiares de uma
forma gerencial, tratando esse produtor como um empresário, já que detém
tanto os meios de produção como de comercialização, retratando as
dificuldades gerenciais que passa no seu cotidiano, sendo essa
dificuldades semelhantes àquelas enfrentadas por dirigentes de empresas
urbanas.
Há a necessidade de capacitar esses empresários, mas não da forma de um
curso intensivo e de curto prazo e sim, com apoio técnico e horizonte
temporal longo. Sendo esse apoio buscado através de programas de
extensão e convênios integrando as universidades, órgãos de fomento, que
possibilitem até o mais simples empresário, com um grau de escolaridade
baixa, a inserção de técnicas administrativas modernas e o apoio
indispensável na prática de tais técnicas.
A transformação agroindustrial é, sem dúvida, um grande desencadeador do
desenvolvimento de uma região em especial a região sudoeste do Paraná.
Possibilita a família rural não só um complemento de renda, mas a
geração de riqueza e qualidade de vida, atuando também na diminuição do
processo de êxodo rural, na união familiar, bem como, na opção de estar
produzindo produtos saudáveis para o consumidor final.
Chega-se à conclusão que o segredo do resultado eficiente desses
empreendimentos está na maneira de gerenciá-lo, deve-se abrir mão de
processos situacionais e tradicionais por processos contingênciais que
levem o empresário a pensar de modo mais integrado com a dinâmica do
ambiente onde está inserido. Cabe às autoridades governamentais a função
de capacitar e apoiar esse empreendedor rural, criando também mais
linhas de crédito que possibilitem o crescimento dessas unidades
produtivas. A criação de projetos modelos que enfoquem o uso otimizado
de bens de produção em minifúndios.
Não se pode esquecer de frisar o incentivo que se deve dar ao
associativismo, tão importante para essa faixa de produtores rurais, o
qual se processa através de uma força sinérgica capaz de proporcionar
uma maior agregação de valor em toda a cadeia produtiva.
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ABRAMOVAY, R. Paradigmas do capitalismo agrário em questão. São Paulo:
HUCITEC; Rio de Janeiro: ANPOCS; Campinas: Editora da UNICAMP. 1992.
EWEIN, Jorge. Ecocitrus: da produção à comercialização, a independência
dos agricultores. Revista Agroecologia & Agricultura Familiar. Lages:
Setembro, Ano VI, n. 5, 2003
BATALHA, M. O. (Coord.) (1997) Gestão agroindustrial: GEPAI: grupo de
estudos e pesquisas agroindustriais. São Paulo: ATLAS, v. 1, 573 p.
CHIAVENATTO, Adalberto. Administração – Teoria, Processo e Prática. 3 ed.
São Paulo: Pearson education do Brasil, 2000.
DEL GROSSI, Mauro Eduardo; SILVA, José Graziano da. Estudo de Caso:
fábrica do agricultor do Estado do Paraná, sul do Brasil. Disponível em:
<http.www.fidamerica.cl/erna/documentos/b.fidfinal.pdf> Acesso em: 01 de
mar. De 2004.
HOLOWKA, Herivelto; KIYOTA, Norma; PAZ, César R. S. Plano de
Desenvolvimento Sustentável do Sudoeste do Paraná: Versão Agrícola.
Fórum Intergovernamental e da Sociedade do Sudoeste do Paraná/Programa
Fábrica Do Agricultor. Francisco Beltrão, 1999.
KWASNICKA, Eunice Lacava. Introdução à administração. 3 ed. São Paulo:
Atlas, 1987.
MEGGINSON, Leon C.; MOSLEY, Donald C.; PIETRI JÚNIOR, Paul H.
Administração:
conceitos e aplicações. São Paulo : Harbra, 1986.
SOUZA, Ricardo de et al. (Orgs.) A administração da fazenda. 5. ed. São
Paulo : Globo,
1995.
VIEIRA, LUIS FERNANDO. Agricultura e Agroindústria Familiar. Disponível
em <http.www.gipaf.cnptia.embrapa.br/itens/publ/artigos_trabalhos.htm#vieira97a>
Acesso em 08 de fev. de 2003.
[1] Chester I. Barnard, presidente da New Jersey Bell Telephone Company,
autor de organization and Management. Cambridge, Harward Univerty Press,
1956.
[2] Como as coisas são feitas. De que maneira são executadas. Ênfase nos
meios.
[3] Para quê as coisas são feitas. Quais resultados trazem. Quais
objetivos alcançam. Ênfase nos fins.
[4] Trata todo o fluxo de materiais em uma organização, desde a previsão
de vendas, passando pela compra e pelo processamento de materiais, sua
estocagem, até o envio de produtos acabados para a venda, como um único
sistema.
[5] Efeito multiplicador da combinação dos recursos que, quando
utilizados conjuntamente, produzem um efeito resultante maior que apenas
a sua adição.
[6] Espécie de pasta doce produzido a base de polpa e derivados de
frutas.
[7] Em se tratando de uma cultura que se conserva por alguns meses após
a colheita sem perder suas características.
Nota: Es probable que en esta página web no aparezcan todos los elementos del presente documento. Para tenerlo completo y en su formato original recomendamos descargarlo desde el menú en la parte superior
Acerca de GestioPolis
Participar en la comunidad
Derechos de Autor
GestioPolis es la primera comunidad de conocimiento en negocios de Hispanoamérica
Derechos Reservados sobre el concepto del sitio web
GestioPolis.com
© 2008 Carlos López
| Hazte miembro de GestioPolis |
|
Y Descarga 11 eBooks
GRATIS |