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A atividade de Relações Públicas na Itália surgiu em 1944 por conta
da V Armada Americana, ao final da invasão nazista, sendo seu precursor,
o oficial italiano Guido de Rossi Del Lion Nero. Ao término da batalha,
alguns pioneiros iniciaram a profissão de Relações Públicas de forma
orgânica até o final dos anos 40 e, início dos anos 50. Contudo, somente
a partir dos anos 50 é que se iniciou um processo de cultura, até então,
inexistente. Esse grupo era composto por Piero Arnaldi, Alvise Majello,
Giuseppe Roggero[1], Guglielmo Trillo, seguidos, posteriormente por Lino
Cardarelli, Atílio Consonni, Gherarda Guastalla Lucchini, Roberto
Marziantonio, Marianghela Moneta, Toni Muzi Falconi, Frederico
Spantigati entre outros.
A progressiva evolução das Relações Públicas não foi linear e
defrontou-se com uma série de obstáculos que tentaram desfigurar sua
finalidade. Cronologicamente, a primeira aparição da atividade de
Relações Públicas surgiu com um escritório de imprensa e lobby[2] que
atendia a um número reduzido de empresas, em sua maioria estrangeiras,
prevalecendo às americanas e inglesas. A função de assessoria de
imprensa já estava consolidada e, muitas organizações utilizavam esses
serviços. O lobby também já era exercido e não representava nenhuma
novidade. O caráter inovador foi a terminologia “public relation”,
depois, modificada para “pubbliche relazionie” – P.R., mais tarde, por
“relazioni pubbliche “ R.P. – adotada até hoje[3].
A segunda fase (1955-1970), foi a fase em que a atividade começou a ser
conhecida junto ao público externo e, quando foi institucionalizada a
sigla P.R., hoje, R.P.. Obviamente, isso desenvolveu o espírito da nova
profissão e favoreceu sua imagem de pequena estrutura dedicada a
atividades beneficientes definidas como “mondane”[4]. Nesse período
começam a surgir projetos institucionais veiculados na mídia sob os
auspícios das Relações Públicas – indicando, então, ao público externo a
natureza das atividades dessa nova profissão.
A primeira agência italiana de Relações Públicas foi fundada em 1961
pelo já citado Aldo Chiappe, tendo como exemplo a líder mundial
americana Hill & Khowlton. Quase contemporaneamente, e em paralelo,
Faccioli (2000)[5] cita um outro fenômeno: a colocação da atividade como
instrumento de marketing e de comunicação, em função de dar apoio a
propaganda, às promoções e ao merchandising. Somente a partir da metade
dos anos 70, a atividade de Relações Públicas começa a adquirir status
de disciplina, dotada de características bem definidas, de instrumentos
próprios e de normas precisas. Se equívocos iniciais são a base desse
atraso, é provavelmente correto afirmar que a sociedade italiana, em seu
complexo, atravessou no decorrer desses anos uma profunda e positiva
crise de transformação e de crescimento – de país agrícola a país
industrializado – no curso desses acontecimentos a comunicação era
considerada secundária.
A atividade de Relações Públicas ganhou terreno fértil na sociedade
industrializada e desenvolveu-se socialmente, evoluindo junto com os
discursos democráticos do país. A razão da existência da atividade na
Itália resume-se em alguns pressupostos: uma sociedade livre e
pluralista; uma livre imprensa e uma crescente sensibilização do
interlocutor que oscila junto aos temas: democracia empresarial,
consumismo, meio-ambiente, e pela multiplicação dos “controles” diretos
e indiretos das atividades empresariais.
Na década de 90, a profissão passou a se desenvolver notavelmente se
comparada aos primeiros anos e adquiriu um perfil cultural e
profissional institucionalizado. Muitas empresas – não somente as de
grande porte – dispõem de departamentos de Relações Públicas que variam
em sua denominação: relazioni pubbliche, relazioni esterne,
comunicazione e immagine, etc. Isso ocorre em todo o território
nacional, tendo a máxima concentração em Milão, seguido de Roma e
Torino. Os profissionais de Relações Públicas – sejam consultores,
autônomos, de agência ou funcionários de uma organização – aderiram em
grande parte a Federação de Relações Públicas Italiana – FERPI, que
contribui para a difusão da cultura da atividade de Relações Públicas
juntamente com a Associação das Agências de Relações Públicas da Itália
– Assorel.
Para que aja uma melhor compreensão da atividade de Relações Públicas,
segundo Roggero e Pecchenino (1995)[6], é pertinente a definição das
outras áreas que compõem o mix da comunicação na Itália:
- a pubblicità – seu objetivo é criar uma predisposição para a aquisição
de um determinado bem ou serviço. Comunica utilizando mensagens com
apelo emocional, com modalidades de pressão psicológica, na tentativa de
atingir a um público definido. A publicidade é um fenômeno estritamente
comercial que projeta uma imagem organizacional e, procura através da
divulgação do produto ou serviço, comunicar uma imagem positiva que nem
sempre coincide com a realidade;
- la promotion – todo complexo de atividades e iniciativas colaterais à
publicidade que a organização desenvolve no intuito de melhor afirmar ao
consumidor o próprio produto ou serviço: concursos, ofertas especiais,
prêmios, etc.;
- la propaganda – seu real significado refere-se a difusão de uma idéia
ou conceito como, por exemplo, a propaganda política, a propaganda
religiosa, a propaganda filosófica e a propaganda econômica (quando
divulga os princípios e teorias econômicas de algum plano);
- a pubblicità istitucionale - pode ser considerada um instrumento de
Relações Públicas quando o objetivo é o de divulgar um nome trabalhando
com a marca e a identidade corporativa, na divulgação de campanhas
sociais, políticas ou religiosas e na apropriação de uma data festiva
por conta da realização de um evento;
- Il lobbying – é uma atividade que tem origem no mundo anglo-saxão e,
que foi institucionalizada nos Estados Unidos. Originalmente, consistia
em uma atividade realizada por grupos econômicos em função de um
interesse comum, junto aos membros do Governo inglês. Os Estados Unidos
regularam esta atividade e, hoje, existe um verdadeiro mailing de
lobistas que representam oficialmente os interesses de determinadas
categorias econômicas junto aos poderes legislativo e executivo e, junto
a administração pública em geral. Também, na Itália – embora não
oficialmente regulamentada – existe a profissão de lobby, em síntese, o
lobby pode ser definido como a atividade de representar os interesses
privados (de um grupo e de uma categoria) junto ao legislativo e a
administração pública;
- la press-agentry – trata-se de uma atividade exclusiva do mundo do
espetáculo (cinema, teatro, show, televisão, etc.) em que é realizada a
divulgação desses acontecimentos.
Para fornecer uma definição sintética, mas, incisiva de Relações
Públicas, a princípio, na Itália adotou-se a descrição do dicionário
Webster’s New International Dictionary que fala ser a atividade de
Relações Públicas: “a atividade de uma indústria, de uma associação
profissional e de uma entidade pública interessada em criar e manter um
relacionamento com o público em geral e com o público target , de modo
que se aprofunde no próprio âmbito social e projete uma correta imagem
para a opinião pública”[7].
A revista “Pubbliche Relations News” – órgão de divulgação da Public
Relation Society of América, define como “a organização e a direção da
função que se propõem a atender ao público em geral, identificando os de
interesse para a organização e, procedendo através de técnicas que
mobilizem positivamente a opinião pública”.[8] A definição que,
atualmente, é adotada pela Confédération Européenne dês Relations
Publiques – CERP é: “a prática que consiste em conciliar e assistir um
organismo ou pessoa em definir e atuar uma política global com o
objetivo de criar, manter e desenvolver a recíproca compreensão e
conhecimento com os diversos públicos que constituem o ambiente”.[9] A
definição é oficial e, como tal, deve ser aceita, mas é largamente
insatisfatória segundo Roggero e Setaro (1994, p.25).
A definição que melhor expressa a atividade de Relações Públicas na
Itália, hoje, segundo os profissionais da área, é a adotada pela FERPI:
“As Relações Públicas se apresentam como uma escolha que uma empresa ou
uma organização faz com o objetivo de atender aos seus públicos e a
opinião pública de maneira favorável, determinada através da
reciprocidade e na compreensão de suas políticas.”[10]
O conceito formulado nos anos 50 por Cutlip (1989) – considerado um dos
expoentes americanos em Relações Públicas pelos italianos é:
As Relações Públicas são um instrumento de política empresarial que
comunica ao mundo externo uma imagem correta da organização ou de um
indivíduo, imagem que deve corresponder a uma efetiva e eficiente
realidade em termos de gestão geral, produção, marketing, finanças,
administração e política de pessoal.[11]
Considerava como pilares da política de Relações Públicas: o
comportamento/organização e a comunicação de dupla via
(interno/externo). A definição de Cutlip vem ao encontro do slogan
adotado pela FERPI, no ano de sua fundação, em 1970: “Far bene e farlo
sapere” , onde “far bene” corresponde a um comportamento claro, honesto
e eficaz e “farlo sapere” é a própria comunicação (versão da americana
“have a sound story to tell and tell it”). Roggero e Setaro [12]resumem
o que consideram fundamental na atividade de Relações Públicas,
caracterizando-a como:
- As Relações Públicas não se ocupam, apenas ocasionalmente, da
comunicação de produtos. Pois, é uma atividade diferente da publicidade
tendo sua própria técnica e instrumentos;
- As Relações Públicas devem obedecer às regras básicas de comunicação:
onde uma comunicação não fundamentada em fatores de clareza, honestidade
e responsabilidade perante a realidade, traduz-se automaticamente, em um
engano e em desinformação e, onde um comportamento correto eficaz – se
não adequadamente comunicado – reflete em um juízo externo suscetível a
dúvidas quanto à imagem corporativa.
Se fala muito que a informação é feita de idéias novas, quando, na
realidade, a maior parte da informação e das notícias não contêm idéias,
muito menos novas. O fato é que, interpretando corretamente o
significado das Relações Públicas, depreende-se uma outra característica
da atividade: cada notícia, cada informação veiculada, deve conter uma
idéia ou um “germe” dessa idéia, quando não, a própria prática da idéia.
Princípio muito importante, mas que dificilmente é colocado em prática.
De fato, na maior parte dos casos, quando uma organização entra no campo
das Relações Públicas, a proposta não é a de incitar a alguma ação
imediata (de comprar, provar, votar), ao contrário do que se propõe a
publicidade, onde a comunicação de massa é a que prevalece. McQuail[13]
(1985) afirma que uma comunicação eficaz é aquela que obedece a um
programa de comunicação “Taylor-made” composto por: organização (fonte
emitente), o público ao qual se refere (receptor) e de todos outros
fatores que intervém do processo (momento, lugar, canal, instrumento).
Sellitto[14] (2000) cita que na área organizacional o organograma da
empresa compreende todas as funções (produção, marketing, logística,
comercial) sendo a função de Relações Públicas, definida junto à
diretoria geral. A correta colocação do cargo de Relações Públicas junto
ao staff da direção indica uma posição coordenada e não subordinada. É
junto à direção geral que serão projetadas e desenvolvidas as políticas
estratégicas da organização. A função do profissional de Relações
Públicas, também, é a de porta-voz junto aos públicos interno e externo,
participando as comunicações e decisões tomadas. O autor relata que o
departamento de Relações Públicas compreende um número de pessoas que
variam conforme a dimensão da empresa. Em geral, o departamento é
composto por um responsável (o diretor) que coordena as atividades
respondendo pelos objetivos e resultados obtidos e, por um número
variável de assistentes que se ocupam de atividades particulares
(relações com a empresa, organização de eventos, etc.), além daqueles
encarregados de definir e implementar os projetos.
O departamento de Relações Públicas de uma empresa pode recorrer a uma
agência externa para o complemento de suas atividades. O profissional de
Relações Públicas responsável pelos projetos são os (sênior executive,
account executive ou project leader)[15] tendo como assistentes na
realização dessas ações os ( account e Junior account ou project
assistant).
O profissional de Relações Públicas – como consultor – em relação aos
outros profissionais de comunicação é comparada a um maestro que
coordena vários setores para a boa execução de uma única partitura que
têm por protagonista a organização. O cargo de Relações Públicas na
organização é recente e, ainda, necessita de referências que valorizem a
profissão e sua real importância. Certamente, o profissional deverá
ajudar aos demais setores da organização a compreenderem sua função e a
valorizarem sua atividade procurando a compreensão e o apoio do top
management (CAVALLO, 1993)[16], ou seja, do alto escalão, criando
interesse em relação a sua própria atividade e no planejamento que está
desenvolvendo. Em outras palavras, o profissional de Relações Públicas
deve influenciar e convencer o top management de sua validade e da
importância de seu planejamento de comunicação obtendo, assim, uma
perfeita definição da própria posição dentro da organização. Deve fazer
valer a sua profissão outorgando-a respeito e dignidade e acreditando em
seu real valor.
O consultor pode atuar individualmente ou fazer parte de uma agência de
consultoria – normalmente composta por duas ou quatro pessoas – que
apresentam características similares a atuação individual. Uma agência
média – na Itália não existem consultorias de grande porte, segundo
dados da FERPI, teoricamente divide o seu staff em consultores
especializados: em eventos, público interno, planejamento e implantação,
pesquisa, assessoria publicitária e de mercado, e outras categorias que
possam advir das necessidades dos clientes que atendem. Cavallo (1993)
cita os serviços que, geralmente, compreendem a rotina de um consultor
são:
Corporate imagine , posicionamento ou reposicionamento da imagem
organizacional e sua identidade corporativa “corporate identity” ;
Marketing communications , comunicação de um serviço/produto, através de
promoções e eventos;
Internal relations , estudo, análise e soluções; no ãmbito das relações
da organização com os seus funcionários e criação ou modificação de uma
cultura organizacional;
Community relations , estudo, análise e solução para os problemas da
organização com a comunidade onde está inserida em temas como: segurança
no trabalho, ambiente e ecologia, ajuda as autoridades locais,
intervenções culturais e recreativas;
Comunicazione economico-finanziaria juntamente com o apoio de analistas
e de jornalistas do setor, bem como, o apoio junto as pesquisas
publicadas pelos organismos oficiais, com o intuito de publicar
documentos da organização (balanço, relatórios, semestrais, cartas para
acionistas);
Rapporti com le istituzioni e public affairs , monitoramento
legislativo-normativo relativo as normas governamentais, atividades de
lobby, informações das ações da organização para os parlamentares e
ministérios;
Casi di emergenza , análise de crises, planejamento e desenvolvimento de
ações.
A ação do profissional de Relações Públicas no setor público é função
delicada e ao mesmo tempo criativa. Pois, o setor público não conta com
os mesmos recursos financeiros e operacionais que uma empresa privada.
No campo das idéias, a comunicação é mais centrada e dogmática sem
permitir muitas intervenções. Sendo, a função primordial do Relações
Públicas neste setor, a de prever e solucionar possíveis conflitos
oriundos de políticas impróprias junto à comunidade.
As relações que a empresa desenvolve junto ao ambiente em que está
inserida deve ocorrer em um fluxo de comunicação de dupla via. Um
sistema econômico típico da primeira fase do desenvolvimento industrial
(e utilizado até algumas décadas atrás) podia ser definido como um
“sistema simples”. O sistema simples significa um sistema interno com um
número preciso e codificado de relações. O sistema econômico de nossos
dias é o “sistema complexo”, que não é sinônimo de complicado. É um
sistema menos previsível e, conseqüentemente, mais difícil de gerir.
Pode-se dizer que coisa determina a existência de uma nova relação e de
relações potenciais dentro de um sistema através da natureza do moderno
sistema econômico. A partir dos anos 90 passou a existir novos e
múltiplos protagonistas em um sistema econômico, que o tornam complexo
e, em grande parte, o definem e o designam. Um exemplo disso são os
consumidores (atualmente na Itália existem aproximadamente 25
associações de consumidores) e os sindicatos enquanto protagonistas de
um novo ciclo social (o incentivo a cooperação e não ao choque de
idéias). As empresas inseridas em um sistema econômico complexo têm as
Relações Públicas como catalisadora das relações atuais e potenciais
tendo diversos protagonistas (atores) que necessariamente interagem com
o sistema interno. Sendo assim, diz-se que o objetivo maior da atividade
de Relações Públicas – a matriz filosófica de referimento – é, hoje,
considerar a atividade como um instrumento de desenvolvimento positivo
do sistema econômico e propulsor desse desenvolvimento.
Nenhuma organização pode agir isolada do seu entorno social. Suas
políticas têm de estar de acordo com a comunidade local – sendo este
público o segundo em ordem de prioridade – pois, sabe-se que os
primeiros são os próprios funcionários. A Atividade de Relações Públicas
começa em casa e, segue nas relações na comunidade local “vicini di casa
“.[17]
O sistema de relações com a opinião pública é um dos principais
pontos de referência na área de relações públicas, por sua capacidade de
analisar o público. Qualificar e melhorar a imagem de uma organização,
de um produto, de um serviço é o objetivo base das Relações Públicas. Em
toda a Europa, no mundo profissional, é largamente defendida esta missão
das Relações Públicas, confirmada por pesquisa realizada pela CERP[18],
que opera em contato permanente com várias instituições da comunidade
econômica européia. Esta pesquisa datada de 1990, entrevistou 300
profissionais de Relações Públicas oriundos de vários países europeus,
que tiveram de responder sobre sua atividade e sua área de atuação, bem
como, apontar tendências a nível europeu e do país de origem. As áreas
evidenciadas pela pesquisa são: public affairs, relazioni com i
consumatori, comunicação interna, relações ambientais (muito
diferenciada por sua problemática nos diversos países e regiões) e
relações financeiras.
De todas as respostas emergiu como função primordial para a comunicação
empresarial o processo de planejamento e tomada de decisão. Em toda a
Europa se afirma a necessidade das empresas em planejar e decidir
levando em conta o público externo, independente do fato desse público
consumir ou utilizar os produtos da empresa.
O perfil que identifica um profissional de Relações Públicas na Itália
consiste em:
Ter cursado um curso de Láurea[19] na área econômica ou humanística;
Ter se aprofundado na atividade através de estudos no exterior - na
Europa ou nos Estados Unidos – uma vez que o sistema universitário
italiano propicia através de programas (Sócrates/Erasmus e Leonardo da
Vinci)[20] oportunidade de estagiar em outros países;
Buscar experiências ou estágios em organizações durante a vida
acadêmica; expressar-se corretamente, escrever com clareza e falar pelo
menos duas línguas estrangeiras;
Ter experiência em redação;
Saber falar em público e não se intimidar com o tamanho de uma platéia;
Ter feito cursos de extensão nas áreas da história, psicologia e
sociologia;
Ter viajado e continuar viajando muito para que possa obter
conhecimentos gerais e ampliar sua visão de mundo;
Saber valer sua própria personalidade, profissão e idéias;
Saber ouvir críticas e aproveitá-las para o próprio crescimento
profissional;
Ler muito, pelo menos quatro jornais por dia, duas revistas por semana,
um par de publicações especializadas de sua área ao mês (de preferência
alguma publicação estrangeira) e dois a três livros por mês;
Estar sempre envolvido com o meio social: livros, cinemas, esportes e
arte. conhecer vinhos e ter noções básicas de gastronomia e no trato à
mesa (não é indispensável, mas mal não faz);
Vestir-se de maneira clássica, com um mínimo de gosto (não é
indispensável, mas facilita a comunicação com o interlocutor).
Nos anos 80, o jornalista e o publicitário eram vistos como responsáveis
pela comunicação das empresas. A atividade de Relações Públicas era
vista como técnica no momento em que a opinião pública tinha em mente
ser ele, mero representante do dono da empresa – sempre à sombra do
cliente. A teoria, realmente, enfatiza essa prática, mas, quando
necessário, o profissional de Relações Públicas deverá impor-se e
comunicar-se pela empresa em primeira pessoa.
Da urgência em desenvolver a atividade de Relações Públicas, vários
instrumentos são criados para o contato entre a organização e seus
públicos. Os estudantes possuem uma visão crítica propiciada pelos
princípios e técnicas que podem, mais tarde, transformar-se em úteis
instrumentos políticos e operativos. Invernizzi[21] cita um velho ditado
aplicado aos estudantes: “classe dirigenti di domani”.[22] Ocorre que,
antes de lhes ser outorgado o compromisso de gerir uma organização, uma
atividade ou sua própria função há de conjugar o verbo “poder” – oriundo
do Know-how que obtiver no decorrer de sua vida acadêmica. Por isso, a
importância de fazer-lhes refletir sobre as estruturas sociais e os
cenários em que estão inseridas as organizações para que trabalharão.
Pois, de nada adiantam paradigmas e técnicas sem a visão crítica e a
sabedoria em aplicá-los.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CAVALLO, Antonio. Pubbliche Relazioni e Comportamento in Servizio.
Bari:Levante,1993.
FACCIOLI,, Franca. Comunicazione Pubbliche: teoria e pratica di uma
seduzione contemporânea. Milano: Etas Kompass, 1969
INVERNIZZI, Emanuele. Le relazioni pubbliche nelle organizzazioni
complesse: ricerca sull’evoluzione della professione in Lombardia e
sulla collocazione organizzativa nelle grandi imprese. Milano: Angeli,
1981.
MCQUAIL, Denis. Le Comunicazioni di Massa. Bologna: Il Mulino, 1985.
ROGGERO, Giuseppe e SETARO, Mariateresa. Teoria e tecnica delle
relazioni pubbliche. Milano: Lupetti,1994.
_________________e PECCHENINO, Mauro. Le relazioni pubbliche nel mondo
che cambia: chi, cosa, dove, quando, perche?. Milano: Lupetti, 1995.
SELLITTO, Miguel. Principi di Economia e Marketing I. Perito em Criação
de Empresas.v.12. Porto Alegre: ACIRS, 2000.
RESUMO: Este trabalho apresenta o significado que a atividade de
Relações Públicas possui, hoje, na Itália e o perfil esperado desse
profissional. Por meio de um resgate histórico do início da atividade no
país, contextualiza a evolução da profissão e as definições mais
adotadas para designá-la. Para melhor compreensão da atividade de
Relações Públicas, a profissão é explicada dentro do mix da comunicação
italiana. A ação do profissional de Relações Públicas junto ao setor
público e privado é tratada através do relacionamento com a opinião
pública como forma de melhorar a imagem da organização. Em um segundo
momento, são relatadas as principais funções desta atividade no país
destacando a de “consultor” e todas as ações que a envolvem, bem como,
as áreas mais evidenciadas na Europa – identificadas através de pesquisa
realizada pela Confederação Européia de Relações Públicas - CERP.
PALAVRAS-CHAVE: Relações Públicas, atividade, Brasil, Itália.
ABSTRACT: The author discusses the meaning of the practice of Public
Relations in Italy today, as well as the expected profile of the PR
Professional. By means of historical research on the beginning of the
practice in this country, she puts into context the profession’s
evolution and the definitions most widely adopted to describe it. For
the better comprehension of the Public Relations practice, the
profession is viewed as a part of the Italian communications mix. The
work of the PR professional in the private and public sectors is
approached as the relationship with public opinion, aiming to form a
better image of the organization. In a second analysis, the main
functions of this activity in Italy are described: special attention is
given to the consultant and the actions that are involved in this
activity, as well as to the most relevant regions of Europe (identified
in research conducted by the Public Relations European Confederation).
KEY WORDS: Public Relations, practice, Brazil, Italy.
[1] ROGGERO, Giuseppe. Autor italiano com obras sobre Relações Públicas
editadas nos anos de 1994 e 1995.
[2] Não há registro quanto ao nome do escritório.
[3] Relazioni Pubbliche – R.P. é a terminologia adotada, atualmente,
pelos profissionais cadastrados na Federação de Relações Públicas
Italiana – FERPI (órgão que representa os profissionais italianos desde
1970).
[4] Relativas ao mundo material.
[5] FACCIOLI,, Franca. Comunicazione Pubbliche: teoria e pratica di uma
seduzione contemporânea. Milano: Etas Kompass, 1969.
[6] ROGGERO, Giuseppe e SETARO, Mariateresa. Teoria e Técnica delle
Relazioni Pubbliche. Milano: Lupetti, 1994.
[7] Webster’s apud ROGGERO, Giuseppe e SETARO, Mariateresa. Teoria e
Técnica delle Relazioni Pubbliche. Milano: Lupetti, 1994. p. 25.
[8]Public Relations New apud ROGGERO, Giuseppe. Teoria e Técnica
delle...op.cit. p. 25.
[9] ROGGERO, Giuseppe e SETARO, Mariateresa. Teoria e Técnica delle
Relazioni Pubbliche. Milano: Lupetti, 1994. p. 25
[10] ROGGERO, Giuseppe e Setaro, Mariateresa. Teoria e Técnica
delle...op.cit. p. 26.
[11]CUTLIP, Scott apud ROGGERO, Giuseppe e SETARO, Mariateresa. Teoria
e Técnica delle...op.cit. p.26.
[12]ROGGERO, Giuseppe e Setaro, Mariateresa. Teoria e Técnica
delle...op.cit. p.26-27.
[13] MCQUAIL, Denis. Le Comunicazioni di Massa. Bologna: Il Mulino,
1985.
[14] SELLITTO, Miguel. Principi di Economia e Marketing I. Perito em
Criação de Empresas.v.12. Porto Alegre: ACIRS, 2000.
[15] Normamente são utilizados termos americanos para designar os cargos
de Relações Públicas nas organizações italianas.
[16] CAVALLO, Antonio. Pubbliche Relazioni e Comportamento in Servizio.
Bari: Levante, 1993.
[17] Ditado popular da Itália que significa “vizinhos de casa”, neste
caso, utilizado ao referir-se a comunidade local em que a empresa está
inserida.
[18] Confederação Européia de Relações Públicas no qual fazem parte 20
países europeus e, cuja sede, é em Bruxelas.
[19] O Curso de Láurea (4 anos), assim como, o Curso de Diploma
Universitário (2 a 3 anos) são regidos pela Lei nº341 de 19/11/1990 que
trata da formação do universitário italiano sendo o quesito que difere
os dois cursos: a duração.
[20] Programas de Desenvolvimento à Pesquisa desenvolvidos pela União
Européia – EU com o objetivo de proporcionar aos estudantes europeus a
possibidade de completar seus estudos e/ou estagiar em empresas de
países da Europa Oriental, Estados Unidos e Japão.
[21] INVERNIZZI, Emanuele. Le Relazioni Pubbliche nelle organizzazioni
complesse: ricerca sull’evoluzione della professione em Lombardia e
sulla collocazione organizzativa nelle grandi imprese.Milano: Lupetti,
1995. p.9.
[22] Ditado popular Italiano que significa “classe dirigente de amanhã”,
ao referir-se aos estudantes como o futuro da nação.
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