CAPITAL HUMANO
WERNO HERCKERT
Membro da Academia Brasileira de Ciências Contábeis
Membro da Associação Científica Internacional Neopatrimonialista
“Estar juntos é o começo, permanecer juntos é o progresso e trabalhar
juntos é o êxito.”
Henry Ford
01. INTRODUÇÃO
A era do conhecimento, esta em que vivemos, deu destaque a avaliação do
poder lucrativo e de continuidade da empresa, sob a ótica de um
verdadeiro capital humano, um intangível, que se já era de interesse dos
estudiosos no passado, passou a ganhar um relevo especial em nossos dias.
O que alguns estudiosos denominam de capital intelectual é pois um valor
de poder empresarial, imaterial, mas determinável.
Cada vez mais se estuda na ciência da Contabilidade a influência
ambiental endógena que é exercida pelo conhecimento do pessoal no
patrimônio da célula social. Este conhecimento é valorizado pois ele
poderá gerar eficácia ou ineficácia do meio patrimonial. O que é
importante é que haja a conscientização da necessidade de aprimoramento
do conhecimento do pessoal para vitalizar a dinâmica do meio
patrimonial.
Dois fatores, no campo referido, podem ser destacados: o conhecimento
individual e o coletivo.
02. CONHECIMENTO INDIVIDUAL
O conhecimento individual é aquele que se acha representado pela
educação, experiência, habilidades e atitudes das pessoas que trabalham
na empresa.
Não é propriedade da companhia, pois, tem caráter subjetivo. O simples
contratar pessoas que passam a exercer seu conhecimento na célula social
não outorga um valor agregado definitivo, mas, apenas, uma ação
temporária sob o risco permanente de deixar de existir. Quando alguém
vai para casa leva estes ativos intelectuais consigo.
Entretanto, se um conhecimento é moldado para ser utilizado nos negócios
e se em torno do mesmo são criados sistemas de execução, transferíveis,
a cultura formada adquire, praticamente, uma força agente que pode sob
certas circunstâncias ser considerada como um “ativo imaterial”.
Em virtude das novas tecnologias, da internet, da concorrência entre as
células sociais e o cliente sempre mais exigente há maior interesse no
aprimoramento cultural do empregado que faz parte da organização e na
valorização do ativo intelectual. A empresa que não partir para a
inovação cultural de seu pessoal para assim criar novos procedimentos e
ter a capacidade de mudanças estará com sérias dificuldades num mercado
cada vez mais exigente e competitivo. O cliente mais consciente quanto
ao atendimento, qualidade do meio patrimonial e preço buscará certamente
a empresa que lhe proporcionará o que ele precisa para satisfazer sua
necessidade. Aí vence a célula social que estiver com o pessoal melhor
preparado e que possuí a mercadoria que satisfaz o cliente. A conquista
do cliente exige criatividade e capacidade de motivação como pontos
importantes.
A capacidade intelectual do empregado, moldada a um sistema de trabalho
específico e com método adequado, é importante para o êxito da
organização. Este ativo imaterial fará diferença de uma empresa para sua
concorrente. A célula social pode adquirir tais forças intelectuais ou
investir na formação delas. Deverá buscar manter tais ativos intangíveis
sempre atualizados e em constante evolução isto passa a ser um objetivo
estratégico de valor.
Este agente externo ao meio patrimonial poderá levá-lo a eficácia ou a
ineficácia. A probalidade de eficácia do meio patrimonial será maior
onde há conhecimento. Este ativo imaterial fará diferença na
prosperidade ou não da célula social.
Quanto maior o conhecimento maior a probalidade de eficácia.
Quanto mais eficácias ocorrerem melhor o desempenho patrimonial volvido
à prosperidade.
Cada trabalhador com sua cultura é importante na célula social pois cada
um tem uma função a cumprir do mais humilde ao mais graduado. Cada um
participando no bom andamento do todo da organização.
Somando as habilidades intelectivas dos elementos da célula social
teremos o conhecimento coletivo.
03. CONHECIMENTO COLETIVO
É o conjunto formado por parcelas de intelectualidades individuais e
moldado a uma filosofia empresarial, enriquecida pela tecnologia.
Com a tendência de transformar companhia hirarquizada em estrutura mais
plana, mais dinâmica e ágil onde os trabalhadores participam nas
decisões da empresa e é levado em conta o conhecimento e a experiência
dos trabalhadores. Há valorização da cultura dos empregados e há
interesse em atualização do conhecimento por meios de palestras,
leituras, cursos etc. Nestas empresas há valorização do ativo
intelectual e há interesse na cultura da célula social.
Segundo o Prof. Lopes de Sá: “É, também, factível, investir-se em algo
imaterial como a educação de pessoal, seleção de elementos de maior
experiências e criatividade e obter-se um resultado muitas vezes maior
que a aplicação feita, sem que, contudo tais valores sequer integrem as
demonstrações dos balanços patrimoniais.”
A contabilidade tradicional é criticada pelos estudiosos por não
mencionar em seus demonstrativos contábeis o ativo imaterial da
intelectualidade e os ativos intangíveis.
Segundo (Cinca e Garcia, pg. 2) A informação que hoje interessa a
gerência da empresa e que não está suficientemente expressa nos balanços
e documentos contábeis tradicionais, se referem a atividades de pesquisa
e desenvolvimento, recursos humanos, câmbios nos recursos e processos
produtivos, capacidade de inovação e valores que conduzem os produtos ao
consumidor.
Os estudiosos estão se preocupando na mensuração dos ativos imateriais e
do conhecimento gerado pelo elemento humano que vai movimentar o capital
da organização.
04. ENFOQUE HUMANO
O elemento humano sem o patrimônio não constitui uma célula social.
Assim, também, o patrimônio sem o elemento humano não constitui uma
empresa. A empresa é o conjunto do homem e do patrimônio. São verdades
que tem evidência por si mesmas não necessitando de demonstração. São
axiomáticas.
O homem é que dá vida, é que dá movimento ao patrimônio é o principal
elemento numa célula social.
Com sua força intelectual ele exerce influência ambiental endógena no
patrimônio. Em virtude desta influência há transformação do meio
patrimonial do qual deflui o fenômeno patrimonial.
Cada vez mais os estudiosos valorizam a intelectualidade que movimenta o
capital e que gera valor. Há tendência, na atualidade, em valorizar mais
o aspecto humano na companhia.
O aspecto humano consiste na competência, capacidade, habilidades dos
empregados e da direção. A empresa deve ter o compromisso de manter
estas habilidades constantemente atualizadas mesmo com ajuda de experto
externo. A combinação de cultura, experiências e inovações dos
empregados e as estratégias da empresa que deverão mudar e manter estas
relações.
A chave está em criar uma cultura de valorização do empregado como
elemento gerador de eficácia e riqueza e dar oportunidade de realização
de sua capacidade intelectiva. Esta força intelectual vai influenciar
positivamente na dinâmica patrimonial.
Um trabalhador que não vê perspectiva em seu trabalho para desenvolver
suas capacidades e de crescimento na empresa não terá motivação para
desenvolver bem sua função na empresa. Desenvolverá sua tarefa com pouca
motivação e interesse influenciando assim o bom andamento da dinâmica do
meio patrimonial.
Segundo (Carballal del Rio, pg. 4) Os recursos humanos que dispõem uma
empresa constituem seus recursos mais apreciados. A administração
participativa do pessoal, a redução de níveis hirárquicos, a motivação e
a liderança formam parte dos elementos, que desde muitos anos escutamos
com relação a nova forma de administrar os recursos humanos.
Os empregados de uma organização são sua fonte principal de criação de
valores, por tanto, quando despedimos pessoa, sem uma estratégia que o
acompanhe, com o único fim de reduzir custos, se está na presença de um
efeito “boomerang”, que se produzirá uma descapitalização que será igual
a um desinvestimento, por não poder produzir o gerar os valores que os
clientes estão dispostos a pagar.
Também ensina o Prof. Lopes de Sá: “Cada vez mais aceleradamente os
interesses ambientais passam a ser o objeto de estudo da ciência da
Contabilidade e neles se inserem os fatores humanos, como inequívocas
forças agentes, transformadoras e agregáveis”.
Há preocupação dos estudiosos na força intelectual na empresa quanto a
sua influência na dinâmica patrimonial e seu reflexo no mercado pois há
uma forte ligação entre a força intelectual, o fenômeno patrimonial e o
entorno.
Segundo o Prof. Lopes de Sá: “O que importa, em essência, que em
dimensão, quer em relação aos entornos, é a função que cada elemento que
se agrega ao capital ou que sobre ele influi, efetiva como utilidade,
competente para produzir a eficácia e a continuidade desta.”
RISCOS DE AVALIAÇÃO
Quando a avaliação de uma força agente intelectual, como elemento
imaterial, não obedece a critérios da ciência contábil há sempre o risco
de superdimensionamento.
Isto foi o que ocorreu na chamada “nova economia” dos Estados Unidos
onde ações cotadas a mais de duzentos dólares caíram em pouco tempo para
pouco mais de um dólar.
O problema, na matéria, é evitar exageros.
Mais pragmático que cientistas muito dos profissionais estadunidenses
cometeram sérios erros quanto a sinceridade dos valores dos balanços e
isto provocou sérios problemas em Bolsas de Valores.
Não podemos negar o valor do intangível patrimonial, mas, também, é
preciso que a avaliação do mesmo seja pautada, como ensina o
neopatrimonialismo, pela “capacidade funcional”, ou seja, a que se
traduz pela eficácia.
05. CONCLUSÃO
O conhecimento que gera eficácia patrimonial é a chave do êxito da
célula social que compete no contexto econômico, social, político e
tecnológico do nosso tempo e cujo papel no futuro tende a ser cada vez
mais relevante.
Obviamente, as cautelas nos cálculos de avaliação para determinação do
verdadeiro poder intelectual exigem que o conhecimento doutrinário
esteja somado a outros de sensibilidade do profissional e especialmente
na conduta ética que visa a sinceridade das evidências.
05. BIBLIOGRAFIA
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