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A hipótese da instabilidade financeira reside na endogeneização da
estrutura financeira das empresas como causa de crises financeiras, na
medida em que assumem dívidas, que pretendem pagar utilizando elementos
especulativos que os incapacitam de servir a dívida. A subida das taxas
de juro, a queda dos preços dos activos relativamente à dívida, o
insuficiente «cash flow» gerado para fazer face às dívidas, geram a
instabilidade financeira. O desemprego será gerado, nestas condições,
pela queda do rendimento das empresas que diminui o investimento.
A interpretação de Minsky deve ser entendida como a formulação de uma
nova teoria em que se retomam os aspectos negligenciados da teoria de
Keynes, nomeadamente aqueles em que se enfatiza o carácter instável do
investimento, não tanto pela tendência para a eficiência marginal do
capital cair, mas porque a eficiência marginal é susceptível de revisões
provocadas por avaliações decorrentes da actividade especulativa que
provoca a subida da taxa de juro, tornando pouco rentáveis determinados
projectos de investimento. Nesta linha interpretativa privilegia-se o
carácter cíclico do investimento como a principal causa da queda cíclica
do rendimento e, portanto, do emprego[lxxxv].
De certo modo Minsky tem razão ao preocupar-se com os problemas
cíclicos, e a pertinência é importante dada a situação de quase negação
dos ciclos económicos que caracterizavam a teoria económica nos anos
sessenta. Keynes não dera um destaque muito grande ao ciclo económico
para além das notas do capítulo 22 na T. G., embora estivesse a pensar
implicitamente sobre situações de crise de confiança que caracterizam o
esgotar-se do «boom» económico. No «Treatise» Keynes atribui o ciclo aos
movimentos da taxa de juro em torno da taxa natural wickselliana,
explicando os desequilíbrios como a variabilidade da poupança e do
investimento, ou das remunerações dos factores referentes ao output. Na
Teoria Geral, o ciclo é devido às flutuações da eficiência marginal do
capital, pelo que, aos elementos de regularidade do ciclo podem-se
agregar os aspectos psicológicos da crise, caracterizados pela
preferência pela liquidez em situação de incerteza que tornam o
desemprego persistente. O desemprego pode acompanhar o ciclo, se o
investimento se mantiver a nível baixo e, se a propensão ao consumo
gerada pela persistência do desemprego se mantiver baixa. A explicação
teórica específica de Keynes é relativa à depressão como uma fase do
ciclo. Nesse sentido, o longo período de pleno emprego é um facto que se
explica pela existência de estruturas financeiras sólidas herdadas da
grande depressão[lxxxvi].
A ruptura de Keynes com as visões do ciclo ligadas às flutuações do
nível da taxa de juro resulta da admissão da instabilidade do
investimento e da volatilidade da eficiência marginal do capital, que
determinam a procura do capital de investimento. O investimento é em
Keynes uma função do preço de oferta do capital, do juro e das
expectativas a longo prazo. São estes três argumentos que explicam a
variabilidade do investimento. Minsky refere exclusivamente a relação
entre preço de oferta e o nível de juro. Para Keynes as causas que fazem
variar a eficiência marginal do capital, caeteris paribus, são o colapso
dos preços na bolsa e as expectativas de longo prazo, i.e. as vagas de
confiança que são desvirtuadas pelas opiniões dos especuladores sobre o
futuro da taxa de juro e o preço dos títulos e a confiança dos
empresários sobre os rendimentos futuros produzidos pela utilização de
um determinado bem de capital. Estes influenciam a procura de bens de
investimento e a oferta de capital. Embora Keynes tenha escrito
lembrando a importância de capitulo 12, que:
“(...)although the private investor is seldom directly responsible for
new investment, nevertheless the entrepreneurs, who are directly
responsible, will it financially advantageous, and often unavoidable,
to fall in with the ideas of the market, even though they themselves are
better instructed”[lxxxvii].
Embora um colapso dos preços na bolsa causará uma mudança de
expectativas. Se esta mudança afecta as expectativas de rendimentos
futuros pode dar-se uma crise e não necessariamente a partir dos efeitos
das variações da taxa de juro. Este é o ponto crucial da explicação de
Keynes, que na minha opinião não é considerada na interpretação de
Minsky. Para além de que Minsky afasta totalmente o problema do
desemprego crónico de longo prazo implícito na ideia de equilíbrio de
subemprego, concentrando-se exclusivamente nos aspectos cíclicos. Mas
Minsky tem a minha simpatia porquanto enfatiza um aspecto central da
teoria de Keynes que é a situação de incerteza que caracteriza a
economia capitalista. A sua investigação sobre a importância dos
mercados financeiros para o investimento, devia recuperar a doutrina
social de Keynes, no sentido de atribuir maior importância a
redistribuição do rendimento através da morte a longo prazo do rentier,
assim como incorporar a possibilidade de esgotamento do sistema.
Conclusões
1. O resultado mais importante do estudo sobre a empresa na óptica
macro-económica, é o de que o investimento influencia o rendimento e o
emprego. Mas devemos encarar as expectativas dos rendimentos esperados
como uma variável essencial examinada. A importância das alterações nas
expectativas, deriva dos efeitos que estas mutações provocam sobre o
desejo de produzir novos bens. Um efeito estimulante de preços maiores
nas expectativas, não se deve a um aumento da taxa de juros, mas ao
facto de se elevar a eficácia marginal de um volume dado de capital ou
de a expectativa de uma descida no valor do dinheiro estimular o
investimento; por consequência, o valor do dinheiro influencia o nível
do emprego, pois eleva a curva de eficiência marginal do capital,
deslocando a curva de procura de investimentos à alta.
2. Tendo determinado a influência que certas modificações de curto prazo
exercem sobre as expectativas de longo prazo, diferentes das provocadas
pela influência das modificações da taxa de juro, pode-se dizer que, em
circunstâncias normais, as modificações nas expectativas, provocadas
pelas mudanças no estado de confiança, exercem uma grande influência
sobre a taxa de investimento.
3. A intervenção do Estado como agente catalisador do investimento,
agente da confiança na credibilidade da informação, de recuperação dos
´animal spirits´ que animaram o crescimento capitalista do século XIX,
não é apenas uma figura de retórica: é uma forma de tornar o cálculo
provável mais fiável e a confiança do investidor mais razoável. O Estado
deveria ser o garante do nível da despesa que assegure o pleno emprego -
uma conclusão não apenas económica, de certo modo também moral,
correspondendo à visão ética de Keynes.
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[i]Ver J.M. Keynes, CWJMK, vol. VI, p. 194 e seg. Ao suster a posição de
que o banco central deveria assegurar todo o crédito necessário ao
investimento, mediante uma redução da taxa de juro Keynes coloca-se na
posição dos heréticos. Keynes define um herético como "an honest
intellectualist, who has the pluck to stick to his conclusions, even
when they are surprising, so long as the line of though by which he
reaches them has not been refuted to his own understanding. When, as in
this case, his surprising conclusions are also of such kind that, if
they are true, they may resolve many of the economic ills of suffering
humanity, a moral enthusiasm exalts and strengthens his obstinacy".
Idem, p. 196.
[ii]O modo como os bancos distribuem as suas actividades em financeiras
e industriais varia muito, e os bancos vem a primeira função como a
função mais específica do sistema, minimizando a segunda função.
[iii]Idem, p. 312.
[iv]i) é mais fácil preservar a estabilidade que restaura-la rapidamente,
logo a seguir a um sério estado de desequilíbrio. Neste caso operações
de controlo em situação de instabilidade pode ir para além do controlo
efectivo; ii) mesmo que estejam garantidas as condições de previsão para
os gestores do sistema bancário, determinados factores não monetários
causam instabilidade que é impossível de contrariá-los em tempo. É
necessário um certo tempo para recuperar a estabilidade; iii) Se
existem forças políticas e sociais que causam mudanças espontâneas nas
taxa de eficiência dos rendimentos monetários, o controlo do nível dos
preços escapa ao controlo do sistema bancário. Do ponto de vista de
Keynes, o poder efectivo do sistema é no sentido de prevenir forças que
operam no sentido de mudanças induzidas.. Este pode provocar câmbios
induzidos para equilibrar câmbios espontâneos, mas não pode controlar o
tempo ou rota diária na direcção da nova posição de equilíbrio; iv) se o
pais adere a um padrão internacional que é instável, é impossível
preservar a estabilidade do nível de preços nacional face a esse e,
mesmo se o padrão internacional é estável, será ainda impossível manter
o nível de preços nacional estável quando face as mudanças na procura de
capital, a taxa de juro nacional é diferente da taxa de juro
internacional; v) mesmo quando o sistema bancário é suficientemente
forte a fim de preservar o nível dos preços, este não consegue alterar o
nível dos preços e estabelecer o equilíbrio a um novo nível sem retardo
nem fricções.
[v]Idem.
[vi]Sobre isto Keynes sublinha.."In fact, however, experience shows
that, as a rule, the influence of the short-term rate of interest on the
long-term rate is much greater than anyone who argued on the above lines
would have expected. We shall find, moreover, that there are some sound
reasons, based on the technical character of the market, why it is not
unnatural that this should be so. Idem, p. 316. Keynes baseia-se no
trabalho de W.W Riefler " Money Rates and Money Markets in the United
States", para inferir a veracidade desta sua ideia sobre a relação entre
taxa de juro de curto e longo prazo, tomando em consideração o produto
da média de 60 títulos para o longo prazo e uma média ponderada de vária
taxas de curto prazo típicas, pelo que "the fact are undoubted. The
effect of `cheap money` on the price of bonds is a commonplace of the
investment market Idem, p. 319.Keynes refere-se a ideia aparentemente
ilógica que taxas de três meses tenham um efeito substantivo nos termos
das taxas para empréstimos de 20 anos ou mais.
[vii]Idem, p. 322.
[viii]Idem, p. 322.
[ix]Idem, p. 323.
[x]Idem, p. 324.
[xi]Esta característica do mercado, a base de tantas perturbações, deve
ser objecto de cura homeopática, defende Keynes. Uma das questões que
Keynes acentuará posteriormente é o carácter antecipado das decisões a
investir, mas na base de expectativas de longo prazo, onde contam os
rendimentos perspectivos futuros que um determinado bem de capital
proporciona. A taxa de juro influência indirectamente o investimento.
[xii]Idem.
[xiii]O banco central tem que estar preparado, dado a obstinação dos
sentimentos especulativos, de satisfazer até a saturação os desejos de
manter depósitos de poupança ou de exaustação da oferta de tais
depósitos no caso contrário. Quando a taxa de juro dos depósitos de
poupança está próxima de zero o ponto de saturação é alcançado Keynes
defende como meio eficaz de regular as condições de crédito o método de
operações de mercado aberto que levado `à outrance`:
“My remedy in the event of the obstinate persistence of a slump would
consist, therefore, in the purchase of securities by the central bank
until the long-term market rate of interest has been brought down to the
limiting point..It should not be beyond the power of a central bank to
bring down the long term rate of interest to any figure at which it is
itself prepared to buy long-term securities. Idem.
[xiv]Idem, p. 333.
[xv]Idem, p. 335.
[xvi]O único remédio para equilibrar objectivos divergentes por parte
de diferentes países é criar um sistema de gestão supranacional, para o
qual não existiam condições políticas, como a conferência internacional
de 1933 vieram demostrar.
[xvii] Alternativamente, define-se a eficiência marginal do capital como
a taxa de desconto que consegue igualar o valor presente da série de
anuidades dado pêlos rendimentos esperados do bem de capital, durante o
seu tempo de duração. Com estas definições podemos determinar as
eficiência marginais de determinados tipos de bens. A maior dessas
eficiências marginais, pode ser considerada como a eficiência marginal
geral.
[xviii] Idem, p. 136.
[xix] Idem, p. 146.
[xx] Desenvolvendo a teoria das expectativas, Keynes agrupa as
expectativas em dois grupos: i) as expectativas de curto termo, são as
expectativas que se reflecte nas previsões dos produtores, considerando
o tempo que decorre entre a iniciação da produção e as vendas actuais
dos bens acabados. Estas expectativas se referem à produção de bens de
consumo, enquanto que os produtores de bens de capital consideram as
encomendas das empresas; ii) as expectativas de longo prazo se
relacionam com as compras de bens de capital e se referem aos retornos
esperados.
As realizações das expectativas devem ser consideradas na determinação
de expectativas e acções subsequentes, pelo que o estado do outputoutput
corrente depende das expectativas passadas. Uma mudança nas expectativas
de curto prazo prova que pode ter sido errado iniciar a produção, embora
uma vez que teve início a produção e que se incurriou em despesas, mas
vale continuar.
[xxi] Idem, p. 141. Se a produção resultante do equipamento produzido na
actualidade, concorrer, durante a sua duração, com a produção
resultante de equipamentos produzidos a seguir, a um custo de trabalho
menor, pode-se vender a sua produção mais baratos. Se o preço da
produção atingir um nível desejado está-se a considerar a possibilidade
de preços monopolistas, mas Keynes não explora essa via, concluindo
apenas que os lucros do empresário procedentes do equipamento novo e
velho, medidos em dinheiro, reduzir-se-ão se toda a produção se tornar
mais barata, supondo a procura constante.
[xxii] Polemiza sobretudo com Robertson, segundo o qual uma variação no
valor do dinheiro apenas influencia directamente a taxa de juro,
enquanto que para Keynes essa variação influencia a eficiência marginal
do capital. O argumento de Keynes é de que os preços dos bens existentes
ajustam-se sempre por si próprios às mudanças nas previsões relativas ao
valor do dinheiro.
[xxiii] Idem, p. 143.
[xxiv] A este propósito cito aqui a crítica de Darby and Lothian sobre a
incapropensão ao consumoidade de Keynes de distinguir entre taxas de
juros reais e nominais, que o conduziram aceitar a caracterização da
política monetária como "loose but ineffective", ver Darby M. e Lothian
J.(1985), p. 71 e seguintes. Cito o próprio Keynes para desfazer esta
dúvida " Indeed Professor Fisher's theory could be best re-written in
term of " real rate of interest" which have to rule, consequently on a
change in the state of expectation as to the future value of money, in
order that this change should have no effect on current outputoutput",
J.M. Keynes, " The General Theory", CWJMK , vol. VII, p. 143.
[xxv] Idem, p. 47
[xxvi] Idem p. 49-50.
[xxvii] Não pode ser omitido o facto que um equipamento actual pode não
reflectir totalmente as expectativas passadas. No caso de excesso de
equipamento fazer à procura, os rendimentos futuros esperados que
levaram à decisão de adquiri-lo determinam decisões presentes de menor
produção, o caso complica-se se enfrentarmos um processo de
obsolescência tecnológica para equipamentos duradouros.
[xxviii] Idem p. 50.
[xxix] "cannot be checked in the light of realized results “. Idem, p.
51.
[xxx] Keynes escreve: "By very "uncertain" I do not mean tha same thing
as " very improbable". Esta advertência deriva-se do facto de este ter
desenvolvido um conceito de probabilidade no ´Treatise on Probability´,
que permite extrair de um argumento um grau de veracidade através da
observação dos factos.
[xxxi] Nesse sentido a bolsa se transforma, segundo Keynes, na Nemesis
dos comportamentos aberrantes. Se a bolsa for considerada como uma
instituição cuja finalidade social é guiar novos investimentos por
caminhos mais produtivos, em termos de rendimento social, então ela
deveria ser reformada com o fim de restituir o investimento de longo
prazo.
[xxxii] Idem, p. 162-163.
[xxxiii] Existem empresas cujo rendimento provável está determinado
pêlos rendimentos do futuro próximo. Existem investimentos de longo
prazo que podem ser sujeitos a compromissos entre as partes
interessadas, como no caso da construção de habitação. Um outro caso o
constituem os investimentos de longo prazo do sector público, que
garante os rendimentos dada a posição de monopólio que ocupam,
determinando as margens necessárias ou estipuladas na consecução desses
rendimentos, para além de que baseiam-se em necessidades humanas
crescentes, como a energia, a agua, os transportes, as comunicações, os
serviços públicos. Por último, existem investimentos do sector público
com carácter social, independentemente da sua produtividade comercial,
onde o cálculo dos rendimentos não necessariamente iguala a taxa de
juro, embora esta última possa ser importante no papel sobre a
determinação do volume de operações de investimento que possa suportar.
[xxxiv] G.L. Schackle. " New Tracks of economic Theory, 1926", in Modern
Economic Thought, ed. Sidney Wientroub, Philadeldelphia, University of
Pennsylvalia Prees, 1977, p. 37.
[xxxv] G.L. Shackle(1956), " Keynes and the Nature of Human Affairs",
in John Cunningham Wood(ed.), " John Maynard Keynes: Critical
Assessments", Croom 1977, p. 37.Helm, London & Camberra, Vol.2, pp.
329-241, citado in p. 331.
[xxxvi]G.L.S. Shackle(1956), " Keynes and the Nature of Human
Affairs", in John Cunningham Wood(ed.), " John Maynard Keynes: Critical
Assessments", Croom Helm, London & Camberra, Vol. 4, pp. 329-241, citado
in p. 330.
[xxxvii] Idem, p. 331.
[xxxviii] Idem, p. 331.
[xxxix] Idem, p. 333.
[xl] O tipo de título que Keynes tinha em mente são as obrigações do
tesouro de longo prazo, Consols, que pagavam um rendimento fixo
perpétuo. Este dividendo pago anualmente, sobre o valor inicial,
constitui a taxa de juro dos títulos.
[xli] Idem, p. 335.
[xlii] Idem, p. 336.
[xliii] Idem.
[xliv] Idem.
[xlv] Idem, p. 339.
[xlvi] Idem, p. 340.
[xlvii] G.L.S. Shackle, " Keynes and Today`s Establishment in Economic
Theory: A View, in John Cunningham Wood(ed.), " John Maynard Keynes:
Critical Assessments", Croom Helm, London & Camberra, Vol. 4, pp. 1-6,
citado p. 4.
[xlviii] Compare-se G.L. Shackle, "Keynes and Today`s Estableshment in
Economic Theory: A View, p. 5 in John Cunningham Wood(ed.), " John
Maynard Keynes: Critical Assessments", Croom Helm, London & Camberra,
Vol. 4, pp. 1-6.
[xlix] Idem, p. 6. ERNIE: Electronic Random Number Indicating
Equipment.
[l] Num outro artigo Shackle põe o problema de outro modo: " All
problems are solvable, the characteristic stance of our civilisation
afflicts us with a terrible myopia. If all problems are to be solvable,
we must be carefully tailored to fit our assumed omni-competence. The
task which suits us, which we can do with astounding ingenuity and
surprising effect, is that of analysis, the application of reason to the
dismemberment of a body of information declared or assumed to be
self-sufficient, and its re-constitution into a prescription for
conduct. It is the self-sufficiency of such supposed bodies of
information which removes them so immeasurably far from the harsh truth
of things", G.L.S. Shackle, " Keynes and Today`s Establishment in
Economic Theory: A View, in John Cunningham Wood(ed.), " John Maynard
Keynes: Critical Assessments", Croom Helm, London & Camberra, Vol. 4,
pp.1-6, citado p. 1.
[li] J.A. Kregel, " Economic Methodology in the Face of Uncertainty:
The Modelling Methods of Keynes and the Post-Keynesians", p. 180, in
John Cunningham Wood(ed.), " John Maynard Keynes: Critical
Assessments", Croom Helm, London & Camberra, Vol. 4, pp. 180-197.
[lii] J.M. Keynes , CWJMK , vol. XIII, p. 408-9.
[liii] Kregel tem razão a colocar isto em evidência. Na Teoria Geral,
Keynes deixa claro nos capítulo 11 e 12 o papel das expectativas no
incentivo ao investimento, não acontecendo o mesmo com a função consumo.
Nos `drafts` de preparação da Teoria Geral e nas aulas de 1933, Keynes
introduz as expectativas como um argumento da função consumo: C=f(E,Y).
Ver J.M. Keynes , CWJMK , vol. XIII, pp. 441-42.
[liv] J.A. Kregel, " Economic Methodology in the Face of Uncertainty:
The Modelling Methods of Keynes and the Post-Keynesians", p. 183, in
John Cunningham Wood(ed.), " John Maynard Keynes: Critical
Assessments", Croom Helm, London & Camberra, Vol.4, pp. 180-197.
[lv] J.M. Keynes , CWJMK , vol. XIV, p. 397.
[lvi] J.M. Keynes , CWJMK , vol. XIV, p. 180 e pp. 182-83..
[lvii] J.A. Kregel, op. cit. , p. 186.
[lviii] J.A. Kregel, " Economic Methodology in the Face of Uncertainty:
The Modelling Methods of Keynes and the Post-Keynesians", p. 187, in
John Cunningham Wood(ed.), " John Maynard Keynes: Critical
Assessments", Croom Helm, London & Camberra, Vol. 4, pp. 180-197.
[lix] Idem, p. 191.
[lx] J.M. Keynes , " The General Theory", CWJMK , vol. VII, p. 162-163.
[lxi] Idem, p. 249.
[lxii] A. Meltzer, Keynes`s Monetary Theory, Cambridge University Press,
1988, pp. 284-85.
1 Essses trabalhos são conhecidos a partir de 1975, volumens XIII e XIV
e 1978, volumen XIX, das CWJMK, editados por D. Moggridge para a Royal
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[lxiv] P. Davidson, " Reviving Keynes`s revolution", Journal of
PostKeynesian Economic Journal, 6, Sommer, p. 561-575, citado in A.
Meltzer, Keynes`s Monetary Theory, Cambridge University Press, 1988, p.
285.
[lxv]J.M. Keynes , CWJMK , vol. XXIX, p. 293-294.
[lxvi]Ver Metzler, op. cit. p. 286.
[lxvii]J.M. Keynes , " The General Theory", CWJMK , vol. VII, p. 229.
[lxviii]Ver J.M. Keynes , " The General Theory", CWJMK , vol. VII, p.
234.
[lxix] P. Davidson, " Keynes`s Finance Motive”, in John Cunningham
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[lxx] Idem, p. 384.
[lxxi] J.M. Keynes , " The «Ex Ante Theory of the Rate of Interest",
CWJMK , vol. XIV, pp. 215-223, citado em pp. 220-221.
[lxxii] Carta de Keynes ao Times, 18 April 1938, citado por Davidson, in
op. cit., pp. 384-385.
[lxxiii] P. Davidson, op. cit., p 393.
[lxxiv] Idem,. p. 392.
[lxxv] J.M. Keynes , op. cit. CWJMK , vol. XIV, P. 222.
[lxxvi] Podemos desculpabilizar Davidson por não ter conhecido em 1965,
quando escreveu o artigo em que começa a debater o problema, a
publicação dos trabalhos desconhecidos de Keynes, publicados no vol.
XXIX. Minsky também incorpora o motivo de financiamento na função de
procura. Este escreve essa função como M=M1+M2+M3-M4
=L1(Y)+L2(r,Pk)+L3(F3)-L4(NM). Onde F é o argumento de L3 representando
o motivo finanças. Minsky considera a existência dos preços dos activos
de capital como argumento da função L2, pois segundo ele Keynes descura
a sua importância, incorporando-os indirectamente através da taxa e juro
r. A função L4 tem como argumentos os chamados «near money», que actuam
como substitutos do dinheiro no curto prazo. Ver H. P. Minsky, John
Maynard Keynes, Columbia University Press, 1975, pp. 75-76.
[lxxvii] Em carta a E. S. Shaw: J.M. Keynes, CWJMK, vol. XXIX, p. 282.
Aliás, a mesma ideia encontra-se no artigo para The Economic Journal,
June 1938, publicado no vol. XIV, pp. 229-233: " It appears,
unfortunately, that in endeavouring to build a bridge between my
«demand for cash» approach and the «loanable funds» approach(which is
some sort of hotch-potch between cash and saving), I have only managed
to reinforce this confusion", p. 229. No Treatise Keynes trata o motivo
finanças como circulação financeira, a ser financiada com os depósitos
de poupança.
[lxxviii] Devemos desde já admitir que mais que uma interpretação de
Keynes trata-se de uma evolução pós-keynesiana, onde ultimamente também
se tem vindo a privilegiar a obra de Kalecki.
[lxxix] H.P. Minsky, " The Financial Instability Hypothesis: An
Interpretation of Keynes and an Alternative to «Standard» Theory", p.
282 in John Cunningham Wood(ed.), " John Maynard Keynes: Critical
Assessments", Croom Helm, London & Camberra, Vol. 4, pp. 282-292.
[lxxx] Idem, p. 283.
[lxxxi] Idem, p. 284.
[lxxxii] Idem, p. 286.
[lxxxiii] Em Keynes o preço das acções e obrigações pode também
reflectir o peso das convenções utilizadas na antecipação dos mercados
dos títulos. Nisto viu Keynes um grande elemento de instabilidade do
investimento. Nesse sentido fala da bolsa como uma actividade de casino
e não de cálculo racional das actividades das empresas.
[lxxxiv] Idem, p. 288.
[lxxxv] Nos posteriores desenvolvimentos realizados por Minsky, este
afirma que a conduta das economias capitalistas tende previsto como
normal que o movimento cíclico não seja anómalo, mas caracterizado pela
inflação, perturbações financeiras, desemprego crónico e instabilidade
nas relações de troca internacionais. Nesta reinterpretação da sua
hipótese de instabilidade financeira, Minsky distancia-se das raízes
keynesianas para colocar-se mais numa perspectiva kaleckiana. Ver H.
Minsky, " The Financial Instability Hypothesis: A Restatement, in P.
Arestis e T. Skouras, Post Keynesians Economic Theory: a Challenge to
Neo Classical Economics, Whaetsheaf Books, Sussex, M.E. Sharpe, Inc.
Armonk, New York, 1985, pp. 24-55.
[lxxxvi] É interessante a visão de Minsky no sentido que o período
posterior a segunda grande guerra caracterizou-se por uma estabilidade
das estruturas financeiras, o que culmina com o «credit crunch» de 1966,
pelo que a recente instabilidade financeira permite pensar as crises
financeiras como sistémicas e não como casualidades.
[lxxxvii] J.M. Keynes, " The General Theory", CWJMK , vol. VII, p. 315,
nota 1.
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