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3. A Teoria Geral
As conferências " Michaelmas Term" desenvolvem-se durante o período de
Outubro a Novembro dos anos 1932 a 1935, que são justamente os anos em
que Keynes escreve a Teoria Geral. Nestas conferências, publicadas por
T. Rymes na base dos apontamentos dos alunos de Keynes, Keynes utiliza
as provas do prelo da sua obra . Cada série de conferências está
constituída por 7 a 8 lições, lidas com a distância de uma semana. Aliás
Keynes utilizava a provas da Teoria Geral para dar as suas aulas. As `lectures`
do ano 1935 intitulavam-se "The General Theory of Employment- The Theory
of the Output as a Whole", embora nos esquemas a partir de 1934 apareça
o nome " The General Theory of Employent, Interest and Money", que é o
título definitivo da sua obra.
A primeira desta série de conferências intitula-se: " The Monetary
Theory of Production", que indica uma mudança de atitude em Keynes. O
objectivo destas lições é mostrar como as manipulações monetárias
influenciam mais a produção que os preços. No início destas lições
Keynes diz que estava a escrever um novo livro sobre o funcionamento de
uma economia monetária .
Estas lições permitem ver que Keynes se movia na direcção de um modelo
teórico em que os câmbios no output dependem das mudanças nas relações
entre despesa e rendimento, sendo despesa igual ao investimento mais os
gastos em consumo ( os lucros são um resíduo). Até aqui não se vislumbra
nenhuma relação com o multiplicador, sendo claro, porém, que os blocos
que constituem o conjunto de teorias começam a ser delineados na forma
de parâmetros, com grande relevo para a preferência pela liquidez e as
expectativas sobre os lucros. A preferência pela liquidez distingue-se
da `bearishness`, na medida em que esta última mistura activos e dívidas
contra moeda enquanto que a primeira concentra-se em dívidas contra
dinheiro. O modelo contém uma determinação dos valores dos activos
(lucros de curto prazo) através do fluxo das quase-rendas e da taxa de
juro, com uma referência à determinação desta pela preferência pela
liquidez. O volume de investimento aparece como uma função das
expectativas sobre as quase-rendas prospectivas, da taxa de juro e do
custo de produção dos bens de capital, todos os elementos que compõem a
sua teoria da eficiência marginal, da qual nada se refere, assim como da
procura efectiva, para além da referência a A. Smith na última lição.
Neste sistema, conclui Keynes, não existe uma tendência de longo prazo
para o pleno emprego, como supõe a teoria da economia neutral.
No período a seguir às lições de Outono em Cambridge, Keynes escreve o
panfleto " The Means to Prosperity" , o conhecido panegírico sobre a
política de trabalhos públicos em que apresenta a sua versão do
multiplicador aplicado ao emprego . Este panfleto não discute apenas
este problema, resume toda a política económica discutida nos anos
prévios contra o desemprego (tarifas, subsídios, desvalorização,
política bancária e taxa de juro) mas também as consequências das
políticas de trabalhos públicos sobre os preços, a balança comercial à
luz das objecções levantadas. A proposição inclui a organização de uma
conferência internacional, porquanto o único modo de aumentar os preços
mundiais será um `loand-expenditure` em todo o mundo .
Juntamente com este trabalho, Keynes publica o célebre ensaio sobre
Malthus, nos `Essays in Biography` em que sublinha o carácter relevante
da teoria da procura efectiva , porquanto Malthus era um investigador
que se interessava com a determinação do nível do output "day by day in
the real world ". Como não existem relativamente a 1933 manuscritos de
Keynes que atestem as suas preocupações teóricas, estes dois textos
constituem um bom indicador das preocupações de Keynes.
Uma recapitulação destas lições leva-nos a pensar que Keynes tinha em
Dezembro de 1933, o corpo central da Teoria Geral, i.e., os `buildings
blocks` : a crítica à teoria do emprego e do juro clássicos, a teoria da
procura efectiva, com as determinantes do consumo e o investimento, a
teoria da preferência pela liquidez e a taxa de juro. Faltavam alguns
elementos de precisão, como a eficiência marginal do capital e a melhor
integração desta na teoria do investimento, e a integração nas várias
teorias do efeito das expectativas, mas faltava sobretudo explicar a
relação entre a eficiência marginal e a taxa de juro e porque esta
última era recalcitrante à baixa. A teoria dos preços resulta das
anteriores teorias. Mas, o marco histórico da caracterização sobre o que
Keynes pensava ser a situação do capitalismo estava traçado: uma crise
na abundância, por isso o seu optimismo relativamente ao seu futuro: "
The evils of capitalism could be gradually and effectively eliminated by
the process of evaporation of the rate of interest. In pioneering times,
capital is scarce and highly productive so that it will earn large rates.
As capitalisation approaches completion, its productivity approaches to
zero. The ownership of capital ceases to confer wealth and power and
inequality of income, and the entrepreneur`s motive of business as a
game of skill, already evident as notable one, would stand out as the
governing one. The tendency for this to occur is offset by the presence
of convention as to interest and saving ". Não existem dúvidas que
Keynes estava produzindo uma outra teoria geral, começando por problemas
terminológicos, outras explicações sobre os fenómenos e o reconhecimento
sobre o carácter e importância das instituições e práticas sociais, i.e.
procurando uma compreensão do funcionamento da máquina, não para derrotá-la,
mas servir os seus propósitos: a prosperidade.
Nas suas leituras durante as `Michaelmas Term` de 1934 , Keynes
basicamente esteve a ler os primeiros 14 capítulos das provas da
primeira versão da Teoria Geral, pelo que seria redundante considerar os
seus conteúdos. O estado da investigação é relatado por Keynes numa
carta de 18 de Setembro de 1934 a R.Kahn: "I`m working very hard and
have found out one or two interesting novelties. In particular, I think
I`ve solved the riddle of how to define income in some sort of a net
sense-and it comes out very near to the money value of the Prof`s
national dividend. The deduction from the gross sales proceeds of the
output of a given equipment necessary to yield income is that part of
the quasi-rent which is necessary to induce entrepreneur not to leave
his equipment idle. This works just as well when the initial equipment
is half-finished machine or a ton of copper. In other words the
appropriate depreciation allowance is the sacrifice involved in used the
equipment as compared with postponing its use, as estimated by the
entrepreneur itself ". O conceito se sustém, excluído os bens perecíveis
ou de muita curta duração. Mas, como sabemos, Keynes continuou a
trabalhar nesse conceito .Nas 'Michaelmas Term Lectures' Keynes utiliza
várias versões das minutas da Teoria Geral, mas provavelmente utilizando
as versões semelhantes à versão final da Teoria Geral que apareceria
apenas uns meses mais tarde . As 'lectures' desse ano intitulavam?se "The
General Theory of Employment? The Theory of the Output as a Whole",
embora nos esquemas a partir de 1934 apareça o nome " The General Theory
of Employent, Interest and Money .
[1]Esta dissertação foi publicada mais tarde com o nome " A study of
Industrial Fluctuation" considerado por Keynes um prodigioso volume de
trabalho, a mais brilhante contribuição sobre o sujeito, uma
contribuição que sugere " at first sight a superb theory about
fluctuations". Ver in CWJMK, vol. XIII, p.1, incluindo pé de página nº
2.
[2]Keynes escreve " Not only is this theory somewhat lacking in
plausibility, but it cannot really be substantiated by fact", J.M.
Keynes, CWJMK, vol. XIII, p, 2.
[3]J.M. Keynes, CWJMK, vol. XIII, p, 2.
[4]Keynes escreve a Sraffa: " You may be interested to hear that I have
now made a good start on my new book, and find that I like my underlying
theory quite as well when I begin to develop it as I did at the start",
in CWJMK, vol. XIII, p. 22.
[5]D. Robertson, " From D.H. Robertson, 27 February 1925, in CWJMK, vol.
XIII, p. 24.
[6]Pigou escreve a Keynes: " many thanks for these which I kept until my
proofs came. Your point about working capital is of my lines. As I
could`t discuss it properly at this stage, I`ve not said anything about
it. As far as I can see, it is additive to, not in conflic with, my
stuff. In CWJMK, vol., XIII, p. 28.
[7]Citado in CWJMK, vol. XIII, p. 29.
[8]Idem, p. 29.
[9]J.M. Keynes, "To D.H. Robertson", 28 May 1925, op, cit., p. 34.
[10]Esse estudo está publicado, juntamente com a correspondência no
vol.ume XXIV das CWJMK.
[11]Na realidade e sobre o mesmo tema Keynes publicou dois artigos. O
artigo aqui citado juntamente com a correspondência é publicado na CWJMK,
vol. XIII, pp. 52-77, tendo sido discutido com os economistas,
funcionários do Tesouro e banqueiros D. Robertson, R.Hawtrey, A. Joung,
C. Bullock, W. Person, C Syder, J. Stam, R. Mckenna, W. Burgues, B.
Strong, O. Niemeyer e R. Hopkins.
[12]C. Snyder, Form C Snyder, 20 September 1928, publicada in CWJMK,
vol. XIII, p. 60.
[13]J.M. Keynes, " to C. Snyder, 2 October 1928, op. cit., p. 62. Nos
mesmos termos é a correspondência com Charles Bullock, director na
época do `Harvard Economic Society´.
[14]D. Moggridge, in op. cit. p. 117.
[15]Dessa correspondência conhecida estão publicadas as cartas de
Robertson e Kahn, assim como as respostas de Keynes no volume XIII das
CWJMK, pp. 118-126.
[16]Esse comité conhecido pelo nome do seu presidente Lord Macmillan,
integrava políticos, banqueiros e professores com a finalidade de
investigar os factores internos e externos que determinavam as
operações dos bancos, finanças e crédito, a fim de retirar recomendações
para promover os negócios, o comércio e o emprego de trabalho. O
relatório foi publicado em Julho de 1931; a participação de Keynes está
publicada no vol. XX, capítulo 2, pp. 38-311 nas CWJMK.
[17]D. Moggridge, in CWJMK, vol. XX, p. 38.
[18]Idem, p. 128.
[19]Idem, p. 129.
[20]Na carta de Keynes para Hawtrey de 27 de Agosto 1930, Keynes escreve
"The final version will shortly be available, and I naturally do not
want misunderstanding to get about through uncorrected versions being in
circulation. I have considerably re-written the fundamental chapter, and
enclose the revised version herewith. I doubt if the changes meet your
particular points. They were primary devised to what seemed to me
misunderstandings on the part of Pigou and Robertson. But they do, I
think, make my own point of view a great deal clearer than it was before.
To R.H.Hawtrey, 27 August 1930, CWJMK, vol. XIII, p. 138.
[21]J.M. Keynes, " To F.A. Keynes, 14 September 1930", CWJMK, vol. XIII,
p. 176.
[22]J. Schumpeter " From a letter from J. Schumpeter, 18 October 1930",
in op. cit., p. 176. No período, Schumpeter estava a estudar também
problemas monetários, cujos resultados foram publicados em 1970 pela sua
esposa com o nome de "Das Wesen des Geldes".
[23]Ver J.M. Keynes , CWJMK , vol. XIX, p. 35-42, seguida do manifesto
de R. Kahn e J. Robinson sobre essa conferência, pp. 42-45.
[24]Idem, p. 37.
[25] Idem, p. 36.
[26]Não esquecer que quando Keynes fala de um alto grau de probabilidade
refere-se ao grau de racionalidade a atribuir a um determinado
fenómeno, do qual se deriva um grau de verdade. Keynes diz no `Treatise
on Provality` que os termos certeza o probabilidade descrevem os vários
graus da crença racional sobre as proposições que diferentes quantidades
de conhecimentos nos autorizam a divagar. A probabilidade não é capricho
humano, referida sobretudo a lógica. A teoria da probabilidade é
lógica, porque diz respeito com o grau de crença que é racional
estimular em determinadas circunstâncias. Dado um corpo de conhecimentos
directos que constituem nossas últimas premissas, a teoria nos diz que
crenças racionais adicionais, certas ou prováveis, podem ser derivadas
como argumentos válidos do nossos conhecimentos directos. Isto envolve
relações lógicas puras entre as proposições que incorporam nosso directo
conhecimento e as proposições sobre as quais procuramos conhecimento
indirecto. Ver J.M. Keynes , CWJMK , vol. VIII, pp. 3-4.
[27] Idem, p.41.
[28]Idem.
[29]A notas que aparecem no vol. XIX das CWJMK não devem ser iguais às
aulas, onde provavelmente este introduz digressões e exemplos citados
por Kahn e Robinson que não se encontram nas referidas notas.
[30]Idem, p. 42. A correspondência que dá lugar ao manifesto está
publicada no vol. XIII, p. 376-380, concluindo Keynes que "I had to
revise my exposition to clear myself of just complaints of confused
narration", p. 377.
[31]Os símbolos são os mesmos que no `Treatise´, F significa despesas
não utilizada em consumo.
[32] Esta discussão sobre as condições de estabilidade faz parte da
discussão sobre o multiplicador, na disputa sobre a extensão do emprego
secundário associado com os trabalhos públicos e da confusão sobre a
proveniência da poupança necessária para o incremento nos trabalhos
públicos e o modo de financiá-los. As condições de estabilidade precisam
as limitações das mudanças nas quasi rendas ou lucros sobre a extensão
do emprego secundário e a fonte das poupanças. Ver T. Rymes, " Keynes`s
Lectures 1932-35: Notes of a Representative Student", MacMillan, 1988,
p. 35.
[33]Idem, p. 44.
[34]Como escreve D. Moggridge " Keynes talked with Kahn and with Kahn
and Joan on 8. May 1932. The argument took all day, but Keynes told
Lydia that he thought they had solved the problem amicably in the end.
Ver J.M. Keynes , CWJMK , vol. XIX, p. 48.
[35]J.M. Keynes , " To Joan Robinson, 9 May 1932", CWJMK , vol. XIII, p.
378.
[36] Joan Robinson, Contributions to Modern Economics, Oxford, Blackwel,
1978, pp. 2-3.
[37]T. Rymes, " Keynes`s Lectures 1932-35: Notes of a Representative
Student", MacMillan, 1988, p. 41.
[38]Não existe nenhum documento ou fragmento que certifique a realização
deste plano, apenas fragmentos de duas lições de Outubro desse ano,
publicadas no vol. XIX, pp. 50-56, dedicados aos postulados de uma
economia monetária em contrapartida com uma economia de troca real.
[39]Deste esquema sobrevive o capítulo 6 no livro I, "A summary of an
Argument So Far", publicado no vol. XIX, pp. 63-66.
[40]Deste esquema mantêm-se fragmentos do primeiro capítulo, "The Nature
and Significance of the Contrast between a Co-operative and the
Entrepeneur Economy", do capítulo V, " Certain Fundamental Equations" e
do capítulo oito, " Definitions and Ideas relating to Capital",
publicados no vol XIX, pp. 63-75.
[41]Estes esquemas estão no vol. XIX das CWJMK, pp. 49-50 e 62-63,
incluem fragmentos e notas sobre alguns ou partes de alguns capítulos
dos esquemas de 1933. Sobre o primeiro esquema de 1932 existem
fragmentos e notas sobre a teoria monetária da produção no vol. XIII,
pp. 381 e seg., incluindo uma notas intituladas `The Parameters of a
Monetary Economy´, que não se encontram nos esquemas.
[42]Ver J.M. Keynes , CWJMK , vol XIII, pp. 421-422; existem fragmentos
dos capítulos dois " The Distinction between a Co-operative Economy and
an Entrepreneur Economy", do capítulo 3, "The Characteristics of an
Entrepreneur Economy", que é uma segunda versão daquele citado
anteriormente, publicados no vol XIX, pp. 76-102. Provavelmente os
fragmentos do capítulo 7, `Saving` e `Quasi-rent`and The Marginal
Efficiency of Capital, que inclui uma nota sobre a teoria do capital de
Bõhm-Bawerk do capítulo 4 e do Excursus II, no livro III pertencem a
este esquema. Publicados no vol. XIX, pp. 102-120.
[43]Deste esquema existem fragmentos do capítulo 6, " Effective Demand
and Income", do capítulo 9, "The Functions relating to Employment,
Consumption and Investment", do capítulo 10, " The propensity to spend",
do capítulo 11, " The Propensity to Invest", publicados no vol. XIII,
pp. 424-456. Deste período existe um manuscrito completo que Keynes
apresentou ao `American Political Economic Club´, em 5 Junho de 1934,
com o título `The Theory of Effective Demand", um novo manuscrito do
capítulo 9, " The Functions relating to Employment, Consumption and
Investment", um manuscrito sobre o capítulo 8, "Investment and Saving, e
os indícios de um prefácio da Teoria Geral. Publicados no mesmo volume,
pp. 469-483.
[44]Keynes escreve uma elucidativa carta a R. Kahn, que ilumina a
história das mudanças dos esquemas " I have been making extensive
changes in the early chapters of my books, to a considerable extent
consequential on a simple and obvious, but beautiful and important(I
think) precise definition of what is meant by effective demand:-
Let W be the marginal prime cost of production when output is O. Let P
be the expected selling price of this output.
Then OSYMBOL 215 \f "Symbol" P is the effective demand.
The fundamental assumption of the classical theory, `supply creates its
own demand`, is that OSYMBOL 215 \f "Symbol" W = OSYMBOL 215 \f "Symbol"
P whatever the level of O, so that the effective demand is incapable of
setting a limit of employment which consequently depends on the relation
between marginal product in wage-good industries and marginal disutility
of employment. On my own theory OSYMBOL 215 \f "Symbol" WÅ OSYMBOL 215
\f "Symbol" P for all values of O, and entrepreneurs have to choose a
value of O for which it is equal;-otherwise the equality of price and
marginal prime cost is infringed. This is the real starting point of
every thing", " From a letter to R.F. Kahn, 13 April 1934, in J.M.
Keynes , CWJMK , vol. XIII, pp. 422-423.
[45]Numa carta a Harrod, Keynes escreve: " I am sending you at last
galley proofs of almost the whole of my book. From the table of contents
which I am enclosing, you will see that you have here the whole thing
with the exception of the three concluding chapters".. "The different
sections are in different states of revision, and you will find various
internal inconsistencies which will have to put right. Broadly speaking,
the first six chapters and the last six are in a later stage of revision
than the intermediate ones", J.M. Keynes ," To R.F. Harrod, 5 June
1935, CWJMK , vol. XIII, pp. 526-527.
[46]A correspondência com Harrod está publicada no vol. XIII, das CWJMK,
pp. 525-564, estendendo-se por um período de Junho a Outubro de 1935.
[47]Ver J.M. Keynes , " To J. Robinson, 3 September 1935", CWJMK, vol.
XIII, p. 650.
[48]J.M. Keynes , " Fromm a letter to Florence Keynes, 9 August 1935",
CWJMK , vol XIII, p. 653.
[49] J.M. Keynes , " From a letter to Florence Keynes, 26 December
1935", CWJMK , vol XIII, p. 653.
[50]J.M. Keynes , " From a letter to Florence Keynes, 19 January 1936",
CWJMK , vol XIII, p. 653.
[51] Publicada no J.M. Keynes , CWJMK , vol. XIV, p. 1.
[52] Publicado in John Cunningham Wood (ed.), " John Maynard Keynes:
Critical Assessments", Croom Helm, London & Camberra, Vol. II, pp.
13-18.
[53]Ver J.M. Keynes , CWJMK , vol. XIII, pp. 381-389.
[54] J.M. Keynes , CWJMK , vol. XIII, p. 394.
[55]Farei referência sempre que isso se verifique de acordo as notas de
D. Moggridge nos volumes XIII e XIX das CWJMK .
[56]Os fragmentos dos manuscritos que aparecem no vol. XIX, pp. 50-57,
correspondem em parte ao material exposto nestas oito lições.
[57]Ver J.M. Keynes , CWJMK , vol. IX, pp. 335-364 ( a edição nos `Essay
in Persuasion` corresponde à edição americana que para além de quatro
artigos que apareceram no `The Times`, inclui um artigo sobre o
multiplicador). Keynes estabelece que o problema da pobreza era um
problema de natureza económica no sentido de que deveria unir " a blend
of economic theory with the art of statesmanship, a problem of political
economy", p. 336.
[58]Como Keynes escreve: " Our problem it is to ascertain the total
employment, primary and secondary together, created by a given amount of
additional loan-expenditure, i.e, to ascertain the multiplier relating
the total employment to the primary employment, idem, p. 341.
[59]Esta proposta de Keynes representa uma actualização da sua proposta
contida no `Treatise`, que inclui a criação de um centro de emissão
internacional. Interessante é que Keynes pretendia que fosse discutida a
abolição de tarifas e quotas, que se eliminassem os entraves ao
comércio, que se dê-se reanimação aos mercados financeiros, ou que por
vezes é interpretado como um recuo relativamente as propostas
anteriores, i.e., em 1929-1930.
[60]Ver J.M. Keynes , CWJMK , vol. X, pp. 71-108.
[61]Tanto como se sabe Keynes reescreveu este ensaio a partir de um
texto de 1922, em que corrigiu e adiciono uma parte nova que começa com
uma frase muito reveladora do seu espírita em 1933 " Economics is a very
dangerous science", idem, p. 91.
[62]Idem, p. 97. Aliás Keynes compara Ricardo com Malthus, colocando
Malthus como um investigador que se interessa pela economia monetária na
qual vivemos, contrariamente a Ricardo que se preocupa com a teoria da
distribuição em condições de equilíbrio, com a abstracção de uma
economia monetária neutral. Certamente que Keynes é Malthus e Ricardo a
teoria ortodoxa, numa extrapolação histórica um tanto ou quanto
exagerada. Keynes escreve " He points out(Malthus) that the trouble was
due to the diversion of resources previously devoted to war, to the
accumulation of saving; that in such circumstances deficiency of saving
could not possibly be the cause, and saving, though a private virtue,
had ceased to be a public duty; and that public works and expenditure by
landlords and persons of property was the appropriate remedy", Idem, p
101.
[63]Idem, pp. 127-128. Correspondem as notas de Fallgater.
[64]Repare-se que Keynes tinha pronto um esquema com o título " The
General Theory of Employment" em Dezembro de 1933, na base do qual
desenvolveu os capítulos que fazem parte das suas lições no outono de
1934.
[65]J.M. Keynes , CWJMK , vol. XIII, pp. 484-485. O conteúdo das cartas
está citado nas notas de D. Moggridge nessa página.
[66]Idem, p. 485. As referências a esta discussão terminológica estão
contidas na lição de 12 de Novembro de 1934, ver " Michaelmas Term
1934", in T. Rymes, " Keynes`s Lectures 1932-35: Notes of a
Representative Student", MacMillan, 1988, pp. 141-145.
[67]As lições se realizaram como sólito no trimestre de Outuno. A Teoria
de Keynes estive pronta em finais de Dezembro, sujeita durante esses
meses as últimas revisões. Existe uma comparação dos diferentes esboços
das diferentes versões de 1934 e 1935 que evidenciam as principais
corecções introducidas nos capítulos sobre definições e terminologia.
Nessas minutas não aparece nenhuma versão dos capítulos que constituem o
livro VI, o qual estava, como sabemos da carta a Joan Robinson
anteriormente citada, as ser re‑escrito. Ver Keynes J.M., JMKCW, vol.
XIV, Appendix, pp. 351‑512.
[68]Para Keynes dado um corpo de conhecimentos directos que constituem
as nossas últimas premissas, a teoria nos diz que crenças racionais
adicionais, certas ou prováveis, podem ser derivadas como argumentos
válidos dos nossos conhecimentos directos. Isto envolve relações lógicas
puras entre as proposições que incorporam nosso directo conhecimento e
as proposições sobre as quais procuramos conhecimento indirecto. As
proposições particulares que seleccionamos como as premissas dos nossos
argumentos dependem dos factores subjectivos particulares e peculiares a
nós próprios, mas as relações, sobre as quais outras proposições estão
sobre estas, e que intitulamos de relações prováveis são objectivas e
lógicas. Consideremos que as nossas premissas consistem num conjunto de
proposições h, e a conclusão consiste num conjunto de proposições a,
então, se o conhecimento de h justifica uma crença em a num grau,
podemos dizer que existe uma probabilidade-relação de grau alfa entre a
e h. ( escreve-se a/h=SYMBOL 97 \f "Symbol" ).
Isto é, notamos e cremos que existe uma relação objectiva entre a teoria,
na apresentação entre as evidências e as conclusões, que são
independentes do simples facto da nossa crença, e que é justa e
objectiva.
Mas adiante assegura-se que o grau mais alto de crença racional, "which
is termed in certain rational belief", corresponde ao conhecimento,...o
conhecimento de uma proposição sempre corresponde a certeza da crença
racional e ao mesmo tempo à actual verdade na proposição, ela própria. O
conhecimento das proposições parece ser obtido de dois modos: como o
resultado da contemplação dos objectos do conhecimento pessoal e
indirectamente, ´by argument`, através da percepção da relação de
probabilidade, acerca das quais procuramos o conhecimento e das outras
proposições.
Pela contemplação de uma proposição da qual temos conhecimento directo,
somos capazes de passar indirectamente de ou a outras proposições. O
processo mental através do qual nós passamos de um conhecimento directo
a um conhecimento indirecto é em alguns casos e em alguns graus, capaz
de produzir análise. Passamos da proposição a ao conhecimento acerca da
proposição pela percepção lógica entre elas. Com a relação lógica temos
um conhecimento pessoal. A lógica do conhecimento é principalmente
ocupada com o estudo das relações lógicas da proposição secundária
fortemente declarada da relação de probabilidade, e do conhecimento
indirecto acerca, e em alguns casos, da proposição primária. Keynes
distingue entre conhecimento directo e indirecto, entre a parte de nossa
crença racional na qual baseamos no conhecimento directo e aquela parte
baseada no argumento. Temos conhecimentos directos e verdades, não temos
conhecimentos indirectos. De modo a termos uma crença racional numa
proposição p de um grau de certeza, é necessário que uma das condições
seja cumprida i) que o nosso conhecimento de p seja directo, ou ii) que
conheçamos um conjunto de proposições h, e também algumas proposições q
que consintam uma relação de certeza entre p e h. No último caso h
deveria incluir-se sejam as proposições secundárias ou primárias, mas é
necessário que todas as proposições q sejam conhecidas. "In order that
we may have rational belief in p of a lower degree of provability than
certainty, it is necessary that we know some secondary proposition h,
and also know some secondary propositions q asserting a provability-relation
between p and h".
Alguma parte do nosso conhecimento, conhecimento de nossa própria
existência ou das nossas sensações, é claramente uma experiência
individual. Não podemos falar do conhecimento de uma única pessoa.
Outras partes do conhecimento-conhecimento dos axiomas da lógica, por
ex. podem ser mais objectivos, mas devemos admitir que é também relativo
à constituição da mente humana que pode variar de homem para homem. `What
is self-evident to me´ e o que realmente sei, pode ser uma crença
provável para ti, "or may form no part of your rational beliefs at all.
And this may be true only of such think as my existence", mas também
alguns axiomas lógicos. " Some men ..may have a greater power of logical
intuition than others". Mais, a diferença entre algumas classes de
proposições sobre a qual a intuição humana parece ter poder, e alguma
sobre a qual não tem, pode depender totalmente da constituição das
nossas mentes e não tem significado para a lógica objectiva. Não podemos
assumir que todas as proposições secundárias verdadeiras são ou podem
ser mais universalmente conhecidas que todas as proposições primárias as
quais são conhecidas." The perceptions of some relations of provability
may be outside the powers of some or all of us", CWJMK VIII, capítulos
I, II e III.
Bibliografia
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