O pensamento económico de J.M. Keynes. Tercera Parte

Autor: Mario Gómez Olivares

Comercio internacional

01-2001

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O seu raciocínio visou demonstrar o carácter par­ticular da hipótese neoclássica, segundo a qual os empresários investirão até ao ponto em que o salário seja igual à produ­tividade marginal do trabalho, a fim de que o gap entre rendi­mento e consumo, com a presunção de rendimentos constantes ou decrescentes, seja compensado suficientemente pelo investimento.
O facto de, para Keynes, não se verificar a lei de Say, obriga-o a uma reflexão sobre a procura global. Em primeiro lugar, esclarece como se utiliza o rendimento. Em segundo lugar, clarifica que a despesa do rendimento pode ser realizada para além das razões de consumo e inves­timento, i.e., pode ser entesourada, o que acontece apenas numa economia monetária.

Assim, o nível de emprego não depende do nível preexistente dos rendimentos mas sim das decisões de investir e das estimativas actuais dos montantes de consumo, correntes e futuros. Este carácter antecipado e estimativo das decisões, unido ao carácter probabilístico das previsões dos agentes sobre o futuro, representa uma inovação teórica fundamental da teoria da procura efectiva, o que nos permite realçar que esta observação não é independente da posição metodológica prévia, revelada como ideal metodológico.

A existência de um equilíbrio múltiplo é uma novidade teórica que se depreende do carácter antecipado das decisões dos empresários e da própria incerteza do volume do emprego. Uma vez determinado esse volume, o equilíbrio torna-se único, embora possa ser um equilíbrio de subemprego.

 A procura efectiva de pleno emprego é um caso especial que se realiza apenas quando a propensão marginal ao consumo e o incentivo ao investimento se encon­tram numa relação óptima, onde a utilidade do salário real é igual a desutilidade do trabalho. Tal como numa economia de troca ou de moeda neutral, na qual o salário real e o emprego estão correlacionados, os rendimentos gerados em pleno emprego permitem a realização da procura, sob a vigência da lei de Say. Dada a propensão ao consumo e a taxa de novo investimento, existe um nível de emprego compatível com o equilíbrio. Um outro equilíbrio produziria uma desigualdade entre o preço da oferta global da produção e o preço da sua procura global. Se esse nível puder ser inferior ao nível de pleno emprego, o salário não poderá ser inferior à desutilidade do trabalho. Nesse caso, os preços da oferta deverão descer e os rendimentos deverão adequar-se. Se isso não for possível, se o ajustamento pelos preços não funcionar, o nível de emprego descerá, pressionando o preço do trabalho a baixar e gerando desemprego involuntário.

A conclusão mais importante a retirar da teoria da propensão marginal ao consumo decrescente de Keynes é que, com cada descida na propensão marginal ao consumo de hoje, aumentando a poupança marginal, não se provoca uma subida do capital no futuro; pelo contrário, cada debilitamento na propensão marginal ao consumo, considerada como hábito permanente, fará quebrar a procura de capital e portanto o consumo, o rendimento e o emprego, uma espécie de destruição ex-post da poupança. Não é possível um aumento do investimento medido em unidades salariais, a menos que o público esteja disposto a aumentar as suas poupanças, computadas em unidades salariais. Mas os indivíduos só o farão quando o seu rendimento aumen­tar.

A decisão de investir é a decisão económica mais importante que os agentes económicos tomam, pois ela representa o elo entre o presente do consumo e o futuro do lucro. Mas essa decisão depende da eficiência marginal do capital. Os problemas com que se deparam os empresários para decidir o investimento, são os problemas da resolução da contradição entre os vários interesses presentes e provisionais de investidores, produtores, e banqueiros.

O mais importante resultado do estudo sobre a empresa na óptica macro-económica é que o investimento influencia decisivamente o rendimento e o emprego. Mas Keynes descobre, nas expectativas dos rendimentos esperados, uma variável essencial a examinar. A importância de alterações nas expectativas deriva dos efeitos que estas mutações provocam sobre o desejo de produzir novos bens. Um efeito estimulante de preços maiores nas expectativas, não se deve a um aumento da taxa de juros, antes ao facto de se elevar a eficácia marginal de um volume dado de capital ou de a expectativa de uma descida no valor do dinheiro estimular o investimento e, por consequência, o valor do dinheiro influenciar o nível do emprego, porque eleva a curva de eficiência marginal do capital, deslocando a curva de procura de investimentos à alta.

Uma certa classe de investimento rege-se pela média das expectativas dos especuladores da bolsa de valores e não pelas expectativas genuínas do empresário profissional, o que se manifesta no preço das acções. As avaliações e reavaliações sobre o estudo das expectativas e do estado de confiança, implica que a realização dos investimentos base­ia-se no método convencional utilizado pelos investidores bolsistas. As valorizações sobre os mercados se realizam tomando em consideração toda classe de conjectura, que de modo nenhum se relacionam com o rendimento provável, o que torna o financiamento dos investimentos extremamente delicado. Se existem mercados organizados para o investimento e se pode confiar-se em que o convenção não variará, pode-se animar o investimento.

A intervenção do estado como agente catalisador do investimento, agente da confiança na credibilidade da informação, de recuperação dos ´animal spirits´ que animaram o crescimento capitalista do século XIX não é apenas figura de retórica que desprende desta análise, é uma forma de tornar o cálculo provável mais fiável, a confiança do investidor mais razoável. O estado devia ser o garante do nível da despesa que assegure o pleno emprego, uma conclusão não apenas económica, de certo modo também moral e política, correspondendo a sua antevisão.

Numa economia monetária a moeda deve ter, por definição, o poder de ser detida na qualidade de reserva de riqueza, para que o rendimento possa ser em parte acumulado (entesourado) e a procura de bens se possa revelar insuficiente para igualar a oferta a um nível que permita a plena utilização dos recursos produtivos. Nesse caso, a procura constituiria um limite ao aumento da oferta, permitindo a existência do desemprego involuntário.

Assim, segundo Keynes, o problema central da política de estabilização parece associar-se à dificuldade em realizar o pleno emprego num ambiente económico onde uma eficiência marginal do capital demasiado baixa e instável se conjugue com uma taxa de juro demasiado alta, convencional e bastante estável como todos os fenómenos da psicologia colectiva de base convencional.

Nessa situação, as mudanças na taxa de juro normal através da autoridade monetária, deverão assumir um carácter discricionário e social, procurando mudar as convenções sobre aquilo que os diferentes grupos sociais hegemónicos consid­eram ser normal, mas assegurando sobretudo a passagem de um nível de produção a outro superior.

Estas explicações conjugam-se de modo a reforçar o facto de Keynes não atribuir ao sistema uma capacidade de correcção automática, de modo que o emprego poderá ajustar-se através da intervenção directa do Estado sobre o investimento e não apenas sobre a oferta de moeda. Nesse sentido, Keynes estabelece uma relação entre a taxa de juro e a preferência pela liquidez, entre a taxa de juro e a quantidade de moeda, entre as expectativas da taxa de juro e as possibilidades da política da taxa de juro, a fim de saber por que razão a taxa de juro monetária de longo prazo é persistentemente alta, esclarecendo definitivamente por que motivo as taxas de juro e os salários nominais são recalcitrantes à baixa. Para Keynes a taxa de juro monetária “sets the pace” a todas as outras taxas de juro de outros bens, impedindo simultaneamente a sua produção mesmo antes de alcançarem o ponto de elasticidade de produção e substituição nula. A importância da taxa de juro monetária surge como uma combinação de factores que actuam através do motivo liquidez, fazendo com que, primeiro, a taxa de juro seja insensível a uma mudança na proporção que a quantidade de dinheiro mantém com as outras formas de riqueza, medidas em dinheiro, e, segundo, que tenha ou posa ter elastici­dades nulas de produção e substituição.

As características que determinam as particularidades do dinheiro e que fazem com que a sua taxa seja a mais importante, estão ligadas ao facto que a moeda é o padrão de valor e de com esse padrão fixam-se as dívidas e os salários, pelo que os indivíduos procurarão moeda pela conveniência de expressar no mesmo padrão os contratos venci­dos e os salários a pagar, o que faz com que o prémio de liquidez seja tão importante. É um problema de confiança sobre o futuro, pelo que o padrão de valor deverá ter uma elasticidade de produção que assegure a sua estabilidade.

A existência de um equilíbrio abaixo do pleno emprego assenta na combinação de uma eficácia marginal do capital, baixa e instável, com uma taxa de juro de longo prazo convencional e recalcitrante à baixa, o que se explica pelas peculiaridades da moeda. Neste sentido, a moeda determinaria a insuficiência do nível de investimento e da procura global e, portanto, do nível do emprego.

Assim, o fenómeno do desemprego poderia ser interpretado como intrínseco a uma economia monetária de produção, onde a tendência de um excesso de procura relativamente à oferta, não é compensada pelos mecanismos de ajustamento atribuídos à taxa de juro. O papel da moeda, como elemento de ligação entre o presente e o futuro, reflecte-se na preferência pela liquidez sem que seja possível com uma política monetária credível e no quadro de um padrão monetário determinado, que cumpre o papel de referência de confiança no sistema, -- restituir uma taxa de juro compatível com o pleno emprego, pelo que o desemprego se torna um fenómeno tenaz e persistente.

Keynes não considera que o desemprego involuntário seja o resultado de um mau funcionamento dos mercados, bem pelo contrário, vê-o como o resultado do funcionamento normal dos mercados numa economia monetária. A hipótese do desemprego involuntário não resulta de um quadro de concorrência imper­feita, pois permanece rigorosamente no quadro da concorrência pura e perfeita, ou, melhor, no âmbito de uma economia essencialmente diferente do ponto de vista qualitativo, sendo uma das suas características essenciais o facto de produzir desem­prego involuntário. O programa de J.M.Keynes é científico porque propõe as condições para a sua refutação, e é progressivamente científico porque prevê um tipo de ajustamento quantitativo essencial à economia capitalista, revelando um fenómeno empírico que caracteriza o funcionamento do mercado de trabalho no século XX.

Bibliografia

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[1]J.M. Keynes, CWJMK, vol. X, pp. 329-330.
[2] J.M. Keynes , CWJMK , vol. XIII, p. 198-199.
[3]..Idem, p. 406.
[4] J.M. Keynes , " Is The Economic System Self-adjusting: Poverty in Plenty", CWJMK , vol.XIII, p. 486-191.
[5]J.M. Keynes , " The General Theory", CWJMK, vol. VII, p. 249.
[6] J.M. Keynes , " The General Theory", CWJMK, vol. VII, p. 218.
[7]Idem, pp. 218-219.
[8]J.M. Keynes, " The General Theory", p. 380. Idem, p. 254.
[9]Ver " Economic Possibilities for our Grandchildren", in J.M Keynes CWJMK, vol. X, pp. 321-332.
[10]Estas ideias se encontram no seu primeiro livro de consagração pública "The Economic Consequences of the Peace". J.M. Keynes, CWJMK, vol. II. Tais factos estão bem relatados em R. Harrod, The Life of J.M. Keynes, MacMillan, London , 1963 e também em R. Skidelsky, John Maynard Keynes: Esperanças Fustradas 1883-1920, Alianza Editori­al, 1986.
[11]Idem, p. 144..
[12]Idem, p. 199. A situação política na Inglaterra agravou-se com a queda do governo Laborista em Setembro de 1931, face a impossibi­lidade política de realizar eficazmente qualquer medida e com o desemprego subindo acima dos 20%. Com a sustituição do governo Laborista por um governo de Unidade Nacional encabeçado por R. MacDonald, (Ver N. Kaldor, " Keynes as an Economic Adviser", pp. 2-27, in A.P. Thirlwall, Keynes as a Policy Adviser, The MacMillan Press, 1982.) Inglaterra saiu do padrão internacional, Keynes escreve " we have got the relief we needed and, at the same time, the claims of honour have been, in the judgement of the whole word, satisfied to the utmost"( J.M. Keynes , CWJMK , vol. IX, p. 245). As tarifas não se justificavam e a taxa de juro não estava limitada às exigências do padrão ouro, pelo que o caso especial das obras públicas não era aplicável. Mas Keynes conti­nua o seu curso na direcção de uma nova teoria em que a intervenção do estado surge como garante do incentivo ao investi­mento, não como caso especial mas como condição necessária para estabilidade do sistema capitalista.
[13]Ver Teoria Geral, p.3.
[14], J.M. Keynes , " The Parameters of a Monetary Economy", CWJMK , vol. XIII, p. 396-397.
[15] Keynes escreve em Novembro de 1934 a G.B. Shaw: " To understand my stand of mine, however, you have to know that I believe myself to be writing a book on economic theory which largely revolutionise, -not, I suppose, at once but in the course of the next ten years- the way the world thinks about economic problems, when my new theory has been duly assimi­lated and mixed with politics and feeling and passions, I can predict what the final upshot will be in its effect on action and affairs. But there will be a great change, and, in particular, The Ricardian foundations of Marxism will be knocked away. J.M. Keynes ," To a letter to George Bernard Shaw, 1 January 1935", in CWJMK , vol. XIII, pp. 492-493.
[16]Keynes discute a posição clássica na base do livro de A. Pigou, " The Theory of Unemployment"; sobre a relação salários reais, monetários e emprego ver capítulo 10, parte II. Existe no vol. XIII das CWJMK , pp. 311-326, um epistolário sobre este livro entre Keynes, Robertson e Shove. A resposta de Pigou à crítica de Keynes encontra-se no livro de Pigou " Full Emploument and equi­librium".
[17]A crítica à teoria do desemprego clássica está identificada na obra de A. C. Pigou, Ver " The Theory of Unemployment", Macmillan and Co, Limited, London, 1939.
[18]A existência deste postulado é o que permite explicar o desemprego segundo os autores clássicos, como sendo voluntário ou friccional, excluindo desse modo a existência do desemprego involuntário
[19]Esta ideia de Keynes é atribuída geralmente como o reconheci­mento da chamada ilusão monetária, o que não é caso, pois como veremos Keynes atribui aos diferencias relativos dos salários reais o motivo da conduta dos trabalhadores. A demonstração de Patinkin de que não existe ilusão monetária na abordagem de Keynes é quanto a mi convincente, ver D. Patinkin, "Keynes’ Monetary Thought: A study of its Development", Durham, New Caroline: Duke University Press, 1976, pp 98-107.
[20]Alias tem vindo a ser prática do movimento sindical actual­mente não apenas em assegurar que os salários mantenham o custo de vida como o elevem, ressalvando as condições do emprego.
[21]J.M. Keynes , " The General Theory", CWJMK , vol. VII, p. 11.
[22]Idem, p. 15.
[23]A conservação do segundo postulado implica que existe apenas desemprego voluntário e friccional, o que é consistente com uma teoria da distribuição dos recursos em condições de ocupação plena . Se rejeita-se o segundo postulado, é necessária uma teoria dos salários, que Keynes trata no capitulo 19.
[24] J.M. Keynes , The General Theory, CWJMK , vol. VII, p. xxii.
[25]T. Rymes, " Keynes`s Lectures 1932-35: Notes of a Represen­tative Student", MacMillan, 1988, p.91.
[26]Idem, p. 21. [26]
[26] Idem.
 [26]Idem, p. 135.
[27] J.M. Keynes, The General Theory, CWJMK , vol. VII, p. xxii.
[28]Keynes assumindo que os empresários são agentes maximizadores, a pressupõe que as decisões de investimento, dependem das expectativas de receitas, i.e., não apenas dos preços esperados de procura como das quantidades esperadas procuradas.
[29] J.M. Keynes , " The General Theory", CWJMK , vol. VII, p. 25.
[30] Este nível não pode ser maior que o nível de pleno emprego, o salário não pode ser inferior à desutilidade do trabalho, pelo que não existe razão para esperar que esse nível seja igual ao de pleno emprego.
[31] Idem, p. 28.
[32] O consumo designado por C é medido em termos de unidades salários, por isso escrevemos Cw; o rendimento também é medido em unidades salários, designado por Yw, e corresponde a um nível dado de emprego N. A relação entre Yw e N pode depender provavelmente num grau muito menor da natureza precisa do emprego, i.e., das distribuições desiguais de um emprego total determinado entre diferentes empregos, os que conduziriam a diferentes valores de Yw. Mas em geral, diz Keynes, é uma boa aproximação considerar Y= F(N).
[33]Os factores subjectivos incluem as características psicológicas da natureza humana e as práticas sociais e institucionais, que sendo alteráveis, não são susceptíveis de modificar no curto prazo, excepto em circunstâncias anormais ou revolucionárias. O mesmo pode ser dito quando comparamos sistemas sociais diferentes, que implica estudar as influências que estes exercem sobre a propensão ao consumo. Keynes supõe que em geral podem ser considerados os factores subjectivos conhecidos, o que implica que a propensão ao consumo depende apenas das mudanças nos factores objectivos.
[34]O consumo é assim uma função do rendimento real, mais do que rendimento monetário. Numa situação dada da técnica, das preferências e das condições sociais que determinam a distribuição do rendimen­to, o rendimento real de uma pessoa varia conforme varia a quantidade de unidades de trabalho que pode dispor isto é, com o montante do seu rendimento médio, em unidades de salários; embora, quando o volume total de produção muda, o seu rendimento real crescerá menos que proporcional­mente relativamente ao seu rendimento medido em unidades de salários( pela influência dos rendimentos decrescentes). Por conseguinte, por aproximação, podemos dizer, que se a unidade salário varia, a despesa em consumo correspondente a um nível dado de emprego, mudará com os preços na mesma proporção.
[35] O montante do consumo depende mais dos rendimentos líquidos, pois é este que permite ao indivíduo tomar decisões refer­entes ao consumo.
[36] O consumo das classes proprietárias é consideralvelmente sensível às mudanças imprevistas no valor monetário da riqueza. Este deve classificar-se entre os factores mais importantes susceptíveis de ocasionar mudanças no curto prazo da propensãoao consumo.
[37] A taxa de desconto, não é o mesmo que a taxa de juro, pois esta considera as mudanças futuras no poder de compra do dinheiro, na medida em que são previsíveis. Também devem ser considerados os riscos, morte, tributação; pode identificar-se com a taxa de juro. A teoria clássica da taxa de juro considera importante a influência entre a propensão ao consumo e a taxa de juro, visto ser esta o factor de equilíbrio entre poupança e investimento. Porém, diz Keynes, a relação entre o consumo e a taxa de juro é complexa e incerta, pois nalguns casos, dada a propensão aoconsumo ser satisfeita com subidas da taxa de juro, em outros casos será debilitada. No longo prazo, todavia, é provável que mudanças substanciais na taxa de juro, modificando os hábito sociais consideralvelmente, afectem a propensão subjec­tiva a gastar. Embora apenas a experiência indicará a movimentação e a direcção da mesma. No curto prazo, todavia, é provável que a taxa de juro tenha muita influência sobre os gastos, em qualquer sentido. O efeito mais importante da taxa de juro opera-se sobre a valorização e desvalorização de valores e de outros bens, sobretudo por razões inesperadas, pois estas podem influenciar a despesa actual.
[38] Se a política fiscal é utili­zada como instrumento deliberado a fim de conseguir maior igualdade na repartição dos rendimentos, o seu efeito sobre o aumento na propensão ao consumo é tanto maior. Por isto, o consumo é uma função do rendimento e das expectativas que os indivíduos tem sobre esse rendimen­to. Deve considerar-se, também, o efeito sobre a propensão global ao consumo, as acções do governo tendentes a criar uma poupança social, destinada ao pagamento de dívidas.
[39] Pode-se considerar este factor em termos formais, pois se afecta a um indivíduo, pode ser neutro em termos da comuni­dade.
[40] A função consumo pode ser considerada estável, sempre que tenham sido eliminadas as mudanças na unidade salários. As variações imprevistas no valor dos bens de capital podem provocar uma variação na propensão ao consumo, e as modificações substancias na taxa de juro e a política fiscal podem provocar também alterações. A soma que a comunidade gasta em consumo depende de um con­junto de factores: 1) do montante do rendimento; 2) outras circunstâncias objectivas que o acompanham; 3) das necessidades subjectivas e as inclinações psicológicas e hábitos dos indivíduos, assim como dos princípios segundo os quais, o rendimento se divide entre eles, as que sofrem modificações quando aumenta a produção.
[41] C = f(Yw,N).
[42] Este raciocínio é valido no curto prazo, como no caso conhecido das flutuações cíclicas do emprego . "The Fundamental psychological law, upon which we are enti­tled to depend with great confidence both a priori from our knowledge of human nature and from detailed fact of experi­ence”, Idem, p. 96.
[43] Idem.
[44] A dinâmica para qual Keynes chama a atenção é a de um desequilíbrio permanente, entre rendimento, consumo e inves­timento, sendo esta dificuldade crescente a medida que aumenta o capital. É que os novos investimentos de capital apenas realizar-se-ão, como excedente do desinvestimento, se se espera que a despesa de consumo aumente no futuro.
[45] Este último aspecto pode ter mudado porquanto hoje o financiamento do desemprego é realizado com recurso a fundos de poupança forçada, que aumenta a poupança em vez de diminui-la.
[46] Sobre os factores subjectivos que impulsam os indivíduos a abster-se na despesa dos seus rendimentos e portanto a formar poupanças, Keynes considera os seguintes: 1) formar reservas para contingências imprevistas (motivo de precaução). 2) arbitrar entre a estrutura das necessidades presentes e futu­ras, fornecidas pelo rendimento( motivo de previsão). 3) abdicar do consumo imediato; menos consumo no presente, maior no futuro (motivo cálculo). 4) gradualização das despesas prevenindo melhoramentos progressi­vos( motivo melhoramento). 5) precaução não explicada ( motivo independência).6) para efeitos de especulação ou negócios( motivo empresa).7) para heranças das futuras gerações( motivo orgulho). 8) avarícia irracional( motivo avarícia). Outros motivos de poupança derivam-se da conduta dos gover­nos, instituições e sociedades de negócios, que levam a aumentar a poupança por motivos semelhantes, mas não idênticos aos dos indivíduos. Podem-se sumariar os se­guintes: 1) o motivo empresa a fim de aumentar o autofinanciamento. 2) o motivo liquidez que assegure disponibilidades para emergências, dificuldades e depressões. 3) o motivo melhoramento, praticado pelas administrações dos negócios gradualizando a obtenção dos rendimentos, prevenin­do-se das críticas. 4) a prudência financeira, que cria reservas financeiras que excedam o custo de uso e o suplementar, amortizando dívidas, adiantando-se na recuperação do custo do activo, em relação a taxa real de depreciação e obsolescência. A força desta motivação dependerá da quantidade e o carácter do equipamen­to produtivo e da rapidez das mudanças técnicas.
A força de todos estes motivos, variará conforme as mutações nas instituições e a organização da sociedade económica que pressupormos, segundo os hábitos formados pela raça, a educação, os convencionalismos, a religião e as correntes morais, segundo a esperança e a experiência, segundo a escala e a técnica do equipamento produtivo, e segundo a distribuição da riqueza e os níveis estabelecidos.
[47] Idem, p. 136.
[48] Desenvolvendo a teoria das expectativas, Keynes agrupa as expectativas em dois grupos: i) as expectativas de curto termo, são as expectativas que se reflecte nas previsões dos produtores, considerando o tempo que decorre entre a iniciação da produção e as vendas actuais dos bens acabados. Estas expectativas se referem à produção de bens de consumo, enquanto que os produtores de bens de capital consideram as encomendas das empresas; ii) as expectativas de longo prazo se relacionam com as compras de bens de capital e se referem aos retornos esperados.
As realizações das expectativas devem ser consideradas na determinação de expectativas e acções subsequentes, pelo que o estado do output corrente depende das expectativas passadas. Uma mudança nas expectativas de curto prazo prova que pode ter sido errado iniciar a produção, embora uma vez que teve início a produção e que se incurriou em despesas, mas vale continuar.
[49] Idem, p. 143.
[50] Idem p. 49-50.
[51] Idem p. 49-50.
[52] "cannot be checked in the light of realized results “. Idem, p. 51.
[53] Nesse sentido a bolsa se transforma, segundo Keynes, na Nemesis dos comportamentos aberrantes. Se a bolsa for con­siderada como uma instituição cuja finalidade social é guiar novos investimentos por caminhos mais produtivos, em termos de rendimento social, então ela deveria ser reformada com o fim de restituir o investimento de longo prazo.
[54] Idem, p. 162-163.
[55] Existem empresas cujo rendimento provável está determinado pêlos rendimentos do futuro próximo. Existem investimentos de longo prazo que podem ser sujeitos a compromissos entre as partes interessadas, como no caso da construção de habitação. Um outro caso o constituem os investimentos de longo prazo do sector público, que garante os rendimentos dada a posição de monopólio que ocupam, determinando as margens necessárias ou estipuladas na consecução desses rendimentos, para além de que baseiam-se em necessidades humanas crescentes, como a energia, a agua, os transportes, as comunicações, os serviços públicos. Por último, existem investimentos do sector público com carácter social, independentemente da sua produtividade comercial, onde o cálculo dos rendimentos não necessariamente iguala a taxa de juro, embora esta última possa ser importante no papel sobre a determinação do volume de operações de inves­timento que possa suportar.
[56] Idem, p. 367.
[57] Idem, p. 169.
[58] Keynes tinha produzido um argumento parecido no `Treatise`. A diferencia reside em que enquanto no Treatise, a preferência pela liquidez, dado o sentimento bear(baixista), que gerava a procura por motivos especulativos relacionava o preço dos activos e as dívidas com a quantidade de moeda, na Teoria Geral relaciona a taxa de juro, o preço das dívidas, com a quantidade de moeda.
[59] Keynes infere é que a quantidade de moeda é outro factor que combinado com a preferência pela liquidez, determina a taxa real de juro em circunstâncias dadas. Podemos dizer que Keynes resolve dois problemas: de uma parte estabelece a causa do juro e a sua medida, e de outra introduz a quantidade de dinheiro no mecanismo económico. Keynes afirma que existem pessoas que mesmo admitindo que a taxa de juro nunca seja negativa mantém uma quantidade de liquidez, sacrificando assim a vantagem de obter uma recompensa
[60] Alias, o mesmo resultado pode ser visto se a preferência pela liquidez é medida em unidades salários. Uma descida na taxa de juro que provoca um aumento do emprego, pode fazer com que o valor da unidade de salários monetários aumente. i.e., uma absorção de moeda maior para o motivo de transacção, diminui a quantidade de moeda para outros motivos e faz aumentar a taxa de juro.
[61] Idem, p. 173.
[62] Idem, p. 167.
[63] A procura do dinheiro está relacionada com aquilo que se chama velocidade-rendimento do dinheiro. Esta mede a proporção de rendimentos que o público determina manter na forma de efectivo corrente, de modo que um aumento na veloci­dade-rendimento pode ser a indicação de uma redução na preferência pela liquidez. Keynes chama-nos a atenção para o facto do termo velocidade-rendimento conter implicitamente un equivoco, pois pressupõe que a procura de dinheiro é, no seu conjunto, proporcional ou têm uma determinada relação com os rendimen­tos. Se esse pressuposto fosse assim, deveria aplicar-se apenas a uma parte das disponibilidades em efectivo do público. Do que resulta que " it overlook the part played by the rate of interest, Idem, p. 194. No Treatise, como vimos anteriormente Keynes estudou a procura total do dinheiro com o nome de depósitos para despesa de consumo, depósitos para despesa de negócios e depósitos de poupança.
[64] Existe uma razão para conservar dinheiro, quando o intervalo que media entre a recepção de dinheiro e a sua aplicação, induz os indivíduos a conservar um dado mon­tante de rendimento. O conceito de velocidade-rendimento do dinheiro é pertinente a este respeito.
[65] O motivo negócio é similar ao anterior. Aplica-se ao inter­valo entre a receita das vendas e os custos do negócio. Trata-se do efectivo(cash) conservado para cobrir o interva­lo entre a compra e a realização. A força desta procura dependerá do valor da produção corrente e dos interve­nientes no processo de produção
[66] É o motivo de resguardar-se face as contingências de gastos imprevistos ou oportunidade imprevistos, ou conservar um activo com valor fixo em termos monetários face a obrigações fixadas em dinheiro.
[67] Este é um motivo, diz o Keynes, que necessita muita atenção, sobretudo, porque é importante na transmissão dos efeitos nas mudanças na quantidade de dinheiro.
[68] A força destes motivos depende do desenvolvimento do sistema financeiro e bancário.Utilizando os efectivos de maneira mas eficaz aumenta a seguridade e diminui custos. Em circunstâncias normais, o volume de dinheiro necessário para satisfazer o motivo transacção (i+ ii) e o motivo precaução (iii) é principalmente o resultado da actividade geral do sistema económico e do nível dos rendimentos monetários.
[69] Idem, p. 197.
[70] Será preciso saber a forma da função L(r) para determinar a taxa de juro. Em correspondência a esses compartimentos de liquidez, teremos L1 e L2, as funções de liquidez. Sendo L1=f(Y) e L2=f(r), onde L2 depende da relação entre a taxa de juro corrente e o estado das expectativas. Temos: M= M1+M2 = L1(Y)+ L2(r). L1 é a função correspondente ao rendi­mento Y que determina M1, e L2 é a função de liquidez da taxa de juro r, que determina M2. Idem, p. 197.
[71] No caso mais simples, em que todos os indivíduos reagem de modo semelhante e ocupam uma posição similar, uma mudança nas circunstâncias ou nas expectativas poderá não ocasionar o menor deslocamento na cedência de dinheiro.
[72] Idem, p. 200.
[73] É necessário esclarecer, diz Keynes, o conceito de veloci­dade- rendimento. Não está claro se a velocidade-rendimento se define como a proporção entre Y e M, ou como a proporção ente Y e M1. Keynes propõe toma-la neste último sentido, i.e., Y e M1. Sendo assim, tomando como V a velocidade-rendimento do dinheiro teremos: L1(Y) = Y/V = M1. Não existem razões para supor que V é constante. O seu valor depende do carácter da organização bancária e industrial, dos hábitos sociais, da distribuição do rendimento entre as classes e do custo de conservar liquidez ociosa. Mas no curto prazo pode ser considerado constante
[74] No capítulo XIII, Keynes referiu que a incerteza referente ao curso futuro da taxa de juro é a única explicação inteligente da preferência pela liquidez L2 que conduz a possessão de M2.
[75] Por exemplo, num pais ligado a um padrão ouro internacional, uma taxa de juro mais baixa da que prevalece em toda parte, será observada com desconfiança justificável; todavia uma taxa de juro nacional levada a paridade com a mais alta que prevaleça em qualquer pais pertencente ao sistema interna­cional, pode ser superior respeito àquela compatível com o pleno empre­go. Que era o caso da Inglaterra antes da saída do padrão ouro em 1931.
[76] Títulos de dívida pública britânicos.
[77] I.e., pode haver uma taxa de juro menor. Este ´pode haver`, quer dizer que se a preferência for absolu­ta, associada às expectativas de que os preços não vão subir, a taxa de juro não desce. Mas isto Keynes irá explicar em detalhe na versão final.
[78] Ibidem, p. 200 ?
[79] A superação dessas dificuldades viu Keynes no abandono do padrão ouro que rigidizava a oferta monetária e não assegurava a estabilidade do valor monetário, impedindo assim a descida da taxa de juro de longo prazo.
[80] Esta potenciali­dade é concentrada na função de liquidez L2.
[81] Keynes defendia uma reforma na técnica de gestão monetária, consistente numa uma oferta complexa por parte do banco central, de comprar e vender a preços estabe­lecidos valores de primeira classe e de qualquer prazo, em vez de um tipo único para os documentos de curto prazo Esta é uma outra forma da proposta formulada no ´Treatise´ de operações de mercado ´au autrance. Na prática, a medida do que é o ´ cash current´ no mercado varia nos diferentes sistemas, no sentido de que o preço das dívidas que fixa o sistema é a que determina o preço real do mercado.
Por vezes o preço é mais efectivo em uma direcção que em outra. Isto é, o sistema bancário compromete-se à compra de dívidas a certo preço, mas não necessariamente as vende a uma cifra que represente a diferencia com a compra, obtendo um lucro de intermediação, embora não existem razões para que o preço não deva fazer-se efectivo em ambos sentidos, com ajuda de operações de mercado aberto.
[82] Este é um caso extremo, que nunca existiu na realidade, pela renuência das autoridades monetárias a negociar com decisão em dívidas de longo prazo. O seu significado implicaria que a autoridade monetária, poderia obter empréstimos em escala ilimitada a uma taxa de juro nominal. Existe uma interpretação do desemprego involuntário que reduz o problema a um chamado " caso keynesiano". Segundo Modigliani " we have the keynesian case, when the full employment equilibrium rate of interest is less than r " ...e..."the demand for money as an asset is infinitely elastic ", " Liquidity Preference and the Theory of interest and money". Esta interpretação recebe o nome de "keynesian case", justamente porque vai ao encontro da ideia antevisionária de Keynes sobre o comportamento da taxa de juro no longo período. Tratar-se-ia de um caso limite, o que equivale a dizer que a Teoria Geral se reduziria, como contribuição teórica, ao estudo desse caso limite, interpretado como a im­possibilidade de fazer descer a taxa de juro para além de um determinado nível por causa da armadilha de liquidez. O estudo da forma da curva está associado a esse caso limite. É possível abordar por uma outra óptica, os deslocamentos dessa curva de modo a explicar de outro modo, mais geral, a existência do desem­prego involuntário. Segundo esta abordagem o desemprego involuntário existiria pelo facto de que, sendo a taxa de juro baixa, embora maior que aquela que assegura o pleno emprego, toda a tentativa de a baixar pela simples manipulação monetária levar­ia os agentes a rever as suas antecipações, ajustando as suas procuras de moeda de modo a absorver a moeda adicional. Ver F. Modigliani, " Liquidity preference and the Theory of Interest and Money, in Economica, Januar 1944, pp. 45-88.
[83] Idem, p. 222.
[84] Utilizando o exemplo do autor, pode-se esclarecer o argumento do modo seguinte: se contratarmos por exemplo para o trigo um equivalente a 100 arrobas de trigo de entrega imediata 105 arrobas de trigo para serem entregues a um ano prazo, podemos dizer que a taxa-trigo de juro é de 5 % ao ano. Assim para cada bem de capital teremos uma taxa-bem de juro, medido em termos de si próprio.
A diferencia entre contratos futuros e à vista, cotizados no mercado, sobre um bem, por exemplo o trigo, mantém uma relação definida com a taxa de juro-trigo. Mas se o contrato futuro cotiza-se em dinheiro para entrega futura e não para entrega imediata, isto têm a ver também com a taxa monetária.
É preciso ver que as diferentes taxas não são iguais entre si, cada taxa-bem é específica desse bem. Por outro lado, não necessariamente a taxa bem e a taxa monetária coincidem. No exemplo de Keynes 100 arrobas ao preço de 100 libras, com um contrato a um ano prazo, pode implicar que custando 107 libras as mesmas 100 arrobas, medidas em taxa monetária de 5 % implicará 105 libras de trigo. Mas as 105 libras de trigo ao preço de 107 libras dá-nos 98 arrobas de trigo. Isto é, 100 arrobas de trigo, representam em preços futuros 98 arrobas, segundo a cotização de mercado. A taxa-trigo de juro é de - 2 % anual.
Isto leva-nos, diz o Keynes, a levantar o problema que existe uma taxa de juro, que sendo a maior das taxas específicas seja aquela que marque o passo das outras taxas de juros. Sem esquecer que é a maior das taxas de juro àqual a emc deverá alcançar para produzir um bem durável.
[85] Ainda mais, pode ser que para duas moedas distintas não exista uma taxa de juro igual . A taxa de desconto que iguala o valor presente da série de anuidades de trigo ao preço actual de oferta desse bem, em termos do bem-padrão escolhido, nos dará a EM do capital-trigo em termos desse bem-padrão.
Consideremos a % anual da variação no valor do trigo em termos de dinheiro; a eficiência marginal de um bem, que é x % em dinheiro, será x-a % em termos de trigo.
[86] O que diferencia uma economia monetária e empresarial e uma economia de troca ou de moeda neutral. Se nos propormos saber qual é a taxa-bem de juro para um período dado, considerados vários bens. Tomando cada um de cada vez como padrão, então os rendimentos de cada um devem ser considerados como medidos en termos de si próprios.
[87]Uutilizando a notação de Keynes: q, medidos em termos de si próprios, tem por base a sua contribuição a algum processo produtivo ou por serviços a um consumidor. Os custos chamados, c, custos medidos em termos de si próprios, carring cost; liquidez, l, a quantidade a pagar pela segurança potencial de possuir o bem l.
[88] esta afirmação apenas faz sentido se considerarmos o presente.
[89] Tomem-se três bens, casa, trigo e dinheiro. Para o trigo, os rendimentos e o prémio de liquidez são igual a 0, temos então que a taxa de juro é igual a -c2; para a casa l e c são iguais a 0 pelo que a taxa de juro é q1 e para a moeda, sendo c e q igual a zero, a taxa de juro é igual a l3.
Para determinar os rendimentos esperados dos três bens, compatíveis com o equilíbrio, devemos conhecer as mudanças nos valores relativos durante o período. Considerando o dinheiro como moeda de conta, a percentagem de valorização ( ou desvalorização) esperado para as casas a1 e do trigo a2, teremos:
a1+q1
a2-c2
l3 as quantidades reduzidas a dinheiro como padrão de valor.
A procura dos possuidores de riqueza vai-se orientar à casa, ao trigo ou ao dinheiro, segundo o critério de qual deles terá a maior taxa de juro. Em equilíbrio a procura de casa, trigo em termos de dinheiro será tal que a1+q1, a2+q2 e l3 sejam iguais. A escolha do padrão não influenciará o resul­tado, pois uma mudança do padrão modificará todos os termos por igual.
[90] Se a1+q1, a2-c2 e l3 são iguais, sendo por hipótese l3 fixa o viscosa relativamente a q1 o -c2, isto implica que a1 e a2 aumentam
[91] de q1 e c2
[92] Em sentido estrito, qualquer taxa de juro de um bem pode descer lentamente e não particularmente a do dinheiro, entendido que a teoria deve ser geral. Isto é, a medida que a produção a custos conhecidos e deter­minados no presente aumenta, a taxa de juro que baixa mais lentamente é aquela que faz de propensão ao consumoe-maker, eliminando produção de bens de outros bens, excepto quando os custos de produção futuros prováveis aumentem em relação aos custos presentes.
[93] Idem, p. 229. Nesse sentido ao atribuir um significado particular à taxa monetária de juro, a partida, faz-se enquanto habituamo-nos às características especiais, que fazem que a taxa de juro monetária, medida em unidades de si próprias, seja aquela mais resistente à baixa, que as outras taxas, medidas no padrão monetária, quando a produção aumenta.
[94] Um único reparo é preciso fazer relativamente a 1) e 2), é quando uma mudança no valor do dinheiro ocasiona incerteza relativamente as resistências a subida; no caso em que a1 e a2 se elevem, equivale a dizer que um aumento no juro monetário em termos de taxas-bem, estimula a produção de outros bens.
[95] Isto não implica aceitar que os salários sejam rígidos, mas constatar que numa economia monetária os salários expressos em moeda são sujeitos a revisões que considerem o rendimento e a propensão ao consumo.
[96] Idem, p. 233.
[97] Idem. p. 236.
[98] Idem, p. 237.
[99] Idem, p. 238.

[100] É importante observar que para Keynes o prémio de liquidez não é um conceito absoluto, mas apenas destinado a jerarquizar e calcular, junto com os custos de uso e de armazenagem, as conveniências de manter uma ou oura forma de riqueza, dependendo em definitiva das práticas sociais e das instituições. Nesse sentido é o precursor de uma teoria portfolio da riqueza.
[101] Com ironia, Keynes sugere o remédio de por o banco central (a fábrica de queijo) na tutela da autoridade governamental a produzir queijo verde, como se fosse a mesma coisa que ouro, actuando pura e simplesmente através da persuasão do público.

[102] Nas notas de Bryce aparece f2(r)= f3(M/W), i.e., o emprego na indústria de bens de capital é uma função da oferta de moeda dividida pelo nível das taxas de salário monetário. Fallgater e Salant esperassem que dado W, N = N1 + N2 = f1(N)+f2(r)+f3(M/W), o que está errado, o que alias resulta claro quando se compara as notas de Thring, ver op. cit., p. 126. O que Keynes quis dizer é que dadas as expectativas, uma quantidade de moeda que modifique a taxa de juro pode ser realizada se a taxa de salário monetário diminui, com o que a quantidade de moeda aumenta, mesmo se fixa pela autoridade monetária, porquanto o motivo transacção diminui libertando moeda para o motivo especulação, só que como Keynes adverte nesta última lição de 1933, não pode aprofundar. Tarshis escreve nas notas `why in hell` See Bob, idem, p. 126, nota de página 69.
[103] Idem, p. 126.
 

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Mario Gómez Olivares - Departamento de Economia, Instituto Superior de Economia e Gestão Universidade Técnica de Lisboa - www.iseg.utl.pt\~hpe\html - magolivarrobaiseg.utl.pt

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