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O seu raciocínio visou demonstrar o carácter particular da hipótese
neoclássica, segundo a qual os empresários investirão até ao ponto em
que o salário seja igual à produtividade marginal do trabalho, a fim de
que o gap entre rendimento e consumo, com a presunção de rendimentos
constantes ou decrescentes, seja compensado suficientemente pelo
investimento.
O facto de, para Keynes, não se verificar a lei de Say, obriga-o a uma
reflexão sobre a procura global. Em primeiro lugar, esclarece como se
utiliza o rendimento. Em segundo lugar, clarifica que a despesa do
rendimento pode ser realizada para além das razões de consumo e
investimento, i.e., pode ser entesourada, o que acontece apenas numa
economia monetária.
Assim, o nível de emprego não depende do nível preexistente dos
rendimentos mas sim das decisões de investir e das estimativas actuais
dos montantes de consumo, correntes e futuros. Este carácter antecipado
e estimativo das decisões, unido ao carácter probabilístico das
previsões dos agentes sobre o futuro, representa uma inovação teórica
fundamental da teoria da procura efectiva, o que nos permite realçar que
esta observação não é independente da posição metodológica prévia,
revelada como ideal metodológico.
A existência de um equilíbrio múltiplo é uma novidade teórica que se
depreende do carácter antecipado das decisões dos empresários e da
própria incerteza do volume do emprego. Uma vez determinado esse volume,
o equilíbrio torna-se único, embora possa ser um equilíbrio de
subemprego.
A procura efectiva de pleno emprego é um caso especial que se realiza
apenas quando a propensão marginal ao consumo e o incentivo ao
investimento se encontram numa relação óptima, onde a utilidade do
salário real é igual a desutilidade do trabalho. Tal como numa economia
de troca ou de moeda neutral, na qual o salário real e o emprego estão
correlacionados, os rendimentos gerados em pleno emprego permitem a
realização da procura, sob a vigência da lei de Say. Dada a propensão ao
consumo e a taxa de novo investimento, existe um nível de emprego
compatível com o equilíbrio. Um outro equilíbrio produziria uma
desigualdade entre o preço da oferta global da produção e o preço da sua
procura global. Se esse nível puder ser inferior ao nível de pleno
emprego, o salário não poderá ser inferior à desutilidade do trabalho.
Nesse caso, os preços da oferta deverão descer e os rendimentos deverão
adequar-se. Se isso não for possível, se o ajustamento pelos preços não
funcionar, o nível de emprego descerá, pressionando o preço do trabalho
a baixar e gerando desemprego involuntário.
A conclusão mais importante a retirar da teoria da propensão marginal ao
consumo decrescente de Keynes é que, com cada descida na propensão
marginal ao consumo de hoje, aumentando a poupança marginal, não se
provoca uma subida do capital no futuro; pelo contrário, cada
debilitamento na propensão marginal ao consumo, considerada como hábito
permanente, fará quebrar a procura de capital e portanto o consumo, o
rendimento e o emprego, uma espécie de destruição ex-post da poupança.
Não é possível um aumento do investimento medido em unidades salariais,
a menos que o público esteja disposto a aumentar as suas poupanças,
computadas em unidades salariais. Mas os indivíduos só o farão quando o
seu rendimento aumentar.
A decisão de investir é a decisão económica mais importante que os
agentes económicos tomam, pois ela representa o elo entre o presente do
consumo e o futuro do lucro. Mas essa decisão depende da eficiência
marginal do capital. Os problemas com que se deparam os empresários para
decidir o investimento, são os problemas da resolução da contradição
entre os vários interesses presentes e provisionais de investidores,
produtores, e banqueiros.
O mais importante resultado do estudo sobre a empresa na óptica
macro-económica é que o investimento influencia decisivamente o
rendimento e o emprego. Mas Keynes descobre, nas expectativas dos
rendimentos esperados, uma variável essencial a examinar. A importância
de alterações nas expectativas deriva dos efeitos que estas mutações
provocam sobre o desejo de produzir novos bens. Um efeito estimulante de
preços maiores nas expectativas, não se deve a um aumento da taxa de
juros, antes ao facto de se elevar a eficácia marginal de um volume dado
de capital ou de a expectativa de uma descida no valor do dinheiro
estimular o investimento e, por consequência, o valor do dinheiro
influenciar o nível do emprego, porque eleva a curva de eficiência
marginal do capital, deslocando a curva de procura de investimentos à
alta.
Uma certa classe de investimento rege-se pela média das expectativas dos
especuladores da bolsa de valores e não pelas expectativas genuínas do
empresário profissional, o que se manifesta no preço das acções. As
avaliações e reavaliações sobre o estudo das expectativas e do estado de
confiança, implica que a realização dos investimentos baseia-se no
método convencional utilizado pelos investidores bolsistas. As
valorizações sobre os mercados se realizam tomando em consideração toda
classe de conjectura, que de modo nenhum se relacionam com o rendimento
provável, o que torna o financiamento dos investimentos extremamente
delicado. Se existem mercados organizados para o investimento e se pode
confiar-se em que o convenção não variará, pode-se animar o investimento.
A intervenção do estado como agente catalisador do investimento, agente
da confiança na credibilidade da informação, de recuperação dos ´animal
spirits´ que animaram o crescimento capitalista do século XIX não é
apenas figura de retórica que desprende desta análise, é uma forma de
tornar o cálculo provável mais fiável, a confiança do investidor mais
razoável. O estado devia ser o garante do nível da despesa que assegure
o pleno emprego, uma conclusão não apenas económica, de certo modo
também moral e política, correspondendo a sua antevisão.
Numa economia monetária a moeda deve ter, por definição, o poder de ser
detida na qualidade de reserva de riqueza, para que o rendimento possa
ser em parte acumulado (entesourado) e a procura de bens se possa
revelar insuficiente para igualar a oferta a um nível que permita a
plena utilização dos recursos produtivos. Nesse caso, a procura
constituiria um limite ao aumento da oferta, permitindo a existência do
desemprego involuntário.
Assim, segundo Keynes, o problema central da política de estabilização
parece associar-se à dificuldade em realizar o pleno emprego num
ambiente económico onde uma eficiência marginal do capital demasiado
baixa e instável se conjugue com uma taxa de juro demasiado alta,
convencional e bastante estável como todos os fenómenos da psicologia
colectiva de base convencional. Nessa situação, as mudanças na taxa de
juro normal através da autoridade monetária, deverão assumir um carácter
discricionário e social, procurando mudar as convenções sobre aquilo que
os diferentes grupos sociais hegemónicos consideram ser normal, mas
assegurando sobretudo a passagem de um nível de produção a outro
superior.
Estas explicações conjugam-se de modo a reforçar o facto de Keynes não
atribuir ao sistema uma capacidade de correcção automática, de modo que
o emprego poderá ajustar-se através da intervenção directa do Estado
sobre o investimento e não apenas sobre a oferta de moeda. Nesse
sentido, Keynes estabelece uma relação entre a taxa de juro e a
preferência pela liquidez, entre a taxa de juro e a quantidade de moeda,
entre as expectativas da taxa de juro e as possibilidades da política da
taxa de juro, a fim de saber por que razão a taxa de juro monetária de
longo prazo é persistentemente alta, esclarecendo definitivamente por
que motivo as taxas de juro e os salários nominais são recalcitrantes à
baixa. Para Keynes a taxa de juro monetária “sets the pace” a todas as
outras taxas de juro de outros bens, impedindo simultaneamente a sua
produção mesmo antes de alcançarem o ponto de elasticidade de produção e
substituição nula. A importância da taxa de juro monetária surge como
uma combinação de factores que actuam através do motivo liquidez,
fazendo com que, primeiro, a taxa de juro seja insensível a uma mudança
na proporção que a quantidade de dinheiro mantém com as outras formas de
riqueza, medidas em dinheiro, e, segundo, que tenha ou posa ter
elasticidades nulas de produção e substituição.
As características que determinam as particularidades do dinheiro e que
fazem com que a sua taxa seja a mais importante, estão ligadas ao facto
que a moeda é o padrão de valor e de com esse padrão fixam-se as dívidas
e os salários, pelo que os indivíduos procurarão moeda pela conveniência
de expressar no mesmo padrão os contratos vencidos e os salários a
pagar, o que faz com que o prémio de liquidez seja tão importante. É um
problema de confiança sobre o futuro, pelo que o padrão de valor deverá
ter uma elasticidade de produção que assegure a sua estabilidade.
A existência de um equilíbrio abaixo do pleno emprego assenta na
combinação de uma eficácia marginal do capital, baixa e instável, com
uma taxa de juro de longo prazo convencional e recalcitrante à baixa, o
que se explica pelas peculiaridades da moeda. Neste sentido, a moeda
determinaria a insuficiência do nível de investimento e da procura
global e, portanto, do nível do emprego. Assim, o fenómeno do desemprego
poderia ser interpretado como intrínseco a uma economia monetária de
produção, onde a tendência de um excesso de procura relativamente à
oferta, não é compensada pelos mecanismos de ajustamento atribuídos à
taxa de juro. O papel da moeda, como elemento de ligação entre o
presente e o futuro, reflecte-se na preferência pela liquidez sem que
seja possível com uma política monetária credível e no quadro de um
padrão monetário determinado, que cumpre o papel de referência de
confiança no sistema, -- restituir uma taxa de juro compatível com o
pleno emprego, pelo que o desemprego se torna um fenómeno tenaz e
persistente.
Keynes não considera que o desemprego involuntário seja o resultado de
um mau funcionamento dos mercados, bem pelo contrário, vê-o como o
resultado do funcionamento normal dos mercados numa economia monetária.
A hipótese do desemprego involuntário não resulta de um quadro de
concorrência imperfeita, pois permanece rigorosamente no quadro da
concorrência pura e perfeita, ou, melhor, no âmbito de uma economia
essencialmente diferente do ponto de vista qualitativo, sendo uma das
suas características essenciais o facto de produzir desemprego
involuntário. O programa de J.M.Keynes é científico porque propõe as
condições para a sua refutação, e é progressivamente científico porque
prevê um tipo de ajustamento quantitativo essencial à economia
capitalista, revelando um fenómeno empírico que caracteriza o
funcionamento do mercado de trabalho no século XX.
Bibliografia
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[1]J.M. Keynes, CWJMK, vol. X, pp. 329-330.
[2] J.M. Keynes , CWJMK , vol. XIII, p. 198-199.
[3]..Idem, p. 406.
[4] J.M. Keynes , " Is The Economic System Self-adjusting: Poverty in
Plenty", CWJMK , vol.XIII, p. 486-191.
[5]J.M. Keynes , " The General Theory", CWJMK, vol. VII, p. 249.
[6] J.M. Keynes , " The General Theory", CWJMK, vol. VII, p. 218.
[7]Idem, pp. 218-219.
[8]J.M. Keynes, " The General Theory", p. 380. Idem, p. 254.
[9]Ver " Economic Possibilities for our Grandchildren", in J.M Keynes
CWJMK, vol. X, pp. 321-332.
[10]Estas ideias se encontram no seu primeiro livro de consagração
pública "The Economic Consequences of the Peace". J.M. Keynes, CWJMK,
vol. II. Tais factos estão bem relatados em R. Harrod, The Life of J.M.
Keynes, MacMillan, London , 1963 e também em R. Skidelsky, John Maynard
Keynes: Esperanças Fustradas 1883-1920, Alianza Editorial, 1986.
[11]Idem, p. 144..
[12]Idem, p. 199. A situação política na Inglaterra agravou-se com a
queda do governo Laborista em Setembro de 1931, face a impossibilidade
política de realizar eficazmente qualquer medida e com o desemprego
subindo acima dos 20%. Com a sustituição do governo Laborista por um
governo de Unidade Nacional encabeçado por R. MacDonald, (Ver N. Kaldor,
" Keynes as an Economic Adviser", pp. 2-27, in A.P. Thirlwall, Keynes as
a Policy Adviser, The MacMillan Press, 1982.) Inglaterra saiu do padrão
internacional, Keynes escreve " we have got the relief we needed and, at
the same time, the claims of honour have been, in the judgement of the
whole word, satisfied to the utmost"( J.M. Keynes , CWJMK , vol. IX, p.
245). As tarifas não se justificavam e a taxa de juro não estava
limitada às exigências do padrão ouro, pelo que o caso especial das
obras públicas não era aplicável. Mas Keynes continua o seu curso na
direcção de uma nova teoria em que a intervenção do estado surge como
garante do incentivo ao investimento, não como caso especial mas como
condição necessária para estabilidade do sistema capitalista.
[13]Ver Teoria Geral, p.3.
[14], J.M. Keynes , " The Parameters of a Monetary Economy", CWJMK ,
vol. XIII, p. 396-397.
[15] Keynes escreve em Novembro de 1934 a G.B. Shaw: " To understand my
stand of mine, however, you have to know that I believe myself to be
writing a book on economic theory which largely revolutionise, -not, I
suppose, at once but in the course of the next ten years- the way the
world thinks about economic problems, when my new theory has been duly
assimilated and mixed with politics and feeling and passions, I can
predict what the final upshot will be in its effect on action and
affairs. But there will be a great change, and, in particular, The
Ricardian foundations of Marxism will be knocked away. J.M. Keynes ," To
a letter to George Bernard Shaw, 1 January 1935", in CWJMK , vol. XIII,
pp. 492-493.
[16]Keynes discute a posição clássica na base do livro de A. Pigou, "
The Theory of Unemployment"; sobre a relação salários reais, monetários
e emprego ver capítulo 10, parte II. Existe no vol. XIII das CWJMK , pp.
311-326, um epistolário sobre este livro entre Keynes, Robertson e Shove.
A resposta de Pigou à crítica de Keynes encontra-se no livro de Pigou "
Full Emploument and equilibrium".
[17]A crítica à teoria do desemprego clássica está identificada na obra
de A. C. Pigou, Ver " The Theory of Unemployment", Macmillan and Co,
Limited, London, 1939.
[18]A existência deste postulado é o que permite explicar o desemprego
segundo os autores clássicos, como sendo voluntário ou friccional,
excluindo desse modo a existência do desemprego involuntário
[19]Esta ideia de Keynes é atribuída geralmente como o reconhecimento
da chamada ilusão monetária, o que não é caso, pois como veremos Keynes
atribui aos diferencias relativos dos salários reais o motivo da conduta
dos trabalhadores. A demonstração de Patinkin de que não existe ilusão
monetária na abordagem de Keynes é quanto a mi convincente, ver D.
Patinkin, "Keynes’ Monetary Thought: A study of its Development", Durham,
New Caroline: Duke University Press, 1976, pp 98-107.
[20]Alias tem vindo a ser prática do movimento sindical actualmente não
apenas em assegurar que os salários mantenham o custo de vida como o
elevem, ressalvando as condições do emprego.
[21]J.M. Keynes , " The General Theory", CWJMK , vol. VII, p. 11.
[22]Idem, p. 15.
[23]A conservação do segundo postulado implica que existe apenas
desemprego voluntário e friccional, o que é consistente com uma teoria
da distribuição dos recursos em condições de ocupação plena . Se rejeita-se
o segundo postulado, é necessária uma teoria dos salários, que Keynes
trata no capitulo 19.
[24] J.M. Keynes , The General Theory, CWJMK , vol. VII, p. xxii.
[25]T. Rymes, " Keynes`s Lectures 1932-35: Notes of a Representative
Student", MacMillan, 1988, p.91.
[26]Idem, p. 21. [26]
[26] Idem.
[26]Idem, p. 135.
[27] J.M. Keynes, The General Theory, CWJMK , vol. VII, p. xxii.
[28]Keynes assumindo que os empresários são agentes maximizadores, a
pressupõe que as decisões de investimento, dependem das expectativas de
receitas, i.e., não apenas dos preços esperados de procura como das
quantidades esperadas procuradas.
[29] J.M. Keynes , " The General Theory", CWJMK , vol. VII, p. 25.
[30] Este nível não pode ser maior que o nível de pleno emprego, o
salário não pode ser inferior à desutilidade do trabalho, pelo que não
existe razão para esperar que esse nível seja igual ao de pleno emprego.
[31] Idem, p. 28.
[32] O consumo designado por C é medido em termos de unidades salários,
por isso escrevemos Cw; o rendimento também é medido em unidades
salários, designado por Yw, e corresponde a um nível dado de emprego N.
A relação entre Yw e N pode depender provavelmente num grau muito menor
da natureza precisa do emprego, i.e., das distribuições desiguais de um
emprego total determinado entre diferentes empregos, os que conduziriam
a diferentes valores de Yw. Mas em geral, diz Keynes, é uma boa
aproximação considerar Y= F(N).
[33]Os factores subjectivos incluem as características psicológicas da
natureza humana e as práticas sociais e institucionais, que sendo
alteráveis, não são susceptíveis de modificar no curto prazo, excepto em
circunstâncias anormais ou revolucionárias. O mesmo pode ser dito quando
comparamos sistemas sociais diferentes, que implica estudar as
influências que estes exercem sobre a propensão ao consumo. Keynes supõe
que em geral podem ser considerados os factores subjectivos conhecidos,
o que implica que a propensão ao consumo depende apenas das mudanças nos
factores objectivos.
[34]O consumo é assim uma função do rendimento real, mais do que
rendimento monetário. Numa situação dada da técnica, das preferências e
das condições sociais que determinam a distribuição do rendimento, o
rendimento real de uma pessoa varia conforme varia a quantidade de
unidades de trabalho que pode dispor isto é, com o montante do seu
rendimento médio, em unidades de salários; embora, quando o volume total
de produção muda, o seu rendimento real crescerá menos que
proporcionalmente relativamente ao seu rendimento medido em unidades de
salários( pela influência dos rendimentos decrescentes). Por conseguinte,
por aproximação, podemos dizer, que se a unidade salário varia, a
despesa em consumo correspondente a um nível dado de emprego, mudará com
os preços na mesma proporção.
[35] O montante do consumo depende mais dos rendimentos líquidos, pois é
este que permite ao indivíduo tomar decisões referentes ao consumo.
[36] O consumo das classes proprietárias é consideralvelmente sensível
às mudanças imprevistas no valor monetário da riqueza. Este deve
classificar-se entre os factores mais importantes susceptíveis de
ocasionar mudanças no curto prazo da propensãoao consumo.
[37] A taxa de desconto, não é o mesmo que a taxa de juro, pois esta
considera as mudanças futuras no poder de compra do dinheiro, na medida
em que são previsíveis. Também devem ser considerados os riscos, morte,
tributação; pode identificar-se com a taxa de juro. A teoria clássica da
taxa de juro considera importante a influência entre a propensão ao
consumo e a taxa de juro, visto ser esta o factor de equilíbrio entre
poupança e investimento. Porém, diz Keynes, a relação entre o consumo e
a taxa de juro é complexa e incerta, pois nalguns casos, dada a
propensão aoconsumo ser satisfeita com subidas da taxa de juro, em
outros casos será debilitada. No longo prazo, todavia, é provável que
mudanças substanciais na taxa de juro, modificando os hábito sociais
consideralvelmente, afectem a propensão subjectiva a gastar. Embora
apenas a experiência indicará a movimentação e a direcção da mesma. No
curto prazo, todavia, é provável que a taxa de juro tenha muita
influência sobre os gastos, em qualquer sentido. O efeito mais
importante da taxa de juro opera-se sobre a valorização e desvalorização
de valores e de outros bens, sobretudo por razões inesperadas, pois
estas podem influenciar a despesa actual.
[38] Se a política fiscal é utilizada como instrumento deliberado a fim
de conseguir maior igualdade na repartição dos rendimentos, o seu efeito
sobre o aumento na propensão ao consumo é tanto maior. Por isto, o
consumo é uma função do rendimento e das expectativas que os indivíduos
tem sobre esse rendimento. Deve considerar-se, também, o efeito sobre a
propensão global ao consumo, as acções do governo tendentes a criar uma
poupança social, destinada ao pagamento de dívidas.
[39] Pode-se considerar este factor em termos formais, pois se afecta a
um indivíduo, pode ser neutro em termos da comunidade.
[40] A função consumo pode ser considerada estável, sempre que tenham
sido eliminadas as mudanças na unidade salários. As variações
imprevistas no valor dos bens de capital podem provocar uma variação na
propensão ao consumo, e as modificações substancias na taxa de juro e a
política fiscal podem provocar também alterações. A soma que a
comunidade gasta em consumo depende de um conjunto de factores: 1) do
montante do rendimento; 2) outras circunstâncias objectivas que o
acompanham; 3) das necessidades subjectivas e as inclinações
psicológicas e hábitos dos indivíduos, assim como dos princípios segundo
os quais, o rendimento se divide entre eles, as que sofrem modificações
quando aumenta a produção.
[41] C = f(Yw,N).
[42] Este raciocínio é valido no curto prazo, como no caso conhecido das
flutuações cíclicas do emprego . "The Fundamental psychological law,
upon which we are entitled to depend with great confidence both a
priori from our knowledge of human nature and from detailed fact of
experience”, Idem, p. 96.
[43] Idem.
[44] A dinâmica para qual Keynes chama a atenção é a de um desequilíbrio
permanente, entre rendimento, consumo e investimento, sendo esta
dificuldade crescente a medida que aumenta o capital. É que os novos
investimentos de capital apenas realizar-se-ão, como excedente do
desinvestimento, se se espera que a despesa de consumo aumente no
futuro.
[45] Este último aspecto pode ter mudado porquanto hoje o financiamento
do desemprego é realizado com recurso a fundos de poupança forçada, que
aumenta a poupança em vez de diminui-la.
[46] Sobre os factores subjectivos que impulsam os indivíduos a
abster-se na despesa dos seus rendimentos e portanto a formar poupanças,
Keynes considera os seguintes: 1) formar reservas para contingências
imprevistas (motivo de precaução). 2) arbitrar entre a estrutura das
necessidades presentes e futuras, fornecidas pelo rendimento( motivo de
previsão). 3) abdicar do consumo imediato; menos consumo no presente,
maior no futuro (motivo cálculo). 4) gradualização das despesas
prevenindo melhoramentos progressivos( motivo melhoramento). 5)
precaução não explicada ( motivo independência).6) para efeitos de
especulação ou negócios( motivo empresa).7) para heranças das futuras
gerações( motivo orgulho). 8) avarícia irracional( motivo avarícia).
Outros motivos de poupança derivam-se da conduta dos governos,
instituições e sociedades de negócios, que levam a aumentar a poupança
por motivos semelhantes, mas não idênticos aos dos indivíduos. Podem-se
sumariar os seguintes: 1) o motivo empresa a fim de aumentar o
autofinanciamento. 2) o motivo liquidez que assegure disponibilidades
para emergências, dificuldades e depressões. 3) o motivo melhoramento,
praticado pelas administrações dos negócios gradualizando a obtenção dos
rendimentos, prevenindo-se das críticas. 4) a prudência financeira, que
cria reservas financeiras que excedam o custo de uso e o suplementar,
amortizando dívidas, adiantando-se na recuperação do custo do activo, em
relação a taxa real de depreciação e obsolescência. A força desta
motivação dependerá da quantidade e o carácter do equipamento produtivo
e da rapidez das mudanças técnicas.
A força de todos estes motivos, variará conforme as mutações nas
instituições e a organização da sociedade económica que pressupormos,
segundo os hábitos formados pela raça, a educação, os convencionalismos,
a religião e as correntes morais, segundo a esperança e a experiência,
segundo a escala e a técnica do equipamento produtivo, e segundo a
distribuição da riqueza e os níveis estabelecidos.
[47] Idem, p. 136.
[48] Desenvolvendo a teoria das expectativas, Keynes agrupa as
expectativas em dois grupos: i) as expectativas de curto termo, são as
expectativas que se reflecte nas previsões dos produtores, considerando
o tempo que decorre entre a iniciação da produção e as vendas actuais
dos bens acabados. Estas expectativas se referem à produção de bens de
consumo, enquanto que os produtores de bens de capital consideram as
encomendas das empresas; ii) as expectativas de longo prazo se
relacionam com as compras de bens de capital e se referem aos retornos
esperados.
As realizações das expectativas devem ser consideradas na determinação
de expectativas e acções subsequentes, pelo que o estado do output
corrente depende das expectativas passadas. Uma mudança nas expectativas
de curto prazo prova que pode ter sido errado iniciar a produção, embora
uma vez que teve início a produção e que se incurriou em despesas, mas
vale continuar.
[49] Idem, p. 143.
[50] Idem p. 49-50.
[51] Idem p. 49-50.
[52] "cannot be checked in the light of realized results “. Idem, p. 51.
[53] Nesse sentido a bolsa se transforma, segundo Keynes, na Nemesis dos
comportamentos aberrantes. Se a bolsa for considerada como uma
instituição cuja finalidade social é guiar novos investimentos por
caminhos mais produtivos, em termos de rendimento social, então ela
deveria ser reformada com o fim de restituir o investimento de longo
prazo.
[54] Idem, p. 162-163.
[55] Existem empresas cujo rendimento provável está determinado pêlos
rendimentos do futuro próximo. Existem investimentos de longo prazo que
podem ser sujeitos a compromissos entre as partes interessadas, como no
caso da construção de habitação. Um outro caso o constituem os
investimentos de longo prazo do sector público, que garante os
rendimentos dada a posição de monopólio que ocupam, determinando as
margens necessárias ou estipuladas na consecução desses rendimentos,
para além de que baseiam-se em necessidades humanas crescentes, como a
energia, a agua, os transportes, as comunicações, os serviços públicos.
Por último, existem investimentos do sector público com carácter social,
independentemente da sua produtividade comercial, onde o cálculo dos
rendimentos não necessariamente iguala a taxa de juro, embora esta
última possa ser importante no papel sobre a determinação do volume de
operações de investimento que possa suportar.
[56] Idem, p. 367.
[57] Idem, p. 169.
[58] Keynes tinha produzido um argumento parecido no `Treatise`. A
diferencia reside em que enquanto no Treatise, a preferência pela
liquidez, dado o sentimento bear(baixista), que gerava a procura por
motivos especulativos relacionava o preço dos activos e as dívidas com a
quantidade de moeda, na Teoria Geral relaciona a taxa de juro, o preço
das dívidas, com a quantidade de moeda.
[59] Keynes infere é que a quantidade de moeda é outro factor que
combinado com a preferência pela liquidez, determina a taxa real de juro
em circunstâncias dadas. Podemos dizer que Keynes resolve dois
problemas: de uma parte estabelece a causa do juro e a sua medida, e de
outra introduz a quantidade de dinheiro no mecanismo económico. Keynes
afirma que existem pessoas que mesmo admitindo que a taxa de juro nunca
seja negativa mantém uma quantidade de liquidez, sacrificando assim a
vantagem de obter uma recompensa
[60] Alias, o mesmo resultado pode ser visto se a preferência pela
liquidez é medida em unidades salários. Uma descida na taxa de juro que
provoca um aumento do emprego, pode fazer com que o valor da unidade de
salários monetários aumente. i.e., uma absorção de moeda maior para o
motivo de transacção, diminui a quantidade de moeda para outros motivos
e faz aumentar a taxa de juro.
[61] Idem, p. 173.
[62] Idem, p. 167.
[63] A procura do dinheiro está relacionada com aquilo que se chama
velocidade-rendimento do dinheiro. Esta mede a proporção de rendimentos
que o público determina manter na forma de efectivo corrente, de modo
que um aumento na velocidade-rendimento pode ser a indicação de uma
redução na preferência pela liquidez. Keynes chama-nos a atenção para o
facto do termo velocidade-rendimento conter implicitamente un equivoco,
pois pressupõe que a procura de dinheiro é, no seu conjunto,
proporcional ou têm uma determinada relação com os rendimentos. Se esse
pressuposto fosse assim, deveria aplicar-se apenas a uma parte das
disponibilidades em efectivo do público. Do que resulta que " it
overlook the part played by the rate of interest, Idem, p. 194. No
Treatise, como vimos anteriormente Keynes estudou a procura total do
dinheiro com o nome de depósitos para despesa de consumo, depósitos para
despesa de negócios e depósitos de poupança.
[64] Existe uma razão para conservar dinheiro, quando o intervalo que
media entre a recepção de dinheiro e a sua aplicação, induz os
indivíduos a conservar um dado montante de rendimento. O conceito de
velocidade-rendimento do dinheiro é pertinente a este respeito.
[65] O motivo negócio é similar ao anterior. Aplica-se ao intervalo
entre a receita das vendas e os custos do negócio. Trata-se do
efectivo(cash) conservado para cobrir o intervalo entre a compra e a
realização. A força desta procura dependerá do valor da produção
corrente e dos intervenientes no processo de produção
[66] É o motivo de resguardar-se face as contingências de gastos
imprevistos ou oportunidade imprevistos, ou conservar um activo com
valor fixo em termos monetários face a obrigações fixadas em dinheiro.
[67] Este é um motivo, diz o Keynes, que necessita muita atenção,
sobretudo, porque é importante na transmissão dos efeitos nas mudanças
na quantidade de dinheiro.
[68] A força destes motivos depende do desenvolvimento do sistema
financeiro e bancário.Utilizando os efectivos de maneira mas eficaz
aumenta a seguridade e diminui custos. Em circunstâncias normais, o
volume de dinheiro necessário para satisfazer o motivo transacção (i+
ii) e o motivo precaução (iii) é principalmente o resultado da
actividade geral do sistema económico e do nível dos rendimentos
monetários.
[69] Idem, p. 197.
[70] Será preciso saber a forma da função L(r) para determinar a taxa de
juro. Em correspondência a esses compartimentos de liquidez, teremos L1
e L2, as funções de liquidez. Sendo L1=f(Y) e L2=f(r), onde L2 depende
da relação entre a taxa de juro corrente e o estado das expectativas.
Temos: M= M1+M2 = L1(Y)+ L2(r). L1 é a função correspondente ao
rendimento Y que determina M1, e L2 é a função de liquidez da taxa de
juro r, que determina M2. Idem, p. 197.
[71] No caso mais simples, em que todos os indivíduos reagem de modo
semelhante e ocupam uma posição similar, uma mudança nas circunstâncias
ou nas expectativas poderá não ocasionar o menor deslocamento na
cedência de dinheiro.
[72] Idem, p. 200.
[73] É necessário esclarecer, diz Keynes, o conceito de velocidade-
rendimento. Não está claro se a velocidade-rendimento se define como a
proporção entre Y e M, ou como a proporção ente Y e M1. Keynes propõe
toma-la neste último sentido, i.e., Y e M1. Sendo assim, tomando como V
a velocidade-rendimento do dinheiro teremos: L1(Y) = Y/V = M1. Não
existem razões para supor que V é constante. O seu valor depende do
carácter da organização bancária e industrial, dos hábitos sociais, da
distribuição do rendimento entre as classes e do custo de conservar
liquidez ociosa. Mas no curto prazo pode ser considerado constante
[74] No capítulo XIII, Keynes referiu que a incerteza referente ao curso
futuro da taxa de juro é a única explicação inteligente da preferência
pela liquidez L2 que conduz a possessão de M2.
[75] Por exemplo, num pais ligado a um padrão ouro internacional, uma
taxa de juro mais baixa da que prevalece em toda parte, será observada
com desconfiança justificável; todavia uma taxa de juro nacional levada
a paridade com a mais alta que prevaleça em qualquer pais pertencente ao
sistema internacional, pode ser superior respeito àquela compatível com
o pleno emprego. Que era o caso da Inglaterra antes da saída do padrão
ouro em 1931.
[76] Títulos de dívida pública britânicos.
[77] I.e., pode haver uma taxa de juro menor. Este ´pode haver`, quer
dizer que se a preferência for absoluta, associada às expectativas de
que os preços não vão subir, a taxa de juro não desce. Mas isto Keynes
irá explicar em detalhe na versão final.
[78] Ibidem, p. 200 ?
[79] A superação dessas dificuldades viu Keynes no abandono do padrão
ouro que rigidizava a oferta monetária e não assegurava a estabilidade
do valor monetário, impedindo assim a descida da taxa de juro de longo
prazo.
[80] Esta potencialidade é concentrada na função de liquidez L2.
[81] Keynes defendia uma reforma na técnica de gestão monetária,
consistente numa uma oferta complexa por parte do banco central, de
comprar e vender a preços estabelecidos valores de primeira classe e de
qualquer prazo, em vez de um tipo único para os documentos de curto
prazo Esta é uma outra forma da proposta formulada no ´Treatise´ de
operações de mercado ´au autrance. Na prática, a medida do que é o ´
cash current´ no mercado varia nos diferentes sistemas, no sentido de
que o preço das dívidas que fixa o sistema é a que determina o preço
real do mercado.
Por vezes o preço é mais efectivo em uma direcção que em outra. Isto é,
o sistema bancário compromete-se à compra de dívidas a certo preço, mas
não necessariamente as vende a uma cifra que represente a diferencia com
a compra, obtendo um lucro de intermediação, embora não existem razões
para que o preço não deva fazer-se efectivo em ambos sentidos, com ajuda
de operações de mercado aberto.
[82] Este é um caso extremo, que nunca existiu na realidade, pela
renuência das autoridades monetárias a negociar com decisão em dívidas
de longo prazo. O seu significado implicaria que a autoridade monetária,
poderia obter empréstimos em escala ilimitada a uma taxa de juro
nominal. Existe uma interpretação do desemprego involuntário que reduz o
problema a um chamado " caso keynesiano". Segundo Modigliani " we have
the keynesian case, when the full employment equilibrium rate of
interest is less than r " ...e..."the demand for money as an asset is
infinitely elastic ", " Liquidity Preference and the Theory of interest
and money". Esta interpretação recebe o nome de "keynesian case",
justamente porque vai ao encontro da ideia antevisionária de Keynes
sobre o comportamento da taxa de juro no longo período. Tratar-se-ia de
um caso limite, o que equivale a dizer que a Teoria Geral se reduziria,
como contribuição teórica, ao estudo desse caso limite, interpretado
como a impossibilidade de fazer descer a taxa de juro para além de um
determinado nível por causa da armadilha de liquidez. O estudo da forma
da curva está associado a esse caso limite. É possível abordar por uma
outra óptica, os deslocamentos dessa curva de modo a explicar de outro
modo, mais geral, a existência do desemprego involuntário. Segundo esta
abordagem o desemprego involuntário existiria pelo facto de que, sendo a
taxa de juro baixa, embora maior que aquela que assegura o pleno
emprego, toda a tentativa de a baixar pela simples manipulação monetária
levaria os agentes a rever as suas antecipações, ajustando as suas
procuras de moeda de modo a absorver a moeda adicional. Ver F.
Modigliani, " Liquidity preference and the Theory of Interest and Money,
in Economica, Januar 1944, pp. 45-88.
[83] Idem, p. 222.
[84] Utilizando o exemplo do autor, pode-se esclarecer o argumento do
modo seguinte: se contratarmos por exemplo para o trigo um equivalente a
100 arrobas de trigo de entrega imediata 105 arrobas de trigo para serem
entregues a um ano prazo, podemos dizer que a taxa-trigo de juro é de 5
% ao ano. Assim para cada bem de capital teremos uma taxa-bem de juro,
medido em termos de si próprio.
A diferencia entre contratos futuros e à vista, cotizados no mercado,
sobre um bem, por exemplo o trigo, mantém uma relação definida com a
taxa de juro-trigo. Mas se o contrato futuro cotiza-se em dinheiro para
entrega futura e não para entrega imediata, isto têm a ver também com a
taxa monetária.
É preciso ver que as diferentes taxas não são iguais entre si, cada
taxa-bem é específica desse bem. Por outro lado, não necessariamente a
taxa bem e a taxa monetária coincidem. No exemplo de Keynes 100 arrobas
ao preço de 100 libras, com um contrato a um ano prazo, pode implicar
que custando 107 libras as mesmas 100 arrobas, medidas em taxa monetária
de 5 % implicará 105 libras de trigo. Mas as 105 libras de trigo ao
preço de 107 libras dá-nos 98 arrobas de trigo. Isto é, 100 arrobas de
trigo, representam em preços futuros 98 arrobas, segundo a cotização de
mercado. A taxa-trigo de juro é de - 2 % anual.
Isto leva-nos, diz o Keynes, a levantar o problema que existe uma taxa
de juro, que sendo a maior das taxas específicas seja aquela que marque
o passo das outras taxas de juros. Sem esquecer que é a maior das taxas
de juro àqual a emc deverá alcançar para produzir um bem durável.
[85] Ainda mais, pode ser que para duas moedas distintas não exista uma
taxa de juro igual . A taxa de desconto que iguala o valor presente da
série de anuidades de trigo ao preço actual de oferta desse bem, em
termos do bem-padrão escolhido, nos dará a EM do capital-trigo em termos
desse bem-padrão.
Consideremos a % anual da variação no valor do trigo em termos de
dinheiro; a eficiência marginal de um bem, que é x % em dinheiro, será
x-a % em termos de trigo.
[86] O que diferencia uma economia monetária e empresarial e uma
economia de troca ou de moeda neutral. Se nos propormos saber qual é a
taxa-bem de juro para um período dado, considerados vários bens. Tomando
cada um de cada vez como padrão, então os rendimentos de cada um devem
ser considerados como medidos en termos de si próprios.
[87]Uutilizando a notação de Keynes: q, medidos em termos de si
próprios, tem por base a sua contribuição a algum processo produtivo ou
por serviços a um consumidor. Os custos chamados, c, custos medidos em
termos de si próprios, carring cost; liquidez, l, a quantidade a pagar
pela segurança potencial de possuir o bem l.
[88] esta afirmação apenas faz sentido se considerarmos o presente.
[89] Tomem-se três bens, casa, trigo e dinheiro. Para o trigo, os
rendimentos e o prémio de liquidez são igual a 0, temos então que a taxa
de juro é igual a -c2; para a casa l e c são iguais a 0 pelo que a taxa
de juro é q1 e para a moeda, sendo c e q igual a zero, a taxa de juro é
igual a l3.
Para determinar os rendimentos esperados dos três bens, compatíveis com
o equilíbrio, devemos conhecer as mudanças nos valores relativos durante
o período. Considerando o dinheiro como moeda de conta, a percentagem de
valorização ( ou desvalorização) esperado para as casas a1 e do trigo
a2, teremos:
a1+q1
a2-c2
l3 as quantidades reduzidas a dinheiro como padrão de valor.
A procura dos possuidores de riqueza vai-se orientar à casa, ao trigo ou
ao dinheiro, segundo o critério de qual deles terá a maior taxa de juro.
Em equilíbrio a procura de casa, trigo em termos de dinheiro será tal
que a1+q1, a2+q2 e l3 sejam iguais. A escolha do padrão não influenciará
o resultado, pois uma mudança do padrão modificará todos os termos por
igual.
[90] Se a1+q1, a2-c2 e l3 são iguais, sendo por hipótese l3 fixa o
viscosa relativamente a q1 o -c2, isto implica que a1 e a2 aumentam
[91] de q1 e c2
[92] Em sentido estrito, qualquer taxa de juro de um bem pode descer
lentamente e não particularmente a do dinheiro, entendido que a teoria
deve ser geral. Isto é, a medida que a produção a custos conhecidos e
determinados no presente aumenta, a taxa de juro que baixa mais
lentamente é aquela que faz de propensão ao consumoe-maker, eliminando
produção de bens de outros bens, excepto quando os custos de produção
futuros prováveis aumentem em relação aos custos presentes.
[93] Idem, p. 229. Nesse sentido ao atribuir um significado particular à
taxa monetária de juro, a partida, faz-se enquanto habituamo-nos às
características especiais, que fazem que a taxa de juro monetária,
medida em unidades de si próprias, seja aquela mais resistente à baixa,
que as outras taxas, medidas no padrão monetária, quando a produção
aumenta.
[94] Um único reparo é preciso fazer relativamente a 1) e 2), é quando
uma mudança no valor do dinheiro ocasiona incerteza relativamente as
resistências a subida; no caso em que a1 e a2 se elevem, equivale a
dizer que um aumento no juro monetário em termos de taxas-bem, estimula
a produção de outros bens.
[95] Isto não implica aceitar que os salários sejam rígidos, mas
constatar que numa economia monetária os salários expressos em moeda são
sujeitos a revisões que considerem o rendimento e a propensão ao
consumo.
[96] Idem, p. 233.
[97] Idem. p. 236.
[98] Idem, p. 237.
[99] Idem, p. 238.
[100] É importante observar que para Keynes o prémio de liquidez não é
um conceito absoluto, mas apenas destinado a jerarquizar e calcular,
junto com os custos de uso e de armazenagem, as conveniências de manter
uma ou oura forma de riqueza, dependendo em definitiva das práticas
sociais e das instituições. Nesse sentido é o precursor de uma teoria
portfolio da riqueza.
[101] Com ironia, Keynes sugere o remédio de por o banco central (a
fábrica de queijo) na tutela da autoridade governamental a produzir
queijo verde, como se fosse a mesma coisa que ouro, actuando pura e
simplesmente através da persuasão do público.
[102] Nas notas de Bryce aparece f2(r)= f3(M/W), i.e., o emprego na
indústria de bens de capital é uma função da oferta de moeda dividida
pelo nível das taxas de salário monetário. Fallgater e Salant esperassem
que dado W, N = N1 + N2 = f1(N)+f2(r)+f3(M/W), o que está errado, o que
alias resulta claro quando se compara as notas de Thring, ver op. cit.,
p. 126. O que Keynes quis dizer é que dadas as expectativas, uma
quantidade de moeda que modifique a taxa de juro pode ser realizada se a
taxa de salário monetário diminui, com o que a quantidade de moeda
aumenta, mesmo se fixa pela autoridade monetária, porquanto o motivo
transacção diminui libertando moeda para o motivo especulação, só que
como Keynes adverte nesta última lição de 1933, não pode aprofundar.
Tarshis escreve nas notas `why in hell` See Bob, idem, p. 126, nota de
página 69.
[103] Idem, p. 126.
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