1 – SOBRE A LUCRATIVIDADE - O objetivo de uma célula social não deve
ser só o lucro. Ele é, todavia, necessário para a economicidade, isto é,
a vitalidade e perpetuação da empresa através do tempo. Sem
lucratividade não há condição de se manter a continuidade, como, também,
uma planta não sobreviveria sem água, murchando, morrendo. Assim, também,
aconteceria com a empresa sem lucro. A lucratividade é o aumento efetivo
da riqueza pela dinâmica do capital e é necessária para a sobrevivência
da empresa, mas, não é só isto, a organização precisa ter uma visão
ambiental. Isto é, uma visão social e com o meio ambiente natural que é
seu entorno. Cada vez mais a empresa precisa se preocupar e se colocar a
serviço da comunidade onde está inserida. Há responsabilidade sócio-ambiental
da célula social na sociedade onde ela está, assim, como influencia o
entorno, este exercer, também, influência na empresa. Há uma constante
inteiração entre a célula social e o entorno. Isto é axiomático.
2 – SOBRE A RESPONSABILIDADE SOCIAL – A doutrina neopatrimonialista
enfoca o sistema da socialidade como um estudo sobre as necessidades
internas e externas da célula social. Internas quanto ao desenvolvimento
intelectual e o bem estar de seu pessoal e externa quanto ao cuidado com
a comunidade e a natureza, principalmente a organização que utiliza o
meio ambiente natural para sua economicidade. Essa tem a necessidade de
repor, quando possível, o que tirou da natureza. Por exemplo, uma
cervejaria utiliza a água para fabricar a cerveja. Ela tem a necessidade
de cuidar da água em sua pureza e repor para a natureza a água não
contaminada. Uma indústria de palito tem a necessidade de repor as
árvores que tirou da natureza, pois, se não fizer isto chegará o momento
que faltará a matéria prima para o desenvolvimento de sua atividade e
com isto a dificuldade de sua sobrevivência e prosperidade. A
preocupação com o desenvolvimento sustentável ou sustentabilidade, hoje,
é fundamental para a sobrevivência da célula social e de toda a
humanidade.
3 – SOCIALIDADE E EMPREENDIMENTO HUMANO - A empresa não é uma
instituição isolada, mas, parte da comunidade. Segundo o Prof. Lopes de
Sá, a célula social está contida em um todo complexo (natureza, seres e
sociedade humana, Estado etc.) e o patrimônio da mesma deve cumprir
objetivos que visem não só a satisfazer as necessidades próprias e
individuais, mas, também, as de interação com o entorno referido,
prioritariamente objetivando a beneficiar os fins humanos. Ainda,
segundo Prof. Lopes de Sá, o sistema da função patrimonial da
Socialidade tem por finalidade suprir necessidades sociais da célula,
através da produção de fatos da riqueza desta, volvidas a influir
beneficamente sobre os agentes transformadores do patrimônio, quer
internos, quer externos, prioritariamente com objetivos humanos e
altruístas, coerentes com a consciência social, embora, também, em
decorrência, disto, podendo extrair proveito próprio. Se houver
prosperidade patrimonial da célula social ela beneficia a comunidade por
gerar novos empregos, atrair empresas fornecedoras, ampliar seus
negócios, aumentar sua expansão com filiais na comunidade onde está
inserida, como, também, em outras cidades, auxiliando seu pessoal na
capacitação intelectual por meio de cursos, poderá, também, em
decorrência, dar mais estabilidade ao pessoal interno, pagar melhores
salários aos empregados, aumentar sua contribuição com o governo etc. Há,
também, por parte de alguns empresários, maior cuidado com o meio
ambiente natural, há meio patrimonial (capital) que se pode aplicar para
evitar a poluição da natureza e criar um ambiente favorável e saudável à
comunidade.
4 – SOCIALIDADE E AMBIENTE NATURAL - Atualmente se amplia à visão
teórica e prática para alcançar os problemas atinentes ao ambiental
natural da empresa. Há preocupação do empresário com o entorno. A visão
social não é nova, pois, Carlo Ghidiglia, o gênio do Controlismo,
reconheceu que a ¨influência dos fatores exógenos, ou seja, o social, os
econômicos, opera-se de forma diferente em cada lugar, dependentes que
são dos psicológicos e de tradições de cada povo e que tudo isso tem
repercussão na vida da riqueza¨. (Prof. Lopes de Sá. História Geral e
das Doutrinas da Contabilidade pg. 85). Dietrich (1914) da escola
aziendalista da Alemanha e Schmalenbach (1919) da escola reditualisata,
também, da Alemanha defendia que a Azienda devia ter uma visão social.
(Prof. Lopes de Sá, Historia Geral e das doutrinas em contabilidade, São
Paulo, Atlas, 1997). Mais recente Llena (lá responsabilidad social de lá
empresa (2001) www.5campus.com ) ensina que ¨a empresa pode influenciar
de uma forma significativa a comunidade¨. São várias as variáveis onde a
empresa influencia a sociedade. Todas as atividades devem envolver
cuidado com o meio ambiente social e natural, funcionários, fornecedores,
consumidores e o ambiente natural. A célula social que não incluir a
variável sócio-ambiental não se torna rentável. O consumidor está atento
para consumir produtos da empresa que tenha uma visão sócio-ambiental e
uma visão humana com seu consumidor, também, que tenha a preocupação com
a qualidade, preço de seus produtos, com a ética, com a transparência e
que sejam isentos de agrotóxicos chamados produtos orgânicos, segmento,
esse, de algumas empresas. Cada vez mais o cliente procura os produtos
sem veneno, pois, sabe que eles prejudicam a saúde. Em paises como
Alemanha, Inglaterra e outros os consumidores buscam produtos orgânicos
e os consumidores brasileiros, também, estão se voltando aos produtos
isentos de agrotóxicos.
5 – PROSPERIDADE E SUSTENTABILIDADE - Os empresários, os cientistas da
Contabilidade, estão preocupados na atualidade, mais que outras épocas,
com os problemas que agravam a ocorrência da prosperidade, especialmente
no que esta deve harmonizar-se com os interesses da vida do planeta.
Isto é, com um crescimento da empresa constante, mas, sem agressão a
natureza uma vez que se chegou ao limite de saturação na Terra. Hoje, já
se fala em homem-ecológico, pessoa voltada à preservação da natureza.
Inicia-se, assim, uma nova era onde o homem se preocupa com sua casa, a
Terra. O que se observa é um aumento de preocupação do empresário e da
comunidade em deixar a casa limpa de poluição. Isto porque o homem vem
constatando a destruição que fez, vem fazendo, em nome do progresso, na
sua casa e percebe a urgência de colocá-la em ordem. Alguns cientistas
contábeis estão pesquisando a chamada contabilidade ambiental (termo não
muito feliz porque ambiental significa também o social) onde se ¨pensa¨
sobre o fenômeno contábil ambiental natural. Há uma preocupação séria
dos empresários em cuidar cada vez mais do entorno. O Conselho Federal
de Contabilidade comanda hoje uma campanha de alerta e apoio às
empresas. O cientista Lopes de Sá proclama e confirma tudo isso desde a
década de 70 do século XX quando afirmou em sua obra que a finalidade da
Contabilidade é a Prosperidade com respeito aos valores humanos, quer
interna, quer externos ao patrimônio (obras Teoria da Contabilidade,
edição Atlas, São Paulo e Teoria General Del Conoscimiento Contable ,
edição ICAC, Madri).
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