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Não podemos esquecer que a organização é composta por pessoas, pela
riqueza e que essas pessoas movimentam esse capital. Essa dinâmica
constante do patrimônio vai influenciar a comunidade e o meio ambiente
natural em seu aspecto positivo ou negativo.
Assim, o patrimônio tem uma função social e ambiental.
Sabemos que a riqueza da célula social é influenciada pelo entorno como,
também, produz influência sobre a comunidade. Isto é axiomático.
Há uma interação constante entre o ambiente e o capital da célula
social.
Desde o século XVIII alguns estudiosos já observavam tal interação.
FUNÇÃO SOCIAL
Schmalembach, expoente da escola reditualista da Alemanha, defendia que
a azienda devia ter lucratividade e uma visão social.
Dietrich, da escola aziendalista na Alemanha, defendia que a azienda
devia ter uma visão social e que o lucro abusivo devia ser considerado
algo indesejável.
Llena (Obra identificada na bibliografia) diz que a empresa sofre a
influencia da sociedade como uma das principais instituições
socioeconômicas que a integram. Entre outros aspectos se vê influenciada
em:
- na estrutura organizativa
- nos processos de tomada de decisões
- em suas estruturas de poder.
Porém também a empresa pode influenciar a sociedade provocando
transformações na mesma através de sua própria configuração e exigências
como, por exemplo:
- a capacidade da empresa de cumprir as necessidades sociais influi nos
níveis de qualidade de vida da comunidade
- a estrutura e evolução da empresa também podem influir na sociedade.
E ainda diz: Tudo isso supõe que a responsabilidade social da empresa
adquire uma relevância significativa, que o despertar de maiores
responsabilidades pode significar transformações importantes na
sociedade atual.
A empresa inserida na comunidade é comparável a uma célula de um corpo.
A célula recebe influências e influencia o organismo no qual esta
inserida. Se a célula for normal ela é saudável. Se ela é anormal é
doente. Sabemos que um corpo é formado por células. Se todas as células
do organismo forem normais o corpo também será normal e saudável.
Há uma analogia, portanto, entre o orgânico e o social, fundamentada na
lógica matemática de que o total é uma variável dependente das parcelas
que o formam.
Assim, também, ocorre na comunidade, se toda célula social tiver saúde
patrimonial também a comunidade será saudável e próspera.
O Prof. Lopes de Sá demonstrou a preocupação social da Escola
Neopatrimonialista na sua magnífica obra Teoria Geral do Conhecimento
Contábil (IPAT-UNA, Belo Horizonte-MG, 1992) onde diz em sua síntese
filosófica: “Quando a soma da eficácia de todos os patrimônios implicar
na soma da eficácia de todas as células sociais, em regime de harmônica
interação, isto implicará, logicamente, na eficácia social, o que
eqüivalerá à anulação das necessidades materiais da humanidade”.
O patrimônio quando aumenta sua dinâmica por influência ambiental
exógena ou endógena, com eficácia e prosperidade, adquire capacidade
para auxiliar a outras células de finalidade ideal, como, por exemplo,
as instituições filantrópicas, pagar melhores salários ao seu pessoal,
contribuir com mais taxas e impostos ao governo, ampliar seus negócios,
aumentar a expansão com filiais na comunidade onde está inserida como em
outras cidades, auxiliando seu pessoal na capacitação intelectual por
meio de cursos e até aperfeiçoamento no exterior. Poderá, também, em
decorrência, dar mais estabilidade ao pessoal interno, as famílias
destes e a terceiros que em seu ambiente se beneficiam da prosperidade
patrimonial.
Quando a célula social tem expansão de seu patrimônio há benefício
social.
Quando a célula social diminui a força funcional de seu patrimônio há
prejuízo social.
A tributação do governo, o aspecto legal, a falta de conhecimento do
empresário e do pessoal tem levado, em nosso país, a célula social a
diminuir seu patrimônio, como, também, até a desaparecer do mercado
criando problemas sociais e diminuição de arrecadação por parte do
próprio governo.
O maior número de células sociais no país é o de pequenas empresas e são
essas que devem receber mais atenção do governo pela sua fragilidade
patrimonial que possuem, carentes que são de incentivos para sua
economicidade.
Quando existe uma direção e pessoal competente o patrimônio tende a ser
eficaz, assim, também, pode ocorrer que uma direção e pessoal
incompetente leve a célula social à estagnação e até a desaparecer do
mercado.
São, ainda, poucos os empresários, todavia, que possuem consciência da
responsabilidade social do patrimônio. A maioria quando auxilia a
comunidade faz disto um marketing para atrair o cliente e vender mais.
Necessário, se faz, é mudar a mentalidade através de novos pensamentos,
com uma nova cabeça, alertam os estudiosos.
Deve haver uma mudança cultural do empresário, do pessoal e do cliente
para que o patrimônio possa exercer sua função social e é necessária a
inovação cultural daqueles que movimentam o patrimônio da célula social.
O capital por si só não se transforma. Isto é axiomático.
Não há dinâmica patrimonial sem a influência ambiental exógena ou
endógena a não ser em raras exceções.
Esta mudança de mentalidade deve estar voltada também para o ambiente
natural.
FUNÇÃO AMBIENTAL
Durante séculos e séculos o homem viveu em harmonia com a natureza
o que ele retirava do meio ambiente e o que ele devolvia não alterava o
equilíbrio ambiental.
Com a revolução industrial (Século XVIII) iniciou a agressão a natureza.
Consumiu-se de uma forma desenfreada os recursos naturais e a devolver a
natureza os resíduos desse consumismo.
Houve um desenvolvimento acelerado a qualquer preço, do setor
industrial, e não se mediram as conseqüências no meio ambiente natural.
Hoje, aí está o que todos conhecemos: tanto a sobrevivência do homem
como a do planeta estão, ambos, ameaçadas.
É interessante o que o Leonardo Boff escreve, sobre isto, em seu livro
Saber cuidar: Ética do humano-compaixão pela terra. “Cuidado todo
especial merece nosso planeta Terra. Temos unicamente ele para viver e
morar. É um sistema de sistemas e superorganismo de complexo equilíbrio,
urdido ao logo de milhões e milhões de anos. Por causa do assalto
predador do processo industrialista dos últimos séculos esse equilíbrio
está preste a romper-se em cadeia. Desde o começo da industrialização,
no século XVIII, a população mundial cresceu oito vezes, consumindo mais
e mais recursos naturais; somente a produção, baseada na exploração da
natureza, cresceu mais de cem vezes. O agravamento deste quadro com a
mundialização do acelerado processo produtivo faz aumentar a ameaça e,
conseqüentemente, a necessidade de um cuidado especial com o futuro da
Terra”. (Ver pg. 133).
Há séria ameaça de contaminação da água a nível mundial.
Há séria ameaça de extinção de várias espécies de árvores, de animais,
de aves, de peixes e inclusive do tubarão.
Urgente se faz em reverter esse quadro de destruição pelo uso inadequado
dos recursos naturais.
Faz-se necessário rever nossos hábitos de consumo, de cuidado com o
local onde vivemos, importa desenvolver um cuidado especial com a
natureza.
“O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNU-MA), o Fundo
Mundial para a Natureza (WWF) e a União Internacional para a Conservação
da Natureza (UICN) elaboraram uma estratégia minuciosa para o futuro da
vida sob o título:” “Cuidando ao planeta Terra” (Caring for the Earth
1991). Aí estabelecem nove princípios de sustentabilidade da Terra.
Projetam uma estratégia global fundada no cuidado:
1. Construir uma sociedade sustentável.
2. Respeitar e cuidar da comunidade dos seres vivos.
3. Melhorar a qualidade da vida humana.
4. Conservar a vitalidade e a diversidade do planeta Terra.
5. Permanecer nos limites da capacidade de suporte do planeta Terra.
6. Modificar atitudes e práticas pessoais.
7. Permitir que as comunidades cuidassem de seu próprio meio-ambiente.
8. Gerar uma estrutura nacional para integrar desenvolvimento e
conservação.
9. Constituir uma aliança global.”(Ver Boff, pg. 134)”.
Os estudiosos, preocupados com o meio ambiente, criaram a auditoria
ambiental, a contabilidade do meio ambiente, a gestão ambiental etc.
Hoje existem, também, organizações que se preocupam com os aspectos da
produção e dos resíduos inerentes.
Dentre as organizações que se preocupam em elaborar relatórios
ambientais encontram-se a The Canadian Institute of Chartered
Accountants-CICA, World Industry Coucil on the Environment-WICE, Public
Environmental Reporting Initiave-PERI, United Nation Innternacional
Working Group of Experts on International Standards of Accounting and
Reporting-UNISAR.
A cada dia que passa se intensificam os relatórios ambientais assim como
a conscientização do desenvolvimento sustentável. O progresso deve
ocorrer, mas sem agressão ao meio ambiente natural.
Também, há uma crescente conscientização da direção e do pessoal da
célula social para não agressão à natureza.
A célula social tem uma função de preservar o meio ambiente natural onde
a mesma está inserida, pois, o uso do capital não pode prejudicar a vida
das pessoas, dos seres, da natureza no presente nem no futuro.
Sobre isto ensina o Prof. Lopes de Sá: (Obra identificada na
bibliografia) “Estamos diante de um processo de degradação dos níveis de
vida naturais que podem, em breve tempo, inviabilizar a existência do
homem sobre a terra, se prosseguirem as agressões ambientais”.
Sabemos que a dinâmica patrimonial influencia o meio ambiente natural e
este transforma o capital.
O Prof. Lopes de Sá leciona (Obra identificada na bibliografia) “O
entorno ecológico transforma-se com o transformar da riqueza das células
sociais e a riqueza das células sociais se transforma com o transformar
do entorno ecológico”. E ainda diz: “... há uma inequívoca interação
transformadora entre o ambiente natural e o patrimônio das células
sociais”.
O patrimônio, tão como o ecológico, sujeita-se a transformação dentro
das leis de interação que entre ambos existe.
Há, hoje, uma conscientização a nível internacional, tão como em nível
de comunidade da necessidade da preservação da natureza. Há necessidade
urgente da preservação em virtude da sobrevivência do homem e do planeta
terra.
Existem empresas que dependem da natureza para ter economicidade e se
perpetuar, tal como ocorre com as espécies na biologia.
Uma fábrica de papel que tem a madeira como matéria prima depende da
existência da árvore. Ao utilizar a madeira ela deverá devolver a
natureza àquilo que dela tirou plantando árvores, se não o fizer chegará
o momento que haverá escassez de matéria prima, assim, prejudicará o
andamento da dinâmica da riqueza e o meio ambiente natural.
Entre o fenômeno patrimonial e o fenômeno ambiental deve existir
reciprocidade de eficácia.
A aplicação de recursos (fenômeno patrimonial) em açudes de decantação,
onde a água poluída pela dinâmica patrimonial é despoluída (fenômeno
ambiental) e é devolvida à natureza é um exemplo da reciprocidade
aludida.
Para demonstrar as aplicações de recursos na comunidade e na preservação
do meio ambiente criou-se um demonstrativo social.
BALANÇO SOCIAL
O balanço denominado “Social” tem por objeto demonstrar as situações
decorrentes dos fenômenos circulatórios ambientais.
Isto é, trata-se de peça contábil que evidencia o que a célula social
agregou a comunidade, ou seja, o que pagou para o aprimoramento do
pessoal, para a conservação do ambiente natural, ao governo, aos bancos,
as instituições não lucrativas, o que remunerou os acionistas etc.
Ensina o Prof. César: (2000) “O balanço social é a agregação dessas
informações, tendo como objetivo traduzir a contribuição das empresas em
benefício da sociedade, informando-lhe seus resultados sociais, além de
ser um instrumento gerencial de apoio a administração, tudo isso numa
fase de evolução dos planos de contas”.E ainda diz: “O balanço social
deve demostrar, claramente, quais as políticas praticadas e quais os
seus reflexos no patrimônio, objetivando evidenciar a participação das
mesmas no processo de evolução social”.
CONSIDERAÇÕES CONCLUSIVAS
É fundamental uma conscientização de mudança cultural no ambiente da
célula social em relação ao seu entorno e a comunidade precisa de uma
transformação cultural para que a vida possa ser de melhor qualidade.
Urgente se faz, também, o cuidado com a natureza.
E sobre isto ensina o Prof. Lopes de Sá: (Obra identificada na
bibliografia) “Pouco adianta, para fins humanos, que estejamos a apenas
demonstrar que se investiu tanto ou quanto na solução de problemas
ecológicos ou em interesses sociais, se não conhecemos, pela reflexão,
as bases lógicas de uma interação entre a célula social e os seus
entornos, entre a empresa e o meio em que vive, entre a instituição e a
sociedade”.
O Neopatrimonialismo contábil tem uma visão holística e se preocupa com
a prosperidade, com eficácia, do patrimônio da célula social para que a
comunidade tenha qualidade de vida e, assim, ocorre o bem estar das
pessoas.
BIBLIOGRAFIA
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