1 - A BUSCA DO OBJETO CONTÁBIL, CONQUISTA DA MENTE HUMANA
As conquistas da mente humana sempre provocaram profundas transformações
de cunho individual e social. As primeiras transformações da mente,
aquelas do individuo em particular, concernem à maneira de pensar, de
aprender, de entender as coisas que investiga; as segundas
transformações da mente, aquelas coletivas, são as sociais, ou, as que
provocam metamorfoses na sociedade em geral.
Sempre as conquistas da mente humana tiveram dois efeitos, o primeiro
deles, seria no individuo, o segundo deles, seria na sociedade em que
vive e todas estas transformações estavam relacionadas com o
conhecimento humano superior, ou seja: a ciência.
Quando o Italiano Vincenzo Masi (Apud – Viana 1971), em meados do
primeiro qüinqüênio do século XX, proclamou a contabilidade, como a
ciência do patrimônio das aziendas, grandes transformações iriam ocorrer
no universo contábil, tanto na substância de seu conhecimento, como nas
influências sociais, que este mesmo conhecimento haveria de providenciar
e emitir com o passar dos anos.
Conquista recente e real do conhecimento contábil, foi aquela, que
diferenciou a técnica de produzir os registros e demonstrações, com a
forma de se estudar o patrimônio. Uma coisa é a escrituração específica,
outra coisa é o conhecimento contábil, conceito mais abrangente.
Enquanto a escrituração tem a função de memorizar historicamente, os
fatos já acontecidos, o conhecimento contábil tem a finalidade de
explicar estes acontecimentos, tendo como ângulo e medida, a comprovação
e promoção da eficácia patrimonial.
Portanto, o pensamento de Masi (1968) inclinava os estudos para os
fenômenos da dinâmica patrimonial, isto porque, o nosso objeto de
estudos, não seria as cifras numéricas e denominativas, mas os fenômenos
que elas representavam. O fenômeno patrimonial é o centro dos estudos
contábeis. A informação é apenas um instrumento, para que se chegue ao
conhecimento deste objeto.
O mesmo aconteceu na física. Quando se estudava a matéria, se estudava
os fenômenos que lhe provocavam o movimento, e, não simplesmente, a
forma que expressava a matéria. Neste intuito que Issac Newton
(1642-1727), criou as suas três leis do movimento, criando também a
teoria da gravitação universal. Contudo, todavia, os estudos de Newton
conseguiram estas conquistas, porque centralizavam os seus esforços na
substância dos fenômenos, e não na sua forma aparente.
Estudamos na contabilidade, os fenômenos de vendas e compras de
mercadorias, os fenômenos de estocagem, de circulação, de rotação dos
elementos financeiros, de cessão de créditos, de contração de dividas,
de produção, de desvio de capital, de aplicação financeira, de retorno
do Ativo, de capitalização, de entradas e saídas financeiras, de
proporção, de prosperidade e muitos outros. Todos os fenômenos, que
fazem parte da estática e dinâmica patrimonial, são estudados por nossa
disciplina.
Outra conquista que seria primordial em nossa disciplina, pois, viria a
embrenhar os estudos sobre os fenômenos patrimoniais, requeridos por
Masi, seria a doutrina Neopatrimonialista de criação do Doutor Antonio
Lopes de Sá (1992), cujo teor já se provou ser forte, para enfrentar as
transformações do tempo e para aperfeiçoar as idéias desse cientista
italiano.
O centro de estudos do Neopatrimonialismo está nas essências do nosso
objeto, ou seja, no fenômeno patrimonial. Tamanha foi a consideração
para o nosso objeto de estudos, que o Neopatrimonialismo prefere
privilegiar a essência, do que a forma, apesar de nunca menosprezar esta
última condição.
Estudo concreto na contabilidade, é o que privilegia os acontecimentos
do seu objeto, de maneira, a produzir as explicações sobre a sua
natureza, sua formação, sua procedência, para assim, saber porque e em
que condição, tal fenômeno existe e acontece, qual seria a sua expressão
ou variável componente, donde ele provém, o que ele provoca no
patrimônio e a sua relação com a sanidade patrimonial.
A contabilidade não permite mais despender estudos exclusivos, sobre os
tipos de lançamentos, métodos de registros, informações contábeis e
expressões de contas. Não; Isto faz parte de nosso conhecimento, mas, a
contabilidade já transcendeu esta fase; a informação é uma coisa do
passado como dizia Sá (2001), uma parte de nossa história.Hoje a
disciplina contábil é muito mais do que isto; hoje a contabilidade é e
está no estágio ou no patamar da filosofia do conhecimento.
Já se passou a fase, aonde a base, o fundamento contábil, era a
experiência e a observação. A razão intrínseca da contabilidade somente
existe, quando está alheia a uma mecânica contábil. A razão de nosso
conhecimento está na mesma razão do nosso objeto, nas relações que
formam este nosso alvo de estudos: o fenômeno patrimonial.
2 - AS RELAÇÕES DE UM FENÔMENO
A astronomia, a filosofia, a engenharia, a medicina, a história, a
física, a sociologia, a química, a biologia, são ciências que buscam
explicar com o espírito positivo, as relações que formam o seu fenômeno
de estudos. Todas as ciências superiores estudam o seu fenômeno, como
também, as relações que o formam.
Todos os bons espíritos desde Galilei (1564-1642) no século XVII buscam
as relações de um fenômeno, ou seja, como ele ocorre, como se forma, em
que forma, em que ambiente, qual seria o seu alcance, a sua finalidade,
a sua importância, etc. A proposta dos cientistas está em buscar os
raciocínios sobre os fenômenos específicos, independente de quais forem
as áreas de seu conhecimento.
Também um pouco antes de Galilei, o cientista Maquiavel (1531), já
estudava e explicava as relações que formam um governo político em sua
obra “O príncipe”, abordando sobre os seus direitos de governo,
discursando sobre os seus diversos aspectos de conquista, as formas de
se defenderem, de dominarem e terem o poder.
Na sociologia, o cientista alemão Norberto Elias (1897-1990), premiado
com diversos prêmios de literatura, entre estes, o prêmio europeu, de
nome Amalfi, por uma de suas obras de nome “Die Gesellschaft der
individuen”, na qual de maneira categórica, discursava sobre as relações
sociais entre o individuo e a sociedade em que vive; alegava, com
destaque, que não existe individuo que não possua relação com a
sociedade, sendo a recíproca verdadeira, conforme alguns trechos de sua
obra (Apud - Nepomuceno 2005):
“A relação entre os indivíduos e a sociedade é uma coisa singular...
Também sua estrutura não é outra coisa senão a das relações entre as
diferentes notas. Dá-se algo semelhante com a casa. Aquilo que chamamos
sua estrutura não é a estrutura de pedras isoladas, mas a das relações
entre as diferentes pedras com que ela é construída...”
Esta é a concepção do mestre alemão: de que não existe fenômeno
sociológico, que esteja alheio ao estudo das relações entre a sociedade
e o individuo; do individuo e a sociedade, pois, tal condição é lógica,
para os estudos avançados e superiores. No Brasil nomes da metodologia
cientifica, como Luckesi, Barreto, Cosma, Baptista (1989, p. 71),
abordavam que o objetivo de uma ciência está no estudo das relações que
forma o mesmo fenômeno, que é o seu objeto de estudos:
“Assim sendo, o conhecimento científico pretende esclarecer as
ocorrências factuais do universo, produzindo um entendimento de parcelas
do “mundo” descrevendo-as e criando as conexões lógicas e compreensíveis
entre os seus componentes. A partir das identificação descritiva dos
dados, estabelece-se um entendimento da realidade, pela verificação de
como cada coisa, cada fenômeno se nos dá, possibilitando sua
inteligibilidade a partir de seus contornos e elementos
constitutivos.”(O negrito é nosso).
Mas, na verdade o que são relações? Porque elas existem? Quais são as
suas finalidades? Quais são as suas utilidades? Como elas se processam?
Com quais condições elas ocorrem? São perguntas normais que o leitor
deverá esta se fazendo, mas tentarei explicar todas as perguntas,
pausadamente, adiante, nos parágrafos seguintes.
As relações de um fenômeno são as condições, em que se formam os mesmos,
determinando, a sua origem, procedência, natureza, dimensão, efeito e
demais características principais. Nas relações é que explicamos os
fenômenos, pois, é nestas, que eles se formam.
As relações podem ser concebidas como “razões”, que geram os fenômenos.
Ou seja, as relações são as justificativas racionais de um fato, que
fundamentam o raciocínio de uma gnose, porque geram os “porquês” da
natureza, dimensão e procedência do acontecimento em todo lugar e em
qualquer tempo, isto é, com abrangência universal.
Portanto, as relações além de serem condicionantes racionais da
faculdade formativa do fenômeno, são estruturas cognitivas produzidas
pelo raciocínio humano, quando este, em nível superior, consegue
determina-las de forma veemente e organizada, permitindo assim, o
aperfeiçoamento da alma de um conhecimento, que acaba privilegiando cada
vez mais, o estudo das essências do seu objeto.
Todas as ciências possuem relações que determinam os seus fenômenos; as
tais são produtos da estrutura pensante do ser humano num grau superior,
alheio à vulgar especulação cientifica, que não consegue organizar e
determinar as mesmas razões para o estudo e explicação do objeto
específico de uma matéria através do entendimento espiritual.
3 - O FENÔMENO PATRIMONIAL E AS SUAS RELAÇÕES LÓGICAS
Como vimos, todas as ciências estudam as relações ou as razões de seus
fenômenos, ou seja, estudam os “porquês” de como eles existem e
acontecem. Tais relações são responsáveis pela natureza, dimensão e
ambiente dos fenômenos. São, pois, características básicas de um
verdadeiro conhecimento, como o próprio Comte (1798 – 1857), abordou em
seu positivismo (Apud - Aranha, Martins 1993, p. 116):
“Enfim, no estado positivo, o espírito humano... renuncia... a conhecer
as causas íntimas dos fenômenos, para preocupar-se unicamente em
descobrir, graças ao uso bem combinado do raciocínio e da observação,
suas leis efetivas, a saber, suas relações invariáveis de sucessão e de
similitude. A explicação dos fatos, reduzida então a seus termos reais,
se resume de agora em diante na ligação estabelecida entre os diversos
fenômenos...”( O negrito é nosso)
Para Comte, as explicações dos fenômenos objetivados pelas disciplinas,
deveriam se achegar nas causas racionais, pois, a ciência superior,
teria a sua maneira de interpretar os acontecimentos desta realidade;
isto com absoluta autonomia; além destes aspectos o mestre acenava para
a conclusão de que o verdadeiro conhecimento estuda as “relações
invariáveis de sucessão e similitude” tal como disse.
Como a contabilidade é uma ciência superior, cientifica, positivista e
filosófica, ela busca as relações de seus fenômenos para obter a sua
razão, que é o fundamento da sua própria existência, como disciplina
cognitiva. Tal conquista só poderia ser obtida por uma doutrina que
pudesse explicitar tais aspectos, que se denomina Neopatrimonialismo,
que, para ser filosófico, necessita somente, alterar o seu nome: “Neopatrimonialismo”,
para “Neopatrimonialismo filosófico”.
Portanto, as relações dos fenômenos estudadas pela contabilidade, hoje
formam o estudo superior e avançado de nosso conhecimento, pois, são
fundamentos de nossa razão. Ou seja, só se explica adequadamente o fato
na contabilidade, quando se busca, para o seu entendimento, a inquirição
profunda das relações que formam: a essência, dimensão e ambiente deste
mesmo objeto, produtor de satisfação das necessidades patrimoniais,
sociais e conseqüentemente, humanas.
As relações dos fenômenos patrimoniais são basicamente três:
Ø As essenciais = Aquelas que constituem ser realmente a essência de
nosso conhecimento; são constituídas principalmente das sub-relações de
necessidades, finalidades, meios e funções. Esta relação é a substância
de nossos estudos.
Ø As dimensionais = Aquelas que representam as expressões dos fenômenos
patrimoniais, ou seja, aquelas que mensuram o fenômeno. São constituídas
praticamente das sub-relações de causa, efeito, qualidade, quantidade,
tempo e espaço. Nesta relação é que estudamos o grau do alcance, do
fenômeno patrimonial.
Ø As ambientais = Aquelas concernentes ás procedências dos fenômenos, ou
seja, os ambientes onde são gerados, acontecem, existem e produzem
efeitos. São divididas entre duas sub-relações: a endógena e a exógena.
Nesta relação, nestas condições e nestas ambientalidades é que os fatos,
vão se originar.
Portanto, nestas relações que produzimos e conseguimos o raciocínio
avançado da contabilidade, sobre os fenômenos patrimoniais. O
acontecimento na riqueza possui uma natureza, uma expressão e uma
ambientalidade. A natureza do fato é a essência; o que expressa o mesmo
é a dimensão; e o que o origina é o ambiente.
O objeto patrimonial possui uma essencialidade, uma dimensionalidade, e
uma ambientalidade, que formam juntas e ao mesmo tempo, as razões de
nosso conhecimento.Os maiores detalhes, sobre estas relações, sobre as
suas espécies e condições, descreverei e explicarei, no conteúdo dos
parágrafos seguintes.
4 - A RELAÇAO LÓGICA ESSENCIAL
As essências de nosso objeto, a substância de nossos estudos, a natureza
de nosso fenômeno, a alma de nossa ciência, está na relação lógica
essencial. Está nas essências, o nascimento do fenômeno patrimonial, o
seu objetivo, o seu produto e seu efeito; tal relação, sem menosprezar
as outras é a mais importante, porque mostra a razão profunda de nossas
elucubrações.
A natureza do fenômeno sempre foi a temática principal em qualquer
ciência. Na contabilidade a relação lógica essencial trata mais
detalhadamente sobre o fenômeno patrimonial.
Neste intuito que Sá (1992) produziu a “Teoria Geral do Conhecimento
Contábil”, abordando sobre esta temática principal de nossos estudos. Ou
seja, não é a política, não é a informação, que fundamenta a nossa razão,
como era no século XVII e XVIII. Não se pode crer nisso. O fenômeno
patrimonial que realmente é a origem de nossa razão, portanto, deve-se
refletir profundamente sobre as suas peculiaridades.
A relação essencial sempre existiu no tempo, desde a fase dos primeiros
ancestrais do homem: os antropóides, família, que viria a gerar os
hominídeos, uma forma inferior do “Homo Sapiens”. O homem, ou o ser em
evolução, sempre teve um sentimento fundamental para a sua sobrevivência,
que se chama necessidade. Portanto, a necessidade é a origem primordial
do fenômeno patrimonial e sempre o foi, durante os tempos, embora,
somente no final do século XX, tal condição, como relação, fosse
ressaltada pelo Neopatrimonialismo contábil.
A necessidade sempre teve um escopo determinado, embora, nem sempre o
fosse enfatizado pela estrutura cerebral e espiritual do ser humano.
Juntamente com a necessidade existia, portanto, uma finalidade. Com o
tempo a finalidade racional ficou consolidada. Ou seja, o homem, passava
a ter uma necessidade, que era organizada com objetivos racionais e
específicos, portanto, num processo concomitante com o surgimento da
necessidade surgia a finalidade.
Como existia a necessidade com uma finalidade específica, o que se
materializava para debelar esta necessidade, era o meio. Tal elemento
poderia ser material ou imaterial, mas, era um tipo, ou uma espécie de
riqueza pertencente a uma organização social, ou a um individuo. A
necessidade e a finalidade materializavam um objeto elementar, que
deveria ser utilizado.
Ao surgir o meio, este era utilizado, sendo movimentado, produzindo
assim, um efeito, ou produto determinado. O movimento do meio
patrimonial, ou a sua utilidade tinha que satisfazer as necessidades
humanas com objetivos específicos; e quando isto ocorria, o meio era
eficaz.
Portanto, a relação lógica essencial trata do fenômeno patrimonial, que
surge com a necessidade movida com uma finalidade específica, geradora
de um meio, que transmite uma função ou movimento propondo a satisfação
da necessidade originária de todo este mesmo processo. Nestas variáveis,
nestas sub-relações, que o fato surge e acontece, provocando desta
maneira, transformações pertinentes na riqueza aziendal.
São, pois, elementos da relação lógica essencial:
· A necessidade – é a carência de alguma coisa.
· A finalidade – é o objetivo racional da necessidade.
· O meio – é o elemento patrimonial
· Função – É o exercício do elemento patrimonial
Portanto, nestas variáveis, existem e acontecem os fenômenos
patrimoniais, pois:
o As necessidades originam e geram os fenômenos
o As finalidades dirimem os mesmos
o Os meios são os seus produtos materiais
o A função é a ação do fenômeno
Quando a função satisfaz a necessidade temos um estado que chamamos de
eficácia. A eficácia é um estado de sanidade patrimonial, perquirido
pelos estudos contábeis. Pode-se mensurar a eficácia pela seguinte
expressão matemática:
(Np®Fi) « (M®Fp) º (Fp®Np = 0) = Ea
Ea º (Np = 0)
Ou seja, a necessidade (Np) gera uma finalidade (Fi), que será relativa
na produção do meio patrimonial(M) que resultará na função (Fp), e
quando esta satisfaz a necessidade, produz então, a eficácia (Ea). A
eficácia, portanto, é relativa à igual satisfação da necessidade
patrimonial (Np = 0).
O patrimônio possui diversas necessidades. Existe a necessidade de
pagar, de gerar resultados positivos, de ter equilíbrio, de ser
sustentável, de sobreviver, de crescer, de evitar desperdício, de se
proteger contra os riscos, de colaborar com o ser humano, de circular,
de colaborar com a sociedade, etc.
Ao mesmo tempo, que existem as necessidades, existem as finalidades; ou
seja, existe também, a finalidade de pagar, de gerar resultados, de ter
equilíbrio, de sobreviver, de crescer, de evitar desperdício, de
proteger-se contra os riscos, de colaborar com ente – humano, de
contribuir com a sociedade, etc.
Os meios que surgem das necessidades com finalidades são também
diversos: os bens numerários, os bens de vendas, as provisões, as
reservas, os fundos de reintegração, as receitas, o capital social, os
bens de rédito, as marcas e patentes, as aplicações financeiras, etc.
As funções são enumeradas em oito tipos. São movimentos da riqueza. A
liquidez, a resultabilidade, a estabilidade, a economicidade, a
elasticidade, a produtividade, a invulnerabilidade, a socialidade, até
hoje são funções destacadas pelo conhecimento contábil.
Quando a função satisfaz a necessidade, existe então a eficácia, quando
ocorre o inverso, temos a ineficácia, portanto, pode existir, a eficácia
da liquidez, eficácia da resultabilidade, eficácia da estabilidade,
eficácia da economicidade, eficácia da elasticidade, eficácia da
produtividade, eficácia da invulnerabilidade e eficácia da socialidade
como também as suas ineficácias.
Nesta visão, temos uma organização sistemática. A visão dos sistemas de
funções que possuem necessidades, finalidades, meios específicos e
determinados, pelo conhecimento contábil (Veja figura 1):
Figura 1: Visão da Relação Lógica Essencial do Fenômeno Patrimonial

A relação lógica essencial, além de ser uma visão teórica é uma
orientação, pratica e objetiva do patrimônio. O fenômeno patrimonial
surge com a necessidade, que se dirime com a finalidade, que gera um
meio patrimonial, transmitindo uma função, produtora da eficácia quando
satisfaz a necessidade, que foi a base e o fim, de todo este processo
fundamental, fenomenal, básico, para os sistemas de funções
patrimoniais.
A razão essencial, de nosso conhecimento está, pois, nesta razão. A
relação essencial trata da substância de nosso objeto de estudos. É no
fenômeno patrimonial que temos a parte central de nossa investigação, é
na sua razão que encontramos o entendimento adequado. Esta é a natureza
de nossa cultura de grau superior. O arcabouço científico de nosso
conhecimento encontra-se, basicamente e centralmente, na explicação das
essências do objeto patrimonial fenomênico, embora, ela não seja
exclusiva no campo de nosso conhecimento positivista. Tratamos da
essência de nossa especulação racional, agora falemos das suas
dimensões.
5 - A RELAÇAO LÓGICA DIMENSIONAL
Outra razão inerente ao fenômeno contábil é a que tange ao seu alcance,
denominado dimensional. O objeto patrimonial, em potencial, possui uma
expressão. A dimensão é, pois, esta expressão, ou alcance do fato. Tal
relação incide à abrangência do acontecimento, ou seja, a sua extensão.
Tal relação é Hexadimensional, ou seja, possui seis faces de
abrangência. O fenômeno patrimonial possui uma origem, um produto, uma
espécie, um montante monetário e matemático, um tempo e um espaço. Ou
seja, a dimensão do fenômeno patrimonial, possui, uma causa, um efeito,
uma qualidade, uma quantidade, uma espacialidade e uma temporalidade.
O fenômeno patrimonial possui uma origem, uma causa matemática e
funcional, que gerou o mesmo em expressão. Toda origem supõe um efeito.
Ao surgir a causa existirá um produto; tal produto é o efeito. A causa e
o efeito são variáveis do princípio cientifico que rege a partida
dobrada e as demonstrações contábeis; tal princípio é aplicável também
às outras ciências, inclusive, as naturais.
Existe também uma espécie que dimensiona o fenômeno patrimonial; e tal
espécie se demonstra na substância e contra-substância da riqueza;
chamamos esta de qualidade. Todo acontecimento no patrimônio possui uma
qualidade. A venda de mercadorias, a aplicação do dinheiro, a máquina em
processo, o custo, o juro, o recebimento de crédito, são qualidades dos
fatos da riqueza.
Toda qualidade do fenômeno ocasiona uma quantidade, ou seja, um montante
numérico. Os valores, por exemplo, de $10.000,00 de um crédito, de $
20.000,00 dos produtos acabados, de $ 8.000,00 das dívidas, são
quantidades inerentes à qualidade dos fenômenos patrimoniais. Todavia,
também as quantidades físicas expressam o fenômeno patrimonial, ou seja,
1000 produtos acabados, 2 máquinas, 20 créditos, 10 promissórias a
liquidar, são expressões dimensionais quantitativas do objeto contábil.
Tudo o que acontece na riqueza, ocorre numa época, dentro do tempo, ou
seja, no tempo está uma outra dimensão do fenômeno patrimonial, pois,
este, possui uma duração. O tempo independe da experiência. Todo
fenômeno patrimonial ocorre nele, em simetria, cronologia, ou de até
mesmo de forma aleatória, com lapsos.
Todos ocorrem com e no tempo. Portanto, outra sub-relação é a
temporalidade.
Se o fenômeno ocorre no tempo, com velocidade ou lentidão, deve ocorrer
também no espaço. O espaço é onde tudo existe. O espaço independe da
experiência. A espacialidade é o “lugar” dimensional onde ocorre o
fenômeno patrimonial, sendo outra dimensão do objeto contábil.
Portanto, a visão da expressão fenomenal patrimonial, lógica, contábil,
é hexadimensional, ou seja, possue seis faces:
· Causa - origem do fenômeno
· Efeito - Produto do acontecimento
· Qualidade – Espécie ou substância do fenômeno
· Quantidade – Valor ou unidade do mesmo
· Tempo – Duração ou época do fato
· Espaço – Lugar onde ele ocorreu e ocorre
O raciocínio dimensional possui estas seis características, todas as
informações contábeis que procuram expressar o fenômeno ou o acontecido,
possuem em seu teor, uma causa, um efeito, uma qualidade, uma
quantidade, um tempo e um espaço. Estas são as abrangências do alcance
do acontecimento patrimonial das aziendas.
A informação contábil reflete esta hexadimensionalidade do fenômeno
patrimonial, tanto, em se tratando, dos lançamentos e registros, como,
em se tratando, das informações demonstrativas como as do balanço
patrimonial, balanço de resultados, etc.
Não quer dizer, contudo, que estudamos a informação contábil como um
objeto.
Não. Só queremos dizer, que a relevação é um instrumento que revela e
esclarece a hexadimensionalidade do fenômeno patrimonial. A informação
faz parte de nossa razão, mas não é a essência dela.
A forma teórica e sublime, que o neopatrimonialismo trata a
contabilidade, aborda aquilo que os grandes cientistas de nossa
disciplina abordaram, que a informação não é o objeto de nossa ciência,
contudo, como aquela faz parte da tecnologia de nossa gnose, estudamos a
sua razão pela relação que expressa o fenômeno patrimonial.
Ou seja, a doutrina Neopatrimonialista, na sua evoluída forma de pensar
e ensinar que ultrapassa a “filosofia da ilustração”, estuda como
objeto, o acontecimento da riqueza, o objeto patrimonial fenomenológico,
contudo, não esquece de ressaltar também a sua dimensão que produz uma
relação condicionante da sua formação.
A dimensionalidade do fenômeno patrimonial também faz parte de nossa
razão.
O raciocínio não está simplesmente na formalidade da informação, no
cálculo do registro, na forma ou maneira de registrar, na maneira de
calcular uma depreciação, no cálculo de um imposto qualquer; ou como se
produz uma demonstração; que e quais leis regem esta política; não é
isso a essência de nosso conhecimento; a doutrina como alma de uma
ciência, não se corrompe com a política que rege a contabilidade. O
conhecimento puro, não se rege com a informação muito menos com a
burocracia. O raciocínio superior da contabilidade não é política,
burocracia, forma, não é assim que se pensa em nossa disciplina.
A forma de pensar a relação dimensional do fenômeno patrimonial é
relativa à origem do fenômeno, seu produto, sua espécie, sua medida, seu
tempo e seu espaço. Ou seja, qual é a origem do fenômeno patrimonial?
Qual é o seu efeito? Qual é a sua espécie ou substância? Quanto existe
de medida do fenômeno? Quando aconteceu? Em que lugar? São requisitos
desta razão.
A razão da lógica dimensional, portanto, é relativa ao alcance físico e
metafísico do fenômeno. Saber o que originou e o que produziu o
acontecimento, o que foi, quanto foi, em que tempo, em que espaço são
variáveis dimensionais do objeto patrimonial. São expressões de uma
abrangência deste mesmo fato; é o seu alcance.
O raciocínio deve ser feito com relação as multifacetas que tomam o
fenômeno em sua ocorrência expressa nas informações. A razão pergunta,
explica, entende e analisa a dimensão do fato, não se conformando com a
sua singela produção pragmática, própria, dos simples animais ou
computadores irracionais.
6 - A RELAÇÃO LÓGICA AMBIENTAL
Muito nos interessa saber, quais são os ambientes que ocorrem os
fenômenos. Na verdade, os ambientes, são procedências, origens, que
causam os fenômenos patrimoniais, pois, dentro dos ambientes, que estão
contidos estes mesmos objetos. No ambiente é que se processa outro
aspecto de nossa razão, aspecto este, que muitas vezes foge do poder
volitivo e diretivo da azienda.
O que são os ambientes? São lugares ou espaços, que contém a riqueza
organizada. Existe uma espécie de ambiente que produz e controla os
fenômenos patrimoniais e existe uma outra espécie de ambiente que
interage com a riqueza, mas, produz fatos que ultrapassam o controle
administrativo, como que, a percepção da inteligência humana e vontade
gestorial.
As procedências dos fenômenos são relativas aos ambientes. Tais
ambientes acabam por conter a riqueza. Mas, o patrimônio produz
influência em todos os ambientes. Como o patrimônio é um objeto social,
os fenômenos patrimoniais são sociais. Nas ambientalidades existe todo
um complexo que também fundamenta nossa razão sobre o objeto contábil.
Dificilmente, existirá um organismo que não possua um regime interno,
que diz respeito à sua mesma estrutura, seu funcionamento, sua sanidade
e patologia, além de existir um organismo externo, que produz ou provoca
diversas influências no organismo interno. Todo organismo em qualquer
tipo de existência seja ele, de estrutura celular, vegetal, animal,
material, recebe influências de um outro organismo externo.
Foi neste aspecto, nesta linha de pensamento, que ao estudar o organismo
humano, o cientista e fisiologista Pavlov (1849 – 1936), descobriu e
comprovou, que as influências externas, emitiam um reflexo dentro de um
organismo. Um organismo qualquer seria, portanto, o resultado de uma
condição dos ambientes, e, apesar de tal cientista ser criticado, pelos
psicólogos, da época, que contestavam os parâmetros de sua pesquisa -
pelo fato de ser fisiologista -, tais criticas não lhe impediriam de
ganhar o prêmio Nobel de 1904, por suas importantes descobertas.
A lei que Pavlov (1972, p. 28) consagrou de que “um fenômeno exterior
definido condiciona variações determinadas no organismo”, abordava com
transparência sobre a relação do ambiente exterior, que, segundo este
autor renomado, seria a causa de diversos condicionamentos e reflexos no
organismo interno. Da mesma forma tal condição acontece com no organismo
patrimonial.
O saudoso professo Francisco D`auria (Apud - Franco 1973), dizia que o
patrimônio seria um “organismo vivo” sujeito às patologias e boa saúde,
cujo comportamento se exprimia por um efeito de funções, pois, existiria
“órgãos” neste organismo que fundamentavam toda esta ação.
O autor italiano Giovanni Rossi (Apud - Sá 1997), consagrou uma de sua
obras ao tratamento do ente-patrimonial, tal obra denomina-se “L`ente
econômico-administrativo” destacando semelhantes idéias.
Portanto, logicamente, com verdade, o “organismo” patrimonial, no seu
conjunto de órgãos, funções, finalidades especificas, possui uma
influência dos ambientes. A ambientalidade é uma relação lógica do
fenômeno patrimonial. Os ambientes são decisivos, importantes e
imprescindíveis na formação do fato, e o seu raciocínio e entendimento
não são inexeqüíveis no pensamento da contabilidade. A razão contábil
nunca pode afastar de seu processo lógico formal, a concepção das
procedências dos fenômenos contábeis, condições estas, complementares
para os estudos atômicos de nossa disciplina.A ambientalidade, na qual
provém os fenômenos contábeis, se divide em praticamente duas espécies:
· Ambiente endógeno
· Ambiente exógeno
Todos estes ambientes constituem ser as procedências do fenômeno
patrimonial.
O fato possui uma natureza e uma dimensão, mas, as razões dessas
condições de formação e alcance, existem contidas num ambiente.
Portanto, tal condição interna e externa desta importante relação é que
faz surgir os fenômenos patrimoniais.
O ambiente endógeno é o que se refere ao interior da azienda. A azienda
como célula social, produz fenômenos patrimoniais. Os principais fatores
internos que produzem os fatos contábeis, são os fatores pessoais,
administrativos e fatores provindos da natureza intrínseca da riqueza
(que denotam a perda de valor útil durante o tempo).
A administração como governo da riqueza, agente causante, dos fatos e
atos patrimoniais, promotora do controle administrativo, da organização,
planejamento, decisão e racionalização da operação do empreendimento, é
uma fonte de objetos contábeis. Os fatos no patrimônio quase sempre são
causados pelo governo gestorial do mesmo. A administração faz parte da
ambientalidade endógena do fenômeno patrimonial.
Porém, os fatores humanos, relacionados com o pessoal que trabalha no
empreendimento, também são responsáveis pela procedência e geração dos
fenômenos contábeis. A produção feita pelo trabalho humano, o
relacionamento interpessoal que afeta o desempenho patrimonial, a
cultura empresarial que melhora as vendas da empresa, a filosofia de
tarefas que evita o desperdício, a lucratividade que o funcionário
transmite para a organização, a comunicação, o capital intelectual
humano como causa dinâmica da riqueza, a qualidade do serviço, o auxilio
para o crescimento das famílias e da economia, e o beneficio social, são
alguns dos diversos fatores, ligados ao ser humano que possui relações
com o produto e a atividade aziendal, colaborando, desta forma, para a
produção dos fenômenos patrimoniais.
Também além do fator administrativo e humano, existe o fator da própria
natureza do patrimônio. A natureza da riqueza possui um contato
ambiental que permite influências na capacidade funcional dos seus
elementos componentes, como já dizia Viana (1971). Esta influência pode
aumentar ou diminuir o grau de dinâmica patrimonial. Os fenômenos de
depreciação, amortização, exaustão, mais – valias de ativos, reservas,
reavaliações, tendem a alterar, para mais ou para menos os elementos do
patrimônio aziendal.
Após as condições endógenas do ambiente, basicamente, relativas à
administração, causas humanas e natureza intrínseca do patrimônio,
existem os fatores exógenos. Tais fatores ultrapassam a percepção humana
e produzem, muitas vezes, mais influências na riqueza, do que os
endógenos.
O ambiente exógeno é aquele que envolve a azienda. São os fatores
econômicos e sociais que interferem na riqueza. Às vezes, as causas que
pertencem ao ambiente exógeno possuem mais importância na produção dos
fenômenos da riqueza. O exterior ambiental em muitas ocasiões deixa, o
interior aziendal incapacitado de controle, vontade e ação, pois, nestes
casos ele está submisso, mais naquelas relações do que nestas.
São diversos os fatores exógenos ambientais: são as condições de
mercado, concorrência, quartéis, monopólios, oligopólios, máfias, clima,
acidentes naturais, posicionamento geográfico, devastações ambientais,
chuvas torrenciais, terremotos, maremotos, explosões nucleares, guerras,
embargos econômicos, diplomacia, inflação, deflação, economia, sistema
tributário, taxa de juros, cultura, religião, agitações sociais, greves,
estados de sítio, etc. Todos estes fatores provocam ou influenciam os
fenômenos patrimoniais.
Ou seja, muitas vezes, quando existe uma harmonia no ambiente endógeno,
e uma desarmonia no ambiente exógeno da riqueza, este acaba predominando
sobre aquele. A administração interna pode controlar uma devastação
ambiental? O ser humano pode controlar uma série de greves e
reinvidicações? O controle interno pode dominar uma agitação social que
provoque uma guerra, ou um estado de sítio? O que acontece fora da
azienda, acaba produzindo, influências no seu interior, influências
estas, muitas vezes difíceis de se controlar, por serem mais
proeminentes.
Suponhamos que determinado governo político, implante uma ditadura.
Isto, já basta, para produzir inúmeros fenômenos patrimoniais,
relacionados com a forma de produzir informações contábeis, com as
normas contábeis, afetando a decisão administrativa e a natureza
patrimonial. Portanto, o regime ditatorial, produzirá fatos relacionados
aos custos, receitas, réditos, Investimentos e financiamentos, de forma
que transforme e altere a sanidade patrimonial.
Basta um governo implantar um novo imposto, para que este mesmo
fenômeno, produza dentro da empresa, alterações nos custos, nas vendas,
na circulação, nos lucros, na liquidez, na estrutura e vitalidade
patrimonial. O tributo como fator proveniente do ambiente externo, acaba
por produzir, transformações dentro da azienda, transformações estas,
que fogem da vontade do agente aziendal.
Existem fenômenos ambientais, que ultrapassam a vontade interna da
azienda, isto é: fogem do controle da administração. Por exemplo, pode
existir uma boa gestão administrativa em uma empresa rural, contudo, no
tempo da colheita, pode acontecer uma devastação natural, proveniente de
uma chuva de granizo, que destrói totalmente a plantação. Temos um
acontecimento proveniente do ambiente exógeno patrimonial, que independe
da vontade administrativa, fugindo assim, do poder endógeno do ambiente.
Nestes casos citados, existirão inúmeros fenômenos patrimoniais,
provindos do ambiente externo, que ultrapassa a ação interna do
ambiente. Por isso nem todo fenômeno patrimonial provém da administração
e fatores intrínsecos da azienda, em muitas das vezes, são mais
influenciados pelos fatores externos, do que por si mesmos.
São inúmeros os fatos que podemos enumerar, mas, fugiria dos limites
deste artigo citá-los todos. Mas, cabe a mim, ressaltar que o raciocínio
do fenômeno patrimonial, não se limita a sua essência e dimensão, mas
também compreende as procedências ou derivações ambientais.
Para analisar o patrimônio, não basta observar o fenômeno em si,
juntamente com a sua dimensão, deve-se, também, analisar o lugar, o
ambiente que gerou o objeto que provocou o estado de ineficácia ou
eficácia. Uma consultoria, que estuda os fenômenos patrimoniais, poderá
ser decisiva, quando concluir, que o estado específico da riqueza, é
produzido por uma condição do ambiente, endógeno ou exógeno.
O alcance do Neopatrimonialismo doutrina moderna da contabilidade,
presente na chamada era filosófica de nosso conhecimento, não consegue
fugir aos questionamentos das relações ambientais, tais lugares, são
onde procedem os fenômenos patrimoniais. È dentro dos ambientes que
ocorre o objeto contábil. A visão holística de nossa disciplina deve
figurar os entornos do patrimônio, relativos, à célula social e ao
organismo econômico.
A relação lógica ambiental traduz os lugares onde acontecem os
fenômenos, como partes do nosso estudo e compreensão. As razões dos
fenômenos patrimoniais, não podem ficar alheias às suas procedências, ou
seja, aos ambientes os fazem gerar; e a razão da contabilidade não
expurga tais condições.
7 - NOVOS ESTUDOS CONTÁBEIS
A contabilidade como ciência, fundamenta a sua razão de ser e de pensar,
nas condições alheias ao instinto e ao empirismo, atitudes, que por
tanto tempo esconderam a sua real qualidade superior; todavia, antes de
tudo, ela se fundamenta nas relações ou razões do surgimento dos
fenômenos patrimoniais. O espírito positivo da contabilidade não
consegue mais se apoiar no subjetivismo e na experiência, mas no estudo
puro do seu objeto: o fato patrimonial.
A conta ou informação do fenômeno patrimonial não pode ser mais
considerada como objeto de nosso conhecimento, mas sim, como um
instrumento que representa o mesmo. A conta apenas evidencia o fenômeno.
A sadia aspiração científica é aquela que busca, com satisfação, o
verdadeiro estudo das relações do seu objeto de estudos. E não somente
as suas representações formais - descritivas.
O fundamento da razão contábil, não permite vâs especulações, sobre os
informes e técnicas de registro. Não. O movimento gnosiológico superior
da contabilidade, nos últimos dois séculos, fez derivar diversas
doutrinas, entre elas: o patrimonialismo de Masi, e como uma
conseqüência deste, o Neopatrimonialismo de Lopes de Sá, que estuda de
forma essencial as relações que formam o fenômeno patrimonial.
A razão da contabilidade, não pode mais estar alheia às relações que
formam o seu objeto. O estudo contábil agora é diferente e profundo. Ou
seja, estudamos o fenômeno patrimonial, que surge com a necessidade,
raciocinada com objetivos determinados, que produzem meios diversos,
cuja utilidade gera movimentos, para satisfazer as mesmas necessidades
que o originaram, tudo isto, com dimensionalidades de causa, efeito,
qualidade, quantidade, tempo e espaço, dentro dos ambientes que envolvem
a riqueza e a célula social que chamamos de azienda.
Ou seja, o fenômeno patrimonial, não é um fruto da conta, mas, a conta
que é o fruto do fenômeno patrimonial. O raciocínio da contabilidade
deve ser feito nas essências, dimensões e ambientalidades que forma o
seu objeto, por serem estas, as razões para o surgimento do mesmo.
O novo estudo contábil, centraliza seus esforços, na compreensão do
fenômeno patrimonial, e os bons espíritos desde Coffy (1836) pregam
estas verdades. São nas relações dos fenômenos, que devemos fundamentar
nossa razão, porque estas são as razões que formam os mesmos. Tal
conquista Neopatrimonialista e evolutiva, é concernente à era cultural e
filosófica em que vivemos e vive a contabilidade atualmente.
8 – CONCLUSÃO
Toda ciência de cunho superior busca centralizar os estudos na
substância do seu objeto, ou seja, nos seus fenômenos de indagação, que
são produzidos por relações ou razões diversas e imprescindíveis para o
seu entendimento e compreensão.
A ciência contábil no seu nível positivo e superior, não permite
aspirações banais e esdrúxulas, sobre o seu objeto de inquirição, mas,
aceita com veemência o estudo das relações que criam o seu fenômeno,
constituindo ser, as próprias razões para o surgimento do mesmo, pois,
condizem à sua natureza, expressão e procedência.
As relações dos fenômenos patrimoniais são os instrumentos cognitivos,
que permitem fundamentar a nossa razão, no estudo e entendimento da sua
essência substancial, com a sua dimensionalidade, gerada dentro da
ambientalidade; razões e condições relevantes, para o estudo positivo e
superior, despendido pela contabilidade.
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Rodrigo Antônio Chaves da Silva
Contador e Pesquisador
Membro da Associação Científica Internacional Neopatrimonialista (ACIN)
Membro do Clube Tablero Comando de Balanced Scorecard da Argentina
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