1 - ANÁLISE PATRIMONIAL ATRAVÉS DE BALANÇOS
A análise de balanços surgiu sem resmulengos, quando os cientistas e
profissionais contábeis perceberam que os orçamentos, planos de contas,
registros, contas, demonstrações e demais informações, eram formas de
nosso conhecimento, portanto, caminhos e instrumentos para se obter as
razões dos fatos patrimoniais com planeza intelectual e proficiência.
As informações contábeis são realmente representações dos aspectos
estáticos e dinâmicos que pertencem à riqueza das empresas e entidades.
As demonstrações dos fatos se referem àquilo que se vai explicar, pois,
é vulnerável à reflexão e conhecimento. A relevação tal como Masi (1968)
explicou são os critérios para nos fazer conhecer os comportamentos dos
fenômenos patrimoniais.
O próprio Kant (1714-1825) no auge de seus pensamentos filosóficos,
dizia em sua critica a razão (Apud – Margenau, Berganimi 1966) que os
conceitos são derivados dos dados, entretanto, os dados sem conceitos
são “frios” e não representam utilidade, pois, em vez de serem
entendidos ou decifrados para o seu “aquecimento”, ocorre o contráctil
que deixa a informação “morta”; “gelada”, sem utilidade precípua para a
qual foi produzida; a contabilidade num caso como este fica sem o devido
e ideal efeito.
Ora, o próprio Casson parafraseado por Masi (Apud - Herrmann Júnior,
1972 Pág
45) perguntava: “Que conhece das cifras o indivíduo que conhece somente
as cifras?”, ou seja, não basta produzir balancetes, prestações de
contas, balanços financeiros, registros e guias de impostos, se estas
“cifras” não são suscetíveis ao raciocínio e explicadas pelo
conhecimento contábil, já que a informação é submissa a razão contábil.
Do mesmo modo que uma radiografia ou um outro exame qualquer é apenas um
instrumento para o médico estudar, realizar diagnósticos e designar
tratamentos, os balancetes, balanços e demonstrações são as
“radiografias” do contador para que este ausculte o “organismo”
patrimonial, definindo a terapêutica ou o estado preciso de
comportamento. É certo, real e verdadeiro termos a mesma intenção do
médico: a de “gerenciar” o “corpo patrimonial” e produzir récipes
consultivas para a sua “saúde”.
Ora, quando Rontgen (1845 - 1923) descobriu, digo, criou os Raios X,
sabia ele que está máquina, ou este processo, seria um instrumento a
serviço da medicina e não o seu objeto. O primogênito na laureação do
prêmio Nobel - porque Rontgen foi o primeiro a ganhar tal prêmio em
1901- sabia que a sua patente descoberta seria uma forma que
“representaria” as patologias ósseas, musculares, cerebrais, não sendo a
própria doença em foco (aqui está a falha daqueles que confundem a
informação contábil com a própria contabilidade, sua função, objeto e
objetivos); sua mentalidade estava avançada milênios adiante.
Pois, quando se produziam balanços - os quais foram mais difundidos por
Luca
Pacioli (1494) segundo relata Amorim (1970) na explicação do “método
doppio” (partida dobrada)- e demais demonstrações, pensava-se que estes
eram os objetos de nossa ciência o que derivou o movimento doutrinário
que se chamava contismo.
Atualmente o pragmatismo contábil pugna a favor deste pensamento: que a
contabilidade é uma “ciência da informação”, imputando, a esta
disciplina o múnus de prática informativa, reduzindo o seu potencial
cognitivo para zurzir o mesmo; porém, tão malgrada posição terá que se
modificar, para que a concepção deste ramo do conhecimento humano e
social, saia do cacófato em que eles o concebem e discursam erroneamente,
atanazando esta disciplina.
Tal posição intelectual emite pouco frenesi aos animais superiores na
compreensão dos fenômenos da riqueza, que não são “Fenômenos da
informática”; e nem “Fenômenos da Informação”, mas, “Fenômenos
Patrimoniais” sujeitos à explicação cientifica da contabilidade, de
forma própria como nenhuma outra ciência.
O pai da sociologia moderna, criador do positivismo Augusto Comte (1798
– 1857) dizia que o verdadeiro conhecimento residiria nas relações dos
fatos, ou seja, nas suas razões e não na produção de idéias subjetivas e
dogmáticas que nortearam a história do conhecimento; o verdadeiro saber
é contráctil a esta posição.
Destarte, o conhecimento contábil passou a se modificar, e uma das obras
incipientes deste esforço racional foi a “La Tenue des Livres à parties
doubles” de Coffy(1834) averiguada por Costay ( Apud- D`auria 1954) que
buscava analisar o capital ou a atividade das “Enterprises” ( empresas e
entidades) existentes na sociedade.
No século XIX, a busca da explicação contábil dos fatos da riqueza foi
enaltecida na aspiração de interpretar os informes da relevação, e, no
século XX tal desiderato ganhou impulso célere, nas pesquisas realizadas
nos Estados Unidos da América, pois, neste país se tornava obrigatória a
análise feita pelos Bancos a empresas que solicitavam empréstimos (Apud
- Herrmann Júnior 1975).
Surge então a “Análise de Balanços”, pois, o objeto da contabilidade não
era e nunca foi os “Balanços”, entremente, todavia, o “Patrimônio” ou a
“Riqueza” que se representava através destes informes; então o estudo
contábil analítico era do
capital por meio dos demonstrativos e tinha este escopo.
Com o aparecimento da “Análise patrimonial através dos Balanços” que se
buscou mais autenticamente as razões dos estados de comportamentos
patrimoniais nos seus aspectos: estático e dinâmico, a fim de detectar
as situações de eficácia, ou as patologias, que estipulam as
propedêuticas e terapêuticas exatas, para a prosperidade do capital das
empresas e patrimônio das entidades como já dizia D`auria (Apud - Franco
1973).
2 - OS FENÔMENOS PATRIMONIAIS COMO OBJETO DA CONTABILIDADE
Não há dúvida que os fenômenos patrimoniais são objeto do estudo
contábil. Pois, não existe ciência alguma que deixe de centralizar os
seus esforços na compreensão dos fenômenos. Inexiste conhecimento
organizado que deixe de estudar os acontecimentos de seu interesse. Os
fatos são realmente estudados, e existem diversos, de acordo com os
segmentos disciplinares são os “fenômenos jurídicos”; “fenômenos
químicos”; “fenômenos físicos”; “fenômenos matemáticos”; “fenômenos
metafísicos”; “fenômenos paranormais” e outros mais; como a
contabilidade estuda o patrimônio é lógico que ela perquire os
“Fenômenos Patrimoniais”.
A relevação representa a técnica ou o conjunto de meios que nos fazem
conhecer os fenômenos da riqueza patrimonial, tal como as suas
categorias diversas. A informação apenas esclarece o conteúdo fenomenal
contábil, que se divide, ora nos aspectos estáticos, ora, nos aspectos
dinâmicos, senão, em ambos ao mesmo tempo de forma concomitante e
interdependente.
Na verdade toda representação estática encerra em seu conteúdo elementos
dinâmicos e estes fazem a riqueza ter estados diversos de sanidade, ou
patologia de acordo com o seu comportamento, que, obviamente, será
observado pela análise patrimonial ou análise contábil através dos
balanços.
O ângulo de observação dos fenômenos patrimoniais utilizados pela
contabilidade destoa e muito dos demais pontos de vista de outras
disciplinas; apesar do patrimônio ser estudado pelo direito, economia e
administração, a maneira de observar o fenômeno patrimonial é diferente
nestas ciências e muito peculiar no campo contábil. O fenômeno
patrimonial é objeto da contabilidade e somente ela pode estuda-los de
modo a definir os comportamentos idéias - porque como disciplina
evidencia e indaga os tais - como já dizia Masi (1968):
A contabilidade estuda os fatos ou fenômenos patrimoniais... e de fato a
contabilidade e somente a contabilidade como ciência, conhece o
patrimônio aziendal, os seus elementos qualitativos e os seus valores
nas várias categorias ou sistemas nos quais podem ser considerados; a
contabilidade e somente a contabilidade, pode estudar a natureza dos
investimentos patrimoniais, a sua constituição e a sua gestão, como
também os financiamentos nas suas várias formas e modos de constituição
e de realização em que podem ser efetuados... as pesquisas e a
aplicações concretas são extensíssimas, assim diga-se para as receitas...
o rédito... As entradas e as saídas especialmente financeiras...
Contudo, somente através da teoria, dos teoremas, das leis cientificas,
pode a contabilidade com notável grandeza, estudar os acontecimentos
patrimoniais, ora, os básicos que ocorrem na atividade ou os fortuitos
que acontecem e são importantes na observação das causas de estados
diversos na riqueza.
3 - OS FENÔMENOS FINANCEIROS
Alguns dos fenômenos que causavam o interesse dos estudiosos nos
primeiros tópicos da análise de balanços foram os chamados “Financeiros”,
porque eram concernentes ao sistema de liquidez que compreende os
pagamentos e recebimentos diversos e a capacidade de liquidar as
dividas, pois, estas influenciam na vitalidade e no definhamento do
capital de funcionamento.
A preocupação inicial era verificar se as empresas tinham capacidade de
pagar os compromissos exigíveis, quando em algumas situações solicitavam
créditos a bancos ou instituições financeiras para o funcionamento
perfeito de sua atividade.
Portanto, a análise dos fenômenos financeiros surgiriam como primícias
em comparação às outras como disse Sá (1962,1981, 1982). Em especial nos
Estados Unidos da América, onde as empresas necessitavam freqüentemente
de empréstimos a bancos e estes só poderiam concede-los mediante o
estudo dos balanços produzidos e assinados pelo contador, conforme
afirmou Matarazzo (1998).
Era, pois, o aspecto financeiro que interessava, ou seja, a condição de
liquidez da empresa e sua solvência; o que ela tinha a receber e o que
ela tinha a pagar; o montante líquido destas duas grandezas; o potencial
para “fazer frente” às exigibilidades e sua correta debelação; quais os
tipos de dívidas que a azienda possuía; enfim: o que a empresa tinha de
meios e necessidades de pagamento. O aspecto financeiro diz respeito ao
“que se tem” para pagar e “o que se tem” para o pagamento, conforme
explicou Sá (1999).
Neste sentido desenvolveram então uma série de estudos sobre os
fenômenos financeiros, ou seja: os fenômenos de recebimento e
pagamentos; de entradas e saídas financeiras; de concessão de crédito e
insolvência destes; de contração de dividas nas suas respectivas
naturezas; de estocagens e aplicações financeiras; tal como outros
diversos acontecimentos que existem sistematicamente na liquidez.
A partir desses estudos que a análise contábil por meio dos balanços
passava a se tornar obrigatória como norma, ou lei, para bancos em toda
situação em que solicitassem créditos junto ao mesmo. O risco de
insolvência destas aziendas- os bancos- poderia aumentar com a concessão
do empréstimo cedido então rezavam constantemente uma jaculatória: “Para
nunca liquidar o banco deve estar sempre pronto a liquidar” como disse
Herrmann Júnior (1975).
4 - OS FENÔMENOS REDITUAIS
Quase concomitamente com os estudos sobre o sistema financeiro, surge em
conjunto a necessidade de avaliar, observar, entender, analisar e
explicar os fenômenos redituais relativos à lucratividade que condizem
com a capacidade do capital em obter resultados positivos, no seu
constante funcionamento.
Desde a época de paciolo (1494) o lucro era ressaltado e este insigne
frei dizia que seria licito ao proprietário do empreendimento usufruir o
bom lucro de seu capital; para o religioso - contador a atividade
lucrativa era sadia quando fomentada pela ética e o respeito humano.
Mas, foi a partir do século XIX com a revolução cientifica na
contabilidade, que os estudos do rédito e seus específicos fenômenos
mereceram a atenção dos estudiosos, principalmente os Italianos - basta
citar Zappa (Apud – Aloe 1969) que produziu uma obra sobre os resultados
da empresa, com maior atenção, importância e representatividade.
Então com notabilidade e eficiência passava a existir o estudo dos
fenômenos do sistema de resultabilidade: as vendas e demais receitas, os
custos, as despesas, os gastos eventuais, o aproveitamento destes fatos,
a lucratividade e muitos outros acontecimentos que se demonstravam nos
balanços redituais, que Franco (1973) denominava de “Balanços Dinâmicos”
porque representavam as “Variações Patrimoniais”.
E, o bom progresso do capital depende e muito dos fenômenos redituais
que promovem variação no capital próprio e patrimônio total. A
lucratividade como fato, garante a economicidade da célula social como
que, a sua eficácia e prosperidade.
A análise básica do capital não depende somente dos fenômenos
financeiros, mas, também, da capacidade da riqueza em produzir lucros.
Neste intuito que o professor Vincenzo Masi no final da década de 30 –
tal como me relatou o professor Lopes de Sá pessoalmente - lançou a
obra: “Analisi finanziarie e reddituali in relazione al capitale in
gestione nelle imprese” com a benéfica finalidade de orientar os
contadores no estudo destes importantes gêneros de acontecimentos.
Para uma boa análise do capital é necessários no mínimo, observar a
capacidade de pagamento da empresa (liquidez e fenômenos financeiros) e
a capacidade de obter resultados (resultabilidade e fenômenos
redituais); pagar os compromissos e obter lucros representam objetivos
centrais no estudo do patrimônio.
O estudo dos fenômenos redituais de vendas e lucros em relação à
liquidez, representa a atividade fundamental do contador na consultoria
contábil. O capital das empresas e o patrimônio das entidades para serem
“sadios” devem ter um bom funcionamento das vendas, lucros, no mesmo
patamar de comportamento adequado da liquidez.
5 - ANÁLISE DAS VENDAS
As vendas são fenômenos redituais provenientes dos elementos
patrimoniais comuns à atividade aziendal; tal acontecimento busca
recuperar os custos investidos e propor uma margem superior para
produzir o lucro. São chamados também de ingressos como já dizia Franco
(1973).
Tais fenômenos- as vendas- pertencem ao gênero de receitas. As receitas
são fenômenos do sistema reditual que geram resultados (que podem ser
negativos ou positivos), originam principalmente das vendas de produtos
e mercadorias ou da prestação de serviços, e são calculadas pelos
custos, despesas e gastos.
O surgimento de uma empresa incide ao surgimento de uma atividade, e
preconização de um produto, então, a azienda necessita vender o seu
produto para que a atividade continue e gere benefícios redituais,
portanto, o cliente, o local onde está o empreendimento, a propaganda, a
popularidade, a velocidade de produção, a demanda, a oferta, a
comunidade, a cultura, a estrutura física são fatores ambientais que
influenciam e muito as vendas.
Como a venda é um fenômeno patrimonial pertencente a azienda, possui em
seu teor um aspecto cinemático que provoca situações diversas no
capital; apesar de ser representado estaticamente pela informação é um
acontecimento em constante marcha.De modo grosseiro, pode-se verificar
os valores que a empresa tenha vendido, ou seja: “produziu 100 unidades
e vendeu 80”, ou então “Vendeu $10.000 no mês”, porém, tal forma de
observar balanços não atinge a sua real finalidade.
Em essência o fato de vender um tanto e produzir um outro tanto,
interessa, quando existe compatibilidade entre as relações dos
fenômenos, contudo, observar tais aspectos de forma estática refrata o
verdadeiro sentido da análise: buscar a eficácia do fenômeno ou
verificar o seu ideal comportamento.
Portanto, deve-se proceder analisando o fenômeno no tempo, ou seja,
averiguar o seu comportamento durante alguns períodos, a fim de
verificar se ele regrediu ou evoluiu, porém, é necessário estuda-lo
considerando também os ambientes que influenciam a atividade.
Somente observando a causa e efeito dos fenômenos de venda, ou seja: as
situações empresarias, o mercado, o local, o tipo de produto, o tipo de
atividade, a administração, que a análise poderá ser realmente
substancial, pois, perquire a verdadeira situação comportamental deste
importante fenômeno.
Analisar simplesmente “quanto” e o “que” se vendeu não é suficiente; o
próprio empresário sabe dessas informações; é preciso saber se a
grandeza que se vendeu foi eficaz, ou seja, garantiu a satisfação das
necessidades materiais, debelando os custos, despesas e gastos
investidos no exercício social.
Mas, um dos aspectos importantes neste estudo das vendas é verificar o
seu progresso. Quanto mais cresce o movimento das vendas melhor para o
capital. A atividade então, funciona em ritmo de eficácia porque se
vende mais e bem.
Uma dos importantes métodos extraído da matemática aplicada - porém
apropriando tal forma para a contabilidade e seus objetivos - é o
chamado “Índices” ou “números-índice” que consiste em utilizar um valor
como base e comparar as demais cifras com relação a ele. Ou seja, a base
é “100” e os demais números serão comparados com relação a ele. Eis a
fórmula:
X ® 100 Índice: Y x 100
Y ® ? X
Se a base de X é 100 quanto significa Y? Então vejamos um exemplo:
suponhamos que X seja igual a $ 100.000 e Y igual $ 220.000; vejamos o
índice:
100.000 ® 100 Índice: 220.000 x 100 Índice = 220%
220.000 ® x 100.000
Então a venda de 100.000 em um ano cresceu 220% no outro ano, ou seja,
ela ultrapassou ao dobro de sua proporção e movimento, contudo, não quer
dizer que apenas, por este motivo o capital está bem reditualmente; a
evolução foi boa, mas, deve-se ter abrangência de variável, isto é,
seria bom que tivesse vários anos ou períodos para firmeza a de
conclusões.
Hoje na situação em que está a ciência contábil, ela pode afirmar que
não basta simplesmente vender se não existe o efeito das vendas. A
empresa pode vender e estar em má situação, com um péssimo funcionamento
do capital porque, o produto da venda não existe ou é mal destinado. As
questões são muitas, e os estudos científicos não aceitam mais o
paradigma imponderável de empirismo, pois, cada vez mais se embrenha na
substância patrimonial.
6 - A ANÁLISE DE LUCROS
Os lucros são espécies de resultados do patrimônio, produzidos após um
período de gestão, num confronto de fenômenos de investimentos de
desinvestimentos redituais. O lucro é um fenômeno, um movimento da
empresa; um acontecimento necessário para a vitalidade e prosperidade do
capital.
Como principal escopo empresarial o lucro se destaca; mas, porém, tal
movimento é necessário também para as entidades sem o qual não
sobreviveria. O lucro é benéfico e proveitoso, contudo, não basta ter
lucros se estes não produzem efeitos.
Quando a empresa vende, ela produz lucros; mas, podem existir casos em
que isto não acontece, então o capital terá prejuízos, por isso, que
disse anteriormente que não basta vender se este fenômeno não produz
efeitos que transparecem no estado positivo do resultado. Pode-se vender
e não ter lucros.
Portanto, em uma análise reditual, não basta verificar o comportamento
das vendas, deve-se também analisar a cinemática dos lucros em
consonância; este seria o básico na análise destes fenômenos (isto seria
o mínimo exigido no que deve ser observado na análise reditual: as
vendas e os lucros).
Quanto mais se vende, e mais se lucra, melhor será para o capital;
quanto menos se vende, e mais se lucra, temos uma situação pitoresca,
porém estável; quanto mais se vende, e menos se lucra, existe uma
situação desfavorável; mas, quanto menos se vende e lucra, haverá uma
situação perigosa. Cada caso é um caso, devendo ser observados como
extrema cautela.
O importante é verificar se as vendas se alteram em consonância com os
lucros e porque se alteram; qual é a causa e conseqüência disto, de
acordo com o tipo de empreendimento e atividade.Por isso, é aconselhável
utilizar o mesmo método que relatei anteriormente sobre a análise de
vendas: os “Números-Índice” para observar o comportamento dinâmico dos
lucros no tempo. É uma opção aconselhável.
7 - ANÁLISE DA LIQUIDEZ
A análise da liquidez é aquela que condiz com o estudo da capacidade de
pagamento do patrimônio. Então tal análise é concernente à investigação
das entradas e saídas financeiras; recebimentos e pagamentos; créditos,
dívidas e estoques; como que os fenômenos de imobilização financeira, e
fatos de solvência e insolvência. A eficácia de movimento da liquidez
que é perquirida por esta tecnologia contábil.
Porém, a análise financeira apesar de parecer ser simples ela não é
fácil; o seu cálculo exige cautela; as suas conclusões solicitam
certeza, e o seu estudo necessita sagacidade; a análise contábil da
liquidez é uma das mais complexas que se possa imaginar (por isso,
tempos atrás escrevi um artigo intitulado “Liquidez Estática e Dinâmica”
que foi publicado na insigne Revista Mineira de Contabilidade, tratando
sobre a substancial análise de liquidez).
Tratarei de forma básica sobre a análise financeira do capital. O
intuito deste estudo é verificar a capacidade de pagamento da empresa,
ou seja, se ela está boa ou ruim e porque está em tal estado. Para isto
utilizarei o método denominado “Quociente” que é uma relação dos fatos
componentes ou uma razão no estudo dos mesmos (Por isto que Roberto
Pfaltzgraff produziu uma obra intitulada “Manual de Análise de Balanços”
chamando os quocientes de “Ratios” que significa o mesmo que “razão”).
As razões ou quocientes são métodos da contabilidade que buscam a
explicação entre dois fatos, ou seja, “Porque” eles estão daquela forma,
em “Quanto” está, e “Qual” seria o significado ou relação daquilo. Há
quem chame os quocientes de índices, contudo, foge da terminologia
lógica: um quociente é uma relação, e um índice é uma comparação entre
dados de períodos diferentes; no ponto de vista contábil, um quociente
pode se tornar um índice, porém aquele não é igual a este; a natureza de
um apesar de influenciar a do outro, não permite que se afirme a
igualdade.
Alguns quocientes tradicionais, comuns, que surgiram na análise
financeira do capital, no intuito de obter explicações sobre a
capacidade de pagamento são os seguintes:
Quociente de Liquidez Comum
Ativo Circulante Quociente que busca a razão da capacidade de pagamento,
ou seja,
Passivo Circulante quanto de meios de pagamento existem para as dívidas.
Quociente de Liquidez Deduzida
Ativo Circulante – Estoques Quociente que busca a razão da capacidade de
pagamento
Passivo Circulante deduzindo os estoques, ou seja, quanto
existe de meios de pagamento sem considerar os
estoques.
Quociente de Liquidez Absoluta
Disponibilidades Quociente que busca a razão da capacidade imediata de
pagamento, ou
Passivo Circulante seja, quanto que existe de disponibilidades paras as
dívidas.
Quociente de Giro dos bens realizáveis
Vendas Quociente que busca a razão dos giros dos bens realizáveis, ou
Créditos + Estoques seja, quanta vezes que se renova tais elementos.
Quociente de Giro das dívidas
Contração de dívidas no período Quociente que busca a razão do giro das
dívidas, ou seja,
Saldo final das dívidas quantas vezes se renova tais elementos.
Tais quocientes servem para averiguar o quanto que o capital possui para
o pagamento das dívidas de modo imediato ou geral; qual seria a
velocidade de renovação dos bens realizáveis (geralmente quanto maior
melhor); qual seria a velocidade de rotação das dívidas (geralmente
quanto menor melhor); quanto existe de dinheiro e crédito para o
pagamento: relações essenciais e básicas para a conclusão da eficácia da
liquidez.
O quociente mais utilizado na tradicional análise de liquidez é o
“Comum” que revela quanto existe de meios financeiros para o pagamento.
Por exemplo, se a empresa possui $ 12.000,00 nas dívidas e $ 13.000,00
no Ativo circulante, qual seria a minha capacidade de pagamento?
Veremos:
Quociente de Liquidez Comum
13.000 = 1,08 Para cada um real de dívida o capital possui $ 1,08 de
meios para o
12.000 pagamento.
A situação está boa, porém merece cuidado, pois, o capital possui pouca
“folga” para o pagamento. Quanto maior tal relação melhor para a
empresa. E, a medida de sanidade é 1, ou seja, maior do que um está bom
e menor do que um aparenta estar mau, porém, existem outros aspectos a
se considerar.
A liquidez é um movimento e como o tal, depende da velocidade de seus
componentes meios, para a eficácia real de seu sistema; como disse,
existe uma “Liquidez dinâmica” real que é atinente à agilidade da
capacidade de pagamento como Sá (1965) defendeu em sua tese de doutorado
(obra esta que possuo assinada pelo mestre).
De uma maneira geral explico: quando a liquidez está com um bom
resultado (maior que 1) ao mesmo tempo em que existe uma boa renovação
de seus meios de pagamentos (giro dos bens realizáveis) em comparação
com as dívidas (giro das dívidas), com uma evolução das vendas (Índice
de Vendas) e Lucros (Índices de lucros) a situação financeira e reditual
da empresa está normal e eficaz.
Quando a liquidez comum é ineficaz, mas, os giros e as vendas evoluem
juntamente com os lucros pode existir uma boa situação financeira. Neste
caso a liquidez está em bom funcionamento mesmo quando não aparenta
estaticamente tal resultado pelo seu quociente comum, porque, tal função
depende mais da temporalidade de seus elementos do que de sua proporção
com bem disse Sá (1992, 1999, 2005).
Isto porque tudo depende do “Giro” ou da “Renovação” dos elementos, como
defendeu Sá (1965) em sua “Teoria da Liquidez Financeira do Capital”
apresentada à “Real Academia de Ciências Econômicas y Financeiras de
Barcelona” na Espanha publicada juntamente com sua Tese a “Teoria do
Equilíbrio”.
O correto é que exista uma liquidez e que esta evolua ou se estabilize
concomitamente com o progresso das vendas e dos lucros. A liquidez deve
existir e estar em boa situação; as vendas e lucros devem evolver no
tempo; quando tais situações não são compatíveis deve-se aprofundar a
análise contábil, a fim de verificar a real causa para tal estado ou
comportamento.
8 - ANÁLISE DAS VENDAS E LUCROS EM COMPARAÇÃO COM A LIQUIDEZ
A análise financeira e reditual não se resumem nos poucos cálculos aqui
descritos, ela abrange a um infinito número de quocientes e fatos. Os
fenômenos financeiros e redituais integram um mosaico sistemático de
categorias patrimoniais; são básicos para o capital, e, além disso,
possuem uma interligação importante.
Não basta ter uma boa liquidez comum, se esta não condiz com as vendas
do período. As vendas fazem com que os elementos do capital se
movimentem ou “girem”. O giro dos elementos circulantes é de extrema
importância para a eficácia da liquidez.
Os fenômenos de lucros também possuem extrema ligação com a liquidez, em
especial com o elemento caixa. Quando se lucra é porque as vendas foram
realizadas com uma margem maior, e a tal que figurará na proporção do
caixa, pois, tais acréscimos aumentarão a capacidade de pagamento.
Portanto, as vendas que geram lucros, denotam profunda harmonia e
efeito; os lucros que geram bens financeiros também representam uma boa
situação. Uma interação correta seria esta: que o capital circulante
promova as vendas, que estas gerem lucros e estes aumentem o potencial
de pagamento como bem disse Sá (1999).
Esta sintonia entre os fenômenos redituais e o sistema de liquidez
deverá existir para que os estados de dinâmica possam alcançar a
eficácia. O capital de funcionamento, basicamente, necessita de tais
fenômenos para que consiga uma boa atividade.
A análise básica do capital é aquela atinente ao estudo das vendas,
lucros em
comparação com a liquidez, para verificar se os sistemas financeiros e
redituais possuem uma boa interligação; se harmonizam entre si, em
comparação com o tempo. Vejamos um exemplo prático desta situação de
análise de vendas, lucros e liquidez (Anexo 1).
Pelo quadro comparativo nos sete anos percebe-se uma boa situação
financeira e reditual: quando as vendas prosperam vagarosamente (houve
crescimento durante o período analisado), os lucros também evoluíram
(cresceram 76%), ao mesmo tempo em que a liquidez foi o estável, e, o
giro dos bens realizáveis foi muito maior do que os das dívidas (porque,
a capacidade de pagamento existe em proporção e dinâmica). Quando existe
ao mesmo tempo o progresso dos fenômenos redituais, com a liquidez,
haverá uma boa situação no capital.
Portanto, não basta vender, é preciso também lucrar, ter giros, meios de
pagamento para que se note o verdadeiro efeito. Porém as vendas e os
lucros devem estar em inteira correspondência com o sistema financeiro,
em proporção quantitativa e temporalidade dinâmica.
Tudo isto porque não existe acontecimento isolado no patrimônio: tudo é
hereditário, interdependente; tudo possui “relação a” alguma coisa; os
fenômenos financeiros possuem estreita e forte ligação. Quando há
especifico comportamento em um fato haverá uma influência no outro.
A análise básica dos fenômenos financeiros e redituais do capital
condizem com o estudo da cinemática das vendas, e dos lucros em
comparação com o sistema de liquidez, contudo, tal tecnologia não se
restringe aos cálculos aqui descritos porque o assunto é inesgotável e
pode preencher muitas paginas sem a sua completa exaustão e este artigo
oferece apenas caminhos para tão abrangente temática.
9 - CONCLUSÃO
Um assunto relevante nos estudos contábeis, tanto para iniciante
acadêmico, como para os mais experientes em matéria contábil, é o que
trata sobre a análise financeira e reditual do capital de funcionamento
que propõe verificar a capacidade de pagamento da empresa em comparação
com o potencial de geração de resultados.
O capital para ter um bom funcionamento, eficácia e prosperidade,
basicamente, necessita ter uma boa capacidade de pagamento e uma boa
lucratividade, deste modo, obterá bom crescimento e uma atividade sã, ou
seja, é necessário que o capital detenha uma evolução das vendas, dos
lucros e da liquidez tudo ao mesmo tempo.
A contabilidade como ciência moderna propõe o estudo fundamental dos
fenômenos redituais com relação aos financeiros, com o intuito de
verificar se o estado de procedimento possui sanidade, em comparação com
a capacidade de aportes, dividas e lucros, movimentos básicos e
imprescindíveis para uma boa atividade e um ideal comportamento do
capital no alcance da eficácia e prosperidade que garante a satisfação
das necessidades humanas e sociais.
BIBLIOGRAFIA
ALOE, Armando. Doutrinadores Italianos. Revista Paulista de
Contabilidade, São Paulo: SCSP, v. 47, nº 428, 1969.
AMORIM, Jaime Lopes. Além do balanço, teria o balancete de verificação
sido conhecido e utilizado no tempo de Frá Luca Paciolo? Revista
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Rodrigo Antônio Chaves da Silva
Contador e Pesquisador
Membro da Associação Científica Internacional Neopatrimonialista (ACIN)
Membro do Clube Tablero Comando de Balanced Scorecard da Argentina
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