“... A representação de um corpo na intuição não contém absolutamente
nada que propriamente possa pertencer a um objeto em si, mas somente o
fenômeno (a manifestação) de alguma coisa e a maneira de como nos afeta.”
Emmanuel Kant (1724 – 1804)
Critica da razão pura – segunda seção
“Um dos pontos mais discutidos entre os doutrinadores da Contabilidade é
a determinação do seu objeto...”
Hilário Franco (1950, p. 19)
“ Sem a previa e exata observação dos fenômenos, sem o estudo dos fatos...
nenhum saber é possível.”
S. Maturi( Apud – Masi 1969, p. 21).
Resumo
Toda ciência na ótica filosófica estuda fenômenos e fatos que ocorrem em
um objeto específico, contido, num universo gigantesco e determinado,
cuja explicação só é possível por meio da razão mental. As ciências
surgiram como segmentos de uma filosofia, principalmente para estudar os
acontecimentos, e traze-los à tona, por meio de descrições que somente
devem ser entendidas pelo intelecto puro, porém, nem sempre pela
experiência. A sensibilidade auxilia e é um caminho normal para o
conhecimento, todavia, sem dúvida, é a razão que orienta os estudos.
Portanto, as representações em si apenas esclarecem aquilo que o
conhecimento irá descrever, explicar, fomentar e nortear. Na
contabilidade acontece o mesmo, pois, ela estuda os fenômenos
representados nas informações. Contudo, tamanha confusão existe no
tratamento do objeto contábil, que muitos o designam como sinônimo de
sua representação formal, atitude esta provinda de uma razão impura, que
se lastreia na experiência informativa para manter uma vã filosofia,
muito aquém dos ditames superiores, sendo igual ao conhecimento sensível,
absolutamente trivial nos convívios humanos.
1- O MUNDO DAS CIÊNCIAS
A concepção intelectual que procura por meio da reflexão apurada e
entendimento crítico, conhecer o mundo, tal como, aquilo que contém,
utilizando adequado caminho para pesquisas que fitam um objeto próprio,
é denominada científica. A ciência faz o seu mundo e se distancia
infinitamente daquele consideravelmente vulgar, devido ao ângulo de
observação e descoberta dos fatos.
Porém, as ciências do tempo hodierno, provieram suntuosamente de um
conhecimento geral chamado filosofia, cujo prolegômenos, esteve na
figura de Tales de Mileto (640-548 a.C.), que estudou a botânica,
biologia, física e genética, amalgamadas em uma só forma gnosiológica,
que privilegiava o raciocínio superior sobre as insuficientes
explicações mitológicas produzidas por Homero e Hesíodo (ambos mestre
viveram entre IX e VIII a. C) – autores, cujas obras não deixam de ser
importantes para a literatura.
Mas é preciso ressaltar que “toda arte e toda investigação, bem como
toda a ação e toda escolha, visam um bem qualquer; e por isso foi dito,
não sem razão, que o bem é aquilo a que as coisas tendem. Mas entre os
fins observa-se uma certa diversidade: alguns são atividades, outros são
produtos distintos das atividades das quais resultam; e onde há fins
distintos das ações , tais fins são, por natureza, mais excelentes do
que as últimas”1, portanto, toda ciência como toda arte, se diferencia
da outra pela sua finalidade específica. Além disso, a ciência não se
confunde com a técnica (ou atividade, arte, ação)- apesar de nortear a
mesma-, e nem pode se igualar com o conhecimento vulgar ou comum.
O conhecimento vulgar é aquele que não permite melhoramento, crítica e
perfeição; ele é simplesmente “o que é, e acabou” - como se diz em
linguajar comum -, ou seja, “as coisas são como são” como dizia
ironicamente Hawking (1994). Tal conhecimento é dogmático e se atém na
superficialidade dos fatos, pois, não explica a sua essência.
Suponho um exemplo de fenômenos da natureza como o raio e o trovão; o
indivíduo que apenas “vê” tais acontecimentos pela aparência, designa de
“faísca” o facho de luz, e “barulho” o estrondo; porém, no conhecimento
superior e científico não é assim: a “faísca” chama-se raio e o
“estrondo” denomina-se trovão, portanto, este fenômeno (o trovão) é
causado por uma repressão do ar aquecido pela dinâmica da luz da
descarga elétrica (raio), por isso, ocorre um estrondo. E desta maneira
a ciência explica as coisas sensíveis, materiais e até imateriais,
buscando as suas causas, os seus efeitos, ou até o entendimento mais
plausível sobre determinado assunto, exigindo com importância, o uso da
razão, norteadora e dominadora das faculdades humanas.
Resumindo: a ciência se difere de outras ciências, e se distancia do
conhecimento sensível ou comum das coisas materiais e imateriais
existentes. A razão, o pensamento, a reflexão, o entendimento, a
crítica, fazem parte do conhecimento superior, agora, a prática
exclusiva e singular é componente principal da ideologia vulgar.
Na contabilidade acontece da mesma maneira, pois, todas as suas partes
contribuem para que ela seja uma ciência e não uma prática, técnica ou
processo.
Ela possui um objeto próprio (o fenômeno patrimonial), que é estudado
através de um caminho (método indutivo, axiomático, experimental,
lógico, analítico), por meio de representações (informações e
demonstrações), num aspecto peculiar (comportamental, fenomenológico, e
ideal nos ditames da sanidade ou eficácia), em prol de um fim (eficácia
e prosperidade). Portanto, a contabilidade é uma ciência como as demais
superiores que expurga o trivial singular, para as ações do seu
pensamento.
E, isto já foi mais do que dito, em tese apresentada no V congresso
Brasileiro de Contabilidade, no qual, Hilário Franco (1950, p. 79),
defendia a cientificidade da contabilidade, concluindo a sua obra nos
seguintes termos:
1) A contabilidade é uma ciência que possui objeto próprio, leis
científicas e método peculiar de estudo...
3)O objeto da Contabilidade é o patrimônio aziendal considerado estática
e dinamicamente...
8) Se algum doutrinador coerente e conhecedor dos princípios filosóficos
e lógicos quiser negar à Contabilidade o direito de ser incluída entre
as ciências terá, obrigatoriamente, que negar o mesmo direito a todas as
ciências sociais.
O mundo das ciências é um todo próprio, e quem for adentrar nele não
pode nunca
permitir que se veja as coisas como são, pela maneira que não são. Neste
mundo tudo é diferente, e todas as ciências estão nele, cada uma, no seu
espaço, interferindo no tempo e na realidade social e objetiva dos seres
humanos.
2- A CIÊNCIA SUPERIOR E O ESTUDO OS FENÔMENOS
A ciência moderna tem como pai o italiano Galileu Galilei (1564-1642),
que procurava organizar conhecimentos em torno de um objeto, por meio de
um método. Portanto, Galilei conseguia enxergar as coisas por trás das
aparências. Ele estudava o fenômeno. O mestre assim dizia (Apud – Paes
1968, p. 101): “dou graças infindas a Deus, que houve por bem fazer-me o
primeiro observador de coisas maravilhosas”, porque, em sua pesquisa e
empenho científico, conseguia desvendar novos planetas, estrelas,
satélites naturais, como também comprovar que a terra se movia em torno
do sol- confirmando o sistema heliocêntrico-, além de construir leis
para a mecânica física que são literalmente estudadas até os dias de
hoje.
A ciência nada mais é que uma sabedoria como dizia Moitinho (1965), que
procura verdades indeléveis e eternas, buscando explicar as causas e os
efeitos dos fenômenos diversos que ocorrem no espaço-tempo de maneira a
garantir um pouco de alívio a ânsia cognitiva do ser humano que não se
cansa em indagar “o porquê” das coisas. Para se ter ciência, contudo, é
necessário: lógica e organização.
Porém, para a ciência ser superior - porque pode existir ciência falsa e
Platão (427 – 347 a.C.) já admitia isto - deve-se deixar guiar pela
razão, ou seja, pelo raciocínio espiritual humano, próprio do
racionalismo cartesiano, que almeja interpretar e explicar as relações
das coisas e fenômenos. Assim dizia Bachelard (1996, p. 14) que “Os
ensinamentos da realidade só são válidos na medida em que sugerem
indagações racionais”, e complementa (p. 16) “A atividade científica
realiza, em todo o sentido da palavra, conjuntos racionais”. É a razão
que fundamenta a ciência, e, somente por ela, pode-se entrar no seu
mundo.
O gênio da física, Blaise Pascal (1623 - 1662), em um dos seus artigos
sobre o vácuo, dizia que a maior força era aquela provinda da razão, e
somente esta poderia fomentar as ações; dizia assim o mestre: “Não
pretendo, destruir-lhes a autoridade para afirmar o valor único do
raciocínio, mesmo que se pretenda impor essa autoridade em detrimento da
razão”2, pois, é esta, no dizer e escrito do mestre, que seria a fonte
para as idéias científicas, ou seja, aquelas que denotam a natureza
superior.
Porém, é preciso ressaltar que não existe conhecimento superior que
deixe de estudar objetos. Aristóteles (384 – 322 a.C.) já abordava as
finalidades diversas das ciências; Platão (427 – 347) já aludia a
natureza da cada um dos conhecimentos como sendo diferentes de acordo
com os objetos e técnicas, da mesma maneira que “numa cidade assim
encontraremos um sapateiro que é sapateiro, e não piloto, além da arte
de modelar calçado, e um lavrador, lavrador e não juiz, além da
agricultura, e um guerreiro, guerreiro, e não comerciante, além da arte
militar”3 ; uma disciplina não se confunde com as outras, porque, além
da cooperação possui um objeto e método próprio. Existe ciência para
tudo desde que haja razão organizada que abstraia determinado objeto de
um todo.
Para compreender melhor o que é ciência autônoma e superior, basta dar
um exemplo mais claro: os grandes pensadores do século XVII tratavam de
várias questões, e uma delas estava em torno da arte musical, ou seja, o
estudo dos sons é algo autônomo ou pertencente a musica? Então isolaram
o fenômeno sonoro, criando a acústica, como ciência autônoma dos sons;
isto, graças ao talento de Marin Mersenne (1588-1648).
Também Kuhn (2001) nos conta que no século XVII da era cristã quando se
estudava o fenômeno elétrico - inquiridos primeiramente por Gray (1666 -
1736), e depois melhor estudados por Benjamin Franklin (1706 - 1790)-
surgiu uma dúvida entre a condução e refração, ou seja, porque um bastão
de vidro coberto por borracha é repelido novamente? Então se questionava
com dúvida, se este fenômeno pertencia aos estudos da mecânica ou
elétrica na física; ou se daí surgiria um outro ramo do conhecimento.
Foi assim que surgiu a física nuclear no início do século XX: após as
descobertas dos raios x, da mecânica quântica de Planck (1858 - 1947), e
da relatividade de Einstein (1879 - 1955), novos passos foram dados na
estrada dos estudos em torno dos átomos, surgindo um ramo da física
específica para esta investigação e pesquisa, ainda mais com a
descoberta do elétron proposta por Thompson (1856- 1940) ganhador do
premio Nobel em 1906. E este ramo do conhecimento existe até hoje.
Mas, é preciso ressaltar que não existe ciência alguma que deixe de
estudar fenômenos, como dizia Kant (1724 - 1804): “ainda que os
fenômenos não sejam, coisa em si e sejam, não obstante, a única coisa
que possamos ter conhecimento, devo, todavia, mostrar a ligação que
convém no tempo à diversidade dos fenômenos mesmos, ainda quanto a
representação desta diversidade seja sempre sucessiva na apreensão.”4
Portanto, a única coisa que se pode tomar conhecimento são os fenômenos,
sendo que inexiste ciência ou sabedoria que não os tenha por objeto.
Ciência superior é composta de objeto específico e razão sujeita à
apoteose, que difere de outros objetos e ciências, ou ainda, de outras
maneiras de se obter conhecimento, inclusive, aquele singelo conseguido
pela prática e não pela experiência racional produzida por acúmulo no
espírito humano, que pensa divinamente e difere dos outros animais, e
nem se compara a eles como bem comprovou Descartes (1596–1650), na
quinta parte de seu “Discurso do Método”.
3 - A CONTABILIDADE COMO CIÊNCIA SUPERIOR E SOCIAL
Desde o ano de 1834 o tratamento superior dado à contabilidade foi dos
maiores (embora, muitos indivíduos importantes conseguiam “andar para
trás” no caminho da verdadeira ciência contábil); a obra de Coffy (Apud
- D`auria 1954) a sua lei sobre as causas e efeitos da variação e
transmutação do capital (Apud - Pfaltzgraff 1956), a sua tese que aludia
sobre a cientificidade contábil (Apud – Carvalho 1973), dizendo que esta
pertencia às “econômicas”, nos dão mostras do nível de raciocínio humano
que penetrou na parte pura da contabilidade.
Antes, porém, os esforços de Crippa (1838), D`Anastácio (1803),
Courcelle-Seneuil(1813 - 1892), e diversos outros, já abordavam sobre a
qualidade superior da ciência contábil, pois, diziam que ela era
complexa, com teorias, leias e axiomas; requisitos importantes de acordo
com o “esboço-padrão” que tanto Patrick Suppes(Apud- Morgenbesser 1972),
professor de filosofia da universidade de Stanford, abordou quando
tratava sobre os aspectos da teoria científica.
Porém, pelos extravios e roldões que pairavam na mente de diversos, a
contabilidade não era uma ciência, mas, uma subordinação da
administração, economia, direito, matemática, e diversas outras
disciplinas. Porém, ás vezes, tais mentalidades foram importantes para
se buscar a verdade contábil.
Contudo, deve-se a Masi (1893- 1977) a conquista que concedia à
contabilidade aquilo já antes denotado pela história na sua parte pura:
o fato de ser estudante dos fenômenos patrimoniais que se revelavam nas
informações. Então o professor de Bolonha (1968) dizia que somente a
contabilidade como ciência poderia estudar os investimentos,
financiamentos, custos, receitas e réditos, disciplinando-lhes o
adequado comportamento para apresentar os estados de eficácia.
Também em Portugal Jaime Amorim (Apud - Marques 1992, p. 290) dizia que
“A CONTABILIDADE cientificamente ensinada tem um valor altamente
pedagógico, porque desenvolve não só o poder de raciocinar e de analisar
os fenômenos patrimoniais, mas, também a imaginação criadora necessária
para a concepção de planos logismológicos e a capacidade para dirigir os
organismos econômicos em geral” (o maiúsculo é do autor). Portanto, é em
analisar os fenômenos, prever ações em orçamentos e estudos de tendência,
definir posições em auditoria e perícia, criticar planos ou sistemas de
informações, que a contabilidade encontra a sua ciência e qualitativa
natureza social.
Se a contabilidade tem como campo de estudo a célula social, então a sua
natureza também é social. Ou seja, a disciplina estudante do fenômeno
patrimonial se guia pela realidade da sociedade, por objetos reais,
mesmo contidos em uma concepção espacial semiexplicável por talentos
humanos.
Diversos pensadores como Bacon, Hume, Thomson, Comte e outros - alguns
destes parafraseados por Sá (1953, cap. 2)- dividiam geralmente as
ciências em sociais e abstratas; e dentre as primeiras classificações (aquelas
atinentes à natureza social da ciência), não citavam ainda, aquela
disciplina que cuidava da riqueza particular das aziendas,
empreendimentos ou células sociais – visto que ainda, na época destes
filósofos, a contabilidade era entendida apenas como informação, ou
escrituração, apesar do processo e teoria da informação abranger
quaisquer disciplinas.
Deve-se destacar que a contabilidade é uma ciência superior, que se
deixa guiar pela razão, que explica os fatos e fenômenos da riqueza a
disposição das aziendas, de maneira a propor ideais comportamentos, de
modo a não se confundir com as suas técnicas informativas, se portando
como deve no ramo das ciências sociais que auxiliam objetivamente o
homem seu agente criador.
4 - ESTUDOS ATÔMICOS DO FENÔMENO PATRIMONIAL, SUAS LEIS E RELAÇÕES
Entendo por “estudos atômicos” na contabilidade, aqueles que tratam dos
seus fenômenos específicos, concomitamente com as razões de sua
existência, ou seja, porque ele existe, o que ele provoca, qual é o seu
efeito, como se forma, sua natureza, sua dimensão clássica e interativa,
como que a sua substância no espaço-tempo patrimonial.
Se a física comum ou geral estuda a matéria, com suas características e
movimentos, e o átomo mesmo não sendo atômico, é a menor parte que a
matéria apresenta para estudo, e nesta inquirição surge a terminologia
“estudos atômicos na física”, o mesmo pode-se conceber na contabilidade:
a matéria contábil é o patrimônio; já o seu “átomo” é o fenômeno
patrimonial - não porque é uma partícula, mas, sim por ser a específica
substância do patrimônio, que o faz mover e ter estados determinados -
que possui relações suscetíveis às proposições e experiências diversas
de nossa pesquisa.
O fenômeno patrimonial constitui ser a matéria atômica do patrimônio,
aquilo que revela com obstinação e suscetibilidade a indagação
impreterível da razão contábil em detrimento do empirismo, que provoca
muitas vezes, definhamento e antiprosperidade nas riquezas das células
aziendais.
Toda ciência almeja estudar as razões de seu objeto, ou seja, investigar
e explicar o que ele é, quando surge, qual composição, quanto é, o que
origina e produz; isto é, porque este fenômeno tem tal comportamento,
pois, é a disciplina e a correção que nos interessa, em toda a
fenomenologia patrimonial.
O pai da sociologia moderna, criador da religião positivista, o filósofo
Augusto Comte (1798 -1857) explicava que “a revolução fundamental que
caracteriza o estado viril de nossa inteligência consiste em substituir
por toda a parte a inacessível determinação das causas propriamente
ditas, pela simples pesquisa das leis, isto, é das relações constantes,
que existem entre os fenômenos observados”5(o negrito é meu). Ou seja, é
necessário postergar o que é falso, para se basear naquilo que é
sumamente fato, produzindo regras cognitivas de seus estados
condicionais, ou seja, as leis científicas que determinam as relações
dos fenômenos.
Um conhecimento superior não pode, portanto, se basear na quimera,
verbalismo e pedantismo, ele se baseia em leis, ou seja, teorias,
teoremas, axiomas e outras regras conceituais. Este é o verdadeiro
conhecimento presente nas ciências superiores e na contabilidade.
A contabilidade possui leis diversas sobre os estados fenomenológicos
que se apresentam nas riquezas aziendais. Muitas vezes o empresário sabe
os valores e os resultados que apresenta o seu empreendimento, porém,
não sabe dizer quais são as leis que explicam as causas e os efeitos do
acontecido. A cultura superior que alcança esta explicação. O contador
possui o talento superior “diga-se mesmo o gênio. Ele inventa” como
dizia Coffy (Apud - Carvalho 1973, p. 26) o primeiro cientista da
contabilidade patrimonial superior.
O professor D`auria (1956, p. 20), quando tratava sobre a teoria
patrimonial da contabilidade, com bastante autoridade e originalidade,
abordava sobre os aspectos científicos, ressaltando inúmeras leis na
contabilidade, denominando-as com nomes diversos, como: leis físicas,
sociológicas, de afinidade, de adaptação, de gradação, de finalidade.
Era pelas leis da ciência contábil que o mestre explicava o mesmo
conhecimento.
Uma das leis científicas que Franco (1973, p. 89) assumia por escrito na
sua tese apresentada há mais de meio século, em congresso brasileiro de
contabilidade, reproduzida pelo mesmo autor em sua obra sobre análise e
interpretação de balanços é a seguinte:
a) Há uma proporção necessária e definida entre os capitais próprios e
os de terceiros.
b) Há uma proporção necessária e definida entre os vários grupos que
compreendem a aplicação dos capitais
Se há, pois, uma proporção definida entre os investimentos e
financiamentos do capital, pode-se dizer que os quocientes de
participação da estrutura quando apresentam certos resultados, muitas
vezes prolixos ou deficientes, revelam estados perigosos; e diversas
observações, então, deverão ser feitas com absoluta cautela sobre esta
luz norteadora.A análise do equilíbrio deve-se lastrear sob estas leis
para padronizar explicações.
Outra lei analítica –e não sintética- que fundamenta os estudos dos
estados do equilíbrio é aquela proposta pela “Teoria das Proporções dos
Componentes na Promoção do Equilíbrio do Capital de Funcionamento e as
Tendências Contemporâneas da Pesquisa Científica na Contabilidade”
conhecida por “Teoria do Equilíbrio” exposta por Sá, em 1965, na
Universidade do Brasil (p. 110):
São causas fundamentais da promoção do equilíbrio: o giro dos valores e
o processo da formação do rédito.
Isto que dizer que quando o giro do capital é rápido e a lucratividade
satisfatória, então o patrimônio está equilibrado, mesmo quando parece
não apresentar tal situação pelas informações (por quantidade de
proporção). O giro veloz e um rédito adequado são sintomas do bom
equilíbrio da riqueza patrimonial.
O ganhador do prêmio “Píer Crescenzi” (tal prêmio refere-se a Pietro di
Crescenzi que foi um intelectual que viveu de 1233 a 1320 conforme as
explicações que tive com Sá em comunicação virtual), o insigne professor
de Bolonha, o doutor Vincenzo Masi (1893 - 1977), também abordava sobre
diversas leis: algumas sobre o acantoamento e aguamento do capital,
imobilizações financeiras, insolvabilidade e diversas outras. Porém, uma
delas sobre a reserva oculta é a
seguinte (Apud – Sá 1953, p. 39):
É também uma verdade eterna e geral esta: que sub-avaliando-se o ativo
ou super-avaliando-se o passivo de um capital a disposição de uma
empresa em face do funcionamento, ou operando-se contemporaneamente de
um e de outro modo se formam reservas ocultas.
Toda vez então que existir uma sub-avaliação do ativo acontece reservas
ocultas, e toda ocasião que houver uma super-avaliação do passivo
também; seja as tais ao mesmo tempo, seja de quaisquer modos. Tal lei
regulamenta as condições de surgimento das reservas ocultas. O
conhecimento da causa das reservas ocultas, como o seu posterior efeito
(de valores que surgem na riqueza), é um ótimo lastro para a auditoria.
Portanto, as frases anteriores dos mestres, são leis que regem as
relações dos fenômenos que formam o principal objeto da cultura superior
do contador, que não só produz dados, mas, os explica pelo critério
lógico, como pela razão das máximas (que devem ser julgadas à luz dos
quocientes e investigações).
Também se pode ressaltar o axioma da preservação das células sociais
proposto por Wilson Zappa Hoog (2005), que consistem em dizer que a
eficácia e continuidade do capital, depende da invulnerabilidade
concernente aos sistemas básicos do complexo patrimonial. Sobre este
axioma centenas de escritos podem ser feitos.
Posso com o auxílio de outros mestres transmitir um axioma ou nova lei
na contabilidade, Lavoisier (1743-1794), o pai da química moderna dizia
que na natureza nada se cria e nada se perde tudo se transforma criando
o axioma “conservação da matéria”. Assumindo uma metodologia e
terminologia clássica e contábil posso dizer também que:
Na existência e funcionamento eficaz de um patrimônio aziendal,
considerando as interações entre o ambiente e a essência fenomenológica,
nada se cria e nada se perde na riqueza patrimonial tudo se transforma.
Ou seja, quando o patrimônio existe e possui um fluxo normal de
eficácia, com uma interação correta entre o ambiente e a essência
fenomenológica, nada se perde no patrimônio e nada se cria tudo se
transforma e a riqueza se conserva em continuidade. Este se chamará o
axioma da “conservação do patrimônio aziendal”.
Todos os acontecimentos do patrimônio se transformam, em interações com
as procedências ambientais. Por exemplo, o dinheiro, se transforma em
estoque, este em vendas, estas em lucros e este em acréscimos de
numerários, e assim por diante, considerando todas os espécimes de
empreendimentos e todas as condições diversas que podem existir no
espaço-tempo da riqueza aziendal.
Mesmo quando acontece variação na riqueza, o que ocorre é uma
transformação, ou seja, o lucro se transforma em meio para
invulnerabilidade do capital na prevenção do risco, em meio de
elasticidade, em meio de produtividade, e assim por diante. Por isso
afirmo existir uma relatividade interdependente muito maior que a
autonomia qualitativa dos fenômenos sistemáticos. Ou seja, existe um
rédito da invulnerabilidade, elasticidade, produtividade e assim por
diante.
Pode-se considerar que tal axioma, apenas funciona só na condição normal
do empreendimento, o que não é verdade, até na perda da substância
existe uma transformação, ou seja, o prejuízo como resultado da não
absorção do custo pelas vendas se transforma em efeito no investimento
(apesar da lei 6404/76 obrigar o registro no “Patrimônio Líquido”).
Às vezes quando acontece uma perda pode-se subjugá-la como fracasso, ou
desperdício, contudo, tal perda da substância mesmo sendo prejuízo é uma
transformação. A transformação patrimonial sempre ocorrerá enquanto o
patrimônio existir. Por isso afirmo que “nada se perde”, não porque
inexista prejuízo, mas, porque, todos os fenômenos da riqueza são
transformações, sejam permutas, variações, ou mistura destas duas
ocorrências. E é preciso ressaltar a condição “eficaz” da riqueza.
Portanto, posso interpretar não literalmente a “perda” (porque perdas
existem no patrimônio) na lei científica, tal como uma descapitalização
do patrimônio, prejuízo, antielasticidade, e regresso substancial; devo
entende-la aqui, como uma transformação, considerando que a eficácia
existe no funcionamento, que inclui o sistema de aproveitamento
(produtividade).
Considerando ainda, que a “perda” não condiz com os fenômenos negativos
do patrimônio - como o antigiro, antielasticidade, descapitalização,
prejuízo, superinvestimento, risco - mas, com a transformação que
acontece no mesmo; porque, até em definhamento existe transformação. Na
existência patrimonial existirá sempre transformação.
Outras leis que poderiam citar são as do Neopatrimonialismo de Sá (1992)
sobre a dinâmica, velocidade, transformação, correlação, funcional,
aumento não-eficaz e diversas outras, reproduzidas por Rocha (2004),
Tatiane Santos (2005) e diversos outros pensadores e pensadoras. Porém,
se assim o fizesse ultrapassaria os ditames deste artigo.
Além das leis diversas, o fenômeno patrimonial possui relações
importantes para os estudos sublimes e profundos da contabilidade, é o
neopatrimonialismo que proclama as tais. São elas:
· Essenciais= relativas à natureza do acontecimento. Necessidade,
finalidade, meio e função são as suas partes.
· Dimensionais= que descrevem e explicam a origem, produto, qualidade,
quantidade, lugar e momento do acontecimento.
· Ambientas= que revelam os lugares onde procedem os fenômenos ; podem
ser endógenas( homem, administração ) por estarem contidos no ambiente
aziendal e exógenas por influenciarem os entornos da azienda( mercado,
concorrência, economia, etc).
Estas três relações clássicas fomentam o raciocínio da contabilidade
patrimonialista, pois, apresentam uma nova maneira de estudar o fenômeno
patrimonial, apesar de serem clássicas. Estas relações que fazem parte
dos estudos atômicos da contabilidade juntamente com as leis que
garantem as condições do comportamento da fenomenologia patrimonial. As
leis são regras
cientificas do fenômeno que é entendido, também, pelas suas relações.
Portanto, concluindo: ciência superior é aquela que fita o seu objeto,
observando-o, formulando leis para o seu funcionamento, obedecendo estas
mesmas leis, e estudando as suas relações que explicam a natureza,
dimensão e ambiente. Ciência superior se compõe de leis e relações
submetidas e processadas na razão espiritual do ser humano. E a
contabilidade possui todos estes requisitos.
5 - O “OBJETO” DA CONTABILIDADE
Apesar de todas as bases epistemológicas - comprovadas já antes, por
Coffy, D`auria, Masi, Franco, Sá e diversos outros - que atribuem à
contabilidade o múnus de ciência do patrimônio aziendal, ou do seu
“átomo”: o fenômeno patrimonial - existe uma outra definição que a
designa como “Ciência da informação”. Tal conceito merece ser averiguado
a risca pela filosofia, pois, isto nos dá no mínimo cinco conclusões em
nossa mente:
Ø Que a Contabilidade produz informação;
Ø Que a ciência Contábil é relevação;
Ø Que a finalidade da Contabilidade é informar;
Ø Que a tarefa da Contabilidade é estudar a medida contabilística;
Ø Que o objeto da Contabilidade é a informação.
Analisarei uma por uma, pois, se a contabilidade é uma ciência da
informação, então, ela tem esta por objeto (na terminologia, o objeto
direto é claro, gramaticalmente). Apesar dos critérios de quem emitiu ou
emite tal conceituação, de maneira clara pode-se entender que isto
modifica tudo aquilo que citei até o momento, como tudo aquilo que
nestes meus vinte e poucos anos de vida, senão em meia década de estudo,
conheço sobre tal conhecimento.
É obvio que a contabilidade produz a informação, e por doutrina já
existiram conceituações que pregavam a contabilidade como ciência de
contas, orçamentos e balanços; inclusive alguns ilustres autores
nacionais defenderam tal posição, como Tolstoi Klein (1954); este
insigne autor dizia que a contabilidade é uma ciência de contas, porém,
a fundo ele expressava uma outra natureza desta mesma disciplina.
Pela história, na Índia, china, Brasil, oriente médio, América do Sul há
mais de 5000 anos atrás já se produzia a informação contábil; claro que
em uma linguagem hoje, de difícil entendimento , porém, com traços
similares aos atuais. A escrita contábil é pré-histórica e primogênita,
surgindo antes da comum.
A relevação também faz parte da Contabilidade; ora relevar é tornar
evidente, salientar. O próprio Jaime Amorim (1992, p. 376 e 377) fora
criticado certa vez, por ter utilizado o termo “relevação”, pois, quem o
criticou disse que utilizaria um termo novo na contabilidade, então, de
maneira rigorosa e irônica, o mestre português assim escreveu:
A mais do que uma pessoa tem causado bastante espécie o termo relevação
por mim empregado no livro de que sou autor e que se denomina “Elementos
de Contabilidade”... Parece que se lhes puseram os cabelos em pé e que
ficaram profundamente perturbadas como se se tratasse de simples meninas
histéricas, a quem as mais ligeiras comoções acarretam a perda imediata
dos seus estonteados sentidos. Suponho, porém, que a essas pessoas não
valeria a pena o ter dado uma prova tam flagrante da sua ridícula
fraqueza por via de um conceito tam simples e tam acessível... Com
efeito, pelo que respeita ao pretenso termo novo- relevação-
considerando em si mesmo, posso garantir a quem quer que seja, sem
receio de ser desmentido, que ele é muito velho...
A relevação na contabilidade, portanto, sempre existiu como gênero da
medida dimensional patrimonial ou qualidade informativa dos diversos e
diferentes fenômenos patrimoniais. Não é coisa nova mais arcaica na
contabilidade a prática de revelar, é muito antiga e velha, como disse
anteriormente o mestre português.
Outro interesse desta concepção (a de “ciência da informação”) é dizer
que a contabilidade possui o fim de informar, ou seja, ela busca
produzir balanços, fazer uma escrituração bem feita, orçamentos,
demonstrativos, e diversas outras informações. Sua finalidade é
informar. E não se deve abrir mão desta “sublime” prática.
Então escalonando tal lógica, o que a contabilidade estuda é a medida
matemática e escrita do patrimônio, tal como se diz que ela “analisa a
informação”, os balanços, como diversos dizem; é a informação x,y,z e
outras cifras que estudamos, então certo é fazer do contador um “gestor
da informação” um autêntico guarda-livros que é.
Finalmente a contabilidade tem como finalidade produzir e estudar o seu
objeto: a informação. A televisão que acabei de assistir é um objeto da
contabilidade porque informa; o jornal também; acredito que até a
informação bíblica também o seja, porque severamente foi produzida por
um contador; São Mateus o nosso padroeiro era contador - e assim segue
este raciocínio tal como apresenta ser.
Ainda aqueles que defendem tal concepção, dizem que ela está
absolutamente correta com alguns resquícios de corruptela, porque tal
“ciência” sempre informou, porém, eles justificam tal fato dizendo que
existe uma grande diferença entre “objeto e objetivo”. Ora se a
contabilidade é a ciência da informação, o seu objeto não pode ser o
patrimônio, porque se transforma na relevação. A contabilidade não pode
ter como objeto o patrimônio e objetivo algo diverso deste objeto. Numa
visão ontológica da ciência isto inexiste. O próprio Platão dizia: “
jamais o mesmo sujeito poderá sofrer, ser ou realizar efeitos contrários
na mesma de suas partes” e confirmava “o mesmo sujeito, na mesma parte e
relativamente no mesmo objeto, não pode produzir ao mesmo tempo
resultados contrários”6. Ora se o sujeito “Contabilidade” tem por objeto
o patrimônio, como poderia ser uma “ciência da informação” tendo como
alvo a informação? Isto é algo contrário ao sujeito, ou então existe uma
outra disciplina que desconheço.
Acaso poderia dizer que a física não é a ciência da matéria, e que a
química é a ciência do microscópio ou do laboratório? Se dissessem que a
física e química, fossem ciências da informação, não duvido que Newton
(1642-1727) e Lavoisier (1743-1794) estariam se remexendo no túmulo para
o direito de resposta.
Tal concepção de “ciência da informação” não me engana, mas, ludibria a
muitos que dizem que o patrimônio não é o estofo científico da
contabilidade*, pelo simples fato desta disciplina possuir o aspecto de
relevação, que constitui ser, uma parte de todo aquele vasto
conhecimento existente desde os primórdios dos tempos, junto com o ser
humano.
6 - DESCARACTERIZAÇÃO COMO CIÊNCIA E PERDA DA IDENTIDADE
Quando se pensa que a contabilidade é uma “ciência da informação” estou
descaracterizando tal disciplina como ciência para transforma-la em uma
técnica. A prática da informação seria predominante, porque, nesta visão
a contabilidade nunca poderia ser sabedoria, pois, não influenciaria a
razão mental, mas, a atitude manual do contador.
Mas antes - como procurei explicar no subtítulo anterior, sobre tal
“neologismo moderno” - é preciso averiguar qual é o fundamento desta
concepção; qual é a intenção de ter sido admitida, quais provas desta
ideologia, porque ela existe, em qual gênero pertence e em que condições
ela acontece, pois, somente assim não iríamos cair numa dificuldade.
O fundamento desta idéia como disse foi doutrinal; existia primeiramente
no contismo de Degranges, Manzoni, Barrême e muitos outros, que viam na
minúscula informação, o objeto da contabilidade - apesar de terem
contribuído relevantemente para a sua estrutura teórica.
Também no século XX, com a economia aziendal de Gomberg, Checherelli,
Zappa e Onida a concepção de contabilidade como ciência da informação
tinha algum valor- mesmo que esdrúxulo- porque tal disciplina era apenas
uma relevação como dizia Aloe (1973, p. 20):
Assim, desde essa época, a Contabilidade vem sendo observada não como
uma ciência autônoma, capaz de ser estudada sob todos os aspectos, mas
tão somente como uma parte complementar de uma disciplina mais ampla,
qual seja a Economia aziendal ou Economia da Azienda, que se compõe
justamente das doutrinas da Organização, da Administração ou Gestão (ou
Técnica Econômica) e ainda da Relevação (Contabilidade). (o negrito é do
autor e o sublinhado é meu)
A intenção de emitir este pensamento que explica e designa à
contabilidade, na natureza única de informação e relevação, não sei
constatar totalmente; é algo metafísico, porque não posso “ler a mente”
de que fez tal terminologia em pleno século XXI(por ser absurda). É como
disse Pascal (1623 – 1662) que existem coisas que a própria razão
desconhece.
Porém, com absoluta certeza se fossemos colocar tal conceito da
contabilidade em um peji, acredito que nem mesmo um Oxosse, ou qualquer
outra entidade do candomblé conseguiria entender o porquê desta
determinação.
Arrisco, no entanto, algumas causas: 1) se desconhece a contabilidade 2)
subservilismo 3) corrupção intelectual 4) carência de conhecimento
superior 5) confusão intelectiva 6) pesquisa superficial 7) erro 8)
Sofisma 9) Maldade 10) patologia mental, como loucura ou coisa parecida.
Porém, destes motivos todos que citei, sem equívoco algum, a intenção de
quem emitiu este conceito, foi atinente ao preparo sensível de uma idéia
totalmente contraproducente, que oferece um escrutínio da forma, sem
adentrar na essência do fato, por se manter nos paralogismos da vã
filosofia e urdida incompetência cientifica, que apenas tresanda uma
gnose e ataranta com prejuízo severos a sua pesquisa.
As provas desta mentalidade são diversas note quando digo que a
contabilidade é um sistema de informação e esqueço do seu “sistema de
conhecimentos” – palavras tão destacadas por Ricardo de Sá (1844 -
1912), o primeiro teórico de letras portuguesas - digo que ela é uma
técnica que só informa. Então ela deixa de ser ciência, pois, como já
disse reproduzindo Bachelard (1996), que o conhecimento é uma imagem da
razão; a gnose é produzida pelo raciocínio. E que raciocínio existe na
pratica consuedutinaria dos informes mecânicos e informatizados? Deve
ser a tecla “Enter”.
É bom lembrar que no Direito, o teórico Kelsen (1881-1973) tentou
reproduzir a sua ciência jurídica apenas em norma, ou seja, a letra da
lei, ou sua informação; tal ideologia, todavia, é severamente criticada
por vários cientistas, inclusive Paulo Nader (2002), que parece aceitar
mais a teoria tridimensional de Miguel Reale*.
A informação é apenas uma forma que guarda a essência contábil: os
fenômenos patrimoniais. Reduzir o arcabouço teórico e filosófico da
contabilidade a uma visão irrealista das coisas com um caráter
estapafúrdio, é o mesmo que fazer com que a inteligência artificial
supere o homem, pensamento que nunca foi da simpatia de Casson (Apud -
Herrmann Júnior 1972), quando dizia que nada substituiria o contador,
nem mesmo as máquinas.
Contudo, a idéia de “ciência da informação” ainda existe e há de
existir. A confusão da imagem com a coisa nunca foi nova. Na igreja
católica apostólica romana, em seu início, uma heresia quebrava todas as
imagens sacras, com o fundamento de que a representação era o objeto
representado; então, nesta perspectiva, facilmente se podia fazer
idolatria. Tal heresia se chamava “iconoclastia” (significa “quebra de
ícones ou imagens”). O mesmo ocorre na contabilidade: a meu ver tal
mentalidade de “ciência dos informes” confunde a imagem com o objeto; é
uma heresia cientifica e deveria se fazer como se fez na santa igreja:
providenciar um concilio para a ojeriza e anátema desta mesma concepção.
Sempre se ouve esta frase “A contabilidade é uma ciência da informação”,
portanto, o que dizer da auditoria, perícia e análise? Também são
informações? O laudo do perito é uma informação, mas, o conhecimento que
o produziu é o que? Tudo que se pensa pode ser informado, mas, nem tudo
o que se informa contém conhecimento contábil. Nem toda a informação do
mundo conteria toda o conhecimento dos escritores, isto é uma verdade
axiomática.
Não se deve, pois, dizer que o objeto é uma coisa e o objetivo outra,
sem relação alguma; tal pensamento é um paralogismo. Ora uma coisa que
não é a coisa acaba sendo o que? Uma ciência não pode ser instrumento do
seu instrumento. Se algo luta contra si mesmo poderá subsistir? Um reino
não luta contra si mesmo. É o que Paulo de Tarso (Apud - Paes 1968, p.
32) dizia: “um homem confirmado, ninguém o anula nem lhe acrescenta”, ou
seja, ninguém o modifica; assim é na ciência: quando ela está
confirmada, ninguém pode lhe tirar esta natureza superior, para que ela
caia no desencanto.
Se pensássemos então que Plínio Caecilius Secundus (62-113 d.C.),
conhecido como o jovem, apenas leu e produziu as informações contábeis,
cairíamos num pertinaz engano. Plínio (Apud - Paes 1968, p. 37) não só
prestou contas a Trajano como tomou decisões administrativas por meio da
informação, pois, esta lhe servia como instrumento para o conhecimento
contábil que possuía; ou seja, o mestre não apenas informou, mas
procurou entender os informes, buscando a sua essência, e tentando
disciplinar os fenômenos patrimoniais para a eficácia e prosperidade do
patrimônio público romano, como assim fez.
Até mesmo a contabilidade gerencial está resumida nas informações, ou
seja, falar desta especialidade contábil é o mesmo que fazer planilhas
de custos, preços de vendas, orçamentos e alguns poucos quocientes (que
tentam salvar o resto desta especialidade); a gerência nesta visão nada
é mais que um dado, embora, seja importante, não chega aos pés da
verdadeira contabilidade para a gerência. Para mim contabilidade
gerencial trabalha diretamente com a análise, explicação e orientação em
base dos informes diversos, e não o contrário, no qual se realiza esta
atividade para objetivar os informes, e o processo racional virá uma
“ferramenta”.
Dizer que a representação vale muito mais que a razão numa ciência é
desprezar com entojo a cooperação imprescindível da “epistemologia
genética”, disciplina que preconiza e analisa a inteligência e a mente
do ser humano, criada por Piaget (1896 - 1980), o psicólogo da
inteligência.
7 - A CONTABILIDADE COMO PROCESSO E NÃO COMO CIÊNCIA
A economia aziendal como doutrina pregava a união de três ciências, a
saber: a organização, que provia a ordem dos fatos e setores da empresa;
a administração que gerenciava os fatos, e a contabilidade com o
imputado posto de “relevação”, pois, para eles tal disciplina era isto e
nada mais: um levantamento das existências ou riquezas de uma azienda
formada.
A partir da década de 50 do século XX, tal mentalidade passou a cair em
desuso, porque, existia uma parte mecânica na contabilidade que passou a
ser apropriada por máquinas que auxiliavam o serviço contábil, como que,
a pratica do contador.
O próprio Francisco D`auria (1953) -em sua obra sobre o seu
cinqüentenário de profissão - chegou a dizer que três coisas marcavam a
história da contabilidade quando em 1914, trabalhava na secretária da
fazenda nos cálculos de valorização do café; e nada mais era do que as
máquinas. Havia as seguintes marcas: Burroughs, de somar; Brunsviga, de
calcular, e Underwood, de escrever. Tais tecnologias facilitavam o
serviço do nobre contador.
E hoje, mas do que nunca, percebe-se que o uso de computadores facilitou
qualitativamente o serviço contábil, inclusive, o mecânico que só almeja
a produção da relevação. Com uma tecla se escolhe a espécie de
relevação, selecionando-a, e em poucos segundos ela estará impressa.
Isto é informação rápida e simples.
Os novos economistas aziendais, porém, dizem que a contabilidade é
informação. Então é processo. Processo mecânico e informatizado não é
conhecimento. É o que se chama “Inteligência artificial”, portanto, a
contabilidade está acabada como ciência ou sabedoria; ela se finalizou
na informática, ou melhor, ela “termina onde começa” a tecla do
computador (é assim que comumente os neoaziendalistas dizem).
Está certo que os “fins justificam os meios” como dizia Maquiavel (1469-
1527), por isso, para justificar a “ciência da informação” que é a
contabilidade, devem considerá-la como um processo alheio à razão, pois,
tal método está absorvido pela informática - é como dizia Rubem Alves
(1994), que “o conhecimento pertence ao corpo”, por estar na carne, como
um vegetal automático; a “carne” da contabilidade é a informação
computadorizada; a “alma” da mesma disciplina é a sabedoria ou sua
ciência -; porém, é preciso ressaltar que nem toda finalidade é igual ao
meio, porque se diferencia, o escopo com o instrumento que se vai
utilizar na colimação.
Ou seja, o telégrafo sem fio de Marconi (1874 - 1937) é um instrumento
para a comunicação e não se confunde com a inteligência do operador. Os
raios-X de Rontgen (1845 - 1923) não poderiam ser organismos humanos e
nem se mesclam com eles, porque são apenas instrumentos que servem para
a representar os corpos nas suas diversas patologias (cito tais mestres,
porque ambos já foram laureados pelo prêmio Nobel).
Se o instrumento é o mesmo que a finalidade de um conhecimento então, o
giz era o próprio professor, da mesma maneira que o livro seria a
própria sabedoria que nele contém. Instrumento não é o mesmo que
conhecimento. Meio não é o mesmo que finalidade.
Além disso, deve-se enfatizar que uma coisa é um instrumento, e outra
coisa é o conhecimento que o utiliza adequadamente. O próprio Platão
(427 – 347 a.C.) dizia: “O fato de tomar nas mãos qualquer outro
instrumento não fará de ninguém um artífice ou um atleta, nem será útil
àquele que não tiver o conhecimento de cada arte nem obtido a prática
suficiente...”7.
Portanto, para que se saiba utilizar instrumentos, necessário é que se
tenha conhecimento teórico ou acumulado sobre o mesmo processo, ou então
um “raciocínio filtrado”, mesmo quando se obtém conhecimento pela
experiência mental e cotidiana.
O próprio pai da contabilidade brasileira, o saudoso Carlos de Carvalho
(1973, p. 26) docente da escola de comercio Álvares Penteado, dizia que
existia grande distância entre a arte empírica e o conhecimento
contábil, entre o contador e o guarda-livros: “Contador, em resumo, é
aquele que possui a teoria, é o que chega à prática depois de deduções
científicas. Guarda-livros é o que chega à prática por meio da própria
prática... ele é senhor de uma arte empírica”.
Aristóteles (384- 322 a.C.) dizia que um homem que não pensa no que faz
é totalmente inútil; ou seja, não basta ter um instrumento irracional se
não explica ou se medita sobre o mesmo. Dizia o mestre reproduzindo
Hesíodo (O pai da “teogonia” que era um tipo de mitologia que explicava
a criação do mundo):
Ótimo é aquele que de si mesmo conhece todas as coisas;
Bom, o que escuta os conselhos dos homens judiciosos.
Mas o que por si não pensa, nem acolhe a sabedoria alheia,
Esse é, em verdade, um homem inteiramente inútil.8
Portanto, é inútil o contador que apenas age pragmaticamente. A
contabilidade também é inútil se é um processo, uma prática automática,
que não carece de pensamento. O homem-contábil perde valor nesta visão
que enclausura uma ciência no seu instrumento. A informação tal como
hoje é produzida, renuncia a mente, mas, continua sendo totalmente
vulnerável à análise que infelizmente, não poderá ser feita pela
contabilidade, já que é uma “ciência da informação” e está muito fácil
produzi-la.
Não adianta culpar o fisco e o governo; amanhã novas tecnologias
surgirão para suprir esta miscelânea de cálculos.
Na fisiologia, ciência natural e humana, Pavlov (1849- 1936) dizia que o
campo de observação estava ainda a ser explorado, na busca de leis que
regem a atividade do organismo animal, que seria o objeto desta
disciplina também experimental9.
Será que na contabilidade o campo para está abundante? Sim. Quando está
deixar de ser imaginada como processo ou não - ciência (doxa), para se
tornar realmente uma ciência com todos os seus direitos de ser, tal como
qualquer outro ramo do saber superior (episteme) que sempre indagará
sobre os fenômenos estáticos e dinâmicos que apresenta, oferecendo
diagnósticos e terapias, tal como a medicina faz com um paciente.
8 - MORTE DA CONTABILIDADE
Aristóteles (384 – 322 a.C.) dizia reproduzindo Hesíodo, que o homem que
não pensa é inútil, então, quando se diz que a contabilidade é apenas
relevação ela fica inútil porque subtrai toda a noção pura de
entendimento pensante, própria da mente espiritual superior que em
atitude elevada procura explicar pelas leis as razões dos fatos e
acontecimentos.
Se reduzirem a contabilidade a um processo, ou medidas contabilísticas,
avaliações do ativo, e normas - que ganham em ausência de qualidade,
para exemplificar a de número 8, que trata de erros fundamentais, apesar
de estar cheias de erros - ela está morta porque “termina onde começa” a
informação.
Um processo absorvido pela informática, não elimina a ciência quando se
reconhece a necessidade desta como propriedade distinta, agora quando se
une o processo com a inteligência humana, acontece o “regresso” e para
isto “não há desprezo que chegue” como dizia Niestzche (1844- 1900).
O próprio Masi (1971) já profetizando o que iria acontecer na
contabilidade, chegou a afirmar que os processos mecânicos em nossa
ciência iriam perder a qualidade, ou seja, não seriam mais contábeis,
mas, ao alcance de todos aqueles que dominam as máquinas, porém,
permaneceriam imortalmente os fenômenos patrimoniais.
Também Cosenza (2001), dizia que pelo fato de existir a internet, a
informação seria de domínio comum a qualquer ser humano, com algum
talento criativo, que soubesse manejar os instrumentos; aludia, o mestre
então, para a era do conhecimento já que a informação se vulgarizou
tornando-se trivial.
Veja também que o saudoso administrador Drucker (1974)- falecido há
pouco tempo - em sua obra “Uma era de descontinuidade” já dizia que o
sucesso empresarial ou científico seria aquele que saberia dominar a
evolução do tempo e conseqüentemente conseguiria absorver todas as
inovações.
Isto nada mais era do que aquilo que o próprio Darwin (1803 – 1883)
pregava: que o homem em seu talento deveria se sustentar sobre todas as
condições, para evolver e ultrapassar os seus limites nas épocas
especificas. O homem é uma transmutação, um ser proteiforme que deve
saber conviver e adaptar às ocasiões diversas.
Ora, até aquilo que Fayol (1965) dizia sobre a contabilidade - como
orgão de visão das empresas - deveria ser pensado pelos que lhe atribuem
a qualidade como técnica de informar e não como tecnologia e
conhecimento.
Acredito, porém, que esta deficiência cultural está no mau uso da
sensibilidade que faz perceber o fenômeno; é uma “iconoclastia” contábil
que faz ver a imagem do objeto igual ao mesmo. A informação, adjetiva se
torna igual ao seu sujeito e substantivo, a contabilidade.
Porém, quando existe uma ojeriza neste termo - pois, “no que concerne o
ódio e precisamente ao sentimento de rancor é evidente que se pode fazer
uma análise atenta10” como dizia Aristóteles (384 – 322 a.C.)- de
ciência da informação, subentendido como próprio de uma gnose superior,
porém morta, é preciso saber que isto vem de um senso comum.
O filosofo Wiliam James (1842-1910) pai do pragmatismo, dizia que o
homem seguia nada mais que uma metafísica (Apud - Bachelard 1996) e na
contabilidade eu poderia afirmar que os indivíduos que seguem esta
filosofia, não seguem uma ou duas metafísicas, mas, três, quatro, meia
dúzia - aqui escrita no sentido de quimera -porque camuflam até o
“objeto” da contabilidade que é a informação.
Tais pessoas que atingem a ciência comum se retratam muito bem no dito
conhecimento vulgar, falso, que é tratado como verdadeiro, como dizia o
Zaratustra de Niestzche que jogava pragas e maldição neste tipo de
atitude:
A vossa maldição, porém – imaculados que procurais o simples
conhecimento!-, há de ser nunca chegardes a dar à luz, por muito
avultados e prenhes que apareçais no horizonte. Na verdade, encheis a
boca de palavras nobres, e havíamos de crer que o vosso coração
transborda, embusteiros?11
Tais pessoas que pregam pontos de vista tão assombrosos possuem
criteriosamente mais currículos do que eu (pois, muitos são até
doutores), porém, deixam suas características com conspurcardoras
marcas, quando dizem tão pouca coisa de um conhecimento tão vasto que
surgiu ao mesmo tempo em que o homem na concepção de Hernandez (2000).
Mas, não. A contabilidade não é processo ou informação, ela é muito mais
do que isto, ela explica os informes, tal como as demais ciências.
Aquilo que Fayol (1965, p 26) reclamava na administração - a presença de
doutrina-, já existe na contabilidade pelo neopatrimonialismo, neto de
Masi (1893 – 1977) e filho de sua doutrina patrimonialista.
O professor Francisco D`auria (1962) já profetizava, monumentalmente
sobre a nossa profissão quando dizia que existiria o consultor contábil,
como resultado de uma conspícua e normal evolução. Na sua época ainda
predominada a técnica sobre o saber teórico, porém, o mestre emitia tais
concepções.
Também é escusável colocar a culpa somente no governo e no fisco. As
hipótese e orientações feitas por Marques (2006) e por Smijtink (2006)
(ilustre presidente do conselho do Paraná), propõem auxilio e alivio no
término da incrível burocratização dos tributos diversos que temos a
conta de calcular. É plausível a atitude dos colegas.
Ora, o contador do futuro é aquele realmente gerencial, que propõe
orientação à administração, explicando os corretos, perspícuos e
adequados modelos de comportamento, com o auxilio da relevação apurada
obtida pelos manuais de informática e computação. A informação será um
instrumento no porvir como sempre foi no pretérito.
Os métodos de relevação - e digo isto em tom forte e rigoroso-, passarão
a não ser mais privilegio de nossa disciplina, pois, já estão absorvidos
pelas máquinas. Os instrumentos de relevação poderão cair. O contador
não fará a informação num futuro pouco distante. A relevação como
privilegio da contabilidade deixará de existir.
Mas, um mosaico imenso de naipes fenomenais irá permanecer
imutavelmente: os fenômenos de vendas, lucros, reservas, imobilizações
financeiras, dívidas, circulação, giro, compra de estoques, aplicações
financeiras, investimentos, gastos diferidos, integralização do capital
social, prejuízo, despesas eventuais; como os fatos de capitalização,
desvio do capital, definhamento, compatibilidade circulatória, liquidez
estática e dinâmica, desequilíbrio, insolvabilidade, rentabilidade,
operacionalidade, obsoletismo, produção, invulnerabilidade,
aproveitamento, inalteração, paralisação dos investimentos,
participação, absorção, lucratividade, anti-rotação da riqueza e outros.
Estes sempre permanecerão, repito, ora, nos aspectos estáticos e
dinâmicos com relatividade.
Repito e nunca me cansarei de repetir “interpretar estes fenômenos
(patrimoniais) determinar os valores patrimoniais, sua transformação,
seu consumo, estudar os investimentos e as provisões de fundos, a
formação dos réditos, sua destinação e sua defesa, como a defesa do
capital ou do patrimônio em geral, é e será sempre o problema central, o
problema principal da contabilidade na empresa.”12
O espaço contábil de mercado futuro deixará de existir apenas para
escriturários, mas, estará aberto, principalmente, para auditoria,
perícia e análise - esta tecnologia que impreterivelmente almeja o
escopo de nossa doutrina na prosperidade das células sociais.
O contador gerencial será não um “gestor da informação” mas, um “gestor
do conhecimento” que acumulou em seu cérebro ou espírito - seja em
concepção idealista ou materialista - na busca da padronização das leis
da contabilidade. A informação será uma “preliminar e não resultado
final” como dizia Einstein (Apud - Rohden 1987).
Portanto, o esforço malgrado e nefástico que tentava destruir a forma
essencial e racional do fenômeno patrimonial, cotejando-o numa
representação variada, própria para uma rapsódia atrabiliária e mal
feita de sua natureza, terá o seu fim. Vai morrer não a contabilidade,
mas, a sua mecânica que não será mais tecnologia sua, porém, “mais uma
tecnologia”, e existirá sim, a consultoria na azienda comercial,
industrial, pública, como matéria de grade curricular de universidades e
faculdades do mundo todo.
CONCLUSÃO
O verdadeiro objeto da contabilidade como ciência nada mais é que o
fenômeno patrimonial que ocorre na riqueza, ora transformando e
provocando variação, produzindo também os estados de eficácia e
ineficácia, de acordo com os comportamentos específicos, sendo que tal
concepção é aquela que provém de uma verdade histórica e cultural.
Portanto, a contabilidade estuda os fatos patrimoniais, e, por meio de
suas leis, procura discipliná-los corretamente nos ditames que ladeiam a
eficácia e prosperidade patrimonial, tão própria para a atividade
racional e intelectiva do homem contábil de cultura superior.
A contabilidade em seu gigantesco e quase infinito arcabouço régio
teórico, não permitirá que seu vasto potencial se atenha na póstuma
informação que apenas será uma preliminar para um resultado final, de
toda a análise contábil obtida pelo estudo dos contínuos e grandiosos
fenômenos patrimoniais nos seus aspectos sistemáticos de relatividade
estática e dinâmica.
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20/11/2005. Cáp. I, n. 14. 6- PLATÃO. A república. Tradução de Pietro
Nassetti. São Paulo: Ed. Martin Claret, 2005. P. 132 e 135.* Tal arguto
já foi expresso pelo Dr. Alexander Broedel Lopes (2002) parafraseados
por autores como Iudícibus, Martins e Carvalho (2005) no artigo
“Contabilidade: Aspectos relevantes da epopéia de sua evolução” (tal
trabalho consta na bibliografia); os doutores assim expressam na página
12: “Note-se que alguns autores, como Broedel Lopes (2002), consideram
que o patrimônio não pode ser o tecido científico da Contabilidade, pois
quem define patrimônio é a própria contabilidade.” Porém, na mesma
página, um pouco antes, os autores apontaram uma outra afirmação
contrária àquela que repassaram “...Assim, o objeto da Contabilidade, ou
seja, o patrimônio e suas variações quantitativas e qualitativas, é a
resposta ou a forma mais inteligente...”(o negrito é nosso) Portanto,
nota-se que apesar de terem exposto a afirmação de Lopes (2002) eles
discordam do mesmo ponto de vista. Masi (1968) também abordava sobre
aqueles que não aceitavam a contabilidade como ciência do patrimônio,
cita Domicinis (em seu artigo “ Su taluni concetti di ragioneria” na
revista italiana de 1965) que escreve “ A contabilidade se deve ocupar
necessariamente de fatos patrimoniais...e neste ponto, nota ele,
concordo plenamente com Masi - não significa pois, dever admitir
necessariamente que a Contabilidade constitui a ciência do
patrimônio...” ( o negrito é do autor) (esta subscrição é semelhante a
de Broedel); tal como cita Lampson(em sua obra “Principles de
comptabilité economique” de 1950) que diz “ ela não é certamente uma
ciência”; tais afirmações titubeiam o valor da qualidade contábil
científica e põem em dúvida o cânon do seu objeto.* A teoria de Miguel
Reale dizia que o fenômeno jurídico deveria ser observado em três
dimensões: fato, valor e norma, aspectos que estão em profunda
interação. 7- PLATÃO. A república. Tradução de Pietro Nassetti. São
Paulo: Ed. Martin Claret, 2005. p. 62. 8- ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco.
Tradução de Pietro Nassetti São Paulo: Ed. Martin Claret, 2005. P. 20.9-
PAVLOV, Ivan Petrovich. Reflexos Condicionados e Inibições. Versão de
Dalcy Fontanive. Rio de Janeiro: Zahar Editores. 1972. O mestre assim
dizia na página 37: “Sobre uma base puramente objetiva e biológica se
esclarecem, portanto, as leis que regem a mais complexa atividade
nervosa...” e complementa “... o essencial é que diante de nós
estende-se um amplo horizonte de pesquisas...”. 10- ARISTOTELES.
Retórica das Paixões. Prefácio Michel Meyer; Introdução, notas e
tradução do grego de Isis Borges B. da Fonseca. Livros Clássicos.São
Paulo: Livraria Martins Fontes, 2000. P. 27.11- NIESTZCHE, Friedrich.
Assim Falou Zaratustra. Tradução Alex Martins.São Paulo: Ed. Martin
Claret, 2005. p. 102. 12- Apud - VIANA, Cibilis da Rocha. Teoria Geral
da Contabilidade. Volume I, 5. Ed., Porto Alegre: Livraria Sulina
Editora, 1971. Esta transcrição é de Vincenzo Masi (1893-1977), pai do
patrimonialismo.
Rodrigo Antônio Chaves da Silva
Contador e Pesquisador
Membro da Associação Científica Internacional Neopatrimonialista (ACIN)
Membro do Clube Tablero Comando de Balanced Scorecard da Argentina
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