A política – Livro I, Capítulo 3.
A visão sistemática do patrimônio, aquela concernente às idéias de
Francisco D`auria (1959), assume uma nova concepção com os estudos
modernos do Neopatrimonialismo. A riqueza da célula social é um agregado
de sistemas, com fenomenologias específicas, mas, com profundas
interações entre si. A resultabilidade é um sistema patrimonial,
composto de custos e receitas, que em interação produzem esta função,
que nunca deixa de receber influências dos ambientes aziendais, assim,
tal conjunto oferece diversos problemas para a razão contábil. O estudo
das espécies funcionais da resultabilidade, o lucro ou prejuízo, e a
análise dos fatos redituais, são tarefas contábeis importantes, que
podem ser alcançadas com o absoluto rigor científico e doutrinal, tal
como propõe, e orienta, o novo patrimonialismo Brasileiro. Portanto, o
tratamento inquiridor sobre este sistema, que se enquadra entre os
principais, cujo efeito se transmite na capitalização e prosperidade do
capital organizado, é uma tarefa de cunho superior, própria do contador
moderno. O escopo desse trabalho é, pois, abordar sobre os aspectos
gerais deste fundamental sistema patrimonial, em ótica neopatrimonial,
explicando os seus conceitos, sua importância, e os procedimentos
clássicos para sua análise e interpretação, de modo que se possa entendê-lo
contabilmente, como também, propor adequadas normas de comportamento
para a sua eficácia.
1 - INTRODUÇÃO
É por conceitos que, inicialmente, se faz a ciência. Ou seja, quando se
sabe o que é um fenômeno, objeto, ou coisa; a sua importância; a sua
relação com outros elementos; o seu estudo perante as outras
disciplinas, ou de acordo com as doutrinas modernas, está se
conceituando; então se forma o início de um conhecimento. E um dos
conceitos fundamentais da contabilidade é o da resultabilidade.
Portanto, este trabalho procura averiguar de forma holística, os
conceitos, aspectos,
teorias, efeitos, causas, e procedências deste importante sistema
patrimonial. Em ótica Neopatrimonialista, percebe-se que a
resultabilidade possui uma essência, dimensão e um ambiente em que se
forma - como veremos no decorrer das alusões. Utilizamos uma pesquisa
bibliográfica, embasada em obras científicas para a elaboração deste
artigo; de maneira teórica, denotaremos os naipes para o estudo e
conhecimento desta fenomenologia, também, mostraremos modos para analisá-la
e interpretá-la Em ordem, iremos demonstrar as características do fato
reditual, tão comum nos escritos dos cientistas contábeis2.
Para objetivar a explicação dos aspectos diversos da resultabilidade,
respalda-se no conhecimento contábil. Os estudos dos fenômenos
patrimoniais - sejam de quaisquer naturezas ou categorias que podem se
apresentar - somente conseguirão eficácia se forem realizados em base
teórica. O tratamento sobre este sistema, que aqui apresentamos é uma
proposta cultural amparada em ciência e doutrina. Isto porque a cultura
gnosiológica de uma disciplina revela ser a parte mais importante da
mesma, e sem ela não se tem razão, porque se concebe apenas a prática
rotineira. Nossa aspiração também é cultural, porque assim foram dados
os exemplos, dos caminhos trilhados pelos respeitados pensadores3.
Durante a evolução doutrinal da contabilidade-principalmente nos
movimentos ostentados entre os séculos XV a XVIII - notamos que a maior
preocupação do contador, ou guarda-livros - como assim era chamado-, foi
a prática de escrituração e planificação de contas. Á medida que o tempo
passava, via-se a urgência em saber pensar, entender e raciocinar, os
fenômenos que motivavam os registros. Surgia a consultoria com a cultura
teórica, fundamental para a orientação das empresas.
Hodiernamente, portanto, para o mercado, a atividade do consultor de
riquezas, exige, não somente que ele saiba a prática dos processos
analíticos, mas, mormente, tenha concomitantemente, conhecimento sobre
aquilo que se analisa e testifica - a sanidade ou patologia do
patrimônio, com as respectivas orientações para a decisão. Para a
profissão contábil, a consultoria se revela totalmente vulnerável à
cultura que explica os fenômenos principais do conjunto patrimonial.
Então, não basta saber se existe um resultado, e não basta considerá-lo
como algo absoluto (como se a empresa apenas possuísse a resultabilidade
como função). Deve-se, acima de tudo, ter a razão mental, que consegue
interpretar os diversos aspectos comportamentais do rédito, nas diversas
performances que o mesmo irá se revelar nos demonstrativos, pelas
condições empresariais inumeráveis, que o orientador patrimonial irá
encontrar no decurso consuedutinário de sua atividade.
É preciso pensar a resultabilidade. Deste modo, que se analisa
corretamente. Imprescindível é saber que ela possui uma essência,
dimensão e ambiente de formação - tal como entende e propõe o
neopatrimonialismo-; conhecer as possíveis marchas dos seus fenômenos e
as influências que trazem para a prosperidade. Somente assim, se poderá
formular profícuos récipes, que em nada atarantam o crescimento da
riqueza, porque são proficientes à altura, para conseguir interpretar
adequadamente, orientando bem, ao gestor ou administrador do patrimônio.
Então, este artigo se justifica na seguinte premissa: o estudo da
resultabilidade deve ser realizado com base teórica para se definir
importantes panoramas para a marcha da eficácia e prosperidade
patrimonial, considerando-a como sistema fundamental do mesmo objeto que
inquirimos, e entendendo o seu funcionamento.
Primeiramente devemos entender tal sistema, considerando as explicações
dos diversos escritores da contabilidade - de uma forma introdutória.
Por conseguinte, investigaremos tal fato de acordo com a teoria
Neopatrimonialista; tese brasileira de repercussão mundial.
Se o rédito é um dos principais fenômenos do patrimônio, e se a sua
ocorrência normal traz a prosperidade para a célula social, então
analisá-lo e explicá-lo, para torná-lo sempre são, é uma tarefa social.
A sociedade só possui eficácia quando as suas células sociais são também
eficazes. O tema que tratamos, possui, por conseqüência indireta, uma
importância social, na mesma razão do entendimento correto da
resultabilidade, que torna o empreendimento social vivo e atuante na
comunidade humana, tal como no organismo econômico. Por este motivo,
surge a necessidade de saber pensar e entender este objeto da
consultoria com conhecimento. A conseqüência desse certo entendimento
será uma adequada orientação, para uma prudente, sagaz, e competente
administração do patrimônio social.
2 - NOÇÕES PRELIMINARES E CONCEITUAIS SOBRE A RESULTABILIDADE
Diversos são - e foram- os conceitos em torno da resultabilidade: ora
dita como fenomenologia; objeto de estudos da contabilidade (como foi
aceito doutrinariamente pela teoria reditualista); fato (pois, se
distingue fenômeno de fato na filosofia); resultado de uma operação
aritmética (dos números que representam os custos e receitas); operação
escritural e outros mais, de posições específicas, que durante a
evolução dos tempos observamos até o evoluído conceito de função
fenomenológica e fatológica de um sistema; conceituação esta derivada do
neopatrimonialismo. Mas, deve-se observar primeiramente os aspectos
históricos de valorosos autores, para verificar a genuinidade deste
conceito como resultado do progresso racional de nossa disciplina. Então
mostraremos, inicialmente, estas explicações num panorama geral,
destacando os naipes das conceituações sobre a função reditual. Vejamos
quais foram as alusões a este sistema.
Na filosofia antiga, o aluno de Sócrates (470 – 399 a.C.), conhecido
como Platão - pois, seu nome real era aristocles -, quando expunha
idéias na obra denominada “A República”, tratava o mestre de aspectos
sociais, até discursar sobre uma atividade denominada “arte de lucros”.
Perguntava o sábio (Livro I) “Portanto, também a arte de lucros tem o
seu salário?”; então, o filósofo tratava do ganho, do incremento, do
acréscimo da riqueza. Talvez seja um dos testemunhos mais antigos da
concepção da resultabilidade na filosofia grega.
Porém, não se pode afirmar que o pensamento de Platão (428 – 348 a.C.),
seja o mais antigo que tratou sobre o rédito. Desde o início da
humanidade - nas organizações familiares e nos patrimônios de indivíduos
- havia o resultado patrimonial, porém, sem concomitante conceituação
desse objeto fenomênico, e sem a total compreensão do mesmo. Existia uma
vaga sensação da resultabilidade nas contas, que confrontadas, denotavam
“sobras” ou “perdas”; daí via-se o que tinha de mais ou de menos, em
relação àquilo que se gastava ou investia no período; tudo isto num
entendimento elementar.
Quando no confronto de contas escrituradas, o homem-contábil percebia
que se tinha mais do que se gastava no passado, havia o lucro, que é uma
espécie de resultado (pode existir também outro tipo de resultado, como
o prejuízo). Portanto, na história da contabilidade escrita por Klein
(1954), há um relato, que na Babilônia havia as casas comerciais que
registravam em tabletes de argila os movimentos patrimoniais; isto há
mais ou menos 3.000 antes de Cristo; alguns dos lançamentos historiavam
fenômenos da “Casa de Egibi”, que seria o nome de um empreendimento.
Estes processos mnemônicos já denotavam a questão reditual; fácil era
notar o ganho em relação às contas que representavam: gastos e receitas.
Então concebido era o aspecto da resultabilidade pela prática da
escrituração e apuração dos resultados.
O monumental rei Salomão (961 - 920 a.C.) na sua obra “Provérbios” fazia
alusão ao lucro no aspecto social: “Mas vale o pouco com justiça do que
grandes lucros com iniqüidade” (Cáp 16, versículo 8); percebe-se então,
que havia o conhecimento desta espécie de resultado. O lucro era
comentado, mas, no povo hebreu, o seu uso não poderia ser para a
especulação, até porque havia uma concepção social da resultabilidade,
posição que seria firme nas idéias contábeis no século XX, no início da
doutrina reditualista.
Mas, com o passar dos tempos, evoluindo foram os conceitos sobre o
rédito, todavia, até na idade moderna, que se finaliza no século XIX,
poucos eram os que concebiam a resultabilidade como fenomenologia, porém
como uma escrituração de contas, um resultado aritmético, uma apuração
algébrica dos valores das cifras.
Na idade média, o próprio Luca Pacioli (1445 - 1516) que escreveu o
“Tratado de Cômputo e escrituração”, além da docência em explicar as
diversas formas e tipos de registros, abordou sobre o resultado, na
espécie de lucro, dizendo inclusive, que o tal seria saudável para o
empresário que trabalhasse honestamente. É um ponto essencial histórico,
sobre os conceitos da resultabilidade.
Até no século XIX, uma tese de nível daquela proposta por Coffy (Apud –
D`auria 1954, p. 471), fora raro de se encontrar, pois, o mestre pregava
sobre a variação do capital; com absoluta certeza, tinha em mente, o
resultado da gestão que produzia também o rédito. Dizia o insigne
francês, que se deveria ter em mente o estudo do capital buscando a sua
causa e efeito, posições muito oportunas produzidas pela resultabilidade,
que promove a transformação da massa patrimonial.
Porém, outra posição de cunho monumental e superior, é aquela proposta
por Fabio Besta (1922), no início do século XX, na sua “Ragioneria
Generale” - primeiro volume- quando tratava sobre a função da gestão,
abordando sobre a resultabilidade; dizia o mestre que o resultado se
manifesta (p. 88): “Pela diferença entre o total do patrimônio líquido
demonstrado num período anterior, com seu aumento alcançado depois, e o
total da sua diminuição que existe no mesmo espaço de tempo.”; e ainda
acrescentava em outra parte, dizendo que esta função, seria também, o
produto da diferença entre os valores dos gastos e serviços prestados
(p. 103): “Em toda a empresa... o lucro e ou o prejuízo procede
principalmente da diferença dos valores dos produtos alcançados ou dos
serviços realizados e o seu custo”. O mestre considerava também, que o
resultado alterava a substância patrimonial do organismo aziendal,
aumentando e alterando o seu espaço (Massa).
Diversos outros autores brasileiros também expunham conceituações sobre
o rédito: para Erymá Carneiro, - no seu livro: “Aspectos Jurídicos do
Balanço” (p. 117)- o resultado seria a diferença entre as receitas e
despesas; o cientista D`auria (1956, p. 111) o entende como um fenômeno
que altera a riqueza; os testemunhos de Koliver (1971, p. 165), dizem
que o resultado do exercício é a constituição de um valor absoluto
apreciado no tempo de atividade; de acordo com Armando Aloe (1973, p.
29) a resultabilidade seria “o aumento ou a diminuição de um capital, em
determinado período de tempo, devido aos fatos de gestão”; para Valle
(1984) esta função seria uma variação patrimonial. E assim, temos
diversas explanações sobre a resultabilidade e o seu significado.
A reunião das conceituações dos autores diversos da contabilidade, sobre
tal fenomenologia, se interage com aquele da doutrina moderna do
neopatrimonialismo: a resultabilidade é um produto fenomênico dos custos,
ou investimentos em produção, em confronto com os serviços de vendas
realizadas num período determinado. Os custos e receitas fazem parte
deste fundamental sistema da contabilidade.
3 - NEOPATRIMONIALISMO E O ESTUDO DA FUNÇÃO REDITUAL
O progresso do pensamento contábil, que deriva de milênios, numa
evolução fundamentalmente científica, denotou a necessidade de encetar
uma teoria que auspiciasse aspectos gerais da contabilidade, numa
compilação positiva. Tal empenho doutrinal é o que se chama “Neopatrimonialismo”.
Portanto, os conceitos em torno da resultabilidade, com a noção
sistemática, nas suas espécies, no seu efeito, na sua relação
interdependente, na sua natureza, importância e contribuição para a
prosperidade, são bem definidos pela “Teoria Geral do Conhecimento
Contábil” da autoria de Antonio Lopes de Sá (1992).
O autor mineiro acrescentou com originalidade expositiva, aspectos de
valor nesta
fenomenologia (resultabilidade), reunindo as idéias de D`auria, Amorim,
Masi, Besta, Zappa, Schmalenbach e diversos outros cientistas de valor,
que não se preocupam ou preocuparam com a quantidade de formulações de
conceitos, todavia, com a qualidade de opinião, numa visão universal do
todo, em prol da inquirição e análise da essência patrimonial.
Em primeiro lugar a resultabilidade deve ser entendida como sistema; tal
adoção provém dos “Primeiros Princípios da Contabilidade Pura” de
Francisco D`auria (1959); nesta obra (na terceira parte, I compêndio,
cap. 4), o mestre aborda sobre a “sistematologia”, que é o estudo do
sistema. Na teoria geral do conhecimento contábil Sá (1992) aborda sobre
a resultabilidade como sistema (nas páginas 32,158 e 183, basicamente)
dizendo que há “necessidades de obter resultados” (p. 32), e que,
portanto, há “função de resultabilidade” como um dos movimentos
fundamentais do patrimônio.
Na visão Dauriana (exposta por D`auria na obra referida anteriormente),
o mestre faz alusão à “sistematologia” - como foi dito – e também,
“sistematografia” (Terceira parte, II Compêndio, Cáp. 9)- que seria uma
atividade expositiva do sistema. Nesta última podemos citar a
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE); e na sistematologia
pode-se referir aos estudos dos fenômenos de receitas, despesas, custos,
perdas, ganhos e rédito. A dimensão expositiva não se confunde com a
fenomenologia reditual.
O resultado possui, pois, duas espécies básicas a se destacar: o lucro
ou prejuízo. Portanto, o lucro é o resultado positivo do patrimônio que
garante acréscimo do mesmo; o prejuízo é o produto negativo da
resultabilidade que promove decréscimo da massa patrimonial. A
resultabilidade é um conceito muito mais amplo, que compreende o
movimento da riqueza na aspiração de resultados, como expressou Sá
(1995, p. 34):
“... Podemos perfeitamente identificar o rédito como uma resultante do
movimento dos sistemas de funções patrimoniais, mas, para não mesclar o
que já é tradição, ou para tentar modifica-la paulatinamente, preferimos
aceitar como rédito a resultante do sistema próprio, e que é o da
resultabilidade.”
O rédito (ou resultado) é uma função fundamental para o equilíbrio
patrimonial. O próprio Masi (Apud - Sá 1965) dizia que o rédito era
elemento imprescindível para a paridade da riqueza, ou para os estudos
da estática patrimonial - que segundo o professor de Bolonha, seria o
aspecto que reunia a doutrina da simetria dos valores que formavam o
capital.
O professor Sá (1953, p. 109 e 110), também, em sua “Filosofia da
Contabilidade” dizia que o rédito deveria ser entendido numa dúbia
interpretação, de acordo com os campos de estudos da contabilidade, ou
seja, a estática e a dinâmica; tal fenômeno seria uma resultante para o
aspecto estático, e uma variante para o aspecto dinâmico, segundo
afirmava (p. 110).
O rédito é, pois, uma variação do capital no aspecto dinâmico; ele pode
apresentar produtos de evolução (em casos de lucros) e regressão (nas
perdas e prejuízos); é também uma condição fundamental para o equilíbrio
da riqueza. As empresas tal como as entidades necessitam deste movimento
para a sobrevivência, pois, à medida que ele varia, o capital sofrerá a
sua influência.
Tal concepção é semelhante a de Fabio Besta(1922), quando o mestre dizia
que o produto das receitas e despesas, gastos e desinvestimentos,
forneceriam transformações na riqueza e na azienda. Segundo o mestre (p.
103): “a transmissão de força supõe a multiplicação do organismo, e
diferença no seu espaço de operação” (esta “transmissão de força” é aqui
entendida como o resultado positivo), pois, quanto maior o rédito
lucrativo, maior seria a capacidade da empresa em investir, expandir e
prosperar.
Com uma visão adiantada, Besta tratou da espacialidade patrimonial como
efeito do rédito. Ora uma empresa lucrativa estende o seu capital,
abrangendo seu campo de atuação por meio da abertura de filiais; ou
ainda obteria progresso da sua operação, que seria a capacidade de
investir, ou ampliar seu poder de compra. Estas possibilidades existem
em casos de lucro.
O lucro pela terminologia, tal como expõe Rogério Fernandes Ferreira
(1985), é uma palavra que provém do latim “lucrum” significa: ganho,
benefício, acréscimo, utilidade. Contudo, a essência desta palavra, na
logia contábil, tal como o mestre português expôs, é inteiramente
voltada para o fenômeno que ela condiz, sendo dever da contabilidade
promover a sua explicação.
Há um indício de prosperidade nos casos em que há lucro constante, tal
como expõe Sá (2005, Cáp. 18) na sua “Moderna Análise de Balanços”; ou
seja, o lucro existente, e progressivo, num tempo especifico, aumenta a
capacidade elástica da riqueza, e também a sua espacialidade aziendal,
que amplia o horizonte de mercado na abertura de outras filiais. O lucro
constante é um estado necessário para a riqueza.
Existem interações específicas do sistema reditual; a principal delas-
nunca a exclusiva- está no sistema de liquidez. Ou seja, uma eficácia
neste sistema trará conseqüências positivas para a capacidade de
pagamento, porque o aumento do lucro em cada mercadoria, produto ou
serviço vendido, trará aumento do caixa e acréscimo no poder de debelar
as exigibilidades. O poder de compra é influenciado pela resultabilidade
como dizia Viana (1971, p. 298 e ss.).
Porém, o neopatrimonialismo, que reúne as teorias diversas da
contabilidade, explica que a interação da resultabilidade com a liquidez
é apenas uma dos efeitos deste sistema. Como existem diversos sistemas
no patrimônio, a resultabilidade existe em todos eles, isto que dizer
que não há apenas um resultado da liquidez, mas, sim, também do giro, do
equilíbrio, da vitalidade, da invulnerabilidade, do crescimento da
massa, da interação com os ambientes, da produtividade e outros. Tal
como expressa o próprio Sá(1995, p. 34):
“... Entendemos que é um resultado o fato de haver anulação das
necessidades de pagamento, no sistema de liquidez; é um resultado o fato
de anular as necessidades de uma harmonia ou equilíbrio entre os
componentes da riqueza, no sistema de estabilidade; é um resultado o
fato de anular as necessidades que mantêm a vitalidade do patrimônio,
permitindo sobrevivência, no sistema de economicidade, e assim por
diante...”
A função reditual, portanto, não se resume somente na autonomia de sua
natureza, ela abrange todos os aspectos dos demais sistemas
patrimoniais, se interagindo, ou seja, a eficácia desta função pode
gerar a eficácia ou ineficácia de outra, ao mesmo tempo; também a
ineficácia reditual transmite influências nas demais sistematologias.
A resultabilidade se integra no campo da fenomenologia, ou seja, tal
função pode ser entendida como um fato, que provém do movimento dos
custos e receitas. Masi (1968) já dizia que os “Fenômenos redituais”
integrariam os estudos dos “Fenômenos patrimoniais”. E o
neopatrimonialismo coaduna com tal posição.
Os custos, porém, possuem elementos. Se considerarmos o custo industrial
de produção, teríamos uma série de fenômenos - os de estocagem, lastro
de estoques, perda de estoques, compras a vista e a prazo, mão-de-obra,
encargos sociais, despesas trabalhistas, gastos indiretos entre outros-;
no custo de mercadoria existe também uma série de acontecimentos
reunidos no seu processo de formação (que pode ser expresso na fórmula
Estoque inicial+
Compras – Estoque final); no custo de serviço há dispêndios, ou despesas
que conseguem formar este consumo, e assim por diante.
As receitas também trazem inúmeros fenômenos. As vendas de produtos,
mercadorias e serviços são espécies de receitas; as doações, os ganhos
do capital, os juros dos créditos, as margens lucrativas, os rendimentos
de aplicações financeiras, entre outros elementos. Uma afirmação de
Franco (1961, p. 45) é a de que a receita seria uma recuperação dos
custos, ou seja, um ingresso (se o custo é um investimento, a receita é
a recuperação do mesmo).
Na teoria dos campos - proveniente da “Teoria Geral do Conhecimento
Contábil” - chega-se com verdade a admitir que a resultabilidade é um
sistema com componentes - custos e receitas-, e que os tais se formam de
elementos - custos técnicos, complementares, despesas de administração,
de pessoal, financeiras; vendas de mercadorias, de serviços entre outros
sub-componentes.
Então o sistema de resultabilidade possui elementos que se interagem
entre si, como que, em outros elementos da estrutura patrimonial (bens,
créditos e dívidas).
Os componentes, custos e receitas, são fundamentais para a sobrevivência
do capital. Ás vezes a ineficácia desse sistema se relaciona totalmente
com alguns dos elementos que participam da estrutura destes componentes,
cuja proporção e dinâmica, é de pouca valia para o contexto reditual e
patrimonial.
Nota-se que Sá (1995, p. 35) chegou a admitir que “cada mercadoria
vendida traz seu próprio rédito, pois, tem o seu próprio custo e a sua
própria receita”. Mas, admito também que cada elemento patrimonial
possui o seu próprio custo e a sua própria receita; o caixa contribui e
interage com os custos ou as recuperações dos mesmos; o imobilizado
possui um custo (depreciação, manutenção) e uma receita (produção para a
venda, operacionalidade); até as dívidas se relacionam com os
componentes redituais, e tal análise é fundamental para a avaliação do
risco. Todo o patrimônio, num todo amalgamado de partes fenomênicas se
interage, e recebe interação com a resultabilidade.
Por este motivo, que os custos são às vezes chamados (como exemplo) de
“financeiros”, “equilibrados” e as receitas são denominadas de “vitais”
e “de proteção” (ou quaisquer outros adjetivos funcionais), porque
contribuem para a prosperidade ou antiprosperidade patrimonial, em ótica
interdependente. Por isso que Américo Matheus Florentino (1973, Cáp. 8)
chegou a admitir um “Custo financeiro”, como sinal de um pensamento
interdependente proclamado anos depois pela filosofia
neopatrimonialista.
Portanto, os conceitos de vendas, lucros, perdas, gastos com produção,
despesas indiretas, abatimentos, lucratividade, redituabilidade,
rentabilidade, operacionalidade, absorção dos custos técnicos,
redimibilidade, absorção das despesas, margem operacional, redibilidade,
redimilidade, rendimento bruto, relação de despesas e custos gerais,
entre outros, se integram no conceito maior e geral denominado
“Resultabilidade” preconizado pelo Neopatrimonialismo numa visão
sistemática e funcional, além daquela expositiva e formal, já exposta há
séculos pela relevação contabilística.
4 - RESULTABILIDADE E A SUA VISÃO ESSENCIAL
A essência da resultabilidade, ou seja, aquela concernente com as suas
características fenomenais, ou com a substância dimensionada dos
informes, é dividida em quatro etapas, ou quatro sub-relações, que com o
funcionamento desse sistema, acabam se tornando cinco, pelo bom ou mau
efeito do movimento especifico que transmitem. São elas:
1. Necessidade – Para que a empresa ou entidade consiga resultados
satisfatórios, ela necessita gastar em custos.
2. Finalidade - O fim ou escopo do gasto é o retorno do mesmo, com
acréscimos de parcelas que proporcionarão o bom resultado.
3. Meio -São os ingressos, ou as receitas que devem recuperar o custo, e
proporcionar o lucro como resultado eficaz.
4. Função -É o movimento da resultabilidade que transmite o lucro ou
prejuízo.
No funcionamento da resultabilidade, quando os meios do sistema- as
receitas- são maiores que os custos, temos uma outra sub-relação que é
atinente ao estado do sistema, chama-se eficácia. É o mesmo que
satisfação da necessidade. Os meios redituais ao absorverem os custos
com certa facilidade, produzem um estado de satisfação ou sanidade. A
eficácia constante se transforma em prosperidade.
A quinta sub-relação á aquela equivalente ao estado sistemático da
função. Ou seja, a eficácia ou ineficácia. O lucro ou prejuízo
basicamente poderá se originar das essencialidades, todavia, não
totalmente (como é o caso de tragédias ambientais que afetam o
patrimônio sem intervenção humana, provocando muitas vezes perdas
incomparáveis). Na lógica matemática temos:
Mr > Nr = Ea (n =0) «(Ccr®¥) º Pps
Os meios redituais (Mr) conhecidos como receitas, quando maiores que as
necessidades redituais (Nr), transmitem a eficácia do sistema (Ea), que
ria gerar crescimento constante (Ccr) e infinito, equivalente à
prosperidade do sistema (Pps). Isto acontece quando as receitas são
maiores que os custos, todavia, o inverso também ocorre em casos de
prejuízo, isto é, existirá a perda, que produz decréscimo (Dcr) da massa
(uma transformação), gerando, quando constante, antiprosperidade (APps):
Mr < Nr = Ea(n>0) «(Dcr®¥)º APps
As situações em que revelam uma condição nula - ditas de “equilíbrio
econômico” ou “ponto nulo” -são quase inexistentes, por serem raras de
acontecerem. Normalmente, ocorre ou o lucro- que incrementa massa- ou o
prejuízo - que desincorpora o capital-, como produto ou resultado do
funcionamento da riqueza organizada.
Portanto, muito mais do que saber os valores das despesas
administrativas, das despesas tributárias, dos custos das mercadorias
vendidas, dos abatimentos sobre a venda, das compras, e dos resultados,
deve-se lhes extrair a “razão”. Ou seja, deve-se explicá-los de acordo
com a relação que mantém entre si ou entre outros elementos, e
verificar-lhes a eficácia de acordo com as condições gerenciais que
oferece o empreendimento.Mais do que informar e mensurar tais
acontecimentos, necessário é interpreta-los. Tal como fez Finney (1967)
em seu “Curso de Contabilidade” (capítulos 21 a 23, principalmente).
Na teoria geral do conhecimento contábil, Sá (1992, p.193) expõe uma
fórmula interessante, para averiguar a eficácia da resultabilidade; tal
cálculo consiste na relação entre os meios redituais (receitas) e as
necessidades redituais (custos):
Receitas a preços de Venda = > 1 Implica um resultado
obtido, logo
Necessidades de Custos, Gastos e Lucros a resultabilidade é eficaz.
Portanto, de acordo com esta fórmula, pode-se definir o comportamento
essencial da resultabilidade. É isso que consiste a atividade principal
do contador: a de prever e analisar comportamentos, definindo o ideal
para a espécie fenomênica que se estuda, tal como Franco (1950) afirmou
em Congresso.
A análise essencial do sistema de resultado, apesar de ser exemplificada
na fórmula citada, não se atém na mesma, isto é, o estudo da
resultabilidade e suas espécies fenomenais, consistem numa dezena de
cálculos e de quocientes, que revelam a lucratividade, rentabilidade,
redimibilidade, entre outros fatos e fenômenos redituais, que acontecem
neste conjunto sistemático. Num subtítulo à parte deste trabalho,
trataremos das razões ou relações de análise particularizada deste
sistema.
5 - DIMENSÃO DA RESULTABILIDADE
O rédito se dimensiona a um nível específico, cuja tentativa, a mecânica
contábil se esforça para mensurá-lo, de modo tradicional pela apuração
do resultado, na dedução dos valores dos custos e receitas. Esta é a
dimensão que a milhares de anos vemos na contabilidade (desde a
escrituração sumeriana).
Há uma dimensão substancial do rédito, condizente com o seu verdadeiro
valor, ou seja, aquele realmente útil para o potencial patrimonial; este
reconhecimento é claro, pertence ao estudo superior da contabilidade. A
teoria avançada da contabilidade não se pode preocupar tão somente com a
dimensão física monetária, ou ainda com os critérios clássicos de
expressão do fenômeno patrimonial, todavia, com existência substancial
da riqueza. O mesmo acontece nas inquirições sobre a resultabilidade: o
valor nominal do lucro é uma aparência; isto que dizer que as cifras do
rédito são apenas formas de uma substância. O resultado que aparece,
mesmo sendo o lucrativo, muitas vezes não existe.
Por este motivo que inúmeros autores como Viana (1971), diziam haver uma
correlação do lucro com outros elementos; e o desempenho desta
influência seria decisiva para se comprovar a eficácia desse fenômeno.
Décadas, mais tarde, Sá (1999) em sua “Teoria da contabilidade”,
determinava o mesmo, dizendo que um dos fatores para a comprovação do
rédito seria o poder de compra do capital.
Assim acontecem os exemplos de questões genuinamente científicas,
voltadas para o estudo da dimensão substancial do rédito.
Portanto, na dimensão clássica da contabilidade, o neopatrimonialismo
científico proclama seis sub-dimensões:
1. Causa = Receitas
2. Efeito = Custos
3. Qualidade = Tipos de elementos redituais, como “Compra de Materiais”,
“Impostos sobre Mercadorias”, “Descontos Comerciais obtidos ou
concedidos” entre outras espécies.
4. Quantidade = Valor monetário, ou expressão quantitativa de tais
elementos.
5. Tempo = Quando acontece, momento em que ocorre.
6. Espaço = Lugar aziendal que ocorre
As receitas são causas para o rédito, e buscam absorver os efeitos dos
investimentos de produção, que são os custos. Uma causa maior que o
efeito representa, portanto, a eficácia (veja a fórmula de Sá citada
anteriormente), porém, quando existe prejuízo, os efeitos ou aplicações
em custos são maiores que as causas para o rédito, por isso ele
representa um investimento do Ativo (apesar de obrigatoriamente dever-se
registrá-lo no Passivo por força da Lei societária).
O aspecto que define as espécies de receitas e custos, definindo-lhes
diferenças, é a qualidade; os “Custos dos Serviços Prestados”, “Custos
de Mercadorias Vendidas”, “Despesas Operacionais”; também as
determinações, de acordo com a formação do produto: os “Custos fixos e
variáveis”; as “receitas técnicas”, “receitas extraordinárias” e outras
denominações, que definem as espécies de elementos componentes da
resultabilidade sistemática.
A quantidade é relativa ao valor monetário ou expressão quantitativa dos
elementos. Toda qualidade é inerente a uma quantidade. Na
resultabilidade a “Venda” (Qualidade) se realiza no montante de
“$10.000,00” (Quantidade), é, pois, uma expressão monetária; existem
cerca de 10 unidades de produtos para a venda, esta é outra medida
quantitativa; e assim por diante.
Define-se temporalidade como “momento da ocorrência”. Esta sub-dimensão
é mais importante do que se pode pensar, e tal assunto é mais abrangente
do que parece. Quando ocorre a receita, este fato nem sempre condiz com
o recebimento da mesma; o princípio da competência trata do registro
destas questões, em relação ao acontecimento de tais elementos, e não
simplesmente a sua transformação em dinheiro. Tanto os custos, como as
despesas, devem assim ser registrados no período em que ocorrem. Na área
pública os registros das receitas e despesas, acontecem justamente pelo
“regime de caixa” em perspectiva financeira, com a entrada ou saída de
numerários, como disse Neres et al (2003).
O espaço do rédito é relativo ao “lugar aziendal”; é o que condiz com o
entorno social que contém o patrimônio e abrange o mesmo. Numa Holding
Company há várias atividades diferentes, contudo, é um grupo coligado; a
empresa coligada a possui rédito lucrativo já a empresa b não o possui.
A abertura de filiais traz as perspectivas de resultado em espaços
diferentes, uma filial Y traz o lucro, já a matriz Z produz prejuízo, e
assim por diante. Estas são conclusões específicas a serem dadas na
análise contábil do sistema reditual.
Estas sub-dimensões tratam de forma clássica e cientifica da abrangência
fenomenal da resultabilidade, ou seja, o poder de alcance de tal função,
ou o seu efeito, proveniente de uma causa, que atua no espaço e tempo
patrimonial. Contudo, as normatizações tratam de particularidades
diferentes, que em essência apenas comprovam os aspectos da mesma
natureza gnosiológica neopatrimonial.
A lei 6404/76 trata no artigo 186 das demonstrações do resultado do
exercício, de maneira a mostrar o histórico do rédito, na ocorrência de
seus fenômenos componentes. A maneira deduzida, e cheia de denominações
para os elementos, com terminologias diversas, em cálculos aritméticos-
tal como Vendas – Abatimentos das vendas = Vendas liquidas - Custos
técnicos= Lucro Bruto - é a que obriga a publicação deste demonstrativo.
Então - não que sejam conceitos novos - a lei trata de três tipos de
lucro: O bruto, Operacional e Líquido (há também o “lucro
não-operacional” menos comum de ser visualizado na maioria das
empresas). O primeiro é relativo às vendas, menos os custos inerentes à
mesma e os técnicos; o segundo atinente ao primeiro (Lucro Bruto) menos
as despesas operacionais; o terceiro igual ao lucro operacional menos as
provisões, participações, e resultados não-operacionais. Porém, a lei
ainda admite um resultado não-operacional decorrente de elementos que
não fazem parte da atividade operacional (apesar de importante,
necessário é abordar os outros de modo geral).
Portanto, surgem os conceitos de “Lucro Bruto”, “Lucro Operacional” e
“Lucro Líquido”, quando bem definidos, em nada prejudicam os estudos da
análise contábil. Porém, todavia, quando me refiro ao rédito neste
trabalho, estou abordando inteiramente sobre o “Lucro Líquido” - ou
“Prejuízo Líquido” - aquele fundamental para o capital empresarial.
Conceitos e aspectos à parte sobre a forma de realizar os registros,
deixa de ser necessário escrever mais, porque não é possível que um
conhecimento, com mais de 30.000 anos de simbologia, e mais de 160 anos
de cientificidade, não consiga dizer o que seria o “lucro operacional”,
ou ainda, o que se entende sobre a “despesa não-operacional”, ou
“despesas de vendas”, ou “provisões”. Estas questões já foram mais do
que esclarecidas, e hoje competem não à parte principal da teoria
contábil, mas uma parte complementar. Se o registro ainda é motivo de
discussão para poucas academias de contabilidade (que tratam esta gnose
não como ciência, mas registro e informação) então poderíamos dizer como
Paulo de Tarzo (séc. I a.C.) que “entre os homens somos os mais dignos
de lástima”, porque nem sequer evoluímos doutrinariamente.
6 - AMBIENTES DA RESULTABILIDADE
Os ambientes que envolvem a riqueza patrimonial são de extrema
importância para os acontecimentos no sistema de resultabilidade. O
ambiental exógeno diz respeito aos fatores externos da célula social
-mercado, câmbio, política tributária, inflação, agitações sociais entre
outros -e do ambiente interno - basicamente, o homem com a sua
capacidade de trabalho, a natureza da riqueza, e a administração -; a
influências dos entornos no sistema de rédito, é responsável pelos seus
estados de ineficácia e eficácia (embora, não em casos gerais).
O cientista Herrmann Júnior (1972)- aluno de D`auria - dizia que o
rédito é um produto da gestão, em um período. Portanto, atribuía a uma
relação ambiental endógena, a produção do resultado, positivo ou
negativo, constante no capital. Esta seria uma das razões que
influenciariam o sistema que tratamos: o governo patrimonial; este
quando bom e adequado concede bons resultados para a riqueza; e a
ineficácia reditual é um fruto da má gestão. Então, este é um dos
fatores ambientais.
Porém, a riqueza pode perder valor com o tempo (alguns bens), como nos
casos de depreciação e amortização - aqui reconhecidas pela
fenomenologia e não pelas normativismo e positivismo -, como pode
conseguir agregar valor na sua substância, é o caso de Mais-valias, que
foram tratadas por Francisco Valle (1977).
Tais acontecimentos são responsáveis também, por alterações na
resultabilidade:
a depreciação altera o rédito, a mais-valia também, e tais elementos
fenomênicos fazem parte da relação ambiental endógena.
O homem é um outro fator ambiental endógeno, com o seu esforço modifica
a riqueza, e lhe dá um grau de mutação equivalente ao serviço que lhe
presta (o que muitas vezes não acontece). Sem trabalho não há riqueza,
como dizia o mestre Besta (1922, p. 2), que a transformação da mesma é
um escopo direto ou indireto do esforço humano que transforma a “riqueza
inerte” em “riqueza operante”. Pois, o homem com o seu esforço, é outro
fator ambiental que provoca influências patrimoniais.
Houve época, todavia, que os fatores externos provenientes do sistema
econômico eram freqüentemente fonte de alterações das cifras de valores
do sistema da resultabilidade. Sá (1978) nos conta que neste período, se
corrigia a inflação dos balanços, que deturpava os resultados; em muitos
casos o lucro apresentava o prejuízo por um ajuste de valores, e
vice-versa. Era a fase da correção monetária dos balanços, que foi
postergada em 1995 por força de lei. Porém muitos ainda defendem a
correção, dizendo que hodiernamente todos os balanços são falsos, o que
não é verdade.Se corrigirmos o balanço ele poderá ser falso do mesmo
jeito - ainda mais, quando depende de um critério relativo. Acreditamos,
pois, que esta tentativa se demonstra inócua, se observássemos a real
substância patrimonial na sua dinâmica transcendental que é incapaz de
ser mensurada na sua totalidade. É aquilo que Kant (1724- 1804) dizia:
“ainda que os fenômenos não sejam, coisa em si” seriam “a única coisa
que possamos ter conhecimento”; pode-se estudar o fato, mas, nunca
compreendê-lo na totalidade.
Mas diversos outros fenômenos fazem parte da relação exógena ambiental;
entre eles: mercado, concorrência, acidentes, guerras, câmbio, taxas de
juros, clientela, desgastes naturais, clima, acidentes da natureza,
agitações sociais e vários outros mais. Cito apenas alguns para
exemplificar.
Um acontecimento natural como é o caso de uma devastação, pode
prejudicar a resultabilidade. Numa azienda rural, é fácil notar este
incidente; a administração poderá ser correta, o trabalho do homem
adequado, a riqueza operante, mas uma mudança climática, uma chuva
torrencial, um furacão ou tornado, poderá deixar a plantação sem chances
para a salvação. Então haverá perdas que refletirão no prejuízo; é uma
resultabilidade ineficaz sem total intervenção da gestão.
Atualmente, existem até demonstrações que tentam mensurar o valor
ambiental. O Balanço social é uma delas. Outros citam a demonstração do
valor adicionado, segundo Santos (2004), esta informação seria o próprio
balanço social, porque revela a massa que se agrega, e é distribuída
entre os indivíduos que promovem relação com o empreendimento. Tal
demonstrativo, então, é uma tentativa de mensuração do aspecto
social-ambiental.
Todavia, é necessário ressaltar que a demonstração do valor adicionado
não é um fato novo na contabilidade. Há mais de duas décadas já existia
tal informação - segundo Cosenza (2003) tal demonstrativo existe desde a
década de 20 do século passado. Na revista brasileira de contabilidade
em 1981, Almada Rodrigues, tratava desta informação enfatizando o seu
valor para a produção da empresa e regularização dos impostos, dizendo
ainda, que tal demonstrativo era comum na França desde meados do século
XX. Este “balanço” existe há tempos, o que modificou foi somente a
abordagem sobre o mesmo.
Portanto, a resultabilidade – seja ela considerada nos campos
ambientais, seja demonstrada na perspectivas dos valores sociais - se
modifica com a influência dos ambientes. Os ambientes endógeno e exógeno
são relações importantes para se analisar tal sistema numa ótica
multi-aziendal, sem a exclusão de observação da mesma célula social.
7 - QUOCIENTES PARA ANÁLISE DA RESULTABILIDADE
A relevação contabilística que existe desde antanho, é tão antiga quanto
a própria “Sé de Braga” como disse Amorim(1996), portanto, a informação
carece de explicação. Os dados frios pouco interessam à administração se
não os utiliza para formar regras de comportamento, principalmente para
a resultabilidade (como para os demais sistemas). Segundo Kaplan e
Johnson (1996) a informação nos tempos atuais é ultrapassada, pois,
necessita-se conhecimento real sobre a verdade patrimonial e gerencial.
Então, para se entender os cálculos, da demonstração de resultado,
compreender os valores, as cifras, os estados fenomênicos que apresenta,
deve-se obter a “razão” dos mesmos. Ou seja, é preciso analisar e
verificar as relações que as partes possuem, de modo que as tais
consigam explicar os estados patrimoniais, a fim de orientar a gestão,
para disciplinar-lhes o comportamento necessário, para uma exuberante e
estonteante prosperidade do capital.
Então propomos alguns quocientes de análise - de acordo com as razões
apresentadas para os fatos da resultabilidade -; são limitados, mas
desfrutam da absoluta utilização dos diversos profissionais contábeis
que atuam na atividade de consultoria e análise patrimonial - algumas
das fórmulas são explicadas por outros autores, como Sá (2005), Koliver
(1971), Florentino (1989), Franco (1973), Hermann Júnior (1975), entre
outros-; são também determinados, obviamente, para a natureza autônoma
da resultabilidade, e seus devidos fatos; estes são apenas algumas das
razões selecionadas, podem existir outras, tal como outros métodos para
o estudo e interpretação destes objetos (Quadro 1):
Quadro 1: Quocientes de análise da resultabilidade
Análise da Lucratividade
Lucro
Vendas Totais
Quociente que revela a razão da lucratividade das vendas patrimoniais,
ou seja, quanto de lucro é gerado em cada unidade de venda realizada.
Quanto maior o resultado, melhor.
Lucro
Outras Receitas
Quociente que revela a razão da lucratividade das outras receitas do
patrimônio, ou seja, quanto de lucro cada unidade destas receitas
conseguem produzir. Quanto maior, melhor o resultado.
Análise da absorção dos custos
Custos técnicos
Vendas
Quociente que revela a razão da absorção dos custos pelas vendas, ou
seja, relativamente, quanto que os custos absorvem em cada unidade de
Vendas. Quanto menor, melhor.
Despesas Gerais
Vendas
Quociente que revela a razão da absorção das despesas pelas vendas, ou
seja, com relatividade, quanto que as despesas absorvem em cada unidade
de vendas. Quanto menor, melhor.
Análise dos Fatos de reditividade
Resultado
Despesas
Quociente que revela qual é a capacidade de geração de resultados das
despesas, ou seja, quanto que as despesas produzem de rédito em cada uma
de suas unidades. O resultado é relativo ao rédito.
Resultado
Custos Técnicos
Quociente que revela qual é a capacidade de geração de resultados dos
custos técnicos, ou seja, quanto que os tais produzem de rédito em cada
uma de suas unidades. O resultado é relativo ao rédito.
Análise dos fatos de Redimibilidade
Despesas Diversas
Lucro
Quociente que revela qual é a razão do resultado positivo em anular as
despesas, ou seja, quanto que cada unidade de lucro serve para debelas
as mesmas. Quanto menor o resultado, melhor.
Deduções das Vendas
Lucros
Quociente que revela qual é a razão do resultado positivo em anular as
deduções das vendas, ou seja, quando que cada unidade de lucro debela as
deduções de sua origem. Quanto menor melhor.
Análise da relação dos Custos
Despesas
Custos Técnicos
Quociente que revela a razão das Despesas em relação aos custos
técnicos, ou seja, quanto de despesa existe em cada unidade de Custo
técnico. O resultado deverá ser observado com relatividade
Custos Técnicos
Despesas Operacionais
Quociente que revela a razão dos Custos técnicos em relação às despesas
operacionais, ou seja, quanto de custos técnicos existe nas despesas
operacionais. O resultado do quociente é relativo.
Eis alguns cálculos de fórmulas que servem para extrair razões, ou
explicações dos fatos. Cada qual possui uma interpretação, de maneira
que se possa avaliar a resultabilidade, tal como o seu comportamento no
tempo. São tradicionalmente utilizados nos estudos da análise contábil e
consultoria. Mas, são limitados aos ditames deste artigo, na natureza do
sistema de resultabilidade.
Felizmente, com estas fórmulas, pode-se verificar se a estática da
lucratividade das vendas é verdadeiramente suficiente para com os
esforços dos custos no empreendimento; se os custos técnicos absorvem
muito a receita de vendas prejudicando a sua eficácia; se as despesas se
transformam em resultados, e de preferência positivos; se os lucros
conseguem “redimir” as despesas com pessoal, com vendas, abatimentos e
as demais; se a relação dos custos e despesas é compatível, com a
redimibilidade; se a reditividade das despesas é compatível com a
absorção dos custos, se aquilo que a receita lucra é adequado com a
absorção,e assim por diante. Então tal análise é imprescindível para
saber o estado do sistema reditual, e determinar as alterações dos
custos, sejam eles, técnicos ou complementares, fixos e variáveis, tal
como modificar a lucratividade das vendas, e o potencial de cada
necessidade reditual em produzir resultados eficazes e proveitosos para
o capital. Esta função, a de explicar com razões os fenômenos redituais,
faz parte da atividade consultiva, uma das principais do contador.
8 – RÉDITO E CONSIDERAÇÕES CIENTÍFICAS
O rédito tal como se entende na doutrina moderna do Neopatrimonialismo,
é uma função patrimonial, exercida pelo movimento de custos, despesas e
receitas, cuja eficácia é uma necessidade básica para o bom
funcionamento do capital. O rédito é um fenômeno patrimonial responsável
ou não, também, pela prosperidade.
Quando há rédito positivo-lucro - a empresa possui acréscimo de capital;
então ela consegue se capitalizar; porém, ao revelar um resultado
negativo, ela se descapitaliza. Basta observar os esforços que
Florentino (1989, p. 131 e ss.) despendeu em sua obra de análise, para o
estudo da resultabilidade, englobando-os nos fatos de rentabilidade -
relativos aos rendimentos dos elementos da estrutura patrimonial -,
dizendo ainda, que eles seriam fatores positivos para o crescimento do
patrimônio.
Mas, para estudar o rédito - ou o sistema de resultabilidade - deve-se
providenciar uma hierarquia de investigações, que serão responsáveis
pela qualidade do trabalho analítico do consultor. Não basta apenas
buscar as razões dos quocientes, se não sabe adequá-los com lógica. A
teoria vem em nosso socorro para organizar os procedimentos dos estudos
analíticos. Amparando em Francisco D`auria (1959, p. 365)- o contador
geral do estado em seu tempo - podemos apresentar o seguinte esquema
científico, para o estudo do sistema de resultabilidade:
a) Descrever os estados (pelos valores)
b) Anotar variações dos elementos que fazem parte dos custos, despesas e
receitas, e dos seus valores totais no tempo (números - índices).
c) Determinar estados, em quaisquer instantes (pela análise das
informações).
d) Revelar os efeitos e causas das variações (dimensões e ambientes)
e) Estabelecer relações entre as partes e o todo (comparações e
identidades)
f) Prever estados e variações (orçamentos e análises de tendência)
g) Orientar Funções e Decisões (Conclusão e explicação para o
gerenciamento)
Estas são sugestões do mestre, no estudo de um sistema que denominou
“sistematologia”.Tais aspectos são panoramas para os estudos da
contabilidade voltados para a resultabilidade patrimonial. Desde modo,
pode-se obter corretas conclusões sobre este sistema de maneira
realmente científica.
Ora, no estudo do rédito deve-se considerar a sua estática, em valores
reunidos nos demonstrativos; deve-se arrumar dados e informações de cada
componente, e dos elementos que os compõem; observar a variável “tempo”
nos estudos a serem realizados; ter a tarefa de determinar os estados de
tais elementos dos componentes, através da análise; concluir, e então
descobrir a causa e efeito das mesmas relações condicionais; produzir e
explicar analiticamente, a identidade das razões patrimoniais desse
sistema funcional; prever estados e variações pelos estudos de
tendência, e elaboração de orçamentos, de modo a promover prosperidade
no capital, fornecendo orientações para uma perspícua, conspícua e
oportuna gerência administrativa. O estudo do rédito nesta perspectiva
fica mais completo, e atende, sem resmulengos, aos reclamos doutrinais e
científicos de nossa matéria.
A resultabilidade – importante fenomenologia do capital – tida como um
sistema da riqueza, composta de elementos -que possuem sub-elementos -na
sua capacidade de produzir a lucratividade, o rédito, a reditividade, a
redimibilidade, a absorção dos custos e das despesas, as relações dos
custos principais e complementares - sejam eles fixos ou variáveis,
diretos ou indiretos - possui ainda um campo imenso para os estudos e
pesquisas da ciência contábil, que promove a constante eficácia, deste
fato sistemático, enquadrado como básico e fundamental no rol das
funções patrimoniais.
9 - CONCLUSÃO
A resultabilidade é uma função sistemática do patrimônio, enquadrada
entre as básicas e fundamentais, que denota a capacidade fenomênica da
riqueza em produzir o resultado, cujo efeito positivo se transmite na
capitalização constante do capital, pelos incrementos dos eficazes e
proveitosos lucros. E neste artigo tratamos de modo breve e conciso
sobre este exercício. A abordagem foi teórica para oferecer uma base
consultiva aos analistas contábeis, preconizando os entendimentos e o
raciocínio deste fato, porque é necessário ter cultura contábil para
interpretá-lo.
O estudo da resultabilidade é um dos mais importantes, portanto, merece
um respaldo equivalente àquele denotado pelo Neopatrimonialismo
contábil, que assume uma visão geral deste sistema, reunindo nele, os
fatos de lucratividade, rentabilidade, redibilidade, redimibilidade,
reditividade, rentabilidade, absorção, e outros, derivados dos
componentes que o formam, garantindo pelo estudo analítico, conclusões
respaldadas para a decisão gerencial, de acordo com os estados que o
investigador encontrar na investigação racional do objeto patrimonial,
procurando concretizar a sua prosperidade, através da análise dos
fenômenos redituais.
Reconhecendo que o rédito é uma resultante para a estática e uma
variação para a dinâmica; que é um fato importante para o equilíbrio,
tal como influencia o risco, a produtividade, a economicidade, a
liquidez, a socialidade, a elasticidade da massa funcional, e as demais
sistemáticas patrimoniais; ainda considerando-o como imprescindível
fenomenologia, deve-se seguir critérios amparados pelo adequado método e
posição racional, reorganizados pela lógica e complexidade clara do
pensamento, pois, o estudo de tal sistema exige que se detecte as causas
e efeitos para os seus estados, porém, todavia, com respaldo filosófico
próprio da contabilidade, ciência do fenômeno patrimonial e da
resultabilidade.
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WERNKE, Rodney. Gestão de Custos: uma abordagem prática. 2ª ed. São
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1- Percebe-se que as palavras renomadas do filósofo de Estagira expõem
aspectos da contabilidade, inclusive, do sistema patrimonial conhecido
como resultabilidade. O negrito é nosso, e expõe com destaque, as
menções de nossa ciência.
2- Tal é a importância desta temática que um dos principais ícones da
história da contabilidade, o saudoso professor Gino Zappa (1950), lançou
uma obra exclusiva para o estudo do fenômeno do rédito, denominada “Il
Rédito di Impresa”, dizendo (p. 94) que “o rédito é o alfa e o ômega”
dos estudos avançados da contabilidade.
3- Sobre a posição cultural, é importante citar Nietzsche (1844-1900),
quando este elogiava uma conceituação de Tales de Mileto (625-458), em
sua obra “A filosofia na época trágica dos Gregos” datada de 1873;
Tales, pois, considerava a causa da existência dos fenômenos naturais um
elemento muito simples: a água. Embora pareça ser inofensivo tal
corolário, ele guardava muita cultura, na visão de Nietzsche, um dos
maiores críticos da história da filosofia. É a cultura que interessou ao
crítico alemão, e não, a forma de expressão.
Rodrigo Antônio Chaves da Silva
Contador e Pesquisador
Membro da Associação Científica Internacional Neopatrimonialista (ACIN)
Membro do Clube Tablero Comando de Balanced Scorecard da Argentina
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