1 - INTRODUÇÃO – DO GUARDA LIVROS AO ANALISTA E CONSULTOR CONTÁBIL
A contabilidade ciência imortal presente com o ser humano, desde as
fases mais antigas, quando o homem possuía ainda um “pseudo-raciocínio”
(se é que se pode conceber este estado como tal), ou uma sapiência não
desenvolvida, se expressava na prática de registros dos fatos, porém,
hodiernamente tal disciplina se preocupa mais em explicá-los a fim de
produzir ou orientar uma sagaz, meticulosa e proveitosa administração da
riqueza patrimonial.
Nas fases antigas - aquelas que remontam cerca de 30 a 40 mil anos atrás
- quando predominava o empirismo sobre os aspectos cognitivos, o homem
praticava a contabilidade, toda vez que o seu sistema nervoso pressentia
algumas necessidades conforme dizia D`amore e Castro (1972), e estas
para serem satisfeitas, contavam apenas com o uso de bens específicos;
portanto, querendo ou não, tal conhecimento sempre se preocupou com a
disciplina dos elementos patrimoniais para a eficácia humana (satisfação
natural de suas necessidades).
Por estes fatos que revelam os prolegômenos de nossa ciência,
concomitantemente com o surgimento do homem, que Amorim (Apud - Ferreira
1993) a designou de sabedoria primogênita e precursora, antecedendo,
inclusive a administração patrimonial (porque o homem preocupou primeiro
com o comportamento da riqueza para depois praticar o seu governo).
Contudo, com o passar dos tempos, a figura daquele individuo que
praticava a contabilidade como profissão, era sempre voltada para a
“escrita” ou o “registro” dos fenômenos patrimoniais sem se embrenhar na
sua teorética, que explicava com rigor lógico as “razões” dos
acontecimentos.
A contabilidade era então subentendida apenas como arte de bem manusear
os livros de acordo com alguns princípios; ou era conceituada como
“técnica”, mas, nem sempre como uma “prática intelectiva” exclusiva da
razão tão bem pregada por Kant (1724-1804) e Comte (1798 - 1857) após o
século XVII.
Uma das primeiras obras que se destacava na idade média era a “suma de
arithmética geometria, proportioni et proportionalità” que continha um
“Tractatus” cujos ensinamentos eram atinentes ao “método doppio”(
partida dobrada) e seu adequado uso, porém, Luca Pacioli(1494), autor da
obra, nunca preteriu as abordagens sobre os fenômenos diversos , que
competia o autêntico e adequado registro, inclusive, considerando o
lucros e a lucratividades das aziendas(Apud- Sá 1975).
A partir de então as freqüentes ilações teóricas foram externadas na
“forma” contábil representadas pela conta, registro, balancetes, folhas
de pagamento, balanços, prestações de contas, orçamentos, e demais
informações, contudo, tal posição com o passar dos tempos se modificaria
totalmente na procura da “essência” de estudos da contabilidade; isto é:
os fenômenos patrimoniais. Porém, mesmo na predominância dos conceitos
de “Guarda-Livros”, “Guarda – informação” ou “Guarda - Papelada” alguns
poucos perceberiam que a informação só poderia ser entendida como
“preliminar e não resultado final”, como bem dizia Einstein (Apud -
Rohden 1987), de todo o vasto e incomensurável sistema de conhecimentos
contábeis.
Dentre os notáveis escritores da contabilidade, se destaca o jesuíta
Ludovico Flori (1579 – 1647) cuja habilidade de contador já conduzia a
razão contábil, pois, se preocupava com a interpretação dos Balanços,
principalmente, no aspecto financeiro, que era relatado pelas
informações de fluxo de caixa (Apud - Carqueja 2003).
No século XIX(um pouco mais adiante da época de Flori) o francês Jean
Gustave Courcelle Seneuil (1813 – 1892) autor de livros, e professor de
econômica política, ressaltava a verdadeira posição do contador voltada
mais para a interpretação de contas, prevalecendo a sua singela produção,
dizia o mestre (Apud - Carvalho 1973, pág 26): “Confundem algumas vezes
o contador com o guarda-livros.
Entretanto, as funções de um são tão distintas das do outro, como as
funções do arquiteto são distintas das do pedreiro...”. E é bom
enfatizar que o professor nem sequer era contador, porém, dizia que este
profissional não produzia apenas a informação.
Ora o século XIX foi a “era de ouro” para a contabilidade porque já se
destacava o seu raciocínio “puro”, que dizia valer mais a explicação dos
informes do que a sua própria produção, pois, o que saberia da
informação o contador que apenas pratica a informação? Realmente iria se
limitar todo um potencial ao seu alcance.
Portanto, quando se lastreava o raciocínio, de que a informação era um
instrumento para a orientação gerencial, o contador deixou de ser um
escrevente para ser um “consultor” dos patrimônios diversos, como bem
disse Sá (2005): “O contador deixou de ser apenas um “informante” para
transformar-se em um “consultor”, um autêntico médico da empresa e das
instituições, orientando e opinando sobre os destinos dos
empreendimentos.”
Então aquela figura atrabiliária que se tranca na sisudez dos
escritórios, está se transformando (como lhe é natural ser) no
auxiliador à gerência, coisa que sempre foi, porque a “relevação” é um
termo muito usado e velho, e “velho mesmo” como já dizia Lopes Amorim
(1996).
Com o uso da razão contábil, a disciplina patrimonial passava a se
caracterizar em aplicações do seu conhecimento, chamadas “tecnologias”
que não consistiam em apenas “informar”; a análise patrimonial foi uma
delas que concretizava (como ainda concretiza e há de concretizar)
explicando as demonstrações contábeis da riqueza em funcionamento.
No campo das aplicações da contabilidade, se destaca a análise contábil
que procura, por meio de relações, explicar e interpretar as informações
contábeis fornecidas pela relevação, de acordo com os estados
patrimoniais diversos que apresenta, seja na sua estrutura ou dinâmica.
Hoje, portanto, o contador não pode nunca ser confundido de maneira
desrespeitosa com o antigo guarda-livros, porque em verdade ele é um
“guarda-conhecimentos” e como tal se diferencia do “gestor da informação”
para ser um “gestor do conhecimento” contábil, e conceituá-lo como
apenas produtor de informações, constitui ser um epíteto tão
conspurcador quanto à própria falta de discernimento de quem externa
tais concepções (porque a contabilidade é muito mais do que informação).
2 - O BALANÇO E OS FENÔMENOS PATRIMONIAIS
O balanço é uma representação estática e informativa de toda a dinâmica
patrimonial nos seus diversos elementos investidos e financiados, como
que transformados pelos acontecimentos, durante todo um processo
complexo e fenomelógico que denominamos de “exercício social”.
Portanto, existe um grande diferença entre os Balanços e os fenômenos
patrimoniais, do mesmo modo em que há uma distância entre o céu acima de
nossas cabeças e as estrelas milhares de quilômetros acima deste céu. O
balanço apenas representa, o fenômeno que é o nosso objeto de estudos.
Lembro de um fato jocoso, quando em estreita confusão, um conhecido
considerava o conjunto de “Bens, Direitos e Obrigações” como o Balanço
Patrimonial e não simplesmente a “informação que representa os Bens,
Direitos e Obrigações”, como é de verdade, porém, tal roldão também
circulou sobre a mente dos antigos contistas, embora, nem todos eles com
essência comungavam do mesmo parecer.
As informações são, pois, “retratos” ou “fotos” do capital (como certa
vez escrevi, em artigo publicado na insigne revista do conselho regional
do Paraná, e tal referência consta na bibliografia), que expressa um
estado de equilíbrio em dado momento, no “fechamento” de causa e efeito
do débito e crédito.
Portanto, se considerarmos todas as informações contábeis - dentre as
espécies que chamamos de demonstrações - que representam algum tipo de
equilíbrio são em essência balanços, os quais foram assuntos de teorias
preciosas “relatividade” da parte de Monteiro (1983, 1984), sobre a sua
relatividade ou teoria relativista, tal como dizia.
Ora, existe o balanço patrimonial (este é o mais famoso), o balanço
reditual (conhecido também como demonstração do resultado do exercício),
circulatório (que representa o equilíbrio das variações do capital
circulante), de fluxo dos numerários (revela a simetria das
movimentações do caixa, conhecido também como demonstração do fluxo de
caixa), das mutações do capital próprio (mostra as variações neste
grupo), do valor adicionado (que revela o valor adicionado e social da
empresa ou entidade), todas estas demonstrações são balanços, mas, nem
toda a informação é um balanço (uma conta, por exemplo, não é um balanço,
contudo, é uma informação).
Entrementes, não se confunde o Balanço com o fenômeno - como já disse
anteriormente - porque este que é o verdadeiro objeto da contabilidade.
Não existe gnose que deixa de estudar os fenômenos. São, pois, os
“fenômenos jurídicos”; “fenômenos físicos”; “fenômenos metafísicos”;
“fenômenos químicos” que as ciências propõem a estudar. E a
contabilidade só poderia estudar os “fenômenos patrimoniais”.
Portanto, “a contabilidade e somente a contabilidade, como ciência,
conhece o patrimônio aziendal, os seus elementos qualitativos e os seus
valores nas várias categorias ou sistemas nos quais podem ser
considerados; a contabilidade e somente a contabilidade, pode estudar a
natureza dos investimentos patrimoniais, a sua constituição e a sua
gestão, como também os financiamentos nas suas várias formas e modos de
constituição e de realização em que podem ser efetuados; assim como ela
está em grau de disciplinar corretamente o seu suceder”; “a
contabilidade e somente a contabilidade, como ciência” como bem dizia
Vincenzo Masi (1968, p. 35).
O estudo, pois, desta fenomenologia (conjunto e quadro de inumeráveis
fenômenos e acontecimentos) é que compete ao cérebro do contador, já que
as “mentes eletrônicas” garantem a informação fiel e organizada. A
contabilidade prevalece, então, mais em teoria e análise dos
acontecimentos que se classificam em categorias e sistemas diversos, do
que, da prática informativa.
A explicação, nunca consútil, predominou hodiernamente, e conquistará
poder sobre a informação na disciplina e profissão contábil, pois,
amanhã, num futuro não muito distante, o trabalho do contador será do
balanço “para cima”, porque, deste “para baixo” caberá a ilustre tarefa
da informática e computação. A informação se alterará com o tempo até
deixar de ser privilegio do homem contábil, mas, prevalece e
prevalecerão sempre, os verdadeiros, poderosos e grandiosos fenômenos
patrimoniais.
O fenômeno e fato podem ser considerados uma sinomínia na ciência,
entrementes, na filosofia apresentam uma ligeira diferença: o fenômeno é
aquilo que acontece totalmente passível de observação; o fato é o efeito
total do fenômeno, portanto, mais abrangente, escapando até dos olhos do
investigador.
Por exemplo, a paralisação de um objeto é um fenômeno, já a inércia é um
fato.
Os fatos de que estuda a contabilidade são diversos: a eficácia dos
estoques, a insolvência patrimonial, a prosperidade do capital, a
incompatibilidade de giros das partes circulantes, a liquidez dinâmica e
potencial, a invulnerabilidade do capital, a lucratividade dos
investimentos, a rotação das dividas, a vitalidade circulatória, a
rentabilidade do capital fixo, a capitalização são fatos, que a
disciplina patrimonial estuda, e este último fato que citei (a
capitalização) que será a principal temática tratada neste breve ensaio
textual.
De uma maneira filosófica, a capitalização é um fato: ora, se os lucros
e as reservas são fenômenos, os efeitos destes mesmos acontecimentos que
não são totalmente observáveis constituem ser fatos, porém, na abordagem
e essência cientifica - como já disse e Masi (1968) explicou - fenômeno
e fato podem ser considerados uma mesma espécie a ser estudada.
Mantendo, a concepção gnosiológica, de que fenômeno e fato são uma mesma
coisa, nestas breves linhas tratarei sobre os fenômenos de capitalização,
afirmando desde já que tais objetos constituem ser um dos principais na
comprovação científica da prosperidade do capital, propriedade da
análise patrimonial explicada pela consultoria contábil.
3 - O CAPITAL E SEU FUNCIONAMENTO
A conceituação do capital concerne a toda riqueza em atividade cujo
objetivo principal é o lucro. Existe, porém, uma diferença, como bem
disse Sá (1999) entre patrimônio e capital; o primeiro objeto seria a
riqueza com o fim idealístico, próprio das entidades e instituições; o
segundo elemento teria o escopo lucrativo, normal nas empresas, porém,
tal terminologia é comumente utilizada para qualquer empreendimento. E
não farei taxações nesta comum abordagem.
Sempre quando em doutrina se diz “Capital de Funcionamento” ou “Capital
em funcionamento” o significado maior é de: capital em atividade, ou
voltado para a operação dinâmica da azienda. Tal maneira de dizer sempre
foi promulgada por diversas doutrinas a se destacar a tese de Sá (1965)
que a utilizou com abundância (tal terminologia existia inclusive, no
titulo de sua teoria na defesa de seu doutorado).
O capital em funcionamento é, pois, toda a riqueza em constante
movimento com o intuito lucrativo que se dinamiza durante a atividade ou
operação social da célula aziendal durante um período limitado e
indeterminado. Como riqueza em funcionamento o capital pode ser
considerado como continuo em processo de circulação, ou seja, o capital
sempre se “renova” ou “gira” durante um espaço de tempo e tal
comportamento pode ser considerado como normal na “vida” do
ente-patrimonial.
Porém, deve-se destacar que o funcionamento do capital depende do tipo
de atividade, ou o escopo definido da azienda, isto é: o giro do capital
durante a operação do mesmo é relativo ao tipo de empresa ou entidade,
como também à espécie do produto principal de operação.
Uma relojoaria deverá ter um funcionamento circulatório muito abaixo das
demais células sociais, porque, o seu produto é de sobremaneira pouco
consumido pela maioria da população, porque a sua necessidade durante a
vida não é tão grande como a de um alimento, então o seu funcionamento
em relação aos outros empreendimentos é muito diferente, principalmente,
na circulação dos seus bens.
Uma padaria possui uma circulação mais rápida do seu produto; quer
diariamente, quer de hora em hora, existe uma renovação da matéria
prima, do dinheiro e do capital em geral, antes mesmo das exigências de
dívidas a curto prazo. É uma lei interessante de funcionamento
totalmente diferente da relojoaria.
Uma indústria de laticínio, por sua vez, atua num funcionamento
diferente das outras já empresas já citadas: ela mesma realiza a
produção, em diversas fases, estoca o produto, vende e perfaz tal ciclo,
existindo uma preponderância na proporção do imobilizado em relação aos
demais componentes de seu capital (e em comparação com os outros
empreendimentos). A indústria como produtora possui uma operação social
diferente, porque peculiar é o seu funcionamento.
Uma entidade, por exemplo, não terá o seu funcionamento semelhante às
outras aziendas, ou seja, o seu desempenho giratório, lucrativo e
financeiro será totalmente diferente, visto que, o seu escopo é
idealístico e não material.
Ou seja, cada empresa, entidade, ou, digo, cada célula social possui uma
determinada qualidade de funcionamento, um pertinente desempenho
circulatório e operacional, juntamente com adequada proporção de seus
componentes (que em muitos casos poderá estar anormal).
A medida “padrão”, matemática ou quantitativa de proporção do capital
para as espécies em funcionamento não existe; há uma medida “ideal” para
o empreendimento, mas, para o gênero de atividade não existe, porque
variáveis são as partes, as condições dimensionais e sociais que
interagem com a atividade da riqueza aziendal.
Também não se pode restringir o funcionamento do capital a apenas poucos
fenômenos, deve-se considerar toda a fenomenologia do capital, ou seja,
os giros, as entradas e saídas financeiras, os fenômenos de proteção,
reforço e salvaguarda do capital; os investimentos e financiamentos, os
custos, receitas e réditos, os fenômenos de compensação e diversos
outros que fazem parte do movimento funcional do capital.
Ou seja, todos os fenômenos fazem parte do funcionamento do capital,
então se considera toda a ocorrência, como que, todos os demais aspectos
cinemáticos contrários à intermitência, mesmo quando, denotam estados
específicos de comportamento.
A dinâmica sempre dirime a investigação contábil e a estática pode ser
considerada como a cinemática em dado momento. O funcionamento mesmo
estático é por essência cinemático.
De uma maneira substancial e analítica pode-se designar uma espécie de
funcionamento para todos os capitais com relação à dinâmica, ou seja, em
todos os patrimônios dos empreendimentos existe uma natureza de
circulação o que levou a Sá (1981) conceituar que existe na riqueza
organizada uma parte que se move rapidamente, outra que se movimenta
semi-rapidamente, e ainda outra que se movimenta lentamente.
Conhecer tais características do capital de funcionamento é importante,
para o estudo e análise dos fenômenos de capitalização, ou aportes do
capital: fatos imprescindíveis para a atividade e prosperidade do
patrimônio aziendal.
4 - A CAPITALIZAÇÃO E A PROSPERIDADE DO CAPITAL
Para entendemos os fenômenos de capitalização, como que a sua notável
interferência sua prosperidade do capital é necessária primeiramente
entender a origens genuína do capital aquilo que se denominar “capital
próprio” ou “patrimônio líquido” conforme expressa a letra da lei
6404/76.
A origens de recursos que se demonstra inicial e fundamental na
estrutura do capital de funcionamento, chama-se capital próprio-segundo
o lidimo da doutrina - e tal grupo componente possui expressiva
importância e um grau precípuo no escopo de prosperidade
patrimonial.Também pode-se entender por capital próprio “o recurso que a
azienda não buscou em terceiros, mas, em decorrência da sua própria
existência, de seus naturais recursos.” Com bem disse Sá(2005, p. 123)
Portanto tal grupo possui um grau de importância tão grande que poderia
se definir em tese, a eficácia reditual e até patrimonial, pela análise
de sua natureza e operação, apesar do processo de toda análise ser
relativo a diversos números de cálculos ou ratios (como se diz na forma
clássica que significa “razão”).
A capitalização é, pois, fenômeno totalmente (no aspecto científico),
voltado para o capital próprio, tal como Sá (2005, pág 157) em sua
“moderna análise de balanços” abordou de maneira categórica sobre tal
fenômeno dizendo: “O crescimento da empresa através da utilização de
recursos próprios é saudável... A esse fenômeno se dá o nome de
“capitalização” , ou seja, o fazer aumentar o capital próprio que
originariamente foi vertido na empresa , com os frutos da gestão
patrimonial do mesmo capital.”
Portanto, a capitalização é um fenômeno patrimonial que consiste nos
aportes sobre o capital aumentando-o ou lhe proporcionando reforço,
provocando um aumento de sua massa e conseqüentemente, estágios de
eficácia constante ou prosperidade.
A atividade funcional do capital produz resultados, positivos quando
lucrativo e normais que trarão acréscimos sobre o capital próprio e
conseqüentemente sobre toda a riqueza constituída.
As reservas são produzidas ou originadas dos lucros que o capital possui
em um dado exercício ou período, e servem para reforçar o capital de
possíveis incerteza ou riscos inerentes á sua atividade.
A capitalização é, pois, um fato, filosoficamente falando, contábil que
consiste nos acréscimos dos lucros e reforços dos reservas que produzem
benesse á atividade e conseqüentemente transmite prosperidade à riqueza
patrimonial.
Portanto, um dos mais importantes fatos de estudo contábil é o de
capitalização produzidos pelos fenômenos de lucros e reservas do capital
em funcionamento. E tal fato- o de capitalização –apenas traz reforços e
benefícios a riqueza acabando por ser um dos sinais de prosperidade.Ou
seja, quanto mais efetiva for a capitalização mais eficácia terá o
capital e quando tal estado é constante temos a prosperidade. Então
muito mais do que informar o fenômeno é necessário explica-lo no atual
patamar de consultor em que está o contador.
É muito comum ouvimos falar sobre os risco do capital e a sua pertinente
descapitalização porem, tal palavra repleta de conteúdos é dita até de
maneira trivial nas práticas humanas, e cientificamente falando no
aspecto contábil tal fenômeno negativo consiste em uma regressão na
capacidade de dilatação e reforço do capital, provindo dos fenômenos de
lucros e reservas, cuja ausência de efeito provoca um definhamento no
capital até a “morte” da célula social.
A capitalização é, pois, um importante fenômeno contábil estudado pela
“arte de lucros” - alusão de Platão (427 – 347 a.C.) à ciência contábil
- cuja importância está personificada na própria eficácia constante do
capital de funcionamento.
5 - A ANÁLISE DE CAPITALIZAÇÃO
Quando se analisa o patrimônio, o escopo almejado que se colima a
atingir é o de comprovar, firmar e orientar a eficácia dos fenômenos
patrimoniais, através do entendimento e explicações das relações
patrimoniais que chamamos de quocientes.
Muito se tem abordado sobre quocientes até de maneira muito pragmática
sem respaldo cientifico, porém, tal cálculo é aquele “ratio” tão
relatado em Grécia e Roma antiga e constitui ser a “razão” dos fenômenos
contábeis ou patrimoniais.Então os quocientes são métodos e caminhos da
contabilidade encontrar “os porquês” deste ou aquele estado patrimonial
que revela a eficácia ou não. A razão - quociente da capitalização é a
seguinte:
Lucros Acumulados + Reservas de Capital
Capital Próprio
Ou seja, tal razão explica o quanto existe de Lucros e Reservas no
capital próprio, denotando o crescimento e reforço da riqueza em
funcionamento. Suponhamos um exemplo de valores do capital próprio dito
“Patrimônio Liquido” de uma empresa em três anos consecutivos (Anexos 1,
2 e 3):
Anexo 1
|
ANO DE 2001 |
|
|
Capital Próprio Total |
1.045.000,00 |
|
Capital Social |
850.000,00 |
|
Reserva Legal |
35.000,00 |
|
Reserva de Lucros |
50.000,00 |
|
Reserva Estatutária |
10.000,00 |
|
Lucros Acumulados |
100.000,00 |
Anexo 2
|
ANO DE 2002 |
|
|
Capital Próprio Total |
1.200.000,00 |
|
Capital Social |
850.000,00 |
|
Reserva Legal |
50.000,00 |
|
Reserva de Lucros |
10.000,00 |
|
Reserva Estatutária |
30.000,00 |
|
Lucros Acumulados |
260.000,00 |
|
ANO DE 2003 |
|
|
Capital Próprio Total |
1.500.000,00 |
|
Capital Social |
850.000,00 |
|
Reserva Legal |
60.000,00 |
|
Reserva de Lucros |
110.000,00 |
|
Reserva Estatutária |
80.000,00 |
Note que de acordo com o estatuto e legislação da empresa, as reservas
foram se movimentando durante os tempos. Então aplicando o quociente
durante os três anos poderíamos mensurar o comportamento dos fenômenos
de capitalização:
Ano 1
100.000,00 + 95.000,00 = 0,19
1.045.000,00
Ano 2
260.000,00 + 90.000,00 = 0,29
1.200.000,00
Ano 3
400.000,00 + 250.000,00 = 0,43
1.500.000,00
Na medida em que os lucros foram crescendo a empresa obteve uma evolução
de 226,32% na sua capitalização, comparando com a primeira análise
realizada em 2001, isto é um sinal de prosperidade da capitalização do
capital próprio em funcionamento.
Ou seja, o capital pode ser considerado próspero porque, os aportes ou
as “entradas” que se afiguram como “retornos” e “reforços” no grupo
“capital próprio” foram crescentes e positivos, quando isto acontece a
eficácia é constante, como bem disse Sá (2005, p. 160) “ Se uma empresa
vai apresentando sempre quocientes de capitalização em elevação, dizemos
que a sua tendência é a de crescimento. Um crescimento constante de
patrimônio Liquido, repito, é um forte indício de Prosperidade.”
Contudo, como toda a análise é regida pelo principio da relatividade é
necessário produzir outras razões no estudo do patrimônio: o calculo de
giros, de operacionalidade dos investimentos, de velocidade do capital
próprio, de rotação de dívidas, de participação nos investimentos e
financiamentos, de imobilização do capital próprio, de evolução das
compras e vendas e outros cálculos que também deverão ser considerados
para a segurança conclusiva da análise.
Portanto, tratei aqui neste breve ensaio textual ao alcance de todos, o
fenômeno que com conspicuidade expressa a capitalização do capital,
impreterível e inconfundível nos ditames da eficácia e procedimentos da
análise, próprias para a explicação e consultoria contábil cientifica.
6 - CONCLUSÃO
Longe se foi o tempo em que os contadores não passavam de meros
reveladores da riqueza, empenhando apenas, ou simplesmente, com a
arrumação dos balanços e os cálculos de registros manuais, hoje tão
fáceis de serem produzidos apenas com uma tecla de computador.
O contador hodierno é um consultor de empresa que ultrapassa a visão da
informação explicando a mesma através das razões que denotam similitudes
entre as partes e fenômenos patrimoniais, incluindo, aquelas atinentes
aos fatos de capitalização tão necessários para a prosperidade do
capital das aziendas.
A ciência contábil no seu atual patamar filosófico pode com total
certeza de conclusão, analisar, mensurar, entender e explicar os
fenômenos de capitalização do capital de funcionamento, que transmite
aportes que geram notáveis crescimentos na substância patrimonial sempre
responsáveis pelos estados ou resultados de eficácia constante das
células sociais.
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Rodrigo Antônio Chaves da Silva
Contador e Pesquisador
Membro da Associação Científica Internacional Neopatrimonialista (ACIN)
Membro do Clube Tablero Comando de Balanced Scorecard da Argentina
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