1-AZIENDA E CELULA SOCIAL
A biologia ciência que estuda a vida prega que um organismo é formado
por células tal como comprovara Spencer (1820 – 1903), e tal concepção
pode ser assumida nas ciências sociais, que pregam que o organismo
econômico também é formado por células, que chamamos de Aziendas.As
aziendas são organizações aonde o homem mantém a sua atividade para a
satisfação de suas necessidades, elas são constituídas por diversos
elementos e também podem ser chamadas de empreendimentos ou células
sociais.
A existência de uma sociedade se comprova pelo conjunto de diversas
aziendas, instituição da qual o ser humano não pode prescindir, pois,
uma azienda não só satisfaz as necessidades humanas como também, lhe
garante: bem-estar, evolução e progresso. Nunca existirá ser humano sem
célula social e nunca existirá célula social sem o ser humano, tal é a
concepção de um dos grandes nomes da Contabilidade; Fabio Besta (Apud-Frederico
Herrmann Júnior 1972, p. 60 e 62):
Nenhuma pessoa pode viver e aperfeiçoar-se, nenhuma sociedade pode
tender ao fim que explica a sua razão de ser, sem que se processe uma
série mais ou menos grande de fenômenos... sem que criem, modifiquem e
extingam relações de natureza variadíssima... entre os componentes da
união, ou entre esses e o sodalício... Não há azienda sem bens
exteriores, sem riquezas... Não há azienda em que não haja manifestação
de atividade humana.
Condição fundamental, portanto, para evolução humana é a existência de
aziendas prósperas. Contudo, dentro de cada azienda existe uma riqueza
que é responsável pelo número de fenômenos a quem Besta, anteriormente
havia referido. A riqueza que existe dentro das aziendas é o verdadeiro
objeto da contabilidade.
Como a azienda é a condição fundamental para a evolução de uma economia,
ou nação, por ser esta, a parcela de uma sociedade, como poderíamos
então, promover a sua existência e evolução? qual seria o caminho de
estudos que poderiam ser traçados pela nossa gnose para o alcance da
vitalidade aziendal? Inequivocadamente seria as observações sobre os
aspectos dinâmicos da riqueza contida nesta mesma partícula da sociedade.
Condição essencial para a sobrevivência aziendal é o produto dos
fenômenos da riqueza, principalmente aqueles que condizem, com o
processo circulatório e dinâmico dos bens, que chamamos capital de giro,
a quem daremos considerações especiais neste artigo.
2-O CAPITAL DE FUNCIONAMENTO
Quando o sistema feudalista dava espaço ao capitalista, o uso da riqueza
passou a ter finalidades especificas e este foi o tema de estudos de
diversos pensadores de vários ramos do saber, como Viana (1978), que
dizia que o sistema feudal era por demais estático e não suficiente para
a cinemática produzida pelo mundo, com o crescimento da prática
comercial, financeira, industrial e patrimonial, que haveria de ser
saliente com o passar dos tempos.
Na França em meados do século XIX, o cientista Coffy (1840) pregava
sobre o capital de funcionamento das aziendas (ou das enterprises, como
era e é a significação de azienda na língua francesa), de maneira
interessante e sublime (Apud – Pfaltzgraf 1956), já ressaltando as suas
partes e as suas modificações que teriam várias causas.
Quase na mesma época, Karl Marx (1818-1883), um dos grandes pensadores
da sociologia, pregava também sobre o capital, embora tenha feito isto,
de maneira diferente, de forma critica e contrária ao pensamento
econômico da época, que era o capitalista (sistema econômico que este
autor era totalmente contra), embora, nunca em suas abordagens, este
autor prescindiu sobre o estado de “funcionamento” do capital, ou seja,
o seu devir que provocava transformações constantes, chegando, inclusive
a dividir a sua rotação em três fases: capital monetário, produtivo e
mercantil.
Nesta época marcada por um ritmo intelectivo, os conceitos em torno da
riqueza lucrativa ou capital estavam se formando quer na Academia de
ciências da França (aonde Coffy era membro convicto e titular), e em
faculdades importantes da Itália, Espanha, Alemanha, e outros países da
Europa (no século XIX poucas eram as faculdades no Brasil que tratavam
sobre o capital ou a riqueza lucrativa, no início do século XX a escola
de comercio Álvares penteado e a associação Cristã dos moços, ambas de
São Paulo, seriam ícones pioneiros, para o advento das letras contábeis,
de cunho superior em nosso país).
A riqueza, ou agregado de bens organizados, com um escopo comum, em face
de utilização e constante transformação, chama-se capital de
funcionamento e entende-se por capital toda a riqueza com intuito de
acréscimo, isto é, com o fito lucrativo. Tal concepção é utilizada em
larga forma nas aziendas lucrativas, ou seja, nas empresas (existe uma
diferença básica entre o capital e patrimônio, pois, este conceito é
mais utilizado nas aziendas idealísticas, embora, o conceito de capital
e patrimônio quase sempre seja utilizado em um sentido comum).
Como o capital está em plena atividade funcional e presta constante
utilidade para a satisfação das necessidades especificas e humanas,
entende-se que ele está em funcionamento, por isto, a expressão “capital
de funcionamento”.O capital de funcionamento como montante, como
conjunto de bens, como complexo de riquezas, possui a vontade ou
aspiração de gerar resultados para a azienda de maneira que ela
sobreviva e alcance a prosperidade.
Para que o capital de funcionamento se desenvolva e gere vitalidade, a
célula social depende de diversos fatores, alguns ambientais, outros
dinâmicos, e entre os estes aspectos, estão aqueles relacionados com a
circulação e renovação dos elementos. Lembre-se que o patrimônio é como
se fosse um organismo humano, e como este possui uma circulação - tão
bem pregada e explanada por Wiliam Harvey (1578 – 1657) na medicina – a
riqueza como “corpo administrativo” possui também tal faculdade e
condição de funcionamento.
A eficácia do capital de funcionamento em muito depende do “fluxo”
giratório dos seus elementos circulantes, em absoluta harmonia, de forma
a garantir a satisfação das necessidades que conseqüentemente
transmitirá a sobrevivência da célula social e sua perquirida
prosperidade.
3-A ESTRUTURA DO CAPITAL DE FUNCIONAMENTO
O capital de funcionamento possui uma estrutura, que se divide em grupos
específicos com características próprias, de modo que todos os grupos
com suas peculiaridades devem se concatenar em absoluta harmonia com o
escopo de eficácia e prosperidade aziendal.
O cientista Vincenzo Masi (Apud-Sá 1999), nos primeiros decênios do
século XX, dizia que o capital investido na azienda, formaria a
substância da mesma, e que esta, por sua vez, seria originada dos
financiamentos da contra-substancia do capital. A estrutura do capital
de funcionamento proposta por Masi o pai do patrimonialismo, é a
seguinte:
Substância
Contra-substância
Capital Circulante
Capital Fixo
Capital de Crédito ou de Terceiros
Capital Próprio
Nas origens do capital, temos as parcelas provenientes de terceiros, que
financiaram recursos para diversos elementos da substância, temos também
a origem genuína do capital, que aquele provindo dos recursos dos
proprietários ou donos do empreendimento, chamada de capital próprio.
Ambos recursos são chamados de financiamentos.
Nas aplicações do capital temos o capital fixo, cuja função é servir à
célula social por vários períodos, pois, está imobilizado, temos também
o capital circulante cuja tendência comportamental é dinâmica, de
renovação sucessiva, por diversas vezes no período. Ambos recursos são
os investimentos realizados no patrimônio.
Tanto o capital fixo como o capital próprio possuem o objetivo de servir
à azienda por vários períodos, tendo, pois, que promover a movimentação
da parte do capital que circula rapidamente, ou seja , o capital de
terceiros e o capital circulante.
Ou seja, o imobilizado apesar de ter a natureza fixa e lenta quanto à
dinâmica, tem a função de promover o capital circulante, permitindo
assim o seu perfeito fluxo de circulação do capital. Como também o
capital próprio que tem a função lenta na azienda deve por sua vez
promover o seu capital de terceiros para o perfeito funcionamento do
capital.
Os recursos investidos no capital que formam a substância devem possuir
influências dos componentes entre si (o capital fixo e circulante),
assim como, os financiamentos do capital que formam a contra-substância
devem também possuir esta influência mútua entre as suas partes
componentes (Capital próprio e capital de terceiros).
As partes fixas do capital, isto é: as partes que possuem lentidão de
movimento (o capital fixo e capital próprio), devem, auxiliar as partes
circulantes (o capital circulante e o capital de terceiros), para firmar
assim uma “sustentação”.
Portanto, as partes de giro lento ou moroso devem promover, as partes de
giro rápido, e esta partes quando bem sustentadas estabelecem uma
agilidade, cuja eficácia transmite equilíbrio na estrutura do capital de
funcionamento, promovendo assim, sobrevivência, progresso e prosperidade
aziendal.
4-A MASSA CIRCULANTE
A massa circulante é a parte do capital cuja natureza é a de renovar-se
sucessivamente, com absoluta freqüência no período. Tal grupo se
constitui, do capital circulante (Ativo circulante) e capital de crédito
(Passivo circulante). Considera-se também massa circulante, aquela que
se renova a curto prazo, ou seja, em um período inferior ao anual. Seria
então: o ativo disponível e realizável a curto prazo e o passivo
exigível a curto prazo.
Todo o capital possui um movimento e uma velocidade, sendo que, esta
velocidade é sujeita a diversas condicionantes. Por exemplo, a
condicionante que interage com o imobilizado é a de permanência na
azienda e nunca poderá ser igual à condicionante do elemento caixa. O
caixa e o imobilizado possuem, naturezas e finalidades diferentes, de
acordo com a espécie aziendal.
O pensador Francesco Villa (1840), pai da contabilidade italiana, em sua
obra “La contabilità applicata alle administrazione Private e Pubbliche”,
ao classificar o capital, optou pelo aspecto financeiro, isto é,
privilegiando em primeiro lugar os elementos da massa circulante em face
dos fixos tal como explicou Sá (2005).
Portanto, o estudo da massa circulante, motivou estudos diversos, como
também conceituações diversas e pouco discrepantes. Para Sá (2005, p.
121 e 124), em seus discursos sobre a fundamentação da contabilidade
geral, a natureza dos grupos da massa circulante, isto é, do capital
circulante e capital de crédito seria:
Por natureza, o circulante, como grupo do capital, é o que tende a
transformar-se em dinheiro ou já é dinheiro em curto prazo (pelo menos
dentro de um exercício). Disponíveis e realizáveis, portanto, formam o
capital circulante... O capital de terceiros é aquele cedido à azienda
por fornecedores, credores diversos, bancos etc., e tanto pode ser a
curto como a longo prazo...
Outros autores diversos também assumem a mesma definição de capital
circulante.Temos, portanto, também as concepções de Viana (1971, p.
124):
Os meios financeiros são investidos em bens que, juntamente com os bens
fixos, formam o substrato material da produção, distinguindo se aqueles
destes, pela maneira com que concorrem ao processo produtivo: os bens
fixos servem a vários processos e os bens circulantes são consumidos em
um só ato de produção... A função de cada um destes elementos, dentro da
empresa, é diversa - os bens circulantes são consumidos dentro da
própria empresa e constituem um elemento formador do custo de produção...
Hilário Franco (1973, p. 162), também abordou a temática das partes
circulantes:
“... Essas expressões indicam a parte do patrimônio que sofre constante
movimentação nas empresas, tais como as disponibilidades e os valores
realizáveis, distinguindo-se entre estes os créditos, os estoques e os
investimentos. São excluídos, portanto, os capitais permanentes (ativo
fixo ou imobilizado) e o ativo pendente, que compreende valores
aleatórios e diferidos.”
Enfim, entende-se por massa circulante a parte do capital de
funcionamento, cuja natureza é a de renovar-se mais rapidamente que os
outros grupos, em um período de curto prazo no processo de atividade do
organismo aziendal.
5-O CAPITAL DE GIRO
Entende-se por capital de giro, o fenômeno patrimonial, que expressa a
capacidade e durabilidade do processo de renovação dos elementos
componentes da massa circulante (embora esta massa não seja a exclusiva
no processo de giro, pois, tudo se movimenta no patrimônio). Também é
chamado de Giro de Valores ou rotação do capital.
O giro é, pois, um fenômeno circulatório, integrante da dinâmica
patrimonial, cuja eficácia transmite equilíbrio e prosperidade à célula
social. De acordo, com Sá (1999), giro é um conjunto de circulação, ou
seja, o giro representa a constante de um processo de circulação do
capital em funcionamento.
Uma circulação é a transformação de um elemento patrimonial em outro
elemento, por exemplo, o estoque ao ser vendido a vista, produzirá uma
transformação, a do estoque em caixa, quando a circulação é continua e
termina no próprio elemento que a criou, teremos um giro. Vejamos,
então, um exemplo pertinente do giro de caixa:
CAIXA (em situação inicial) Þ ESTOQUES Þ Fenômenos de Vendas a prazo Þ
CRÉDITOS A RECEBER Þ fenômenos de recebimento dos créditos Þ CAIXA =
Primeira renovação do elemento ou primeiro Giro = G1
Ou seja, o processo circulatório ou o tempo, em que a primeira situação
do caixa se renova novamente, chama-se giro de valores ou capital de
giro. Quando o capital de giro é realmente ágil a sua tendência é a de
gerar uma boa liquidez, uma boa resultabilidade, trazendo assim,
equilíbrio ao capital de funcionamento e fazendo com que a célula social
tenha vitalidade e eficácia constante.
As pesquisas empreendidas em torno do capital de giro e sua influencia
no patrimônio, levaram Sá (1965) a dizer que uma das condições de
equilíbrio da riqueza seria este próprio fenômeno circulatório (o
capital de giro), ou seja, para o empreendimento sobreviver ele deve ter
equilíbrio e para o alcance deste estado é necessário que o capital
tenha uma velocidade de renovação pertinente ao tipo de atividade
aziendal.
O capital de giro também transmite a característica de independência
circulatória, ou seja, os elementos do ativo circulante quando ágeis no
processo de renovação serão mantidos pelas dividas. Neste ponto de
vista, Sá (2004) emitiu o seguinte teorema: “Quanto maior é a velocidade
do capital circulante e tanto menor é a necessidade de capital próprio.”
Isto é, quando o capital de giro possui velocidade, a tendência é ser
mantido pelo capital de terceiros sem prejuízo da proporção das origens
dos capitais, não afetando assim, o equilíbrio da riqueza. É o caso das
aziendas bancárias que mantém o seu capital de giro pelo capital de
terceiros, sem o onerar a estrutura patrimonial de equilíbrio.
Em empresas que possuem um produto pouco volátil, ou seja, um produto
que não possui tanto uso comum, como uma joalheria, por exemplo, o
capital de giro será lento gerando assim uma necessidade do capital
circulante ser mantido pelo capital próprio.
Quanto mais lento for o capital de giro mais ele dependerá do capital de
seus proprietários, pois, ele não será sustentado pelo capital de
terceiros.
6 - A ANÁLISE DO CAPITAL DE GIRO
Como o capital de giro, é um fenômeno da dinâmica, representante da
constante circulatória, cuja eficácia transmite equilíbrio,
independência de recursos e vitalidade à célula social, ele deverá ser
explicado com coerência de maneira a se propor sugestões para a decisão
dos gestores do capital.
Portanto, existe uma maneira de explicar os fenômenos de giro de maneira
a comprovar a sua eficácia, ou propor a mesma, pela analise contábil.
A analise contábil é, pois, uma tecnologia da contabilidade, cuja
finalidade é explicar os fenômenos patrimoniais, por meio de “razões” de
proporcionalidades diferentes dos componentes do capital de
funcionamento, para averiguar e promover o seu pertinente efeito, que
produz a eficácia na célula social.
Os fenômenos que norteam o giro, devem ser analisados, considerando os
seus aspectos próprios e específicos, relativos a cada tipo de
empreendimento.
A formula proposta por Sá (1973), que modifiquei apenas as siglas é a
seguinte:
(SIEP+VAEP)-SFEP
SIEP+SFEP = Qvg
2
A velocidade do giro (Qvg) é obtida, pela soma de uma situação estática
inicial de uma elemento patrimonial(SIEP), acrescida dos fenômenos que
promovem aumento de proporção(VAEP) ,menos a situação estática final do
elemento patrimonial(SFEP), dividida pela média das duas situações
estáticas.
Portanto, como o capital de giro possui uma velocidade, ele deverá,
possuir também, um tempo especifico, que será calculado pela seguinte
formula:
T = Tg
Qvg
O tempo estudado(T), que é de escolha seletiva do analista (pode ser 360
dias, 6 meses, mensal semanal, etc), dividido pelo quociente de
velocidade do giro (Qvg), concederá o tempo do giro (Tg), ou o prazo de
renovação do elemento patrimonial especifico.
É preciso saber utilizar a formula com o raciocínio correto, ou seja,
apropriando devidamente os valores nas suas siglas, também é preciso ter
no mínimo duas situações patrimoniais, como também os valores dos
fenômenos específicos que provocam aumento na primeira situação do
elemento patrimonial (balanços patrimoniais de anos diferentes e uma
demonstração do resultado do exercício é suficiente para esta análise,
mas quanto mais anos forem estudados em comparação, melhor paras as
conclusões de eficácia do capital de giro).
Como a massa circulante é o conjunto de capital circulante e capital de
terceiros, os elementos principais para a analise do capital serão: o
caixa, os créditos, estoques e dividas. Na tabela 1 mostrarei como se
apropria os valores da formula de maneira a se aplicar a analise de
capital de giro em qualquer tipo de elemento da massa circulante:
Tabela 1:
MASSA CIRCULANTE
Capital Circulante
Elementos
Situação Inicial
SIEP
Variação do elemento
VAEP
Situação Final
SFEP
Caixa
Valor do caixa em um período
Receitas e entradas a vista
Valor do caixa em um período posterior
Créditos
Valor do crédito em um período
Vendas e entradas a prazo
Valor do crédito em um período posterior
Estoques
Valor dos estoques em um período
Compras de Mercadorias
Valor dos estoques em um período posterior
Capital de Crédito
Dividas
Situação das dividas em um período
Dividas contraídas no período
Valor das dividas em um período posterior
Desta forma o leitor poderá analisar o giro do capital em qualquer tipo
de elemento da massa circulante, lembrando, que os resultados dos
quocientes não devem ser passados aos gestores da riqueza, de maneira
“fria”, ou seja, os resultados dos quocientes de velocidade e tempo do
giro deverão ser explicados com coerência e relatividade, abrangendo as
situações especificas que envolvem uma azienda.
Sabe-se que o giro é um fenômeno peculiar e depende de diversos fatores,
como: o tipo de produto, atividade patrimonial, mercado, objetivo
aziendal, etc. Tais fatores exigem que os resultados dos quocientes, de
velocidade e tempo do giro, sejam tratados de uma maneira especial.
Contudo, a eficácia do giro, de uma forma geral, se expressa da seguinte
maneira (Veja Tabela 2):
A VELOCIDADE DO CAPITAL DE GIRO (Qvg)
Capital Circulante
Quanto maior o quociente melhor para o empreendimento
Capital de Crédito
Quanto menor o quociente melhor para o empreendimento.
CORRELAÇÃO ENTRE A VELOCIDADE DO GIRO DO CAPITAL CIRCULANTE E DO CAPITAL
DE CRÉDITO
A velocidade do giro do capital circulante deverá ser maior que a do
capital de terceiros
Quanto mais ágil for o capital circulante melhor para a azienda, pois,
ela terá menos tempo para produzir liquidez, resultabilidade e
equilíbrio para o empreendimento, em contrapartida a velocidade de
renovação do capital de crédito (ou de terceiros), deverá ser maior que
a do capital circulante, para que se tenha mais tempo na liquidação das
dividas.
Em outras palavras, a velocidade de renovação dos elementos positivos da
massa circulante (os estoques, créditos e caixa) deverá ser maior do que
a velocidade de renovação dos elementos negativos da massa circulante
(dividas), para que o tempo que se gere dinheiro seja inferior ao tempo
que se exige o numerário para o pagamento das exigibilidades.
O capital de giro, quanto mais ágil for, menos tempo levará para se
renovar e a recíproca também é verdadeira, ou seja, quanto menos tempo o
elemento leva para se renovar maior será a sua velocidade.
7-CAPITAL DE GIRO E SOBREVIVÊNCIA AZIENDAL
A riqueza contida na célula social possui um movimento que ocorre de
forma sistemática, por isto, dissemos que a célula social possui um
conjunto de sistemas que funcionam, de forma simultânea, hereditária,
autônoma e interdependente.
Cada sistema para que possua eficácia, depende em muito, da vitalidade
circulatória de seus elementos componentes.Portanto, a influencia que o
capital de giro, possue, com relação à eficácia dos sistemas de funções
do patrimônio é de certa forma; inseparável e inequívoca.
Os sistemas básicos do capital de funcionamento são os descritos
adiante:
Liquidez = sistema que promove a capacidade de pagamento da azienda
Resultabilidade = Sistema que promove geração de resultados positivos
para o empreendimento.
Estabilidade = Sistema que promove o equilíbrio do patrimônio
Economicidade = Sistema que promove a vitalidade e sobrevivência do ente
patrimonial.
O capital de giro possui, insofismavelmente, influencias nestes sistemas
básicos do capital (o de liquidez, resultabilidade, estabilidade e
economicidade), sem os quais a célula social não consegue existir (Para
existir a azienda precisa, basicamente, pagar os seus compromissos em
dia, gerar resultados positivos e ter equilíbrio na estrutura, do
contraria ela perde a vitalidade e acaba se extinguindo).
O primeiro sistema que o capital de giro possui influencias é o de
liquidez, inclusive, foi por este motivo que Sá (1965), aludir existir
uma liquidez dinâmica do capital de funcionamento, tal liquidez seria
aquela real, que possui total relação com os processos circulatórios e o
capital de giro.
Se o capital circulante for ágil ele terá maior capacidade de gerar
dinheiro em menos tempo que as exigências de pagamento. O resultado da
eficácia do capital de giro é uma boa solvência da riqueza, definindo
assim, a eficácia do movimento de liquidez.
Do mesmo modo que o capital de giro possui influencia na liquidez, ele
produz influencias no sistema de resultabilidade. Quanto mais rápido for
o giro dos estoques e dos créditos, maior será a receita, relativa às
vendas e aos juros, então maior será a capacidade lucrativa do capital
de funcionamento.Mais vale para uma empresa vender 100 peças a 10 reais
do que vender 50 peças a 15 reais. Portanto, quanto maior a velocidade
de circulação, melhor será a receita provinda desta mesma circulação (se
venderá mais e se lucrará mais).
O capital de giro, quando eficaz, também provocará equilíbrio do
capital, ou seja, a velocidade com que a riqueza opera ou com que os
elementos da massa circulante se renovam transmitira equilíbrio na
proporção, transferindo estabilidade para o capital.
Quando existe na azienda investimentos (aplicações de recursos) ou
financiamentos (origens de recursos), esdrúxulos, ela não terá agilidade
do capital, e a eficácia do giro, por certas vezes (em empreendimentos
realmente “doentes”) será uma quimera. Quando esta quimera vira
realidade a empresa terá um equilíbrio estrutural e será realmente
prospera.
A eficácia do giro trará conseqüências positivas para a liquidez,
resultabilidade e estabilidade, definindo assim a solvência,
lucratividade e equilíbrio do capital, trazendo conseqüentemente
sobrevivência para o ente aziendal.
E quando os sistemas de liquidez, resultabilidade e economicidade, são
eficazes a economicidade do capital também será eficaz, e a célula
social que chamamos de azienda irá sobreviver e progredir gerando
rendas, crescimento econômico e benefícios sociais, principalmente ao
seu sujeito criador: o ser humano.
8-CONCLUSÃO
O capital de giro é um fenômeno da dinâmica patrimonial, representante
do conjunto de circulações, que geram transformações importantes e
contundentes para a eficácia da riqueza em funcionamento, que
conseqüentemente trará vitalidade para a célula social ou sujeito
aziendal.
Como fenômeno do patrimônio, o objeto de estudos da contabilidade, o
giro, deverá ser explicado, pela tecnologia da analise, que buscará as
razões integrantes desse mesmo fenômeno, sem menosprezar as condições
peculiares relativas ao tipo de empreendimento, sempre com o intuito de
averiguar a eficácia do seu funcionamento, no constante devir aziendal.
Cabe a nós contadores, produzir as orientações sobre este importante
fenômenos circulatórios, ressaltando as suas propriedades, influencias e
peculiaridades, pois, a eficácia do capital de giro transmitirá
solvência, lucratividade, equilíbrio e vitalidade ao capital de
funcionamento, trazendo também assim, prosperidade à célula social que
trará influencias positivas para a sociedade aonde está inserida, como
também para o homem, a razão de sua existência.
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