INTRODUÇÃO
O entorno modifica a riqueza das organizações lucrativas e não
lucrativas.
Acontecimentos externos ao patrimônio tem influência na diminuição ou
aumento da riqueza.
Ultimamente a crise na Argentina desencadeou uma série de fenômenos nos
diversos segmentos da economia.
CRISE NA ARGENTINA
Com a economia globalizada uma crise na economia de um país afeta a dos
outros países. O fenômeno do colapso vai influenciar a riqueza da célula
social no país como em outros países principalmente naquele que
diretamente se ligam por efeitos comerciais. Enquanto havia a paridade
do peso com o dólar o argentino comprava também mercadoria no Brasil por
ser de sua maior conveniência. Assim, algumas empresas brasileiras
principalmente aquelas situadas perto da fronteira se beneficiavam com a
venda aos argentinos. Havia uma média de 20% na receita que vinha da
venda de meios patrimoniais aos argentinos. Também o setor turístico,
principalmente do sul do Brasil, se favorecia com a vinda do turista
argentino.
Com a crise houve algumas modificações na dinâmica do capital das
companhias argentinas quanto nas brasileiras.
Segundo Paulo Skaf, presidente da Associação Brasileira da Indústria
Têxtil (Abit) a Argentina deve 50 milhões de dólares para o setor. A
pendência afeta toda a cadeia nacional, de fibras e vestuários, formado
por 30 mil empresas.
Também o presidente da Associação Brasileira de Vestuário (Abravest),
Robert Chadad disse que a maior parte da dívida está relacionada com
15,6 mil confecções. Os setores mais atingidos, segundo Elói de Almeida,
presidente do Grupo Brasil, pela crise na Argentina são os bens de
capital e os têxteis.
Os setores imobiliários, hotéis, restaurantes, pousadas etc. do litoral
principalmente os de Santa Catarina tiveram em média uma queda de 50% em
sua dinâmica patrimonial e o setor de aluguel de carros de 60%.
O fenômeno da crise argentina afetou muitas células sociais em sua
dinâmica. O meio patrimonial reduziu seu giro na mutação patrimonial.
Diminuindo o giro do meio patrimonial reduz-se a lucratividade e afeta
os outros sistemas em virtude de sua interação. O importante é a
harmonia entre os oito sistemas que são:
Resultabilidade – necessidade de obter resultado.
Liquidez – necessidade de anular obrigações.
Produtividade – necessidade de eficiência no uso dos meios produtivos
Estabilidade – necessidade de equilíbrio entre os componentes da
riqueza.
Economicidade – necessidade de manter a vitalidade e garantir a
sobrevivência.
Invulnerabilidade – necessidade de proteção contra os riscos.
Elasticidade – necessidade de adaptar o tamanho do patrimônio ao tamanho
da capacidade da atividade (dimensão do capital).
Socialidade – necessidade com o organismo social no qual se insere.
Segundo o Prof. Lopes de Sá: “Tais sistemas são autônomos, ou seja, uma
empresa pode ter produtividade e não ter rentabilidade, pode ter
rentabilidade e não ter liquidez, pode ter liquidez e não estar
protegida conta riscos etc.”
Os sistemas são autônomos e tem interação entre si. Nesse processo eles
são influenciados por forças externas.
A organização é influenciada pelo mercado e, portanto, o empresário e o
pessoal devem estar inseridos na sociedade e não fora dela.
Há uma influência ambiental exógena constante sobre o patrimônio mesmo
que isto seja pouco observado.
O mercado se modifica constantemente e esta modificação tange o
patrimônio.
O empresário deve estar atento a esta dinâmica ambiental e transmitir ao
pessoal como diz Domenico Masi (2000, 186 p.) um chefe que incute
entusiasmo, libera os grupos de procedimentos inúteis, gratifique os
criativos, olha para o futuro, promova a inovação e tenha coragem de
enfrentar o desconhecido.
Um chefe deve ter a capacidade intelectual de pensar.
Deve saber que a criatividade precisa de vínculo, de desafios e não de
burocracia. A burocracia é uma barreira para a criatividade.
A criatividade é um dos requisitos para o sucesso na modernidade.
Um empresário que não seja criativo, inovador tende a deixar o capital
em ociosidade. Também, pode ser criada pela desaceleração do mercado.
A ociosidade cria ineficácia patrimonial e afeta a prosperidade da
célula social.
Mesmo com a diminuição das vendas e da produção a tecnologia avança para
novas formas de produtos. Um meio patrimonial que está na inércia corre
o risco de ser ultrapassado por outra mercadoria mais moderna.
Não é desejável que um estoque de meios patrimoniais esteja na inércia e
com isto perca sua potencialidade por lançamento de produto novo no
mercado que o possa substituir.
É fundamental que a direção e o pessoal estejam atentos para as
influências ambientais exógenas. Esta matéria requer um constante
aprofundamento pelos estudiosos. Segundo o Prof. Lopes de Sá: “É
imprescindível conhecer a ação das forças que fazem mover as riquezas e
que são provenientes do ambiente exterior a elas, ou seja, de fatores
ambientais (internos e externos em relação às células sociais)”. Há uma
complexidade expressiva no assunto. Pois uma influência do entorno
poderá beneficiar setores e prejudicar outros. A crise na Argentina
prejudicou o setor do turismo, imobiliário, aluguel de carros e outros
setores da economia brasileira. Mas beneficiou as empresas exportadoras
da Argentina e as empresas situadas na fronteira com o Brasil. O meio
patrimonial argentino tornou-se mais acessível ao bolso do consumidor
brasileiro. Inverte-se o processo econômico onde a Argentina compra
menos e exporta mais. Este é um processo benéfico para Argentina.
VARIAÇÃO CAMBIAL
Com a criação do câmbio livre na economia Argentina inicialmente afetou
o bolso do consumidor daquele país. A cotação do dólar de 1 dólar por 1
peso era melhor para o consumidor argentino. Com a cotação de 1 dólar
por 2,10 pesos ele precisa de mais dinheiro para adquirir um meio
patrimonial. Assim todo consumidor argentino ficou mais pobre. Tal
fenômeno é comum nos países em desenvolvimento, fazendo uma minoria mais
rica e uma maioria mais pobre. Assim aumenta o fosso entre a elite e a
massa popular e isto constitui um obstáculo para o progresso e enquanto
persistir não haverá verdadeiro crescimento e justiça social.
A ida para o exterior tornou-se mais difícil para a massa popular
argentina. Tanto é que com retração do turista argentino no Brasil houve
diminuição da dinâmica patrimonial em alguns setores da economia
brasileira. Alguns já citados neste artigo.
A influência ambiental exógena da variação cambial tangeu o patrimônio
de vários setores da economia das organizações na Argentina, no Brasil e
em outros países que negociam com a Argentina. Com a variação cambial o
brasileiro começa atravessar a fronteira com a Argentina onde compra
meios patrimoniais já pela metade do preço anterior. Isto não ocorria
desde a criação da paridade com o dólar 1x1. Agora diminui a dinâmica
patrimonial das células sociais brasileiras e aumenta das organizações
da Argentina.
CONCLUSÃO
É necessário que a direção e pessoal analisem as influências dos
entornos,
pois estas influências podem levar a célula social tanto à prosperidade
quanto à falência. Uma direção e pessoal competente pode anular
influências ambientais negativas para a dinâmica patrimonial da
companhia. Competência se conquista melhorando o conhecimento,
atualizando o mesmo procurando inovações e usando a criatividade.
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