INTRODUÇÃO
Embora tais assuntos não sejam de todo novidade, alguns aspectos
evolutivos ocorrem quanto à quantificação de elementos, antes apenas
acenado e agora enfocado com mais objetividade. Valores não mensurados
nos Balanços tradicionais, evidenciam a necessidade de destacar com
maior objetividade a existência de uma riqueza intelectual, despertando
maior preocupação aos estudiosos e encontrando um tratamento científico
de rara qualidade na corrente neopatrimonialista. Cresce o interesse em
quantificar os agentes da transformação da riqueza e, também, o de
conhecer a influência desse na dinâmica do capital, inclusive em que
limites essa influência se opera, em face do que deveras afeta as
situações de eficácia ou ineficácia.
INFLUÊNCIA INTELECTUAL LEVA À EFICÁCIA OU INEFICÁCIA PATRIMONIAL
A capacidade intelectual leva ao aumento do patrimônio. A incapacidade
intelectual leva à estagnação patrimonial e até à falência da empresa.
Para ilustrar estas duas afirmações vejamos duas realidades:
lo. A empresa A iniciou-se pequena. Em virtude da capacidade
intelectual, conhecimento, competência e experiência do empresário a
mesma foi tendo eficácia patrimonial e com o passar dos anos foi
prosperando e influenciando o mercado onde a mesma estava inserida. O
crescimento da empresa resultou não só na sua prosperidade, mas, também
naquela da comunidade global, pois ocorreu um incremento na exportação
de máquinas, quer no mercado interno, quer externo.
2o. Caso: A empresa B iniciou-se pequena e pequena ficou. Em virtude da
incapacidade intelectual, falta de criatividade, falta de conhecimento
gerencial do proprietário a mesma não prosperou.
Analisando os dois exemplos, concluímos que a primeira empresa prosperou,
pela eficácia intelectiva de sua direção enquanto que a segunda não o
fez pela ineficácia intelectiva de seu dirigente. O fator intelectual
foi importante e fundamental no l. caso. Influenciou o patrimônio e este
teve eficácia. Assim como o valor intelectual pode produzir riqueza a
riqueza pode produzir captação de valor intelectual. O fator intelectual
pode criar tanto eficácia quanto ineficácia patrimonial.
Existe uma inequívoca relação entre o valor intelectual (este como
agente) e o meio patrimonial.
O que importa, nesta relação, é o conhecimento dos limites de natureza
lógica, ou seja até que ponto cada agente tem condições de exercer a sua
preponderância.
Ainda, sobre o primeiro caso, constata-se que a empresa por ter capital
humano de conhecimento, competência e experiência desenvolveu o capital
estrutural e o capital cliente. Houve portanto uma influência positiva
por parte do valor intelectual no interior da empresa.
INFLUÊNCIA INTELECTUAL ENDÓGENA
Cada vez mais se intensifica o estudo sobre a influência intelectual
interna como uma força que movimenta o patrimônio com repercussão no
mercado.
Na Física, existe um estudo sobre a força que atua sobre um corpo quando
esse executa um movimento, oferecendo meios de mensuração. Analogamente,
em Contabilidade, devemos considerar que, também, existe um movimento
que resulta na transformação do meio patrimonial em si.
A contabilidade tradicional não se preocupa com a força intelectual que
atua sobre a riqueza, mas, sim, especificamente, com o patrimônio da
empresa, sem, todavia, desconhecer a natureza da ação ambiental
promovida pelos agentes. O Prof.
Lopes de SÁ (2000) ensina: “O patrimônio imaterial das empresas é um
resultado do aumento de funções do próprio capital material e dos
agentes que sobre o mesmo atuam para dinamiza-lo e aumentar-lhe a
capacidade de utilidade ou eficácia. Segundo a visão neopatrimonialista
não se trata essencialmente de um maior valor do capital, mas, sim, de
uma maior função da riqueza sob a ação de relações basicamente
ambientais e que se pode mensurar quando se procura traduzir tais
elementos em valores. Seja a mensuração espontânea, seja em decorrência
de fatos que defluem de novas associações ou cessões do capital, seja
previa ou com projeção futura, o que se objetivará, sempre, será a
expressão de potencialidades formadas em decorrência de ampliações de
funções, quer por efeitos internos, quer externos”.
A dinamização do patrimônio, por influência ambiental endógena, vai
criar os intangíveis como o conceito no mercado, bons clientes, marca de
comércio etc. Estes ativos intangíveis, em algumas células sociais, são
bens mais importantes do que os bens físicos. O que está se destacando é
o bem do conhecimento. Isso quer dizer as novas fórmulas e receitas de
uma mentalidade inovadora no interior da empresa. A preocupação dos
estudiosos é encontrar forma realista para mensura-la.
MENSURAÇÃO DOS INTANGÍVEIS
Têm aumentado o interesse, por parte dos estudiosos, que se quantifique
a riqueza imaterial. Há uma crescente crítica aos demonstrativos
patrimoniais tradicionais, por não evidenciar os intangíveis. Afirmam,
já há tempo, os estudiosos que não se pode observar só os bens físicos.
É necessário, também, incluir o intelectual e a riqueza imaterial para
se ter uma real situação patrimonial da empresa. Há uma discrepância
entre o valor de mercado e o que esta registrado nos livros. Serrano
Cinca e Garcia (2000) assim se expressam sobre o assunto: “ A informação
que hoje interessa a gerência da empresa e que não está suficientemente
refletida nos balanços e documentos contábeis tradicionais, se refere a
atividades de investigação e desenvolvimento, recursos humanos, trocas
nos recursos e processo produtivos, capacidade de inovação e valor que
contribuem os produtos para o consumidor”. E propõem: “Nos propomos que
os ativos intangíveis se valorizam de uma forma mais objetiva possível.
Uma vez valorizados, a proposta mais audaz e tratá-los contabilmente
como ativos físicos, é dizer como ativos que se amortizam. Ignora-los ou
contabiliza-los como gastos provoca distorções nos benefícios faz que as
empresas com maior inovação apresentem balanços mais pobres. Além de, o
custo histórico não está apropriado para estes ativos intangíveis:
incluindo os que já se contabilizam, como as patentes, marca o franquias
deveriam refletir valor potencial ou de mercado”.
Também Viñegla e Gasset (2000) afirmam: (...) atualmente na sociedade da
informação, tanto o capital intelectual como outros fatores de natureza
intangível tem inclusive mais valor que, por exemplo, o próprio
imobilizado, razão suficiente que permitem de alguma maneira
valoriza-los.
Os estudiosos criticam o Balanço patrimonial como ultrapassado quando
não há menção aos intangíveis. O mesmo não espelha a realidade do
patrimônio em seu dinamismo. Os intangíveis são riquezas que fazem parte
da empresa e há uma tendência futura de valoriza-los mais que o próprio
imobilizado.
Para isso, entretanto é necessário primeiro entender quais são os
componentes da riqueza intelectual.
Nos diz Ramos (1998): “A noção de capital intelectual é em si uma
extensão desta idéia de capital humano. O capital intelectual pode ser
definido como o conhecimento, as habilidades, experiências, intuição à
atitudes da força de trabalho”.
E segundo Skyrme (2000): “gradualmente uma classificação popular divide
os bens intelectuais em três categorias”:
Capital Humano- que informa o conhecimento individual, competência,
experiência, know-how etc.
Capital Estrutural- “que é levado à noite para casa pelos empregados”:
processos, informação, dados básicos etc.
Capital Cliente – relação com clientes, marcas, marcas comerciais etc.
Esta classificação na contabilidade tradicional não se informa nem se
mensura. O intelectual é um imaterial que atua sobre a riqueza como
agente propulsor. É uma força que empurra algo para frente. É uma força
transformadora da riqueza, de rara importância, na dinâmica do
patrimônio da célula social. Essa transformação da riqueza é que
interessa à contabilidade, como objeto de estudos.
INTELECTUAL E O MOVIMENTO
O movimento do meio patrimonial é motivado por influencia ambiental
endógena e exógena. A influência ambiental endógena sobre o patrimônio é
interna e, vem da direção ou do pessoal. A influência ambiental exógena
vem do mercado, do poder público, do fator climático, da energia
elétrica, do câmbio etc. A influência ambiental endógena é competente
para anular influência ambiental exógena que pode prejudicar a eficácia
patrimonial. O estudo desta relação é importante para se conhecer melhor
o fenômeno patrimonial.
INFLUÊNCIA DO INTELECTUAL SOBRE O FENÔMENO PATRIMONIAL
Segundo o Prof. Lopes de Sá: (Obra identificada na bibliografia) ‘O
exame objetivo do fenômeno contábil nos mostra que ele decorre de todo
um conjunto de eventos, ou seja, de um complexo de ocorrências, em
regime de interação constantes”.
De acordo com o raciocínio do Prof. Nepomuceno (1996) extraído de seu
artigo Ambientais Filosóficas temos: “A significação de fenômeno
apreendido, neste caso, tem o sentido de ocorrência, de modificação do
estado A para o estado B, devido à ação de agentes externos. O fenômeno
possui, pois, uma dinâmica (kinesis) que lhe altera o seu caráter
próprio, a sua intimidade. Portanto, dessa forma, o fenômeno é
compreendido como algo físico, pertencente ao mundo vivido, ao mundo da
percepção sensível (coisa corpórea)”.
Também, Masi (apud Sá, 1997), em 1924, lecionou sobre o assunto assim se
expressando: “Se examinarmos os fenômenos fundamentais de Contabilidade
, não podemos deixar de reconhecer que eles requerem indagações acuradas;
não se pode negar que se torna necessário observá-los, expô-los; depois,
munidos dos ensinamentos oferecidos pelas pesquisas feitas como o
subsídio de métodos especiais de investigação, próprios das ciências
experimentais, daí retirar normas de prática aplicação a casos
concretos. Ora, os fenômenos dos custos, das receitas, do rédito, das
entradas e saídas financeiras, para lembrar só alguns dos mais evidentes
fenômenos contábeis já por nós referidos, são todos investigados em sua
fase de constituição e de evolução e apresentam problemas que sempre se
apresentaram e sempre apresentarão”.
Já, Masi (apud Sá, 1997), ao estruturar o Patrimonialismo ensinava que:
“a preocupação deve centrar-se em fenômenos e não em instrumentos que
evidenciam esses mesmos fenômenos, e, em razão desses, preferencialmente
no critério intuitivo”. Centrou suas reflexões no fenômeno patrimonial e
desenvolveu uma monumental obra na contabilidade científica.
Garnier (apud Sá, 1997) na França, na década de 30, já mencionou em seus
trabalhos o fenômeno patrimonial. Ensinava ele que: “a arte de registrar
é diferente da técnica de entender o que se registra e fala de uma
economia de empresa”.
Hilário Franco, na década de 50 (apud Sá, 1957) evidenciou que o
fenômeno patrimonial tinha que ser considerado sob a ótica do homem e
não dos números apenas, pois esses eram suas quantificações apenas e
estas não surgiam porque as grandezas tivessem sempre as mesmas relações
lógicas, mas porque sofriam efeitos distintos e quantificáveis
provenientes de fatos humanos”.
E mais recente o Prof. Lopes de Sá fundou o Neopatrimonialismo Contábil
com uma estrutura holística e com a preocupação sobre o fenômeno
contábil. E com admirável capacidade e competência vem desenvolvendo a
reflexão sobre o fenômeno patrimonial. Nesta interação de influências se
cria nova teoria. Assim, hoje, há uma preocupação em refletir sobre as
influências que o intelecto exerce sobre o fenômeno contábil.
A relação entre a força intelectual e o fenômeno patrimonial é bastante
forte e pode dinamizar o fenômeno contábil e a ocorrência do fenômeno
será mais rápida e eficaz. A qualidade do intelecto humano vai
determinar a eficácia ou ineficácia do fenômeno patrimonial. Da
capacidade do dirigente em decidir e comandar e daquela dos funcionários
em executar, dependerá sempre a maior probalidade de acerto e de
eficácia nos negócios.
A DINÂMICA DO MEIO PATRIMONIAL POR INFLUÊNCIA INTELECTUAL
Para um corpo se movimentar é preciso que haja atuação de uma força,
também, o meio patrimonial se movimenta por ação de função e que
representa a dinâmica do mesmo, sob a influência de elemento, quase
todos ambientais. A influência exógena do mercado é comparável a uma
força que atua para intensificar ou diminuir a dinâmica do meio
patrimonial. Assim, também, o fator intelectual é comparável a uma força
que atua sobre o meio contábil. A influência intelectual pode levar o
meio patrimonial a ser dinâmico ou estático. O meio estático cria
ociosidade por falta de função e assim inutilidade do meio patrimonial.
A lei da aceleração, na física, estuda o aumento da velocidade de um
corpo. Assim, também, devemos intensificar o giro do meio patrimonial:
quanto mais rápido este giro maior será o resultado e mais rápido ele
cumpre a sua função. Todo meio patrimonial tem uma função de utilidade
cuja função terá maior dinamismo quanto mais acelerado for. A influência
intelectual, neste caso, é fundamental para criar dinamismo no meio
patrimonial. Um diretor que tenha conhecimento de gerenciamento fará
funcionar melhor a dinâmica do capital do que aquela que não tenha este
conhecimento. Veja o exemplo das duas pequenas empresas que iniciaram
praticamente na mesma época. Uma tornou-se uma grande empresa e a outra
ficou estagnada com o passar dos anos . Na 1a. a influência do
conhecimento e outros fatores levaram a mesma a ser dinâmica e
influenciar o ambiente onde estava inserida, criando, também, uma
dinâmica de mercado, influindo de uma forma positiva em toda uma
comunidade. Esta comunidade cresceu por influência da dinâmica
patrimonial da empresa, pois, a mesma, com sua prosperidade, criou mais
empregos, mais bem estar, mais renda etc., etc...
Uma empresa pode ter mais bens intangíveis do que bens tangíveis.
Segundo o Prof. Lopes de Sá (2000): “Existem empresas que valem mais
pela força de seus intangíveis que mesmo pela dos elementos corpóreos,
como são muitos do ramo de informática e outras de altas especializações
cientificas e de prestação de serviços. Onde não se pode desprezar uma
avaliação, como riqueza efetiva, o que possuem de imaterial”.
Um patrimônio não se pode valorizar pelo que consta no demonstrativo
tradicional, pois, os mesmos não espelham a realidade patrimonial.
Quando o balanço for publicado o patrimônio da célula social já não é o
mesmo, isso, por influência ambiental.
Em conclusão, é possível admitir que não levará muito tempo para que a
expressão quantitativa do patrimônio intangível venha a ser uma
obrigação. Muito ajudará a compreensão do efetivo valor do capital, como
afirmou, D’Auria , há mais de meio século, conhecer todos os seus
potenciais. A questão não é só da célula em si, mas, de todos o conjunto
social. Através da metodologia Neopatrimonialista, é possível abrir, com
maior velocidade, esses portais, porque a doutrina lopesista é holística
em seu conteúdo.
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