RESUMO
O paradigma atual de desenvolvimento, baseado nos modelos dos países
desenvolvidos, dos países industrializados do Norte, conforme Campanhola
(1995), é um modelo meramente capitalista, que visa ao lucro máximo.
Portanto, o crescimento econômico em si gera bem-estar à sociedade, e o
meio ambiente é apenas um bem privado, no que se refere à produção e
descarte dos seus resíduos. Dentro desse processo, ao longo dos últimos
30 anos, pode-se afirmar que os recursos naturais são tratados apenas
como matéria-prima para o processo produtivo, principalmente no processo
produtivo industrial. O que aconteceu é que este modelo, da maneira como
foi idealizado, não é sustentável ao longo do tempo. Ficou claro que os
recursos naturais eram esgotáveis e, portanto finitos, se mal
utilizados. Ao longo do tempo, outros valores passaram a fazer parte do
objetivo da empresa. É claro que a maximização do acionista ainda é um
dos objetivos, mas dificilmente será plenamente autêntica se outros
objetivos não forem cumpridos. Entre esses outros objetivos estão as
chamadas responsabilidades sociais, que cada vez mais vão tomando conta
do dia-a-dia da administração e dizem respeito à melhor qualidade de
vida da comunidade. Os administradores passaram a preocupar-se não
somente com a gestão do negócio, mas com as pessoas e o meio em que
interagem. Neste sentido, a Contabilidade, vista como um sistema de
informação da situação e da evolução patrimonial, econômica e financeira
da empresa, deve incluir, em seus relatórios, todos os dados
relacionados ao meio ambiente, facilitando o acesso a mais esta
informação ao seu grande número de usuários, auxiliando-os no processo
de tomada de decisão. Portanto, a Contabilidade, entendida como meio de
fornecer informações, deveria buscar responder a este novo desafio,
atendendo aos usuários interessados na atuação das empresas sobre o meio
ambiente, subsidiando o processo de tomada de decisão, além das
obrigações com a sociedade no que tange à responsabilidade social e à
questão ambiental. Verifica-se, portanto, que por meio da identificação,
mensuração e divulgação das referidas informações, a Contabilidade pode
contribuir muito com a sociedade e com o governo, buscando soluções para
os problemas sociais, pois sendo meio de fornecer informações, deve
buscar responder a este novo desafio, satisfazendo os usuários
interessados na atuação das empresas sobre o meio ambiente, devendo,
ainda, contribuir para o sistema de gestão ambiental. O contador deve
participar de forma ativa neste processo de planejamento, avaliação e
controle das questões sociais e ambientais, registrando e divulgando as
medidas adotadas e os resultados alcançados.
Neste sentido, o Parecer de Iniciativa sobre a Responsabilidade Social
(2003) diz que a responsabilidade social é a integração voluntária pelas
empresas das preocupações sociais e ambientais nas suas atividades
comerciais e nas suas relações com todas as partes. É complementar das
soluções legislativas e contratuais a que as empresas estão ou podem vir
a estar obrigadas e que se aplicam a questões como, por exemplo, o
desenvolvimento da qualidade de emprego, a adequada informação, consulta
e participação dos trabalhadores, bem como o respeito e promoção dos
direitos sociais e ambientais e a qualidade dos produtos e serviços.
Trata-se, segundo o Parecer de Iniciativa sobre a Responsabilidade
Social (2003), de uma noção compreensiva e abrangente, que se situa mais
no âmbito das boas práticas e da ética empresarial e da moral social, do
que no dos normativos jurídicos. Abrange aspectos tão diversos como os
que vão da gestão de recursos humanos e da cultura de empresa até a
escolha dos parceiros comerciais e das tecnologias. Implica, pois, uma
abordagem integrada das dimensões financeira, tecnológica, comercial,
deontológica e social da empresa, tanto mais quanto ela é, na sua
essência, uma comunidade de pessoas ao serviço do bem comum.
O Livro Verde (2001) diz que a responsabilidade social das empresas é,
essencialmente, um conceito segundo o qual as empresas decidem, numa
base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para um
ambiente mais limpo.
A empresa é socialmente responsável quando vai além da obrigação de
respeitar as leis, pagar impostos e observar as condições adequadas de
segurança e saúde para os trabalhadores, e faz isso por acreditar que
assim será uma empresa melhor e estará contribuindo para a construção de
uma sociedade mais justa.
3 - HISTÓRICO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL
Tornou-se evidente em 1919, de acordo com Toldo (2002), a questão da
responsabilidade corporativa com o julgamento na Justiça americana do
caso de Henry Ford, presidente acionista majoritário da Ford Motor
Company, e seu grupo de acionistas liderados por John e Horace Dodge,
que contestavam a idéia de Ford.
Em 1916, argumentando a realização de objetos sociais, Ford decidiu não
distribuir parte dos dividendos aos acionistas e investiu na capacidade
de produção, no aumento de salários e em fundo de reserva para
diminuição esperada de receitas devido à redução dos preços dos carros.
É lógico que a Suprema Corte decidiu a favor de Dodge, entendendo que as
corporações existem para o benefício de seus acionistas e que os
diretores precisam garantir o lucro, não podendo usá-lo para outros
fins.
A idéia de que a empresa deveria responder apenas aos seus acionistas
começou a receber críticas durante a Segunda Guerra Mundial. Nesta
época, diversas modificações aconteceram nos Estados Unidos.
Em 1953, outro fato trouxe a público a discussão sobre a inserção da
empresa na sociedade e suas responsabilidades: o caso A P. Smith
Manufacturing Company versus seus acionistas, que contestavam a doação
de recursos financeiros à Universidade de Princeton. Nesse período, a
Justiça estabeleceu a lei da filantropia corporativa, determinando que
uma corporação poderia promover o desenvolvimento social.
Segundo Toldo (2002), nos anos 60, autores europeus se destacavam,
discutindo problemas sociais e suas possíveis soluções, e nos Estados
Unidos as empresas já se preocupavam com a questão ambiental e em
divulgar suas atividades no campo social.
Já na década de 70, começou a preocupação com o como e quando a empresa
deveria responder por suas obrigações sociais. Nessa época, a
demonstração para a sociedade das ações empresariais tornou-se
extremamente importante.
De acordo com Tinoco (2001), a França foi o primeiro país do mundo a ter
uma lei que obriga as empresas que tenham mais de 300 funcionários a
elaborar e publicar o Balanço Social. Seu objetivo principal prende-se a
informar ao pessoal o clima social na empresa, a evolução do efetivo; em
suma, estabelecer as performances da empresa no domínio social. Este
balanço, segundo o autor, é bastante paternalista, pois exclui os fatos
econômicos dos fatos sociais.
Na década de 90, com uma maior participação de autores na questão da
responsabilidade social entrou em cena a discussão sobre os temas ética
e moral nas empresas, o que contribui de modo significativo para a
conceituação de responsabilidade social.
4 - RESPONSABILIDADE SOCIAL NO BRASIL
Em 1960, conforme Tinoco (2001), foi constituída a Associação dos
Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE), com sede em São Paulo, iniciando
assim uma pregação sobre responsabilidade social nos dirigentes das
empresas. Em 1977, ADCE organizou o 2º Encontro Nacional de Dirigentes
de Empresas, tendo como tema central o Balanço Social da Empresa. Em 79,
a ADCE passa a organizar seus congressos anuais e o Balanço Social tem
sido objeto de reflexão.
Foi elaborado em 1984 o primeiro trabalho acadêmico do professor João
Eduardo Prudêncio Tinoco, que é uma dissertação de mestrado do
Departamento de Contabilidade e Atuaria da Faculdade de Economia,
Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo - FEA-USP com
o título de: Balanço Social: uma abordagem socioeconômica da
Contabilidade.
Em 1991, foi encaminhado ao Congresso um anteprojeto propondo publicação
do Balanço Social pelas empresas, porém, não foi aprovado. Foi publicado
pelo Banespa, em 1992, um relatório divulgando as suas ações sociais. Em
1993, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, lançou a Campanha
Nacional da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, com
o apoio do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), que
constitui o marco da aproximação dos empresários com as ações sociais.
Em 1997, Betinho lançou um modelo de balanço social e, em parceria com a
Gazeta Mercantil, criou o selo do Balanço Social estimulando as empresas
a divulgarem seus resultados na participação social.
Foi criado, em 1998, o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade
Social pelo empresário Oded Grajew. O Instituo serve de ponte entre os
empresários e as causas sociais. Seu objetivo é disseminar a prática da
responsabilidade social empresarial por meio de publicações,
experiências, programas e eventos para os interessados na temática. Em
1999, a adesão ao movimento social se refletiu na publicação do seu
balanço no Brasil por 68 empresas. No mesmo ano, foi fundado o Instituto
Coca-Cola no Brasil, voltado à educação, a exemplo da fundação existente
nos Estados Unidos desde 1984.
Segundo Toldo (2002), a Câmara Municipal de São Paulo premiou em 1999,
com o selo Empresa Cidadã as empresas que praticaram a responsabilidade
social e publicaram o Balanço Social e a Associação de Dirigentes de
Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) incluiu em sua premiação o prêmio
Top Social. A Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança destacou-se pelo
trabalho de erradiação do trabalho infantil, exemplo que atraiu um
número crescente de adeptos. A empresa que combate o abuso contra
criança ganhou o selo Empresa Amiga da Criança.
O primeiro dado relevante a se destacar na comparação entre 2000 e 1999
é que a média de gastos por empregado cresceu em praticamente todos os
indicadores sociais internos, ou seja, o valor gasto com empregados em
alimentação, previdência privada, saúde, segurança e medicina no
trabalho, educação, cultura, participação nos lucros e capacitação e
desenvolvimento profissional foi 80,1% maior em 2000. A média do gasto
em previdência privada foi 2,3 vezes maior e a participação nos lucros
quase dobrou. A única exceção foi em creche, com redução de 8%. Este
crescimento, porém, não quer dizer que o investimento social destas
empresas esteja compatível com o que delas se espera. Em todo caso, é um
dado positivo.
Dessa forma, Torres (2002) diz que para conquistar um diferencial e
obter a credibilidade e aceitação da sociedade e das diversas partes
interessadas dentro do universo empresarial, além de novas práticas e da
publicação anual dos balanços e relatórios sociais e ambientais, as
corporações têm buscado certificações, selos e standards internacionais
na área social. Entre os exemplos brasileiros mais significativos, estão
o 'Selo Empresa Amiga da Criança', conferido pela Fundação Abrinq; o
'Selo Empresa-Cidadã', que é uma premiação da Câmara Municipal da Cidade
de São Paulo; e o 'Selo Balanço Social Ibase/Betinho', do Instituto
Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas desde 1998.
Neste sentido, A Corporate Social Responsability, apud Vassallo (2000),
diz que não existe uma fórmula geral de responsabilidade social quando
se trata de negócios. Mas alguns passos básicos podem ajudar muito na
implantação de uma estratégia de boa cidadania corporativa. A seguir,
alguns deles:
® Desenvolva uma missão, uma visão e um conjunto de valores a serem
seguidos.
® Para que a responsabilidade social seja uma parte integrante de cada
processo decisório, é preciso que ela faça parte do DNA da companhia –
seu quadro de missões, visões e valores. Isso leva a um comprometimento
explícito das lideranças e dos funcionários com questões como ética nos
negócios e respeito a acionistas, clientes, fornecedores, comunidades e
meio ambiente.
® Coloque seus valores em prática – é básico. De nada adianta ter um
maravilhoso quadro de valores na parede do escritório se eles não são
exercitados e praticados a cada decisão tomada.
® Promova a gestão executiva responsável – esse é um exercício diário e
permanente. É preciso fazer com que cada executivo leve em consideração
os interesses dos seus partícipes antes de tomar qualquer decisão
estratégica.
® Comunique, eduque e treine – as pessoas só conseguirão colocar valores
de cidadania corporativa em prática se os conhecerem e souberem como
aplicá-los no dia-a-dia.
® Publique balanços sociais e ambientais – elaborados por especialistas
e auditores externos, eles garantem uma visão crítica de como
acionistas, funcionários, organizações comunitárias e ambientalistas
enxergam a atuação da empresa.
® Use sua influência de forma positiva – o mundo corporativo é formado
por uma grande rede de relacionamentos. Use os valores cidadãos de sua
empresa para influenciar a atuação de fornecedores, clientes e
companhias do mesmo setor.
5 - A RESPONSABILIDADE SOCIAL NO ÂMBITO INTERNACIONAL
Destacam-se, no âmbito internacional, as normas BS 8800 e OHSAS 18001,
que tratam de segurança e saúde no ambiente de trabalho. Além dessas,
existem as normas AA 1000 e Social Accountability 8000 (SA 8000), com
foco na responsabilidade social corporativa. Mesmo ainda pouco conhecida
no Brasil, a norma SA 8000 merece uma atenção especial, entre outros
motivos, pelo fato de que a obtenção e manutenção desse certificado
prevê o envolvimento dos trabalhadores da empresa, bem como a
participação de ONGs e sindicatos.
Fundamentalmente, a Social Accountability 8000 visa aprimorar o
bem-estar e as condições de trabalho no ambiente corporativo, a partir
do desenvolvimento de um sistema de verificação que deve garantir o
cumprimento das exigências contidas na norma e a contínua conformidade
com os padrões estabelecidos. Seus requisitos estão baseados nas
declarações internacionais de direitos humanos, na defesa dos direitos
da criança e nas convenções da Organização Internacional do Trabalho
(OIT). Para isso, a SA 8000 apresenta-se como um sistema de auditoria
similar à certificação ISO 9000, que atualmente já é apresentada por
mais de 300 mil empresas em todo o mundo.
Criada em 1997 e desenvolvida por um conselho internacional que reúne
empresários, ONGs e organizações sindicais, a SA 8000 quer encorajar a
participação de todos os setores da sociedade na melhoria das condições
de trabalho e de vida no ambiente corporativo, eliminar o trabalho
forçado e acabar com a exploração do trabalho infantil. Além de ser uma
questão ética em si, garantir boas e dignas condições de trabalho
tornou-se fundamental no atual mundo dos negócios. Por um lado,
contribui para o sucesso num mercado cada vez mais competitivo e
globalizado; por outro, faz parte da construção de uma sociedade mais
justa e fraterna para todos.
Enfim, outras conquistas empresarias, como as normas ISO e qualidade
ambiental, tornam-se um aspecto bastante expressivo e mostram o empenho
empresarial em contribuir para uma sociedade com qualidade de vida
melhor para todos.
6 - RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL
A gestão ambiental e da responsabilidade social, para um desenvolvimento
que seja sustentável econômica, social e ecologicamente, precisa contar
com executivos e profissionais nas organizações, públicas e privadas,
que incorporem tecnologias de produção inovadoras, regras de decisão
estruturadas e demais conhecimentos sistêmicos (sistema) exigidos no
contexto em que se inserem.
O desenvolvimento econômico e o meio ambiente estão intimamente ligados.
Só é inteligente o uso de recursos naturais para o desenvolvimento caso
haja parcimônia e responsabilidade no uso dos referidos recursos. Do
contrário, a degradação e o caos serão inevitáveis. De acordo com o
quadro 1, a ordem é a busca do desenvolvimento sustentável, que em três
critérios fundamentais devem ser obedecidos simultaneamente: equidade
social, prudência ecológica e eficiência econômica.
Quadro 1 – Desenvolvimento Sustentável – Tripé da sustentabilidade
empresarial

Fonte: www.copesul.com.br
Os novos tempos, conforme Tachizawa (2002), caracterizam-se por uma
rígida postura dos clientes, voltada à expectativa de interagir com
organizações que sejam éticas, com boa imagem institucional no mercado e
que atuem de forma ecologicamente responsável.
A melhoria das condições de vida, segundo Coelho & Dutra (2000), passa
obrigatoriamente por um conjunto de ações que transcende ao importante
item de preservação ambiental e se expande para a melhoria das condições
de trabalho, assistência médica e social, além de incentivo às
atividades culturais, artísticas, bem como à preservação, reforma e
manutenção de bens públicos e religiosos.
A questão ambiental está se tornando cada vez mais matéria obrigatória
das agendas dos executivos. A internacionalização dos padrões de
qualidade ambiental descrito na série ISO 14000, a globalização dos
negócios, a conscientização crescente dos atuais consumidores e a
disseminação da educação ambiental nas escolas permitem antever que a
exigência futura que farão os consumidores em relação à preservação do
meio ambiente e à qualidade de vida deverá intensificar-se.
Neste contexto Kraemer (2000) diz que as organizações deverão incorporar
a variável ambiental no aspecto de seus cenários e na tomada de decisão,
mantendo com isso uma postura responsável de respeito à questão
ambiental. Empresas experientes identificam resultados econômicos e
resultados estratégicos do engajamento da organização na causa
ambiental. Estes resultados não se viabilizam de imediato, há
necessidade de que sejam corretamente planejados e organizados todos os
passos para a interiorização da variável ambiental na organização para
que ela possa atingir o conceito de excelência ambiental, trazendo com
isso vantagem competitiva.
Na informação sobre o meio ambiente, se deve incluir a Contabilidade,
porque, na atualidade, o meio ambiente é um fator de risco e de
competitividade de primeira ordem. A não inclusão dos custos e
obrigações ambientais distorcerá tanto a situação patrimonial como a
situação financeira e os resultados da empresa.
7 - CONTABILIDADE AMBIENTAL – RELATÓRIO PARA UM FUTURO SUSTENTÁVEL,
RESPONSÁVEL E TRANSPARENTE
A preocupação mundial em torno do meio ambiente caminha para um consenso
em torno da adesão a um novo estilo de desenvolvimento que deve combinar
eficiência econômica com justiça social e prudência ecológica. A
combinação desses elementos somente será possível se houver um esforço
conjunto de todos com objetivo de atingir o bem-estar geral no futuro.
Os contadores têm um papel fundamental nesta perspectiva, uma vez que
depende desses profissionais elaborar um modelo adequado para esta
entidade, incentivar às empresas a implementarem gestões ambientais que
possam gerar dados apresentáveis contabilmente, nos balanços sociais,
além de criar sistemas e métodos de mensuração dos elementos e de
mostrar ao empresário as vantagens dessas ações.
Para Sá (2001), as exigências sociais e ambientais, aquelas do mercado,
a luta imperialista, a velocidade extrema das comunicações, o progresso
espantoso no processo da informação, as aplicações científicas cada vez
mais ousadas em quase todos os ramos do saber humano, foram os fatores
que inspiraram as modificações conceituais, também em Contabilidade.
Hoje, a Contabilidade mede somente os elementos que possuem preço.
Conforme Gray (2003), a maioria desses elementos ambientais não carrega
rótulo de preço e pode, portanto, ser ignorado. Então, enquanto o
‘encaixe’ não é perfeito, há quase que uma certeza de que o sucesso
contábil e a degradação contábil andam juntas.
O mesmo autor diz que a primeira tarefa da contabilidade ambiental é
compreender melhor este processo e os processos sociais relacionados. A
segunda é buscar formas através das quais a Contabilidade possa ser
ajustada dentro da atual ortodoxia, visando encorajar uma maior
interação social e ambiental benigna.
Diante disto, a Contabilidade Ambiental é o processo que facilita as
decisões relativas à atuação ambiental da empresa a partir da seleção de
indicadores e análises de dados, da avaliação destas informações com
relação aos critérios de atuação ambiental, da comunicação, e da revisão
e melhora periódica de tais procedimentos.
As inovações trazidas pela Contabilidade Ambiental estão associadas a
pelo menos três temas:
® a definição do custo ambiental;
® a forma de mensuração do passivo ambiental, com destaque para o
decorrente de ativos de vida longa, e;
® a utilização intensiva de notas explicativas abrangentes e o uso de
indicadores de desempenho ambiental, padronizados no processo de
fornecimento de informações ao público.
Junto a essas variáveis, se encontra ainda o respeito ao meio ambiente,
cuja incidência econômica, sócio-jurídica e cultural está fora de toda
dúvida e cujo impacto deve ser reconhecido na Contabilidade.
A Contabilidade não vai resolver os problemas ambientais, mas face à sua
capacidade de fornecer informações, pode alertar os vários atores
sociais para a gravidade do problema vivenciado, ajudando desta forma na
procura de soluções.
7.1 - FINALIDADE E DESTINATÁRIO DA CONTABILIDADE AMBIENTAL
Existem três motivos básicos para a empresa adotar uma Contabilidade
Ambiental:
Razão de gestão interna – Está relacionada com uma ativa gestão
ambiental e seu controle.
Exigências legais – A crescente exigência legal e normativa pode obrigar
os diretores a controlar mais seus riscos ambientais, sob pena de
multas.
Demanda dos partícipes – A empresa está submetida cada vez mais a
pressões internas e externas. Essas demandas podem ser dos empregados,
acionistas, administração pública, clientes, bancos, investidores,
organizações ecológicas, seguradoras e comunidade local.
Convém especificamente saber por que a empresa quer um sistema de
Contabilidade Ambiental. Em outras palavras, que resultados espera obter
com isto. É importante conhecer quais são os objetivos.
® Saber se a empresa cumpre ou não com a legislação ambiental vigente;
® Ajudar a direção em seu processo de tomada de decisões e na fixação de
uma política e nos objetivos de gestão ambiental;
® Comprovar a evolução da atuação ambiental da empresa através do tempo
e identificar as tendências que se observam;
® Detectar as áreas da empresa que necessitam especial atenção (áreas
críticas) e os aspectos ambientais significativos;
® No caso de empresas com uma política ambiental já estabelecida:
conhecer se tem cumprido com os objetivos ambientais fixados pela
companhia;
® Identificar oportunidades para uma melhor gestão dos aspectos
ambientais;
® Identificar oportunidades estratégicas: como a empresa pode obter
vantagens competitivas graças a melhoras concretas na gestão ambiental:
quais são as melhoras que dão valor à companhia.
® Obter informação específica para fazer frente à solicitação dos
partícipes concretos.
Os partícipes (conforme quadro 2) podem ser: diretores, empregados,
acionistas, comunidade local, administração pública, clientes,
fornecedores, investidores, bancos e entidades financeiras, seguradoras,
organizações ecológicas, universidades e centros de pesquisas e seus
interesses estão descritos no quadro 3.
Quadro 2 – Partícipes envolvidos na responsabilidade social e ambiental

Fonte: Fenech (2002)
Quadro 3 - Interesses específicos de cada partícipe
|
PARTÍCIPE |
PRINCIPAIS INTERESSES |
|
1 – Trabalhadores |
Garantia de emprego. Salários. Orgulho e sentimento de dignidade. Saúde e segurança no lugar no trabalho |
|
2 – Comunidade local |
Riscos de saúde. Ruídos. Odores. Resíduos expelidos no solo, água e ar. Conhecimento da atividade da empresa. Riscos de acidente. |
|
3 – Clientes e fornecedores |
Qualidade dos produtos. Preços. Segurança nos produtos. Garantia nos produtos. |
|
4 – Administração pública |
Cumprimento da legislação. Acidentes e denúncias. Consumo de recursos. Evidência de que a empresa cumpre seus compromissos ambientais |
|
5 – Entidades financeiras, investidores e acionistas. |
Resultados financeiros. Informações sobre responsabilidade ou obrigações legais e respeito a terceiros. Custos ambientais e sua gestão. Investidores ambientais. Vantagens comerciais relacionadas com a gestão ambiental. Custo do não cumprimento legal. |
|
6 – Organizações ecológicas |
Informação ambiental no âmbito local. Impacto nos ecossistemas. Impactos ambientais do produto ou serviço. |
Fonte: Fundació Fórum Ambiental (1999).
7.2 - ÁREAS DA CONTABILIDADE AMBIENTAL
As três grandes áreas que classificam os instrumentos da Contabilidade
Ambiental são: produção (aspectos), direção (decisões) e meio ambiente
(impactos).
7.2.1 - Aspectos ambientais – são os elementos específicos das
atividades, produtos ou serviços da empresa que podem interagir
positivamente ou negativamente com o meio ambiente.
7.2.2 - Decisões ambientais – incluem todas as políticas, estratégias,
planos de ação e instrumentos de trabalho que a direção da empresa adota
para desenvolver uma gestão ambiental determinada da companhia.
7.2.3 - Impactos ambientais – se definem como toda troca do meio
ambiente, seja adversa ou benéfica ao seu resultado, total ou
parcialmente, das atividades, produtos ou serviços da empresa.
7.3 - MOMENTOS DA CONTABILIDADE AMBIENTAL
Existem três momentos no processo definido de Contabilidade Ambiental de
acordo com a Fundació Fórum Ambiental (1999).
7.3.1 - Medida – consiste na obtenção de dados relevantes. Para isto é
preciso ter definidas, antes, as áreas de influência ambiental e de
criação de valor que devem ser estudadas, e os indicadores a utilizar
para obter a informação adequada de cada aspecto relevante dentro de
cada área.
Uma vez estabelecidas a finalidade, os destinatários e os critérios da
Contabilidade Ambiental, podemos entrar no detalhe de suas três etapas
principais: a medida, a avaliação e a comunicação.
O que é feito, neste estado, é transformar informações dispersas e
heterogêneas em dados úteis, comparáveis e analisáveis. Para isso, é
preciso ter definidos, antes, as áreas de influência ambiental e de
criação de valor que devem ser estudados e os indicadores a utilizar
para obter a informação adequada de cada aspecto relevante dentro de
cada área.
O principal instrumento de medida são os indicadores ambientais que
expressam informação útil e relevante sobre a atuação ambiental da
empresa e sobre seus esforços por influenciar em tal atuação.
7.3.2 - Avaliação – consiste na análise e conversão dos dados em
informação útil para tomada de decisão, assim como na valoração e
ponderação desta informação.
Uma vez medida a atuação ambiental da empresa, com a ajuda dos
indicadores, transformamos uma informação dispersa em um sistema de
dados. É o momento de avaliar e analisar estes dados, comparando a
realidade com os objetivos, políticas e recursos da empresa.
Nesta fase há duas atividades importantes a realizar:
® analisar, depurar e explorar os dados para obter informação requerida,
de modo que se possam tomar decisões na empresa.
® avaliar tal informação através da comparação, da ponderação e a
análises da carteira ambiental.
7.3.3 - Comunicação – da atuação ambiental da companhia, tanto faz
dentro como fora da empresa. Tal processo de comunicação consiste na
transmissão de informação sobre a atuação ambiental da empresa e dos
partícipes (stakeholders) externos ou internos, sobre a base da
valoração que a direção realiza sobre as necessidades e interesses,
tanto da empresa como dos diferentes partícipes.
7.3.3.1 - Destinatário e motivos (para quem?) – A comunicação pode
interessar a um grande número e partícipes, com interesses e prioridades
distintos.
Em primeiro lugar, a informação deve ser dada ao destinatário. A partir
daí, deve-se estabelecer o conteúdo e a forma da comunicação que mais
convém aos interesses da empresa e das demandas dos distintos
partícipes. O quadro 4 discorre sobre os motivos pelos quais os
partícipes necessitam de informação ambiental.
Quadro 4 - Necessidade de informação ambiental
|
PARTÍCIPES |
POR QUE QUEREM INFORMAÇÃO AMBIENTAL |
|
1 – Trabalhadores |
-Comprovar que seu empresário é responsável, e que qualquer risco ambiental ou de saúde se administra eficazmente. -Avaliar como seu trabalho tem contribuído e a atuação ambiental do conjunto da empresa. -Compreender quais as razões que levam a empresa a investir ambientalmente e como estas ações podem afetar seus empregos e lugares de trabalho. |
|
2 - Comunidade local |
-Compreender como as operações da empresa afetam a qualidade do ar, da água e do solo no âmbito local. -Conhecer a existência de processos e programas em marcha para administrar os riscos e os impactos ambientais. |
|
3 – Clientes |
-Avaliar a conveniência da empresa como potencial fornecedor. -Comparar a atuação da empresa com a de fornecedores alternativos. -Estar informados sobre possíveis riscos e responsabilidades ambientais potenciais. -Estar informados dos impactos ambientais associados com produtos e serviços que eles compram. |
|
4 - Fornecedores |
-Compreender o estabelecimento de seu cliente a respeito da gestão ambiental -Conhecer se seu cliente estabelece algum requisito prévio aos fornecedores antes de contratar ou comprar. |
|
5 – Administração pública |
-Conhecer com precisão o que a empresa está fazendo para administrar e melhorar sua atuação ambiental. -Assegurar o cumprimento legal por parte da empresa. -Tomar idéias da prática empresarial para o desenho de novas normas reguladoras. |
|
6 – Entidades financeiras, investidores e acionistas. |
-Avaliar o risco financeiro para poder tomar decisões ponderadas nos campos do seguro, crédito e investimento. |
|
7 – Entidades de promoção ambiental |
-Identificar exemplos de boas práticas. -Imitar as melhores atuações ambientais |
|
8 – Organizações ecológicas |
-Conhecer o impacto ambiental potencial da empresa no território. -Ter bases para intervir possíveis denúncias ou reclamações contra a empresa ou outras empresas do mesmo setor ou território. -Obter evidência e pontos de referência para suas campanhas de sensibilização e educação ambiental. |
Fonte: Fundació Fórum Ambiental (1999).
7.3.3.2 - Objetivos e tipologia da comunicação (para quê?) – A partir
daí, a empresa pode e deve estabelecer seus objetivos da comunicação
ambiental em cada caso, assim como a tipologia ou forma de comunicação
mais adequada.
Abaixo, resumimos alguns objetivos estabelecidos por cada partícipe,
assim como a mensagem a lançar por parte da empresa como instrumentos de
comunicação mais adequados (quadro 5).
Quadro 5 - Objetivos estabelecidos por partícipe, mensagem da empresa e
instrumento de comunicação.
|
PARTÍCIPES |
OBJETIVOS |
MENSAGENS |
MEIOS DE COMUNICAÇÃO |
|
Trabalhadores |
Informar as boas práticas ambientais e seus motivos |
Política ambiental, objetivos e resultados. |
Informe ambiental, Informe social, Memorando anual, Boletim interno de empresa. |
|
Comunidade local |
-Melhorar a compreensão sobre atividades ambientais na empresa. -Prevenir protestos e denúncias |
Limitação da contaminação, gestão dos resíduos responsáveis, atenção aos interesses da comunidade. |
Informe ambiental, Visita à empresa, Boletim, Departamento de comunicação, Notas de imprensa, Grupos adhoc de estabelecimento de problemas. |
|
Clientes e fornecedores |
-Assegurar novos contratos com eles. -Aumentar quota de mercado. -Atrair novos clientes |
Vendemos produtos ambientalmente seguros, desejo de contribuir com a segurança do consumidor, transparência ante problemas ambientais, desejo de conhecer as demandas do fornecedor. |
Marketing, Etiquetas ambientais de produto, mala direta a clientes e a grande fornecedores. |
|
Administração pública |
-Informar de nossas boas práticas de gestão ambiental. |
Atividades ambientalmente responsáveis, resumo de custos e benefícios das atuações ambientais. |
Informe ambiental, Certificado ISO, negociação. |
|
Entidades financeiras e investidores |
-Mudar percepção de risco -Melhorar a taxa de crédito. -Atrair investidores. -Futuro dos produtos |
Gestão do risco, economia de custos através de uma melhor gestão ambiental. |
Informe ambiental, Informe social, Memória anual, Boletim, Informação de imprensa. |
|
Acionistas |
-Aumentar o preço da ação. -Reafirmar os acionistas. -Atrair novos acionistas. |
Gestão do risco, economia de custos através de uma melhor gestão ambiental. |
Informe ambiental, Informe social, Memória anual, Boletim, Informação de imprensa. |
|
Organizações ecológicas |
-Mudar sua percepção da empresa. -Dar uma base de fato para as discussões sobre as atividades da empresa |
Melhora da atuação ambiental, interesses em cooperar para melhorar os temas ambientais |
Informe ambiental, Visitas, Memorando anual, negociações, Boletim, Informação de imprensa. |
Fonte: Fundació Fórum Ambiental (1999).
7.4 - CLASSIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE AMBIENTAL
A EPA (2002) classifica os tipos de Contabilidade Ambiental conforme o
quadro abaixo:
|
Tipos de Contabilidade Ambiental |
Enfoque |
Dirigido a usuário |
|
a) Contabilidade Nacional |
Macroeconômico, Economia Nacional |
Externo |
|
b) Contabilidade Financeira |
A empresa |
Externo |
|
c) Contabilidade Gerencial ou de Custos |
A empresa, Departamentos, Linha de Produção, etc |
Interno |
Fonte:
http://es.inel.gov
7.4.1 - Contabilidade Nacional – é uma medida macroeconômica. O termo
Contabilidade Ambiental está referido na Economia Nacional. Por exemplo:
o termo Contabilidade Ambiental pode ser usada em unidades físicas ou
monetárias de acordo com o consumo de Recursos Naturais da Nação, sejam
renováveis ou não renováveis. Neste contexto, a Contabilidade Ambiental
tem sido denominada “Contabilidade de Recursos Naturais”.
7.4.2 - Contabilidade Financeira – relacionada com a preparação dos
estados financeiros que estão baseados de acordo com os Financial
Accounting Standards Board (FASB) y a los Generally Accepted Accounting
Principles ( GAAP). A Contabilidade Ambiental, neste contexto, está
referida à estimação e informação das responsabilidades ambientais e os
custos do ponto de vista financeiro.
7.4.3 - Contabilidade Gerencial – é o processo de identificação,
compilação e análise de informação, principalmente para propósitos
internos. Está dirigida à administração dos custos, em especial para
tomada de decisões administrativas no âmbito da produção e outro.
Neste sentido, podemos determinar que existem três possíveis contextos
onde se aplica o termo Contabilidade Ambiental, um aplicado na
Contabilidade Nacional, englobando aspectos macroeconômicos, e os outros
dois relacionados mais à realidade microeconômica, com uma unidade
empresarial, que é a que nos interessa.
Posto isto, pode-se definir a Contabilidade de Gestão Ambiental como a
identificação, estimação, a análise, o relatório interno, e o uso dos
materiais e da informação do fluxo da energia, da informação ambiental
do custo, e de outras informações dos custos para a tomada de decisão
convencional e ambiental dentro de uma organização.
A aplicação da Contabilidade de Gestão Ambiental pode potenciar grandes
poupanças de custos na gestão de resíduos, dado que os custos de
manuseamento e de deposição de resíduos são relativamente fáceis de
definir e de imputar a produtos específicos. Outros custos ambientais,
incluindo os custos da conformidade ambiental, custos legais,
deterioração da imagem da empresa, e riscos e responsabilidade
ambiental, são mais difíceis de avaliar.
A Contabilidade de Gestão Ambiental, segundo a EPA (2002):
® focaliza nos custos internos à companhia
® não inclui custos externos à sociedade
® dá ênfase particular na contabilidade para custos ambientais
® abrange não somente a informação ambiental e outra do custo, mas
também informação explícita em fluxos do exame e os fatos dos materiais
e da energia.
® a sua informação pode ser usada para a maioria de tipos de atividade
ou de tomada de decisão da gerência dentro de uma organização, mas é
particularmente útil para atividades ambientais proativas da gerência.
Neste contexto, a contabilidade de gestão ambiental incorpora e integra
dois dos três blocos de edifício do desenvolvimento sustentável:
ambiente e economia.
A utilização geral da informação da Contabilidade de Gestão Ambiental
serve essencialmente para ser utilizada internamente pela empresa nas
suas tomadas de decisão. A nível interno, os procedimentos incluem:
medições físicas do consumo de materiais e energia, fluxos de deposição
e deposição final, avaliação monetária de custos, poupanças e receitas
relacionadas com atividades que apresentam potenciais impactos
ambientais.
7.5 - BENEFÍCIOS DA CONTABILIDADE DE GESTÃO AMBIENTAL
7.5.1 - Benefícios potenciais à indústria
® identifica, estima, aloca, administra e reduz os custos,
particularmente os tipos ambientais de custos.
® controla o uso e os fluxos da energia e dos materiais.
® dá informação mais exata e detalhada para suportar o estabelecimento e
a participação em programas voluntários, custos efetivos para melhorar o
desempenho ambiental.
® informação mais exata e mais detalhada para a medida e o relatório de
desempenho ambiental, assim melhorando a imagem de companhia com os
stakeholders, tais como clientes, comunidades locais, empregados,
governo e fornecedores.
7.5.2 - Benefícios potenciais à sociedade
® permite o uso mais eficiente de recursos naturais, incluindo a energia
e a água;
® reduz os custos externos relacionados à poluição da indústria, tal
como os custos da monitoração ambiental.
® fornece informações para a tomada de decisão, melhorando a política
pública.
® fornece a informação ambiental industrial do desempenho que pode ser
usada no contexto mais extenso das avaliações do desempenho e de
condições ambientais nas economias e em regiões geográficas.
Os exemplos de muitas iniciativas ambientais que se beneficiam da
Contabilidade de Gestão Ambiental incluem:
® prevenção da poluição
® design e implementação do sistema de gestão ambiental
® projeto para o ambiente
® cálculo dos custos, poupanças e benefícios de projetos
®estabelecimento de metas quantificadas de desempenho
® divulgação ao exterior de despesas, investimentos e responsabilidades
em ambiente
® compra ambiental preferível
® avaliação anual dos custos/despesas em ambientes
® relatório externo na área do ambiente ou da sustentabilidade
® produção mais limpa, prevenção de poluição, gestão da cadeia de
fornecedores e projetos de eco-design
® avaliação de investimentos, cálculo das opções de investimento
® preço dos produtos
®elaboração de orçamentos
® avaliação do desempenho ambiental dos indicadores e benchmarking
® relatório ambiental do desempenho.
8 - CONCLUSÃO
Os objetivos da administração, tradicionalmente, eram quase
exclusivamente econômicos. No entanto, conforme Callenbach (2003), desde
a segunda guerra, com a crescente integração da dimensão social na
economia, o conceito de administração foi sendo gradualmente ampliado
até incluir a dimensão ecológica.
O mercado não mais aceita o descaso no tratamento dos recursos naturais.
Os consumidores estão interessados em produtos limpos. A legislação
torna-se mais rígida, imputando sanções aos infratores, obrigando as
empresas a encarar com seriedade e responsabilidade a variável ambiental
em sua estratégia operacional.
A empresa cidadã se desenvolve imersa na sociedade, na qual busca seus
clientes, funcionários e outros insumos necessários para sua operação.
Ela não se atém apenas aos resultados financeiros expressos em seu
balanço, mas inova a formulação de um balanço social, em que avalia sua
contribuição à sociedade.
Portanto, verifica-se que a sociedade é que dá permissão para a
continuidade da empresa e que os detentores de recursos não querem
arriscar indefinidamente seus patrimônios em companhias que se recusem a
tomar medidas preventivas na área social e ambiental. Posição semelhante
assumem os consumidores.
Profissionais competentes não podem comprometer a saúde em função da
permanência em locais inadequados.
Logo, a empresa precisa se adaptar aos parâmetros exigidos para não
agredir ao meio ambiente e, por meio do reconhecimento e divulgação do
seu passivo ambiental, e da evidenciação dos ativos ambientais e dos
custos e despesas com a preservação, proteção e controle ambiental, ela
torna claro para a sociedade o nível dos esforços que vem desenvolvendo
com vistas ao atingimento de tais objetivos.
O contador, como menciona Sá (2000), precisa comparecer nesse novo
cenário, com a disposição e competências necessárias para cooperar com a
preservação do planeta, prosperidade das sociedades e valorização do
homem. Deverá ser o agente capaz de disseminar a responsabilidade social
na sua organização e nas empresas a quem presta serviços. É ele o
detentor de informações ricas e privilegiadas, e capaz de influenciar
positivamente as organizações e contribuir para a tomada de decisão.
Partindo dessa premissa, a Contabilidade não pode ficar fechada à
escrituração e mensurações quantitativas do patrimônio da empresa. Ela
deve estar aberta a evolução tecnológica e às mudanças rápidas do mundo
moderno. Estar presente na luta pela preservação ambiental natural,
criando modelos contábeis eficazes e orientando o empresário na
aplicação destes modelos para satisfazer as necessidades da riqueza da
empresa com eficácia e também satisfazer com eficácia as necessidades do
meio ambiente natural.
9 – REFERÊNCIAS
CALLENBACH, E., et al. Gerenciamento Ecológico – Eco-Manangement – Guia
do Instituto Elmwood de Auditoria Ecológica e Negócios Sustentáveis. São
Paulo: Ed. Cultrix, 1993.
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de desenvolvimento. Anais do I Simpósio Ambientalista Brasileiro no
Cerrado. Goiânia: GO, 1995.
CAPRA, F. As conexões ocultas. Ciência para uma vida sustentável. São
Paulo: Ed. Cultrix, 2002.
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abril de 2003.
Maria Elisabeth Pereira Kraemer - beth.kraemerarrobaterra.com.br
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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