Resumo
As organizações empresariais, graças à riqueza que acumulam e que têm o
potencial de concentrar, trazem em si o grande potencial de mudar e
melhorar o ambiente social. Outros valores passaram a fazer parte do
objetivo da empresa. A maximização do acionista ainda é um dos
objetivos, mas dificilmente será plenamente autêntico se outros
objetivos não forem cumpridos, como as responsabilidades sociais e
ambientais. Os administradores passaram a preocupar-se mais com as
pessoas e o meio em que interagem. A responsabilidade empresarial em
relação ao meio ambiente deixou de ser apenas uma postura frente às
imposições para transformar-se em atitudes voluntárias, superando as
próprias expectativas da sociedade. Compreender essa mudança de
paradigma é vital para a competitividade, pois o mercado está, a cada
dia, mais aberto e competitivo, fazendo com que as empresas tenham que
se preocupar com o controle dos impactos ambientais.
1 – Introdução
O mundo corporativo tem um papel fundamental na garantia de preservação
do meio ambiente e na definição da qualidade de vida das comunidades de
seus funcionários. Empresas socialmente responsáveis geram, sim, valor
para quem está próximo. E, acima de tudo, conquistam resultados melhores
para si próprias. A responsabilidade social deixou de ser uma opção para
as empresas. É uma questão de visão, de estratégia e, muitas vezes, de
sobrevivência.
Os assuntos ambientais estão crescendo em importância para a comunidade
de negócios em termos de responsabilidade social, do consumidor,
desenvolvimento de produtos, passivos legais e considerações contábeis.
A inclusão da proteção do ambiente entre os objetivos da administração
amplia substancialmente todo o conceito de administração Os
administradores cada vez mais têm que lidar com situações em que parte
do patrimônio das empresas é simplesmente ceifada pelos processos que
envolvem o ressarcimento de danos causados ao meio ambiente,
independentemente desses danos poderem ser remediados ou não.
A gestão ambiental vem ganhando um espaço crescente no meio empresarial.
O desenvolvimento da consciência ecológica em diferentes camadas e
setores da sociedade mundial acaba por envolver também o setor
empresarial. Naturalmente, não se pode afirmar que todos os setores
empresariais já se encontram conscientizados da importância da gestão
responsável dos recursos naturais.
A empresa que não buscar adequar suas atividades ao conceito de
desenvolvimento sustentável está fadada a perder competitividade em
curto ou médio prazo.
2 – O ambiente como estratégia empresarial
O fator ambiental vem mostrando a necessidade de adaptação das empresas
e conseqüentemente direciona novos caminhos na sua expansão. As empresas
devem mudar seus paradigmas, mudando sua visão empresarial, objetivos,
estratégias de investimentos e de marketing, tudo voltado para o
aprimoramento de seu produto, adaptando-o à nova realidade do mercado
global e corretamente ecológico.
O paradigma atual de desenvolvimento é um modelo meramente capitalista
que visa ao lucro máximo. Portanto, o crescimento econômico em si gera
bem-estar à sociedade, e o meio ambiente é apenas um bem privado, no que
se refere à produção e descarte dos seus resíduos. Dentro desse processo,
ao longo dos últimos 30 anos, pode-se afirmar que os recursos naturais
são tratados apenas como matéria-prima para o processo produtivo,
principalmente no processo produtivo industrial. O que aconteceu é que
este modelo, da maneira como foi idealizado, não é sustentável ao longo
do tempo. Ficou claro que os recursos naturais eram esgotáveis e,
portanto, finitos, se mal utilizados.
Assume-se que as reservas naturais são finitas e que as soluções ocorrem
através de tecnologias mais adequadas ao meio ambiente. Deve-se atender
às necessidades básicas usando o princípio da reciclagem.
Este novo fazer foi construído, em grande parte, a partir dos resultados
da Rio-92, onde a noção de desenvolvimento sustentável se alastrou e se
estruturou. Porém, o que a noção e os conceitos de sustentabilidade
trazem como novo desafio são os caminhos para a gestão ambiental.
Nesse aspecto, as empresas têm um papel extremamente relevante. Através
de uma prática empresarial sustentável, provocando mudança de valores e
de orientação em seus sistemas operacionais, estarão engajadas à idéia
de desenvolvimento sustentável e preservação do meio ambiente.
Neste novo paradigma, Almeida (2002) diz que a idéia é de integração e
interação, propondo uma nova maneira de olhar e transformar o mundo,
baseada no diálogo entre saberes e conhecimentos diversos. No mundo
sustentável, uma atividade – a econômica, por exemplo – não pode ser
pensada ou praticada em separado, porque tudo está inter-relacionado, em
permanente diálogo. No quadro 1, tem-se as diferenças entre o velho e o
novo paradigmas:
Quadro 1 – Paradigma cartesiano versus paradigma da sustentabilidade
|
Cartesiano |
Sustentável |
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Reducionista, mecanicista, tecnocêntrico |
Orgânico, holístico, participativo |
|
Fatos e valores não relacionados |
Fatos e valores fortemente relacionados |
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Preceitos éticos desconectados das práticas cotidianas |
Ética integrada ao cotidiano |
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Separação entre o objetivo e o subjetivo |
Interação entre o objetivo e o subjetivo |
|
Seres humanos e ecossistemas separados, em uma relação de dominação |
Seres humanos inseparáveis dos ecossistemas, em uma relação de sinergia |
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Conhecimento compartimentado e empírico |
Conhecimento indivisível, empírico e intuitivo |
|
Relação linear de causa e efeito |
Relação não-linear de causa e efeito |
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Natureza entendida como descontínua, o todo formado pela soma das partes |
Natureza entendida como um conjunto de sistemas inter-relacionados, o todo maior que a soma das partes |
|
Bem-estar avaliado por relação de poder (dinheiro, influência, recursos) |
Bem-estar avaliado pela qualidade das inter-relações entre os sistemas ambientais e sociais |
|
Ênfase na quantidade (renda per capita) |
Ênfase na qualidade (qualidade de vida) |
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Análise |
Síntese |
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Centralização de poder |
Descentralização de poder |
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Especialização |
Transdisciplinaridade |
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Ênfase na competição |
Ênfase na cooperação |
|
Pouco ou nenhum limite tecnológico |
Limite tecnológico definido pela sustentabilidade |
Fonte: Almeida (2002).
Os empresários, neste novo papel, tornam-se cada vez mais aptos a
compreender e participar das mudanças estruturais na relação de forças
nas áreas ambiental, econômica e social. Também, em sua grande parte, já
decidiram que não querem ter mais passivos ambientais.
As questões sociais e ambientais são reunidas e passam a ser ainda mais
exigidas no conceito de sustentabilidade. A sustentabilidade, para Gray
(2003), é um conceito difícil de aplicar em qualquer corporação
individual. Ele é basicamente um conceito global. Mas isto não significa
que não tenha aplicação em corporações – como, um número cada vez maior
de empresas e grupos de pressão/solucionadores de problemas corporativos
está rapidamente reconhecendo.
Essa conscientização nos conduzirá ao desenvolvimento sustentável,
definido no Relatório Brundtland (Nosso Futuro Comum), elaborado pela
Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento (1988), como “aquele
que atende as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade
de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades”.
Para Callenbach (1993), a administração ambiental está associada à idéia
de resolver os problemas ambientais em benefício da empresa. Ela carece
de uma dimensão ética e suas principais motivações são a observância das
leis e a melhoria da imagem da empresa. Já o gerenciamento ecológico é
motivado por uma ética ecológica e por uma preocupação com o bem-estar
das futuras gerações. Seu ponto de partida é uma mudança de valores na
cultura empresarial.
Quanto ao gerenciamento ecológico, Capra apud Callenbach (1993) diz que
envolve a passagem do pensamento mecanicista para o pensamento sistêmico.
Um aspecto essencial dessa mudança é que a percepção do mundo como
máquina cede lugar à percepção do mundo como sistema vivo. Essa mudança
diz respeito à nossa percepção da natureza, do organismo humano, da
sociedade e, portanto, também à nossa percepção de uma organização de
negócios.
Neste sentido, Sá (2002) refere que há uma consciência social em marcha,
cuja formação se acelera e que condena a especulação gravosa da riqueza
e o uso inadequado de utilidades, como fatores de destruição do planeta
e como lesão à vida dos entes que povoam o mundo.
Esse novo paradigma precisa ser acompanhado por uma mudança de valores,
passando da expansão para a conservação, da quantidade para a qualidade,
da denominação para a parceria.
Bertalanffy (1977), com sua Teoria Geral dos Sistemas, enfatiza que tudo
está unido a tudo e que cada organismo não é um sistema estático fechado
ao mundo exterior, mas sim um processo de intercâmbio com o meio
circunvizinho, ou seja, um sistema aberto num estado quase estacionário,
onde materiais ingressam continuamente, vindos do meio ambiente
exterior, e neste são deixados materiais provenientes do organismo.
Segundo Bateson (1987), um sistema vivo não se sustenta somente com a
energia que recebe de fora, mas fundamentalmente pela organização da
informação que o sistema processar.
As empresas, para Capra apud Callenbach (1993), são sistemas vivos, cuja
compreensão não é possível apenas pelo prisma econômico. Como sistema
vivo, a empresa não pode ser rigidamente controlada por meio de
intervenção direta, porém, pode ser influenciada pela transmissão de
orientações e emissão de impulsos. Esse novo estilo de administração é
conhecido como administração sistêmica.
3 – Responsabilidade Social
As empresas de hoje são agentes transformadores que exercem uma
influência muito grande sobre os recursos humanos, a sociedade e o meio
ambiente, possuindo também recursos financeiros, tecnológicos e
econômicos. Diante disto, procuram colaborar de alguma forma para o
fortalecimento destas áreas, com posturas éticas, transparência, justiça
social. Os empresários, neste novo papel, tornam-se cada vez mais aptos
a compreender e participar das mudanças estruturais na relação de forças
nas áreas ambiental, econômica e social.
As companhias estão sendo incentivadas agora e cada vez mais pela
administração pública e pelos seus stakeholderes a focalizar seus
impactos ambientais e sociais, desenvolver maneiras apropriadas a
internalizar e reduzir seus custos associados, e a construção de
relatório para uma sustentabilidade ambiental maior.
Nos últimos anos, houve progressos surpreendentes na área de
gerenciamento e relatório ambiental e, mais recentemente, o mesmo
ocorreu quanto à conscientização sobre a responsabilidade social e a
crescente compreensão dos desafios da sustentabilidade.
Todas as empresas gostariam de ser admiradas pela sociedade, por seus
funcionários, pelos parceiros de negócios e pelos investidores. O grande
problema é estar disposto a encarar os desafios que se colocam no
caminho de uma companhia realmente cidadã. O primeiro deles, segundo
Vassallo (2000), é o desafio operacional. Uma empresa responsável pensa
nas conseqüências que cada uma de suas ações pode causar ao meio
ambiente, a seus empregados, à comunidade, ao consumidor, aos
fornecedores e a seus acionistas. De nada adianta investir milhões em um
projeto comunitário e poluir os rios próximos de suas fábricas ou dar
benefícios e oportunidades a seus funcionários e não ser transparente
com seus consumidores, ou ainda preservar florestas no Brasil e comprar
componentes de um fabricante chinês que explora mão-de-obra infantil.
Neste sentido, o Parecer de Iniciativa sobre a Responsabilidade Social
(2003) diz que a responsabilidade social é a integração voluntária pelas
empresas das preocupações sociais e ambientais nas suas atividades
comerciais e nas suas relações com todas as partes. É complementar das
soluções legislativas e contratuais a que as empresas estão ou podem vir
a estar obrigadas e que se aplicam a questões como, por exemplo, o
desenvolvimento da qualidade de emprego, a adequada informação, consulta
e participação dos trabalhadores, bem como o respeito e a promoção dos
direitos sociais e ambientais e a qualidade dos produtos e serviços.
Trata-se, segundo o Parecer de Iniciativa sobre a Responsabilidade
Social (2003), de uma noção compreensiva e abrangente, que se situa mais
no âmbito das boas práticas e da ética empresarial e da moral social do
que no dos normativos jurídicos. Abrange aspectos tão diversos como os
que vão da gestão de recursos humanos e da cultura de empresa até a
escolha dos parceiros comerciais e das tecnologias. Implica, pois, uma
abordagem integrada das dimensões financeira, tecnológica, comercial,
deontológica e social da empresa, tanto mais quanto ela é, na sua
essência, uma comunidade de pessoas ao serviço do bem comum.
O Livro Verde (2001) diz que a responsabilidade social das empresas é,
essencialmente, um conceito segundo o qual as empresas decidem, numa
base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para um
ambiente mais limpo.
A empresa é socialmente responsável quando vai além da obrigação de
respeitar as leis, pagar impostos e observar as condições adequadas de
segurança e saúde para os trabalhadores, e faz isso por acreditar que
assim será uma empresa melhor e estará contribuindo para a construção de
uma sociedade mais justa.
4 - Histórico da responsabilidade social
Tornou-se evidente em 1919, de acordo com Toldo (2002), a questão da
responsabilidade corporativa com o julgamento na Justiça americana do
caso de Henry Ford, presidente acionista majoritário da Ford Motor
Company, e seu grupo de acionistas liderados por John e Horace Dodge,
que contestavam a idéia de Ford.
Em 1916, argumentando a realização de objetos sociais, Ford decidiu não
distribuir parte dos dividendos aos acionistas e investiu na capacidade
de produção, no aumento de salários e em fundo de reserva para
diminuição esperada de receitas devido à redução dos preços dos carros.
É lógico que a Suprema Corte decidiu a favor de Dodge, entendendo que as
corporações existem para o benefício de seus acionistas e que os
diretores precisam garantir o lucro, não podendo usá-lo para outros fins.
A idéia de que a empresa deveria responder apenas aos seus acionistas
começou a receber críticas durante a Segunda Guerra Mundial. Nesta
época, diversas modificações aconteceram nos Estados Unidos.
Em 1953, outro fato trouxe a público a discussão sobre a inserção da
empresa na sociedade e suas responsabilidades: o caso A P. Smith
Manufacturing Company versus seus acionistas, que contestavam a doação
de recursos financeiros à Universidade de Princeton. Nesse período, a
Justiça estabeleceu a lei da filantropia corporativa, determinando que
uma corporação poderia promover o desenvolvimento social.
Segundo Toldo (2002), nos anos 60, autores europeus se destacavam,
discutindo problemas sociais e suas possíveis soluções, e nos Estados
Unidos as empresas já se preocupavam com a questão ambiental e em
divulgar suas atividades no campo social.
Já na década de 70, começou a preocupação com o como e quando a empresa
deveria responder por suas obrigações sociais. Nessa época, a
demonstração para a sociedade das ações empresariais tornou-se
extremamente importante.
De acordo com Tinoco (2001), a França foi o primeiro país do mundo a ter
uma lei que obriga as empresas que tenham mais de 300 funcionários a
elaborar e publicar o Balanço Social. Seu objetivo principal prende-se a
informar ao pessoal o clima social na empresa, a evolução do efetivo; em
suma, estabelecer as performances da empresa no domínio social. Este
balanço, segundo o autor, é bastante paternalista, pois exclui os fatos
econômicos dos fatos sociais.
Na década de 90, com uma maior participação de autores na questão da
responsabilidade social, entrou em cena a discussão sobre os temas ética
e moral nas empresas, o que contribui de modo significativo para a
conceituação de responsabilidade social.
5 - Responsabilidade social no Brasil
Em 1960, foi constituída a Associação dos Dirigentes Cristãos de
Empresas (ADCE), com sede em São Paulo, iniciando assim uma pregação
sobre responsabilidade social nos dirigentes das empresas. Em 1977, ADCE
organizou o 2º Encontro Nacional de Dirigentes de Empresas, tendo como
tema central o Balanço Social da Empresa. Em 79, a ADCE passa a
organizar seus congressos anuais e o Balanço Social tem sido objeto de
reflexão.
Foi elaborado em 1984 o primeiro trabalho acadêmico do professor João
Eduardo Prudêncio Tinoco, que é uma dissertação de mestrado do
Departamento de Contabilidade e Atuaria da Faculdade de Economia,
Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo - FEA-USP com
o título de: Balanço Social: uma abordagem socioeconômica da
Contabilidade.
Em 1991, foi encaminhado ao Congresso um anteprojeto propondo publicação
do Balanço Social pelas empresas, porém, não foi aprovado. Foi publicado
pelo Banespa, em 1992, um relatório divulgando as suas ações sociais. Em
1993, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, lançou a Campanha
Nacional da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, com
o apoio do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), que
constitui o marco da aproximação dos empresários com as ações sociais.
Em 1997, Betinho lançou um modelo de Balanço Social e, em parceria com a
Gazeta Mercantil, criou o selo do Balanço Social, estimulando as
empresas a divulgarem seus resultados na participação social.
Foi criado, em 1998, o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade
Social pelo empresário Oded Grajew. O Instituto serve de ponte entre os
empresários e as causas sociais. Seu objetivo é disseminar a prática da
responsabilidade social empresarial por meio de publicações,
experiências, programas e eventos para os interessados na temática. Em
1999, a adesão ao movimento social se refletiu na publicação do seu
balanço no Brasil por 68 empresas. No mesmo ano, foi fundado o Instituto
Coca-Cola no Brasil, voltado à educação, a exemplo da fundação existente
nos Estados Unidos desde 1984.
Segundo Toldo (2002), a Câmara Municipal de São Paulo premiou em 1999,
com o selo Empresa Cidadã as empresas que praticaram a responsabilidade
social e publicaram o Balanço Social e a Associação de Dirigentes de
Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) incluiu em sua premiação o prêmio
Top Social. A Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança destacou-se pelo
trabalho de erradiação do trabalho infantil, exemplo que atraiu um
número crescente de adeptos. A empresa que combate o abuso contra
criança ganhou o selo Empresa Amiga da Criança.
O primeiro dado relevante a se destacar na comparação entre 2000 e 1999
é que a média de gastos por empregado cresceu em praticamente todos os
indicadores sociais internos, ou seja, o valor gasto com empregados em
alimentação, previdência privada, saúde, segurança e medicina no
trabalho, educação, cultura, participação nos lucros e capacitação e
desenvolvimento profissional foi 80,1% maior em 2000. A média do gasto
em previdência privada foi 2,3 vezes maior e a participação nos lucros
quase dobrou. A única exceção foi em creche, com redução de 8%. Este
crescimento, porém, não quer dizer que o investimento social destas
empresas esteja compatível com o que delas se espera. Em todo caso, é um
dado positivo.
Dessa forma, Torres (2002) diz que para conquistar um diferencial e
obter a credibilidade e aceitação da sociedade e das diversas partes
interessadas dentro do universo empresarial, além de novas práticas e da
publicação anual dos balanços e relatórios sociais e ambientais, as
corporações têm buscado certificações, selos e standards internacionais
na área social. Entre os exemplos brasileiros mais significativos, estão
o 'Selo Empresa Amiga da Criança', conferido pela Fundação Abrinq; o 'Selo
Empresa-Cidadã', que é uma premiação da Câmara Municipal da Cidade de
São Paulo; e o 'Selo Balanço Social Ibase/Betinho', do Instituto
Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas desde 1998.
Neste sentido, A Corporate Social Responsability apud Vassallo (2000)
diz que não existe uma fórmula geral de responsabilidade social quando
se trata de negócios. Mas alguns passos básicos podem ajudar muito na
implantação de uma estratégia de boa cidadania corporativa. A seguir,
alguns deles:
® Desenvolva uma missão, uma visão e um conjunto de valores a serem
seguidos.
® Para que a responsabilidade social seja uma parte integrante de cada
processo decisório, é preciso que ela faça parte do DNA da companhia –
seu quadro de missões, visões e valores. Isso leva a um comprometimento
explícito das lideranças e dos funcionários com questões como ética nos
negócios e respeito a acionistas, clientes, fornecedores, comunidades e
meio ambiente.
® Coloque seus valores em prática – é básico. De nada adianta ter um
maravilhoso quadro de valores na parede do escritório se eles não são
exercitados e praticados a cada decisão tomada.
® Promova a gestão executiva responsável – esse é um exercício diário e
permanente. É preciso fazer com que cada executivo leve em consideração
os interesses dos seus partícipes antes de tomar qualquer decisão
estratégica.
® Comunique, eduque e treine – as pessoas só conseguirão colocar valores
de cidadania corporativa em prática se os conhecerem e souberem como
aplicá-los no dia-a-dia.
® Publique balanços sociais e ambientais – elaborados por especialistas
e auditores externos, eles garantem uma visão crítica de como acionistas,
funcionários, organizações comunitárias e ambientalistas enxergam a
atuação da empresa.
® Use sua influência de forma positiva – o mundo corporativo é formado
por uma grande rede de relacionamentos. Use os valores cidadãos de sua
empresa para influenciar a atuação de fornecedores, clientes e
companhias do mesmo setor.
6 - Responsabilidade social no âmbito internacional
Destacam-se, no âmbito internacional, as normas BS 8800 e OHSAS 18001,
que tratam de segurança e saúde no ambiente de trabalho. Além dessas,
existem as normas AA 1000 e Social Accountability 8000 (SA 8000), com
foco na responsabilidade social corporativa. Mesmo ainda pouco conhecida
no Brasil, a norma SA 8000 merece uma atenção especial, entre outros
motivos, pelo fato de que a obtenção e manutenção desse certificado
prevê o envolvimento dos trabalhadores da empresa, bem como a
participação de ONGs e sindicatos.
Fundamentalmente, a Social Accountability 8000 visa aprimorar o bem-estar
e as condições de trabalho no ambiente corporativo, a partir do
desenvolvimento de um sistema de verificação que deve garantir o
cumprimento das exigências contidas na norma e a contínua conformidade
com os padrões estabelecidos. Seus requisitos estão baseados nas
declarações internacionais de direitos humanos, na defesa dos direitos
da criança e nas convenções da Organização Internacional do Trabalho
(OIT). Para isso, a SA 8000 apresenta-se como um sistema de auditoria
similar à certificação ISO 9000, que atualmente já é apresentada por
mais de 300 mil empresas em todo o mundo.
Criada em 1997 e desenvolvida por um conselho internacional que reúne
empresários, ONGs e organizações sindicais, a SA 8000 quer encorajar a
participação de todos os setores da sociedade na melhoria das condições
de trabalho e de vida no ambiente corporativo, eliminar o trabalho
forçado e acabar com a exploração do trabalho infantil. Além de ser uma
questão ética em si, garantir boas e dignas condições de trabalho tornou-se
fundamental no atual mundo dos negócios. Por um lado, contribui para o
sucesso num mercado cada vez mais competitivo e globalizado; por outro,
faz parte da construção de uma sociedade mais justa e fraterna para
todos.
Enfim, outras conquistas empresarias, como as normas ISO e qualidade
ambiental, tornam-se um aspecto bastante expressivo e mostram o empenho
empresarial em contribuir para uma sociedade com qualidade de vida
melhor para todos.
7 - Responsabilidade social e ambiental
A gestão ambiental e da responsabilidade social, para um desenvolvimento
que seja sustentável econômica, social e ecologicamente, precisa contar
com executivos e profissionais nas organizações, públicas e privadas,
que incorporem tecnologias de produção inovadoras, regras de decisão
estruturadas e demais conhecimentos sistêmicos (sistema) exigidos no
contexto em que se inserem.
O desenvolvimento econômico e o meio ambiente estão intimamente ligados.
Só é inteligente o uso de recursos naturais para o desenvolvimento caso
haja parcimônia e responsabilidade no uso dos referidos recursos. Do
contrário, a degradação e o caos serão inevitáveis. De acordo com a
figura 1, a ordem é a busca do desenvolvimento sustentável, que em três
critérios fundamentais devem ser obedecidos simultaneamente: equidade
social, prudência ecológica e eficiência econômica.
Figura 1 – Desenvolvimento Sustentável – Tripé da sustentabilidade
empresarial

Fonte: www.copesul.com.br
Os novos tempos, conforme Tachizawa (2002), caracterizam-se por uma
rígida postura dos clientes, voltada à expectativa de interagir com
organizações que sejam éticas, com boa imagem institucional no mercado e
que atuem de forma ecologicamente responsável.
A melhoria das condições de vida, segundo Coelho & Dutra (2000), passa
obrigatoriamente por um conjunto de ações que transcende ao importante
item de preservação ambiental e se expande para a melhoria das condições
de trabalho, assistência médica e social, além de incentivo às
atividades culturais, artísticas, bem como à preservação, reforma e
manutenção de bens públicos e religiosos.
A questão ambiental está se tornando cada vez mais matéria obrigatória
das agendas dos executivos. A internacionalização dos padrões de
qualidade ambiental descrito na série ISO 14000, a globalização dos
negócios, a conscientização crescente dos atuais consumidores e a
disseminação da educação ambiental nas escolas permitem antever que a
exigência futura que farão os consumidores em relação à preservação do
meio ambiente e à qualidade de vida deverá intensificar-se.
Neste contexto, Kraemer (2000) diz que as organizações deverão
incorporar a variável ambiental no aspecto de seus cenários e na tomada
de decisão, mantendo com isso uma postura responsável de respeito à
questão ambiental. Empresas experientes identificam resultados
econômicos e resultados estratégicos do engajamento da organização na
causa ambiental. Estes resultados não se viabilizam de imediato, há
necessidade de que sejam corretamente planejados e organizados todos os
passos para a interiorização da variável ambiental na organização para
que ela possa atingir o conceito de excelência ambiental, trazendo com
isso vantagem competitiva.
Na informação sobre o meio ambiente, deve-se incluir a Contabilidade,
porque, na atualidade, o meio ambiente é um fator de risco e de
competitividade de primeira ordem. A não inclusão dos custos e
obrigações ambientais distorcerá tanto a situação patrimonial como a
situação financeira e os resultados da empresa.
8 – A responsabilidade ambiental da empresa
Ecologia e empresa eram considerados dois conceitos e realidades
inconexas. A ecologia é a parte da biologia que estuda a relação entre
os organismos vivos e seu ambiente. Dessa forma, é entendida como uma
ciência específica dos naturalistas, distanciada da visão da Ciência
Econômica e Empresarial. Para a empresa, o meio ambiente que estuda
ecologia constitui simplesmente o suporte físico que fornece à empresa
os recursos necessários para desenvolver sua atividade produtiva e o
receptor de resíduos que se geram.
Alguns setores já assumiram tais compromissos com o novo modelo de
desenvolvimento, ao incorporarem, nos modelos de gestão, a dimensão
ambiental. A gestão de qualidade empresarial passa pela obrigatoriedade
de que sejam implantados sistemas organizacionais e de produção que
valorizem os bens naturais, as fontes de matérias-primas, as
potencialidades do quadro humano criativo, as comunidades locais e que
devem iniciar o novo ciclo, onde a cultura do descartável e do
desperdício seja coisa do passado. Atividades de reciclagem, incentivo à
diminuição do consumo, controle de resíduo, capacitação permanente dos
quadros profissionais, em diferentes níveis e escalas de conhecimento,
fomento ao trabalho em equipe e às ações criativas são desafios-chave
neste novo cenário.
A nova consciência ambiental, surgida no bojo das transformações
culturais que ocorreram nas décadas de 60 e 70, ganhou dimensão e situou
o meio ambiente como um dos princípios fundamentais do homem moderno.
Nos anos 80, os gastos com proteção ambiental começaram a ser vistos
pelas empresas líderes não primordialmente como custos, mas como
investimentos no futuro e, paradoxalmente, como vantagem competitiva.
A inclusão da proteção do ambiente entre os objetivos da organização
moderna amplia substancialmente todo o conceito de administração.
Administradores, executivos e empresários introduziram em suas empresas
programas de reciclagem, medidas para poupar energia e outras inovações
ecológicas. Essas práticas difundiram-se rapidamente e logo vários
pioneiros dos negócios desenvolveram sistemas abrangentes de
administração de cunho ecológico.
Para se entender a relação entre a empresa e o meio ambiente tem que se
aceitar, como estabelece a teoria de sistemas, que a empresa é um
sistema aberto. Sem dúvida nenhuma, as interpretações tradicionais da
teoria da empresa como sistema tem incorrido em uma certa visão parcial
dos efeitos da empresa e em seu entorno.
A empresa é um sistema aberto porque está formado por um conjunto de
elementos relacionados entre si, porque gera bens e serviços, empregos,
dividendos, porém, também consome recursos naturais escassos e gera
contaminação e resíduos. Por isto é necessário que a economia da empresa
defina uma visão mais ampla da empresa como um sistema aberto.
Neste sentido, Callenbach (1993) diz que é possível que os investidores
e acionistas usem cada vez mais a sustentabilidade ecológica, no lugar
da estrita rentabilidade, como critério para avaliar o posicionamento
estratégico de longo prazo das empresas.
9 – Empresa e sociedade: a responsabilidade social corporativa
Na sociedade de mercado, a empresa é a unidade básica de organização
econômica. As empresas são o motor central do desenvolvimento econômico
e devem ser, também, um motor vital do desenvolvimento sustentável. Para
isto, é imprescindível que elas definam adequadamente sua relação com a
sociedade e com o meio ambiente.
O conceito que melhor define essa relação é o de Responsabilidade Social
Corporativa – Corporate Social Responsability (CSR) – definido pela
World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) como: “a
decisão da empresa de contribuir ao desenvolvimento sustentável,
trabalhando com seus empregados, suas famílias e a comunidade local,
assim como com a sociedade em seu conjunto, para melhorar sua qualidade
de vida”. A responsabilidade social faz com que a “empresa sustentável”
se converta em peça chave na arquitetura do desenvolvimento sustentável.
As empresas hoje são agentes transformadores que exercem uma influência
muito grande sobre os recursos humanos, a sociedade e o meio ambiente.
Neste sentido, vários projetos são criados, atingindo principalmente os
seus funcionários e em algumas vezes seus dependentes e o público
externo, contemplando a comunidade a sua volta ou a sociedade como um
todo. O grande problema é que não se realiza um gerenciamento correto a
fim de saber qual o retorno para a empresa.
Posto isto, várias normas, diretrizes e padrões foram criados, como a
Norma AA 1000, a SA 8000 e a GRI, contribuindo para criar um modelo de
visão sobre as práticas de responsabilidade social e empresarial e sua
gestão de desempenho. No Brasil, temos o Instituto Ethos, que é uma
iniciativa de padronização, além de apresentar o modelo do Balanço
Social proposto pelo IBASE.
Na União Européia, temos o Livro Verde que divide as áreas de conteúdo
da Responsabilidade Social Corporativa em dois grandes blocos, sendo que
o primeiro é relativo a aspectos internos e o segundo a aspectos
externos.
Na dimensão interna, ao nível da empresa, as práticas socialmente
responsáveis implicam, fundamentalmente, os trabalhadores e prendem-se
em questões como o investimento no capital humano, na saúde, na
segurança e na gestão da mudança, enquanto as práticas ambientalmente
responsáveis se relacionam sobretudo com a gestão dos recursos naturais
explorados no processo de produção. Estes aspectos possibilitam a gestão
da mudança e a conciliação do desenvolvimento social com uma
competitividade reforçada.
Quanto à dimensão externa, a responsabilidade social de uma empresa
ultrapassa a esfera da própria empresa e se estende à comunidade local,
envolvendo, para além dos trabalhadores e acionistas, um vasto espectro
de outras partes interessadas: parceiros comerciais e fornecedores,
clientes, autoridades públicas e ONG que exercem a sua atividade junto
das comunidades locais ou no domínio do ambiente, conforme mostra a
figura 2.
Figura 2 – Dimensões da Responsabilidade Social

Fonte: Mendonça (2002).
9.1 – Norma AA1000
Desenvolvida pelo Instituto de Responsabilidade Social e Ética – ISEA,
foi criada para assistir organizações na definição de objetivos e metas,
na medição do progresso em relação a estas metas, na auditoria e relato
da performance e no estabelecimento de mecanismos de feedback.
Compreendem princípios e normas de processo. Os estágios das normas de
processo são: planejamento; responsabilidade; auditoria e relato;
integração de sistemas; comprometimento dos stakeholders.
As normas de processo da AA1000 associam a definição e a integração de
sistemas dos valores da organização com o desenvolvimento das metas de
desempenho e com a avaliação e comunicação do desempenho organizacional.
Por este processo, focalizado no comprometimento da organização para os
stakeholders, a AA1000 vincula as questões sociais e éticas à gestão
estratégica e às operações da organização.
Em 2002, o ISEA realizou uma fase de consulta a stakeholders e fez uma
revisão da norma, apresentando novos elementos, e esta norma foi
denominada de AA 1000S. É um padrão básico de responsabilidade para
melhorar a qualidade do processo de contabilidade, auditoria e relato.
Não é um padrão certificável e sim um instrumento verificável de mudança
organizacional, derivado da melhoria contínua, e de aprendizagem e
inovação para ”servir de modelo do processo a seguir na elaboração;
proporcionar mais qualidade a outros padrões específicos e complemento a
outras iniciativas”.
9.2 – Norma SA 8000 ou Social Accountability
É o primeiro padrão de certificação social que busca garantir os
direitos básicos dos trabalhadores. Quem credencia as organizações
qualificadas para verificar a conformidade é a Social Accountability
International – SAI.
A SA 8000 constitui um instrumento de informação extremamente importante
para o consumidor globalizado, pois, atualmente, os fatores
determinantes da sua escolha vão além de preço e qualidade. As pessoas
necessitam saber como o produto ou serviço que estão adquirindo foi
produzido, repudiando imediatamente aqueles que agregam procedimentos
como, por exemplo, o trabalho infantil. Além de proteger sua reputação e
a integridade de suas marcas, a SA 8000 possibilita às companhias de
todo o mundo externarem seus valores éticos e seu grau de envolvimento
social, aspectos fundamentais frente a um consumidor-cidadão cada vez
mais participante e vigilante. O quadro 2 mostra alguns dos principais
pontos apresentados pela norma SA 8000.
Quadro 2 – Principais pontos da Norma SA 8000
|
Trabalho Infantil |
É proibida a contratação de crianças de 15 anos ou menos. Se existirem funcionários nessa faixa etária, eles não poderão ser demitidos. Nesse caso, é de responsabilidade da empresa assegurar sua educação. |
|
Liberdade de associação e direito à negociação coletiva |
Protege o direito dos trabalhadores de formar sindicatos e afiliar-se a grupos organizados |
|
Discriminação |
Proíbe a discriminação baseada na cor, nacionalidade, religião, deficiência física, sexo, orientação sexual, afiliação a sindicato ou partido político. |
|
Horário de trabalho |
A jornada normal deverá ser de 44 horas semanais. As horas extras devem ser voluntárias e ter caráter temporário, não devendo exceder 12 horas semanais. |
|
Práticas disciplinares |
Proíbe punição física, coerção e abuso verbal no uso da disciplina. A empresa também deve impedir comportamentos, como gestos, linguagem e contato físico, que sejam sexualmente coercitivos, ameaçadores, abusivos ou exploratórios. |
|
Comunicação |
A política de responsabilidade social deve ser documentada, implementada e comunicada a todos os funcionários. |
Fonte: Revista Exame - Guia de boa cidadania corporativa
(2001)
9.3 – GRI - Global Reporting Initiative (Iniciativa Global para
apresentação de relatórios)
É um acordo internacional, criado com uma visão de longo prazo, multi-stakeholder,
cuja missão é elaborar e difundir as diretrizes para organização de
relatórios de sustentabilidade aplicáveis globalmente e voluntariamente,
pelas organizações CERES – Centre for Education and Research in
Environmental (Centro para Educação e Pesquisa Ambiental), SIGMA -
Support for Improvement in Governance and Management in Central and
Eastern European Countries (Apoio à melhoria governamental e gerencial
de países da Europa Central e Ocidental), ISO – International
Organization for Standardization (Organização Internacional para
Padronização), ECCSR - Eastern Caribbean Securities Registry (Registro
de Seguridades do Leste Caribiano), IRRC - Investor Responsibility
Research Center (Centro de Pesquisa de Responsabilidade do Investidor),
WEF - Water Environment Federation (Federação dos Ambientes Aquáticos ou
Marinhos), AA 1000 - A standard for ethical performance, Accountability
(Padrão de desempenho ético), SA 8000 Social Accountability 8000
Responsabilità Sociale 8000 – Responsabilidade Social ou Contabilidade
Social, que desejam dar informação sobre os aspectos econômicos,
ambientais e sociais das suas atividades, produtos e serviços, conforme
figura 3.
Figura 3 – Organizações ligadas ao GRI

Fonte: Fundació Fórum Ambiental (2002).
O GRI não oferece nenhum modelo de Balanço Social. O que propõe baseia-se
no conceito de sustentabilidade. Busca transformar a elaboração destes
relatórios sobre sustentabilidade de uma rotina e conferir-lhes
credibilidade como as demonstrações financeiras em termos de
comparabilidade, rigor e verificabilidade.
Os indicadores para a elaboração dos relatórios abordam os três
elementos inter-relacionados da sustentabilidade, tal como se aplicam a
uma organização, como segue no quadro 3.
Quadro 3 – Elementos e indicadores
|
Econômico |
Inclui, por exemplo, os gastos e benefícios, produtividade no trabalho, criação de emprego, despesas em serviços externos, despesas em investigação e desenvolvimento, investimentos em educação e outras formas de capital humano. O aspecto econômico inclui, embora não se limite só a ele, a informação financeira e respectivas declarações. |
|
Ambiental |
Inclui, por exemplo, impacto dos processos, produtos, serviços no ar, água, solo, biodiversidade e saúde humana. |
|
Social |
Inclui, por exemplo, o tratamento que se dá aos grupos minoritários e às mulheres, o trabalho feito em favor dos menores, a saúde e segurança ocupacionais, estabilidade do empregado, direitos laborais, direitos humanos, salários e condições de trabalho nas relações externas. |
Fonte:http://www.globalreporting.org
10 – Conclusão
A preocupação com o meio ambiente tem apresentado uma dinâmica
diferenciada nas organizações e nas nações nas quais estas se encontram.
O mercado não mais aceita o descaso no tratamento dos recursos naturais.
Os consumidores estão interessados em produtos limpos. A legislação
torna-se mais rígida, imputando sanções aos infratores, obrigando as
empresas a encarar com seriedade e responsabilidade a variável ambiental
em sua estratégia operacional.
Os grandes problemas que emergem da relação da sociedade com o meio
ambiente são densos, complexos e altamente inter-relacionados e,
portanto, para serem entendidos e compreendidos nas proximidades de sua
totalidade, precisam ser observados numa ótica mais ampla.
Adequar-se às exigências ambientais dos mercados, governos e sociedade,
apesar de levar a empresa a despender um montante considerável, traz
benefícios financeiros e vantagens competitivas.
A responsabilidade social não é um modismo e sim uma realidade no
contexto empresarial, que acarreta alterações gradativas de
comportamentos e de valores nas organizações, devendo estar presente nas
decisões de seus administradores e balizar seu relacionamento com a
sociedade.
Posto isto, verifica-se que a sociedade é que dá permissão para a
continuidade da empresa. Os detentores de recursos não querem arriscar
indefinidamente seus patrimônios em companhias que se recusem a tomar
medidas preventivas na área social e ambiental.
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Maria Elisabeth Pereira Kraemer - beth.kraemerarrobaterra.com.br
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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