Resumo
Hoje, as empresas refletem muitos índices que afetam de forma direta a
sociedade e seus componentes, porque a sociedade vem sofrendo
transformações profundas nas mais diversas áreas, as quais exigem
informações confiáveis e principalmente transparência por parte das
empresas para que elas possam atuar de forma mais efetiva e eficiente.
Devido a isto, as entidades têm incluído a Contabilidade Social, ramo da
contabilidade que incorpora distintos aspectos sociais, como a de
recursos humanos, do meio ambiente e de caráter ético. São muitos os
benefícios dados pela Contabilidade Social e a idéia é fazer com que as
empresas se unam a ela, para que a Contabilidade Social consiga sua
efetivação e êxito. Isto é possível se a organização adotar uma gestão
eminentemente participativa, envolvente e comprometida com todas as
camadas que formam o sistema social e organizacional. Os empresários,
neste novo papel, tornam-se cada vez mais aptos a compreender e
participar das mudanças estruturais na relação de forças entre as áreas
ambiental, econômica e social.
1 – Introdução
Devido à crescente responsabilidade social que devem assumir as
entidades econômicas, surge a necessidade de elaborar e apresentar
informação sobre as atividades relacionadas com essa responsabilidade.
Este volume de informações agrupa aspectos do tipo social, ético,
ambiental ou ecológico, e ainda tem recebido diversas denominações como
Contabilidade Social.
A Contabilidade Social não só busca medir resultados no processo
monetário, mas também toma o recurso humano desde a ótica humana,
vendo-o como um ser que sente e que tem necessidades a satisfazer.
A Contabilidade Social aparece como uma necessidade da empresa de contar
com informação pertinente para tomar decisões inteligentes com relação à
gestão social, medindo o impacto da entidade na sociedade.
Cada um dos tipos de informação que compõem esta contabilidade tem
registrado outras ramificações da mesma, entre as quais se destacam a
Contabilidade Ambiental, a Contabilidade dos Recursos Humanos e a
Informação de Caráter Ético.
3 – Contabilidade Social
Grande é a responsabilidade social da informação contábil em face da
sociedade humana. Existem, todavia, segundo Sá (2001), diversas
utilidades da informação e algumas são de tal maneira específicas que a
forma de conceituá-las nem sempre tem sido a melhor. Ele entende que, na
área do inadequado conceitualmente, esteja, ainda, a denominação
Contabilidade Social.
Para que a Contabilidade Social consiga sua efetivação e êxito, é
preciso que a organização adote uma gestão participativa, envolvente e
comprometida com todas as camadas que formam o sistema social e
organizacional.
A Contabilidade Social é responsabilidade de todos e parte fundamental
na companhia e pode ser ramificada em Contabilidade Ambiental, a
Contabilidade de Recursos Humanos e a Informação de caráter ético.
As definições de Contabilidade Social se dividem basicamente em: temas e
objeto de tratamento, âmbito econômico que a utiliza e a continuação do
conceito de alguns experts no tema. O quadro 1 traz algumas definições
mais relevantes.
Quadro 1 – Definições mais relevantes segundo alguns organismos ou
autores.
Autor/Organismo
Definição
American Accounting Association
A contabilidade é uma ciência que mede e interpreta as atividades e
fenômenos que são de natureza econômica e social essencialmente.
Seidler e Seidler
Modificação e aplicação das práticas, técnicas e disciplinas da
contabilidade convencional a análises e solução dos problemas de
natureza social.
Ramanathan
Processo de seleção de variáveis de acordo com os comportamentos sociais
observados na empresa e sua evolução.
Gray, Owen e Maunders
A contabilidade social pode ter dois sentidos:
a) Custos e benefícios do impacto de comportamento da empresa;
b) Apresentação periódica de um informe social da entidade.
Mathews e Perera
Propõe ampliar os objetivos da contabilidade tradicional e estendê-los a
empregados, produtos e comunidades e prevenção da contaminação ou sua
redução.
Fonte: Llena (2001)
Mathews e Perera apud Llena (2001) classificaram a Contabilidade Social
no seguinte:
3.1 – Contabilidade da Responsabilidade Social (CRS)
Publicação ad hoc e de caráter voluntário de informação qualitativa e
quantitativa, econômica e não econômica relativa à atividade de uma
empresa privada, incluindo informes sobre os trabalhadores e avaliação
dos recursos humanos.
O propósito da CRC consiste em tornar públicas questões concretas das
empresas do setor privado que produzem um impacto social a curto prazo.
Põe à disposição de todas as partes integrantes da sociedade informação
relevante acerca dos objetivos políticos, programas, atuação e
contribuição dos objetivos sociais da empresa. Pode-ser utilizarda com o
fim de melhorar a imagem da empresa e inclusive a tabulação dos gastos
destinados a melhorar o bem-estar de seus trabalhadores ou a segurança
pública de seus produtos ou do meio ambiente.
Este tipo de informação social tem caráter voluntário, não regulamentado,
não sujeito a auditorias e, portanto, carece de uniformidade.
3.2 – Contabilidade do Impacto Total (CIT)
Efeito combinado total da organização sobre o entorno. É necessário
avaliar os aspectos externos, tanto positivos como negativos. Muitas
vezes se denomina análise de custos-benefício. O propósito da CIT
consiste em avaliar os custos totais a médio e longo prazos (tanto
custos públicos como privados) do funcionamento de uma organização do
setor privado.
Os custos privados são custos internos cobertos pela empresa, enquanto
os públicos são custos externos, favorecidos pela comunidade em sua
totalidade.
3.3 – Contabilidade Sóciaeconômica (CSE)
Consiste num micro enfoque do processo de avaliação de atividades
realizadas com fundos públicos, utilizando índices tanto econômicos como
não econômicos.
O propósito da CSE objetiva promover a avaliação a curto e médio prazos
de projetos de financiamento público.
3.4 – Contabilidade de Indicadores Sociais (CIS)
Utilizada na avaliação de macro-acontecimentos sociais, em termos de
definição de objetivos e avaliação do grau em que estes têm sido
alcançados.
Esta avaliação é de grande interesse para os políticos nacionais. O
propósito da CIS é promover uns índices de medição não econômicos a
longo prazo para as estatísticas sociais do setor público.
4 – Ramificações da Contabilidade Social
4.1 – Contabilidade Ambiental
É uma das ramificações da Contabilidade Social de maior relevância na
atualidade. A Contabilidade Ambiental tem se convertido em uma
ferramenta chave para as empresas com políticas ecológicas avançadas.
Seu objetivo é promover a transparência e oferecer mais informação ao
investidor.
O necessário objetivo de conservação do meio ambiente obriga a
contabilidade a assumir alguns controles em torno dos seguintes
aspectos:
® Fornecimentos: de recursos mínimos e uso extensivo de materiais
reciclados ou renováveis;
® Processos produtivos e investimentos em imobilizado: mínimo consumo de
água e energia, mínima emissão atmosférica e mínima quantidade de
resíduos.
® Características do produto: mínimos vasilhames e embalagens,
reciclagem e reutilizaçã.
Nos últimos tempos, as organizações empresariais e conseqüentemente a
contabilidade têm sido influenciadas pelas incidências de novas
variáveis: novas tecnologias, consideração primordial do ativo humano,
na racionalização dos custos, gestão dos custos por atividades, etc.,
que vem contemplar e aperfeiçoar a doutrina existente.
Diante disto, a Contabilidade Ambiental é o processo que facilita as
decisões relativas à atuação ambiental da empresa, a partir da seleção
de indicadores e análises de dados, da avaliação destas informações com
relação aos critérios de atuação ambiental, da comunicação e da revisão
e melhora periódica de tais procedimentos.
As inovações trazidas pela Contabilidade Ambiental estão associadas a
pelo menos três temas:
® a definição do custo ambiental;
® a forma de mensuração do passivo ambiental, com destaque para o
decorrente de ativos de vida longa, e;
® a utilização intensiva de notas explicativas abrangentes e o uso de
indicadores de desempenho ambiental, padronizados no processo de
fornecimento de informações ao público.
Junto a essas variáveis, encontra-se ainda o respeito ao meio ambiente,
cuja incidência econômica, sócio-jurídica e cultural está fora de toda
dúvida e cujo impacto deve ser reconhecido na Contabilidade.
Posto isto, pode-se definir a Contabilidade de Gestão Ambiental – CGA
como a identificação, estimação, a análise, o relatório interno e o uso
dos materiais e da informação do fluxo da energia, da informação
ambiental do custo, e de outras informações dos custos para a tomada de
decisão convencional e ambiental dentro de uma organização.
A aplicação da CGA pode potenciar grandes poupanças de custos na gestão
de resíduos, dado que os custos de manuseamento e de deposição de
resíduos são relativamente fáceis de definir e de imputar a produtos
específicos. Outros custos ambientais, incluindo os custos da
conformidade ambiental, custos legais, deterioração da imagem da
empresa, riscos e responsabilidade ambiental, são mais difíceis de
avaliar.
A CGA, segundo a EPA Environmental Protection Agency (2002):
® focaliza nos custos internos à companhia;
® não inclui custos externos à sociedade;
® dá ênfase particular na contabilidade para custos ambientais;
® abrange a não somente informação ambiental e outra do custo, mas
também informação explícita em fluxos do exame e os fatos dos materiais
e da energia;
® a sua informação pode ser usada para a maioria de tipos de atividade
ou de tomada de decisão da gerência dentro de uma organização, mas é
particularmente útil para atividades ambientais proativas da gerência.
Neste contexto, a CGA incorpora e integra dois dos três blocos de
edifício do desenvolvimento sustentável: ambiente e economia, que se
relacionam à tomada de decisão interna de uma organização.
A informação da CGA serve essencialmente para ser utilizada internamente
pela empresa nas suas tomadas de decisão. A nível interno, os
procedimentos incluem: medições físicas do consumo de materiais e
energia, fluxos de deposição e deposição final, avaliação monetária de
custos, poupanças e receitas relacionadas com atividades que apresentam
potenciais impactos ambientais.
Os dados da CGA são particularmente valiosos para iniciativas da
gerência com um foco ambiental específico. Esta contabilidade fornece
não somente os dados de custo necessários para avaliar o impacto
financeiro destas atividades da gerência, mas também a informação física
do fluxo. Essa ajuda caracteriza impactos ambientais.
4.1.1 – Práticas de Contabilidade Ambiental geralmente aceitas
A International Federation of Accountants – IFAC, mediante seu trabalho
com as organizações emissoras de padrões internacionais e mediante
várias comunicações, investigações e iniciativas de políticas, tem
respondido a necessidade de práticas de Administração e Contabilidade
Ambiental geralmente aceitas que podem às vezes ajustar e motivar as
agendas do desenvolvimento sustentável corporativo.
a)® Custos Ambientais
Os custos das empresas em proteção ambiental, incluindo redução de
poluição, gestão de resíduos, monitorização, conformidade, impostos e
seguros, têm aumentado rapidamente nos últimos anos com crescente e mais
exigente regulamentação ambiental.
Os custos ambientais são apenas um subconjunto de um mais vasto universo
de custos necessários a uma adequada tomada de decisões. Eles não são um
tipo de custos distintos, mas fazem parte de um sistema integrado de
fluxos materiais e monetários que percorrem a empresa.
O preço das matérias-prima escassas, da poluição e da deposição, numa
perspectiva macroeconômica, não refletem o seu verdadeiro valor e os
seus custos para a sociedade. Os riscos para a saúde e a remediação dos
locais contaminados, são exemplos de custos ambientais usualmente não
suportados pelo poluidor, mas pelo público em geral.
Os custos ambientais são os custos externos e internos e se referem a
todos os custos relacionados com a salvaguarda e as degradações
ambientais. Para a Divisão para o Desenvolvimento Sustentável das Nações
Unidas (2001), os custos de salvaguarda ambiental incluem os custos de
prevenção, deposição, planejamento, controle, alterações e reparação de
lesões ambientais e da saúde humana, relacionados com empresas, governos
ou pessoas.
Para o cálculo dos custos ambientais totais da empresa, soma-se o custo
dos materiais desperdiçados, do capital e do trabalho com os custos de
salvaguarda ambiental, conforme o quadro 2.
Quadro 2 - Custos ambientais totais da empresa
|
|
Custos de salvaguarda ambiental (tratamento e prevenção) |
|
+ |
Custos dos materiais desperdiçados |
|
+ |
Custos das perdas de capital e trabalho |
|
= |
Custos ambientais totais da empresa |
Fonte: Divisão para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas
(2001)
A CGA, ao detectar, avaliar e imputar os custos ambientais, permite aos
gestores identificar oportunidades para poupar custos. A Divisão para o
Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (2001) informa, como
exemplo, as poupanças que podem resultar da substituição de solventes
orgânicos tóxicos por não tóxicos, de gestão de resíduos perigosos e
outros custos associados à utilização de materiais perigosos. Outros
exemplos se referem a uma mais eficiente utilização de materiais,
evidenciando o fato de que os resíduos são onerosos não tanto pelas
taxas de deposição impostas pela regulamentação ambiental, mas devido ao
desperdício, em termos de valor de compra, dos materiais em si. As
emissões e resíduos são, por conseguinte, um sinal de produção
ineficiente.
Existem poucos dados quantitativos disponíveis sobre o valor econômico e
social total da informação de custos ambientais. A EPA – Environmental
Protection Agency (2002), identifica alguns benefícios de obter,
administrar e utilizar esta informação dentro da empresa, como segue:
® o entendimento dos custos ambientais e do desempenho do processo e dos
produtos pode promover um custeio e uma fixação de preços mais exatos e
pode ajudar as companhias no desenho de processos, produtos e serviços
mais preferíveis ambientalmente para o futuro;
® a vantagem competitiva com os clientes pode ser obtida de processos,
produtos e serviços que podem ser demonstrados como preferíveis
ambientalmente;
® a contabilidade de custos e desempenho ambiental pode dar suporte ao
desenvolvimento e operação de um sistema geral de administração
ambiental de uma companhia;
® a melhor administração dos custos ambientais pode dar como resultado
um desempenho ambiental melhorado e benefícios significativos para a
saúde humana, assim como êxito nos negócios.
® Custos ambientais reconhecidos e custos futuros
Os custos ambientais não reconhecidos no momento de seu fato gerador com
a classificação pertinente, segundo Paiva (2001), apresentar-se-ão no
futuro como passivos não reconhecidos, repercutindo negativamente. No
entanto, alguns custos, se reconhecidos no presente, poderão evitar
transtornos às empresas, dado que não são responsáveis pelos produtos
até o final do ciclo de vida destes.
O mesmo autor cita, como exemplo de custos presentes que reduzirão
impactos ambientais futuros, o poliestireno celular rígido (isopor),
derivado do petróleo. Sabe-se que a industrialização de derivados do
petróleo, além da utilização de recursos naturais esgotáveis, emite
resíduo poluente e que, no final de seu ciclo de vida estes produtos
proporcionam transtornos à sociedade de diversas formas causando
entupimentos de galerias pluviais e poluição em rios e represas, entre
outras formas de poluição, por não serem biodegradáveis.
® Evidenciação
A partir do momento da ocorrência do fato gerador, devem evidenciar seus
custos relativos ao meio ambiente:
√ em razão de imposições legais, normatizações ou ambas, advindas de
órgãos especializados em tal regulamentação;
√ devido aos usos e costumes da cultura local, as empresas encontram-se
pressionadas pelo ambiente externo, representado pelas pessoas físicas e
jurídicas com as quais interage;
√ no caso de empresas exportadoras, ao sofrerem pressões por parte dos
importadores no sentido de cuidados e evidenciação de suas ações
relacionadas ao meio ambiente.
Como forma de evidenciação, Ribeiro & Martins (1998) dizem que as
demonstrações contábeis podem ser o canal adequado, para tais evidências,
principalmente porque nelas estão contidas todas as informações
pertinentes à situação patrimonial e desempenho da empresa em um
determinado período. A adição das informações de natureza ambiental
viria a enriquecer tais demonstrações, como também permitiria aos
usuários melhores condições de acesso à informação para avaliar a
grandeza dos investimentos ambientais comparativamente ao patrimônio e
aos resultados no período.
A Comissão de Valores Mobiliários, através do Parecer de Orientação nº
15/87, sugere uma Nota no Relatório da Administração quanto aos
investimentos efetuados em prol do meio ambiente.
Empresas têm evidenciado os investimentos efetuados, quer através da
elaboração de um Balanço Social anexo às demonstrações contábeis ou
através de evidenciação dos recursos investidos, visando à preservação
do meio ambiente no relatório da administração, anexo à publicação das
demonstrações contábeis. Normalmente as empresas brasileiras o fazem de
forma subjetiva ou parcial.
b)® Ativo Ambiental
Um ativo é um recurso controlado por uma empresa que surge de eventos
passados e de onde são esperados futuros fluxos de benefícios econômicos
diretos ou indiretos para a empresa, através de:
√ aumento da capacidade ou aumento da segurança ou eficiência de outros
ativos próprios da empresa;
√ redução ou prevenção de provável contaminação ambiental resultante de
futuras operações;
√ ou, ainda, conservação do meio ambiente. Este tipo de gasto deve ser
capitalizado, na forma de imobilizado ou diferido, se atender aos
critérios de reconhecimento como um ativo, para apropriação nos períodos
em que gere benefícios econômicos futuros.
Os ativos ambientais representam:
√ os estoques dos insumos, peças, acessórios, etc, utilizados no
processo de eliminação ou redução dos níveis de poluição;
√ os investimentos em máquinas, equipamentos, instalações, etc,
adquiridos ou produzidos com intenção de amenizar os impactos causados
ao meio ambiente;
√ os gastos com pesquisas, visando ao desenvolvimento de tecnologias
modernas, de médio e longo prazo, desde que constituam benefícios ou
ações que irão refletir nos exercícios seguintes.
Ativos ambientais são os bens adquiridos pela companhia que têm como
finalidade controle, preservação e recuperação do meio ambiente. Se os
gastos ambientais podem ser enquadrados nos critérios de reconhecimento
de um ativo, devem ser classificados como tais. Os benefícios podem vir
através do aumento da capacidade ou melhora da eficiência ou da
segurança de outros ativos pertencentes à empresa, da redução ou
prevenção da contaminação ambiental que deveria ocorrer como resultado
de operações futuras ou ainda através da conservação do meio ambiente.
Existem algumas polêmicas na identificação dos ativos ambientais, devido
o surgimento das "tecnologias limpas". Para Ribeiro & Gratão (2000),
essas tecnologias compreendem novos meios de produção, dotados de
mecanismos que impedem a produção de refugos. Tratando-se de meios de
produção e transformação, são ativos operacionais propriamente ditos e
não ativos ambientais.
Os ativos operacionais podem sofrer desgaste acelerado em função de sua
exposição obrigatória ao meio ambiente poluído. Neste caso, efeitos do
diferencial de vida útil, provocado por tal exposição, devem ser
considerados como custos ambientais, dado que refletem as perdas
decorrentes do meio ambiente poluído.
Esta situação ficará patente nos casos em que os ativos possam ser
comprados, com seus pares instalados, em ambientes menos afetados pela
poluição.
As características dos ativos ambientais são diferentes de uma
organização para outra, pois a diferença entre os vários processos
operacionais das distintas atividades econômicas deve compreender todos
os bens utilizados no processo de proteção, controle, conservação e
preservação do meio ambiente.
Os ativos ambientais, todos decorrentes de investimentos na área do meio
ambiente, deverão ser classificados em títulos contábeis específicos,
identificando, de forma adequada, os estoques ambientais, o ativo
permanente imobilizado ambiental e o diferido ambiental.
Segundo a ONU – UN-ISAR (1997), os gastos realizados com a intenção de
prevenção ou redução de danos ambientais futuros ou conservação dos
recursos podem ser classificados como imobilizado quando:
√ estiverem relacionados com antecipação de benefícios ambientais,
extensão da vida útil dos ativos, aumento de capacidade, melhoria de
segurança e eficiência dos ativos da organização;
√ propiciarem a redução ou prevenção de contaminação ambientais que
possam ocorrer como resultado de operações futuras.
Os gastos de tratamento de contaminação ambiental podem ser
classificados como ativo permanente quando:
√ forem recuperáveis;
√ proporcionarem aumento de vida útil, capacidade ou melhoria de
segurança e economia;
√ forem incorridos durante o preparo do ativo para a venda.
Os bens, cuja classificação se der no ativo permanente imobilizado
ambiental e ativo permanente diferido ambiental, exceto aqueles de vida
útil inferior a 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias, cujos valores
serão excluídos, quando da apuração do Lucro Real, estão sujeitos à
depreciação/amortização.
São ativos ambientais todos os bens e direitos destinados ou
provenientes da atividade de gerenciamento ambiental, podendo estar na
forma de capital circulante ou capital fixo.
Para Santos & Silva (2001), o capital circulante (capital de giro) é o
montante aplicado para a realização da atividade econômica da empresa,
sendo composto pelas disponibilidades e pelos ativos realizáveis a curto
e longo prazo.
Disponibilidades – podem ser contabilizados os valores referentes a
recebimentos oriundos de uma receita ambiental.
Realizáveis a curto e longo prazo – podem ser lançados os direitos
originários de uma receita ambiental e os estoques, quando relacionados
com insumos do sistema de gerenciamento ambiental ou com produtos
reaproveitados do processo operacional.
Estoques: são os insumos em almoxarifado, adicionáveis ao processo
produtivo para eliminar, reduzir, controlar os níveis de emissão de
resíduos ou materiais para recuperação ou reparos de ambientes afetados.
Para os autores, no capital fixo as contas ambientais podem ser
divididas em:
Investimentos: participação societária em empresas ecologicamente
responsáveis.
Imobilizado: os investimentos realizados na aquisição de bens que
viabilizam a redução de resíduos poluentes durante o processo de
obtenção de receitas e cuja vida útil se prolongue além do término do
exercício social, como por exemplo: máquinas, equipamentos e instalações.
Diferido: investimentos em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia no
longo prazo, quando estes puderem ser claramente relacionados com
receitas futuras de períodos específicos.
Provisão para desvalorização: os ativos tangíveis e intangíveis,
particularmente os não monetários, estão sujeitos à ação ambiental.
Conseqüentemente, seus valores podem sofrer alterações por ganho ou
perda do valor econômico, alterando o real potencial econômico da
empresa.
Portanto, para qualquer elemento do ativo tangível que tenha a extinção
de sua vida útil acelerada ou a direta redução de seu valor econômico,
no caso de terrenos ou estoques, em função de alterações do meio
ambiente, deveria ser constituída, de forma segregada, uma conta de
provisão para registrar sua desvalorização, evidenciando-se, nas notas
explicativas, sua origem e natureza.
Depreciação acelerada – aceleração da depreciação em função da poluição
ambiental.
Goodwill: Monobe apud Ribeiro (1992) define goodwill como a diferença
entre o valor atual da empresa como um todo, em termos de capacidade de
geração de lucros futuros, e o valor econômico dos seus ativos. Retrata
o potencial econômico da empresa não registrado pela contabilidade, mas
seria incluído no preço em uma negociação de venda.
O goodwill poderá se formar a partir da expectativa de lucros acima do
que seria normal em decorrência de reputação junto aos clientes,
fornecedores, empregados, comunidade, vantagens quanto à localização,
know how, etc.
Este bem pode ter seu valor econômico alterado em função do
comportamento da empresa, no que se refere ao meio ambiente ou pela ação
deste sobre a mesma.
c)® Passivo Ambiental
No Brasil, as regras contábeis e a literatura que envolve o passivo
ambiental ainda são recentes. Certas empresas têm atividades complexas,
dificultando o tratamento a ser dado no registro e na divulgação dos
passivos ambientais.
Os passivos ambientais normalmente são contingências formadas em longo
período, sendo despercebidos às vezes, pela administração da própria
empresa, envolvendo conhecimento específico. Neste caso, não só a
administração da empresa se envolve, nem somente a contabilidade, mas
também advogados, juristas, engenheiros, administradores.
Normalmente, o surgimento dos passivos ambientais se dá pelo uso de uma
área, lago, rio, mar e uma série de espaços que compõem nosso meio
ambiente, inclusive o ar que respiramos, e de alguma forma estão sendo
prejudicados pelo processo de geração de resíduos ou lixos industriais,
de difícil eliminação.
Os passivos ambientais, conforme Ribeiro & Gratão (2000), ficaram
amplamente conhecidos pela sua conotação mais negativa, ou seja, as
empresas que o possuem agrediram significativamente o meio ambiente e,
dessa forma, têm que pagar vultosas quantias a título de indenização de
terceiros e de multas para a recuperação de áreas danificadas.
As autoras colocam como exemplos: a) os gastos assumidos pela Exxon, no
caso do acidente com o petroleiro Valdez, no Alaska; b) o caso da
Petrobras, na década de 80, no qual a região de Cubatão, no interior do
Estado de São Paulo, foi seriamente afetada pelo vazamento de óleo, que
culminou com a explosão de várias moradias; e c) em janeiro de 2000, o
vazamento nas instalações da mesma empresa que provocou o derramamento
de milhares de litros do óleo no mar na Baía da Guanabara, causando a
morte de várias espécies de aves e peixes, além de afetar seriamente a
vida das populações locais que viviam da atividade pesqueira. Tais
situações exigiram enormes gastos dessas empresas e, o que é pior,
gastos imediatos, sem qualquer forma de planejamento, o que afeta
drasticamente qualquer programação de fluxo de disponibilidades,
independentemente do porte da organização. Tão altod quanto os custos
dos recursos físicos necessários para a reparação dos danos provocados
pelas referidas situações, ou até mais, são os gastos requeridos para
retração da imagem da empresa e de seus produtos, essencialmente quando
tais eventos são alvo da mídia e da atenção dos ambientalistas e ONGs.
Deve-se ressaltar que os passivos ambientais, como dizem as autoras, não
têm origem apenas em fatos de conotação tão negativa. Eles podem ser
originários de atitudes ambientalmente responsáveis, como as decorrentes
da manutenção de sistemas de gerenciamento ambiental, os quais requerem
pessoas (que recebem uma remuneração) para a sua operacionalização. Tais
sistemas exigem ainda a aquisição de insumos, máquinas, equipamentos,
instalações para funcionamento, o que, muitas vezes, será feito na forma
de financiamento direto dos fornecedores ou por meio de instituição de
crédito. Esses são os passivos que devem dar origem aos custos
ambientais, já que são inerentes à manutenção normal do processo
operacional da companhia.
O IBRACON, segundo NPA 11 – Balanço e Ecologia, conceitua o passivo
ambiental como toda agressão que se praticou/pratica contra o meio
ambiente e consiste no valor dos investimentos necessários para
reabilitá-lo, bem como multas e indenizações em potencial. Uma empresa
tem passivo ambiental quando ela agride, de algum modo e/ou ação, o meio
ambiente, e não dispõe de nenhum projeto para sua recuperação, aprovado
oficialmente ou de sua própria decisão.
Passivo ambiental representa toda e qualquer obrigação de curto e longo
prazo, destinada única e exclusivamente a promover investimentos em prol
de ações relacionadas à extinção ou amenização dos danos causados ao
meio ambiente, inclusive percentual do lucro do exercício, com
destinação compulsória, direcionado a investimentos na área ambiental.
O passivo ambiental, como qualquer passivo, está dividido em capital de
terceiros e capital próprio, os quais constituem origens de recursos da
entidade. Santos & Silva (2001) citam os seguintes exemplos de origens:
Bancos – empréstimos de instituições financeiras para investimento na
gestão ambiental;
Fornecedores – compra de equipamentos e insumos para o controle
ambiental;
Governo – multas decorrentes da infração ambiental;
Funcionários – remuneração de mão-de-obra especializada em gestão
ambiental;
Sociedade – indenizações ambientais;
Acionistas – aumento do capital com destinação exclusiva para
investimentos em meio ambiente ou para pagamento de um passivo
ambiental;
Entidade – através de destinação de partes dos resultados (lucro) em
programas ambientais.
Com a dinâmica dos negócios, os passivos ambientais devem ser tratados
com muita atenção e devem fazer parte da tomada de decisões das
organizações na aquisição de outras empresas, na formação de cluster,
nas fusões, nas análises de riscos do negócio, na venda da empresa e na
concepção de novos produtos, dentre outras transações pertinentes ao
assunto.
d)® Receita Ambiental
É todo o ganho de mercado que a empresa passa a auferir a partir do
momento em que a opinião pública reconhece sua política preservacionista
e der preferência aos seus produtos.
As receitas ambientais podem ser:
√ prestação de serviços especializados em gestão ambiental;
√ venda de produtos elaborados a partir de sobras de insumos do processo
produtivo;
√ participação no faturamento total da empresa que se reconhece como
sendo devida a sua atuação responsável com o meio ambiente.
Com relação a este último exemplo, apesar de sua complexidade, Santos &
Silva (2001) dizem que pode ser calculado, tomando como bases
estatísticas elaboradas com o mercado consumidor, determinando-se o
percentual de clientes que realizaram a compra, tendo como exigência e
pré-condição o item responsabilidade ambiental.
4.1.2 – Evolução das normas ambientais
Para Sá (2002), a constante evolução vem alcançando a nova aplicação da
contabilidade que concerne aos fatos do ambiente natural. A intervenção
do poder público nas áreas referidas também se acentua nos países que
possuem responsabilidade com o planeta e com a humanidade. Normatizações
compulsórias e doutrinas avançadas acenam para um futuro cada vez mais
promissor neste campo.
® Espanha – Resolução nº 6389 de 25 de março de 2002.
Está em vigor, na Espanha, a Resolução nº 6389 de 25 de março de 2002,
do Instituto de Contabilidade e Auditoria de Contas (ICAC). Esta
Resolução é de caráter obrigatório e geral para todas as empresas
espanholas, com ou sem finalidades lucrativas, na qual as entidades
devem incorporar em suas contas anuais todas as informações relacionadas
com as obrigações atuais e também aquelas que se liquidam no futuro,
derivadas das atividades de prevenir, reduzir e reparar os impactos
negativos sobre o meio ambiente.
Esta Resolução trata de desenvolver os aspectos relativos à
Contabilidade do Meio Ambiente, já incorporada ao Direito Contábil
espanhol por meio do Decreto Real 437/98, de 20 de março. Este decreto
teve como objetivo aprovar as normas de adaptação do Plano Geral de
Contabilidade (PGC) das empresas do setor elétrico espanhol.
Foram aprovadas nesta Resolução as Normas para o reconhecimento,
valorização e informação dos aspectos ambientais nas contas anuais.
Para a elaboração desta Resolução, o ICAC tomou como referência, de
acordo com Moneva & Braga, três documentos distintos:
√ os conteúdos exigidos pela Norma de Adaptação do PGC ao setor elétrico
de 1998;
√ a recomendação da União Européia de maio de 2001;
√ as normas do International Accounting Standards Board (IASB) que
pudessem afetar especialmente a IAS 37, Provisão, Ativos e Passivos
Contingentes (em vigor desde 1998).
A composição da Resolução nº 6389, de 25 de março de 2002, de acordo com
o ICAC - BOE nº 81 de 04 de abril de 2002, é a seguinte:
√ Âmbito de aplicação.
√ Conceito de meio ambiente.
√ Obrigações, gastos de exploração e extra, ativos, provisões e
contingências de caráter ambiental.
√ As contas específicas que se empregam em casos que sejam de
importância significativas.
√ Informação a registrar nas Notas Explicativas – A nota 4 é sobre
“Normas de Mensuração”, na 15 “Situação Fiscal” e na 22, que é uma nova
nota, trata-se de “Informação sobre o meio ambiente”.
Conforme Gilet (2002), na Resolução, o meio ambiente se incorpora de
pleno direito à contabilidade financeira: publicidade, auditoria, etc, e
não contempla informação não financeira proposta pela Recomendação
Comunitária no Informe de Gestão.
A norma primeira da Resolução estabelece as obrigações de informar sobre
as questões relacionadas com o meio ambiente, afeta as contas anuais
individuais e consolidadas, de modo que ofereçam à sociedade informações
e a imagem fiel de seu patrimônio, da sua situação financeira e dos seus
resultados econômicos.
Na segunda norma, responsabilidade de natureza ambiental – são
obrigações atuais que se liquidarão no futuro, surgidas por atuações do
sujeito contábil para prevenir, reduzir ou reparar o dano sobre o meio
ambiente.
A terceira norma é sobre atividade ambiental, que é qualquer operação
cujo propósito principal seja prevenir, reduzir ou reparar o dano sobre
o meio ambiente.
Para Fenech (2002), meio ambiente como entorno físico natural, incluídos
o ar, a água, a terra, a flora, a fauna e os recursos não renováveis,
tais como os combustíveis fósseis e os minerais.
Já a quarta norma trata das despesas de natureza ambiental, a quinta
sobre os ativos de natureza ambiental, a sexta, provisões e
contingências de natureza ambiental, a sétima sobre compensações a
receber de terceiros, a oitava é sobre obrigações de longo prazo para a
reparação do meio ambiente, a nona, informações a serem registradas em
notas explicativas e a décima é sobre as contas a serem utilizadas para
o registro dos efeitos ambientais.
a)® Despesas de natureza ambiental
Para o ICAC (2002), são despesas de natureza ambiental os ingressos das
atividades do meio ambiente realizadas ou que devam realizar-se para a
gestão dos efeitos do meio ambiente das operações das entidades, assim
como os derivados dos compromissos ambientais do sujeito contábil. Neste
sentido, são consideradas as seguintes:
√ despesas ocasionadas pela prevenção de contaminação relacionada com as
atividades operacionais atuais;
√ o tratamento de resíduos e vertidos;
√ a descontaminação;
√ a restauração;
√ a gestão do meio ambiente;
√ a auditoria ambiental.
As despesas ambientais se dividem em: despesas operacionais e despesas
extraordinárias. As operacionais são as citadas acima, conforme o ICAC
(2002) e devem ser evidenciadas na Demonstração do Resultado do
Exercício, enquanto as extraordinárias são aquelas produzidas em
conseqüência de acontecimentos ocorridos fora da atividade principal da
entidade, como multas, sanções e compensações de terceiros. Não é
considerada despesa extraordinária aquela derivada de autuação ambiental
ocorrida no passado e que seja necessário assumir na atualidade, exceto
quando ocorrer mudança de critério ou correção de um erro contábil de
exercícios anteriores.
Nas despesas operacionais, quando o valor for muito significativo, o
ICAC (2002) alerta que seja criado uma conta específica denominada de
“Despesas Ambientais” dentro do grupo “Outras Despesas Operacionais”. Se
numa operação for constatado que só parte é despesas de natureza
ambiental e se este valor for significativo, deverá ser reconhecida
separadamente sua importância.
b)® Ativo ambiental
São considerados ativos ambientais, de acordo com o ICAC (2002), os
elementos incorporados ao patrimônio da empresa com o objetivo de serem
utilizados de forma duradoura em sua atividade e cuja finalidade
principal seja a minimização do impacto ambiental, proteção e melhora do
meio ambiente, incluindo a redução e eliminação da contaminação futura
das operações da entidade. Estes bens devem ser contabilizados no grupo
Imobilizado.
Para determinação do preço de aquisição, custo de produção, critérios de
depreciação e correções a efetuar nestes ativos, adota-se o estabelecido
nas normas de valoração estabelecidas no Plano Geral de Contas e em
particular o previsto na norma terceira, letra “f”, da Resolução de 30
de junho de 1991, do ICAC e a Resolução de 9 de maio de 2000, sobre
determinação do custo de produção. O ICAC (2002) ainda diz que, para
efeitos desses cálculos, tem que se levar em consideração os fatores
ambientais.
c)® Provisão e Contingências ambientais
É considerada provisão de natureza ambiental, as despesas originadas do
mesmo exercício ou de outro anterior, claramente especificadas quanto à
sua natureza ambiental e que, na data do encerramento do exercício,
sejam prováveis ou certas, porém, indeterminadas quanto à sua
importância exata e à data de sua produção.
Em função da informação disponível, é importante que a provisão seja
realizada com a melhor estimativa possível da despesa necessária para
fazer frente à obrigação na data do encerramento do balanço. Esta
estimação se dará nas seguintes circunstâncias, conforme o ICAC (2002):
√ sua quantificação não será afetada pelo valor de vendas de elementos
do ativo da entidade diretamente relacionados com a origem da obrigação;
√ deverá ser objeto de revisão em exercícios posteriores em função da
nova informação disponível;
√ quando for significativo o valor estimado, deverá ser observado o
efeito financeiro no cálculo da provisão;
√ quando não é possível realizar uma melhor estimação, deve-se avaliar
os possíveis valores de despesas futuras esperadas e informar, em Notas
Explicativas, os motivos excepcionais desta situação.
A obrigação terá caráter contingente nos seguintes casos:
√ quando a liquidação da obrigação não é provável que origine uma saída
de recursos;
√ quando a obrigação está condicionada a que ocorra um sucesso incerto
ou pouco provável sobre o que a entidade pode influir e que confirme a
origem da obrigação.
d)® Provisão e Contingências ambientais
A referida Resolução, em seu artigo 7º - ICAC (2002), diz que a
compensação a receber de terceiros no momento de liquidar uma obrigação
não deverá ocorrer uma diminuição do valor da dívida, devendo ser
reconhecido, no ativo da entidade, o direito de reembolso e este valor
não poderá exceder a importância da obrigação registrada contabilmente.
e)® Obrigações de longo prazo
As despesas relativas às atividades de descontaminação e restauração de
lugares contaminados, eliminação de resíduos acumulados ou eliminação de
ativos imobilizados requerem adotar uma provisão no momento em que a
entidade tenha que atender a essas obrigações.
f)® Informações a registrar nas Notas Explicativas
Nas Notas Explicativas se deverá facilitar toda informação significativa
em relação aos elementos descritos. O ICAC (2002) divide em três itens
as informações das Notas Explicativas:
®Normas de mensuração – neste item se indicará:
√ critérios de mensuração, assim como de imputação aos resultados dos
valores destinado aos fins anteriores. Em particular se indicará o
critério seguido para considerar estes valores como despesas do
exercício ou como maior valor do ativo correspondente;
√ descrição do método de estimativa e cálculo das provisões derivadas do
impacto ambiental;
√ políticas contábeis sobre descontaminação e restauração de lugares
contaminados.
®Situação fiscal - será incluída informação sobre:
√ as deduções por investir em medidas para reduzir o impacto ambiental.
®Informação sobre meio ambiente – neste item deve-se informar, segundo o
ICAC (2002):
√ descrição e característica dos sistemas, equipamentos e instalações
mais significativos incorporados ao imobilizado, material de proteção e
melhora do meio ambiente, indicando sua natureza, destino, assim como o
valor contábil e a correspondente depreciação acumulada sempre que pode
determinar-se de forma individualizada;
√ despesas incorridas no exercício, cujo fim seja proteção e melhora do
meio ambiente, distinguindo as despesas de caráter ordinário e aquelas
outras de natureza extraordinária, indicando, em todos os casos, seu
destino;
√ riscos e despesas para provisões correspondentes a atuações ambientais;
√ contingências relacionadas com a proteção e melhora do meio ambiente,
incluindo os riscos transferidos a outras entidades, sistema de
avaliação da provisão e fatores dos que depende, com indicação dos
eventuais efeitos no patrimônio e nos resultados; neste caso, serão
indicadas as razões que impedem as avaliações, assim como os riscos
máximos e mínimos; efeitos operacionais e financeiros que se prevêem
como conseqüência dos compromissos e os investimentos futuros de
natureza ambiental.
√ as subvenções recebidas de natureza ambiental, assim como os ingressos
que se produzem como conseqüência de certas atividades relacionadas com
o meio ambiente.
g)® Contas a serem utilizadas para o registro dos efeitos ambientais.
O ICAC (2002) diz que não obrigatório o uso o uso das contas a serem
utilizadas
para o registro dos efeitos ambientais, mas faz sugestão, através da
referida Resolução, da inclusão das contas de acordo com o vigente PGC –
Plano Geral de Contas.
A Resolução de nº 6.389 entrou em vigor em 05 de abril de 2002, após ser
publicada no Boletim Oficial Del Estado em 04 de abril de 2002.
4.2 – Contabilidade dos Recursos Humanos
O conceito de Contabilidade de Recursos Humanos como o processo de
identificar e de medir dados sobre os mesmos foi enriquecido pela
contribuição de acadêmicos e de especialistas a partir de 1973.
Foi elaborado em 1996, o trabalho acadêmico do professor João Eduardo
Prudêncio Tinoco, que é uma tese de doutorado do Departamento de
Contabilidade e Atuaria da Faculdade de Economia, Administração e
Contabilidade da Universidade de São Paulo – FEA – USP, com o título
“Contribuição ao Estudo da Contabilidade Estratégica de Recursos
Humanos”. Este trabalho é pioneiro na área e está sendo muito usado como
fonte de pesquisa, pois é considerado um excelente estudo da
Contabilidade dos Recursos Humanos.
Gupta (2003) diz que, embora houvesse teoristas adiantadas da
contabilidade, como (Paton, 1922) e Scott, (1925), que reconheceram os
recursos humanos como um recurso e comentaram que “em um negócio um
pessoal bem-organizado e leal pode ser ‘um recurso mais importante’do
que um estoque de mercadoria” (Paton, 1922), o fato remanesce,
entretanto, que era Likert (1967) que usou primeiramente o termo
“contabilidade de recurso humana” (um termo substituído pela
“Contabilidade de Recurso Humano”), ao logicamente demonstrar a fraqueza
da estrutura tradicional da contabilidade, não trazendo os recursos
humanos dentro do seu contexto.
Desde então, um número de investigadores tentou enriquecer o pensamento,
construindo modelos para atribuir figuras do custo ou do valor aos
recursos humanos e estabelecendo a utilidade de dados da Contabilidade
de Recursos Humanos para várias situações na tomada de decisão.
O conceito da Contabilidade de Recurso Humano segundo Rao (1993), pode
basicamente ser examinado em duas dimensões:
(I) o investimento em recursos humanos; e
(II) o valor de recursos humanos.
A despesa incorrida, criando, aumentando e atualizando a qualidade do
recurso humano é um investimento em recursos humanos. Tal investimento
traz resultados lucrativos como uma produtividade mais elevada e uma
renda também mais elevada à organização.
O rendimento que o investimento em recurso humano gera será considerado
como a base de valor do recurso humano.
A literatura em Contabilidade de Recurso Humano conforme Gupta (2003),
revela que existem vários estudos, como os de Becker (1964), Thurow
(1970), Mincer (1962) e Schultz (1962), que trataram do conceito da taxa
de retorno do investimento no capital humano. A premissa básica para
Flamholtz (1974) na teoria da Contabilidade para Recursos Humanos é:
(i) as pessoas são recurso valioso de uma empresa e
(ii) informação no investimento e no valor do recurso humano é útil para
a tomada de decisão interna e/ou externa.
O custo histórico ou original de Brummet (1968) sugeriu a capitalização
da despesa da empresa na seleção, orientação, treinamento, recrutamento
e no desenvolvimento das pessoas, e trata-os como recursos com a
finalidade da Contabilidade de Recurso Humano.
O modelo do custo de oportunidade por Hekimian (1967) apud Rao (1993)
deu o ímpeto para avaliar o custo de oportunidade dos empregados, chave
para a base quantitativa, planejamento e controle para o funcionamento
das atividades do recurso humano.
Já Hermanson (1964) apud Gupta (2003) propôs um modelo ajustado do valor
atual, quantificando o valor do capital humano de uma companhia. De
acordo com ele, as quantidades dos salários futuros pagáveis representam
uma responsabilidade, quando consideradas como recursos humanos ou
operacionais, e devem ser inclusos na contabilidade. Tinoco (1996) diz
que Hermanson foi um dos pioneiros contadores a abordar os recursos
humanos no contexto das organizações, focalizando-os como ativos.
Rao (1993) diz que Lev (1971) avaliou o capital humano como o valor
atual, do salário futuro das pessoas até a aposentadoria. Likert (1971)
desenvolveu um modelo para diagnosticar as mudanças na organização
humana sobre um período de tempo. As variáveis humanas são divididas em
três categorias:
(i) variáveis causais;
(ii) variáveis intervenientes e
(iii) variáveis de resultado final.
Quanto às variáveis humanas, Tinoco (1996) diz que as:
Ö variáveis causais - resultam em mudanças nas atitudes, motivações e
comportamentos dos subordinados;
Ö variáveis intervenientes – produzem mudanças na produtividade,
inovação e desenvolvimento da força-trabalho; e
Ö variáveis de resultado final – as tendências dos lucros das entidades
podem ser previstas. Lucros assim previstos podem ser descontados, para
se determinar o valor presente da empresa e de seus recursos humanos.
A interação entre variáveis causais e intervenientes foi mostrada para
afetar a satisfação de trabalho, os custos, a produtividade e o salário.
De acordo com Llena (2001), são propostas distintas técnicas de
avaliação do capital humano:
Ö - valor do custo histórico;
Ö -custo de oportunidade;
Ö -custo de compensação;
Ö -custo de reposição;
Ö -desconto de salários futuros;
Ö - valor econômico.
Todas estas técnicas de avaliação monetárias logicamente devem se basear
em número de empregados de cada categoria existente na empresa. Também
existem técnicas de avaliação não monetárias, as que se reconhecem como
informações relativas a determinadas qualidades do capital humano. Entre
as mais utilizadas se encontram o modelo de Likert-Bower.
Este ramo da contabilidade ressurge na atualidade devido às novas
propostas empregadas pela responsabilidade social das empresas. Desde o
começo deste século tem-se reconhecido que as empresas têm um certo grau
de responsabilidade social que não se limita a maximizar a atuação
econômica e os benefícios.
4.3 – Informação de caráter ético
Ao começar o exercício profissional, tal como se deverá aplicar a
“partida dobrada” para que um lançamento contábil se encerre, a ética
será aplicada de igual forma. Pensemos em um conceito de equilíbrio
entre estado, empresa, empregados, sociedade e região em seu conjunto.
Toda organização cidadã incorpora, em seus valores e em suas atividades,
a ética empresarial como norteadora e pré-requisito fundamental, a qual,
segundo Schommer & Ficher (1999), diz respeito a um conjunto de
princípios, ações e atitudes voltadas para a valorização da qualidade,
para o respeito ao consumidor e ao meio ambiente, abarcando também o
respeito para com todos os agentes que se relacionam com a empresa:
funcionários, fornecedores, governo, clientes, comunidade, sócios ou
acionistas, etc.
A responsabilidade social e a ética caminham lado a lado. É a partir da
moral e dos valores éticos daqueles que conduzem uma empresa, que se tem
a prática da responsabilidade social corporativa.
A ética passa a ser uma pressão coletiva. E espera-se que trabalhe pelo
bem-estar coletivo. No Brasil, os consumidores já podem julgar se uma
empresa é boa ou ruim, tendo por base a responsabilidade social. Este
julgamento leva em consideração a maneira como são tratados os
funcionários e a ética nos negócios.
Neste contexto, cabe ao profissional contábil pautar suas ações
profissionais sob a luz da ética que lhe oportuniza operar com justiça,
prudência e equilíbrio, visando que seu trabalho seja realizado de forma
eficaz, competente e com lisura, pois, do contrário, poderá o usuário
sofrer sérias conseqüências.
Dentre todas as profissões, a do contabilista talvez seja uma das que
exija do profissional, a todo instante, um apelo ao comportamento ético,
pois é a atividade contábil aquela que, através de seus relatórios,
registros, demonstrativos e principalmente pela assinatura da
responsabilidade técnica pelo serviço prestado, expõe aos dependentes e
usuários da contabilidade tais informações.
Llena (2001) diz que estas informações são de valores éticos da empresa,
no que se refere a dados relativos às atuações da empresa relacionadas
com a proteção do consumidor e da comunidade, ou da prestação de ajudas
ou serviços à sociedade sem ter lucro.
Os principais aspectos que se incluem neste tipo de informação estão
demonstrados no quadro 3, conforme Llena (2001).
Quadro 3 – Informações de caráter ético
|
Políticas e relações com os clientes. |
|
Atividades e donativos de caráter político. |
|
Políticas, ações e medição de atividades dirigidas a oferecer igualdade de oportunidades entre coletivos diferenciados tradicionalmente por sexo, religião, raça, procedência, idade, etc. |
|
Atividades e políticas relacionadas com o bem-estar da comunidade. |
|
Publicidade |
|
Políticas e descrições de comprovação da segurança dos produtos e processos produtivos. |
|
Descrição de práticas éticas e práticas externas não-éticas. |
|
Atividades e donativos de caridade. |
|
Concessão de prêmios, etc. |
Fonte: Llena (2001).
Sabe-se que a regulamentação a respeito da publicação deste tipo de
informação tem sido escassa, todavia destaca-se a do Balanço Social que
foi promulgado na França. Llena (2001) diz que existe também algum
requerimento no Tratado da União Européia a respeito da segurança dos
produtos, a fim de proteger e informar o consumidor.
6 – Conclusão
A Contabilidade Social contribui com elementos de caráter qualitativo
que ajudam a orientar corretamente os administradores e empresários no
manejo, fortalecimento e progresso do fator humano.
Neste sentido, as entidades devem desenvolver sistemas de informação que
incorporem aspectos sociais de forma mais clara e estruturada, de
maneira que se justifiquem suas atuações em determinados campos sociais,
porque a Contabilidade Social se sustenta nas necessidades de prover
mensagens enfocadas na chamada gestão social, que busca satisfazer as
necessidades dos trabalhadores e melhorar o nível de vida da população
mediante o aumento da qualidade de seus produtos.
A Contabilidade Social da empresa, de acordo com Ensuncho (2003), não
tem só o objetivo de produzir utilidades. Tem também um objetivo social
fundamental: “o homem”.
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Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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