Resumo
Os rumos contemporâneos da competição e da tecnologia afloram
significativas mudanças no contexto empresarial. Estas mudanças
caracterizadas como gestão dos negócios, sinaliza a migração da ecologia
aumentando a responsabilidade social. A incorporação do tema ambiental e
o tratamento contábil, e mais especificamente a área de custos não deve
ser tratada como uma conseqüência desta tendência mundial que surge,
necessariamente, como um resultado da aplicação de critérios como a
“Qualidade Total” que se incorporaram, paulatinamente, as empresas na
década passada. Uma gestão de recursos que garanta a vida sustentável e
o bem estar das futuras gerações, obriga a chegar a acordos e
compromissos que incorporem legislação ambiental e os custos ambientais
a modelos econômicos. Dentro deste contexto, uma metodologia que vem
sendo amplamente utilizada é o Custeio por Atividade. Os resultados
obtidos são de grande valia para que a empresa preste conta de sua
responsabilidade social. Servem, também, como subsídios para as decisões
internas em relação às medidas necessárias para a continuidade do
sistema de gerenciamento ambiental.
1 – Introdução
O novo contexto econômico caracteriza-se por uma rígida postura dos
clientes, voltada à expectativa de interagir com organizações que sejam
éticas, com boa imagem institucional no mercado, e que atuem de forma
ecologicamente responsável.
Diante deste novo cenário, as organizações necessitam direcionar suas
estratégias para a variável ambiental, a fim de obter vantagem
competitiva. As estratégias da empresa devem levar em conta, a
preocupação com gastos relevantes por natureza e volume, principalmente
em função da relação custo/benefício. Estes gastos tornam-se relevantes
para a organização, bem como para a qualidade de vida da população atual
e das gerações futuras.
Nestas condições, um gerenciamento dessa variável exige ferramentas
gerenciais para o controle dos custos e despesas. Isto exposto, se faz
necessário que os gastos de natureza ambiental devam ser controlados e
gerenciados continuamente. Para isso, as empresas podem adotar sistemas
de custos da qualidade ambiental, a fim de apurar os seus números que,
na maioria das vezes, estão distorcidos por outros custos da empresa.
2 - Custos da qualidade
Com o propósito de participar de forma efetiva neste mercado com
tendências à globalização, os fatores de produção sempre estiveram
constituindo o núcleo de preocupações dos gestores empresarias, tanto no
contexto de ambiente produtivo em si, como também no que diz respeito à
dinamicidade de fatores externos de qualquer forma, associados aos
núcleos de transformação das empresas.
Para conquistar a qualidade gasta-se um montante considerável de
recursos financeiros. Isto é corroborado por Wernke (1998) ao dizer que
esses recursos são despendidos principalmente em treinamentos, internos
sobre conhecimento e interprestação das normas ISO, e também com a
remuneração da consultoria externa encarregada de implementar o processo
de certificação.
Os conceitos de custos da qualidade passaram a ser disseminados com a
bibliografia que tratava do controle da qualidade e buscava oferecer
suporte às ações de melhorias, além de tentar medir a qualidade das
empresas. A partir daí, surgem conceitos iniciais de custos da qualidade,
buscando oferecer suporte às ações de melhoria e como forma de medir a
qualidade das empresas.
O primeiro conceito de custos da qualidade foi dado por Juran apud
Campos (1996), que são aqueles custos que não deveria existir se o
produto fosse fabricado perfeitamente logo da primeira vez, ou seja, se
não houvesse falhas de produção, que levam a retrabalho, desperdícios e
perdas da produtividade.
Os custos da qualidade são um importante indicativo para avaliar quanto
às empresas estão perdendo ou deixando de ganhar por não estarem
produzindo com qualidade. Então custos da qualidade buscam identificar e
apontar as falhas existentes, assim como os custos para se prevenir
problemas decorrentes dessas falhas.
Já Feigenbaum (1994) define custos da qualidade como aqueles custos
associados com a definição, criação e controle da qualidade, assim como
a avaliação e retroalimentação da conformação da qualidade garantia e
requisitos de segurança, e aqueles custos associados com falhas nos
requisitos de produção e depois que o produto já se encontra nas mãos do
cliente. Estes custos estão relacionados com a satisfação do cliente.
O mesmo autor classifica esses custos em dois grandes grupos: os Custos
do Controle e os Custos de Falhas no Controle. Os Custos do Controle se
subdividem em Prevenção e Avaliação e no caso dos Custos de Falhas no
Controle em Custos de Falhas Internas e Custos de Falhas Externas.
Abaixo, será detalhado cada custo de conformidade com Shank &
Govindarajan (1995).
Custos de Prevenção – A soma de todos os custos associados a medida
tomadas para planejar o processo de modo a garantir que não ocorrerão
defeitos. Por exemplo, projetar um processo de fabricação sem defeitos,
um projeto de produto estável, treinamento e desenvolvimento de
empregado, círculos de qualidade, manutenção preventiva e o custo de
gerenciar as relações com o fornecedor para melhorar a qualidade dos
insumos recebidos.
Custos de Avaliação – Aqueles custos associados à medição do nível de
qualidade obtido pelo sistema ou, em outras palavras, custos associados
à inspeção para garantir que as exigências do cliente sejam atendidas.
Por exemplo, inspeção e teste de protótipo, inspeção e teste de
recebimento, inspeção durante o processo, e auditoria de qualidade em
produtos acabados.
Custos de Falha Interna – Aqueles custos incorridos para corrigir a
produção defeituosa antes que ela chegue ao cliente. Por exemplo, refugo,
retrabalho, reparo, reprojeto, reinspeção de retrabalho, paralisação
devido a defeitos e custo de oportunidade de vendas perdidas causadas
por ter produção insuficiente para vender.
Custos de Falha Externa – Aqueles custos associados à entrega de
produtos com defeito ao cliente. Por exemplo, ajustes de garantia,
investigação de defeitos, devoluções, cancelamentos, processos judiciais
e perda da boa vontade do cliente.
Os investimentos em qualidade e programas de melhoria, segundo Coral
(1996),
devem trazer retorno financeiro para a empresa, do contrário não são
justificados. Por esse motivo, a utilização de medidas eficazes para a
qualidade torna-se necessário para garantir o sucesso de programas de
melhorias. Neste contexto, custos da qualidade é uma excelente
ferramenta de suporte para a qualidade, pois aponta as áreas que
necessitam maior atenção e que possibilitam maior retorno para a
organização.
3 - Como medir os custos da qualidade
Segundo Coral (1996), existem dois enfoques para se medir os custos da
qualidade: o enfoque tradicional e uma nova tendência que se baseia na
utilização de valor agregado.
No enfoque tradicional, os custos da qualidade são obtidos através da
identificação de itens de prevenção, avaliação, falhas internas e falhas
externas em uma organização. Os cálculos dos custos são retirados de
relatórios contábeis e através de ajustes em sistemas de custos
tradicionais, levando aos mesmos problemas dos sistemas tradicionais de
custos, uma vez que os itens dos custos da qualidade são separados em
grandes blocos de custos e não relacionam tais itens as suas causas.
Neste enfoque, adiciona-se um relatório financeiro de falhas, que serve
para medir a qualidade em uma empresa, porém não aponta as causas de
falhas, não possuindo efeito significativo no gerenciamento da qualidade.
Já no enfoque da utilização do valor agregado aos custos da qualidade,
relaciona os itens de prevenção e falhas com as atividades que agregam
valor para o consumidor. Portanto o gerenciamento da qualidade baseia-se
na eliminação de atividades que não agregam valor e que resultam em
custos desnecessários para a organização. Nesta metodologia, os custos
da qualidade são obtidos através de sistemas de custeio baseados em
atividades.
Para Juran & Gryna, apud Alves (2001), a mensuração dos custos da
qualidade é vista pelos administradores como a forma de se atender a
vários objetivos ou questões, dentre os quais se destacam:
-aumentar a produtividade através da qualidade;
-avaliar os programas de qualidade por intermédio de quantificações
físicas e monetárias;
-conhecer na realidade o quanto à empresa está perdendo pela falta de
qualidade;
-revelar o impacto financeiro das decisões de melhoria;
-tornar a qualidade um dos objetivos estratégicos da organização;
-identificar as oportunidades para diminuir a insatisfação dos clientes;
-identificar as principais oportunidades para a redução dos custos;
-expandir os controles orçamentários e de custos da qualidade; e
-estimular o aperfeiçoamento da qualidade por meio de divulgação.
Verifica-se, portanto, diante do exposto que os conceitos de custos da
qualidade são aplicáveis também aos custos da qualidade ambiental.
4 – Custos da qualidade ambiental
Os custos de qualidade, na realidade, buscam identificar e apontar as
falhas existentes, bem como os custos para se prevenir problemas
decorrentes destas falhas.
Para Bovenberg & Goulder, apud Alves (2001) a interface entre a
competitividade e a preservação do meio ambiente dá-se por meio da
gestão dos custos da qualidade ambiental.
As empresas, para se adequarem à nova postura de preservação ambiental e
buscarem uma política de qualidade ambiental na gestão da sua
organização, devem se preocupar também com os custos da relação meio
ambiente e meio empresarial, destacando estes custos dos demais.
Neste sentido, Campos (1996) diz, que o meio empresarial deverá se
preocupar com dois aspectos relacionados aos seus custos da qualidade
ambiental: o primeiro, e mais complexo, buscar formas de considerar os
custos tratados, até então, como “externalidades”, ou seja, internalizá-los;
o segundo, identificar e obter, para em seguida avaliar, os custos
ambientais, sejam tanto os relacionados aos processos empresariais,
quanto os relacionados aos processos produtivos e a apuração destes
custos tornar-se uma ferramenta imprescindível ao direcionamento das
tomadas de decisões.
Para melhor entendimento dos conceitos dos custos da qualidade ambiental
e da sua padronização, a GEMI, Global Environmental Management
Initiative, e a USEPA, U.S. Environmental Protection Agency apud Alves
(2001), atribuíram quatro categorias de custos da qualidade ambiental e
sugerem a seguinte classificação:
Custos Convencionais: incluem os custos que, na maior parte das vezes,
recebem atenção especial na contabilidade gerencial, tais como:
investimentos em equipamentos, matéria-prima, mão-de-obra e materiais
indiretos. Incluem todos custos associados aos aspectos ambientais
tangíveis de tais processos e atividades. Seu controle conduz ao aumento
da eficiência produtiva, por eliminar o desperdício.
Custos Potencialmente Ocultos: são aqueles ligados a todas as atividades
necessárias para que a empresa se mantenha em conformidade com as leis e
outras políticas ambientais inerentes à própria organização. Alves
(2001) dá como exemplo os custos com o monitoramento ambiental,
treinamento e relatório ambiental.
Custos com Contingências: são os gastos que podem ou não ocorrer devido
a futuros custos de regulamentações, multas e penalidades, gastos com
recuperação de recursos naturais danificados, etc. Se o fato gerador de
tais custos é conhecido antecipadamente, possibilita à empresa definir
ações a fim de evitá-los.
Custos de Imagem e Relacionamento: envolvem a percepção e o
relacionamento
que os acionistas, comunidade e governo desenvolvem com a companhia.
Para Alves (2001), apesar de difícil quantificação, o desempenho
ambiental pode melhorar ou prejudicar o relacionamento da empresa com
terceiros, e os impactos gerados podem ter custos e/ou implicações
financeiras.
Moura (2000) classifica os custos de qualidade ambiental pelos
tradicionais conceitos dos custos da qualidade e diz que, no Brasil, os
custos da qualidade ambiental são mais difundidos. Esses custos,
conforme o autor, estão categorizados abaixo:
Custos de prevenção – são os custos das atividades que visam evitar
problemas ambientais no processo industrial, no projeto, no
desenvolvimento, no início do ciclo de vida do produto, bem como em
todas as fases do ciclo de vida.
Custos de avaliação – são os custos dispendidos para manter os níveis de
qualidade ambiental da empresa, por meio de trabalhos de laboratórios e
avaliações formais do sistema de gestão ambiental ou sistema gerencial
que se ocupe de garantir um bom desempenho ambiental da empresa,
englobando os custos de inspeções, testes, auditorias da qualidade
ambiental e despesas similares.
Custos de falhas internas – são os primeiros a ocorrer em decorrência da
falta de controle, resultando de ações internas na empresa, tais como
correções de problemas ambientais e recuperação de áreas internas
degradadas, desperdícios de material, como resultado de problemas
ambientais causados e retrabalhos em processos causados por não
conformidades ambientais.
Custos de falhas externas – compreendem os custos da qualidade ambiental
insatisfatória e não conformidades fora dos limites da empresa,
resultantes de uma gestão ambiental inadequada, englobando os custos
decorrentes de queixas ambientais de consumidores, levando à existência
de despesas com correção e recuperação de áreas externas degradadas ou
contaminadas pela atividade da empresa, pagamento de multas aplicadas
por órgãos ambientais de controle, indenizações decorrentes de ações
legais resultantes de disposição inadequada de resíduos, acidentes no
transporte de produtos tóxicos, inflamáveis e corrosivos, dentre outros.
Custos intangíveis – são aqueles com alto grau de dificuldade para serem
quantificados, embora se perceba claramente a sua existência.
Normalmente, não podem ser diretamente associados a um produto ou
processo. Por exemplo, perda de valor da empresa (ou das ações) como
resultado de desempenho ambiental insatisfatório; baixa produtividade
dos empregados como resultado de um ambiente poluído, contaminado ou
inseguro; e dificuldades e aumento de tempo e custos na obtenção do
licenciamento ambiental como resultado de multas e problemas anteriores.
Os custos da qualidade ambiental para Moura (2000), referem-se à
definição, criação e montagem de um sistema de controle da qualidade
ambiental, bem como da avaliação, de conformidade com os objetivos e
metas derivados da política ambiental, de normas legais e outros
compromissos assumidos pela empresa, além de outros custos associados
com as conseqüências de falhas ambientais, acidentes e incidentes.
Para se ter um efetivo controle dos investimentos e gastos na área
ambiental, Alves (2001) diz que o sistema de custos da qualidade
ambiental pode auxiliar, sobremaneira, a competitividade e sobrevivência
das organizações, principalmente por apontar deficiências na gestão da
qualidade ambiental, podendo construir para as ações de melhoria
contínua no desempenho ambiental da empresa.
Para implantação de um sistema de custos da qualidade ambiental Moura
(2000) segue os mesmos procedimentos empresariais tradicionais que
consistem em:
- preparação do gerenciamento geral do programa de custos da qualidade
ambiental;
- identificação dos itens de custos da qualidade ambiental;
- identificação dos centros de responsabilidade (centros de custos);
-preparação dos formulários de coleta de dados dos custos da qualidade;
- treinamento das pessoas responsáveis pela obtenção dos dados e do
pessoal da contabilidade;
- levantamento dos custos pelas pessoas responsáveis (coleta de dados);
e
- preparação dos relatórios de análise.
5 – Gestão de custos ambientais
O controle dos custos ambientais conforme Ribeiro & Gonçalves (2002)
tornou-se muito relevante dado o significativo volume que representam e,
portanto, seus efeitos influem diretamente na continuação da empresa.
Esse controle refletirá o nível de falhas existentes e o volume de
gastos necessários para eliminar e/ou reduzir estas falhas, seja na
forma de investimentos de natureza permanente, ou de insumos consumidos
no processo operacional.
A gestão dos custos ambientais inclui tanto aspectos da gestão ambiental
como da gestão de custos. Ao nível de empresas, a gestão ambiental
abrange, sobretudo, a gestão de materiais e de energia que cada empresa
tira do meio ambiente e devolve ao meio ambiente. Enquanto uma parte
desses materiais da energia entra no produto, outra se torna resíduos
sólidos, água residual, bem como ar e calor residual. Portanto, ao
contrário da proteção ambiental tradicional, a gestão ambiental
integrada não visa o tratamento, mas a evitação desses resíduos.
Como resíduos são materiais que custam na aquisição, necessitam mão-de-obra
durante o processo produtivo e causam custos adicionais no tratamento
final, não só constituem uma carga para o meio ambiente, mas também uma
carga financeira. Os custos dos resíduos, por definição, representam
despesas sem acréscimo de valor, e a redução deles geralmente produz
efeitos positivos em termos econômicos e ecológicos.
A gestão dos custos ambientais é um instrumento estratégico para
aumentar e reduzir os custos, conduzindo a um processo de mudanças em
desenvolvimento contínuo. É por intermédio da gestão dos custos
ambientais que se fortalece os sistemas de gestão ambiental existentes
ou facilita o estabelecimento de sistemas padronizados. Ela gera
informações básicas, ajuda a formar consciência e a criar estrutura que
podem ser utilizadas como primeiros passos para o processo ISO 14001.
Ela enfoca o fluxo de material, energia e água, não a racionalização. Ao
contrário da maioria das outras ferramentas da gestão dos custos, ela
não objetiva primordialmente a redução de (custos do) trabalho evitando,
portanto, dois tipos de conflitos sociais: com os empregados (emprego) e
com a opinião pública (impacto ambiental).
Com o aumento da competitividade mundial, segundo Campos (1996), as
empresas começaram a se preocupar mais em controlar e gerenciar seus
custos, juntamente com seus programas de qualidade. Neste contexto,
trabalhar com custos da qualidade passa a ser fundamental para medir e
guiar a qualidade, as estratégias de custos e a diferenciação das
empresas modernas.
Com isso, surgem novos sistemas de custos para substituir a
obsolescência e imprecisão dos sistemas de custos tradicionais, já que,
por sua vez, por sua natureza, a maioria destes custos se enquadra na
classificação de Custos Indiretos de Fabricação, dificultando, com isso,
sua identificação e alocação.
De acordo com estudos realizados e constatações práticas, os atuais
sistemas de custos repassam muitas vezes custo ao produto final que não
lhe pertencem. Portanto, necessita-se de ferramentas gerenciais que
condiz com a realidade.
Neste cenário, o Custeio Baseado em Atividades (ABC) tem-se mostrado
como o mais apropriado, para auxiliar a gestão dos custos ambientais,
inclusive para contribuir no gerenciamento do controle dos impactos
ambientais.
O ABC preocupa-se em melhorar a apropriação dos custos aos produtos,
sendo um sistema de custeio que se destaca por detalhar, principalmente,
os custos indiretos. Vêm tentando minimizar os impactos de alocações
inadequadas, através do custeamento das atividades exigidas pelos
produtos ou demais atividades operacionais. Ele constitui o ponto
culminante da análise estratégica dos custos e, em conseqüência,
contribui significativamente para o processo de planejamento estratégico
da empresa.
Este sistema não é centrado apenas em números. Isto é, ele não se
preocupa exclusivamente com os aspectos monetários, mas procura
contemplar aspectos físicos das atividades, analisando fatos, atividades
e processos. Assim, são definidos como elementos importantes desta
abordagem de custeio, conforme Zardo & Schlosser (2002):
Função: grupo de processos desempenhados com uma finalidade específica,
como a função de marketing e vendas e, por exemplo, a de controle
ambiental.
Processo: conjunto de atividades encadeadas com um fim específico, como
por exemplo, uma linha de montagem de um produto ou o conjunto de
procedimentos necessários para o tratamento de uma determinada
quantidade de resíduos poluentes, em um período em particular.
Atividades: ação empreendida a recursos consumidos para se chegar a um
dado objetivo, como estudar o processo de produção para verificar, por
exemplo, o que causa a poluição.
Tarefa: trabalho desenvolvido para a execução das atividades, como, por
exemplo, selecionar os pontos passíveis de produção de resíduos
poluentes.
Operações: operacionalização das tarefas, ou seja, a menor fração de
trabalho, como visitar pontos passíveis de produção de resíduos
poluentes.
O fato do método em questão dividir a empresa em atividades, sua
implantação
resulta numa base de apoio adequada para a definição de metas de
resultados e para a obtenção de excelência empresarial, a qual, segundo
Brimson (1996), é a integração eficaz do custo das atividades de todas
as unidades de uma empresa para melhorar, continuamente, a prestação dos
serviços que satisfaçam ao cliente.
De acordo com Brimson (1996), a capacidade de alcançar e manter a
excelência empresarial requer a melhoria contínua e deliberada de todas
as atividades dentro de uma empresa. Nesse sentido, o autor aponta, como
elementos-chave, a eficácia em custos, a integração de atividades, a
coerência interna em todas as unidades da empresa, a satisfação do
cliente e a alocação correta de custos.
Quanto à eficácia em custos, as atividades devem ser realizadas com
tanta eficácia quanto possível. Isso significa que a empresa produz a
custo baixo, mas não necessariamente ao menor custo. Ter custos baixos
significa que os custos totais estão abaixo da média de todos os
concorrentes que oferecem produtos ou serviços equivalentes ao mesmo
segmento de cliente.
Quanto à integração de atividades, as empresas são organizadas com
rígidas especializações por assunto, de maneira que os relatórios
gerenciais enfatizam as unidades organizacionais individuais, quase como
se fossem independentes e auto-suficientes.
Portanto, estas e outras questões afins poderão ser facilmente
respondidas, quando os gerentes dispõem de um sistema de gestão e de
apuração dos custos fundamentado no método de custeio ABC. Segundo
Martins (1996), nada melhor do que conhecer os custos de todas as
atividades para daí se ter condições de verificar quais as atividades
que não adicionam valor e que precisam ter seus gastos reduzidos ou
anulados, e quais as atividades que podem sofrer processo de
racionalização (às vezes de reengenharia) para se chegar a esta
adaptação ao mundo real.
Enfim, o ABC é uma ferramenta de gestão que dá às organizações uma visão
mais clara de sua economia interna e externa, através do qual os custos
passam a ser visíveis, e dessa forma, podem ser alvo de programas que
objetivem melhores resultados para a empresa. Além disso, proporciona o
cálculo mais acurado do custo dos produtos, o qual suporta diversos
tipos de decisões.
Portanto, os recursos da área de gestão ambiental, conforme Zardo &
Schlosser (2002) devem ser rigorosamente mensurados e avaliados
econômico, financeira e fisicamente de forma a garantir um adequado
balanceamento de recursos possuídos pela empresa, para assegurar a
eficácia da aplicação destes recursos e para satisfazer as exigências do
público externo, ou mais precisamente, para o cumprimento da
responsabilidade social da empresa.
A análise dos custos da qualidade ambiental mostra-se uma ferramenta
gerencial importantíssima não somente à tomada de decisão, mas também à
gestão ambiental de forma equilibrada e concisa.
6 – Conclusão
As despesas e os investimentos na área ambiental constituem itens que
não podem faltar no rol da gestão econômica das organizações, bem como
os custos da qualidade ambiental, ferramenta pela qual as mesmas estão
usufruindo para atingir as metas do desafio do crescimento econômico, da
administração dos passivos ambientais, da análise do ciclo de vida e da
contribuição para o desenvolvimento sustentável.
Para se ter um efetivo controle dos investimentos e gastos na área do
meio ambiente, o sistema de custos da qualidade ambiental pode auxiliar
a competitividade e sobrevivência das organizações, porque aponta
deficiências na gestão da qualidade, contribuindo para a melhoria
contínua no desempenho ambiental da organização.
Os custos da qualidade ambiental, na sua maioria são compostos por
atividade indireta, e para apuração ser mais eficiente o Custeio por
Atividade retrata a realidade, uma vez que o foco está na atividade,
podendo com isto proporcionar eliminação de custos de falhas e
desperdícios, melhorias no processo produtivo e conseqüente aumento da
competitividade.
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Maria Elisabeth Pereira Kraemer - beth.kraemerarrobaterra.com.br
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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