Resumo
Nos últimos tempos, as organizações empresariais e conseqüentemente a
contabilidade, têm-se influenciada pelas incidências de novas variáveis:
novas tecnologias, consideração primordial do ativo humano, na
racionalização dos custos, gestão dos custos por atividades, etc., que
vem contemplar e aperfeiçoar a doutrina existente. Neste sentido, a
Contabilidade, vista como um sistema de informação da situação e da
evolução patrimonial, econômica e financeira da empresa, deve incluir,
em seus relatórios, todos os dados relacionados ao meio ambiente,
facilitando o acesso a mais esta informação ao seu grande número de
usuários, auxiliando-os no processo de tomada de decisão. O contador
deve participar de forma ativa neste processo de planejamento, avaliação
e controle das questões sociais e ambientais, registrando e divulgando
as medidas adotadas e os resultados alcançados. Os contadores têm um
papel fundamental nesta perspectiva, uma vez que depende desses
profissionais elaborar um modelo adequado para esta entidade, incentivar
às empresas a implementarem gestões ambientais que possam gerar dados
apresentáveis contabilmente, nos balanços sociais, além de criar
sistemas e métodos de mensuração dos elementos e de mostrar ao
empresário as vantagens dessas ações.
1 - Introdução
A preocupação mundial em torno do meio ambiente caminha para um consenso
em torno da adesão a um novo estilo de desenvolvimento que deve combinar
eficiência econômica com justiça social e prudência ecológica. A
combinação desses elementos somente será possível se houver um esforço
conjunto de todos com objetivo de atingir o bem-estar geral no futuro.

Adaptado de González & Abadía
A educação está sendo, nos dias de hoje, repensada como uma preparação
para a vida: trata-se de garantir a segurança do emprego e a aptidão
para o trabalho, de permitir a cada um satisfazer às demandas de uma
sociedade em rápida evolução, assim como as mudanças tecnológicas que
condicionam hoje, direta ou indiretamente, cada aspecto da existência e,
finalmente, de conseguir responder à busca da felicidade, do bem-estar e
da qualidade de vida.
Para Kornhauser (2001), a educação é o cimento da construção do
desenvolvimento humano sustentável. É preciso elaborar estratégias e
programas de educação relacionados com o ambiente, que abranjam tanto o
ensino escolar como a educação informal, que adotem a perspectiva da
educação permanente a ser desenvolvida pelos poderes públicos, o setor
produtivo, o comércio e as comunidades locais.
4 – A contabilidade: uma alavanca na construção do desenvolvimento
sustentável
Nos últimos 10 anos foram feitos progressos verdadeiramente
surpreendentes na área de gerenciamento e relatório ambiental e, mais
recentemente, o mesmo ocorreu quanto à conscientização sobre a
responsabilidade social e a crescente compreensão dos desafios da
sustentabilidade. Grande parte deste progresso, conforme Gray (2003),
deve-se a iniciativas do setor corporativo e ao considerável apoio dado
pela comunidade profissional da contabilidade.
É realmente impressionante a lista de conquistas ultimamente. E mais
impressionante ainda é saber que a maior parte do progresso foi possível
através de iniciativas voluntárias, inovação e liderança dos setores
corporativo e contábil.
A Contabilidade está se movendo rapidamente na direção do bem-estar
social. Sua função não pode se restringir a fornecer informações para a
melhor alocação dos recursos econômicos, visando unicamente à
maximização da riqueza empresarial.
Quanto à conservação do meio ambiente, a contabilidade deverá estar mais
envolvida. As empresas estão compelidas a manter a sociedade informada
acerca de sua relação com o meio ambiente e das providências que adotam
objetivando preservá-lo. Trata-se, portanto, de uma postura baseada na
consciência de que não se pode admitir progresso econômico ao preço da
degradação ambiental.
Na informação sobre o meio ambiente se deve-se incluir a contabilidade,
porque, na atualidade, o meio ambiente é um fator de risco e de
competitividade de primeira ordem. A não inclusão dos custos e
obrigações ambientais distorcerá tanto a situação patrimonial como a
situação financeira e os resultados da empresa.
O necessário objetivo de conservação do meio ambiente obriga a
contabilidade a assumir alguns controles em torno dos seguintes
aspectos:
® Fornecimentos: de recursos mínimos e uso extensivo de materiais
reciclados ou renováveis.
® Processos produtivos e investimentos em imobilizado: mínimo consumo de
água e energia, mínima emissão atmosférica e mínima quantidade de
resíduos.
® Características do produto: mínimos vasilhames e embalagens,
reciclagem e reutilização dos mesmos.
Portanto, a Contabilidade, entendida como meio de fornecer informações,
deveria buscar responder a este novo desafio, atendendo aos usuários
interessados na atuação das empresas sobre o meio ambiente, subsidiando
o processo de tomada de decisão, além das obrigações com a sociedade no
que tange à responsabilidade social e à questão ambiental.
Verifica-se, portanto, que por meio da identificação, mensuração e
divulgação das referidas informações, a Contabilidade pode contribuir
muito com a sociedade e com o governo, buscando soluções para os
problemas sociais, pois sendo meio de fornecer informações, deve buscar
responder a este novo desafio, satisfazendo os usuários interessados na
atuação das empresas sobre o meio ambiente, devendo, ainda, contribuir
para o sistema de gestão ambiental.
4.1 – Desenvolvimento sustentável e contabilidade – princípios da Global
Reporting Initiative (GRI)
A Iniciativa de Relatório Global (GRI) é um acordo internacional, criado
com uma visão de longo prazo, multi-stakeholder, cuja missão é elaborar
e difundir as Diretrizes para elaboração de relatórios de
Sustentabilidade aplicáveis globalmente e voluntariamente, pelas
Organizações que desejam dar informação sobre os aspectos econômicos,
ambientais e sociais das suas atividades, produtos e serviços.
As Diretrizes para a elaboração dos Relatórios de Sustentabilidade
abordam os três elementos interrelacionados da Sustentabilidade tal como
se aplicam a uma organização.
Econômicos – inclui, por exemplo, os gastos e benefícios, produtividade
do trabalho, criação de emprego, despesas em serviços externos, despesas
em investigação e desenvolvimento, e investimentos em educação e outras
formas de capital humano.
Ambientais – inclui, por exemplo, impactos dos processos, produtos e
serviços no ar, água, solo, biodiversidade e saúde humana.
Sociais – inclui, por exemplo a saúde e segurança ocupacionais,
estabilidade do empregado, direitos trabalhistas, direitos humanos,
salários e condições de trabalho nas operações externas.
Estas Diretrizes fornecem um enquadramento para apresentar os relatórios
de sustentabilidade, promovendo as possibilidades de comparação entre
diferentes organizações ao mesmo tempo que reconhece a utilidade de
compilar e apresentar a informação. As Diretrizes compreendem 4 partes:
® introdução e orientação geral – informação básica para compreender a
necessidade e a natureza da GRI, assim como linhas gerais sobre a
concepção e aplicabilidade das Diretrizes;
® princípios e métodos para a elaboração de Relatórios de
Sustentabilidade – aspectos fundamentais, conceitos e práticas que
promovem o rigor, a comparabilidade, e a fiabilidade na elaboração dos
relatórios;
® conteúdo do Relatório da Sustentabilidade – enquadramento para
estruturar um relatório GRI, conteúdo específico e conselhos para
completar as várias partes do relatório;
® anexos – orientação adicional e recursos para utilizar as Diretrizes.
A GRI visa ajudar as organizações a elaborar os relatórios de modo a
que:
® apresentem uma visão clara do impacto ecológico e humano da empresa,
para apoiar a tomada de decisões fundamentadas quanto a investimentos,
compras e possíveis alianças;
® proporcionem, às partes interessadas (stakeholders), informação
credível que seja relevante para as suas necessidades e interesses e que
convide a um maior diálogo e informação com as partes interessadas;
® proporcionem uma ferramenta de gestão para apoiar a organização na
avaliação e melhoria contínua do seu desempenho e progresso;
® respeitem critérios externos já estabelecidos e comumente aceitos para
elaboração de relatórios e os apliquem consistentemente nos sucessivos
períodos informativos para garantir transparência e credibilidade;
® se apresentem num formato que seja facilmente compreensível e que
facilite a comparação com Relatórios de Sustentabilidade de outras
organizações;
® complementem, e não substituam, outras formas de comunicação,
incluindo financeira;
® ilustrem a relação entre os três elementos da Sustentabilidade –
econômico, ambiental e social.
A GRI é uma ferramenta valiosa no processo de tomada de decisões a três
níveis:
® a nível operacional, as Diretrizes proporcionam uma estrutura lógica
para aplicar o conceito de sustentabilidade ao funcionamento, serviços e
produtos das organizações. Também dá orientação quanto à criação de
sistemas de recolha de dados e informação para estimular e controlar os
progressos em relação a objetivos econômicos, ambientais e sociais;
® a nível do Conselho de Administração, as Diretrizes são um veículo
interno para avaliar a consistência entre as políticas e o desempenho
atual em termos econômico, ambiental e social da organização. Conseguir
uma maior uniformidade na elaboração dos relatórios mediante a
utilização das Diretrizes ajudará as organizações a compararem-se com
outras e a serem reconhecidas para melhoria contínua do seu desempenho;
® de um ponto de vista de comunicação empresarial, as Diretrizes
constituem um marco para promover efetivamente um diálogo e um
intercâmbio de informação com as partes interessadas internas e
externas, relacionados com os benefícios e desafios das empresas para
atingir os seus objetivos.
A medida que a maioria das empresas decidam adotar as Diretrizes, as
oportunidades de comparar o desempenho dentro e através de setores e
países reforçarão a capacidade das partes interessantes para impulsionar
contínuos progressos nas práticas empresarias compatíveis com a
Sustentabilidade.
A GRI inclui hipóteses e características qualitativas da informação
sobre sustentabilidade análogas as das contábeis. Deste modo, os
princípios de informação da GRI se estruturam em cinco partes: hipóteses
subjacentes, características qualitativas, classificação de elementos,
indicadores e políticas de informação. Os princípios subjacentes e as
características qualitativas da informação sobre a sustentabilidade da
organização aparecem no quadro 1.
Quadro 1 – Princípios subjacentes e características qualitativas da
informação sobre sustentabilidade
PRINCÍPIOS OU HIPÓTESES SUBJACENTES
|
Entidade |
Deve ampliar seus limites contábeis para compilar o efeito completo de seus produtos ou serviços. |
|
Alcance |
Compilar os aspectos econômicos, sociais e ambientais, assim como integrá-los. |
|
Período informativo |
A informação deve proporcionar-se no período em que se produza o efeito. |
|
Empresa em funcionamento |
A continuidade da empresa é função de aspectos econômicos, sociais e ambientais. |
|
Conservadorismo |
A informação não deve proporcionar uma imagem otimista acerca da sustentabilidade da empresa. |
|
Materialidade |
Proporcionar informação sobre ações relevantes para a empresa e seus stakeholders. |
CARACTERÍSTICAS QUALITATIVAS
|
Relevância |
Resposta aos interesses e necessidades dos partícipes. |
|
Fiabilidade |
Descrição válida das ações: objetiva e lógica Neutralidade: aspectos positivos e negativos Integridade: efeitos diretos e indiretos Prudência: sobre aspectos positivos e negativos |
|
Clareza |
Dirigido a stakeholders com conhecimentos básicos nos três aspectos. |
|
Comparabilidade |
A informação deve ser comparável ao longo de vários períodos e entre diferentes organizações. |
|
Oportunidade |
Arbitrar meios para comunicar as ações em função de seu impacto (acidentes ecológicos). |
|
Verificabilidade |
A informação deve ser suscetível de verificação. |
Fonte: González & Abadía (2002)
Quanto ao princípio de alcance, o informe deve expressar de forma clara
que temas têm cobertura entre os que propõem a GRI: ambiental, econômico
e social.
O princípio da importância relativa requer interação com o consenso dos
stakeholders ou partícipes da empresa. A relevância da informação também
se determina tendo em conta os interesses e as necessidades dos
diferentes partícipes.
A fiabilidade da informação requer que esta seja exata, completa e
neutra. A informação é completa na medida que o informe não omite nenhum
aspecto dentre os propostos para cada dimensão da sustentabilidade,
especialmente aqueles que mostram uma imagem menos favorecedora para a
empresa.
O conteúdo dos informes de sustentabilidade se estrutura de acordo com
uma hierarquia que começa com a definição de categorias, ou áreas
extensas, sobre questões econômicas, sociais ou ambientais de interesses
para os partícipes. A figura 3 apresenta um esboço da maneira em que a
GRI estrutura a informação e apresenta seu informe de sustentabilidade.
No aspecto social, se distingue neste documento as categorias “condições
de trabalho”, “direitos humanos”, “fornecedores” e “produtos e
serviços”. Os aspectos estão relacionados com as categorias, podendo uma
categoria incluir vários aspectos. Dentro dos direitos humanos, a GRI
distingue entre os seguintes aspectos: geral, direitos dos povos
indígenas e segurança. Estes indicadores permitirão proporcionar
informação, normalmente quantitativa, sobre os diferentes aspectos,
podendo desenvolver, nestes, diferentes indicadores.
As Directrizes GRI contêm recomendações para a avaliação da
sustentabilidade, contemplando indicadores de desempenho agrupados em
três secções, abrangendo as dimensões econômica, ambiental e social. A
GRI estabeleceu uma hierarquia de elementos de informação para cada uma
das dimensões da sustentabilidade, observando três níveis:
√ Categorias – áreas ou agrupamentos das questões econômicas, ambientais
ou sociais que afetam as partes interessadas.
√ Aspectos – elementos relacionados com uma categoria específica. Uma
dada categoria pode conter vários aspectos.
√ Indicadores – valores específicos de um aspecto concreto que possam
ser utilizados para acompanhar e demonstrar o desempenho. A GRI admite
que os indicadores possam ser quantitativos ou qualitativos.
Os indicadores para a elaboração dos relatórios abordam os três
elementos inter-relacionados da sustentabilidade, tal como se aplicam a
uma organização, como segue no quadro 2
Quadro 2 – Elementos e indicadores
|
Econômico |
Inclui, por exemplo, os gastos e benefícios, produtividade no trabalho, criação de emprego, despesas em serviços externos, despesas em investigação e desenvolvimento, investimentos em educação e outras formas de capital humano. O aspecto econômico inclui, embora não se limite só a ele, a informação financeira e respectivas declarações. |
|
Ambiental |
Inclui, por exemplo, impacto dos processos, produtos, serviços no ar, água, solo, biodiversidade e saúde humana. |
|
Social |
Inclui, por exemplo, o tratamento que se dá aos grupos minoritários e às mulheres, o trabalho feito em favor dos menores, a saúde e segurança ocupacionais, estabilidade do empregado, direito trabalhista, direitos humanos, salários e condições de trabalho nas relações externas. |
O GRI é um marco para a comunicação (externa) de informação para as
empresas, no que diz respeito a:
√ suas atuações para melhorar a sustentabilidade;
√ os resultados destas atuações.
5 – Os desafios do profissional contábil no terceiro milênio – século do
conhecimento, sabedoria e da responsabilidade social
O mercado está, a cada dia, mais competitivo. Para atender essa nova
demanda do mercado consumidor da Contabilidade, nesta era da informação,
do conhecimento, das novas tecnologias, ao profissional contábil também
impera o compromisso social, nos meios de comunicação, de veicular
informação, traduzi-la, explicando-a sociedade, muitas vezes, leiga.
Com o tempo, o leque de usuários dessas informações cresceu de tal forma
que se já tornou difícil delimitar os próprios objetivos da
Contabilidade. Para Filho (2000), atualmente, na chamada Sociedade do
Conhecimento, em que as organizações são consideradas sob uma dimensão
sistêmica e a informação constitui a matéria-prima principal do sucesso,
importantes questionamentos são levantados sobre o futuro da
Contabilidade. De que forma ela poderá continuar contribuindo para o
desenvolvimento social? Que tipo de eventos estará registrando o futuro?
Quais seriam os seus objetivos numa sociedade moderna? Como deverá se
comunicar com os usuários e quem serão eles.
Outro aspecto relevante a abordar das novas tendências da contabilidade
é o impacto da Tecnologia da Informação que pode contribuir de forma
ampla com a utilidade das informações contábeis. Esse progresso das
mudanças foi tão rápido que, como profissionais, corremos o risco de
ficar para trás. Franco (1999), diz que Tecnologia da Informação é mais
do que computadores. Ela exige que os contadores estejam cientes das
muitas formas como a informação está sendo compilada, analisada e
transmitida.
Para Sá (2001), as exigências sociais e ambientais, aquelas do mercado,
a luta imperialista, a velocidade extrema das comunicações, o progresso
espantoso no processo da informação, as aplicações científicas cada vez
mais ousadas em quase todos os ramos do saber humano, foram os fatores
que inspiraram as modificações conceituais, também em Contabilidade.
Hoje, a Contabilidade mede somente os elementos que possuem preço.
Conforme Gray (2003), a maioria desses elementos ambientais não carrega
rótulo de preço e pode, portanto, ser ignorado. O mesmo autor diz que a
primeira tarefa da contabilidade é compreender melhor este processo e os
processos sociais relacionados. A segunda é buscar formas através das
quais a Contabilidade possa ser ajustada dentro da atual ortodoxia,
visando encorajar maior interação social e ambiental benigna.
Empresas que promovam agressões contra o meio ambiente ou atentem contra
os direitos humanos certamente sofrerão grandes dificuldades para
competir em mercados globalizados ou então serão definitivamente
banidas. Tudo isso expressa uma tendência de que a informação contábil
assumirá maior significado do ponto de vista social e que ela será
exigida a revelar eventos passíveis de alterar comportamentos em níveis
mais amplos, podendo realmente influenciar o destino das empresas. Neste
caso é provável que as demonstrações contábeis convencionais não
satisfaçam esses objetivos sendo necessários instrumentos mais adequados
utilizados para aperfeiçoar o processo de comunicação entre o mundo das
empresas e a sociedade onde elas atuam. Para Filho (2000), uma das
alternativas seria o Balanço Social, cuja finalidade é divulgar um
conjunto de informações sobre o desempenho sócio-econômico da empresa e
também a respeito de seu relacionamento com a sociedade.
A Contabilidade, importante ramo do conhecimento humano, ainda não tem
dado o destaque necessário e cabível ao tema meio ambiente, como já
ocorre em outras áreas. Porém, cabe destacar, que apesar de pequeno, em
relação aos demais assuntos tratados na área Contábil, há autores e
pesquisadores que vêm examinando as repercussões de impactos ambientais
nas organizações e de que forma elas estão geridas e controladas.
Os recursos produtivos que antes se concentravam fortemente em ativos
tangíveis, como matérias-primas, máquinas e equipamentos, estão cedendo
lugar a fatores que realmente agregam valor e fazem a diferença na
qualidade dos produtos e serviços, como o conhecimento, as informações,
recursos humanos, tecnologias, etc., e isto são consideradas questões
complexas para contabilidade mensurar e reconhecer esses ativos
intangíveis.
Este problema Filho (2000) diz que tem acarretado desejo dos usuários
das informações contábeis, principalmente os investidos, que a
Contabilidade aprimore urgentemente os seus mecanismos de mensuração, a
fim de que os demonstrativos contábeis possam evidenciar com maior
abrangência o potencial econômico das entidades.
Para um cargo que exige tanta responsabilidade, Cabello & Martinello
(2002) dizem que é necessário um profissional altamente qualificado, com
boa formação acadêmica, grande conhecimento em economia, administração,
contabilidade e, também, bem informado sobre as atualidades.
Para Marion (2003), um profissional da área contábil é um agente de
mudanças, e como tal este profissional deve mostrar suas diversas
habilidades. O contador é o “anjo-da-guarda” de uma empresa, tornando-se
seu profundo conhecedor, podendo desta forma atuar em sua continuidade e
crescimento.
O contador segundo Nasi (1994) deve estar no centro e na liderança deste
processo, pois, do contrário, seu lugar vai ser ocupado por outro
profissional. O contador deve saber comunicar-se com as outras áreas da
empresa. Para tanto, não pode ficar com os conhecimentos restritos aos
temas contábeis e fiscais. O contador deve ter formação cultural acima
da média, inteirando-se do que acontece ao seu redor, na sua comunidade,
no seu Estado, no seu País e no mundo. O contador deve ter um
comportamento ético-profissional inquestionável. O contador deve
participar de eventos destinados à sua permanente atualização
profissional. O contador deve estar consciente de sua responsabilidade
social e profissional.
Assim, os contabilistas têm que atuar nesse novo ambiente, que exige
informações úteis completas e corretas e em curto espaço de tempo. Seu
papel também deve passar por transformações de modo a tornar-se
compatível com os novos tempos. Deve ter competência para compreender
ações, analisando criticamente as organizações, antecipando e promovendo
suas transformações, compreensão da necessidade do contínuo
aperfeiçoamento profissional.
As modificações que estão ocorrendo e que alcançam a cultura contábil,
de acordo com Sá (2003), são:
® avanço prodigioso da informática;
® internacionalização dos mercados e que imprimem modificações nos
procedimentos de concorrência através de preços e qualidade;
® declínio considerável da ética e da moral;
® facilidade extrema da comunicação;
® relevância dos aspectos sociais;
® abusiva concentração da riqueza;
® aumento considerável dos índices de miséria;
® progressiva dilatação das áreas de mercados comuns;
® avanço considerável das tecnologias e da ciência;
® necessidade de preservar o planeta em suas condições ecológicas;
® grandes esforços de harmonização de princípios e normas.
Todos esses fatores ambientais em relação à vida do patrimônio das
células sociais, passaram a exigir comportamentos dos estudos contábeis
em outros níveis, forçando, especialmente, uma visão holística. O
contabilista de nossos dias não pode confinar-se mais, em matéria de
conhecimento, a simples técnicas de registros e demonstrações, como
agente passivo na execução de seus trabalhos.
6 - CONCLUSÃO
A exploração da biosfera pelo homem ameaça hoje a sua própria existência
e delicado equilíbrio. Ao longo das últimas décadas, as pressões sobre o
ambiente global tornaram-se auto-evidentes, fazendo erguer uma voz comum
pelo desenvolvimento sustentável. Essa estratégia requer um novo
enquadramento mental e novo conjuntos de valores.
A educação é essencial à promoção de tais valores e para aumentar as
capacidades das pessoas de enfrentar as questões ambientais e de
desenvolvimento. A educação a todos os níveis, especialmente a educação
universitária para a formação de gestores e professores, deve ser
orientada para o desenvolvimento sustentável e forjar atitudes, padrões
de capacidade e comportamento ambientalmente conscientes, tal como um
sentido de responsabilidade ética.
O mercado não mais aceita o descaso no tratamento dos recursos naturais.
Os consumidores estão interessados em produtos limpos. A legislação
torna-se mais rígida imputando sanções aos infratores, obrigando as
empresas a encarar com seriedade e responsabilidade a variável ambiental
em sua estratégia operacional.
Portanto, a Contabilidade não pode mais ignorar os problemas ambientais
e sociais, porque ela forma um elo de ligação entre as empresas e a
comunidade. A contabilidade vai despertar o interesse para as questões
ambientais, ajudando a classe empresarial a implementar, em sua gestão
empresarial a variável ambiental, não apenas para constar na legislação,
mas por uma verdadeira conscientização ecológica.
O contador, como menciona Sá (2002), precisa comparecer nesse novo
cenário, com disposição e competências necessárias para cooperar com a
preservação do planeta, prosperidade das sociedades e valorização do
homem. Deverá ser o agente capaz de disseminar a responsabilidade social
na sua organização e nas empresas a quem presta serviços. É ele o
detentor de informações ricas e privilegiadas, e capaz de influenciar
positivamente as organizações e contribuir para a tomada de decisões.
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Maria Elisabeth Pereira Kraemer - beth.kraemerarrobaterra.com.br
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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