1 – INTRODUÇÃO
Em um ambiente como o atual, onde a excelência empresarial é exigida
continuamente, o grande desafio do sistema de informação gerencial, em
face da competitividade, está em fornecer informações corretas e
oportunas para que os gestores possam tomar decisões acertadas.
Neste contexto, surge o BSC como uma ferramenta organizacional que pode
ser utilizada para gerenciar importantes processos gerenciais:
estabelecimento de metas individuais e de equipe, remuneração, alocação
de recursos, planejamento e orçamento, feedback e aprendizado
estratégico.
O BSC surgiu da iniciativa de Kaplan e Norton de criar um novo modelo de
medição de desempenho, já que, na opinião dos autores, os modelos de
avaliação de desempenho, até então existentes, baseavam-se muito em
indicadores contábeis e financeiros.
Nessa nova forma de gerenciamento, destaca-se como instrumento da maior
importância, a construção de uma estrutura de indicadores estratégicos
que possua abrangência e coerência compatível com a nova era do
conhecimento e que permite, sobretudo, considerar a importância
crescente dos valores intangíveis diante dos tradicionais valores
físicos.
Em linhas gerais, o BSC é um sistema de gestão baseado em indicadores
que impulsionam o desempenho, proporcionando à organização uma visão de
negócio abrangente, atual e futura.
Procura traduzir a missão, a visão e estratégia da organização em objetivos e metas diferenciadas de acordo com as quatro perspectivas: financeiras, do cliente, dos processos internos e de aprendizado e crescimento.
O BSC funciona como um painel de controle para a empresa.
Com ele é possível visualizar a organização destas várias
perspectivas de uma só vez. Nesse painel, uma série de informações
estratégicas são organizadas num conjunto de indicadores que permitem
localizar problemas, definir rumos, prever turbulências e entender para
onde caminha a empresa.
O BSC é uma ferramenta imprescindível à contabilidade voltada para as
questões gerenciais da empresa, porque, de acordo com Lemos & Silveira
(2001), utilizando essa abordagem, baseada em atividades e processos
inter-relacionados funcionalmente na empresa, os contadores serão
capazes de transmitir à administração informações qualificadas sobre o
desempenho dos processos comerciais da organização, que possibilitarão
identificar os pontos-chave nesses processos, que influenciam direta ou
indiretamente os objetivos e metas da empresa, dirigir esforços para
melhorá-los e, conseqüentemente, melhorar seus resultados.
2 – O BALANCED SCORECARD E SUA FILOSOFIA
Durante a Era Industrial, de 1850 até 1975, o sucesso das empresas era
determinado pela maneira como se aproveitavam dos benefícios das
economias de escala e do escopo.
Durante esse período, sistemas de controle financeiro foram desenvolvidos com o intuito de facilitar e monitorar alocação eficiente de capital financeiro e físico. Nas últimas décadas do século XX o advento da Era da Informação tornou obsoleta muita das premissas fundamentais da concorrência industrial.
Segundo Reis (2001), as empresas não conseguem mais obter vantagens
competitivas sustentáveis apenas com a rápida alocação de novas
tecnologias a ativos físicos e com a excelência da gestão eficaz dos
ativos e passivos financeiros.
Kaplan & Norton (1997) ressaltam que as empresas da Era da Informação
estão baseadas em um novo conjunto de premissas operacionais: processos
interfuncionais; ligação com clientes e fornecedores; segmentação de
clientes; escala global; inovação e trabalhadores do conhecimento.
Hoje, o processo de gestão em relatórios financeiros se mostra
inadequado, pois está atrelado a um modelo contábil desenvolvido há
séculos para um ambiente de transações isoladas entre entidades
independentes.
Reis (2001) diz que uma das formas de adequar este modelo da
contabilidade financeira é ampliá-lo de modo que incorpore a avaliação
dos ativos intangíveis e intelectuais de uma empresa, como produtos e
serviços de alta qualidade, funcionários motivados e habilitados,
processos internos eficientes e consistentes e clientes satisfeitos e
fiéis.
Levar em consideração os ativos intangíveis no momento de avaliar a
performance das empresas é imprescindível, uma vez que eles têm maior
importância para as empresa da era da informação do que os ativos
físicos e tangíveis.
Na década de 90, era preocupação dos Estados Unidos medir a performance
das organizações, pois os métodos existentes para avaliação do
desempenho empresarial, que era apoiado nos indicadores contábeis e
financeiros, estavam se tornando obsoletos.
Acadêmicos e executivos estudaram, pesquisaram e desenvolveram um novo modelo que considera os objetivos em curto e longo prazos, medidas financeiras e não-financeiras, indicadores de performance e as perspectivas interna e externa do desempenho empresarial.
A síntese foi feita por Robert S. Kaplan, professor da Harvard Business School, e David P. Norton, presidente da Renaissance Solutions, em 1992, no artigo The balanced scorecard – measures that drive perfomance (Balanced scorecard – medidas que impulsionam o desempenho) publicado na conceituada revista Harvard Business Review. Mal sabiam que estavam para dar início a uma revolução.
Seu único objetivo era mostrar as desvantagens de usar apenas
medidas financeiras para julgar o desempenho empresarial, incentivando
as empresas a medir também fatores como qualidade e satisfação do
cliente.
O conceito que os autores chamaram de “Balanced Scorecard” (Cenário
Balanceado) vem sendo muito utilizados nos Estados Unidos como uma
ferramenta adequada para medir o desempenho das organizações,
tornando-se a marca de uma organização bem administrada. Hoje, muitas
empresas dizem que é a base sobre a qual se assenta seu sistema de
gestão.
A denominação de Cenário Balanceado, como diz Campos (1998), decorre do
fato de que, segundo a nossa visão, uma organização só deverá ser
considerada no caminho do sucesso, se os quatro conjuntos de indicadores
estiverem devidamente “balanceados”, ou seja, aplicados com graus de
importância relativa, porém eqüitativa, de forma a possibilitar um
desenvolvimento real e equilibrado.
Por exemplo, se num determinado exercício uma empresa for muito bem
financeiramente, mas com indicadores referentes ao atendimento a seus
clientes avaliados como abaixo do esperado, muito provavelmente, em
médio prazo, irá apresentar problemas de sobrevivência.
A metodologia criada por Kaplan e Norton, segundo suas próprias
palavras, não é mais do que o conjunto de indicadores (medidas) e
mostradores (gráficos) de um “painel de controle” da empresa. Segundo
Campos (1998), fazendo uma despretensiosa analogia, seria algo como o
painel de instrumento de um veículo.
Cada automóvel avião ou navio tem um painel de controle próprio, com alguns medidores obrigatórios, como velocidade, pressão de óleo, nível de combustível e outros indicadores específicos, talvez semelhantes, mas nem sempre idênticos. Alguns se referem a este painel como “Painel de Guerra”, uma vez que consideram que no mercado as empresas estão em guerra pela sua perpetuação.
Por sua apresentação gráfica e fácil análise, o conjunto de medidas
do cenário permite aos gerentes uma rápida e abrangente visão da
situação dos negócios. A apresentação gráfica dos resultados financeiros
resultantes de ações já tomadas é complementada pelas medidas
operacionais de satisfação dos clientes, dos processos internos, e do
crescimento e aprendizado, ou seja, dos elementos básicos que conduzem a
empresa para o futuro desempenho financeiro do negócio.
Para Kaplan & Norton (1997), o BSC capta as atividades críticas de
geração do valor criados por funcionários e executivos capazes e
motivados da empresa.
Preservando, o interesse no desempenho em curto prazo, através da
perspectiva financeira, o Balanced Scorecard revela claramente os
vetores de valor para um desempenho financeiro competitivo superior em
longo prazo.
Os mesmo autores dizem que para a aplicação do BSC nas organizações,
três aspectos são de fundamental importância: a integração entre as
quatro perspectivas, para que estas não se tornem isoladas dentro do
contexto; o balanceamento entre os graus de importância das perspectivas
do BSC; e que o BSC seja visto pela organização como um sistema de
gestão estratégica e não somente gestão financeira.
Sendo assim, segundo Rocha (2000), o BSC é mais do que um sistema de
medidas, devendo também traduzir a visão e a estratégia de uma unidade
de negócios em objetivos e medidas tangíveis, que representam o
equilíbrio entre indicadores externos voltados para acionistas e
clientes, e medidas internas dos processos críticos, de inovação,
aprendizado e crescimento. O importante é o equilíbrio entre as medidas
de resultado – as conseqüências dos esforços do passado – e os vetores
de desempenho futuro.
3 – INDICADORES DE DESEMPENHO PARA AS QUATRO PERSPECTIVAS DO SCORECARD
O BSC divide a organização em quatro perspectivas: Perspectiva
Financeira, Perspectiva do Cliente, Perspectiva dos Processos de
Aprendizagem de Negócios (ou Processos Internos); Perspectiva de
Evolução Organizacional (ou Aprendizado e Crescimento). Cada perspectiva
é constituída por um conjunto equilibrado de indicadores financeiros e
não financeiros que procuram traduzir o desempenho e as ações
necessárias para realização dos objetivos.
As medidas de desempenho devem englobar os “valores” que a empresa
considera como vitais para a sua sobrevivência e crescimento. As medidas
de desempenho em cada uma das perspectivas do Cenário Balanceado são:
Ö Financeira – Valor agregado e retorno do investimento;
Ö Clientes – Satisfação, retenção, mercado e participação;
Ö Processos Internos – Qualidade, tempo de resposta, custo e introdução
de novos produtos;
Ö Aprendizado e crescimento – Satisfação dos colaboradores e
disponibilidade dos sistemas de informação
3.1 – Perspectiva Financeira
A elaboração do BSC deve ser um incentivo para que as unidades de
negócios vinculem seus objetivos financeiros à estratégia da empresa,
servindo como foco para os outros objetivos e medidas das outras
perspectivas, fazendo parte de uma relação causa e efeito. Para Rocha &
Pinto (2000), o BSC deve contar a história de estratégia, começando
pelos objetivos financeiros de longo prazo relacionando-os às ações que
precisam ser tomadas em relação aos processos financeiros, dos clientes,
dos processos internos e do desempenho econômico desejado.
Na perspectiva financeira, as medidas financeiras indicam se a empresa
está obtendo êxito com as estratégias definidas, implementadas e
executadas. Em geral, esse êxito é medido pela sua lucratividade, pelo
seu crescimento e pelo incremento do valor para o acionista (shareholder
value). Se os indicadores financeiros não mostram o esperado, pode haver
problemas na execução, na implementação ou até mesmo na definição das
estratégias.
Kaplan & Norton (1997) identificaram três diferentes estágios do
negócio, para os quais devem ser definidos conjuntos diferentes de
medidas, pois os objetivos são também diferentes: rápido crescimento
(rapid growth); sustentação (sustain); e colheita (harvest).
No estágio de rápido crescimento (rapid growth), os objetivos
enfatizarão o crescimento das vendas, os novos mercados e novos
consumidores, os novos produtos e novos canais de marketing, vendas e
distribuição, mantendo um nível adequado de gastos com desenvolvimento
de produtos e processos.
No estágio de sustentação (sustain), os objetivos enfatizarão as medidas
financeiras tradicionais, tais como retorno sobre o capital investido,
lucro operacional e margem bruta. Os investimentos em projetos nesse
estágio serão avaliados por análises de padrões, fluxo de caixa
descontado e orçamento de capital. Alguns podem incorporar o valor
econômico agregado (EVA) e o incremento de valor para o acionista
(shareholder value). Essas medidas representam o objetivo financeiro
clássico: excelente retorno sobre o capital investido.
No estágio de colheita (harvest) a ênfase recairá sobre o fluxo de
caixa. Qualquer investimento deverá prover retorno em caixa (cash pay
back) certo e imediato, pois o objetivo não é maximizar o retorno sobre
o investimento. Os gastos com pesquisa e desenvolvimento se escasseiam,
pois o ciclo de vida do negócio está em estágio final. Nesse caso,
variáveis que possam comprometer o desfecho planejado do negócio (uma
venda, uma liquidação, por exemplo), devem ser monitoradas. Essas
variáveis podem ser o endividamento crescente, contaminação ambiental,
insatisfação de clientes etc.
Costa (2001) diz que os temas mais focados pelas empresas para realizar
a estratégia são: crescimento e mix de receita; redução de custo,
aumento de produtividade, e utilização de ativos e estratégia de
investimento, que podem ser usados em qualquer um daqueles três estágios
estratégicos antes referidos. As medidas financeiras, no entanto, é que
serão diferentes de acordo com o caso. Os objetivos financeiros em longo
prazo devem nortear as ações relacionadas aos quatros diferentes
processos. Assim, não se deve gerir os indicadores operacionais sem ter
em conta os reflexos que geram nos indicadores financeiros.
3.2 – Perspectiva do cliente
Segundo Kaplan e Norton (1997), a perspectiva do cliente permite aos
executivos identificar segmentos de clientes e de mercado nos quais as
unidades de negócio possam competir, bem como definir as medidas de
desempenho das unidades nos seus segmentos-alvo.
Os mesmos autores propõem que a perspectiva do cliente seja montada
visando aos seguintes pontos-chave: participação de mercado, retenção,
captação, satisfação e lucratividade dos clientes. Este conjunto de
critérios é chamado pelos autores de Medidas Essenciais dos Clientes.
Tais critérios encontram-se detalhados a seguir:
Ö Participação de mercado – representação da proporção de vendas da
unidade de negócio no mercado em que atua determinada em termos de
número de clientes, capital investido, unidades vendidas ou instaladas;
Ö Retenção de clientes – acompanhamento, em números absolutos ou
relativos, do percentual de clientes com os quais a unidade de negócio
continua mantendo relações comerciais;
Ö Captação de clientes – medição, em termos absolutos ou relativos, do
percentual de clientes novos ou de novos negócios ganhos pela
organização;
Ö Satisfação dos clientes – registro do nível de satisfação dos clientes
em relação a critérios preestabelecidos de desempenho ou de valor
agregado.
Ö Lucratividade do cliente – medição da lucratividade da empresa no
negócio ou nos negócios com um cliente, ou com um segmento de mercado,
depois de levantar as despesas específicas requeridas para atender esse
cliente ou esse mercado.
3.3 – Perspectiva dos Processos de Aprendizagem de Negócios (ou
Processos Internos)
Nesta perspectiva, os executivos identificam os processos internos
críticos nos quais a empresa deve alcançar a excelência. Cada empresa
usa um conjunto específico de processos a fim de criar valor para os
clientes e produzir resultados financeiros, entretanto uma cadeia de
valor genérica serve de modelo para que as empresas possam adaptar e
construir as perspectivas de processo interno. Esses processos permitem
que a unidade de negócios: ofereça as propostas de valor, capazes de
atrair e reter clientes em segmentos-alvo de mercado; e satisfaça as
expectativas que os acionistas têm de excelentes retornos financeiros.
As medidas de processo interno, segundo Kaplan (1997), devem ser
voltadas para aqueles que terão maior impacto na satisfação do cliente e
na consecução dos objetivos financeiros da empresa. Esse modelo inclui
três processos principais:
Ö inovação – durante esse processo, Campos (2001) diz que devem ser
pesquisadas as necessidades reais e futuras dos clientes-alvos. Em
seguida são desenvolvidos os produtos e/ou serviços que deverão
satisfazer as necessidades identificadas.
Ö operação – as principais medidas operacionais genéricas são: custo,
qualidade e tempo de resposta. Deve se preocupar com a produção e
disponibilização dos produtos e serviços desenvolvidos durante o
processo de inovação. Tem início nesta etapa, o recebimento de um pedido
e termina com a entrega do produto ou prestação de serviço.
Ö serviço pós-venda – esta é uma etapa de grande influência no processo
de criação de imagem e reputação da organização na cadeia de valor do
cliente, incluindo treinamentos, garantias, consertos, devoluções e
processamento de pagamentos.
Ressalta-se que as medidas convencionais focalizam apenas o controle e a
melhoria dos processos atuais que afetam custos, qualidade e tempo. Já
no BSC, permite que a avaliação do desempenho derive das expectativas de
interessados externos. Cabe às diretorias das organizações, segundo
Campos (1998) identificar quais os processos críticos e vitais nos quais
a sua empresa precisa se destacar para que os objetivos dos acionistas,
dos clientes e dos interessados sejam plenamente atendidos.
3.4 - Perspectiva de Evolução Organizacional (ou Aprendizado e
Crescimento).
O aprendizado e o crescimento da organização vêm de três principais
fontes: as pessoas, os sistemas e os procedimentos organizacionais. Para
Costa (2001), os objetivos traçados através do BSC, em geral, acusam uma
grande defasagem entre as capacitações das pessoas, dos sistemas e dos
procedimentos e a requerida para alcançar os objetivos, promovendo o
desempenho. É necessário capacitar os funcionários, intensificar a
tecnologia e os sistemas de informação e alinhar os procedimentos e
rotinas organizacionais para eliminar essa defasagem.
As medidas nesta perspectiva são: satisfação do funcionário, retenção,
treinamento e habilidades e direcionadores específicos dessas medidas,
tais como índices detalhados de habilidades específicas requeridas pelo
novo ambiente competitivo.
4 - BALANCED SCORECARD COMO SISTEMA DE GESTÃO ESTRATÉGICA
O BSC traduz a missão e a estratégia das empresas num conjunto
abrangente de medidas de desempenho que serve de base para um sistema de
medição e gestão estratégica. É um novo instrumento que integra as
medidas derivadas da estratégia, sem menosprezar as medidas financeiras
do desempenho passado, e que mede o desempenho organizacional sob quatro
perspectivas equilibradas.
Ele preserva os indicadores financeiros, segundo Rocha & Pinto (2000),
como a síntese final do desempenho gerencial e organizacional, mas
incorpora um conjunto de medidas mais genérico e integrado que vincula o
desempenho sob a ótica dos clientes, processos internos, funcionários e
sistemas ao sucesso financeiro em longo prazo.
As empresas que utilizam o BSC como pedra angular de um novo sistema de
gerenciamento estratégico têm duas tarefas: primeiro precisam elaborar o
scorecard e, depois, utilizar o scorecard.
O BSC introduz quatro novos processos que ajudam as empresas a conectar
os objetos de longo prazo às ações de curto prazo. São eles na visão de
Kaplan & Norton (2000)
Ö tradução da visão – ajuda os gerentes a desenvolver o consenso em
torno da estratégia da empresa, expressando-a em termos que orientam a
ação no nível local.
Ö comunicação e conexão – permite que os gerentes comuniquem a
estratégia para cima e para baixo na organização e a conectam às metas
das unidades e dos indivíduos.
Ö planejamento de negócios – permite que a empresa integre o plano de
negócios e o plano financeiro.
Ö feedback e aprendizado – proporciona à empresa a capacidade de
aprendizado estratégico, que consiste em reunir feedback, testar as
hipóteses em que se baseou a estratégia e efetuar os ajustamentos
necessários.
Com o BSC no centro do sistema gerencial, a empresa é capaz de monitorar
os resultados de curto prazo sob as perspectivas e avaliar a estratégia
à luz do desempenho recente. Assim o BSC cria condições para que as
empresas modifiquem a estratégia em função do aprendizado em tempo real.
Na verdade, o BSC é mais do que um sistema de medidas táticas ou
operacionais. Empresas inovadoras estão utilizando o scorecard como um
sistema de gestão estratégica para administrar a estratégia em longo
prazo, na era da informação.
5 – A CONTABILIDADE E O BALANCED SCORECARD
O BSC é uma alternativa aos sistemas de avaliação e gestão centrados,
quase que exclusivamente, na perspectiva financeira. A visão
administrativa, segundo Lemos & Silveira (2001), deve ser estendida a
outras perspectivas. Para a contabilidade, a perspectiva financeira é a
usual e o desafio é agregar outras perspectivas. Diante do exposto, a
Contabilidade como fornecedora de informações vem sendo cada vez mais
exigida, principalmente quanto à profundidade e abrangência dos informes
que fornece, pois a Ciência Contábil é a linguagem dos negócios e se
ocupa da avaliação, mensuração, demonstração e informação dos fatos
econômicos, como satisfação dos clientes, produtividade dos processos
internos e treinamento de funcionários determinantes que influenciam e
influenciarão os resultados econômicos da entidade e, como tais, podem
ser mensurados e registrados, não pode deixar escapar a oportunidade de
contribuir decisivamente nessa questão.
O BSC é uma ferramenta imprescindível à contabilidade voltada para as
questões gerenciais das empresas. Por isso, é necessário que a
contabilidade seja vista como um guia para ações futuras.
Para Kaplan (2000), os sistemas de contabilidade, movidos pelos
procedimentos e pelo ciclo do sistema de relatórios financeiros da
organização, são demasiadamente tardios, agregados e distorcidos para
terem relevância para as decisões de planejamento e controle dos
gerentes. A utilização destes instrumentos é o mesmo que tentar guiar um
carro orientado pelo retrovisor.
Se a estrada for reta, tudo bem. Porém, a estrada em ambiente
competitivo, é muito sinuosa, sendo que a orientação pelo retrovisor não
nos dá nenhuma indicação de quais manobras devem ser feitas para se
manter dirigindo nessa estrada.
É neste sentido, que os gerentes de acordo com Drucker (2000) precisam
de um sistema de informação integrado com a estratégia, em vez de
ferramentas individuais que têm sido tão amplamente usadas no registro
do passado. Salienta ainda que muitas empresas já migraram da
contabilidade de custos tradicionais para outros métodos de custos.
Portanto, espera-se que a contabilidade acompanhe o ambiente da empresa
e adapte-se as mudanças, auxiliando os gerentes nos processos de
planejamento, execução e controle, já que o BSC é uma ferramenta
imprescindível à contabilidade voltada para as questões gerenciais da
empresa.
6 – INTERFERÊNCIA NA CONTABILIDADE GERENCIAL
As mudanças no ambiente empresarial provocam impacto na contabilidade
gerencial. Esse impacto fica evidente, quando analisamos as severas
críticas que a contabilidade gerencial vem sofrendo.
Para Corbett (1997), a contabilidade gerencial deve fazer a conexão
entre as ações locais dos gerentes e a lucratividade da empresa, para
que estes possam saber que direção tomar.
Medindo corretamente o impacto de ações locais no desempenho global, a contabilidade gerencial também serve como o agente motivador, pois premia as pessoas que contribuem significativamente ao objetivo da empresa.
A contabilidade gerencial tem como objetivo principal fornecer
informações para que os gerentes possam decidir qual o melhor caminho
para a empresa.
Hoje em dia, a contabilidade gerencial está perdendo credibilidade. Com
todas essas mudanças no ambiente, ela não mudou quase nada. Isso faz com
que as informações fornecidas pela contabilidade tradicional sejam
incoerentes.
De acordo com Kraemer (2001), com as constantes mudanças, as empresas
não podem ter informações distorcidas. Se a sua contabilidade gerencial
não estiver adequada aos novos tempos, você não terá como competir. Uma
boa contabilidade gerencial não é receita para o sucesso, mas um
pré-requisito.
Isso é referido por Kaplan e Johnson (1991) ao dizer que um excelente
sistema de contabilidade gerencial não vai sozinho garantir o sucesso
nos mercados de hoje.
Mas um sistema de contabilidade gerencial ineficaz pode minar o desenvolvimento de produtos, o aprimoramento de processos e os esforços de marketing.
Onde um sistema de contabilidade gerencial prevalece, o melhor
resultado ocorre quando os administradores entendem a irrelevância do
sistema e se desviam dele criando sistemas de informações
personalizados.
Sabemos que as informações financeiras, embora necessárias, não são mais
suficientes para gerenciar o negócio. Principalmente, quando o
administrador utiliza tais informações para obter maior lucro possível
em curto prazo, sacrificando os resultados e a sobrevivência da empresa
em longo prazo.
Neste contexto, o BSC é utilizado, pois: muitos sistemas demonstram
preocupação com o curto prazo; muitos sistemas demonstram preocupação
com os aspectos financeiros e; sistemas de informações sobre as áreas –
chave muitas vezes não são confiáveis.
Diante do exposto, o BSC é uma ferramenta gerencial, formado por
indicadores financeiros e não financeiros relacionados através de
hipóteses de causa e efeito, norteados pelos objetivos e pela estratégia
da organização.
O BSC não elimina o papel dos indicadores financeiros, mas integra esses
indicadores a um sistema gerencial mais equilibrado que vincula o
desempenho operacional de curto prazo e o objetivos estratégicos de
longo prazo.
O BSC é alinhado com as metas e compatibilizado com o orçamento, que é
estruturado e consolidado em função das medidas possibilitando o
gerenciamento da empresa em um único instrumento, tendo como objetivo
geral comunicar a estratégia corporativa a toda empresa; analisar os
objetivos estratégicos e correlacionar com as recompensas pessoais;
identificar; analisar os resultados obtidos em relação às metas
estabelecidas e dar o feedback.
7 – EVOLUÇÃO DA CONTABILIDADE GERENCIAL ATRAVÉS DO BALANCED SCORECARD
Devido ao entendimento de que as tradicionais medidas contábeis e
financeiras não mais ajudavam, ao contrário, dificultavam a empresa a
criar valor econômico para o futuro, David Norton, executivo do
Instituto de Pesquisa da Nolan Norton, unidade de pesquisa da KPMG, sob
consultoria acadêmica de Robert Kaplan, em 1990, realizou um estudo, em
várias empresas, com o objetivo de desenvolver um novo modelo de medidas
de desempenho.
Costa (2001) diz que o ponto de partida foi o modelo usado pela Analog
Devices para medir o índice de progresso em atividades de melhoria
contínua e o seu scorecard que continha as medidas tradicionais
financeiras e outras operacionais.
O estudo foi direcionado para chegar-se a um scorecard multidimensional.
Posteriormente, para indicar a característica de equilíbrio (balanceamento) entre medidas em curto e longo prazos, entre as medidas financeiras e as não-financeiras, entre os indicadores de tendências (leading) e os de ocorrência (lagging) e entre as perspectivas internas e externas de desempenho, esse scorecard multidimensional passou a ser referido como “Balanced Scorecard”.
Foram feitos vários testes de viabilidade de implantação em alguns setores de empresas com este sistema de medição e verificaram que o BSC podia ser utilizado de maneira diferente da que vinha sendo proposta.
Apesar de desenvolvido para ser um sistema de medição de desempenho,
ele podia ser utilizado para comunicar e alinhar a estratégia da
empresa. A partir daí, os gestores perceberam que podiam utilizar o
sistema não só para comunicar a estratégia, mas, também, para
gerenciá-la, passando a ser apresentado como um sistema gerencial
essencial.
O uso do BSC como um instrumento de comunicação e alinhamento da
estratégia da empresa, conforme Campos (2001) explicitou uma série
deficiência nos sistemas gerenciais tradicionais, qual seja, a
inabilidade para ligar a estratégia em longo prazo da empresa com as
suas ações em curto prazo.
Isto é corroborado por Kaplan & Norton (1997), ao dizer que muitas
empresas pensam em mensuração como uma ferramenta para controlar
comportamentos e para avaliar desempenhos passados.
Controles e sistemas de mensuração tradicionais pretendem manter unidades organizacionais de acordo com um plano pré-estabelecido.
As medidas no BSC estão sendo usadas pelos executivos de forma diferente para articular a estratégia do negócio, comunicá-la e ajudar a alinhar as iniciativas individuais, organizacionais e departamentais, para alcançar um objetivo comum.
Esses executivos estão usando o scorecard como um sistema de
comunicação, informação e aprendizado, não como um sistema tradicional
de controle. Para que o BSC seja usado dessa maneira, entretanto, as
medidas devem expressar claramente a estratégia em longo prazo da
organização para o sucesso competitivo.
Portanto, o BSC revelou-se um importante instrumento de ajuda aos
gestores no ambiente competitivo moderno, porque as organizações
situadas em ambiente em constante mudança precisam de um processo duplo
de aprendizado, permitindo que o gestor questione as hipóteses traçadas
e reflita sobre se a teoria sob a qual opera ainda está consistente com
as evidências, observações e experiências correntes.
Kaplan & Norton (1997) dizem que é claro que os gestores precisam saber
se a estratégia planejada está sendo executada de acordo com o plano, um
processo simples de aprendizado. Mas mais importante que isso, precisam
saber se as hipóteses fundamentais traçadas quando do lançamento da
estratégia permanecem válidas.
Os mesmos autores afirmaram que o BSC é uma inovação na teoria de
contabilidade gerencial, pois reúne pontos simples, mas vitais que não
estavam claramente articulados na literatura existente.
a) A decodificação dos complexos processos de escolhas aos quais os
gestores estão sujeitos, consubstanciando na definição das quatro
perspectivas de gestão, é o primeiro ponto que merece a atenção como
novidade do BSC. Essas perspectivas são definidas a partir de uma
concepção de gestão.
A partir da estratégia, definem-se os objetivos financeiros, que irão
orientar as escolhas relacionadas aos clientes, que por sua vez, irão
orientar a identificação das mudanças necessárias quanto aos processos
internos que, por sua vez, irão indicar as mudanças em relação à
capacitação de recursos humanos e ao sistema de informação.
O BSC alerta que as perspectivas relacionadas aos clientes, aos
processos internos e ao aprendizado e crescimento, direcionam o
desempenho futuro da perspectiva financeira, deixando com isso pouca
margem de dúvida, sobre o que o gestor deve refletir, quais as ações a
serem tomadas naquelas dimensões e se há mais alguma dimensão a ser
tratada.
b) a forma simples e clara com que Kaplan & Norton conseguem tratar das
interligações existentes entre os processos gerencias de planejamento e
orçamento, se consubstancia na elaboração de um relatório corporativo
onde deve constar apenas os objetivos e medidas de cada dimensão que
indicam a trajetória do cumprimento da estratégia.
Como diz Campos (2001), esse relatório único força os gestores a
refletirem sobre as relações de causa e efeito entre objetivos
financeiros e os objetivos das outras dimensões, pois todas estarão ali
representadas.
A confecção de um relatório corporativo onde se apresenta,
necessariamente, os objetivos e medidas das quatro dimensões (onde se
quer chegar financeiramente e o que é preciso fazer para isso no que se
refere aos clientes e a capacitação interna) eleva a gestão da
vinculação dos objetivos táticos e operacionais com os estratégicos ao
nível corporativo.
Mendonza & Zrihen apud Costa (2001) apontaram que as quatro perspectivas
em apenas um relatório faz do BSC um instrumento adequado para a alta
administração da empresa, permitindo uma visão global do desempenho
dessa, mais adequado como suporte à tomada de decisão do gestor
operacional.
Diante do exposto, verifica-se que o BSC nesse novo ambiente
competitivo da economia tem contribuído para aumentar a compreensão do
tema contabilidade gerencial, vinculando a estratégia e a operação.
O BSC é uma contribuição para a literatura de contabilidade gerencial
porque conforme enfoca Campos (2001), repensa temas antigos, mostrando a
vinculação entre pontos vitais que não estavam claramente articulados;
mostra como esses conhecimentos estabelecidos podem ser articulados para
serem aplicados aos tempos modernos, para atender às novas exigências;
aumentando, assim, a compreensão do tema “vinculação entre estratégia e
operação” e aperfeiçoando a literatura de contabilidade gerencial.
8 – CONCLUSÃO
O BSC está desenhado para atender ao tipo de organização que muitas
empresas estão buscando ser, colocando a estratégia e a visão de futuro
no centro das atenções, em vez de controle.
Ele não representa substituição e muito menos pretende eliminar os
indicadores financeiros tradicionais, a intenção é de criar novas
perspectivas que auxiliem a identificação dos fatores de crescimento que
irão criar valor econômico a longo prazo.
Pela integração das perspectivas financeiras, dos clientes, dos
processos internos, e do aprendizado e crescimento, o BSC auxilia os
gerentes a abrir o campo de visão e compreender as interligações
existentes entre muitas das diversas funções.
O BSC, de acordo com Campos (2001), não traz qualquer conceito novo,
nunca antes tratado na literatura de contabilidade gerencial, mas
repensa temas antigos, chamando a atenção para pontos que estavam
esquecidos ou mal compreendidos, mostrando a vinculação entre pontos
vitais que não estavam claramente articulados.
Ele mostra, assim, como esses conhecimentos estabelecidos podem ser aplicados aos tempos modernos, para atender às exigências impostas pelo ambiente mais competitivo para as empresas e, conseqüentemente, aumenta a compreensão do tema “vinculação entre estratégia e operação”.
Portanto, a contabilidade gerencial deve acompanhar o ambiente da
empresa e adaptar-se as mudanças, e assim auxiliar os gestores no
processo de planejamento, execução e controle.
9 - REFERÊNCIAS
CAMPOS, J. A Cenário Balanceado: painel de indicadores para a gestão
estratégica dos negócios. São Paulo: Aquariana, 1998.
CAMPOS, L. M. S. SGADA – Sistema de gestão e avaliação de desempenho ambiental: uma proposta de implementação. Florianópolis. 2001. Tese (Doutorado em Engenharia da Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.
CORBERTT, N. T. Contabilidade de ganhos: a nova contabilidade gerencial de acordo com a teoria das restrições. São Paulo: Nobel, 1997.
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Florianópolis.
Por: Maria Elisabeth Pereira Kraemer
Contadora, Professora e Integrante da equipe de Ensino e Avaliação na
Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI - Universidade do Vale do Itajaí.
Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade
do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade
do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica
Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN - Associação Científica
Internacional Neopatrimonialista.
Maria Elisabeth Pereira Kraemer
Contadora, Professora e Integrante da equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI - Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN - Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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