A longevidade da empresa
02 / 2004
Para compreender as organizações e entender o seu processo de evolução,
é preciso refletir que viver mais é objetivo dos seres humanos e das
organizações.
A longevidade dos seres humanos está relacionada a alguns fatores,
tais como: clima mais frio, alimentação adequada, exercícios físicos e
ao estilo de vida menos estressante. Os ucranianos, que são pastores,
vivem em um clima frio, comem pouco sal e gordura, caminham muito e
levam uma vida tranquila. São um dos povos com maior longevidade, chegam
viver até 160 anos.
As causas do envelhecimento humano são várias. A gordura corporal é uma
delas. Aos 75 anos, os indivíduos apresentam o dobro da gordura que
tinham aos 25. A água presente no corpo diminui provocando a
desidratação. O peso corporal e o peso dos órgãos sofrem alterações com
a diminuição do número de células. O metabolismo muda em decorrência da
diminuição do consumo de oxigênio. Diante dessas mudanças, a força
muscular diminui.
Os cientistas e profissionais da saúde buscam formas de controlar as
causas do envelhecimento humano. No entanto, afirmam que os hábitos,
costumes e a cultura dos grupos são fundamentais para que se tenha vida
longa.
De acordo com COLLINS e PORRAS(1995), algumas organizações vivem mais
que outras e as empresas que passaram do patamar de boas para excelentes
o fizeram pelo processo de transformação evolutiva, concluindo que o que
torna as empresas realmente visionárias são algumas práticas comuns ao
longo de suas histórias como: Dar as ferramentas, não ter soluções;
Mais do que lucros, ter ideologia central; Preservar o
núcleo/estimular o progresso; Metas audaciosas; Culturas de devoção;
Testar de tudo e aplicar o que der certo; Gerentes treinados
internamente; Nunca é suficiente (inovação permanente)
Conforme as pesquisas apresentadas por GEUS (1998), empresas longevas
eram sensíveis ao seu ambiente; Empresas longevas eram coesas e dotadas
de um forte senso de identidade; Empresas longevas eram tolerantes.
Gerentes dos séculos XVII, XVIII e XIX já adotavam a descentralização;
Empresas longevas eram conservadoras nas finanças (dinheiro em caixa:
flexibilidade e independência de ação); A maioria das empresas longevas
antecipava as necessidades de mudanças; As empresas longevas
transformavam crises em novos negócios.
Para PRADO FILHO (2003),”uma organização é como um ser humano, se veste,
se comunica e necessita ter um estilo. Precisa ter uma identidade.”
Nessa perspectiva, elas constroem um nome, uma marca. Não passaram pela
vida, fizeram e fazem a diferença. Esta diferença foi e é criada pelo
seu principal capital, as pessoas porque as empresas longevas ou
visionárias se constroem com base no potencial, na energia e na alma das
pessoas. Seus pensamentos ou estratégias não seguem a lógica econômica
pura e simples do mercado, suas visões não são de curto prazo. Elas
seguem as suas ideologias, formam suas culturas próprias e estimulam o
progresso desafiando as próprias condições sociais, políticas e
econômicas do momento em que vivem. Por isso a resistência às
macro-adversidades imprevisíveis não necessita ser absoluta.
O estabelecimento de uma visão consistente, capaz de resistir mais tempo
do que outras empresas concorrentes, é na verdade estabelecer as bases
para uma vida.
Nesta perspectiva é possivel explicar que num círculo virtuoso e de
constante aprendizagem, “toda a organização tem um objetivo básico e
fundamental que é a viabilidade (...) a empresa tem como seu propósito
primordial para a existência sua própria existência, (...) a empresa
luta para continuar viável e sobreviver.”(McGuire:1963, p. 167).
As organizações, assim como os seres vivos , buscam a vida, a
longevidade e a melhoria continua. Percebe-se que em ambos os casos, os
que possuem melhor capacidade adaptativa ao meio ambiente ou que
conseguem dominá-lo vivem mais. A adaptação estratégica exige muito mais
que instinto. Exige criatividade, inovação e flexibilidade. Elas criam
seus aprendizados, são altamente adaptativas. Não diminuem a força
muscular porque são inovadoras. Controlam a gordura e o peso corporal
porque são flexíveis. Dominam o estresse porque são criativas. O
conhecimento brota das fontes humanas, alimentadas de nutrientes de
fora, de dentro e de dentre seu ambiente, de encontro às tendências
degenerativas naturais. Todo o trabalho criativo é fruto do esforço
coletivo e traz atrás de si uma bagagem de estudo dos antecessores. As
pessoas são a alma da empresa.
Ao longo de seu ciclo de vida, como os organismos vivos, “as
organizações quando jovens são bastante flexíveis, mas nem sempre são
controláveis. À medida que as organizações envelhecem, essa relação se
altera. A controlabilidade aumenta e a flexibilidade diminui. É a mesma
diferença que há entre um bebê e uma pessoa mais velha. O bebê é
bastante flexível e consegue até colocar o pé na boca, mas seus
movimentos e o seu comportamento não são muito controláveis.À medida em
que envelhecemos, acabamos eventualmente perdendo também o
controle.”(Adizez, 1990, p 2)
Neste sentido, confirma CAVALCANTE (2003), a corporação é um organismo
vivo, fértil e fertilizador. Que fala e ouve, ri e chora, sonha e se
apaixona, cria e deduz, intui e interfere. O conhecimento não vale o
quanto pesa, mas o quanto flui. E só flui se os vasos forem comunicantes
e as cabeças pensantes integrarem um sistema e uma cultura
organizacional que permitam o seu fluxo livre , o que significa
descartar a intolerância e regras que abafem novas idéias. Cabe destaque
à afirmativa de GEUS (1998) que “a tolerância deriva de uma estrutura de
valores. Ela só pode existir numa empresa na qual as pessoas reconheçam
o valor de criar espaço para a inovação”, espaço este que constitui-se
num magma de significações, fonte de energia para ações ofensivas e
defensivas numa contínua oxigenação e revitalização da empresa.
Referências bibliográficas
ADIZES, Ichak. Os ciclos de vida das organizações. São Paulo: Thoson
Pioneira, 1990.
COLLINS, James C., PORRAS, Jerry I. Feitas para durar: práticas bem
sucedidas de empresas visionárias. Rio de Janeiro : Rocco, 1995.
GEUS, Arie de. A empresa viva: como as organizações podem aprender a
prosperar e se perpetuar. Rio de Janeiro : Campus, 1998.
McGUIRE, Joseph W. A empresa e a Sociedade. São Paulo:Graw-Hill Book
Company, 1963.
MOREIRA, Bernardo L. Ciclo de Vida das Empresas. São Paulo: Editora STS,
1999.
RIBEIRO, C. R. M. A empresa imortal Rio de Janeiro : Vozes,1995.
CAVALCANTE. Elina Maria Borges. Longevidade: Uma questão de estratégia.
Disponível em < http://www.redadultosmayores.com.ar> Acesso em 09.12.03.
PRADO FILHO, Hayrton Rodrigues. Estratégia imprescindível. Revista Banas
Qualidade, n 132, maio/2003, p.3.
“toda a organização tem um objetivo básico e fundamental que é a
viabilidade (...) a empresa tem como seu propósito primordial para a
existência sua própria existência, (...) a empresa luta para continuar
viável e sobreviver.”(McGuire:1963, p. 167)
Ao longo de seu ciclo de vida, como os organismos vivos, “as
organizações quando jovens são bastante flexíveis, mas nem sempre são
controláveis. À medida que as organizações envelhecem, essa relação se
altera. A controlabilidade aumenta e a flexibilidade diminui. É a mesma
diferença que há entre um bebê e uma pessoa mais velha. O bebê é
bastante flexível e consegue até colocar o pé na boca, mas seus
movimentos e o seu comportamento não são muito controláveis.À medida em
que envelhecemos, acabamos eventualmente perdendo também o
controle.”(Adizez, 1990, p. 2) O envelhecimento
Saúde da empresa uma mente coletiva ou organizacional,
caracterizando-a como entidade física e psicológica autônoma, dotada de
necessidades, valores, comportamentos e objetivos, à semelhança dos
indivíduos.
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Prof
Nilsa Maria G. Canterle
A autora é docente da UNIOESTE – Campus de
Francisco Beltrão?PR, graduada em Administração de Empresas pela
Universidade Federal de Santa Maria/RS , com especialização em Teoria
Econômica e Administração pela Universidade Federal do Paraná e
mestranda em Engenharia da Produção pela Universidade Federal de Santa
Catarina.
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