DESPERTAR DO CONHECIMENTO CONTÁBIL
A situação privilegiada a que chegou a Contabilidade neste início de
século XXI, é fruto de uma sedimentação milenar de esforços
intelectuais, esses que sempre foram os das vocações dos contadores.
Foi dessa profissão que emergiu a invenção dos números abstratos, na
Suméria, há cerca de 5.200 anos, dando origem às matemáticas, como
também foi do registro contábil que nasceu a escrita comum, aquela que
permitiu o evoluir de todas as literaturas.
Números e letras tiveram por origem, pois, a ação dos que se dedicaram
às contas patrimoniais.
Seguindo a esse luminoso curso de vitória da razão foi que, também, nos
albores do século XIX, conquistou-se a dignidade científica, vitória de
uma das mais brilhantes etapas do conhecimento contábil.
Tal saber, originário da observação das coisas que acontecem, da procura
das verdades que regem as relações entre os elementos que fazem
acontecer os fatos, acendeu na mente dos referidos profissionais a luz
que permitiu perceber que a informação nada mais era que um simples
caminho, mas, não a verdadeira finalidade de uma importantíssima
cultura, nem o objetivo maior da utilidade do conhecimento patrimonial.
Ter consciência sobre o porque ocorrem os fatos, o que deveras eles
significam, sob que condições a riqueza se transforma, passou a ser um
escopo, aquele que realmente justificou o valor de um estudo superior da
Contabilidade.
Mais que cumprir uma formalidade informativa, relativa a situações
demonstradas, foi preciso buscar o entendimento sobre os fenômenos
patrimoniais, visando a uma utilidade competente para explicar as causas
do sucesso ou do insucesso na utilização da riqueza.
A busca de esclarecimentos sobre os acontecimentos é uma prática antiga,
esteve presente nas reflexões dos mais ilustres personagens da
civilização, inclusive de contadores e empresários, mas, a curiosidade,
por si só, jamais conseguiu alcançar os propósitos perseguidos de forma
organizada.
Só passado milênios, quando o ser humano começou a preocupar-se não
apenas em desvendar os mistérios da natureza, mas, também, o que dizia
respeito a ele mesmo, às causas promotoras de sua existência, à
utilidades que geria, quer isolada, quer em sociedade, um outro filão de
interesses surgiu, formando as ciências humanas e as sociais.
Nessas se inseriram, também, as matérias indagativas e explicativas
sobre as evoluções da riqueza, quando esta se usa a serviço do bem estar
dos seres, sob diversos aspectos.
À Contabilidade coube o estudo racional do patrimônio em face da
eficácia deste, especificamente se dedicando ao estudo sobre a
satisfação das finalidades ou objetivos das unidades de que a sociedade
humana se compõe, ou sejam as das “células sociais” (empresas e
instituições de fins ideais).
Desde os mais remotos tempos, todavia, como manifestação intuitiva e
empírica, o homem primitivo já se apercebera de que o meio material para
a sobrevivência era algo que muito interessava bem conhecer e foi assim
que se formou o primeiro conceito sobre o patrimônio.
Tal efeito da inteligência levou o habitante da caverna a fazer as
primeiras inscrições contábeis, em registros que, há cerca de 20.000
anos, sulcaram peças de ossos e pedras ou se manifestaram em pinturas e
marcas nas paredes, tetos e solos das grutas, visando a guardar memória
sobre o que se achava acumulado à espera de utilização.
Milhares dessas gravações ainda se conservam nos primeiros abrigos
naturais do ser humano e tais provas estão espalhadas em várias partes
do mundo, inclusive, e, com abundância, em dezenas de grutas brasileiras
(em Montalvânia, Vale do Peruaçu, Pedra Furada etc.).
Se por um lado as manifestações foram intuitivas, informativas, não
deixaram, também, de revelar um recurso de inteligência, pois o cérebro,
naquele tempo remoto, poderia guardar um expressivo número de
significados, considerando-se que o homem do Paleolítico Superior não
tinha armazenado mentalmente muita coisa.
O empirismo, por séculos, se constituiu em fonte natural do conhecimento
científico, limitado ao observar e ao esperar que as coisas acontecessem
sempre da mesma forma, como uma primeira base para que se pudesse crer
que os fatos realmente ocorressem.
De início já se sabia que muitas coisas sucederiam sob tais ou quais
circunstâncias, mas, faltava a percepção sobre as razões ou relações
lógicas que levavam deveras a determinar um evento, porque, também, não
existia um método ou disciplina de raciocínio que permitisse organizar
racionalmente as idéias.
O subjetivo, todavia, isoladamente, por maior eficiência que possua, não
tem condições de superar o pensamento objetivo, quando se trata de
entendimento universal e isto o comprovou o tempo, os milhares de anos
que decorreram desde as intuições particulares até a perquirição
metódica.
Só a ciência, pois, como um complexo de teorias, estas como agregados de
proposições lógicas, viria a explicar as causas dos acontecimentos;
muitos séculos, entretanto, foram necessários para que se desenvolvesse
e se buscassem razões profundas, apoiadas em reflexões e
experimentações, competentes para explicar o porque dos eventos.
A Contabilidade seguiu a essa vocação, como todos os demais ramos do
conhecimento humano e quando se formou a consciência de que não eram as
informações, mas, sim, o que elas significavam o que justificava o
conhecimento contábil, um grande progresso se operou.
Da mesma forma, quando os químicos entenderam que não bastava misturar
corpos e transformá-los, mas, necessário se fazia entender porque as
modificações ocorriam, toda uma Química Moderna nasceu, buscando
conceitos e uma disciplina em proposições lógicas, estas que passaram a
construir teorias científicas (e isto muito se deveu a Lavoisier, embora
não exclusivamente a ele).
Essa passagem da aparência das formas para a essência das realidades foi
o que distinguiu a qualidade dos conhecimentos no campo da cultura.
Despertar do estado letárgico da acomodação de registros e
demonstrações, para o campo da explicação e interpretação dos fenômenos
patrimoniais das células sociais, foi a grande conquista da História da
Contabilidade e esta se nutriu, como ainda se nutre, de escolas e
correntes científicas.
CONSCIÊNCIA SOBRE A RIQUEZA E FORMA DE ESTUDÁ-LA
Que a riqueza das pessoas, das empresas, é algo que de há muito
impressiona e preocupa o ser humano, é axiomático.
Os egípcios chegaram a criar até um Deus para o Patrimônio e que foi
Toth, como as primeiras leis, as mais antigas que se conhecem, como as
encontradas nas inscrições de argila na antiga Suméria, já cuidavam de
relações que diziam respeito a mensurações e relações de natureza
patrimonial.
Foi o próprio interesse em conhecer racionalmente o movimento da riqueza
e de medir a movimentação pertinente o que levou os contadores, como já
foi referido, a inventar os números abstratos, há cerca de 5.200 anos.
Aristóteles, também, há mais de 2.300 anos, afirmou que existia uma
ciência da riqueza e que essa não era a economia, porque, a sua
sensibilidade investigativa já estava despertada para um estudo de maior
seriedade acerca da importância que representava conhecer as razões que
moviam as transformações patrimoniais.
È possível imaginar, por exemplo, como há mais de dois mil anos Ciro, o
grande rei persa, procurava ter noção fiel de como se movimentavam os
milhares de meios patrimoniais que lhes eram trazidos pelos diversos
súditos, de diversas regiões, como efeito tributário e que os aplicava
nos suntuosos edifícios e jardins de sua Persépolis (que ele denominava
“paridaeza”, palavra persa da qual se derivou “paraíso”, dado o estado
de maravilha e suntuosidade que tais caprichos do famoso rei aplicava em
tais adornos).
Sempre foi importante saber como se comportou o capital , o que se
conseguiu com ele, o que se podia prever para a situação futura (as
previsões já eram feitas na Suméria e no Egito antigo e disto existe
prova arqueológica).
Centenas de anos antes de Cristo, na Índia, o livro de Kautylia
(pensador que para os indianos equivalia a um Aristóteles), o
Arthasastra (denominação dada aos manuais de conhecimentos gerais), já
ditava normas e teorizava sobre o comportamento da riqueza
individualizada (custos, revisões etc.).
Só no século XIX, todavia, o estudo da riqueza das empresas foi admitido
como um conhecimento científico especial e particularizado, atribuído à
Contabilidade.
A mais famosa casa de cultura do mundo em sua época, aquela que
consagrou Lavoisier (o pai da Química Moderna), Louis Pasteur (o pai da
Microbiologia), foi, também, a que em 1836 reconheceu que o estudo da
riqueza das empresas e instituições deveria ser algo tratado de forma
racional, admitindo, então, a ciência contábil como um ramo dos
conhecimentos sociais.
Daí por diante foram muitas as correntes de estudos que se dedicaram a
um estudo profundo dos fatos que envolviam as transformações
patrimoniais e que enfatizaram que a escrita era apenas um instrumento
para se ter memória das coisas acontecidas.
Assim, encontramos na obra de Francesco Villa, (La Contabilitá, edição
Monti, Milão, 1840), um sério destaque a essa circunstância mencionada,
ou seja, a de que a escrituração contábil não é a própria Contabilidade,
mas, sim, algo de que esta se vale para realizar estudos e cuja
importância é simplesmente a informativa.
De fato, todas as ciências utilizam-se de registros e todas podem neles
aplicar a forma da partida dobrada e que não é, senão, uma evidência de
causa e efeito de um fato considerado.
Francisco D`Áuria, um dos mais famosos intelectuais de nossa disciplina,
muito bem isso demonstrou (em seu livro Primeiros Princípios de
Contabilidade Pura, edição USP, São Paulo, 1949), na parte em que, nessa
obra, dedicou ao que denominou “Sistematografia”.
Segundo o que o emérito mestre deixou claro em sua obra, o critério que
nasceu em berço contábil, o das partidas dobradas, pode aplicar-se à
evidência de qualquer fenômeno da natureza ou de ação do homem, desde
que a preocupação seja a de se apresentar causa e efeito (essa a origem
do Balanço Social, Balanço Nacional, Balanço Cambial etc.).
A forma verdadeira, pois, de estudar, com proveito, a riqueza, é aquela
que as doutrinas nos indicaram através das escolas científicas, pois, a
escrituração é mero instrumento, útil a qualquer ramo de conhecimento,
sem privacidade, portanto, desde que isso seja o desejável.
Hoje, as teorias da Contabilidade Superior são as que nos ensejam a
produção de modelos de comportamentos da riqueza, esses que podem levar
as empresas à prosperidade, que se ocupam com a essência do que sucede e
não com a evidência formal do sucedido.
É através do estudo lógico das relações que geram o fenômeno
patrimonial, do julgamento, da análise das causas motoras que se pode
construir modelos que conduzem a plena e constante satisfação das
necessidades, ou seja, à prosperidade da “célula social”.
E não há dúvida, quando a prosperidade patrimonial atinge a todas as
células sociais, a nação se torna próspera e quando isto ocorre em todos
os países, o bem estar global se materializa.
Tal raciocínio de índole cartesiana, ou seja, aquele que nos acena que
pelas partes é que se chega ao todo, foi o que a nova doutrina
científica, a mais recente, a do “Neopatrimonialismo contábil contábil”,
adotou como um axioma de finalidade universal.
Ou seja, a verdade mencionada é a que representa o zênite da teoria
neopatrimonialista contábil, esta que se ergue apoiada em muitos outros
axiomas e teoremas.
Aos Contadores compete a grande tarefa de ajudar o equilíbrio das Nações
e cooperar, através da ação profissional, para o bem estar geral, pois,
eles estão presentes em todas as empresas e em todas as instituições.
FUNDAMENTOS E EVOLUÇÃO DO NEOPATRIMONIALISMO CONTÁBIL
O Neopatrimonialismo contábil é uma nova corrente científica da
Contabilidade que se preocupou especialmente em estabelecer um método de
raciocínio para o entendimento sobre o que sucede com a riqueza
patrimonial das empresas e das instituições de fins ideais.
Para tanto, estabeleceu uma Teoria Geral, ou seja, uma ordem de
conhecimentos que permitiu ser a matriz de todos os demais na área
especifica do conhecimento da riqueza das “células sociais” (estas
admitidas como empresas e instituições de fins ideais).
Buscou, pois, “relações lógicas” sob as quais a riqueza se movimenta e o
que deflui disto como transformações, ou seja, procurou compreender o
porque das modificações operadas, estas que são realidades que se
espelham em anotações que os registros oferecem.
Não se perdeu em formalidades relativas a aspectos ditos “práticos”,
mas, sim, abriu oportunidades para que estes pudessem posteriormente ser
mais claramente entendidos, explicados, interpretados e oferecessem
modelos de comportamentos, a partir do conhecimento das causas dos
fenômenos (como fazem as demais ciências).
Registrar e demonstrar foram considerados no Neopatrimonialismo contábil
como meros instrumentos para ensejar estudos, logo, de importância
apenas auxiliar; refutou a tese de que pudesse se erguer teoria sobre
instrumentos, como se estes fossem os objetos principais, ou ainda,
apoiou-se no que já no início do século XIX era motivo de advertência
por parte dos mais insignes intelectuais da Contabilidade.
Para tanto, inicialmente, construiu axiomas e teoremas (como verdades e
proposições sobre estas), partindo das seguintes realidades:
1. A necessidade humana gera uma finalidade para conseguir meios
patrimoniais que visem a suprir o que se precisa;
2. Os meios patrimoniais constituem uma substância ou riqueza
(patrimônio) das “células sociais” (empresas e instituições);
3. A riqueza não se move por si mesma, necessitando de agentes motores
para isto e estes se encontram dentro (administradores, executores etc.)
e fora das “células sociais” (natureza, sociedade, mercado, tecnologias
etc.);
4. Ao se movimentar a riqueza se transforma;
5. Toda movimentação enseja o exercício de uma função (uso dos meios
patrimoniais);
6. A função é, pois, a decorrência do uso ou movimento do meio
patrimonial através da ação de um agente motor interno ou externo;
7. Quando a função anula a necessidade, pelo movimento, produz a
eficácia (consegue-se o que se deseja);
8. Existem funções definidas com finalidades específicas, estas
constituindo sistemas que agem todos ao mesmo tempo e de forma autônoma,
em interação, constituindo, assim, um universo patrimonial em movimento.
Logo, existem grupos de relações ou acontecimentos que de forma lógica
permitem a análise ou estudo do fenômeno patrimonial e também sistemas
que reúnem funções específicas.
Assim, a doutrina neopatrimonialista contábil organizou as bases de sua
doutrina e que hoje já possui vasta literatura fruto de intensa
pesquisa, prosseguindo as investigações que em curso se realizam (basta
analisar a bibliografia deste trabalho para identificar diversos dos
trabalhos editados).
GRUPOS DE RELAÇÕES QUE DETERMINAM O FENÔMENO PATRIMONIAL
Tudo o que acontece com o patrimônio advém da participação de fatores
materiais e imateriais, e, estas, para que se possa bem entender as
propriedades dos fatos, a doutrina neopatrimonialista contábil as reuniu
por naturezas, em três grandes grupos de relações: essenciais,
dimensionais e ambientais ou dos entornos agentes.
As essenciais são as que em realidade representam o embrião ou origem do
acontecimento; as dimensionais as que oferecem o julgamento do sucedido;
as ambientais as que evidenciam as forças agentes motoras ou que
acionaram os movimentos produtores das ocorrências.
Em verdade, antes que a riqueza se materialize ela, por índole, vive na
mente humana ou deflui de fato a esta ligada, mas, tudo subordinado a
muitas circunstâncias que criam limites e geram aspectos passíveis de
observação.
Essa a razão de se considerar a necessidade como o ponto de partida,
segundo no século XIX, já o concebia Giovanni Rossi (em sua magistral
obra L’ente economico-amministrativo, vols I e II, edição Stabilimento
Tipo-Litografico degli Artigianelli, Regio dell’Emilia, 1882).
Aquilo que se precisa conseguir, como um nadir perante o cosmos
patrimonial – é o ponto alicerçador, aquele que justifica a própria
existência da riqueza, mas, embora sentido, reconhecido, nem sempre pode
ser alcançado tal como o desejável.
Há um limite ideal, pois, e um real.
O ideal representa o que deveras é o desejável e o real aquele que pode
ser conseguido, sem que provoque distorções.
Essa a razão pela qual é preciso traçar a finalidade como uma racional
possibilidade de atender a necessidade.
A seqüência necessidade, finalidade, meio patrimonial e função forma
aquela que a mente humana, dentro da organização que habita (e que é a
célula social), constitui o conjunto de relações lógicas essenciais.
Para considerar todo esse fluxo, ter noção de como deveras se efetiva a
movimentação patrimonial, julgar o acontecimento, outras relações se
consideraram como as de causa, efeito, qualidade, quantidade, tempo e
espaço.
Finalmente, como fator agente que move o patrimônio, externo a ele, como
relação que gera a transformação, se admitiu o entorno ou ambientes (que
não se confunde com o nome ambiental tal como hoje se usa de forma
restritiva só para efeitos da natureza).
Nessas relações ambientais se consideraram as endógenas (administração
da célula, pessoal) e as exógenas (natureza, sociedade, mercado etc.).
A doutrina neopatrimonialista contábil, sobre tais relações, ergueu um
expressivo número de proposições lógicas, criando uma Teoria Geral.
O que deveras existe de novo no Neopatrimonialismo contábil é essa forma
de disciplinar os estudos, as observações, os raciocínios, levando para
o campo do holístico.
O RECONHECIMENTO DOS SISTEMAS DE FUNÇÕES PATRIMONIAIS
A partir desses raciocínios é também possível perceber que as funções se
grupam em sistemas e é nesse particular que mais se apurou o estudo
neopatrimonialista contábil.
Procurou reconhecer que não é o elemento ou meio patrimonial em si, mas,
a função que ele desempenha é que importa para conhecer o comportamento
da riqueza.
Já afirmava Aristóteles (em sua obra A Política) que as coisas possuem
“várias funções”, ou seja, existem utilidades várias para uma mesma
matéria, perfeitamente identificáveis.
A doutrina contabilística, desenvolvida a partir do século XIX, já
evidenciava com clareza toda essa importância “funcional” do patrimônio
e toda ela, dentro da ótica holística, foi aproveitada, no adequável,
dentro da doutrina Neopatrimonialista contábil.
É evidente que, por exemplo, um mesmo estoque de mercadorias que serve
para obter lucro (resultabilidade) também vai oferecer meios de
pagamentos e servirá para pagar (liquidez), como precisará ter um limite
conveniente para não impedir o livre fluxo de outros elementos do
patrimônio, e, assim, servir a função de equilíbrio (estabilidade) e de
plena vitalidade (economicidade).
Ao estabelecer as relações lógicas, ao admitir os sistemas, ao
reconhecer que estes vivem em interação, se procurou conhecer sob que
condições poderiam ser feitos enunciados lógicos, pois, não existem
teorias sem teoremas.
Quando os primeiros estudos foram desenvolvidos para dar origem às
doutrinas do Neopatrimonialismo contábil foram identificados sete
sistemas de funções patrimoniais: liquidez, resultabilidade,
estabilidade, economicidade, produtividade, invulnerabilidade e
elasticidade.
Com a evolução constante dessa novel corrente científica, admitiu mais
um sistema dentro do universo patrimonial, ou seja, um oitavo e que foi
o da socialidade, enfocando as necessidades da célula para com o
organismo social no qual se insere.
CONTRIBUIÇÃO DA DOUTRINA NEOPATRIMONIALISTA CONTÁBIL
O Neopatrimonialismo contábil partiu das premissas estabelecidas pelas
escolas contábeis latinas, basicamente, e, também, de escritos de uns
poucos anglo-saxões (dos que não se contaminaram pelos vícios das
normatizações), adotando o que melhor se adaptou a uma nova filosofia de
pensamento contábil, coerente com as mudanças operadas a partir da
segunda metade do século XX.
Pouco foi o aproveitado dos autores estadunidenses e ingleses, em razão
da escassa contribuição que os mesmos ofereceram ao campo científico da
Contabilidade; tão débil que não chegou em nossa História a registrar
verdadeiras correntes de pensamentos.
Respeitando as conquistas válidas, todavia, o Neopatrimonialismo
contábil disciplinou seus princípios a partir de uma diretriz própria e
inovadora, de forte conteúdo epistemológico, com método próprio.
Reconheceu como ponto de partida, entretanto, o que Vincenzo Masi
fundamentou em sua doutrina, ou seja, de que tudo o que acontece com a
riqueza das empresas e das instituições é um fenômeno patrimonial e
aceitou a quase totalidade das concepções de dinâmica e funcionalidade,
especialmente as de Giovanni Rossi, Alberto Ceccherelli, Gino Zappa,
Pietro Onida, Egídio Giannessi, Joseph Dumarchey e Eugênio Schmalenbach.
Acolheu grande parte das teorias de Ricardo Mattessich, Moisés Garcia
Garcia e José Maria Requena Rodriguez, em suas teses quantitativas e
circulatórias, por reconhecer que eram esforços no sentido de buscar
visões de maior amplitude.
Sustentou, pois, que os fatos patrimoniais, em suas diversas dimensões e
dentro de seus ambientes, são os que interessam como matéria de estudo
contábil, para que se possa conhecer a realidade da influência dos
mesmos sobre as necessidades.
O patrimonialismo de Masi, sem dúvida, foi um ponto de partida como
estrutura científica.
A contribuição de outros intelectuais de muito valor, também foi
absorvida, sem preconceitos de escolas de pensamentos.
Finalmente, a imposição derivada das modificações diversas ocorridas nos
mercados, na sociedade, na ciência, na ética, todo este conjunto foi o
que conduziu também a uma nova ótica.
Todo esse conjunto de fatores cooperou para que pudesse nascer uma nova
doutrina, coerente com a nossa época, que é o Neopatrimonialismo
contábil.
Valeu-se, esta nova corrente, também, da observação de estudos empíricos
realizados no século passado e que sugeriram, inclusive, desdobramentos
do conhecimento contábil como os relativos às ditas Contabilidade
Ambiental, Contabilidade do Capital Intelectual, Contabilidade Social,
Contabilidade Estratégica etc.
O empirismo é fonte que leva, muitas vezes a concepções outras e pode
ser absorvido para beneficiar-se com o método científico e produzir
doutrinas de substância, sem desprezá-lo, mas, revestindo o pragmático
com a ótica universalista.
O Neopatrimonialismo contábil, como corrente cientifica, só nasceu na
década de 90 do século XX, baseado na Teoria Geral do Conhecimento
Contábil (editada em 1992), mas resultou de pesquisas e reflexões
realizadas desde as décadas de 70 e 80 (estas expostas pela primeira vez
na Universidade de Sevilha em 1987).
O que de novo trouxe a nova doutrina científica foi exatamente uma
metodologia, apoiada por uma mentalidade disciplinadora, envolvida por
rigores epistemológicos.
A metodologia do Neopatrimonialismo contábil aplicou-se na direção de
classificar e reconhecer especialmente as relações lógicas que
determinam a essência do fenômeno patrimonial, as das dimensões
ocorridas e, dando ênfase, especialmente, “ao porque ocorrem os fatos”,
ou seja, qual a verdadeira influência dos fatores que produzem a
transformação da riqueza (e que são os dos ambientes internos e os
externos que envolvem os meios patrimoniais).
Adotando a filosofia dos sistemas entendeu esta nova corrente do
pensamento contábil que impossível se torna estabelecer modelos de
soluções para a movimentação racional da riqueza se estes não se
inspirarem no conhecimento das funções patrimoniais (para que serve cada
componente da riqueza e a quem serve), quer estas em si, quer em relação
aos sistemas destas, quer aos das correlações destes com os entornos.
As transformações funcionais, portanto, passaram a ser reconhecidas:
1) em cada operação,
2) nos sistemas de operações,
3) nos campos de sistemas,
4) nas interações sistemáticas e
5) nas suas ligações com os agentes transformadores (administração,
pessoal, sociedade humana, mercados, natureza, ciências, tecnologias,
políticas etc.).
A visão, embora holística, portanto, não deixou de considerar a célula
social (empresas e instituições de fins ideais) como um complexo
isolado, como objeto de observação e nem cada fenômeno patrimonial em
si, como uma unidade.
Como nos afirmou em correspondência particular, em 18 de agosto de 2003,
o emérito prof. Valério Nepomuceno: “O neopatrimonialismo contábil é
conseqüência dos estudos empreendidos por brasileiros e para os latinos,
não desconsiderando, obviamente, aquilo que a doutrina já consagrou ao
longo da história.”
E, prosseguiu: “Sempre me lembro do ilustre Prof. Dr. Eduardo Scarano,
quando ele afirma que a Contabilidade, ao contrário das outras ciências
sociais, se perdeu em uma normatização sem precedente na história.”
“Imagine”, afirmou ele, “se os médicos, os engenheiros, resolvessem
normatizar a medicina, a engenharia, e criassem em torno disso
corporações fechadas para gerí-las.”
E, conclui, o prof. Nepomuceno : “Nesse sentido, o neopatrimonialismo
contábil resgata o caráter científico da contabilidade. Resgata o pensar
contábil, perdido há muito.”
A corrente neopatrimonialista contábil se apresenta hoje, na História da
Contabilidade, como a mais moderna e a maior de todas as organizadas e
ativas, com milhares de adeptos em vários continentes e uma produção
literária científica não só abundante, mas, de qualidade excepcional,
editada internacionalmente.
CARACTERES DISTINTIVOS DO NEOPATRIMONIALISMO CONTÁBIL
O que de específico trouxe a moderna corrente científica do
neopatrimonialismo contábil foi exatamente a visão ampla dos agentes
transformadores do patrimônio, partindo, para isto, da consagração da
“função” ou “exercício do patrimônio” como base.
Diferencia-se das demais correntes de pensamento cientifico contábil
porque:
1. Classifica os fatores que produzem o fenômeno patrimonial em três
grandes grupos específicos;
2. Grupa as funções em oito sistemas e lhes dá o tratamento metodológico
como tal;
3. Aprofunda-se no regime da autonomia, concomitância e interatividade
dos sistemas;
4. Estabelece axiomas que sustentam uma teoria geral do conhecimento
contábil, da qual devem ser derivadas todas as demais;
5. Enuncia proposições lógicas que apresentam as verdades sobre as
relações entre os fatores determinantes do fenômeno patrimonial;
6. Considera como finalidade fundamental a ótica da eficácia, esta como
satisfação plena da necessidade através da função dos meios
patrimoniais;
7. Admite o sentido de conexão da função patrimonial com os agentes
motores que produzem a transformação patrimonial e busca conhecer as
causas dos fenômenos;
8. Adota a visão holística da função da riqueza de modo que ela possa
ser percebida como algo a serviço de objetivos humanos e humanísticos;
9. Considera as unidades de empreendimentos humanos que em caráter
permanente buscam seus objetivos como “células sociais”, ou seja, como
algo integrado ao ambiente externo da sociedade;
10. Admite que o escopo deve ser o de tornar todas as células sociais
prósperas para que também, por decorrência, seja próspera a sociedade
humana.
Esses os pontos principais que as doutrinas do Neopatrimonialismo
contábil desenvolve e que se constitui hoje em uma literatura já
vigorosa e abundante.
Como toda matéria científica não se trata de algo concluído, pois, a
evolução é fator preponderante e que garante a própria vitalidade das
ciências.
A nova doutrina contábil, a do Neopatrimonialismo contábil, oferece uma metodologia que amplia as teorias tradicionais e traz inovações, sem, todavia, abandonar as conquistas realizadas por outras escolas de pensamentos. Como surgiu, como evolui, que diretrizes acena, são informações úteis que neste trabalho se oferece aos que se preocupam em atualizar os conhecimentos científicos em Contabilidade.
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