Cresce a nível mundial a preocupação com a riqueza das células
sociais em relação ao meio ambiente natural. Tanto é que se criou a
Contabilidade Ambiental algumas vezes chamada também Contabilidade dos
Recursos ou Contabilidade Econômica e Ambiental Integrada. Isso graças
ao apoio generoso da Fundação C. S. Mott, de Flint, Michigan, Estados
Unidos.
FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E O MEIO AMBIENTE
No início do século, Eugen Schmalenbach, expoente da doutrina
reditualista na Alemanha, manifestou em sua teoria dinâmica da riqueza a
preocupação com o social. Entendeu ele que a formação do rédito não
depende só da azienda, mas da influência do ambiente externo onde está
inserida.
Também Rudolf Dietrich, aziendalista-socialista da Alemanha, defendeu
que a azienda deveria estar a serviço da sociedade, produzindo,
empregando e fortalecendo o Estado. Mas para que isto ocorresse, dizia
que a comunidade também deveria contribuir para com o fortalecimento da
azienda.
E mais recente Lopes de Sá, em sua teoria das funções sistemáticas,
abriu caminho para uma estrutura de doutrina competente volvida ao
ambiental, com a preocupação básica da eficácia do fenômeno patrimonial
e a eficácia do fenômeno ambiental natural.
Lopes de Sá (1999) escreveu que: tal conciliação das duas eficácias, é
uma nova ótica que a doutrina contábil não havia ainda considerado até
há pouco tempo, mas, imprescindível para o desenvolvimento de uma
contabilidade aplicada ao meio ambiente.
Toda célula social tem uma função social e tem obrigação de não poluir o
ambiente natural onde ela está localizada (espacialidade). Poluindo está
prejudicando a comunidade e a natureza.
O patrimônio da célula social influência e é influenciada pelo meio
ambiente natural.
E sobre esta matéria ensinou Lopes de Sá (1999), parece-me axiomático
que o entorno ecológico transforma-se com o transformar da riqueza das
células sociais e a riqueza das células sociais se transforma com o
transformar do entorno ecológico”. Ou seja, portanto: “há uma inequívoca
interação transformadora entre o ambiente natural e o patrimônio das
células sociais. Ou ainda, que o patrimônio, quer o ambiente natural,
sujeitam-se às leis supremas da transformação e as de um regime de
inteiração.
Ainda ensinou Lopes de Sá (1999), o papel da empresa vai, cada vez mais,
transcendendo limites meramente privados e só esse caminho, realmente,
no próximo milênio, ensejará maior equilíbrio entre o capital e o humano
coletivo.
Não se pode anular o empreendimento individual, nem tirar-lhe o objetivo
do lucro, mas, é preciso que dele se exija o exercício de uma
consciência volvida para o ambiente que permite, inclusive, a existência
das atividades lucrativas.
A empresa deve contribuir, precisa investir em preservações ambientais,
mas, também, necessário se faz que os Poderes Públicos incentivam e
compreendam esta tendência. Tudo deve convergir para o objetivo maior e
que é o da sobrevivência da espécie humana sobre a terra.
ORIGEM E APLICAÇÕ DE RECURSOS NO MEIO AMBIENTE
Segundo Milton A. Walter (1978), os recursos financeiros necessários à
atividade econômica das empresas são originadas de fontes internas e
externas. As fontes externas abrangem todas as obrigações assumidas pela
empresa. Denomina-se Passivo Exigível. As fontes internas correspondem
ao capital acumulado dos proprietários da empresa. São conhecidos por
Capital Próprio ou Patrimônio Líquido.
Os recursos procedentes de fontes internas e externas são aplicados em
bens e direitos que compõem o Ativo.
A empresa deve gerar recursos para investir na recuperação daquilo que
ela utilizou da natureza.
Há empresa que polui e destrói mais a natureza que outras.
A que mais polui deve pagar mais a que menos polui deve pagar menos.
Isto é óbvio.
Um fábrica de papel precisa de madeira e deve aplicar recursos em
reflorestamento. Uma indústria de cimento deve ter recursos para
investir em chaminés despoluentes. Um posto de gasolina que faz lavagens
de carros, troca de óleo etc., deve construir açudes de decantação para
evitar a poluição de derivados de petróleo nos riachos, rios etc. A
empresa deve criar contas que geram recursos. Esses recursos devem ser
aplicados na recuperação da natureza. Deve-se criar modelo eficaz de
harmonia entre o patrimônio da empresa, o social e a natureza.
LUCRO E O MEIO AMBIENTE
Objetivo básico da empresa é a geração de lucro. Esse foi o pensamento
de algumas escolas da contabilidade.
Na doutrina Reditualista, Eugen Schmalembach deu prioridade ao rédito
mais que ao patrimônio. Entendeu ele que o sucesso ou insucesso da
empresa depende dos lucros que ela possa gerar ou não.
Afirmava ele que a conta Lucros e Perdas é que era essencial e que
determinava o conteúdo do Balanço.
Fredrich Leitner pregava a maximinização do lucro como objeto de
estudos. Também defendia a compra ao mais baixo preço e a venda ao mais
alto preço possível.
Zappa, do azendalismo, também, atribuiu extrema importância ao rédito.
Mas de uma forma peculiar.
Admite que não só o capital é fonte de rédito: sobrepõe-se a ele a
inteligência diretiva e o montante de forças, aptas a cumprirem o
trabalho por meio do qual a autoridade eminente consegue a
materialização dos fins que justificam a própria existência da azienda.
(Ver mais detalhes em História Geral e das Doutrinas da Contabilidade do
Prof. Lopes de Sá)
Segundo Lopes de Sá, o rédito é um fenômeno que provém da ação humana,
da natureza, do capital, pois muitos são os fatos endógenos e exógenos
que influem sobre o capital é inequívoco, mas para o patrimonialismo ele
é um fenômeno do capital.
Ainda diz, o fenômeno do rédito acontece quando o capital (aqui
entendido como todo o patrimônio da empresa), volvido à obtenção da
finalidade lucrativa, varia, por efeito de sua movimentação em
decorrência da atividade desenvolvida para a utilização do mesmo”.
(1998, p.205)
A empresa pode ter lucros e gerar desemprego, poluir o ambiente etc.
Segundo Kroetz (1999), podemos ter um balanço patrimonial que apresente
elevados resultados, mas que comparado como o balanço social demonstre
atitudes negativas por parte da empresa, as quais mascaram o lucro
auferido, ou seja, pode uma industria ter lucro contábil, mas a forma de
geração do resultado é altamente prejudicial ao meio ambiente.
Outra empresa pode ter prejuízo mas ter um excelente desempenho social
com o pessoal, investindo em qualidade de vida de seus funcionários, na
capacitação funcional, na contribuição de instituições não lucrativas
que beneficiam a comunidade, na preservação do meio ambiente natural
etc.
É relevante a observação e analise destes fatos.
A partir daí questiona-se sobre a conceituação do lucro (resultado ou
resultabilidade). Pois passa a ser relativo quando feito comparações com
modelos de gestão.
O uso do capital não pode prejudicar a vida das pessoas, dos seres, da
natureza, enfim nem no presente nem no futuro.
E sobre isto ensina Lopes de Sá (1999), estamos diante de um processo de
degradação dos níveis de vida naturais que podem, em breve tempo,
inviabilizar a existência do homem sobre a terra, se prosseguirem as
agressões ambientais.
Ainda, segundo Boff (1999), cuidado todo especial merece nosso planeta
Terra. Temos unicamente ele para viver e morar. É um sistema de sistemas
e superorganismo de complexo equilíbrio, urdido ao logo de milhões e
milhões de anos. Por causa do assalto predador do processo
industrialista dos últimos séculos esse equilíbrio está prestes a
romper-se em cadeia.
Desde o começo da industrialização, no século XVIII, a população
mundial cresceu 8 vezes, consumindo mais e mais recursos naturais;
somente a produção, baseada na exploração da natureza, cresceu mais de
cem vezes. O agravamento deste quadro com a mundialização do acelerado
processo produtivo faz aumentar a ameaça e, conseqüentemente, a
necessidade de um cuidado especial com o futuro da Terra.
O uso inadequado dos recursos naturais vem prejudicando seriamente o
equilíbrio da natureza. Há uma séria ameaça de contaminação da água a
nível mundial. Há sérias ameaças de extinção de várias espécies de
arvores, de animais, de peixes, de aves, inclusive do tubarão. Cada
empresa tem o dever de procurar modelos de eficácia na aplicação de seus
recursos sem prejudicar o meio ambiente. Urgente se faz em reverter este
quadro de destruição pelo uso inadequado dos recursos naturais. É
importante a coscientização a nível mundial, da necessidade urgente do
cuidado com o planeta terra. É nossa casa. Esta precisa de uma
reorganização.
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DO MEIO AMBIENTE NATURAL
Cresce a importância das auditorias nas grandes células sociais para
avaliar os custos ambientais presentes e futuros. Cresce a importância
da Contabilidade Social e Ambiental. Crescem os investimentos das
células sociais na recuperação e preservação ambiental. O Ativo e o
passivo ambiental não podem ser mais ignorados.
Conforme a professora de economia da UFRJ, Dália Maimon (1999), o
passivo ambiental é avaliado mediante auditoria especializada nas
unidades produtivas da empresa, identificado as não conformidade com os
requisitos legais e com sua política ambiental. Em seguida, faz-se a
avaliação da área contaminada para que finalmente as soluções sejam
valorizadas monetariamente.
Ainda segundo Maimon, as três principais categorias de custos que compõe
o passivo ambiental são: (1) Multas, taxas e impostos a serem pagos face
a inobservância de requisitos legais; (2) Custos de implantação de
procedimentos e tecnologias que possibilitam o atendimento às não
conformidades; (3) Dispêndios necessários à recuperação da área
degradada e indenização à população afetada.
Segundo Pedro Pereira Guedes, mestre em Agronegócios: “Este conjunto de
mensurações torna complicada a avaliação da degradação ambiental face a
dificuldade de estipular critérios objetivos de análise, como na
determinação dos efeitos da poluição atmosférica e hídrica causada pela
empresa”.
Para contornar o problema, sugere Guedes, “a criação de indicadores
regionais e setoriais de desempenho ambiental que auxiliam no cálculo do
custo ambiental”.
É complexa a criação de critérios de avaliação da poluição ambiental,
mas necessária. Cada município deve criar seus critérios de avaliação
dos danos à natureza pela empresa.
Avaliar a poluição da atmosfera feita por uma empresa é difícil. Como
avaliar essa poluição? Qual o critério a ser adotado? E na poluição
hídrica? Na contaminação ambiental por vazamento de energia nuclear? Na
contaminação dos rios por venenos aplicados na agricultura? Na
contaminação da água potável? Na origem de doenças geradas por poluição
ambiental?
EXAUSTÃO DE RECURSOS NATURAIS
Segundo Gouveia (1976), o método para calcular a exaustão de recursos
minerais ou florestais é idêntica ao método de depreciação pela
estimativa de produção. Consiste em obter o valor da exaustão por
unidade, e multiplica-lo pela quantidade extraída em cada ano, até a
exaustão total dos recursos. A vida útil, no caso de recursos minerais e
florestais, é determinado pela estimativa de unidades de produção que
serão extraídos dessas fontes. Exemplificando, suponhamos uma jazida do
minério Z adquirida por $ 100.000,00, sendo estimada sua capacidade em
800.000 toneladas (vida útil). O valor de exaustão de cada tonelada
será:
$ 100.000 = $ 0,125 por tonelada
800.000 t
Supondo que no primeiro ano sejam extraídas 200.000 toneladas de
minério, o valor da exaustão desse ano seria de $ 25.000 (200.000 t x $
0,125). Sendo extraídas 120.000 toneladas no segundo ano, a exaustão
será de $ 15.000. Quando a jazida estiver completamente esgotada, o
valor da exaustão total corresponderá ao custo histórico da jazida.
A exaustão dos recursos naturais vai prejudicar o meio ambiente como
também a empresa que faz uso destes recursos como matéria prima.
Com a escassez de matéria-prima utilizada pela empresa ela gerará ineficácia por não satisfazer suas necessidades e também, como isto, gerará ineficácia no meio ambiente por exaurir os recursos naturais. Uma empresa de celulose que não gerar recursos para reflorestamento chegará um ponto que não haverá mais arvores para ser utilizada como matéria prima. Uma fábrica de palitos que não repuser as árvores cortadas, terá sua produção seriamente afetada, gerando ineficácia patrimonial como também ineficácia ambiental.
A indústria do pescado deve fazer com que não haja desequilíbrio na
reprodução dos peixes, caso contrário, terá ineficácia dos meios
patrimoniais. O progresso que todos desejam deve ser feito com uso
racional do meio ambiente natural, devolvendo-lhe aquilo que lhe for
tirado.
CONCLUSÃO
A contabilidade, segundo Fayol (1970), o órgão de visão das empresas.
Deve revelar, a qualquer momento, a posição e o rumo do negócio. Deve
dar informações exatas, claras e precisas sobre a situação econômica da
empresa.
A contabilidade não pode ficar fechada a escrituração e mensurações
quantitativas do patrimônio da empresa. Ela deve estar aberta á evolução
tecnológica e às mudanças rápidas do mundo moderno. Estar presente na
luta pela preservação ambiental natural, criando modelos contábeis
eficazes e orientado o empresário na aplicação destes modelos para
satisfazer as necessidades da riqueza da empresa com eficácia e, também,
satisfazer com eficácia as necessidades do meio ambiente natural.
Também, ensina Lopes de Sá (1999), pouco adianta, para fins humanos, que
estejamos a apenas demonstrar que se investiu tanto ou quanto na solução
de problemas ecológicos ou em interesses sociais, se não conhecemos,
pela reflexão, as bases lógicas de uma interação entre a célula e os
seus entornos , entre a empresa e o meio em que vive., entre a
instituição e a sociedade.
Esta interação é uma preocupação do Neopatrimonialismo, que tem uma
visão holística e será a contabilidade do terceiro milênio.
Contador Membro da Academia Brasileira de Ciências Contábeis Membro da ACIN - Associação Científica Internacional Neopatrimonialista Membro da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo
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