As organizações em nosso tempo

Na sociedade moderna em que vivemos, quase todo o processo produtivo é realizado através de organizações. O homem moderno passa a maior parte de seu tempo em organizações, das quais depende para nascer, viver, aprender, trabalhar, ganhar seu salário, curar suas doenças, obter todos os produtos e serviços de que necessita. Mas por que temos organizações? Porque são mais eficientes do que indivíduos agindo independentemente.

Há uma diferença fundamental entre as organizações criadas com o fim específico de otimizar meios para cumprir uma tarefa ou realizar objetivos, chamadas organizações instrumentais, e os sistemas organizacionais que encarnam padrões sociais relevantes para a sociedade, chamadas organizações instituicionalizadas, ou simplesmente instituições. A maioria das empresas se enquadra no primeiro grupo enquanto as grandes corporações, órgãos públicos, hospitais e universidades fazem parte do segundo.

(Ex: A Universidade, a ONU, a IBM, o McDonald’s, o DCE, a Igreja, os Sindicatos, as Organizações Virtuais).

As decisões nas organizações instrumentais, empresas privadas, são voltadas para a divisão racional e econômica do trabalho e a fluência das estruturas como forma de incremento à produtividade e o controle. Nelas os relacionamentos são impessoais e as lealdades desejáveis, desde que sejam organizadas e facilitem a tomada de decisão da autoridade. A cooperação é consciente, deliberada e dirigida para os fins propostos. Há o desenvolvimento de uma deliberada flexibilidade para atender as demandas ambientais.

As instituições por sua vez, são organizações que incorporam normas e valores considerados valiosos para seus membros e para a sociedade. São produto de necessidades e pressões sociais valorizadas pelos seus membros e pelo ambiente, preocupados não apenas com lucros ou resultados, mas com a sua sobrevivência e perenidade. São guiadas pelo senso de missão. Nas Instituições as forças e pressões sociais atuam como vetores que moldam o comportamento das pessoas. Procuram ser eternas e procuram formas de evitar sua extinção, por meio de uma espécie de fusão de interesses individuais com os objetivos institucionais. “As instituições são como úteros: protegem as pessoas, mas tolhem a sua mobilidade além dos limites previstos”( Pereira e Fonseca). Nesse sentido as instituições despersonalizam, manipulam e dirigem o comportamento de seus membros.

As instituições possuem características próprias que as diferenciam das organizações instrumentais e que tranparecem nas seguintes variáveis:

1. A dimensão temporal ou história da instituição: Conforme Salznick (1972), citado por Pereira, “estudar uma instituição é prestar atenção à sua história e lembrar como ela foi influenciada pelo meio social”.

2. O papel e a dimensão da liderança: Selznick identifica três compromissos da liderança institucional : (1) a definição de missão e do papel da instituição- a decodificação da missão em objetivos claros e realísticos; (2) a encarnação institucional da finalidade-os dirigentes de uma instituição não são livres para administrá-la baseados em sua própria vontade; (3) defesa da integridade institucional- os líderes institucionais protegem os valores e a integridade institucional acima de seus próprios valores e de sua própria identidade, dão exemplos de confiança e persistência aos subordinados.

3. A imagem e a valorização externa: pode ser identificada por meio de evidências de suporte dado a ela pelos seus clientes e pelas outras organizações com as quais se relaciona.

4. O comprometimento interno: o compartilhamento de uma filosofia entre os membros e a liderança faz com que as pessoas se sintam bem e orgulhosos fazendo seu trabalho.

5. A autonomia para estabelecer programas e alocar recursos:

6. As funções e objetivos que moldam a estrutura e a forma institucional: O impulso de sobrevivência faz com que as instituições procurem expandir cada vez mais suas fronteiras, extrapolando muitas vezes sua função original, mas é a relevância da função que garante a sua legitimidade institucional.

7. O ambiente institucional: existem duas dimensões distintas, o ambiente operacional (órgãos públicos relevantes que se relacionam com a instituição para apoiá-la ou para competir com ela), o ambiente geral (transações com o ambiente)

Diferenças entre organização e instituição

ORGANIZAÇÃO                                                        INSTITUIÇÃO
Sistema sociotécnico destinado a  otimizar meios para alcançar objetivosSistema organizacional com funções sociais consideradas relevantes pela sociedade e pelos seus membros
Organizações (lucrativas ou não lucrativas) baseadas na divisão racional e econômica do trabalho.Organização infundida de valor intrínseco( mistica, identidade, caráter).
Instrumento perecível e descartável, voltado para a realização de tarefas, otimização de meios e uso racional de  tecnologias ,destinadas ao alcance de metas estabelecidas.Organismo vivo, perene, adaptável, receptivo, produto de pressões e necessidades sociais relevantes.

A estrutura informal, baseada em ligações interpessoais, é tão forte que frequentemente sobrepuja os aspectos formais. Mas a diferença fundamental entre organização e instituição é sua organicidade. Isto significa que elas se comportam como um organismo vivo, que nasce, cresce, amadurece, reproduz, envelhece e morre; têm sua história e identidade própria e são capazes de inovar e transmitir idéias e valores a outras organizações. Enquanto a organização instrumental necessita de gerente para fazer com que seus objetivo sejam cumpridos, as instituições precisam de líderes que lhes garantam a sobrevivência. Os gerentes tomam decisões racionais, planejam, coordenam, controlam ações e resultados, são ocupados, disciplinados e enfrentam os desafios da competição, produzindo o máximo com menor esforço e custo. Os líderes institucionais costumam ser idealistas, figuras intuitivas que usam o tempo na busca de um ideal e desafiam ordens na perseguição de seus valores.

Nos regimes democrático, a população que vota e paga impostos é a mesma que recebe a prestação de serviços públicos. Ela é ao mesmo tempo acionista e usuária.

Os agentes intermediários entre o povo e o governo são os órgãos públicos, que são os instrumentos da ação governamental. As instituições públicas classificam-se em:

  •  Órgãos da administração direta (responsáveis pela execução das funções essenciais do governo);
  •  Órgãos da administração indireta ( responsáveis pela execução de políticas supletivas, específicas ou conjunturais).

As instituições públicas não são empresas. As decisões estratégicas tomadas pelos órgãos públicos são baseadas em ideologias e valores. São decisões únicas, variam de organização para organização e contêm diferenças fundamentais:

  •  Nos sistemas de valores e julgamentos administrativos que adotam
  •  Nas pressões politicas que recebem
  •  Nas habilidades decisórias de seus dirigentes
  •  Nos recursos de que dispõem
  •  Na competência técnica e motivação de seus servidores

O processo de identificação de missão e objetivos nas organizações públicas é muito mais difícil do que nas empresas privadas, porque envolve valores sociais e opções de desenvolvimento que afetam toda a sociedade. Outras formas modernas e necessárias de gerenciar as organizações públicas são os contratos de gestão e a terceirização. Esses instrumentos funcionam bem quando proporcionam agilidade decisória e flexibilidade à ação gerencial e podem constituir uma estratégia de atendimento a demandas específicas, sem inchar desnecessariamente a máquina pública. A par disso a administração deve monitorar os contratos ,evitar a influência politica, o protecionismo e a manipulação desonesta de concorrências e distribuição de contratos.

É notável a evolução de um tipo de organização que vêm para suprir a complexidade do publico e objetividade do privado, o terceiro setor. Uma definição mais específica de terceiro setor é encontrada em Salamon & Anheier (1996), e diz que o terceiro setor abrange uma gama de organizações com as seguintes características em comum: são formalmente constituídas, são organizações separadas do governo, não visam lucro, são autogovernadas, o voluntariado tem uma participação significativa. “Um terceiro setor não lucrativo e não governamental coexiste hoje no interior de cada sociedade com o setor público estatal e com o setor privado empresarial” (Fernandes, 1994). Ele é o campo de organizações onde existem as iniciativas filantrópicas, altruísticas e políticas com margem de liberdade de ação para que se possa tirar proveito de toda a ação grupal consciente comprometida com o coletivo, implicando em mudanças culturais, no modo de agir e de pensar de pessoas.

E, por fim, aparecem as organizações virtuais que são também chamadas de organizações em rede ou modular. Tem estrutura altamente centralizada com pouca ou nenhuma departamentalização e grande recurso à terceirização para muita das principais funções. Essas organizações criam rede de relações que lhes permitem terceirizar a fabricação. As despesas burocráticas são minimizadas e não há nada intrinsecamente rígido. O protótipo da estrutura virtual é a organização atual da indústria cinematografica. A enorme estrutura verticalizada de Hollywood, deu lugar a inúmeras empresas pequenas, que projeto a projeto fazem os filmes. Esta forma estrutural permite que cada projeto disponha de pessoal com talento mais adequado a atender suas demandas. Ela minimiza despesas burocráticas e reduz os riscos de longo prazo porque não existe longo prazo, concluido o projeto a equipe é desmontada.

Bibliografia:

* Pereira, Maria José Lara de Bretas e Fonseca, João Gabriel Marques. Faces da Decisão: As mudanças de Paradigmas e o Poder da Decisão. São Paulo: Makroon Books, 1997.

* Koontz, Harold & O’donnell, Cyril. Administração: Organização Planejamento e Controle. São Paulo: Pioneira, 1986.

* Robbins, Stephen P.. Administração: Mudanças e Perspectivas. São Paulo: Saraiva, 2000.

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Guarda Canterle Nilsa María. (2003, abril 11). As organizações em nosso tempo. Recuperado de http://www.gestiopolis.com/as-organizacoes-em-nosso-tempo/
Guarda Canterle, Nilsa María. "As organizações em nosso tempo". GestioPolis. 11 abril 2003. Web. <http://www.gestiopolis.com/as-organizacoes-em-nosso-tempo/>.
Guarda Canterle, Nilsa María. "As organizações em nosso tempo". GestioPolis. abril 11, 2003. Consultado el 25 de Abril de 2015. http://www.gestiopolis.com/as-organizacoes-em-nosso-tempo/.
Guarda Canterle, Nilsa María. As organizações em nosso tempo [en línea]. <http://www.gestiopolis.com/as-organizacoes-em-nosso-tempo/> [Citado el 25 de Abril de 2015].
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