Nova tipologia de Estratégia: Neutralidade

Autor: Gilberto Gomes Guedes

Estrategia y dirección estratégica

05-05-2011

O entendimento da estratégia como conceito e sua aceitação depende da percepção do mistério que a circunda.

A estratégia existe enquanto pensamento. A sua formalização à transforma em plano.
É também um processo consciente da escolha de um caminho para o alcance daquilo que se almeja e, que de alguma maneira, vai de encontro às necessidades de superação de desafios.

Se a estratégia for imaginada somente como ferramenta dos vencedores a sua interpretação estará equivocada. Se por outro lado, visualizarmos a estratégia como um dom inato, coisa de alguns seres superiores, também não estaremos entendendo-a na sua integra. A utilização da estratégia depende muito mais de um momento de equilíbrio emocional do que um determinado tipo de sabedoria, dessas que vem muito bem apresentadas, em qualquer livro de auto-ajuda.

A estratégia é inversamente proporcional a qualquer ação racional, pois a previsibilidade da ação racional dispensa todo e qualquer pensamento estratégico, sem dizer que elimina toda e qualquer possibilidade da utilização da variável risco que é inerente a necessidade da utilização da estratégia.

A utilização do pensamento estratégico também independe da idade ou de qualquer tipo de experiência que a pessoa possua.

Estratégia é decisão, é escolha e é sempre tratada inicialmente no nosso cérebro. Quando é posta no papel, vira planejamento, quando implementada, deixa de ter valor e conseqüentemente, deixa de existir.

As pessoas podem utilizar uma estratégia extremamente coerente para a situação e obterem um redondo fracasso ou então, utilizar o caminho contrário e chegar ao sucesso.

A estratégia, através de um processo sistematizado de resultados, se apresenta como uma forma de levar as pessoas a se preocuparem com o futuro.

Para melhor aproveitarmos as estratégias, devemos desenvolver o que pode ser conhecido como atitude estratégica. É a maneira como a pessoa se porta diante do ambiente no qual está inserido.

Se focarmos as organizações como ambiente onde se praticam as estratégias, veremos que tudo parte da escolha das mesmas. Os líderes devem assegurar que as estratégias não só sejam bem escolhidas como também, sejam executadas por todos os membros da organização. Desta forma, para a escolha das estratégias, as pessoas devem optar por aquelas que alcancem efetivamente os principais objetivos e que elevem a competência essencial da organização ao ponto de criar um diferencial competitivo percebido pelos fornecedores, clientes e principalmente pelos concorrentes.

A opção pela estratégia futura deve partir da identificação da estratégia atual, o que requer em parte, a uma postura estratégica, e a outra, ao conhecimento da tipologia mais comum utilizada para identificá-la.

Os tipos mais comuns e conhecidos de estratégias são as ofensivas e as defensivas. Essas estratégias são utilizadas de acordo com o comportamento da concorrência, levando em consideração o potencial dos seus líderes.

Existe um tipo de estratégia conhecida como estratégia de neutralidade que embora possua diferença significativa com as demais, não é citada. Na estratégia de neutralidade as organizações simplesmente ignoram o comportamento da concorrência e continuam atuando como se fossem únicas no mercado.

A estratégia de neutralidade pode ser passiva ou ativa

A estratégia passiva é aquela onde a organização não possui objetivos claros e o seu desenvolvimento acontece por uma ação casual da natureza. Seus líderes não têm consciência da direção a ser tomada e conseqüentemente não sabem orientar seus liderados. Normalmente os líderes não tem domínio da variedade de ferramentas que podem ser utilizadas para o alcance do sucesso e procuram se embasar na experiência prática dos processos internos a organização. Como exemplo, temos boa parte das micro e pequenas empresas onde os executivos normalmente não têm conhecimento ou domínio das ferramentas financeiras, de marketing e de desenvolvimento de pessoas.

A estratégia ativa é aquela em que a organização possui objetivos tímidos, seu desenvolvimento não chega a ser casual, mas é limitado pelo receio de perda de mercado por parte dos líderes. Eles conhecem vagamente algumas ferramentas, porém, não as utilizam em sua plenitude por comodismo ou por receio de enfrentar os riscos do mercado ou ainda para não chamar a atenção dos concorrentes. Como exemplo, temos algumas micro e pequenas organizações, mas também encontramos grandes organizações, como foi o caso da ação da Espanha na segunda guerra mundial.

Essa passividade pode ser observada atuando na natureza, no mundo animal, como alguns pássaros e répteis que conseguem passar despercebidos pelos seus predadores.

O importante é que essa estratégia pode ser adotada como uma forma diferente de sobrevivência das organizações, desde que não tenha o desejo de participar de um movimento de crescimento acelerado ou de acompanhamento das mudanças globais ou ainda, do domínio absoluto de produtos ou serviços no mercado.

Devemos ter consciência também que nesse tipo de estratégia não é possível a busca de novas oportunidades e nem de defesa contra as ameaças que constantemente rondam as organizações e nem tão pouco de reação às tendências de mercado.

Haverá uma convivência constante com incertezas em função de não poder acompanhar as mudanças ambientais que ocorrem cada vez mais rápidas, tanto no ambiente externo como no interno.

Não haverá também a possibilidade do desenvolvimento de um ambiente criativo, muito menos inovador, já que a liberdade é bastante limitada.

Os líderes devem se concentrar na sua auto-manutenção e no aumento das eficiências operacionais. Eles devem também, melhorar as suas especialidades já que não poderão participar de grandes modificações. As lideranças devem observar atentamente a sua caminhada, considerando ataque a si próprio, já que a organização é sua própria concorrente.

Para que a organização se mantenha viva por um período mais prolongado é necessário que algumas ações sejam realizadas, tais como:

* Conhecer profundamente os produtos e/ou serviços oferecidos pela organização e conseqüentemente aumentando sua especialização;

* Tornar suas decisões o mais ágil possível, para fugir da inércia total;

* Tentar melhorar cada vez mais a integração do seu corpo funcional para evitar um movimento de desorganização acelerado.

A estratégia da neutralidade também exige o desenvolvimento da capacidade de negociação, para o caso de um ataque maciço à organização ou de qualquer mudança significativa na área produtiva.

Adotar a estratégia de neutralidade está longe de representar um modelo a ser seguido por ter grande limitação e racionalidade, e também apresentar ação tímida, muito comum no mercado. Apesar de apresentar essas limitações, é válido a sua análise, melhor que não adotar estratégia alguma.

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Gilberto Gomes Guedes - gilbertogguedesarrobauol.com.br

É bacharel em Administração de Empresa e Pública (UniCEUB); Especialista em: Teorias da Administração (UniCEUB) e Administração Pública(FGV). Analista de Sistemas (UnB). Mestre em Engenharia de Produção (UFRGS). Professor e Coordenador de cursos de administração.

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