No mundo atual, é visível a preocupação cada vez maior com os resíduos e
efluentes descartados, com a poluição, com a perda da biodiversidade,
com fenômenos como o aquecimento global causado, sobretudo, pela queima
de combustíveis fósseis e com outras agressões causadas pelo homem à
natureza, como resultado de suas atividades. Devido à tais preocupações,
foram obtidas, nos últimos anos, importantes conquistas ambientais, com
participação de movimentos ecológicos e demais interessados na
preservação do nosso patrimônio natural.
Empresários de vários setores, inclusive do turismo, começaram a adotar
posturas ambientais corretas. Neste sentido, o ecoturismo começou a
disparar, pois utiliza de forma sustentável o patrimônio natural e
cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma
consciência ambientalista através da interpretação do ambiente,
promovendo o bem-estar das populações envolvidas.
1 – INTRODUÇÃO
O setor de turismo é um dos que mais tem crescido nos últimos anos. Está
ligado diretamente ao meio ambiente, sendo capaz de expor nosso
patrimônio natural e cultural, onde a natureza é o produto a ser
vendido. Se não for planejado corretamente, acaba-se transformando num
fator de poluição e destruição.
O ecoturismo é o segmento do turismo que possibilita valorizar e
preservar o patrimônio, viabilizando retornos econômicos, proporcionando
uma educação ambiental, através da conscientização da importância da
preservação do meio ambiente, gerando benefícios para comunidade.
Possibilita a eficácia e eficiência na atividade econômica, mantendo a
diversidade e estabilidade do meio ambiente, atuando como instrumento de
orientação, sensibilização e equilíbrio entre os desgastes causados pelo
desenvolvimento econômico e a necessidade de preservar o meio ambiente.
O conceito de desenvolvimento sustentável já se firmou o bastante para
incorporar, com clareza e de forma indissolúvel as dimensões econômicas,
ambientais e sociais das ações humanas e suas conseqüências sobre o
planeta e os seres que o habitam.
Nesse contexto, o ecoturismo utiliza de forma sustentável, o patrimônio
natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma
consciência ambientalista, através da interpretação do ambiente,
promovendo o bem-estar da população envolvida.
2 – MEIO AMBIENTE
A percepção de que a degradação ambiental já estava passando a causar
graves problemas de saúde ficou evidenciada na Inglaterra, região de
Londres, por um evento ocorrido entre 4 e 13 de dezembro de 1952. Moura
(2002) diz que, nessa época, grande parte das indústrias, sobretudo as
de geração de energia elétrica e residências, usavam carvão para
produção de energia que, em sua queima, sem posterior tratamento dos
gases, emitia grande quantidade de enxofre e material particulado na
atmosfera, ocasionando um fenômeno denominado “smog”- contração das
palavras “smoke”e “fog”.
Mas foi na década de 60 que a situação de descaso às emissões poluentes
começou a mudar. Nesta década, o Clube de Roma divulgou um relatório
denominado “Os Limites para o Crescimento”, que por meio de simulações
matemáticas foram feitas as projeções de crescimento populacional,
poluição e esgotamento dos recursos naturais da Terra.
Outro acontecimento marcante para a questão ambiental foi a Conferência
sobre Meio Ambiente Humano, em 1972, em Estocolmo, permanecendo a
oposição entre meio ambiente e crescimento econômico mencionado no
relatório “Os Limites para o Crescimento”. Nesta Conferência, o Meio
Ambiente foi definido como sendo o sistema físico e biológico global em
que vivem o homem e outros organismos, um todo complexo com muitos
componentes interagindo com seu interior.
Foi, também, na década de 70, que surgiu o conceito de “Desenvolvimento
Sustentável”, que admite a utilização dos recursos naturais de que temos
necessidade hoje, para permitir uma boa qualidade de vida, porém sem
comprometermos a utilização desses mesmos recursos pelas gerações
futuras.
Na Alemanha, em 1978, surge o “selo ecológico”, destinado a rotular os
produtos “ambientalmente corretos”, ou seja, aqueles que não envolvessem
o descarte indevido à natureza de resíduos gerados em seu processo
produtivo, ou em sua utilização.
Passou a ser exigida nos Estados Unidos, também nesta década, a
realização de Estudos de Impacto Ambiental (EIA), como pré-requisito à
aprovação de empreendimentos potencialmente poluidores.
Na década de 80, surgiram em muitos países, leis regulamentando a
atividade industrial no tocante à poluição. Também foi formalizado a
realização de Estudos de Impacto Ambiental e Relatórios de Impactos
sobre o Meio Ambiente (EIA-RIMA), com audiências públicas e aprovações
dos licenciamentos ambientais em diferentes níveis de organizações do
governo.
Nessas duas décadas (70 e 80), ocorreram os desastres ambientais de
Seveso, Bhopal, Chernobyil e Basel, provocando um dramático crescimento
da conscientização ambiental em toda a Europa, a que se seguiu um
crescimento igualmente dramático nos Estados Unidos, onde o vazamento de
petróleo do Valdez provocou intensa irritação popular.
De acordo com Callenbach (1993), os danos ambientais causados pelas
catástrofes que ocuparam as manchetes recentemente são pequenos, quando
comparados aos danos cumulativos, na maioria das vezes despercebidos,
provocados por um enorme número de poluentes menores, a maioria deles de
acordo com as regulamentações legais de seus países.
Ainda na década de 70, foi colocado em evidência o problema da
destruição progressiva da camada de Ozônio por gases. Estudos realizados
alertaram a humanidade sobre esse problema global que motivou o Tratado
de Montreal, visando à eliminação do uso do CFC e a substituição por
outros produtos.
Em 1987, foi emitido o Relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente
e Desenvolvimento, publicado com o título de Relatório de Brundtland.
Este relatório contribuiu para disseminar o conceito de Desenvolvimento
Sustentável.
Na década de 80, difundiu-se, rapidamente, em muitos países europeus, a
consciência de que os danos cotidianos ao ambiente poderiam ser
substancialmente reduzidos por meio de práticas de negócios
ecologicamente corretas. A Alemanha Ocidental, segundo Callenbach
(1993), testemunhou uma explosão de produtos e serviços “eco-favoráveis”.
Os gastos com proteção ambiental nos anos 80 começaram a ser vistos
pelas empresas líderes não primordialmente como custos, mas sim como
investimentos no futuro e, paradoxalmente como vantagem competitiva.
Na década de 90, houve grande evolução em relação à consciência
ecológica. O termo “qualidade ambiental” passou a fazer parte do
cotidiano das pessoas.
Nesta década, houve um evento importante no Rio de Janeiro, que foi a
Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento,
conhecida também como Cúpula da Terra, Rio 92, ou Eco 92. Os documentos
principais produzidos foram a Agenda 21, a Declaração do Rio sobre o
Meio Ambiente e
Desenvolvimento e Convenções sobre o Clima e sobre Biodiversidade.
De 26 de agosto a 4 de setembro de 2002, a Cúpula Mundial sobre
Desenvolvimento Sustentável, ou Cúpula da Terra 2 (Rio+10), reuni-se em
Johannesburgo - África do Sul, donde resultaram dois documentos: a
Declaração Política e o Plano de Implementação.
A Declaração Política tem como título “O Compromisso de Johannesburg por
um Desenvolvimento Sustentável”. Está estruturado em seis grandes temas:
Desde nossas origens até o futuro - Desde os Princípios do Rio até o
Compromisso de Johannesburg por um Desenvolvimento Sustentável – Os
grandes problemas que devemos resolver – O compromisso de Johannesburg
por um Desenvolvimento Sustentável – O multilateralismo é o futuro –
Como lográ-lo.
O Plano de Implementação da Agenda 21 tem como objetivos supremos a
serem alcançados: erradicação da pobreza, mudança dos padrões
insustentáveis de produção e consumo, produção de recursos naturais.
Portanto, fica clara a importância da questão ambiental em qualquer
discussão e também dentro dos debates da sociedade, enfatizando a
consciência de preservação do meio ambiente e a evolução para a gestão
da sustentabilidade.
3 – DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
No mundo atual, Almeida (2002) diz que a percepção de que tudo afeta a
todos, cada vez com maior intensidade e menor tempo para absorção, gerou
o processo de redefinição, conceitual e pragmático – porque não há mais
tempo a perder -, o clássico desenvolvimento consumidor de recursos
naturais, no qual o homem é incluído como mero animal de produção, levou
à formulação do conceito de desenvolvimento sustentável.
A sustentabilidade envolve a idéia de manutenção dos estoques da
natureza, ou a garantia de sua reposição por processos naturais ou
artificiais, ou seja, precisa-se olhar com cuidado a capacidade
regenerativa da natureza. Para Moura (2000), o conceito de
sustentabilidade estará ligado, em primeiro lugar, ao uso racional do
recurso, evitando-se desperdícios e adotando-se processos de recuperação
e reciclagens. Em segundo lugar, a sustentabilidade poderá ser buscada
através do desenvolvimento de novas tecnologias, procurando-se
substitutos mais eficientes para os materiais esgotáveis.
Existem várias vertentes desse conceito, que, de acordo com Moura
(2000), são: desenvolvimento social, econômico, ambiental, político e
tecnológico.
Para colocar esses conceitos em prática, Coelho (2002) diz que há pré-requisitos
indispensáveis como:
- Democracia e estabilidade política;
- Paz;
- Respeito à Lei e à propriedade;
- Respeito aos instrumentos de mercado;
- Ausência de corrupção;
- Transparência e previsibilidade de governos;
- Reversão do atual quadro de concentração de renda em esferas local e
global.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Ambiente, CMMAD (1991), o
Desenvolvimento Sustentável pode melhorar a qualidade de vida das
pessoas.
Deve ser encarado como um objetivo a ser alcançado por todo o mundo,
enfatizando a importância da superação das disparidades entre países
ricos e pobres como meio de alcance do sucesso. A busca do
Desenvolvimento Sustentável exige mudanças nas políticas internas e
internacionais de todas as nações, sendo fundamental a união de todos
para se conseguir esse desenvolvimento.
Os objetivos do Desenvolvimento Sustentável, segundo CMMAD (1991), são o
retorno ao crescimento, combate à pobreza, que impossibilita as pessoas
de satisfazerem suas necessidades básicas, além de utilizarem os
recursos naturais de modo insustentável. Além do crescimento, é
necessário que o desenvolvimento seja eqüitativo, atenda às necessidades
essenciais de emprego, alimentação, ou seja, necessidades humanas, o
controle do nível populacional, a conservação e melhoria da base dos
recursos, já que é muito mais caro limpar o que já foi poluído do que
preservar. É necessária uma mudança no estilo de vida dos países para
que sejam compatíveis com os recursos disponíveis, um empenho político
que viabilize o desenvolvimento, a inclusão do meio ambiente e a
participação dos cidadãos no processo decisório.
A base do desenvolvimento sustentável é um sistema de mercados abertos e
competitivos que conforme Almeida (2002) os preços refletem com
transparência os custos, incluindo os ambientais.
4 – TURISMO
É uma atividade econômica representada pelo conjunto de transações –
compra e venda de serviços turísticos – efetuadas entre os agentes
econômicos do turismo.
De acordo com a EMBRATUR (2002), é gerado pelo deslocamento voluntário e
temporário de pessoas para fora dos limites da área ou região em que têm
residência fixa, por qualquer motivo, excetuando-se o de exercer alguma
atividade remunerada no local que visita.
O turismo atual surge após a revolução industrial através do avanço
tecnológico que proporcionou a melhoria dos transportes e o
desenvolvimento da economia. Após a revolução Industrial surge uma
preocupação maior com o ser humano, e o turismo passa a ser um
complemento para o aprendizado.
É uma atividade econômica, geradora de riqueza, estando o seu desempenho
relacionado ao comportamento da renda e sua distribuição e ao tempo
livre disponível. O turismo é fruto da sociedade industrial e das
conquistas sociais. Pode ser considerado um redistribuidor de renda,
isto é, movimenta dinheiro em várias direções, durante toda a estada do
turista. Ocorre, desta forma, um efeito multiplicador que se caracteriza
pela entrada de capital (dinheiro) nacional ou estrangeiro num país ou
região, produzindo riqueza, aumentando consumo e produção devido às
novas necessidades de produtos e serviços criadas pelo turismo.
Ruschmann & Rodrigues (1994) declaram que durante o seu desenvolvimento
o turismo apresentou fases de relacionamento com o meio ambiente, a
primeira fase foi de descoberta do meio ambiente, no segundo momento a
proteção era algo desnecessário, tendo em seguida uma modificação e
degradação rápida do meio ambiente através do turismo de massa, onde
ocorreu um domínio brutal do turismo sobre a natureza, a quarta fase foi
a de reparação e renovação do turismo através da revalorização do meio
ambiente tendo como norte o conceito de Desenvolvimento Sustentável e
posteriormente o ecoturismo.
O turismo pode ser considerado um redistribuidor de renda, isto é,
movimenta dinheiro em várias direções, durante toda a estada do turista.
Ocorre, desta forma, um efeito multiplicador que se caracteriza pela
entrada de capital nacional ou estrangeiro num país ou região,
produzindo riqueza, aumentando consumo e produção devido às novas
necessidades de produtos e serviços criadas pelo turismo.
Hoje o turismo vem crescendo de maneira extremamente veloz no mundo,
sendo um setor promissor já que possibilita a expansão do mercado de
trabalho, a geração de emprego e a distribuição mais justa da renda.
O turismo deve respeitar a compatibilidade do uso com a proteção do meio
ambiente. Queiroz (2002) diz que várias medidas podem ser adotadas para
diminuir os impactos ambientais do turismo como o controle, redução ou
eliminação dos produtos nocivos ao meio ambiente natural, o respeito aos
interesses da população local, como suas tradições e cultura, o zelo
pela preservação de áreas protegidas ou ameaçadas.
Segundo o mesmo autor, atualmente o planejamento da evolução do turismo
através do enfoque do Desenvolvimento Sustentável apresenta-se como a
forma preventiva ideal para proteção dos meios visitados, conservando a
natureza, oferecendo conforto e satisfação ao turista sem agredir a
originalidade das comunidades respectivas.
5 – ECOTURISMO
A sustentabilidade de um meio turístico depende necessariamente do tipo
de turismo que ocorre na área e que este poderá ser um instrumento de
sustentação do modelo de desenvolvimento ecológico, exigido pelas
grandes transformações no modo de vida em todo globo terrestre.
Neste sentido, Ruschmann (2000) diz que, busca-se então, uma forma de
turismo em que a preservação da natureza esteja em combinação com o
fluxo turístico e tal situação, encontra sua expressão ideal no
ecoturismo.
Para Beni (1999) o ecoturismo é uma denominação dada ao deslocamento de
pessoas a espaços naturais delimitados e protegidos pelo Estado,
iniciativa privada ou controlados em parceria com associações locais e
ONGs. Pressupõe sempre uma utilização controlada da área com
planejamento de uso sustentável de seus recursos naturais e culturais,
por meio de estudos de impacto ambiental, estimativas da capacidade de
carga e suporte do local, monitoramento e avaliação constante, com plano
de manejo e sistema de gestão responsável. É claro que todas as
atividades previstas no turismo ecológico podem, em geral, ser
realizadas, desde que rigorosamente observadas as restrições de uso
desses espaços. Para que uma atividade se classifique como ecoturismo,
são necessárias quatro condições básicas: respeito às comunidades locais;
envolvimento econômico efetivo das comunidades locais; respeito às
condições naturais e conservação do meio ambiente e interação
educacional – garantia de que o turista incorpore para a sua vida o que
aprende em sua visita, gerando consciência para a preservação da
natureza e dos patrimônios históricos, cultural e étnico.
O ecoturismo para ter sucesso são necessárias algumas etapas, tais como:
pesquisa da oferta e demanda; zoneamento turístico-ecológico; seleção de
áreas prioritárias; elaboração de projetos de infra-estrutura e execução
e controle do projeto.
O caminho ideal para o ecoturismo, conforme EMBRATUR (2002), é o que se
chama desenvolvimento sustentável. Este conceito propõe a integração da
comunidade local com atividades que possam promover a conservação e o
uso sustentável dos recursos naturais e culturais.
Nos últimos anos, o Ecoturismo vem crescendo rapidamente, aumentando a
procura por este tipo de turismo, o número de publicações, de programas
de TV, de órgãos ligados ao assunto, etc.
Para a EMBRATUR (2002), existem diversas hipóteses para tentar explicar
o porquê de as pessoas estarem buscando esse tipo de atividade. As mais
comuns são a preocupação com o meio ambiente, maior conscientização
ecológica e uma maneira de fugir da rotina e do estresse dos grandes
centros urbanos.
Trata-se, portanto, de acordo com Ruschmann (2000) de um “novo turista”
que se constitui em um nicho de mercado de pessoas ambientalmente
conscientizadas que, na busca do contato com ambientes naturais
preservados, atuam no sentido da conservação do ecossistema visitado e
contribuindo para a sua sustentabilidade.
5.1 – ECOTURISMO COMO INSTRUMENTO DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E DA
BIODIVERSIDADE
Em vista da crescente e grave ameaça que paira sobre os recursos
naturais em todo o mundo, surgiu nas últimas décadas uma grande
preocupação de cunho preservacionista, o que culminou nas grandes
reuniões planetárias como a Conferência Das Nações Unidas sobre o Meio
Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92.
Foi assinada nessa conferência, a Convenção sobre Diversidade Biológica;
importantíssimo documento sobre a temática preservacionista, onde em seu
art. 2º, define biodiversidade ou diversidade biológica como a
variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo,
dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros
ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte;
compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e
de ecossistemas.
Seu estudo, conforme Santos (2002) tem importância direta para a
preservação ou conservação das espécies, pois entendendo a vida como um
todo teremos mais condições de preserva-la, bem como é de suma
importância para o nosso desenvolvimento, resultando o aproveitamento
dos recursos biológicos para que sejam explorado de maneira menos
prejudicial à natureza, conservando-a o mais possível, permitindo a
harmonia entre o desenvolvimento das atividades humanas e a preservação,
chamando-se isso modernamente de desenvolvimento sustentável.
A biodiversidade é de uma importância vital para nós, na medida em que a
nossa vida e os nossos meios estão dependentes dela. É uma
extraordinária fonte de recursos alimentar e energético que pode ser
plenamente utilizada pelo homem, o que praticamente não acontece, bem
como o Brasil é o país de maior diversidade de vida possuindo entre 10 e
15% de toda a biodiversidade do planeta.
A conservação da diversidade biológica deixa assim de ser abordada
unicamente sob o seu aspecto da proteção das espécies e dos ecossistemas
ameaçados. Ela passa a ser considerada como um elemento fundamental do
progresso na via do desenvolvimento sustentável.
Neste sentido, temos o turismo ecológico que está voltado para ambientes
nativos, onde a atividade se caracteriza, principalmente, pela interação
entre o homem e a natureza.Esse tipo de turismo utiliza, de forma
sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação
e busca à formação de uma consciência ambientalista, através da
interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar da população envolvida.
É uma atividade que, em primeiro lugar, promove o encontro do homem com
a natureza de forma a compreender os ecossistemas que mantém a vida, As
atividades são desenvolvidas através da observação do ambiente natural,
através da transmissão de informações e conceitos ou através da simples
contemplação da paisagem.
No turismo e na comunidade que os hospeda segundo Tavares (2002), este
processo auxilia no desenvolvimento da consciência da própria existência
em equilíbrio na natureza, visando, ainda, a manutenção da qualidade de
vida das gerações futuras. Este aprendizado conjunto permite a todos os
conjuntos envolvidos, a possibilidade de transformar seu comportamento
cotidiano. Para o turista, que em geral, vem das grandes cidades, a
realidade urbana com a qual convive rotineiramente, passa a ser
questionada gerando reflexões sobre poluição dos centros urbanos,
manutenção de áreas verdes, destinação e reciclagem de lixo e qualidade
de vida. Objetiva-se, assim, a incorporação e tradução destas reflexões
na forma de comportamento e posturas no seu meio ambiente de origem. Mas
o grande legado deixado ao turismo é a consciência da importância de se
preservar o ambiente natural, a história e a cultura dos lugares de
visitação.
O ecoturismo é turismo de baixo impacto, devendo gerar o menor desgaste
possível ao meio ambiente e as comunidades, respeitando suas leis,
cultura e principalmente seu equilíbrio e tranqüilidade.
Atualmente, o planejamento da evolução do turismo através do enfoque do
Desenvolvimento Sustentável apresenta-se como a forma preventiva ideal
para proteção dos meios visitados, conservando a natureza, oferecendo
conforto e satisfação ao turista sem agredir a originalidade das
comunidades receptivas.
A atividade turística ocupa papel importante no mundo moderno, por
movimentar grande quantidade de dinheiro e contribuir para o crescimento
da economia. Dos segmentos do turismo, o Ecoturismo é o que mais cresce.
É um fenômeno característico do final do séc. XX, em conseqüência da
crescente preocupação com o meio ambiente. É o segmento que mais se
aproxima da proposta de Desenvolvimento Sustentável.
6 – DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E ECOTURISMO
A sustentabilidade ecológica é um elemento essencial dos valores básicos
que fundamentam a mudança da globalização. Por isso, várias ONGs,
institutos de pesquisa e centros de ensino pertencentes à nova sociedade
civil global, segundo Capra (2002) escolheram a sustentabilidade como o
tema específico de seus esforços. Com efeito, a criação de comunidades
sustentáveis é o maior desafio dos nossos tempos.
De acordo com o código de ética difundido pela OMT (Organização Mundial
do Turismo), os empreendedores do setor de turismo, bem como os
funcionários da atividade e os turistas, devem observar as condições
naturais do ambiente, bem como as tradições culturais e sociais e as
práticas de todas as populações nativas, incluindo as minorias e os
grupos indígenas, assim como o reconhecimento do valor destes. Neste
contexto, a atividade turística deve ser conduzida em harmonia com a
natureza e com os atributos e tradições dos núcleos turísticos
receptores e em respeito com suas leis, práticas e costumes.
Teixeira (2002), diz que é necessário o desenvolvimento do turismo em
bases eco-sustentáveis, de forma que este possibilite conciliar o
interesse das atividades turística com a urgente necessidade de poupar e
preservar os recursos naturais, para que as gerações atuais e também
vindouras, não tenham sua qualidade de vida afetada negativamente.
A Agenda 21 traz no capítulo 9, seção II, duas considerações que se
relacionam diretamente com a atividade de turismo. A primeira diz
respeito à energia, fator-chave para o desenvolvimento de qualquer setor.
Segundo a agenda, as formas atuais de produção, transmissão,
distribuição e consumo de energia não podem atender às necessidades
crescentes de modo sustentável, sendo que o uso da mesma deve respeitar
a atmosfera, a saúde humana e o meio ambiente como um todo. Neste
contexto, maior ênfase deve ser dada à utilização de fontes novas e
renováveis de energia.
A indústria da hospitalidade, de acordo com Teixeira (2002), é uma
grande consumidora de energia e por isso, devem ser incluídas, no
planejamento turístico para determinada localidade, soluções
alternativas que visem à racionalizar o consumo de energia.
Outra proposta que se encontra na Agenda 21, também no capítulo 9, seção
II e que está relacionada ao turismo é a de: “Limitar, reduzir e
controlar as emissões atmosféricas do setor de transportes,
particularmente o terrestre, transformando-o num sistema menos poluente
e mais seguro”.
O deslocamento turístico, segundo Teixeira (2002) implica na utilização
de sistemas de transporte e o transporte de superfície, em especial, é
um grande poluidor da natureza, posto que emite o dióxido de carbono
para o ar, um dos gases componentes do CFC’s – clorofluorcabonetos,
responsáveis pela destruição da camada de ozônio que protege a terra
contra os raios solares nocivos. Com a destruição desta camada de ozônio
surge o chamado Efeito Estufa, que está entre os problemas ambientais
mais graves, representando uma ameaça à manutenção do equilíbrio
ecológico necessário à sobrevivência das diversas formas de vida
existentes no planeta. O Efeito Estufa é responsável pelo aquecimento
global e, conforme previsões de alguns cientistas cidades como Nova York,
Veneza e Rio de Janeiro tenderão a desaparecer devido ao aumento do
nível do mar. Posto isto, verifica-se que turismo nessas regiões estaria
totalmente comprometido, além dos danos causados as comunidades locais.
A OMT, através da sua Assembléia Geral, fez claras referências acerca da
importância de promover a implantação das Convenções Internacionais
sobre o Ambiente e Desenvolvimento, incluindo a da Mudança Climática.
Também a OMT criou o Comitê Mundial de Ética do Turismo encarregado de
interpretar e aplicar as disposições do Código Ético Mundial para o
Turismo, servindo de referência para diversos atores do setor,
garantindo proteção ambiental e ao patrimônio cultural, assim como uma
distribuição equilibrada dos benefícios do turismo.
Paralelamente a essas ações normativas, e devido a que as atividades do
ecoturismo, Verdinelli (2002), diz que por sua própria concepção são
ambientalmente sustentáveis, tiveram uma rápida expansão no mundo e
terão, espera-se, crescimento no futuro, a organização das Nações
Unidas, reconhecendo sua importância global, designou o Ano 2002 como o
Ano Internacional do Ecoturismo. Para a preparação e coordenação dos
eventos programados a OMT e a UNEP – Programa das Nações Unidas para o
Meio Ambiente, unirão seus esforços, sob a premissa do desenvolvimento
sustentável.
As atividades do ecoturismo sem dúvida, minimizam os impactos negativos
sobre o ambiente natural e sócio-cultural, transformando-se num suporte
à proteção das áreas naturais, gerando benefícios econômicos para as
comunidades de stakelholders, promovendo empregos alternativos e
oportunidades, sem interferir na diversidade cultural.
O Ano Internacional do Ecoturismo para Verdinelli (2002) poderá oferecer
uma oportunidade impar para rever as experiências nos mais diversos
ambientes, no sentido de consolidar ferramentas e as estruturas
institucionais que garantam seu desenvolvimento sustentável no futuro.
Do debate e deliberações que venham acontecer durante a Reunião
Principal programada, espera-se que se estabeleçam diretrizes que sirvam
de subsídios para maximizar os benefícios ambientais, econômicos e
sociais do ecoturismo, enquanto se evitam os impactos negativos
ocorridos no passado.
7 – CONCLUSÃO
O reconhecimento de que é necessária uma profunda mudança de percepção e
de pensamento para garantir a nossa sobrevivência ainda não atingiu
muitas pessoas.
O conceito de sustentabilidade adquiriu importância-chave no movimento
ecológico e é realmente fundamental. Este é o grande desafio do nosso
tempo: criar comunidades sustentáveis, isto é ambientes sociais e
culturais onde podemos satisfazer as nossas necessidades e aspirações
sem diminuir as chances das gerações futuras.
A promoção do turismo no quadro do desenvolvimento sustentável, de
acordo com Verdinelli (2002), implica na atenção das necessidades dos
turistas atuais e dos países e regiões hospedeiras, enquanto se protegem
e ressaltam as oportunidades para o futuro, com uma gestão responsável
dos recursos ambientais, culturais, ecológicos, econômicos e sociais.
O ecoturismo é um meio de se obter o desenvolvimento sustentável e,
conseqüentemente, contribuir para o desenvolvimento socioeconômico,
representando um gerador de emprego e renda, além de beneficiar as
populações envolvidas. É uma atividade econômica sustentável que visa a
preservação da riqueza ambiental e contribui para a melhoria de vida das
comunidades envolvidas, além de possibilitar uma nova consciência a
todos os envolvidos, direta ou indiretamente, através da educação
ambiental que enfatiza a importância da preservação do nosso meio
ambiente.
8 – REFERÊNCIAS
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COELHO, F. O bom negócio da sustentabilidade. Rio de Janeiro: Nova
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Maria Elisabeth Pereira Kraemer beth.kraemerarrobaterra.com.br Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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