Os atuais sistemas de avaliação de custos e desempenho não reconhecem os
altos custos de desenhos inadequados de produtos.
Os rumos contemporâneos da competição, da tecnologia e da administração
demandam grandes mudanças no modo como as organizações medem e gerenciam
seus custos, bem como na forma de avaliar seu desempenho. A não
introdução das modificações inibirá a capacidade das empresas como
competidoras eficientes e efetivas globais.
Os sistemas tradicionais rateiam os custos indiretos de fabricação
proporcionalmente ao custo de mão-de-obra. À medida em que as empresas
utilizam tecnologia de produção mais avançada os custos indiretos de
fabricação aumentam e o valor da mão-de-obra direta diminui. Assim, a
distribuição dos custos indiretos proporcionalmente à mão-de-obra direta
conduz a um custeio incorreto de produtos.
Tendo em vista que parcela crescente dos custos está localizada nas
atividades indiretas, uma forma de auxiliar a gestão dessas atividades é
custeá-las e, em seguida, identificar os custos com os produtos,
pressupondo que determinados produtos consomem mais ou menos
determinadas atividades.
Neste sentido, no custeio por atividades os custos fixos não são mais
rateados com base em mão-de-obra direta e sim por direcionadores de
custos. Desse modo, são geradas informações relevantes para a gestão
empresarial, contribuindo para o processo de planejamento estratégico da
empresa e constituindo uma base racional para a tomada de decisões, a
avaliação da rentabilidade dos produtos e a mensuração econômica de
atividades empresariais.
Assim, este trabalho consiste em explanar um sistema de custos que
permite fornecer informações para a tomada de decisões, bem como,
planejar e controlar os custos associados à agregação de valores, com o
objetivo de atingir um nível de qualidade que satisfaça às necessidades
dos clientes e ao mesmo tempo, otimiza o valor econômico de seus
produtos e serviços.
1 - INTRODUÇÃO
Atualmente, o mercado atravessa um período em que a preocupação central
dos executivos é dispor de um produto com características diferenciadas
e desenvolvidas de forma mais vantajosa, no sentido comercial, sendo
competitivo e economicamente lucrativo.
Na medida em que aumenta a complexidade interna das empresas e do
ambiente em que elas atuam, o processo de tomada de decisões tende a
tornar-se também mais complexo. Para atender a esta situação de maneira
adequada, o executivo necessita de um sistema de informações eficiente e
eficaz, que processa um grande volume de dados e produza informações
úteis e válidas.
A informação deve ser tratada como qualquer outro produto que esteja
disponível para consumo. Ela deve ser desejada, para considerá-la
necessária. Para ser necessária, ela deve ser útil, isto é, cabe
construir essa mercadoria com qualidade e custos competitivos para que
ele seja útil. A necessidade da informação é determinada pelos usuários
finais dessa informação, ou seja, por seus consumidores. A informação
útil é elemento fundamental em qualquer organização, visto ser um
subsídio essencial no processo decisório.
Alguns novos modelos de sistema de informações estão sendo desenvolvidos
por pesquisadores estudiosos, abordando os conceitos de processos e
atividades. O estudo dessas novas tecnologias permite que as indústrias
descubram que seus sistemas contábeis atuais são norteados por normas
rígidas, não adequadas à evolução empresarial atual.
Hoje, as características dos produtos, os métodos de manufatura e a
distribuição dos produtos/serviços estão mudando. Com estas mudanças, os
novos equipamentos de linha de produção estão reduzindo a mão-de-obra
aplicada ao produto acabado. Por conseguinte, o custo da depreciação dos
equipamentos está se tornando cada vez mais relevante. Portanto, com a
incorporação dessas novas tecnologias de produção ocorrerão mudanças na
composição do custo total de produção.
A otimização da fábrica, com a adoção dessas novas tecnologias e
conceitos, é um fator de desafio para os contadores. Com a implementação
cada vez mais acelerada de tecnologia avançada de produção, novos
critérios de mensuração contábil, novos indicadores de desempenho e até
mesmo novas filosofias associadas com sistemas de custos estão aflorando
e tomando o lugar das antigas ou complementando-as. Em alguns casos,
como é o do rateio de custos indiretos, o desvio das práticas
tradicionais deverá sofrer mudança radical.
Neste cenário, os gestores necessitam, de um sistema de informações que
os auxilie no processo decisório. Um modelo que está sendo discutido no
meio acadêmico e experimentado, de forma tímida, em empresas é o
Activity Based Costing - ABC (Custeamento Baseado em Atividades). Ele
procura identificar o custo de cada atividade e as atividades que não
agregam valor ou adicionem pouco valor aos produtos.
O ABC é uma forma de custeamento muito útil no processo de tomada de
decisões. Pois, ele não é apenas uma maneira de se medir e melhorar as
atividades que compõem os processos de um empreendimento, como também
permite que se calcule de modo mais correto os custos dos produtos.
Enquanto que os sistemas tradicionais rateiam os custos indiretos de
produção, usualmente, na mesma proporção das horas de MOD (mão-de-obra
direta) efetivamente gastos, o sistema ABC o faz segundo alguns fatores,
denominados direcionadores de custos, que distribuem de forma mais
adequada esses custos, acumulando-os, previamente, em centros de
atividades que consome recursos.
Na realidade, o ABC acumula os custos das atividades empresariais, com
vistas à enfatizá-los para a tomada de decisões. Assim ao custear esses
processos, entre diversas alternativas de incremento de produtividade, o
sistema pode focalizar a de menor custo, eliminando as atividades que
não agregam valor, nem para o cliente e nem para a empresa, atuando nas
atividades cujo valor agregado ao cliente é mínimo em face dos
investimentos nelas realizados.
Portanto, o sistema ABC visa minimizar distorções por meio da análise
das atividades das empresas, possibilitando não só a identificação de
critérios mais adequados de alocação dos custos indiretos de produção,
mas também, permitindo, em alguns casos, a atribuição direta desses
custos à produtos específicos, além de auxiliar no aprimoramento do
controle de custos.
2 - ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
Os sistemas contábeis tradicionais estão voltados ao atendimento das
exigências fiscais. Até certo ponto esta contabilidade tem atendido de
forma razoável os usuários externos da informação contábil, tais como
governo, fornecedores, instituições financeiras, acionista etc.
Neste sentido, MARION (1990, p. 29) diz que: “observamos com certa
freqüência que várias empresas, têm enfrentado sérios problemas de
sobrevivência. Ouvimos empresários que criticam a carga tributária, os
encargos sociais, a falta de recursos, etc., fatores estes que, sem
dúvida, contribuem para debilitar a empresa.
Entretanto, descendo a fundo nas nossas investigações, constatamos que
muitas vezes, a célula cancerosa não repousa naquelas críticas, ma na má
gerência, nas decisões tomadas sem respaldo, sem dados confiáveis. Por
fim observamos, nesses casos, uma contabilidade irreal, distorcida, em
conseqüência de ter sido elaborada única e exclusivamente para atender
às exigências fiscais”.
Por outro lado, as tentativas de desenvolver sistemas que dêem o devido
suporte à tomada de decisões dos gestores tem tido uma abrangência
parcial, ou seja, eles contemplam apenas parte do processo produtivo ou
parte das reais necessidades de informações. Esta suspeita é
corroborada. por NAKAGAWA (1993, p. 15), a saber: “o que se tem
constatado é que esta verdadeira revolução na organização das empresas,
através da utilização de tecnologias avançadas de produção, tem
encontrado forte obstáculo que tem inviabilizado o seu sucesso
continuado. Muitas empresas, na verdade, ainda se utilizam de sistemas
de custeio e de controle gerencial, que, foram desenvolvidos há muitas
décadas para um ambiente competitivo, drasticamente diverso do que se
observa na atualidade”.
Sistemas de custeio e de controle gerencial contemporâneos já não
fornecem sinais precisos de eficácia e rentabilidade das transações
empresariais. Em conseqüência, os administradores não estão obtendo
informações que os auxiliem na tomada de decisões. Na falta dessas
informações, a capacidade de administrador de forma eficaz a infinidade
de transações vem sendo seriamente comprometida. Neste sentido, JOHNSON
& KAPLAN (1993, p. 153) dizem que: “não causa surpresa que, nessa
situação os sistemas de contabilidade gerencial poucos benefícios
proporcionam às organizações. Em alguns casos, as informações fornecidas
por sistemas de contabilidade gerencial existentes, além de inibirem a
boa tomada de decisões dos gerentes, conseguiram de fato induzir à
decisões equivocadas”.
Apesar disso, esforços estão sendo envidados para mudar esse panorama.
Tal pode ser visto em BEUREN (1993, p. 65), quando explica que: “no que
diz respeito a desenvolvimentos mais recentes na área de custos, o mais
importante, depois de 1945, tem sido o interesse em prover informações
úteis para que o gestor tenha condições de planejar as atividades da
empresa. O segundo desenvolvimento mais significativo tem sido a
melhoria do controle de custos”.
3 - O SISTEMA CONTÁBIL TRADICIONAL
O sistema contábil tradicional tem-se deparado com dois problemas
básicos: (1) a dinâmica com que se modifica a legislação aplicável aos
elementos contábeis; e (2) a inadequação da aplicação dos modelos de
custeio ao atual processo de manufatura.
Em se tratando do primeiro item, basta citar as mudanças que ocorreram
na contabilidade com o advento da Medida Provisória nº 542, de 30.06.94,
que criou o Real. Isto não implica apenas a alteração da moeda, mas a
dificuldade de se utilizar relatórios contábeis de períodos anteriores
como parâmetro na análise de resultados setoriais ou do resultado da
empresa de um período para o outro, bem como a elaboração da
demonstração do resultado do período ajustada para efeitos de tributação.
Com relação ao segundo item, verifica-se uma mudança substancial na
composição dos custos de produção. NAKAGAWA (1993, p. 35) diz que:
“enquanto os custos indiretos de fabricação (CIF) vêm crescendo, as
bases utilizadas para sua apropriação vêm diminuindo sensivelmente, não
só elevando as taxas de aplicação desses custos, como também aumentando
o risco de erros na apuração do custo dos produtos”.
Os tradicionais componentes do custo do produto, ou seja, materiais, mão-de-obra
e custos indiretos de fabricação, tiveram alteradas suas participações
no custo total.
Em alguns casos, o item mão-de-obra direta deixa de ser relevante em
termos de custos em relação aos demais componentes do custo do produto.
Em compensação, os custos indiretos de fabricação passaram, em certas
circunstâncias, a representar o principal componente do custo do produto.
Por conseguinte, segundo ROBLES JR. (1994, p. 42), este panorama implica
alterações nas formas de rateios dos custos indiretos de fabricação, a
saber: “o fator custo, como limitador e balizador de preços ganhou
relevância. As bases tradicionais de rateio dos custos indiretos de
fabricação como mão-de-obra, valor dos materiais diretos e outras
correlatas, passaram a ser contestadas, principalmente pelo pessoal
técnico da empresa, bem como pelo próprio pessoal da controladoria ao
analisar os custos, em termos comparativos, de cada produto ou modelo da
própria empresa ou com concorrentes estrangeiros, chegava-se à conclusão
de que os custos apurados da forma tradicional não mais satisfazem às
necessidades gerenciais”.
Portanto, a utilização das bases de rateios tradicionais acabam por
distorcer o custo de cada produto e, por conseqüência, podem contribuir
para a fixação de preços de vendas inadequados. Esta posição é
corroborada por PADOVEZE (1994, p. 237) ao dizer que: “os procedimentos
de aplicação dos custos fixos e indiretos de produção aos produtos
através de percentuais de absorção baseados em alguma medida razoável de
atividade, tais como horas máquinas de fabricação, horas ou valor de mão-de-obra
direta, tem produzido enormes erros na atribuição de consumo de recursos
dos departamentos indiretos para os produtos individuais, provocando
também sérias distorções na formação de preços de vendas baseados nos
custos de fabricação”.
Nos processos modernos de produção os custos indiretos de fabricação
tendem a ocupar uma parcela cada vez maior dos custos totais. Neste
caso, é particularmente importante o processo de alocação desses custos
aos produtos. O sistema tradicional não proporciona elementos de
informação para a gestão desses custos e, tampouco, informações para
determinar o custo total como base de estabelecimento do preço de venda.
Acresce-se a esse aspecto que produtos não homogêneos acabam recebendo
taxas de rateio (CIF unitário por produto fabricado) que não levam em
conta o volume de cada produto, não computando, assim, a provável
economia de escala que deveria favorecer os produtos de maior volume
dentre os fabricados.
Neste sentido, MARTINS (1991, p. 77) alerta para o seguinte: “todos os
custos indiretos só podem ser apropriados, pela sua própria definição,
de forma indireta aos produtos, isto é, mediante estimativas, critérios
de rateio, previsão de comportamento de custos etc. Todas essas formas
de distribuição contêm, em menor ou maior grau, um certo subjetivismo;
portanto, a arbitrariedade sempre vai existir nessas alocações, sendo
que às vezes ela existirá em nível bastante aceitável, e em outras
oportunidades só a aceitamos por não haver alternativas melhores”.
Isto mostra com clareza a relevância da crescente discussão dos
processos de alocação de custos indiretos de fabricação, tanto no que se
refere à demonstração do resultado e da situação patrimonial da empresa
à outras dimensões importantes da gestão empresarial.
4 - SISTEMA DE INFORMAÇÃO NO ABC
O sistema de custeio tradicional, baseado em volume, foi arquitetado e
desenhado para empresas que apresentam o sistema de produção por
processo. Já o custeio baseado em atividades (ABC) foi concebido para
empresas que requerem uma grande agilidade para atender às exigências
dos clientes, isto é, uma enorme variedade de produtos e em menor
quantidade.
Segundo DE ROCCHI (1994, p. 13): “o custeio baseado em atividades (ABC -
Activity Basead Costing) recebeu a divulgação que tem atualmente isso se
deve sem sombra de dúvidas, ao livro de JOHNSON & KAPLAN de 1993”.
A percepção da superioridade do ABC é demonstrada por NAKAGAWA (1993, p.
38) ao afirmar que: “o sistema de custeio baseado em atividades não se
diferencia do sistema de custeio baseado em volume apenas pela mudança
das bases de alocação de custos, mas também pela identificação que faz
dos custos por atividade e da maneira como aloca aos produtos através de
maior número de bases”.
Ressalta-se que não há como passar para um novo sistema de custeamento
sem conhecer o já existente. Isso, pois, reconhecendo os problemas de um
sistema em funcionamento, pode-se ajudar a evitar sua repetição na
implantação de novos sistemas. Entre as abordagens que objetivam
melhorar os processos de apuração dos custos totais, destaca-se o
desenvolvimento de um sistema que busca a identificação dos custos de
cada atividade, o que se consubstancia no custeio baseado em atividades
-ABC.
Portanto, o ABC preocupa-se em melhorar a apropriação dos custos aos
produtos, sendo um sistema de custeio que se destaca por detalhar,
principalmente, os custos indiretos. O ABC vem tentando minimizar os
impactos de alocações inadequadas, através do custeamento das atividades
exigidas pelos produtos ou demais atividades operacionais.
PADOVEZE (1994, p. 237) explica que: “o custeamento baseado em
atividades (Custo ABC), do inglês ACTIVITY BASED COSTING, procura
aprimorar o custeamento dos produtos, através de mensurações corretas
dos custos fixos indiretos, em cima de atividades geradoras desses
custos, para acumulação ao custo dos diversos produtos da empresa”.
O ABC não está preocupado em segregar custos e despesas, mas procura
separar atividades que adicionam valor das que não adicionam valor aos
produtos. CAMPIGLIA (1994, p. 432) ressalta que:
“atividades que agregam valor são aquelas que absorvem recursos
transformando-os em produtos ou serviços compatíveis com as necessidades
dos clientes”.
Segundo BEUREN (1992, p. 31): “atividades que não adicionam valor ao
produto, pode-se dizer que é aquela que, se for eliminada, não implicará
alterações nos atributos do produto tais como qualidade, desempenho,
valor reconhecido, etc. Raciocinando em termos de produção, pode-se
identificar como atividades que não adicionam valor aquelas que fazem
com que os produtos (matéria-prima, produtos em elaboração e acabados)
fiquem parados na empresa”.
Neste sentido, ROBLES JR. (1994, p. 57) explica que: “as atividades que
não acrescentam valor normalmente incluem aquelas atividades
consideradas como ‘meio’ e também algumas atividades ‘fins’. As
atividades de apoio (meio) podem ser melhoradas através de novos métodos
até mesmo lançando mão dos recursos de informática, que abreviam a
coleta de dados e trazem maior confiabilidade às informações processadas.
Portanto, os custos com atividades que não adicionam valor, se não podem
ser eliminados, devem ser reduzidos de todas as formas possíveis”.
Exemplificando as atividades que acrescentam valor e que não acrescentam
valor, ROBLES JR. (1994, p. 87) cita uma indústria gráfica e diz que:
“as atividades da área de produção devem ser classificadas com relação
ao acréscimo ou não do valor para o cliente em relação ao custo da
qualidade”.
O referido autor ilustra esta situação apresentando exemplos de
atividades que se encaixam em cada caso. Como exemplo de atividades que
acrescentam valor, ele cita as operações, produto não padronizados,
expedição, manutenção preventiva, compras, produtos especiais. De forma
análoga, para atividades que não acrescentam valor, ele cita a
preparação das máquinas, atrasos na produção, retrabalho, inspeção,
programação, manutenção corretiva, supervisão, treinamento, certificação.
Observa-se que o ABC não é centrado apenas em números. Isto é, ele não
se preocupa exclusivamente com os aspectos monetários, mas procura
contemplar aspectos físicos das atividades, analisando fatos, atividades
e processos.
No que diz respeito à definição de atividades NAKAGAWA (1994, p. 42) diz
que “em sentido restrito, a atividade pode ser definida como um processo
que combina de forma adequada, pessoas, tecnologias, materiais, métodos
e seu ambiente, tendo como objetivo a produção de produtos. Em sentido
mais amplo, entretanto a atividade não se refere apenas ao processo de
manufatura, mas também à produção de projetos, serviços etc., bem como
às inúmeras ações de suporte a esses processos, e em sua forma mais
simples: processamento de uma transação, este pode ser descrito em
termos de recursos, insumos, produtos e procedimentos”.
COOPERS & LYBRAND AUDITORES INDEPENDENTES, in CRC/SP - Curso sobre
contabilidade de custos (1992, p. 95) apresentam exemplos de atividades
do departamento de engenharia a saber: “desenhos de novos produtos,
alteração de produtos, controle de especificações, testes/ protótipos,
desenho de processo, desenvolvimento da lista de materiais, manutenção
da lista de materiais, administração, treinamento, serviços
específicos”.
Portanto, no sistema ABC, atividade é tudo aquilo que é executado em uma
empresa, consumindo recursos, para a concretização de um processo, sendo
que para atingir a sua finalidade, toda atividade consome recursos (matéria,
mão-de-obra, tecnologia) combinando esses recursos de forma a obter
resultados específicos: produtos e serviços.
Definidas as atividades que consomem recursos e, portanto, que absorvem
custos, o sistema ABC parte para a medição do consumo de atividades que
cada produto absorve. Para tanto, deve ser apurado o custo por fator
gerador de custo e, em seguida, apurado o custo por atividade.
BEUREN (1992, p.32) explica que: “o sistema de custeio baseado em
atividades (ABC - ACTIVITY BASED COSTING) desencadeia um grande avanço
na gestão e mensuração das atividades mencionadas e no custeio dos
produtos. O ABC utiliza bases específicas de alocação de custos para
cada atividade, com o objetivo de mensurar a quantidade de recursos
consumidos por produtos durante a sua produção”.
Logo o sistema ABC se diferencia do sistema tradicional de custeio, o
qual resume-se numa atribuição de custos em função do volume, ou melhor,
de alguns fatores diretamente relacionados com o volume de produção:
horas-máquinas, material direto empregado no produto, horas-homem de mão-de-obra
direta e assim por diante. Além de usar uma base única ou poucas bases
de rateio, se comparado com o sistema ABC, o custeio tradicional acaba
distorcendo a atribuição de custos, principalmente em processos de
produção que envolvem produtos não homogêneos e com volumes de produção
muito diferenciados.
A diferença do sistema ABC em relação ao sistema de custeio tradicional
é que no primeiro o rateio é feito levando-se em consideração as
atividades empresariais, enquanto que no método tradicional consideram-se
os volumes produzidos.
Segundo ERNEST & YOUNG, SOTEC, in CRC/SP - Curso de contabilidade
gerencial (1993, p. 271), os dois sistemas se diferenciam por:
“considerarmos o sistema tradicional como um sistema de três estágios (Despesa
/ Centros de Custos/ Produtos), enquanto o ABC é um sistema de quatro
estágios (Despesa / Processos /Atividades / Produtos). O sistema
tradicional calcula o custo do produto composto por material, mão-de-obra
e custos indiretos de fabricação, enquanto no ABC consideram-se todos os
recursos necessários à produção, inclusive comerciais e administrativas,
que tradicionalmente são alocados ao resultado do período.
Portanto, podemos considerar o custo ABC como um sistema de custeamento
total do produto”.
Para a avaliação da lucratividade de linhas de produtos é possível
apropriar ao custo do produto também as atividades de apoio industrial e
as atividades administrativas. Segundo NAKAGAWA (1994, p. 39): “no
método de custeio baseado em atividades ou ABC, assume - se como
pressuposto que os recursos de uma empresa são consumidos por suas
atividades e não pelos produtos que ela fabrica. Os produtos surgem como
conseqüência das atividades consideradas estritamente necessárias para
fabricá-los e ou comercializá-lo, e como forma de se atender as
necessidades , expectativas e anseios dos clientes”.
Isto pressupõe que no sistema ABC assume-se que as atividades consomem
recursos (custos) ao nível de processos. Já os produtos consome
atividades em vários graus, dependendo do nível de diferenciação destes.
ERNEST & YOUNG, SOTEC, in CRC/SP – Curso de contabilidade gerencial (op.
Cit.) apresentam as principais finalidades do sistema ABC, como segue:
“determinação do custo do produto - formação de preço; - suporte à
tomada de decisão estratégica; - suporte a planos de atividade e
produtividade”.
Assim, com a competição global, colocando como condição de sobrevivência
da empresa moderna a “excelência empresarial” exigem-se técnicas mais
eficazes de controle dos gastos das empresas. Novos aspectos do ambiente
econômico estão sendo estudados, buscando procedimentos de alocação e
gestão de custos mais compatíveis com as modernas tecnologias de
manufatura.
Desse modo, observa-se que os custos dos departamentos, no sistema
tradicional, não são apropriados diretamente aos produtos. Eles costumam
ser rateados, antes aos demais departamentos auxiliares e produtivos,
pelo seu total, e daí aos produtos. No ABC, a distribuição se faz
diretamente às atividades, já que estas é que consomem recursos e os
produtos consomem atividades. Aqui, procura-se a fazer o desmembramento
de todas as atividades, como por exemplo: no almoxarifado - receber,
inspecionar, armazenar e entregar - ou em compras - cadastrar
fornecedores e comprar.
Portanto, inicialmente, todos os direcionadores (causadores) de custos
são identificados e em seguida é realizada a alocação dos custos às
atividades. Da mesma forma que nos sistemas tradicionais, no ABC muitos
itens de CIF não podem ser facilmente identificáveis com as atividades
que se quer custear.
Por fim, a relação custo-benefício na seleção de um sistema de
informações é de fundamental importância. Logo, a empresa que deseja
implantar o sistema de custeio por atividade tem que ter parcelas bem
consideráveis de custos indiretos de produção compondo o custo total da
empresa, bem como, deve estar produzindo no mesmo estabelecimento uma
variedade de produtos e os clientes devem ser diversificados. Visto que,
este tipo de empresa tende a apresentar graves distorções no custeio
tradicional de seus produtos ou serviços, requerendo, por isso, técnicas
mais sofisticadas de custeamento de suas atividades e produtos para a
tomada de decisões.
5 - CONTABILIDADE POR ATIVIDADES
DE ROCCHI (1993, p. 19) afirma que: “entendemos que o sistema de
apuração e análise de custos ideal é aquele que fornece as informações
realmente necessárias; e que podem ser efetivas e eficientemente
utilizadas pelos empresários e administradores para a avaliação de seus
produtos, na orientação de suas decisões e no apoio aos controles
internos”.
Nesse sentido, a contabilidade por atividades tem a sua importância no
processo decisório das empresas, especialmente por ela enfatizar os
custos de cada atividade necessária para a manufatura dos produtos.
NAKAGAWA (1993, p. 46) destaca sua importância sob três aspectos, a
saber: “descrever o processo de manufatura; estabelecer um denominador
comum entre a contabilidade de custos; a viabilidade de atividades que
não adicionam valor”.
A contabilidade por atividades vem ao encontro dos novos conceitos de
administração que enfocam qualidade, competitividade e custos. Ela
procura identificar a contribuição de cada unidade ao resultado global
da empresa. Assim, ficam evidenciados quais as atividades que contribuem
positivamente para o resultado total da empresa, garantindo a sua
eficácia.
Para melhor compreensão da contabilidade por atividades, precisa-se
esclarecer o significado das seguintes palavras: funções, atividades e
tarefas.
No que diz respeito às funções BERLINER & BRIMSON (1992, p. 06) explica
que: “uma função é um grupo de atividades que tem um objetivo comum
dentro do negócio. Por exemplo, a função de fabricar fisicamente um
produto consiste de um conjunto finito de atividades individuais que
mudam a forma do material, usinam peças numa dimensão fixa, cuidam de
seu polimento e da montagem das peças ou materiais. Uma visão funcional
é, com freqüência, significativamente diferente de uma visão
organizacional, uma vez que seu propósito é identificar atividades
homogêneas, enquanto unidades organizacionais são freqüentemente
estabelecidas com base em fatores tais como talento gerencial e
especialização em linhas de produto”.
Desse modo, funções podem ser decompostas em processos que constituem os
conjuntos de atividades.
Em se tratando das atividades, NAKAGAWA (1993, p. 45) explica que: “são
aquelas ações que se tornam necessárias para atingir as metas e os
objetivos da função.
Levando em conta essa definição, os processos de manufatura podem ser
considerados como atividades. Por exemplo, trabalhos feitos através de
máquinas, tratamento térmico, montagem, etc. As atividades podem ser
definidas também em termos de elementos informativos necessários para o
desempenho de atividades e geração do produto. As atividades, por sua
vez, podem ser decompostas em tarefas, subtarefas e operações”.
No que concerne às tarefas, BERLINER & BRIMSON (1992, p. 07) dizem que
elas “são elementos de trabalho de uma atividade”. Denota-se pelo
exposto que funções, atividades e tarefas tem relação entre si.
Tal, também, pode ser visto em NAKAGAWA (1993, p. 45) que identifica
esses elementos apresentando o seguinte exemplo:
“Função - Desempenha a manufatura
*Atividade - .Produz pequenas partes utilizando máquinas, usinagem,
acabamento, montagem, embalalagem, etc.
*Tarefas - Efetuar furos etc.
*Elemento - Ordem de trabalho , planos informativo para o processo,
número de partes, etc”.
Uma vez explicitado o significado dos termos funções, atividades e
tarefas, pode se partir para a discussão do assunto alvo desse item do
trabalho. Assim, o sistema de contabilidade por atividades fornecerá
informações em nível de atividades, primárias e de apoio, processo,
produtos e clientes. Ele deve informar os custos dos diferentes
atributos de objetos que se está mensurando, a fim de possibilitar a
gestão estratégica desses custos.
HARDMAN (1992, p. 345), ao abordar o sistema de contabilidade por
atividades, ressalta que: “contabilizar as atividades significa coletar
todas as informações financeiras e operacionais relativas às atividades
pela empresa, levando-se em consideração as informações financeiras
referente ao custo da atividade, juntamente com as informações
operacionais a que se referem, como tempo, qualidade, flexibilidade,
calculando-se o valor da atividade como por exemplo:
“Departamento - Compras Processo - Compras de Material
Atividade - Emitir pedido de compra
Custo de atividade - US$ 100.000
Gerador do Custo - Quantidade de pedidos de compras emitidos
Quantidade de Saídas - 1.000 pedidos de compra
Custo de saída - US$ 100”.
Desse modo, segundo ROBLES JR. (1994, p. 90): “a acumulação simultânea
de custos em vários centros de atividades proporcionada pela
contabilidade por atividades, permitirá a gestão estratégica de custos,
calculando-se, quando for necessário, o custo total e unitário dos
serviços por centros de atividades.
Evidentemente, a contabilidade por atividade exige um suporte adequado,
em virtude da acumulação de custos por centro de atividades, por
processos e também por produtos”.
Ressalta-se que a eficácia de uma empresa depende, substancialmente, das
atividades que são executadas, por cada grupo especialmente, na
organização. Neste sentido, BERLINER & BRIMSON (1992, p. 06) explicam
que “contabilizar atividades é o ato de coletar informações
significativas do negócio”.
Ao coletar informações cria-se um ambiente próprio para a identificação
e eliminação dos desperdícios, que são elementos incompatíveis com as
tendências atuais do mercado. Essa identificação de desperdícios faz-se,
principalmente, por meio da análise de valor das atividades
desempenhadas. Inicialmente, trata-se de identificar qual o cliente ou
usuário de cada atividade para, em seguida, avaliar se essa atividade
representa algum valor para o usuário identificado. É preciso lembrar
que o cliente de cada atividade pode ser interno ou externo à empresa. O
cliente do processo de venda é externo, mas o funcionário encarregado de
dar segmento à atividade desenvolvida por um outro funcionário da
empresa é um cliente interno, cuja satisfação depende da qualidade da
atividade desenvolvida anteriormente.
A classificação das atividades quanto à agregação do valor é um ponto de
grande destaque na análise do processo. É a partir daí que se pode
começar a analisar o que é supérfluo e o que é essencial, obtendo, assim,
uma orientação mais segura com relação ao que pode ser eliminado ou
simplificado. Nessa avaliação, a questão básica a ser respondida com
respeito a cada atividade é: que valor tem essa atividade para o meu
cliente?
ROBLES JR. (1994, p. 43) destaca por oportuno que: “a contabilidade por
atividade permite detalhar os processos adentrando nos vários
departamentos em que um mesmo processo está encadeado. Essa
possibilidade leva a questões de tomada de terceirizá-lo, dependendo de
fatores econômicos ou fatores políticos, caso a companhia decida
concentrar seus esforços única e exclusivamente nos objetivos sociais”.
Portanto, esse sistema constitui-se numa ferramenta muito mais poderosa
do que as tradicionais, pois ela permite que sejam geradas informações
que transcendem os limites departamentais ou de centro de custo, como
ocorre na contabilidade tradicional.
Assim a princípio, tudo o que não agrega valor deveria ser eliminado.
Todavia, isso nem sempre será possível, pelo menos não de imediato.
Entretanto, à medida que produtos e processos de produção vão sendo
aperfeiçoados, espera-se que um número crescente de atividades sem valor
para o cliente possam ser supridos.
Neste sentido, PADOVEZE (1994, p. 181) explica que: “a empresa escolhe e
determina quais as atividades internas que ela quer processar
internamente, para alcançar maior eficácia gerencial. As diversas
atividades escolhidas pela empresa também podem ser desenvolvidas por
fornecedores externos à empresa. Dessa maneira, há possibilidades de os
gestores de todas as atividades internas confrontarem o valor dos
produtos ou serviços gerados por atividade, com um referencial de
mercado e assim optar por aceitar ou não os produtos, ou serviços
gerados internamente pelas atividades empresariais. O resultado final da
empresa será a somatória do resultado de cada atividade. Dessa forma, o
melhor resultado de cada atividade conduzirá ao melhor resultado da
empresa e a máxima eficácia empresarial. Como para a consecução de cada
atividade é necessário uma série de transações operacionais, econômicas,
financeiras, a otimização da eficiência de cada transação conduzirá
também a eficiência máxima de cada atividade, que provocará a otimização
de cada unidade administrativa (departamentos, por exemplo) e maior
eficácia da empresa como um todo. O ponto fundamental desse sistema de
contabilidade gerencial é que cada atividade é responsável pelos seus
resultados e não pelos seus custos. Os custos de cada atividade são
apenas recursos consumidos para gerar os produtos e serviços que são de
responsabilidade de cada atividade”.
Do que até aqui exposto, infere-se que, além de mensurar mais
corretamente os eventos, objetos e transações de uma empresa, a
contabilidade por atividades preocupa-se também com a qualidade da
informação gerada, ou seja, com a sua representatividade para o tomador
de decisões. Isso, pois, que a forma de mensuração adotada seja capaz de
motivar os gestores a tomarem decisões que privilegiem as atividades
cujos desempenhos tenham como objetivo criar valor para os clientes e
otimizar o lucro para os investidores.
6 - O SISTEMA ABC PARA DECISÕES ESTRATÉGICAS E CONTROLE DE CUSTOS
O fato do sistema ABC utilizar um grande número de direcionadores de
custos para o rateio dos custos indiretos de fabricação, fica evidente a
superioridade desta metodologia, em relação às tradicionais.
Especialmente, se for analisado o substancial crescimento dos custos
indiretos de fabricação em função do desenvolvimento tecnológico das
empresas.
Esta constatação é corroborada por PADOVEZE (1994, p. 241) ao dizer que:
“as vantagens do custeamento por atividade como método para proceder a
uma distribuição dos custos indiretos de fabricação aos produtos de
forma mais acurada parecem claras. Permite apurar custos de forma mais
precisa, ao mesmo tempo que auxilia no processo de controle dos custos
das atividades”.
Na medida em que esses conceitos vão sendo difundidos através de suas
aplicações práticas, alguns profissionais vêm identificando novas
categorias de atividades, com o objetivo de explicar com maior precisão
as diversas classes de gastos gerados pelas operações de produção.
Isso, pois, existem atividades no processo produtivo que não se
identificam diretamente com uma unidade específica de produto fabricado,
mas que podem se identificar, perfeitamente com um determinado valor
desses produtos. São atividades cujos gastos independem do número de
unidades produzidas, como, por exemplo, a atividade de preparação de uma
máquina para a produção de um determinado bem. Outro exemplo é o da
emissão de programas de entrega preparados pelo responsável sobre o
controle de material, visto que, os recursos gastos independem do número
de unidades programadas. Ressalta-se que o custo do material comprado é
unitário para o produto, porém o custo da emissão do programa é, por si
só, por lote. Podem-se citar outros exemplos de atividades executadas
para a produção individual de produtos específicos como: suporte de
sistemas de informações ao processo produtivo e a lista de composição do
produto preparada pela engenharia.
O sistema de custeio por atividade atribui os recursos aos produtos
conforme as quantidades produzidas em cada lote e, desta forma os
recursos são direcionados mais corretamente. Para isso, o sistema de
custeio por atividade, nos gastos de manufatura, inicialmente,
identifica as atividades principais concentradas no processo produtivo e
classifica-as como atividades diretamente relacionadas com cada produto
fabricado, atividades relacionadas com lotes de produção e atividades de
apoio ao produto e de apoio à produção. Em seguida, atribui a cada
produto os seus custos diretos, os custos dos seus respectivos lotes de
produção, bem como os gastos de apoio ao produto, usando bases que
reflitam a real utilização de cada produto das atividades geradoras
desses gastos.
ZUERA (1993, p. 39) diz que “o custeamento baseado por atividades
constitui o ponto culminante da análise estratégica dos custos, e, em
conseqüência, contribui significativamente para o processo de
planejamento estratégico da empresa. A avaliação da rentabilidade de
seus produtos e a valorização econômica de suas atividades constituem
uma base racional para a tomada de decisões estratégicas”.
Por outro lado, a forma tradicional do custeio por absorção atribui
menos custos aos produtos fabricados em pequenas quantidades em relação
aos produtos padronizados, o que conduzirá a decisões estratégicas
inadequadas, especialmente ao fixar os preços de venda dos produtos.
Segundo KOEHLER (1994, p. 80) “o custeamento por atividade (ABC), quando
utilizado na etapa do planejamento, é muito útil como guia para várias
decisões estratégicas, incluindo fixação de preços, busca de fontes de
suprimentos, introdução de novos produtos e adoção de novos desenhos ou
novos processos de fabricação”.
No passado, os custos indiretos de fabricação (CIF) eram alocados aos
produtos de acordo com horas de MOD, porque a produção era simples e os
custos de MOD eram responsáveis pela maior parte dos custos de
transformação (MOD e CIF).
Todavia, à medida que a empresa diversifica sua produção os CIF tendem a
crescer, por causa da maior complexidade do sistema produtivo, o qual
exige mais equipamentos e um maior incremento em atividades de
planejamento e administração da produção, materiais e preparação de
máquinas etc.
BORNIA (1991, p. 13) destaca algumas vantagens que o sistema oferece aos
gestores, a saber: “as informações fornecidas pelo ABC servem para
dirigir atenção da gerência às atividades responsáveis pelos custos dos
produtos, possibilitando melhor visualização dos impactos causados por
decisões e melhor controle dos custos indiretos. A capacidade de
desempenho das atividades, ou seja, o número de transações possíveis de
serem efetuadas por elas, poderá ser determinada através do
acompanhamento no tempo da “performance” dos mesmos.
Desta maneira, a eficiência de certa atividade poderá ser acompanhada,
trazendo importantes informações para a gerência da produção. Do mesmo
modo, outras informações relevantes para a gestão da produção podem ser
encontradas. Por exemplo, os custos unitários das atividades podem
servir como medida de desempenho (eficiência) das mesmas e podem ser
acompanhadas no tempo para revelar onde as modificações nos custos estão
ocorrendo, além de serem úteis em orçamentos e simulações”.
Ainda, nesta mesma linha de raciocínio, NAKAGAWA (1994, p. 62) diz que
“quando se diz que o ABC é uma ferramenta que auxilia os gerentes a
descobrirem as rotas do consumo dos recursos da empresa, busca-se na
realidade, colocar à sua frente uma informação muito importante para
suas decisões. Baseado nas próprias atividades e produtos que os
gerentes conhecem muito bem, o ABC mostra-lhes com clareza e
transparência os custos dessas atividades e produtos”.
Observa-se que o sistema ABC permite aos gestores ter melhores condições
para administrar as atividades sob sua responsabilidade, visto que
encontram maior facilidade em identificar os custos relevantes para um
rol maior de decisões. Essas informações são importantes para a tomada
de decisões melhores, especialmente no que se refere à fixação de preços,
administração das relações com os clientes, projetos de produtos,
melhoria de processos, mix de produção, aquisição, de tecnologia etc.
7 - CONCLUSÃO
Atualmente, a abordagem tradicional de custos não fornece informações
para cumprir suas finalidades de apoio à tomada de decisões e de
controle, neste novo contexto competitivo.
O levantamento desses custos torna-se viável através da aplicação de
conceitos e procedimentos que permeiam a contabilidade por atividades.
Então esses custos passam a compor os relatórios gerenciais, propiciando
maior controle desses custos, em virtude de serem tratados de acordo com
as atividades envolvidas no esforço de assegurar ao cliente o produto ou
serviço mais adequado às suas necessidades.
Os sistemas tradicionais de custos não costumam apresentar informações
claras e transparentes aos gestores. Já o sistema de informações baseado
em atividades demonstra o custo do produto com maior exatidão, uma vez
que identifica as atividades a ele associadas.
Com essas mudanças, que vêm ocorrendo no processo produtivo das empresas
os profissionais da área contábil estão sendo forçados a alterar seus
sistemas de informações gerenciais, incorporando novos conceitos que
melhor retratam as alterações nos métodos de produção e administração.
Os componentes tradicionais do custo do produto, materiais, mão-de-obra
e custos indiretos de fabricação tiveram alteradas suas participações no
custo total.
Em certos casos, o item mão-de-obra deixou de ser relevante em termos de
custos em relação aos demais componentes do custo do produto, enquanto
que os custos indiretos de fabricação, em certas circunstâncias,
passaram a representar o principal componente do custo do produto.
O custeamento baseado em atividades busca facilitar a implementação de
um processo de mudança de atitudes na empresa, pois é uma ferramenta que
auxilia os gerentes a descobrirem as rotas do consumo dos recursos da
empresa, buscando colocar à sua frente uma informação muito importante
para suas decisões. É preciso ressaltar que esse sistema evidencia os
custos dessas atividades e produtos que os gestores conhecem em nível
operacional e, por conseguinte, permite que eles antecipem seus
desempenhos futuros, tornando-os ainda mais eficientes e eficazes.
Por fim, faz-se necessário mencionar que nos sistemas tradicionais de
controle gerencial as análises de variações de preços, eficiência,
gastos e volumes têm sido prejudicadas devido à existência de grandes
distorções nos apurados, pelo fato de serem calculados de acordo com o
custeio baseado em volume.
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Maria Elisabeth Pereira Kraemer beth.kraemerarrobaterra.com.br Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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