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Fonte: Kaplan e Norton.(2000).
Os processos e suas principais funções podem ser assim sintetizados:
√ tradução da visão – ajuda os gerentes a desenvolver o consenso em
torno da estratégia da empresa, expressando-a em termos que orientam a
ação no nível local;
√ comunicação e conexão – permite que os gerentes comuniquem a
estratégia para cima e para baixo na organização e a conectem às metas
das unidades e dos indivíduos;
√ planejamento de negócios – permite que a empresa integre o plano de
negócios e o plano financeiro;
√ feedback e aprendizado – proporciona à empresa a capacidade de
aprendizado estratégico, que consiste em reunir feedback, testar as
hipóteses em que se baseou a estratégia e efetuar os ajustamentos
necessários.
Com o BSC no centro do sistema gerencial, a empresa é capaz de monitorar
os resultados de curto prazo sob as perspectivas e avaliar a estratégia
à luz do desempenho recente. Assim o BSC cria condições para que as
empresas modifiquem a estratégia em função do aprendizado em tempo real.
5 – As instituições de ensino superior
Até alguns tempos atrás as Instituições de Ensino Superior – IES não
tinham muita preocupação com seu sistema de gestão. Gerenciar uma IES é
uma atividade cada vez mais complexa, à medida que se multiplicam as
exigências em torno da rentabilidade, melhoria da qualidade do ensino/aprendizagem
e maior flexibilidade para assegurar a competitividade frente às
necessidades impostas pelo mercado.
Com o surgimento de novas instituições, e com a globalização da economia,
o que fez com que os alunos dessas instituições passassem a ser mais
exigentes com os serviços que lhes são oferecidos, tanto pela
infraestrutura, como pelo professor em sala de aula.
As entidades sem fins lucrativos, conforme Drucker (1994), são agentes
de mudança humana. Seu produto é um paciente curado, uma criança que
aprende, um jovem que se transforma em um adulto com respeito próprio,
ou seja, a transformação de uma vida, tendo um papel claro a desempenhar
na comunidade a que servem; e provocando mudanças sociais. Desenvolvem
uma série de atividades, valendo-se de recursos obtidos do sistema
econômico e social o qual, por sua vez, acolherá “a posterior” o
“produto” final deste processo: pessoas atendidas.
As IES quer particulares, quer públicas, com ou sem fins lucrativos, são
organizações constituídas para oferecer benefícios à sociedade. Esses
benefícios são de natureza social, cultural, econômico, educativo,
tecnológico e moral. Sua existência só tem sentido quando realmente
estão contribuindo para o desenvolvimento da comunidade.
Elas desenvolvem suas atividades e interagem constantemente com o meio
ambiente, no qual estão inseridas, pressupondo sua continuidade. Essa
interação com outras entidades e suas variáveis formam o cenário onde
deveram atuar.
Como qualquer outro tipo de organização uma IES, para sobreviver, terá
que priorizar os seus ganhos para poder ter condições de investir,
manter e melhorar as condições físicas do campi, bem como, garantir a
capacitação dos seus professores.
Apesar de desempenharem funções sociais de extrema importância, estas
entidades segundo Borges & Silva (2002) têm recebido pouca atenção de
profissionais para a aplicação de novas técnicas contábeis e gerenciais.
Assim como nas atividades empresarias, estas entidades dependem de um
conjunto qualificado de recursos humanos e materiais.
Um modelo de gestão bem planejado e eficaz é o Balanced Scorecard, que é
uma ferramenta organizacional, que vem sendo utilizada de modo crescente
em Instituições de Ensino Superior nos Estados Unidos, Europa a
Austrália e tem-se mostrado extremamente eficaz no auxílio à elaboração
do planejamento estratégico, bem como no controle operacional da
Instituição.
O Balanced Scorecard examina o desempenho da Instituição sob quatro
perspectivas ao invés da tradicional medida financeira de resultados. A
partir do estabelecimento de uma visão da Instituição, normalmente
decorrente do seu
Planejamento Pedagógico, são estabelecidos índices de acompanhamento de
desempenho sob o ponto de vista financeiro, dos clientes, do
comportamento interno do processo de ensino/aprendizagem e das
perspectivas de crescimento e aumento do conhecimento. Fornece
informações acessíveis a todos os colaboradores de maneira que eles
possam trabalhar conjuntamente para resolver problemas de desempenho
usando a melhor informação possível.
5.1 – Missão e Visão
A eficiência, a eficácia e a qualidade de uma Instituição de Ensino para
se medir, devem ser usados parâmetros diferentes dos usados para se
medir estes mesmos itens em uma empresa comercial, industrial ou
governamental.
Cada Instituição de Ensino tem a sua própria missão e sendo assim, cada
uma delas deve ter sua maneira própria e adequada de fazer esta
avaliação. Neste sentido a Instituição deve saber como vê o presente e o
futuro de seus discentes, ou seja, o que ela pretende formar.
A partir da missão e da visão como um todo, cada um dos seus
departamentos deve estabelecer suas missões e visões e leva-las até o
nível dos colaboradores individuais, estabelecendo uma rede de
compromissos, possibilitando uma cobrança de resultados.
No geral a missão das IES é colocar produtos, serviços e contribuições
sociais à disposição da comunidade e do governo, satisfazendo suas
necessidades. É através da missão que se determina qual conjunto de
atividades pretende desenvolver e, conseqüentemente, quais os produtos,
serviços e contribuições sociais que estarão à disposição da sociedade.
A missão exerce a função de orientar e delimitar o campo de ação da
gestão organizacional.
Para o Balanced Scorecard, este é o principal ponto de partida e o
principal fator de sucesso para sua utilização, pois ele parte do
princípio de que cada Instituição deve ter claramente definida qual é a
sua missão e a sua própria visão de como se estabelecer e se estruturar
para atender às suas expectativas. A figura 5 mostra a evolução da
construção de um modelo do Balanced Scorecard.
A figura 5 mostra a evolução da construção de um modelo de BSC

Fonte: Bressiani, Alt, Massote (2003)
Por intermédio do BSC é possível:
√ esclarecer e traduzir a missão e a visão, iniciando-se com um trabalho
de equipe traduzindo a estratégia da Instituição em objetivos
estratégicos específicos;
√ comunicar e associar objetivos e mensurações estratégicas, que são
transmitidos aos colaboradores através de boletins informativos, quadros
de avisos e e-mails;
√ planejar, estabelecer metas e alinhar iniciativas estratégicas, já que
são traçadas conjuntamente metas para atingir os objetivos com tr6es a
cinco anos de antecedência, as quais, uma vez alcançadas permitem a
evolução da Instituição.
Bressiani, Alt e Massote (2003) dizem que ao fazermos um desdobramento
de objetivos, de cima para baixo, temos de nos preocupar em definir, a
cada passo, considerando cada uma das perspectivas examinadas: temas
estratégicos, objetivos estratégicos e quais os índices que permitem a
mensuração do cumprimento dos objetivos em relação ao planejamento para
o período conforme a tabela abaixo.
Tabela 1 - Temas, objetivos e indicadores estratégicos
|
PERSPECTIVAS |
TEMAS
ESTRATÉGICOS |
OBJETIVOS
ESTRATÉGICOS |
INDICADORES
ESTRATÉGICOS |
|
FINANÇAS |
Fortalecimento
financeiro |
√
Retorno
sobre investimento
√
Utilização
dos ativos existentes
√
Crescimento
rentável |
√
ROI
√
Retorno
sobre ativos
√
Margem
líquida versus concorrência |
|
CLIENTES |
Encantar
o cliente |
√
Estimular
a contratação dos formandos
√
Garantir
estágios aos graduandos |
√
Tempo
de espera após diplomação
√
Horas estágio/aluno |
|
PROCESSOS
OPERACIONAIS |
Eficiência
didática |
√
Absorção
de conteúdos
√
Pesquisa
pelos alunos |
√
%
de aprovações sem substitutivas
√
Utilização
de livros da biblioteca |
|
CAPACIDADE
DE INOVAÇÃO |
Novos
cursos
Reciclagem
de professores |
√
Criação
de novos cursos de atualização
√
Cursos
internos de reciclagem |
√
Matrículas
por curso
√
Velocidade
de chegada do curso ao mercado
√
Horas
freqüentadas de cursos de reciclagem |
Fonte: Bressiani, Alt, Massote (2003)
O BSC para Bressiani, Alt e Massote (2003) pode ser usado para
viabilizar processos gerenciais críticos, como por exemplo, a
implementação em uma unidade de ensino de um plano didático-pedagógico
renovador, o qual é geralmente traumático por quebrar paradigmas.
As IES são as grandes responsáveis pelo progresso e desenvolvimento das
civilizações. Elas têm um papel e um compromisso relevante com a
sociedade. É um lugar de propagação da cultura. É um espaço que promove
a criatividade e a descoberta. Deve ser um centro produtor e inovador de
conhecimento, não apenas para o consumo, mas para a recriação, de tal
forma que conhecimento gere conhecimento, ou seja, as atividades de
pesquisa, que são o componente principal da renovação
científico-tecnológica.
6 – O sistema de gestão estratégica “Balanced Scorecard” em uma
Instituição de Ensino Superior
Para a construção de um BSC, Kaplan & Norton (1997) sugerem quatro
passos, que se desenvolvidos de forma correta, permitirá a sua
consistência. Este passos são:
√ definição da arquitetura de indicadores;
√ consenso em função dos objetivos estratégicos;
√ escolha e elaboração dos indicadores
√ elaboração do plano de implementação.
O primeiro passo para a implementação do Balanced Scorecard é a
definição do objetivo para a sua utilização. Uma vez definidos os
objetivos deve-se identificar as perspectivas a serem utilizadas pela
organização.
O modelo básico proposto por Kaplan & Norton (1997) está estruturado em
quatro perspectivas, mas os autores entendem que é possível incluir
novas perspectivas, desde que seja necessário. Então como é uma
Instituição de Ensino Superior, recomenda-se iniciar com a perspectiva
da educação, pois esse deve ser o seu foco principal.
Definidas as perspectivas, o passo seguinte é a definição dos
participantes no processo, como por exemplo: a alta administração da
instituição e os departamentos para construção dos indicadores.
Toda a metodologia do BSC depende da clara definição da missão. Para a
definição da arquitetura de indicadores a ser utilizada é necessário
identificar não só a missão, mas a visão e estratégias, que são fatores-chave
de sucesso e seus objetivos estratégicos.
A partir da missão, pode-se estabelecer um programa para desenvolvimento
e implantação do novo modelo didático-pedagógico, que compreende desde
desenvolvimento de conteúdos e treinamento de professores até a
preparação de um BSC para acompanhamento da sua implantação.
O trabalho pode ser iniciado nos cursos, com cada departamento,
definindo claramente, dentro das limitações da missão da Instituição,
qual o campo de atuação de seu formando, qual o perfil desejado para
ele, quais as suas competências e habilidades. Neste contexto são
definidos os conteúdos profissionais e os básicos. Será feito reunião,
onde será debatido todos os conteúdos básicos de caráter geral, comum a
todas as modalidades. De posse do conteúdo geral e dos profissionais,
será estudado os pontos comuns e resultarão os currículos de cada
especialidade e as matérias destinadas a transmitir estes conteúdos.
As metas a serem cumpridas para cada perspectivas do BSC, serão
elaboradas quando da reunião dos departamentos de comum acordo em
conjunto para o desenvolvimento do plano estratégico de implantação do
novo modelo.
Os investimentos em ativos necessários, o material a ser utilizado em
aulas e laboratórios, o número de aulas por disciplinas escolhidas, os
recursos para pesquisas, de acordo com Bressiani, Alt, Massote (2003),
irão possibilitar a previsão dos custos fixos e variáveis a serem
incorridos, na Instituição e nos devidos cursos.
A porção de receita também deve ser discutidas com os departamentos,
sugerindo outras fontes de receita, quer não sejam puramente advindas de
mensalidades, como cursos de extensão e pós-graduação, cursos
seqüenciais, emergenciais, magister, treinamento em empresas,
consultorias, formação de parcerias, etc., que devem ser discutidas e
exploradas.
O orçamento da Instituição pode ser elaborado a partir de dados de
entradas e saídas e, dentro dele, determinados quais serão os temas,
objetivos e indicadores estratégicos a serem usados em cada
desdobramento do BSC.
Deverá ser cuidadosamente discutida a perspectiva do cliente, pois nesta
temos os seguintes intervenientes: o mercado de trabalho, ou seja, os
empregadores dos nossos alunos, os alunos em si e os seus responsáveis e
a sociedade em geral. Com isto a Instituição deve estabelecer
procedimentos para manter seus bancos de dados atualizados em relação ao
mercado e escolhidos os pontos de acompanhamento mais significativos,
como exemplo citado por Bressiani, Alt, Massote (2003): serão por acaso
a evolução da procura por vagas? Ou o grau de retenção? Ou a presença no
Campus de recrutadores de empresas?
O desdobramento do BSC, finalmente será feito desde a Instituição como
um todo, até o nível que for determinado, podendo chegar ao nível do
colaborador, seja ele funcionário ou professor, como mostra a figura 6.
Figura 6 – Desdobramento do BSC

Fonte: Bressiani, Alt, Massote (2003)
7 – Conclusão
Para o desenvolvimento de um BSC, algumas premissas devem ser
consideradas e, caso não o sejam podem simplesmente tornar-se
impraticáveis. Um dos cuidados é o envolvimento da alta administração no
processo de criação e estruturação dos indicadores.
Os principais objetivos para a implementação de um BSC estão
relacionados a três fatores: facilitar e orientar o estabelecimento de
objetivos e medidas, traduzidos da visão e estratégia e atrelados a cada
perspectiva definida; obtenção do consenso entre todos os participantes,
pois do contrário, dificulta o comprometimento na execução das
iniciativas estratégicas; possibilitar a vinculação entre indicadores de
resultados ou ocorrências com seus vetores de desempenho, o que facilita
sobremaneira a gestão e a própria construção de um Scorecard.
Esta metodologia de gestão permite a organização a flexibilidade exigida
pelo mercado, bem como a eficácia no uso das informações estratégicas da
Instituição para a tomada de decisão de forma correta. Partindo desta
premissa, este trabalho teve como contribuição a estruturação de
indicadores de resultados que uma Instituição de Ensino Superior poderá
estabelecer para controle, traduzindo as suas estratégias em medidas e
ações estratégicas.
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ROCHA, T., PINTO, M. G. C., GIUNTINI, N. A utilização do Balanced
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ROCHA, D. J. A. Desenvolvimento do Balanced Scorecard para instituição
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Universidade Gama. Florianópolis. 2000. Dissertação (Mestrado em
Engenharia da Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina,
Florianópolis
Maria Elisabeth Pereira Kraemer beth.kraemerarrobaterra.com.br Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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