O Balanced Scorecard – BSC - é uma metodologia de gestão empresarial que
mede o desempenho operacional, usando além dos indicadores financeiros
costumeiros, indicadores de acompanhamento da satisfação do cliente, da
eficácia dos processos operacionais internos e da capacidade de inovação
da Instituição, comparando-os ao estabelecimento no planejamento
estratégico. Os resultados obtidos nestas áreas adicionais podem
assegurar a continuidade dos resultados financeiros e ajudar a conduzir
a organização na direção dos seus objetivos estratégicos, normalmente de
longo prazo. O balanceamento das quatro perspectivas permite aos
funcionários da linha de frente, uma vez treinados na metodologia,
compreender as conseqüências financeiras de suas ações e decisões e, aos
dirigentes o reconhecimento dos vetores de sucesso à longo prazo. Os
objetivos e medidas utilizados no BSC devem derivar de um processo
hierárquico (de cima para baixo), norteado pela missão e visão do futuro
da Instituição. O BSC é uma metodologia de fácil aplicação, envolve
todos os níveis da Instituição e permite uma visão clara dos rumos a
serem seguidos e como corrigir as mudanças de percurso.
1 - Introdução
O sucesso de um empreendimento está no seu propósito principal, naquilo
que está definido na sua missão e visão, na sua definição estratégica.
Ter um produto revolucionário, com um ótimo preço e com uma qualidade
acima da concorrência, pode fazer a diferença, porém não é tudo. Há
necessidade de entender como funciona o complexo empresarial, o processo
da organização, e dota-la de instrumentos que indiquem a cada momento
como está a empresa e dê meios para que cada responsável em cada
atividade na empresa possa corrigir o rumo com agilidade e eficácia.
O BSC se diferencia de todos os outros modelos de gestão porque ele pode
agregar todos os modelos de controle financeiro e não financeiro que
existem, desde que propiciem ao administrador uma forma de indicador de
desempenho. É uma ferramenta de apoio para acompanhar e monitorar as
evoluções das decisões da empresa, centradas em indicadores chaves. Cada
pessoal na organização deve entender cada aspecto ligado a estratégia,
para que o sucesso seja pleno.
O principal efeito ou realização desta ferramenta é a sua capacidade de
possibilitar aos gerentes o poder de medir tudo. Ele abriga no seu
conceito a dimensão de avaliação de eventos não financeiros, fazendo com
que tudo na organização passe a ser medido.
Medir a estratégia permite que você confirme ou ponha de lado as ações
de causa e efeitos assumidos quando você estabeleceu a estratégia. É uma
informação vital. A sua estratégia está baseada no que você acredita que
vai criar valor para sua organização. Se isto não ocorre então sua
suposição em que a estratégia está baseada pode estar errada e então
você pode reescrever a estratégia.
Ao medir você obtém a informação necessária para livrar do fracasso ou
para confirmar uma boa estratégia. O maior efeito de uma boa estratégia,
definida e confirmada, é o fato que fortalecer a empresa ao ser
comunicado a toda organização, deixando transparecer para todas as
pessoas a importância de se medir.
A utilização do BSC em Instituições de Ensino Superior é um fator
determinante para o sucesso, pois são identificadas as principais causas
que afetam o desempenho organizacional, sendo que esta metodologia
permite esse tipo de avaliação, inclusive, permitindo a correção de
determinados objetivos ou indicadores por não ter uma relação de causa e
efeito com o que se deseja alcançar.
Para Rocha (2000), outro ponto positivo dessa aplicação é a estruturação
geral de indicadores, facilitando o controle, inclusive visual, do
desempenho e performance da instituição. A análise de cada perspectiva,
possibilitando a identificação de inexistência de diversos processos ou
falhas nos atuais, como por exemplo, na educação, focando os pontos
principais que poderão afetar a realização das metas principais; na
perspectiva dos clientes, o estabelecimento de indicadores que permitam
o controle ou mesmo o monitoramento da situação atual;; na perspectiva
dos processos internos, a inclusão do processo de inovação, que induz as
organizações a escutar e a introduzir a voz do cliente em seus
processos, inovando e criando soluções ao problemas atuais e, por fim,
na perspectiva do aprendizado e crescimento, é possível identificar
falhas na estrutura, nas condições gerais ofertadas pela organização, na
qualificação dos profissionais, nos sistemas de informações existentes,
fatores esses que são básicos para dar o suporte necessário para as
demais perspectivas.
2 – O Balanced Scorecard e sua filosofia
Durante a Era Industrial, de 1850 até 1975, o sucesso das empresas era
determinado pela maneira como se aproveitavam dos benefícios das
economias de escala e do escopo. Durante esse período, sistemas de
controle financeiro foram desenvolvidos com o intuito de facilitar e
monitorar alocação eficiente de capital financeiro e físico. Nas últimas
décadas do século XX o advento da Era da Informação tornou obsoleta
muita das premissas fundamentais da concorrência industrial. Segundo
Reis (2001), as empresas não conseguem mais obter vantagens competitivas
sustentáveis apenas com a rápida alocação de novas tecnologias a ativos
físicos e com a excelência da gestão eficaz dos ativos e passivos
financeiros.
Kaplan & Norton (1997) ressaltam que as empresas da Era da Informação
estão baseadas em um novo conjunto de premissas operacionais: processos
interfuncionais; ligação com clientes e fornecedores; segmentação de
clientes; escala global; inovação e trabalhadores do conhecimento.
Hoje, o processo de gestão em relatórios financeiros se mostra
inadequado, pois está atrelado a um modelo contábil desenvolvido há
séculos para um ambiente de transações isoladas entre entidades
independentes.
Reis (2001) diz que uma das formas de adequar este modelo da
contabilidade financeira é ampliá-lo de modo que incorpore a avaliação
dos ativos intangíveis e intelectuais de uma empresa, como produtos e
serviços de alta qualidade, funcionários motivados e habilitados,
processos internos eficientes e consistentes e clientes satisfeitos e
fiéis. Levar em consideração os ativos intangíveis no momento de avaliar
a performance das empresas é imprescindível, uma vez que eles têm maior
importância para as empresa da era da informação do que os ativos
físicos e tangíveis.
Na década de 90, era preocupação dos Estados Unidos medir a performance
das organizações, pois os métodos existentes para avaliação do
desempenho empresarial, que era apoiado nos indicadores contábeis e
financeiros, estavam se tornando obsoletos. Acadêmicos e executivos
estudaram, pesquisaram e desenvolveram um novo modelo que considera os
objetivos em curto e longo prazos, medidas financeiras e
não-financeiras, indicadores de performance e as perspectivas interna e
externa do desempenho empresarial. A síntese foi feita por Robert S.
Kaplan, professor da Harvard Business School, e David P. Norton,
presidente da Renaissance Solutions, em 1992, no artigo The balanced
scorecard – measures that drive perfomance (Balanced Scorecard – medidas
que impulsionam o desempenho) publicado na conceituada revista Harvard
Business Review. Mal sabiam que estavam para dar início a uma revolução.
Seu único objetivo era mostrar as desvantagens de usar apenas medidas
financeiras para julgar o desempenho empresarial, incentivando as
empresas a medir também fatores como qualidade e satisfação do cliente.
O conceito que os autores chamaram de “Balanced Scorecard” (Cenário
Balanceado) vem sendo muito utilizados nos Estados Unidos como uma
ferramenta adequada para medir o desempenho das organizações,
tornando-se a marca de uma organização bem administrada. Hoje, muitas
empresas dizem que é a base sobre a qual se assenta seu sistema de
gestão.
A denominação de Cenário Balanceado, como diz Campos (1998), decorre do
fato de que, segundo a nossa visão, uma organização só deverá ser
considerada no caminho do sucesso, se os quatro conjuntos de indicadores
estiverem devidamente “balanceados”, ou seja, aplicados com graus de
importância relativa, porém eqüitativa, de forma a possibilitar um
desenvolvimento real e equilibrado. Por exemplo, se num determinado
exercício uma empresa for muito bem financeiramente, mas com indicadores
referentes ao atendimento a seus clientes avaliados como abaixo do
esperado, muito provavelmente, em médio prazo, irá apresentar problemas
de sobrevivência.
A metodologia criada por Kaplan e Norton, segundo suas próprias
palavras, não é mais do que o conjunto de indicadores (medidas) e
mostradores (gráficos) de um “painel de controle” da empresa. Segundo
Campos (1998), fazendo uma despretensiosa analogia, seria algo como o
painel de instrumento de um veículo.
Cada automóvel, avião ou navio tem um painel de controle próprio, com
alguns medidores obrigatórios, como velocidade, pressão de óleo, nível
de combustível e outros indicadores específicos, talvez semelhantes, mas
nem sempre idênticos.
Alguns se referem a este painel como “Painel de Guerra”, uma vez que
consideram que no mercado as empresas estão em guerra pela sua
perpetuação.
Por sua apresentação gráfica e fácil análise, o conjunto de medidas do
cenário permite aos gerentes uma rápida e abrangente visão da situação
dos negócios. A apresentação gráfica dos resultados financeiros
resultantes de ações já tomadas é complementada pelas medidas
operacionais de satisfação dos clientes, dos processos internos, e do
crescimento e aprendizado, ou seja, dos elementos básicos que conduzem a
empresa para o futuro desempenho financeiro do negócio.
Para Kaplan & Norton (1997), o BSC capta as atividades críticas de
geração do valor criados por funcionários e executivos capazes e
motivados da empresa.
Preservando, o interesse no desempenho em curto prazo, através da
perspectiva financeira, o Balanced Scorecard revela claramente os
vetores de valor para um desempenho financeiro competitivo superior em
longo prazo.
Os mesmo autores dizem que para a aplicação do BSC nas organizações,
três aspectos são de fundamental importância: a integração entre as
quatro perspectivas, para que estas não se tornem isoladas dentro do
contexto; o balanceamento entre os graus de importância das perspectivas
do BSC; e que o BSC seja visto pela organização como um sistema de
gestão estratégica e não somente gestão financeira.
Sendo assim, segundo Rocha (2000), o BSC é mais do que um sistema de
medidas, devendo também traduzir a visão e a estratégia de uma unidade
de negócios em objetivos e medidas tangíveis, que representam o
equilíbrio entre indicadores externos voltados para acionistas e
clientes, e medidas internas dos processos críticos, de inovação,
aprendizado e crescimento. O importante é o equilíbrio entre as medidas
de resultado – as conseqüências dos esforços do passado – e os vetores
de desempenho futuro.
3 – Balanced Scorecard: sua função
O Balanced Scorecard (BSC) proporciona aos gerentes um instrumento que
necessitam para ter êxito competitivo futuro. As origens do BSC remontam
a 1990, com o objetivo de avaliar até que ponto os executivos das
empresas se sentiam seguros com os métodos existentes de avaliação do
desempenho empresarial.
Também chamada nos países de língua hispânica da América do Sul de
Tablero de Comando, ou Quadro de Mando Integral na Península Ibérica, o
BSC tem suas origens nos EUA na década de 90, a partir do questionamento
de executivos quanto à segurança e adequação dos métodos existentes para
a mensuração do desempenho das corporações.
Os objetivos estratégicos de uma empresa são atingidos quando a
diretoria é capaz de difundir uma visão comum e induzir ações relevantes
para se atingir o sucesso empresarial. O BSC integra os três grupos de
ações que conduzem a este fim: Estratégicas, Operacionais e
Organizacionais, estabelecendo um processo estruturado para a criação de
medidas adequadas e objetivos em todos os níveis, possibilitando a
integração entre os grupos de ações e garantindo o alinhamento de toda a
organização. Na figura 1 é demonstrado esse grupo de ações.

Figura 1 – Grupo de ações
Fonte: Picorelli (2003).
O resultado deste estudo indicou um grande descontentamento com a
capacidade dos indicadores utilizados de proverem adequadamente o
monitoramento da estratégia delineada para o negócio. Outra crítica
apresentada refere-se ao fato de os métodos de avaliação estavam
baseados, quase que exclusivamente, em dados contábeis e financeiros
consolidados, o que não representava as ações em andamento nas empresas,
direcionadas para o relacionamento com o cliente, desenvolvimento de
produto, qualidade total, competências individuais e organizacionais.
Face ao surgimento dessa necessidade num momento de grande competição e
concorrência universal, um grupo de estudo foi criado com o objetivo de
desenvolver um novo conceito para medição de desempenho corporativo. À
frente deste trabalho estavam o professor de Harvard Business School,
Robert S. Kaplan, e o executivo David P. Norton, que constataram a
incapacidade dos indicadores contábeis financeiros em medir as
atividades criadoras de valor, relacionadas principalmente com os ativos
intangíveis como as habilidades, competências e tecnologia da
informação.
Desta forma, complementando os indicadores financeiros que mensuram o
desempenho passado, o BSC inova com a junção de medidores de desempenho
futuro, focados estrategicamente nas perspectivas das Finanças
Corporativas – resultado financeiro sob a ótica dos acionistas, dos
Clientes – nossos produtos e serviços sob a ótica deles, dos Processos
Internos – concentrar esforços nos processos que atendam aos acionistas
e clientes e Aprendizado e Crescimento – a capacidade de mudar e
melhorar continuamente. A definição e integração dos objetivos e das
iniciativas dessas quatro perspectivas constituem os pilares do sistema
BSC, que devem ser conectados ao pensamento estratégico da organização,
como mostra a figura 2.
Figura 2 – Visão geral das perspectivas do BSC
Fonte : Kaplan e Norton (2000).
3.1 – Perspectiva Financeira
Avalia a lucratividade da estratégia. Permite medir e avaliar resultados
que o negócio proporciona e necessita para seu crescimento e
desenvolvimento, assim como para satisfação dos seus acionistas. Entre
os indicadores financeiros que podem ser considerados, constam retorno
sobre o investimento, o valor econômico agregado, a lucratividade, o
aumento de receitas, redução de custos e outros objetivos de cunho
financeiro que estejam alinhados com a estratégia. Os objetivos
financeiros representam metas de longo prazo, gerar retornos acima do
capital investido na unidade de negócios. O BSC permite tornar os
objetivos financeiros explícitos, além, de permitir ajustes entre
unidades de diferentes negócios e de diferentes fases de seus ciclos de
vida e crescimento.
3.2 – Perspectiva do Cliente
Identifica os segmentos de mercado visados e as medidas do êxito da
empresa nesse segmento. Identificar os fatores que são importantes na
concepção dos clientes é uma exigência do BSC, e a preocupação desses em
geral situa-se em torno de quatro categorias: tempo, qualidade,
desempenho e serviço. Em termos de indicadores considerados como
essências nessa perspectiva, constam as participações de mercado,
aquisição de clientes, retenção de clientes, a lucratividade dos
clientes e o nível de satisfação dos consumidores. Representam metas
para as operações, logística, marketing e desenvolvimentos de produtos e
serviços da empresa.
3.3 – Perspectiva dos Processos Internos
É elaborada após as perspectivas financeira e dos clientes, pois essas
fornecem as diretrizes para seus objetivos. Os processos internos são as
diversas atividades empreendidas dentro da organização que possibilitam
realizar desde a identificação das necessidades até a satisfação dos
clientes. Abrange os processos de inovação (criação de produtos e
serviços), operacional (produção e comercialização) e de serviços
pós-venda (suporte ao consumidor após as vendas). A melhoria dos
processos internos no presente é um indicador-chave do sucesso
financeiro no futuro.
3.4 – Perspectiva Aprendizado e Crescimento
Oferece a base para a obtenção dos objetivos das outras perspectivas.
Com ela, identifica-se a infra-estrutura necessária para propiciar o
crescimento e melhorias a longo prazo, as quais provêm de três fontes
principais: pessoas, sistemas e procedimentos organizacionais.
Identifica também as capacidades de que a empresa deve dispor para
conseguir processos internos capazes de criar valor para clientes e
acionistas. Como indicadores importantes podem ser considerados: nível
de satisfação dos funcionários, rotatividades dos funcionários,
lucratividade por funcionário, capacitação e treinamento dos
funcionários e participação dos funcionários com sugestões para redução
de custos ou aumento de receitas.
Essas perspectivas devem ser ligadas entre si, em relações de causa e
efeito que “contam a história” da estratégia da empresa, conforme
demonstrado na figura 3.
Figura 3 – Relações de Causa e Efeito entre as Perspectivas do BSC

Fonte: Lopes 2002.
O BSC é um conceito de gestão de negócio que correlaciona informações
financeiras e não-financeiras num quadro de análise e medição de
desempenho, facilitando a elaboração e comunicação de estratégias de
negócio. Os aspectos não-financeiros são chamados de indicadores de
tendência, ou seja, são informações sobre os processos internos, os
clientes externos, o desenvolvimento das pessoas e o crescimento da
organização.
4 – Balanced Scorecard como sistema de gestão estratégica
As empresas que utilizam o BSC como pedra angular de um novo sistema de
gerenciamento estratégico têm duas tarefas: primeiro precisam elaborar o
scorecard e, depois, utilizar o scorecard.
O BSC introduz quatro novos processos que ajudam as empresas a conectar
os objetivos de longo prazo às ações de curto prazo. Identificados como
vetores críticos por Kaplan e Norton (2000), eles são demonstrados na
figura 4.
Figura 4 – Os vetores críticos do Balanced Scorecard

Fonte: Kaplan e Norton.(2000).
Os processos e suas principais funções podem ser assim sintetizados:
√ tradução da visão – ajuda os gerentes a desenvolver o consenso em
torno da estratégia da empresa, expressando-a em termos que orientam a
ação no nível local;
√ comunicação e conexão – permite que os gerentes comuniquem a
estratégia para cima e para baixo na organização e a conectem às metas
das unidades e dos indivíduos;
√ planejamento de negócios – permite que a empresa integre o plano de
negócios e o plano financeiro;
√ feedback e aprendizado – proporciona à empresa a capacidade de
aprendizado estratégico, que consiste em reunir feedback, testar as
hipóteses em que se baseou a estratégia e efetuar os ajustamentos
necessários.
Com o BSC no centro do sistema gerencial, a empresa é capaz de monitorar
os resultados de curto prazo sob as perspectivas e avaliar a estratégia
à luz do desempenho recente. Assim o BSC cria condições para que as
empresas modifiquem a estratégia em função do aprendizado em tempo real.
5 – As instituições de ensino superior
Até alguns tempos atrás as Instituições de Ensino Superior – IES não
tinham muita preocupação com seu sistema de gestão. Gerenciar uma IES é
uma atividade cada vez mais complexa, à medida que se multiplicam as
exigências em torno da rentabilidade, melhoria da qualidade do
ensino/aprendizagem e maior flexibilidade para assegurar a
competitividade frente às necessidades impostas pelo mercado.
Com o surgimento de novas instituições, e com a globalização da
economia, o que fez com que os alunos dessas instituições passassem a
ser mais exigentes com os serviços que lhes são oferecidos, tanto pela
infraestrutura, como pelo professor em sala de aula.
As entidades sem fins lucrativos, conforme Drucker (1994), são agentes
de mudança humana. Seu produto é um paciente curado, uma criança que
aprende, um jovem que se transforma em um adulto com respeito próprio,
ou seja, a transformação de uma vida, tendo um papel claro a desempenhar
na comunidade a que servem; e provocando mudanças sociais. Desenvolvem
uma série de atividades, valendo-se de recursos obtidos do sistema
econômico e social o qual, por sua vez, acolherá “a posterior” o
“produto” final deste processo: pessoas atendidas.
As IES quer particulares, quer públicas, com ou sem fins lucrativos, são
organizações constituídas para oferecer benefícios à sociedade. Esses
benefícios são de natureza social, cultural, econômico, educativo,
tecnológico e moral. Sua existência só tem sentido quando realmente
estão contribuindo para o desenvolvimento da comunidade.
Elas desenvolvem suas atividades e interagem constantemente com o meio
ambiente, no qual estão inseridas, pressupondo sua continuidade. Essa
interação com outras entidades e suas variáveis formam o cenário onde
deveram atuar.
Como qualquer outro tipo de organização uma IES, para sobreviver, terá
que priorizar os seus ganhos para poder ter condições de investir,
manter e melhorar as condições físicas do campi, bem como, garantir a
capacitação dos seus professores.
Apesar de desempenharem funções sociais de extrema importância, estas
entidades segundo Borges & Silva (2002) têm recebido pouca atenção de
profissionais para a aplicação de novas técnicas contábeis e gerenciais.
Assim como nas atividades empresarias, estas entidades dependem de um
conjunto qualificado de recursos humanos e materiais.
Um modelo de gestão bem planejado e eficaz é o Balanced Scorecard, que é
uma ferramenta organizacional, que vem sendo utilizada de modo crescente
em Instituições de Ensino Superior nos Estados Unidos, Europa a
Austrália e tem-se mostrado extremamente eficaz no auxílio à elaboração
do planejamento estratégico, bem como no controle operacional da
Instituição.
O Balanced Scorecard examina o desempenho da Instituição sob quatro
perspectivas ao invés da tradicional medida financeira de resultados. A
partir do estabelecimento de uma visão da Instituição, normalmente
decorrente do seu Planejamento Pedagógico, são estabelecidos índices de
acompanhamento de desempenho sob o ponto de vista financeiro, dos
clientes, do comportamento interno do processo de ensino/aprendizagem e
das perspectivas de crescimento e aumento do conhecimento. Fornece
informações acessíveis a todos os colaboradores de maneira que eles
possam trabalhar conjuntamente para resolver problemas de desempenho
usando a melhor informação possível.
5.1 – Missão e Visão
A eficiência, a eficácia e a qualidade de uma Instituição de Ensino para
se medir, devem ser usados parâmetros diferentes dos usados para se
medir estes mesmos itens em uma empresa comercial, industrial ou
governamental.
Cada Instituição de Ensino tem a sua própria missão e sendo assim, cada
uma delas deve ter sua maneira própria e adequada de fazer esta
avaliação. Neste sentido a Instituição deve saber como vê o presente e o
futuro de seus discentes, ou seja, o que ela pretende formar.
A partir da missão e da visão como um todo, cada um dos seus
departamentos deve estabelecer suas missões e visões e leva-las até o
nível dos colaboradores individuais, estabelecendo uma rede de
compromissos, possibilitando uma cobrança de resultados.
No geral a missão das IES é colocar produtos, serviços e contribuições
sociais à disposição da comunidade e do governo, satisfazendo suas
necessidades. É através da missão que se determina qual conjunto de
atividades pretende desenvolver e, conseqüentemente, quais os produtos,
serviços e contribuições sociais que estarão à disposição da sociedade.
A missão exerce a função de orientar e delimitar o campo de ação da
gestão organizacional.
Para o Balanced Scorecard, este é o principal ponto de partida e o
principal fator de sucesso para sua utilização, pois ele parte do
princípio de que cada Instituição deve ter claramente definida qual é a
sua missão e a sua própria visão de como se estabelecer e se estruturar
para atender às suas expectativas. A figura 5 mostra a evolução da
construção de um modelo do Balanced Scorecard.
A figura 5 mostra a evolução da construção de um modelo de BSC

Fonte: Bressiani, Alt, Massote (2003)
Por intermédio do BSC é possível:
√ esclarecer e traduzir a missão e a visão, iniciando-se com um trabalho
de equipe traduzindo a estratégia da Instituição em objetivos
estratégicos específicos;
√ comunicar e associar objetivos e mensurações estratégicas, que são
transmitidos aos colaboradores através de boletins informativos, quadros
de avisos e e-mails;
√ planejar, estabelecer metas e alinhar iniciativas estratégicas, já que
são traçadas conjuntamente metas para atingir os objetivos com tr6es a
cinco anos de antecedência, as quais, uma vez alcançadas permitem a
evolução da Instituição.
Bressiani, Alt e Massote (2003) dizem que ao fazermos um desdobramento
de objetivos, de cima para baixo, temos de nos preocupar em definir, a
cada passo, considerando cada uma das perspectivas examinadas: temas
estratégicos, objetivos estratégicos e quais os índices que permitem a
mensuração do cumprimento dos objetivos em relação ao planejamento para
o período conforme a tabela abaixo.
Tabela 1 - Temas, objetivos e indicadores estratégicos
|
PERSPECTIVAS |
TEMAS ESTRATÉGICOS |
OBJETIVOS ESTRATÉGICOS |
INDICADORES ESTRATÉGICOS |
|
FINANÇAS |
Fortalecimento financeiro |
√
Retorno sobre investimento
√
Utilização dos ativos existentes
√
Crescimento rentável |
√
ROI
√
Retorno sobre ativos
√
Margem líquida versus concorrência |
|
CLIENTES |
Encantar o cliente |
√
Estimular a contratação dos formandos
√
Garantir estágios aos graduandos |
√
Tempo de espera após diplomação
√
Horas estágio/aluno |
|
PROCESSOS OPERACIONAIS |
Eficiência didática |
√
Absorção de conteúdos
√
Pesquisa pelos alunos |
√
%
de aprovações sem substitutivas
√
Utilização de livros da biblioteca |
|
CAPACIDADE DE INOVAÇÃO |
Novos cursos
Reciclagem de professores |
√
Criação de novos cursos de atualização
√
Cursos internos de reciclagem |
√
Matrículas por curso
√
Velocidade de chegada do curso ao mercado
√
Horas freqüentadas de cursos de reciclagem |
Fonte: Bressiani, Alt, Massote (2003)
O BSC para Bressiani, Alt e Massote (2003) pode ser usado para
viabilizar processos gerenciais críticos, como por exemplo, a
implementação em uma unidade de ensino de um plano didático-pedagógico
renovador, o qual é geralmente traumático por quebrar paradigmas.
As IES são as grandes responsáveis pelo progresso e desenvolvimento das
civilizações. Elas têm um papel e um compromisso relevante com a
sociedade. É um lugar de propagação da cultura. É um espaço que promove
a criatividade e a descoberta. Deve ser um centro produtor e inovador de
conhecimento, não apenas para o consumo, mas para a recriação, de tal
forma que conhecimento gere conhecimento, ou seja, as atividades de
pesquisa, que são o componente principal da renovação
científico-tecnológica.
6 – O sistema de gestão estratégica “Balanced Scorecard” em uma
Instituição de Ensino Superior
Para a construção de um BSC, Kaplan & Norton (1997) sugerem quatro
passos, que se desenvolvidos de forma correta, permitirá a sua
consistência. Este passos são:
√ definição da arquitetura de indicadores;
√ consenso em função dos objetivos estratégicos;
√ escolha e elaboração dos indicadores
√ elaboração do plano de implementação.
O primeiro passo para a implementação do Balanced Scorecard é a
definição do objetivo para a sua utilização. Uma vez definidos os
objetivos deve-se identificar as perspectivas a serem utilizadas pela
organização.
O modelo básico proposto por Kaplan & Norton (1997) está estruturado em
quatro perspectivas, mas os autores entendem que é possível incluir
novas perspectivas, desde que seja necessário. Então como é uma
Instituição de Ensino Superior, recomenda-se iniciar com a perspectiva
da educação, pois esse deve ser o seu foco principal.
Definidas as perspectivas, o passo seguinte é a definição dos
participantes no processo, como por exemplo: a alta administração da
instituição e os departamentos para construção dos indicadores.
Toda a metodologia do BSC depende da clara definição da missão. Para a
definição da arquitetura de indicadores a ser utilizada é necessário
identificar não só a missão, mas a visão e estratégias, que são
fatores-chave de sucesso e seus objetivos estratégicos.
A partir da missão, pode-se estabelecer um programa para desenvolvimento
e implantação do novo modelo didático-pedagógico, que compreende desde
desenvolvimento de conteúdos e treinamento de professores até a
preparação de um BSC para acompanhamento da sua implantação.
O trabalho pode ser iniciado nos cursos, com cada departamento,
definindo claramente, dentro das limitações da missão da Instituição,
qual o campo de atuação de seu formando, qual o perfil desejado para
ele, quais as suas competências e habilidades. Neste contexto são
definidos os conteúdos profissionais e os básicos. Será feito reunião,
onde será debatido todos os conteúdos básicos de caráter geral, comum a
todas as modalidades. De posse do conteúdo geral e dos profissionais,
será estudado os pontos comuns e resultarão os currículos de cada
especialidade e as matérias destinadas a transmitir estes conteúdos.
As metas a serem cumpridas para cada perspectivas do BSC, serão
elaboradas quando da reunião dos departamentos de comum acordo em
conjunto para o desenvolvimento do plano estratégico de implantação do
novo modelo.
Os investimentos em ativos necessários, o material a ser utilizado em
aulas e laboratórios, o número de aulas por disciplinas escolhidas, os
recursos para pesquisas, de acordo com Bressiani, Alt, Massote (2003),
irão possibilitar a previsão dos custos fixos e variáveis a serem
incorridos, na Instituição e nos devidos cursos.
A porção de receita também deve ser discutidas com os departamentos,
sugerindo outras fontes de receita, quer não sejam puramente advindas de
mensalidades, como cursos de extensão e pós-graduação, cursos
seqüenciais, emergenciais, magister, treinamento em empresas,
consultorias, formação de parcerias, etc., que devem ser discutidas e
exploradas.
O orçamento da Instituição pode ser elaborado a partir de dados de
entradas e saídas e, dentro dele, determinados quais serão os temas,
objetivos e indicadores estratégicos a serem usados em cada
desdobramento do BSC.
Deverá ser cuidadosamente discutida a perspectiva do cliente, pois nesta
temos os seguintes intervenientes: o mercado de trabalho, ou seja, os
empregadores dos nossos alunos, os alunos em si e os seus responsáveis e
a sociedade em geral. Com isto a Instituição deve estabelecer
procedimentos para manter seus bancos de dados atualizados em relação ao
mercado e escolhidos os pontos de acompanhamento mais significativos,
como exemplo citado por Bressiani, Alt, Massote (2003): serão por acaso
a evolução da procura por vagas? Ou o grau de retenção? Ou a presença no
Campus de recrutadores de empresas?
O desdobramento do BSC, finalmente será feito desde a Instituição como
um todo, até o nível que for determinado, podendo chegar ao nível do
colaborador, seja ele funcionário ou professor, como mostra a figura 6.
Figura 6 – Desdobramento do BSC

Fonte: Bressiani, Alt, Massote (2003)
7 – Conclusão
Para o desenvolvimento de um BSC, algumas premissas devem ser
consideradas e, caso não o sejam podem simplesmente tornar-se
impraticáveis. Um dos cuidados é o envolvimento da alta administração no
processo de criação e estruturação dos indicadores.
Os principais objetivos para a implementação de um BSC estão relacionados a três fatores: facilitar e orientar o estabelecimento de objetivos e medidas, traduzidos da visão e estratégia e atrelados a cada perspectiva definida; obtenção do consenso entre todos os participantes, pois do contrário, dificulta o comprometimento na execução das iniciativas estratégicas; possibilitar a vinculação entre indicadores de resultados ou ocorrências com seus vetores de desempenho, o que facilita sobremaneira a gestão e a própria construção de um Scorecard.
Esta metodologia de gestão permite a organização a
flexibilidade exigida pelo mercado, bem como a eficácia no uso das
informações estratégicas da Instituição para a tomada de decisão de
forma correta. Partindo desta premissa, este trabalho teve como
contribuição a estruturação de indicadores de resultados que uma
Instituição de Ensino Superior poderá estabelecer para controle,
traduzindo as suas estratégias em medidas e ações estratégicas.
Referências
BORGES, A. SILVA, T. M. da. O custeio ABC aplicado em instituições
filantrópicas de ensino. Revista CCSH 2000. Centro de Ciências Sociais e
Humanas, v. 13. n.1. jan/dez 2000. Universidade Federal de Santa Maria.
http://coralx.ufsm.br/ccsh/5e_revista2002.php
BRESSIANI, F. ALT. P. R. C., MASSOTE A A. O uso do Balanced Scorecard
como instrumento de melhoria de desempenho de uma Instituição de Ensino
Superior. http://www.pp.ufu.br Acesso em 23.12.2003.
CAMPOS, J. A Cenário Balanceado: painel de indicadores para a gestão
estratégica dos negócios. São Paulo: Aquariana, 1998.
DRUCKER, P. F. Administração de organizações sem fins lucrativos,
princípios e práticas. São Paulo: Pioneira, 1994.
KAPLAN, R. S. NORTON, D. P. A estratégia em ação: balanced scorecard.
São Paulo: Campus, 1997.
KAPLAN, R. S. e NORTON, D. P. Utilizando o balanced scorecard como
sistema gerencial estratégico. Rio de Janeiro: Campus, 2000.
KRAEMER, M. E. P. O balanced scorecard e seu impacto na contabilidade
gerencial. Contabilidade Vista & Revista. Minas Gerais, n. 3, p.53-70,
dez.2002.
LOPES, F. G. Balanced Scorecard e ISO 9001:2000.
http://www.keyassociados.com.br. Acesso em 19.06.2003.
PICORELLI, R. Balanced Scorecard: assegurando o compromisso com o
performance. www.tablerodecomando.com. Acesso em 30.06.2003.
REIS, R.V. Utilização do Balanced Scorecard para auxiliar na
determinação da participação dos funcionários nos lucros ou resultados
das empresas. Florianópolis. 2001. Dissertação (Mestrado em Engenharia
da Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.
ROCHA, T., PINTO, M. G. C., GIUNTINI, N. A utilização do Balanced
Scorecard como ferramenta de gestão estratégica. In. CONGRESSO
BRASILEIRO DE CONTABILIDADE, 2000, Goiânia. Anais do XVI Congresso
Brasileiro de Contabilidade. Goiana: GO, 2000.
ROCHA, D. J. A. Desenvolvimento do Balanced Scorecard para instituição
de ensino superior privada – estudo de caso da unidade de negócios 4 da
Universidade Gama. Florianópolis. 2000. Dissertação (Mestrado em
Engenharia da Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina,
Florianópolis
