1 – Introdução
Até o final da década de 70, o valor de uma empresa estava razoavelmente
bem refletido nos seus documentos financeiros, ou seja, no seu balanço.
Para se responder à pergunta “quanto vale a empresa?”, bastava consultar
seu balanço para descobrir que seu valor era o valor de seus ativos.
Esta visão era compartilhada também pelo mercado, tendo em vista a
estreita correlação entre o valor contábil da empresa e a cotação de
suas ações na bolsa de valores.
Durante as décadas de 80 e 90, houve um gradual deslocamento entre o
valor contábil de uma empresa e seu valor estipulado pelo mercado (cotação
em bolsa), não sendo raros os casos de empresas com cotação em bolsa dez
vezes maior ou menor que seu valor contábil.
Neste período, houve a valorização de ativos intangíveis, como por
exemplo: qualificação da equipe, imagem da empresa, nível de atualização
tecnológica, carteira de clientes e qualidade do produto.
Na contabilidade tradicional, nenhuma linha do balanço contábil
apresenta rubricas específicas para estes ativos intangíveis. Esses
ativos, muitas vezes, fornecem maior sentimento de valor para o mercado
do que os resultados financeiros efetivos (lucro líquido ou retorno),
como pode ser vivenciado nos últimos 5 anos nas empresas “ponto com”.
Assim, o outro lado da moeda é a crescente importância dos ativos
intangíveis e que de alguma forma devem ser monitorados pela Alta
Direção, apesar de não constarem dos tradicionais relatórios de
resultados financeiros.
Pensando nesse desafio, Kaplan (professor da Universidade de Harvard) e
Norton (consultor associado) estruturaram um conceito de organização das
informações que traduz as estratégias da empresa em um conjunto
organizado de informações que são agrupadas em perspectivas financeiras,
operacionais, de mercado e ligadas à infra-estrutura. Esse modelo foi
chamado de BSC – Balanced Scorecard.
O BSC equilibra as dimensões financeiras e não financeiras do negócio,
permitindo à Alta Direção monitorar a organização com o balanceamento da
visão financeira (normalmente defasada e que olha para trás), com a
visão operacional (normalmente “on-line” e que gera resultados futuros)
e com a visão de longo prazo (normalmente investimentos que vão gerar
retornos a longo prazo e que, se não realizados, provavelmente vão minar
a capacidade futura da organização).
2 – Balanced Scorecard: sua função
O Balanced Scorecard (BSC) proporciona aos gerentes um instrumento que
necessitam para ter êxito competitivo futuro. As origens do BSC remontam
a 1990, com o objetivo de avaliar até que ponto os executivos das
empresas se sentiam seguros com os métodos existentes de avaliação do
desempenho empresarial.
Também chamada nos países de língua hispânica da América do Sul de
Tablero de Comando, ou Quadro de Mando Integral na Península Ibérica, o
BSC tem suas origens nos EUA na década de 90, a partir do questionamento
de executivos quanto à segurança e adequação dos métodos existentes para
a mensuração do desempenho das corporações.
Os objetivos estratégicos de uma empresa são atingidos quando a
diretoria é capaz de difundir uma visão comum e induzir ações relevantes
para se atingir o sucesso empresarial. O BSC integra os três grupos de
ações que conduzem a este fim:
Estratégicas, Operacionais e Organizacionais, estabelecendo um processo
estruturado para a criação de medidas adequadas e objetivos em todos os
níveis, possibilitando a integração entre os grupos de ações e
garantindo o alinhamento de toda a organização. Na figura 1 é
demonstrado esse grupo de ações.

Figura 1 – Grupo de ações
Fonte: Picorelli (2003).
O resultado deste estudo indicou um grande descontentamento com a
capacidade dos indicadores utilizados de proverem adequadamente o
monitoramento da estratégia delineada para o negócio. Outra crítica
apresentada refere-se ao fato de os métodos de avaliação estavam
baseados, quase que exclusivamente, em dados contábeis e financeiros
consolidados, o que não representava as ações em andamento nas empresas,
direcionadas para o relacionamento com o cliente, desenvolvimento de
produto, qualidade total, competências individuais e organizacionais.
Face ao surgimento dessa necessidade num momento de grande competição e
concorrência universal, um grupo de estudo foi criado com o objetivo de
desenvolver um novo conceito para medição de desempenho corporativo. À
frente deste trabalho estavam o professor de Harvard Business School,
Robert S. Kaplan, e o executivo David P. Norton, que constataram a
incapacidade dos indicadores contábeis financeiros em medir as
atividades criadoras de valo,r relacionadas principalmente com os ativos
intangíveis como as habilidades, competências e tecnologia da informação.
Desta forma, complementando os indicadores financeiros que mensuram o
desempenho passado, o BSC inova com a junção de medidores de desempenho
futuro, focados estrategicamente nas perspectivas das Finanças
Corporativas – resultado financeiro sob a ótica dos acionistas, dos
Clientes – nossos produtos e serviços sob a ótica deles, dos Processos
Internos – concentrar esforços nos processos que atendam aos acionistas
e clientes e Aprendizado e Crescimento – a capacidade de mudar e
melhorar continuamente. A definição e integração dos objetivos e das
iniciativas dessas quatro perspectivas constituem os pilares do sistema
BSC, que devem ser conectados ao pensamento estratégico da organização,
como mostra a figura 2.
Figura 2 – Visão geral das perspectivas do BSC
Fonte : Kaplan e Norton (2000).
2.1 – Perspectiva Financeira
Avalia a lucratividade da estratégia. Permite medir e avaliar resultados
que o negócio proporciona e necessita para seu crescimento e
desenvolvimento, assim como para satisfação dos seus acionistas. Entre
os indicadores financeiros que podem ser considerados, constam retornos
sobre o investimento, o valor econômico agregado, a lucratividade, o
aumento de receitas, redução de custos e outros objetivos de cunho
financeiro que estejam alinhados com a estratégia.
2.2 – Perspectiva do Cliente
Identifica os segmentos de mercado visados e as medidas do êxito da
empresa nesse segmento. Identificar os fatores que são importantes na
concepção dos clientes é uma exigência do BSC, e a preocupação desses em
geral situa-se em torno de quatro categorias: tempo, qualidade,
desempenho e serviço. Em termos de indicadores considerados como
essências nessa perspectiva, constam as participações de mercado,
aquisição de clientes, retenção de clientes, a lucratividade dos
clientes e o nível de satisfação dos consumidores.
2.3 – Perspectiva dos Processos Internos
É elaborada após as perspectivas financeira e dos clientes, pois essas
fornecem as diretrizes para seus objetivos. Os processos internos são as
diversas atividades empreendidas dentro da organização que possibilitam
realizar desde a identificação das necessidades até a satisfação dos
clientes. Abrange os processos de inovação (criação de produtos e
serviços), operacional (produção e comercialização) e de serviços pós-venda
(suporte ao consumidor após as vendas). A melhoria dos processos
internos no presente é um indicador-chave do sucesso financeiro no
futuro.
2.4 – Perspectiva Aprendizado e Crescimento
Oferece a base para a obtenção dos objetivos das outras perspectivas.
Com ela, identifica-se a infra-estrutura necessária para propiciar o
crescimento e melhorias a longo prazo, as quais provêm de três fontes
principais: pessoas, sistemas e procedimentos organizacionais.
Identifica também as capacidades de que a empresa deve dispor para
conseguir processos internos capazes de criar valor para clientes e
acionistas. Como indicadores importantes podem ser considerados: nível
de satisfação dos funcionários, rotatividades dos funcionários,
lucratividade por funcionário, capacitação e treinamento dos
funcionários e participação dos funcionários com sugestões para redução
de custos ou aumento de receitas.
Essas perspectivas devem ser ligadas entre si, em relações de causa e
efeito que “contam a história” da estratégia da empresa, conforme
demonstrado na figura 3.
Figura 3 – Relações de Causa e Efeito entre as Perspectivas do BSC
Fonte: Lopes 2002.
O BSC é um conceito de gestão de negócio que correlaciona informações
financeiras e não-financeiras num quadro de análise e medição de
desempenho, facilitando a elaboração e comunicação de estratégias de
negócio. Os aspectos não-financeiros são chamados de indicadores de
tendência, ou seja, são informações sobre os processos internos, os
clientes externos, o desenvolvimento das pessoas e o crescimento da
organização.
3 – Balanced Scorecard como sistema de gestão estratégica
As empresas que utilizam o BSC como pedra angular de um novo sistema de
gerenciamento estratégico têm duas tarefas: primeiro precisam elaborar o
scorecard e, depois, utilizar o scorecard.
O BSC introduz quatro novos processos que ajudam as empresas a conectar
os objetivos de longo prazo às ações de curto prazo. identifIcados como
vetores críticos por Kaplan e Norton (2000), eles são demonstrados na
figura 4.
Figura 4 – Os vetores críticos do Balanced Scorecard
Fonte : Kaplan e Norton.(2000).
Os processos e suas principais funções podem ser assim sintetizados:
√ tradução da visão – ajuda os gerentes a desenvolver o consenso em
torno da estratégia da empresa, expressando-a em termos que orientam a
ação no nível local;
√ comunicação e conexão – permite que os gerentes comuniquem a
estratégia para cima e para baixo na organização e a conectem às metas
das unidades e dos indivíduos;
√ planejamento de negócios – permite que a empresa integre o plano de
negócios e o plano financeiro;
√ feedback e aprendizado – proporciona à empresa a capacidade de
aprendizado estratégico, que consiste em reunir feedback, testar as
hipóteses em que se baseou a estratégia e efetuar os ajustamentos
necessários.
Com o BSC no centro do sistema gerencial, a empresa é capaz de monitorar
os resultados de curto prazo sob as perspectivas e avaliar a estratégia
à luz do desempenho recente. Assim o BSC cria condições para que as
empresas modifiquem a estratégia em função do aprendizado em tempo real.
4 – O Balanced Scorecard e a sociedade do conhecimento
O recurso fundamental de uma economia baseada no conhecimento é a
capacidade que tem toda organização para gerar novo conhecimento. O
principal ativo de uma sociedade baseada no conhecimento é o conjunto de
pessoas que trabalham nela, seu capital intelectual ou o conhecimento e
a experiência que possuem, assim como sua capacidade para compartilhar
seus conhecimentos.
A gestão do conhecimento dá uma enorme importância aos ativos
intangíveis e o modo de medi-los e gerenciar. Neste sentido, Tejedor
(2003) diz que a gestão do conhecimento é uma filosofia que sustenta o
BSC. Quando falamos de estratégia e de gestão, passamos de meios a
objetivos ou finalidades, pois entramos no terreno dos resultados ou das
conseqüências de ocupação ou trabalho de todos os colaboradores da
organização.
As possibilidades são imensas e de grande transcendência para a gestão
das empresas e das organizações de todo tipo num futuro, já que é
realidade para muitos que o BSC atua na filosofia que sustenta a
sociedade do conhecimento, das tecnologias da informação e das
comunicações em um novo conceito de estratégia que se tem criado neste
ambiente, ao considerar como vital o papel dos ativos intangíveis no
processo de criação de valores.
A filosofia primária deste modelo de gestão se baseia em que só se pode
gerenciar o que se pode medir e que o determinante do valor das empresas
ou organizações está cada vez mais centrado nos ativos intangíveis que
nos tangíveis. O outro princípio é que a medida de atuação baseada nos
dados contábeis e financeiros não é suficiente, já que os aspectos
financeiros a curto prazo não garantem o êxito futuro.
Atualmente, na sociedade da informação, tanto o capital intelectual como
outros fatores de natureza intangível tem incluso mais valor que, por
exemplo, o próprio imobilizado, razão suficiente para defender que é
preciso dispor de ferramentas que permitam de alguma maneira valorizá-los.
O BSC é um modelo de gestão empresarial que atualmente vem criando
prestígio nos meios empresariais preocupados com a gestão dos ativos
intangíveis; é uma ferramenta de gestão com indicadores baseados em
estratégias.
5 – O Balanced Scorecard como sistema de controle estratégico ambiental
Em 1996, a Organização Internacional para Padronização emitiu o primeiro
padrão para sistemas de gestão ambiental, a ISO 14001. Este padrão
fornece elementos primários de um sistema de gestão ambiental efetivo,
que pode ser integrado com outros sistemas de administração de uma
organização. O verdadeiro valor da ISO 14001 só pode ser percebido se
forem utilizadas ferramentas práticas para implementar uma estratégia
ambiental. Em qualquer estratégia de um negócio globalizado, o enfoque
fundamental da estratégia ambiental precisa estar alinhado com a posição
empresarial, seus produtos e as suas partes interessadas.
Para implementação da estratégia ambiental efetiva requer-se a definição
de uma administração pró-ativa com a sua produção, produtos e suas
partes interessadas.
Conforme a ISO 14031 sobre a Avaliação do Desempenho Ambiental, os
indicadores ambientais serão cobrados das organizações como forma de
avaliação de desempenho ambiental através de indicadores operacionais e
gerenciais. Para que os indicadores traduzam os melhores desempenhos,
nas principais áreas de um Sistema de Gestão Ambiental, é necessária a
utilização de um sistema de controle estratégico como o BSC, que poderá
servir para desenvolver e medir quais os indicadores a serem
determinados e fixados. Este sistema poderá ser utilizado como um
sistema de comunicação, informação e aprendizado, e não só como um
sistema de controle.
Os indicadores ambientais deverão fornecer um valor real e transparente
às empresas e as suas atividades. Para que possam ser melhor controlados
e monitorados, estes indicadores precisam ser aprimorados, de forma que
realmente demonstrem um aumento na eficiência da empresa, em seus
processos, na qualidade superior dos produtos e nas atividades de
comparação com os seus concorrentes.
Os indicadores que medem o desempenho ambiental serão desenvolvidos para
cada um dos setores: esta é a garantia que os indicadores darão apoio
transparente a todas as operações de uma unidade funcional da empresa. O
processo para estabelecer quais serão os indicadores incluem, conforme
Banas (2002):
√ definir os critérios que serão avaliados no seu desempenho;
√ selecionar os indicadores que medirão o desempenho ambiental;
√ coletar e armazenar informações sobre o desempenho ambiental;
√ avaliar o desenvolvimento do desempenho e traçar objetivos para ele;
√ desenvolver indicadores que contribuam para a melhoria contínua.
Na prática, incluem as seguintes fases:
1 – Definir os critérios para alcançar e medir os elementos críticos de
sucesso no qual o desempenho será avaliado e medido.
2 – Decidir quais fatores serão medidos.
3 – Organizar e coletar informações nas organizações que utilizarão uma
unidade piloto.
4 – Testar o trabalho modelo da unidade piloto em outras unidades da
organização.
5 – Estabelecer os indicadores que medirão o desempenho ambiental das
outras unidades de negócio.
Os indicadores ambientais poderão ser utilizados como instrumento
interno para controlar e monitorar a realização de objetivos ambientais,
e os resultados esperados, e um instrumento externo como forma de
comparação das auditorias ambientais da empresa, com os seus
concorrentes e a utilização do marketing como uma ferramenta de apoio
junto aos clientes e aos grupos de interesse.
5.1 - Benefícios do Balanced Scorecard como sistema de controle
estratégico ambiental
O principal benefício do BSC é o de obter indicadores que sejam
consistentes aos aspectos ambientais, comuns a todas as unidades de uma
organização e a todas as organizações ligadas a um setor ambiental, como
uma ferramenta de apoio junto aos clientes e aos grupos de interesse. Os
indicadores poderão criar uma base de informações ambientais, tornando a
empresa um centro de referência para benchmarking no setor. Outros
benefícios do BSC são:
√ aumento da consciência e dos aspectos ambientais e a importância dos
diferentes fatores ligados a eles;
√ a possibilidade de aumentar a rentabilidade dos negócios com a
melhoria da qualidade ambiental, em seus produtos e serviços, quando
comparados com seus competidores, na redução de custos e no aumento da
eficiência em seus processos e produtos;
√ aumento da competitividade, melhoria na imagem da organização;
√ maior comprometimento com o desenvolvimento sustentável.
6 – O Balanced Scorecard como ferramenta de integração das questões
ambientais e estratégicas da organização
O Sistema de Gestão e Avaliação do Desempenho Ambiental – SGADA foi
desenvolvido a partir da necessidade de se integrar questões ambientais
às questões estratégicas das organizações, dando condições de serem
criados indicadores de desempenho para as questões ambientais.
Para este sistema de gestão ambiental, sugere-se o uso o BSC, que é um
sistema de gestão da estratégia, que permite uma visão ambiental e pode
ser estruturado sob várias perspectivas com o propósito de permitir a
adoção, por parte das organizações, de um eficiente gerenciamento
ambiental.
Os sistemas de avaliação de desempenho sempre tiveram uma natureza muito
mais financeira. O BSC diferencia-se dos sistemas de avaliação de
desempenho na medida em que trabalha com pelo menos mais três
perspectivas, além da perspectiva financeira, buscando balancear
aspectos financeiros, do cliente, dos processos internos e de
aprendizado e crescimento.
Para Rocha & Neves & Selig (2002), é necessária uma perspectiva
complementar para as empresas que estão preocupadas com as questões
ambientais. Para que se possa efetuar uma gestão ambiental de forma mais
eficiente e que responda às atuais necessidades empresariais e sociais,
faz-se necessário contemplar aspectos relacionados a questões jurídicas,
produção, imagem, recursos humanos, financeiros e pesquisa e
desenvolvimento.
Para os autores, o BSC, na condição ambiental, tem propriedades que se
pode formatar em seis perspectivas, determinando objetivos, metas,
indicadores e iniciativas que trabalham numa relação de causa-efeito.
Portanto, o BSC é mais do que um sistema de medidas, devendo também
traduzir a visão e a estratégia de uma unidade de negócios em objetivos
e medidas tangíveis, que representam o equilíbrio entre indicadores
externos voltados para acionistas e clientes e medidas internas dos
processos críticos, de inovação, aprendizagem e crescimento.
7 – O Balanced Scorecard como sistema integrado de gestão sob o ponto de
vista da sustentabilidade
Foi criado no Grupo Nueva, cuja sede fica na Costa Rica, um sistema
integrado de gestão chamado sustainability scorecard (SSC). Tal qual o
Balanced Scorecard, a ferramenta permite que a empresa meça o seu
desempenho – nesse caso, do ponto de vista da sustentabilidade. O SSC é
dividido em cinco diferentes dimensões: a econômica; a relação com os
clientes; os processos e a tecnologia; a saúde, a segurança e o meio
ambiente; e finalmente, os recursos humanos e a responsabilidade social
corporativa.
O Scorecard Equilibrado de Sustentabilidade permite que os indicadores
ambientais e sociais do desempenho (financeiro e não financeiro) possam
ser amarrados aos processos tradicionais do planejamento de negócio e
fornece o mais importante jogo de indicadores para cada perspectiva. É
uma ferramenta que dinamiza a estratégia da sustentabilidade, ajusta e
controla alvos desobstruídos para a gerência ambiental e a
responsabilidade social incorporada.
Está sendo discutido como uma estrutura conceitual apropriada possível
para responsabilidade social incorporada, tendo como objetivos:
√ o desenvolvimento do instrumento e da metodologia do scorecard
equilibrado para sustentabilidade;
√ para medir o desempenho ambiental e social;
√ definir as estratégias de sustentabilidade;
√ deduzir de objetivos estratégicos, de indicadores e de medidas.
8 – O Balanced Scorecard na avaliação de ativos ambientais
Ativos ambientais são os bens adquiridos pela empresa que têm como
finalidade controle, preservação e recuperação do meio ambiente. Se os
gastos ambientais podem ser enquadrados nos critérios de reconhecimento
de um ativo, devem ser classificados como tais. Os benefícios podem vir
através do aumento da capacidade ou melhora da eficiência ou da
segurança de outros ativos pertencentes à empresa, da redução ou
prevenção da contaminação ambiental que deveria ocorrer como resultado
de operações futuras ou ainda através da conservação do meio ambiente.
São ativos ambientais todos os bens e direitos destinados ou
provenientes da atividade de gerenciamento ambiental, podendo estar na
forma de capital circulante ou capital fixo. Como ativos ambientais
temos: os estoques dos insumos, peças, acessórios, etc. utilizados no
processo de eliminação ou redução dos níveis de poluição; os
investimentos em máquinas, equipamentos, instalações, etc., adquiridos
ou produzidos com intenção de amenizar os impactos causados ao meio
ambiente; os gastos com pesquisas, visando ao desenvolvimento de
tecnologias modernas, de médio e longo prazo, desde que constituam
benefícios ou ações que irão refletir nos exercícios seguintes.
Devido seu destaque nas organizações, é necessário uma avaliação correta
desses ativos, possibilitando, com isto, condições mais adequadas para o
seu gerenciamento. Neste contexto, surge o BSC com suas quatro
perspectivas e a The Value Chain Scoreboard de Lev com suas três fases
configuradas como proposta, segundo Wernke (2003). Como as perspectivas
Clientes, Aprendizado & Crescimento e Processos Internos do BSC podem
ser englobadas ou equivalerem às fases Comercialização, Descobertas &
Aprendizagem e Implementação do Scoreboard, respectivamente, defende-se
a adoção da estrutura básica do modelo de Lev como uso de indicadores
voltados para os Ativos Ambientais, acrescentando a perspectiva
Financeira num enfoque distinto do original do BSC, conforme o quadro 1.
Quadro 1 – Avaliação de Ativos Ambientais
|
PERSPECTIVAS |
INDICADORES |
|
FINANCEIRA |
GASTOS
(ASSOCIADOS A) ATIVOS AMBIENTAIS Gastos com aquisição e manutenção de ativos ambientais Gastos com redução de poluentes Gastos com pesquisas e desenvolvimento de produtos e processos Gastos com avaliação do processo (ISO 14002, ISO 14010, ISO 14030) Gastos com avaliação do produto (ISO 14020, ISO 14040) Gastos com adequação à legislação ambiental Gastos com acidentes ambientais AMORTIZAÇÃO DE ATIVOS AMBIENTAIS Vida útil estimada (em anos) dos Ativos Ambientais identificáveis
DESEMPENHO
FINANCEIRO
ROI
(Return on Investments)
EVA
(Economic Value Added)
MVA
(Market Value Added) Lucro Operacional |
|
DESCOBERTA E APRENDIZAGEM |
RENOVAÇÃO INTERNA Nº de projetos de pesquisa e desenvolvimento Desenvolvimento de tecnologia ambiental Treinamento de funcionários na área ambiental Práticas internas CONHECIMENTO ADQUIRIDO Tecnologia ambiental adquirida Engenharia reversa Práticas ambientais adotadas REDE DE RELACIONAMENTOS Aliança para pesquisa & desenvolvimentos Joint Ventures Integração clientes/fornecedores |
|
IMPLEMENTAÇÃO
E PROCESSO INTERNO |
PROPRIEDADE
INTELECTUAL Patentes, marcas registradas, direitos de exploração Renovação de licenças
Royalties
de patentes e know-how
VIABILIDADE
TECNOLÓGICA Testes de redução de poluentes Aprovação por órgãos de controle Relatórios de impacto ambiental (RIMA) Visitantes (para parques e reservas ambientais)
CLIENTES Alianças de mercado Suportes à marca e ao produto “ambientalmente correto”
FUNCIONÁRIOS Práticas de trabalho compartilhadas Retenção de técnicos Perícia (conhecimento dos trabalhadores) |
|
COMERCIALIZAÇÃO |
VENDAS
OU TOP LINE Receitas de produtos ambientais Crescimento da fatia de mercado Receitas de alianças Crescimento de receitas por segmento
LUCRATIVIDADE Ganhos de produtividade
OPÇÕES
DE CRESCIMENTO Canais de distribuição utilizados Crescimento potencial de mercado Custo de capital esperado dos investimentos ambientais Ponto de equilíbrio esperado dos projetos ecológicos |
Fonte: Wernke (2003)
Essa proposta é mais uma ferramenta gerencial à disposição dos
administradores para avaliação dos ativos ambientais. Wernke (2003)
defende a utilização conjunta de dois modelos já conhecidos, Balanced
Scorecard e Scoreboard, no sentido de complementá-los pela eliminação
das deficiências identificadas em ambos e seu emprego na avaliação dos
recursos ambientais.
9 - O Balanced Scorecard como instrumento para uma contabilidade
estratégica
Nas últimas décadas, se tem questionado a adequação dos sistemas de
informação contábil no novo ambiente produtivo. As novas necessidades
informativas obrigam a dispor de sistemas contábeis dinâmicos e
flexíveis, em constante evolução para manter níveis de adequação das
mudanças. Neste contexto, aparece a contabilidade estratégica como um
novo ramo da contabilidade, responsável por fornecer informação de apoio
para a gestão estratégica, que supõe um avanço em relação aos sistemas
de contabilidade de gestão que têm sido utilizados tradicionalmente
pelas empresas.
A contabilidade estratégica é a necessária evolução da contabilidade de
gestão, como resultado do processo de adaptação ao novo entorno
empresarial, onde a globalização dos mercados, o aumento da competência,
a importância crescente da figura do cliente, o novo enfoque baixo da
perspectiva da cadeia de valor, o desenvolvimento tecnológico, a
importância da qualidade, exigem níveis de informação adequados às novas
decisões a tomar.
A contabilidade estratégica, com um enfoque globalizador, integral a
longo prazo, tem como objetivo satisfazer esta exigência de mais e
melhor informação para os gestores empresariais. Compreende a obtenção e
análises de informação financeira de gestão para o segmento e revisão da
estratégia, sobre o próprio negócio, sobre os mercados de produtos da
empresa e sobre os competidores atuais e potenciais.
A gestão estratégica de custos é de importância fundamental, como
destacam Shank (1989) e Shank & Govindarajan (1993), apud Souto &
Rodrigues (2003), tendo uma visão mais ampla que a tradicional, ao
esquematizar a gestão da empresa como um ciclo ou processo contínuo de
quatro fases: formulação de estratégias, comunicação da mesma através da
organização, colocar em prática a implantação da estratégia e
desenvolvimento e implantação de controles para obter o êxito na
consecução dos objetivos estratégicos.
A contabilidade estratégica fornece as ferramentas necessárias para a
delimitação do modelo estratégico empresarial, no qual se fazem
explícitas as variáveis relevantes sobre as que se quer decidir. Porém,
obter informação sobre todos e cada um dos componentes do modelo
estratégico não é suficiente; também é importante a coordenação desta
informação com uma visão global, que determine os valores das interações
e relacione entre estes componentes. Sem essa orientação integradora, a
contabilidade estratégica dificilmente será efetiva.
Neste sentido, o BSC apresenta a informação contábil estratégica
organizada e estruturada, de maneira que se podem desenvolver e pôr em
prática estes planejamentos. As empresas deverão realizar a seleção dos
valores apropriados em seu caso, porém, independentemente de quais sejam
os selecionados, os gestores estarão em condições de conhecer e detectar
as anomalias com agilidade, valorizar sua repercussão e estimar a
correção. Haverá indicadores genéricos, úteis para todas as organizações,
e indicadores específicos, conseqüência da estratégia concreta que se
pretenda desenvolver. Em qualquer caso, estarão ligados os objetivos e
inter-relacionados entre si, de tal maneira que se estabeleçam uns
vínculos causa-efeito que sirvam para comunicar o significado da
estratégia de toda a organização.
O BSC é uma ferramenta útil na gestão estratégica, ao permitir a
interpretação dos objetivos estratégicos, proporcionando um modelo de
medição (financeira e não financeira) que persegue o equilíbrio de
quatro perspectivas diferentes: financeiras, clientes, processos
internos e formação e crescimento, mediante a definição de indicadores
estratégicos da organização. Assim, traduz-se a estratégia da
organização em uma representação integrada de quatro perspectivas, de
maneira que reflita adequadamente a estratégia previamente definida e
contribua para integração da mesma no sistema de gestão.
Sendo assim, o BSC implica um exame de profundidade da empresa. Esta
análise tem uma grande importância, posto que implica uma reflexão
consciente com base na qual se possam identificar aqueles elementos não
pretendidos que, com o passar do tempo, se tem incorporado na
organização, em muitas ocasiões devido a pressões de curto prazo.
10 – Conclusão
O objetivo geral do BSC é comunicar a estratégia corporativa à toda
empresa; analisar os objetivos estratégicos e correlacionar com as
recompensas pessoais; identificar, analisar os resultados obtidos em
relação às metas estabelecidas e dar o feedback. O BSC não é uma lista
estática de medidas, mas sim uma estrutura para a implementação e para o
alinhamento de programas complexos de mudança e, em suma, para o
gerenciamento de organizações voltadas para a estratégia. Já foi
implementado em unidades empresariais estratégicas de corporações,
funções de serviços compartilhadas e foi se difundindo em níveis
individuais e de equipe em centenas de organizações, tanto no setor
público quanto no setor privado, em vários países.
Foi escolhido pela Harvard Business Review (HBR) como uma das práticas
de gerenciamento mais importantes dos últimos 75 anos, porque revela-se
como uma ferramenta capaz de atender às novas exigências de
gerenciamento dentro dos cenários econômicos em constantes mutações.
Nessa nova forma de gerenciamento, destaca-se, como instrumento de maior
importância, a construção de uma estrutura de indicadores estratégicos
que possua abrangência e coerência compatível com a nova era do
conhecimento e que permita, sobretudo, considerar a importância
crescente dos valores intangíveis frente aos tradicionais valores
físicos.
Portanto, espera-se que a contabilidade acompanhe o ambiente da empresa
e adapte-se às mudanças, auxiliando os gerentes nos processos de
planejamento, execução e controle, já que o BSC é uma ferramenta
imprescindível à contabilidade voltada para as questões gerenciais da
empresa.
Maria Elisabeth Pereira Kraemer beth.kraemerarrobaterra.com.br
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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