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1 - Introdução
A questão relativa a custos passou a ser mais do que nunca de extrema
importância na gestão das organizações, após a abertura do mercado como
conseqüência dos passos velozes da globalização. Com isto, o ambiente de
extrema competição no qual a maioria das empresas está inserida tem
levado os gestores a buscarem por uma série de recursos que possam
auxilia-los no processo de melhor gestão do negócio. Esta preocupação
não é pertinente somente àquelas empresas que trabalham com produtos
tangíveis, mas também àquelas que prestam serviços aos seus clientes,
como é o caso de uma instituição do setor educacional.
Os sistemas de contabilidade gerencial são inadequados para o contexto
competitivo vivificado pelas organizações na atualidade. Eles são falhos
por na conseguirem definir com precisão a relação entre o custo dos
diversos recursos – funcionários, professores, equipamentos e
instalações – e os cursos e os clientes atendidos.
A rápida mudança tecnológica, a elevada competição global e a enorme
capacidade de processamento de informações exigem das organizações a
adoção de sistemas de contabilidade gerencial que lhes permitam
sobreviver nesse cenário. Assim, de acordo com Johnson e Kaplan, (1998)
a análise de custo deixa de ser vista como processo de avaliação do
impacto financeiro das decisões gerenciais e assume uma maior amplitude
como elemento de informações consistente para o desenvolvimento de
estratégias superiores a fim de conseguir vantagens competitivas
sustentáveis.
Dentre as várias metodologias para apuração e controle de custos, o
Activity Based Cost – ABC (Custeio Baseado em Atividades) vem se
destacando no meio acadêmico e empresarial. A identificação dos custos
com as atividades da organização é uma boa maneira de se medir o
desempenho, pois se possibilita reconhecer e distinguir as atividades
que agregam valor aos clientes.
A utilização do custeio ABC identificará o custo total da instituição,
de cada departamento, de cada curso, de cada semestre, e por fim, custo
de cada aluno.
2 – A contabilidade de custos
No século XX, com a crescente complexidade do mundo empresarial a
contabilidade de custos passou a ser uma arma de controle e decisão
gerencial, sendo utilizada no planejamento, controle e na tomada de
decisões.
Leone (1997), diz que a contabilidade custos é parte integrante da
contabilidade, sendo um instrumento disponível e poderoso porque
utiliza, em seu desenvolvimento, os princípios, os critérios e os
procedimentos fundamentais da ciência contábil. Consegue resolver
problemas e produzir informações vitais à contabilidade, porém se não
está coesa e articulada com os princípios fundamentais da contabilidade,
não terá utilidade nenhuma.
A contabilidade de custos está estritamente ligada à contabilidade
gerencial, pois a tomada de decisões propostas nos relatórios gerenciais,
são fundamentais nos sistemas de custos adotados pelas entidades.
De acordo com o Institute of Management Accounting apud Atiknson et al
(2000), contabilidade gerencial é o processo de identificação,
mensuração, acumulação, análise, preparação, interpretação e comunicação
de informações financeiras usadas pela administração para planejar,
avaliar e controlar dentro de uma empresa e assegurar uso apropriado e
responsável de seus recursos.
Através do conceito de contabilidade gerencial nota-se como é importante
a gestão de custos, ou seja, com as informações dos custos atribuídos a
determinadas atividades, pode-se gerir os gastos, pois a contabilidade
de custos fornece dados que a administração precisa para controle atual
e planejamento de ações futuros.
2.1 – Métodos de custeio
Os métodos de custeio são processos para identificar o custo unitário de
um produto, partindo dos custos diretos e indiretos. Basicamente há três
métodos de custeamento, baseados na classificação e comportamento dos
custos e despesas. São eles: Custeio por Absorção, Direto ou Variável e
Custeio Baseado em Atividades.
As metodologias de apuração do custo dos produtos, custeamento direto/variável
e custeamento por absorção, são consideradas clássicas, na teoria da
contabilidade de custos. Elas foram desenvolvidas baseadas nos conceitos
de custos com comportamentos diferentes em relação à quantidade
produzida, ou seja, nos custos fixos e variáveis.
O custeio por absorção e custeio direto, segundo Horngren (1986), são
duas idéias opostas. O custeio por absorção significa que as despesas
indiretas de fabricação são incluídas nos estoques, contrariamente o
custeio direto significa que estas despesas não são incluídas nos
estoques. O custeio por absorção é o mais usado e aceito pelo imposto de
renda e pela auditoria externa, embora o uso crescente do custeio direto
facilite a medição do desempenho e na análise dos custos.
Pamplona (1993) diz que o sistema de custos tradicional tem como
características a utilização de um método de apropriação de custos em
dois estágios:
Ö No primeiro estágio os custos indiretos são imputados aos centros de
custos através de várias bases de rateio como, por exemplo, quantidade
produzida, horas de mão-de-obra direta, valor de mão-de-obra direta,
área ocupada, valor da produção, potência das máquinas, etc.
Ö Em um segundo estágio os custos são apropriados dos centros de custos
aos produtos através de uma base de volume, quase sempre horas de mão-de-obra
direta. Outras bases utilizadas para esta apropriação são:
horas-máquina, custo da mão-de-obra direta, quantidade ou valor da
matéria-prima. A figura 1 ilustra o fluxo do sistema tradicional.
Figura 1 – Fluxo do sistema tradicional de custos

Fonte: Pamplona (1993).
Pode-se observar que na figura acima, os centros de custos auxiliares,
de apoio ou de serviços, distribuem seus custos aos centros de custos de
produção e estes, por sua vez, apropriam seus custos aos objetos de
custos, através das bases de rateio citadas.
O custeio baseado em atividades surge como ferramenta administrativa,
seu uso poderá ser um complemento para os sistemas tradicionais sendo
uma ferramenta de gestão de custos, muito mais do que de custeio do
produto é muito comum seu uso no suporte de processos de gerenciamento e
de reengenharia. É elemento indispensável à gestão da empresa, pois
permite a avaliação de desempenhos operacionais e econômicos.
Ele analisa os custos, rastreando os gastos de uma empresa para analisar
e monitorar as diversas rotas de consumo dos recursos, através da
determinação dos direcionadores de custos, sendo indispensáveis para a
mensuração das atividades pré-definidas. É um sistema de custeamento de
produtos e serviços baseados nas atividades executadas pela empresa
durante o seu processo de fabricação e/ou produção de serviços.
3 – Contabilidade por Atividade
A contabilidade por atividades vem ao encontro dos novos conceitos de
administração que enfocam qualidade, competitividade e custos. Ela
procura identificar a contribuição de cada unidade ao resultado global
da empresa. Assim, ficam evidenciados quais as atividades que contribuem
positivamente para o resultado total da empresa, garantindo a sua
eficácia.
A contabilidade por atividades tem a sua importância no processo
decisório das empresas, especialmente por ela enfatizar os custos de
cada atividade necessária para a manufatura dos produtos.
Nakagawa (1993) destaca sua importância sob três aspectos, a saber:
descrever o processo de manufatura; estabelecer um denominador comum
entre a contabilidade de custos; a viabilidade de atividades que não
adicionam valor.
Para melhor compreensão da contabilidade por atividades, precisa-se
esclarecer o significado das seguintes palavras: funções, atividades e
tarefas.
No que diz respeito às funções Berliner & Brimson (1992) explica que uma
função é um grupo de atividades que tem um objetivo comum dentro do
negócio. Por exemplo, a função de fabricar fisicamente um produto
consiste de um conjunto finito de atividades individuais que mudam a
forma do material, usinam peças numa dimensão fixa, cuidam de seu
polimento e da montagem das peças ou materiais. Uma visão funcional é,
com freqüência, significativamente diferente de uma visão
organizacional, uma vez que seu propósito é identificar atividades
homogêneas, enquanto unidades organizacionais são freqüentemente
estabelecidas com base em fatores tais como talento gerencial e
especialização em linhas de produto.
Desse modo, funções podem ser decompostas em processos que constituem os
conjuntos de atividades.
Em se tratando das atividades, Nakagawa (1993) explica que são aquelas
ações que se tornam necessárias para atingir as metas e os objetivos da
função. Levando em conta essa definição, os processos de manufatura
podem ser considerados como atividades. Por exemplo, trabalhos feitos
através de máquinas, tratamento térmico, montagem, etc. As atividades
podem ser definidas também em termos de elementos informativos
necessários para o desempenho de atividades e geração do produto. As
atividades, por sua vez, podem ser decompostas em tarefas, subtarefas e
operações.
No que concerne às tarefas, Berliner & Brimson (1992) dizem que elas são
elementos de trabalho de uma atividade. Denota-se pelo exposto que
funções, atividades e tarefas tem relação entre si.
Tal, também, pode ser visto em Nakagawa (1993) que identifica esses
elementos apresentando o seguinte exemplo:
Ö Função - Desempenha a manufatura
Ö Atividade - Produz pequenas partes utilizando máquinas, usinagem,
acabamento, montagem, embalagem, etc.
Ö Tarefas - Efetuar furos etc.
Ö Elemento - Ordem de trabalho, planos informativo para o processo,
número de partes, etc.
Assim, o sistema de contabilidade por atividades fornecerá informações
em nível de atividades, primárias e de apoio, processo, produtos e
clientes. Ele deve informar os custos dos diferentes atributos de
objetos que se está mensurando, a fim de possibilitar a gestão
estratégica desses custos.
Hardman (1992), ao abordar o sistema de contabilidade por atividades,
ressalta que: “contabilizar as atividades significa coletar todas as
informações financeiras e operacionais relativas às atividades pela
empresa, levando-se em consideração as informações financeiras referente
ao custo da atividade, juntamente com as informações operacionais a que
se referem, como tempo, qualidade, flexibilidade, calculando-se o valor
da atividade como por exemplo:
“Departamento - Compras
Processo - Compras de Material
Atividade - Emitir pedido de compra
Custo de atividade - US$ 100.000
Gerador do Custo - Quantidade de pedidos de compras emitidos
Quantidade de Saídas - 1.000 pedidos de compra
Custo de saída - US$ 100”.
Desse modo, segundo Robles Jr. (1994) a acumulação simultânea de custos
em vários centros de atividades proporcionada pela contabilidade por
atividades, permitirá a gestão estratégica de custos, calculando-se,
quando for necessário, o custo total e unitário dos serviços por centros
de atividades. Evidentemente, a contabilidade por atividade exige um
suporte adequado, em virtude da acumulação de custos por centro de
atividades, por processos e também por produtos.
Ressalta-se que a eficácia de uma empresa depende, substancialmente, das
atividades que são executadas, por cada grupo especialmente, na
organização.
Neste sentido, Berliner & Brimson (1992) explicam que contabilizar
atividades é o ato de coletar informações significativas do negócio.
Ao coletar informações cria-se um ambiente próprio para a identificação
e eliminação dos desperdícios, que são elementos incompatíveis com as
tendências atuais do mercado. Essa identificação de desperdícios faz-se,
principalmente, por meio da análise de valor das atividades
desempenhadas. Inicialmente, trata-se de identificar qual o cliente ou
usuário de cada atividade para, em seguida, avaliar se essa atividade
representa algum valor para o usuário identificado. É preciso lembrar
que o cliente de cada atividade pode ser interno ou externo à empresa. O
cliente do processo de venda é externo, mas o funcionário encarregado de
dar segmento à atividade desenvolvida por um outro funcionário da
empresa é um cliente interno, cuja satisfação depende da qualidade da
atividade desenvolvida anteriormente.
A classificação das atividades quanto à agregação do valor é um ponto de
grande destaque na análise do processo. É a partir daí que se pode
começar a analisar o que é supérfluo e o que é essencial, obtendo, assim,
uma orientação mais segura com relação ao que pode ser eliminado ou
simplificado. Nessa avaliação, a questão básica a ser respondida com
respeito a cada atividade é: que valor tem essa atividade para o meu
cliente?
Robles Jr. (1994) destaca por oportuno que a contabilidade por atividade
permite detalhar os processos adentrando nos vários departamentos em que
um mesmo processo está encadeado. Essa possibilidade leva a questões de
tomada de terceirizá-lo, dependendo de fatores econômicos ou fatores
políticos, caso a companhia decida concentrar seus esforços única e
exclusivamente nos objetivos sociais.
Portanto, esse sistema constitui-se numa ferramenta muito mais poderosa
do que as tradicionais, pois ela permite que sejam geradas informações
que transcendem os limites departamentais ou de centro de custo, como
ocorre na contabilidade tradicional.
Assim a princípio, tudo o que não agrega valor deveria ser eliminado.
Todavia, isso nem sempre será possível, pelo menos não de imediato.
Entretanto, à medida que produtos e processos de produção vão sendo
aperfeiçoados, espera-se que um número crescente de atividades sem valor
para o cliente possam ser supridos.
Neste sentido, Padoveze (1994) explica que, a empresa escolhe e
determina quais as atividades internas que ela quer processar
internamente, para alcançar maior eficácia gerencial. As diversas
atividades escolhidas pela empresa também podem ser desenvolvidas por
fornecedores externos à empresa. Dessa maneira, há possibilidades de os
gestores de todas as atividades internas confrontarem o valor dos
produtos ou serviços gerados por atividade, com um referencial de
mercado e assim optar por aceitar ou não os produtos, ou serviços
gerados internamente pelas atividades empresariais. O resultado final da
empresa será a somatória do resultado de cada atividade. Dessa forma, o
melhor resultado de cada atividade conduzirá ao melhor resultado da
empresa e a máxima eficácia empresarial. Como para a consecução de cada
atividade é necessário uma série de transações operacionais, econômicas,
financeiras, a otimização da eficiência de cada transação conduzirá
também a eficiência máxima de cada atividade, que provocará a otimização
de cada unidade administrativa (departamentos, por exemplo) e maior
eficácia da empresa como um todo. O ponto fundamental desse sistema de
contabilidade gerencial é que cada atividade é responsável pelos seus
resultados e não pelos seus custos. Os custos de cada atividade são
apenas recursos consumidos para gerar os produtos e serviços que são de
responsabilidade de cada atividade.
Do que até aqui exposto, infere-se que, além de mensurar mais
corretamente os eventos, objetos e transações de uma empresa, a
contabilidade por atividades preocupa-se também com a qualidade da
informação gerada, ou seja, com a sua representatividade para o tomador
de decisões. Isso, pois, que a forma de mensuração adotada seja capaz de
motivar os gestores a tomarem decisões que privilegiem as atividades
cujos desempenhos tenham como objetivo criar valor para os clientes e
otimizar o lucro para os investidores.
4 - O custeio baseado em atividades - ABC
O sistema de custeio tradicional, baseado em volume, foi arquitetado e
desenhado para empresas que apresentam o sistema de produção por
processo. Já o custeio baseado em atividades (ABC) foi concebido para
empresas que requerem uma grande agilidade para atender às exigências
dos clientes, isto é, uma enorme variedade de produtos e em menor
quantidade.
A percepção da superioridade do ABC é demonstrada por Nakagawa (1993) ao
afirmar que o sistema de custeio baseado em atividades não se diferencia
do sistema de custeio baseado em volume apenas pela mudança das bases de
alocação de custos, mas também pela identificação que faz dos custos por
atividade e da maneira como aloca aos produtos através de maior número
de bases.
O ABC preocupa-se em melhorar a apropriação dos custos aos produtos,
sendo um sistema de custeio que se destaca por detalhar, principalmente,
os custos indiretos.
O ABC vem tentando minimizar os impactos de alocações inadequadas,
através do custeamento das atividades exigidas pelos produtos ou demais
atividades operacionais.
Padoveze (1994) explica que: “o custeamento baseado em atividades (Custo
ABC), do inglês ACTIVITY BASED COSTING, procura aprimorar o custeamento
dos produtos, através de mensurações corretas dos custos fixos indiretos,
em cima de atividades geradoras desses custos, para acumulação ao custo
dos diversos produtos da empresa”.
O ABC não está preocupado em segregar custos e despesas, mas procura
separar atividades que adicionam valor das que não adicionam valor aos
produtos. Campiglia (1994) ressalta que atividades que agregam valor são
aquelas que absorvem recursos transformando-os em produtos ou serviços
compatíveis com as necessidades dos clientes.
Segundo Beuren (1992) atividades que não adicionam valor ao produto,
pode-se dizer que é aquela que, se for eliminada, não implicará
alterações nos atributos do produto tais como qualidade, desempenho,
valor reconhecido, etc. Raciocinando em termos de produção, pode-se
identificar como atividades que não adicionam valor aquelas que fazem
com que os produtos (matéria-prima, produtos em elaboração e acabados)
fiquem parados na empresa.
Neste sentido, Robles Jr. (1994) explica que: “as atividades que não
acrescentam valor normalmente incluem aquelas atividades consideradas
como ‘meio’ e também algumas atividades ‘fins’. As atividades de apoio (meio)
podem ser melhoradas através de novos métodos até mesmo lançando mão dos
recursos de informática, que abreviam a coleta de dados e trazem maior
confiabilidade às informações processadas. Portanto, os custos com
atividades que não adicionam valor, se não podem ser eliminados, devem
ser reduzidos de todas as formas possíveis.
Observa-se que o ABC não é centrado apenas em números. Isto é, ele não
se preocupa exclusivamente com os aspectos monetários, mas procura
contemplar aspectos físicos das atividades, analisando fatos, atividades
e processos.
No que diz respeito à definição de atividades Nakagawa (1994) diz que em
sentido restrito, a atividade pode ser definida como um processo que
combina de forma adequada, pessoas, tecnologias, materiais, métodos e
seu ambiente, tendo como objetivo a produção de produtos. Em sentido
mais amplo, entretanto a atividade não se refere apenas ao processo de
manufatura, mas também à produção de projetos, serviços etc., bem como
às inúmeras ações de suporte a esses processos, e em sua forma mais
simples: processamento de uma transação, este pode ser descrito em
termos de recursos, insumos, produtos e procedimentos.
Portanto, no sistema ABC, atividade é tudo aquilo que é executado em uma
empresa, consumindo recursos, para a concretização de um processo, sendo
que para atingir a sua finalidade, toda atividade consome recursos (matéria,
mão-de-obra, tecnologia) combinando esses recursos de forma a obter
resultados específicos: produtos e serviços.
Definidas as atividades que consomem recursos e, portanto, que absorvem
custos, o sistema ABC parte para a medição do consumo de atividades que
cada produto absorve. Para tanto, deve ser apurado o custo por fator
gerador de custo e, em seguida, apurado o custo por atividade.
O sistema de custeio baseado em atividades (ABC - ACTIVITY BASED COSTING)
segundo Kraemer (2000), desencadeia um grande avanço na gestão e
mensuração das atividades mencionadas e no custeio dos produtos. O ABC
utiliza bases específicas de alocação de custos para cada atividade, com
o objetivo de mensurar a quantidade de recursos consumidos por produtos
durante a sua produção.
Para a avaliação da lucratividade de linhas de produtos é possível
apropriar ao custo do produto também as atividades de apoio industrial e
as atividades administrativas. Segundo Nakagawa (1994): no método de
custeio baseado em atividades ou ABC, assume - se como pressuposto que
os recursos de uma empresa são consumidos por suas atividades e não
pelos produtos que ela fabrica. Os produtos surgem como conseqüência das
atividades consideradas estritamente necessárias para fabricá-los e ou
comercializá-lo, e como forma de se atender as necessidades,
expectativas e anseios dos clientes.
Isto pressupõe que no sistema ABC assume-se que as atividades consomem
recursos (custos) ao nível de processos. Já os produtos consome
atividades em vários graus, dependendo do nível de diferenciação destes.
Ernest & Young, Sotec, in CRC/SP – Curso de contabilidade gerencial
(1993) apresentam as principais finalidades do sistema ABC, como segue:
“- determinação do custo do produto - formação de preço; - suporte à
tomada de decisão estratégica;
- suporte a planos de atividade e produtividade”.
Portanto, inicialmente, todos os direcionadores (causadores) de custos
são identificados e em seguida é realizada a alocação dos custos às
atividades. Da mesma forma que nos sistemas tradicionais, no ABC muitos
itens de CIF não podem ser facilmente identificáveis com as atividades
que se quer custear.
Por fim, a relação custo-benefício na seleção de um sistema de
informações é de fundamental importância. Logo, a empresa que deseja
implantar o sistema de custeio por atividade tem que ter parcelas bem
consideráveis de custos indiretos de produção compondo o custo total da
empresa, bem como, deve estar produzindo no mesmo estabelecimento uma
variedade de produtos e os clientes devem ser diversificados. Visto que,
este tipo de empresa tende a apresentar graves distorções no custeio
tradicional de seus produtos ou serviços, requerendo, por isso, técnicas
mais sofisticadas de custeamento de suas atividades e produtos para a
tomada de decisões.
Segundo Koehler (1994) o custeamento por atividade (ABC), quando
utilizado na etapa do planejamento, é muito útil como guia para várias
decisões estratégicas, incluindo fixação de preços, busca de fontes de
suprimentos, introdução de novos produtos e adoção de novos desenhos ou
novos processos de fabricação.
Bornia (1991) destaca algumas vantagens que o sistema oferece aos
gestores, a saber: as informações fornecidas pelo ABC servem para
dirigir atenção da gerência às atividades responsáveis pelos custos dos
produtos, possibilitando melhor visualização dos impactos causados por
decisões e melhor controle dos custos indiretos. A capacidade de
desempenho das atividades, ou seja, o número de transações possíveis de
serem efetuadas por elas, poderá ser determinada através do
acompanhamento no tempo da “performance” dos mesmos. Desta maneira, a
eficiência de certa atividade poderá ser acompanhada, trazendo
importantes informações para a gerência da produção.
Do mesmo modo, outras informações relevantes para a gestão da
produção podem ser encontradas. Por exemplo, os custos unitários das
atividades podem servir como medida de desempenho (eficiência) das
mesmas e podem ser acompanhadas no tempo para revelar onde as
modificações nos custos estão ocorrendo, além de serem úteis em
orçamentos e simulações.
Ainda, nesta mesma linha de raciocínio, Nakagawa (1994) diz que quando
se diz que o ABC é uma ferramenta que auxilia os gerentes a descobrirem
as rotas do consumo dos recursos da empresa, busca-se na realidade,
colocar à sua frente uma informação muito importante para suas decisões.
Baseado nas próprias atividades e produtos que os gerentes conhecem
muito bem, o ABC mostra-lhes com clareza e transparência os custos
dessas atividades e produtos”.
Observa-se que o sistema ABC permite aos gestores ter melhores condições
para administrar as atividades sob sua responsabilidade, visto que
encontram maior facilidade em identificar os custos relevantes para um
rol maior de decisões. Essas informações são importantes para a tomada
de decisões melhores, especialmente no que se refere à fixação de preços,
administração das relações com os clientes, projetos de produtos,
melhoria de processos, mix de produção, aquisição, de tecnologia etc.
5 – As instituições de ensino superior
Há um tempo atrás as Instituições de Ensino Superior – IES não tinham
muita preocupação com a gestão dos seus custos, pois a procura pelos
seus cursos era muito grande, o que permitia que os custos fossem
absorvidos facilmente pelas receitas provenientes das mensalidades. Com
o surgimento de novas instituições, e com a globalização da economia, o
que fez com que os alunos dessas instituições passassem a ser mais
exigentes com os serviços que lhes são oferecidos, tanto pela
infraestrutura – atividade-meio, como pelo professor em sala de aula –
atividades-fim.
As entidades sem fins lucrativos, conforme Drucker (1994), são agentes
de mudança humana. Seu produto é um paciente curado, uma criança que
aprende, um jovem que se transforma em um adulto com respeito próprio,
ou seja, a transformação de uma vida, tendo um papel claro a desempenhar
na comunidade a que servem; e provocando mudanças sociais. Desenvolvem
uma série de atividades, valendo-se de recursos obtidos do sistema
econômico e social o qual, por sua vez, acolherá “a posterior” o
“produto” final deste processo: pessoas atendidas. Assim, os recursos,
as atividades (processos) e os produtos são, resumidamente, partes
integrantes de um conjunto funcionando harmoniosamente para a consecução
de um objetivo.
As IES quer particulares, quer públicas, com ou sem fins lucrativos, são
organizações constituídas para oferecer benefícios à sociedade. Esses
benefícios são de natureza social, cultural, econômico, educativo,
tecnológico e moral. Sua existência só tem sentido quando realmente
estão contribuindo para o desenvolvimento da comunidade.
Elas desenvolvem suas atividades e interagem constantemente com o meio
ambiente, no qual estão inseridas, pressupondo sua continuidade. Essa
interação com outras entidades e suas variáveis formam o cenário onde
deveram atuar.
A missão das IES é colocar produtos, serviços e contribuições sociais à
disposição da comunidade e do governo, satisfazendo suas necessidades. É
através da missão que se determina qual conjunto de atividades pretende
desenvolver e, conseqüentemente, quais os produtos, serviços e
contribuições sociais que estarão à disposição da sociedade. A missão
exerce a função de orientar e delimitar o campo de ação da gestão
organizacional.
As IES são as grandes responsáveis pelo progresso e desenvolvimento das
civilizações. É um lugar de propagação da cultura. É um espaço que
promove a criatividade e a descoberta. Deve ser um centro produtor e
inovador de conhecimento, não apenas para o consumo, mas para a
recriação, de tal forma que conhecimento gere conhecimento, ou seja, as
atividades de pesquisa, que são o componente principal da renovação
científico-tecnológica.
As IES tem por finalidade segundo o Art. 43 e Incisos, da Lei 9.394/96:
"I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito
científico e do pensamento reflexivo;
II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para
inserção em setores profissionais e para a participação no
desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação
contínua;
III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica,
visando ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e
difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e
do meio em que vive;
IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e
técnicos que constituem patrimônio da humanidade comunicar o saber
através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação;
V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e
profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando
os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual
sistematizadora do conhecimento de cada geração;
VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em
particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à
comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade;
VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando à
difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da
pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição."
Por outro lado a educação superior abrangerá os seguintes cursos e
programas, todos abertos à clientelas específicas e perfeitamente
identificadas segundo a Lei:
cursos seqüenciais por campo de saber;
de graduação
de pós-graduação: e de extensão.
Já o Art. 53 da citada Lei Federal, diz que: no exercício de sua
autonomia, são asseguradas às universidades, sem prejuízo de outras, as
seguintes atribuições:
"I - criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas de
educação superior previstos nesta Lei, obedecendo às normas gerais da
União e, quando for o caso, do respectivo sistema de ensino;
II - fixar os currículos de seus cursos e programas, observadas as
diretrizes gerais pertinentes;
III - estabelecer planos, programas e projetos de pesquisa científica,
produção artística e atividades de extensão;
IV - fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e
as exigências do meio;
V - elaborar e reformar seus estatutos e regimentos em consonância com
as normas gerais atinentes;
VI - conferir graus, diplomas e outros títulos;
VII - firmar contratos, acordos e convênios;
VIII - aprovar e executar planos, programas e projetos de investimentos
referentes a obras, serviços e aquisições em geral, bem como administrar
rendimentos conforme dispositivos institucionais;
IX - administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato
de constituição, nas leis e respectivos estatutos;
X - receber subvenções, doações, heranças, legados e cooperação
financeira mediante convênio com entidades públicas e privadas”.
Como qualquer outro tipo de organização uma IES, para sobreviver, terá
que priorizar os seus ganhos para poder ter condições de investir,
manter e melhorar as condições físicas do campi, bem como, garantir a
capacitação dos seus professores.
Apesar de desempenharem funções sociais de extrema importância, estas
entidades segundo Borges & Silva (2002) têm recebido pouca atenção de
profissionais para a aplicação de novas técnicas contábeis e gerenciais.
Assim como nas atividades empresarias, estas entidades dependem de um
conjunto qualificado de recursos humanos e materiais.
Um método bem planejado e eficaz para a gestão dos custos pode
proporcionar um quadro completo para o gerenciamento da instituição.
6 – A eficiência do custeio baseado em atividades em instituições de
ensino superior
As IES carecem de mecanismos auxiliares para a sua gestão. O modelo aqui
proposto, na condição de sistema de informação gerencial, vai ao
encontro desta carência, apresentando sugestões oportunas e objetivas,
para dirimir o problema do reconhecimento do custo-aluno e da eficiência
da gestão, com base dos supostos teóricos do Custeio Baseado em
Atividades – ABC na forma como os fatores de produção incorrem na
abrangência das IES.
Uma Instituição de Ensino Superior é uma organização, e teoricamente
deveria obedecer ao mesmo modelo de uma organização “normal” como uma
indústria, uma prestadora de serviços, etc. Seu principal produto
“vendido” é o conhecimento. Mas qual a sua matéria-prima? Como se dá
este processamento? Fazendo uma analogia aos sistemas de produção
percebe-se que deve haver uma adaptação das ferramentas do ABC para
tratar destas particularidades.
Aqui identificaremos o produto das IES como o ensino, a pesquisa e a
extensão. Este modelo de custos idealizado, mostra aos administradores o
tamanho destas duas grandes áreas, sugerindo mudanças em seu
comportamento, provendo meios consistentes para discussão quanto de sua
autonomia.
Embora cada universidade possa ter sua própria estrutura de
funcionamento, tendo em vista os dispositivos legais que as autorizam,
pode-se visualizar uma estrutura funcional comum para todas, não
importando que uma ou outra possa aumentar ou diminuir as Despesas
Relativas a Recursos.
Leite (1999), agrupa as estruturas em 4 (quatro) macro-atividades, como
a da Reitoria, de Apoio Administrativo, de Apoio Acadêmico (ao ensino,
pesquisa e extensão) e de Ensino (incluindo além do ensino, a pesquisa e
a extensão).
Entende-se por macro-atividade para efeito deste trabalho de acordo com
o autor, as grandes atividades que abrigarão e absorverão custos.
De posse das estruturas universitárias, faz-se necessário transformar
estas macro-atividades para que possamos dar uma nova dimensão dos
custos. Consiste em determinar quais as macro-atividades que fazem parte
das estruturas meio e fim e, assim, identificar todas as espécies de
custos existentes bem como as atividades que os originou. Assim, nenhuma
atividade que gera custos deixa de ser identificada e interrelacionada
com as macro-atividades já identificados dentro da estrutura de
funcionamento e agora transformadas em macro-atividades meio e fins da
Entidade.
Entende-se que o custo de uma atividade deverá englobar todos os gastos
necessários para o seu desempenho. Deverão ser incluídas as despesas com
pessoal e seus respectivos encargos sociais, material de consumo,
serviços de terceiros e encargos e assim por diante.
Segundo Martins, (1998), a atribuição dos custos às atividades deverão
ter como prioridade, além de critérios bastante sólidos: alocação direta;
rastreamento; e rateio.
Ö alocação direta: quando existe uma identificação clara, direta e
objetiva de certas custos com certas atividades.;
Ö rastreamento: é uma alocação com base na identificação da relação de
causa e efeito entre a ocorrência da atividade e a geração dos custos.;
e
Ö rateio: é a última das formas de distribuição dos custos por atividade
e somente se realiza quando da impossibilidade de proceder nas formas
anteriores. Seu principal problema é a forma arbitrária como é
distribuído e é a linha divisória entre os modelos tradicionais de
custos e o ABC.
Ao se definir a estrutura do ente jurídico e as possíveis espécies de
custos, o próximo passo é a determinação dos itens de custos dos
diversos setores da Universidade que, necessariamente, estão vinculadas
a uma ou mais das macro-atividades. A escolha dos direcionadores de
custos (cost drivers), é o grande desafio do modelo ABC.
Segundo Martins (1998), o direcionador de custo é o fator que determina
a ocorrência de uma atividade. Assim, partindo do entendimento que
atividades consomem recursos, e produtos consomem atividades e materiais,
os custos deverão ser rastreados e alocados às atividades, através dos
direcionadores de custos (cost drivers), tidos como uma transação que
direciona uma quantidade de trabalho e, através dela, um custo de uma
atividade. Já os custos indiretos serão dimensionados e dirigidos por
cada direcionador de custos.
Assim, o primeiro passo foi a definição das atividades mais importantes
de que cada setor se utiliza para, com o emprego dos recursos, possam
cumprir suas metas e atender os objetivos principais da organização.
Atividades primárias são aquelas que contribuem diretamente para a
missão da Instituição. As atividades secundárias ou auxiliares por sua
vez são aquelas que apóiam atividades primárias e incluem gerência,
administração, conselhos e outros.
O quadro abaixo classifica as atividades.
Quadro 1 - Classificação das Atividades
|
Atividades |
Primária/Secundária |
|
Administração Geral
Reitoria:
Ö
Desenvolver
Visão e Estratégia
Ö
Formular
a política geral da Universidade
Ö
Traçar
diretrizes e normas técnicas gerais
Ö
Superintender
os negócios da Universidade e a estratégia de sua organização
Ö
Gerenciar
relacionamento com a comunidade interna e externa Desenvolver
programas de relações públicas
Ö
Administrar
compras |
Todas
Secundárias (auxiliares). |
|
Apoio Administrativo
Ö
Criar
e gerenciar estratégias de recursos humanos
Ö
Gerenciar
recursos de informação
Ö
Gerenciar
distribuição de pessoal
Ö
Desenvolver
e treinar servidores
Ö
Desenvolver
sistemas de recursos humanos
Ö
Gerenciar
recursos financeiros e físicos
Ö
Processar
transações orçamentárias, financeiras e contábeis
Ö
Conduzir
o controle interno
Ö
Gerenciar
recursos físicos
Ö
Medir
desempenho organizacional
Ö
Desenvolver
e definir metas organizacionais
Ö
Apoiar
o planejamento, o orçamento e o controle
Ö
Desenvolver
atividades auxiliares |
Todas Secundárias (auxiliares) |
|
Apoio Acadêmico:
Ö
Superintender
os órgãos de apoio acadêmico
Ö
Suprir
com recursos humanos e tecnológicos a área acadêmica;
Ö
Apoiar
o ensino, a pesquisa e a extensão e a pós-graduação;
Ö
Administrar
a carreira acadêmica;
Ö
Implementar
segurança e controle de sistemas;
Ö
Gerenciar
o armazenamento e acesso de informações;
Ö
Facilitar
compartilhamento e comunicações de informações;
Ö
Administrar
a biblioteca;
Ö
Prover
os registros acadêmicos;
Ö
Promover
atividades sócio-culturais |
Todas Secundárias (auxiliares) |
|
Ensino
Ö
Ensino
Ö
Coordenar
e integrar as funções de ensino, pesquisa e extensão
Ö
Planejar
a execução e a avaliação do ensino, pesquisa e extensão;
Ö
Desenvolver
o Ensino;
Ö
Qualificar
Docentes |
Todas Primárias |
|
Pesquisa
Ö
Pesquisa
Pura
Ö
Pesquisa
aplicada |
Todas Primárias |
|
Extensão
Ö
Atividades
de extensão |
Todas Primárias |
Fonte: Leite, 1999.
Portanto, as atividades primárias subdividem-se em centro de custo de
ensino, pesquisa e extensão e as secundárias ou auxiliares em
administração geral, secretaria, biblioteca, contabilidade e finanças,
serviços gerais, limpeza e vigilância.
Neste sentido, procurou-se, a partir desta separação das atividades,
definir a existência de dois grandes centros de custos definidos. Estes
centros de custos ou departamentos podem ser divididos em dois grupos,
de acordo com o tipo de atividade que executam, classificados em
produtivos e auxiliares, estando os departamentos produtivos ligados às
atividades primárias, pois estão diretamente envolvidos com o produto,
ensino, e os secundários ou auxiliares que formam os setores de apoio.
O passo seguinte é identificar as atividades que consomem recursos e
produzem os resultados. Atividade para Nakagawa (1993) é entendida como
um processo que combina, de forma adequada, pessoas, tecnologias,
materiais, métodos e seu ambiente, tendo como objetivo a produção de
produtos.
As atividades podem ser decompostas em tarefas, subtarefas e operações.
As tarefas são elementos de trabalho de uma atividade. Em uma
instituição de ensino pode descrever de forma clara estes três
elementos, como segue:
Função Ensinar
Atividade Ministrar aulas
Tarefa Preparar aulas
Subtarefas Preparar o material das aulas
Operações Tirar xerox
O próximo passo será localizar os eventos econômicos por departamento,
atividade, produto e serviço e depois identificar em que momento do
evento econômico ocorre o seu término.
O evento pode ser caracterizado como uma seqüência ou resultado de uma
ação externa (compras, armazenagem, produção, vendas) a uma atividade,
sendo que esses fatores estão relacionados a uma atividade e os eventos
dão início a elas.
As transações serão materializadas através de documentos e, devem
reproduzir os eventos e as atividades a que se referem e as transações
podem ocorrer tanto no início como no fim das atividades. Como exemplo
de evento, tem-se a compra de um material e a ordem de compra é a
transação que representa a atividade.
A instituição deverá elaborar um plano geral de contas para
classificação das atividades, contendo classificação dentro do ensino
por cursos, e identificação das funções, detalhando as atividades e
tarefas até as operações para acumulação dos custos e despesas, sendo
utilizado para codificação da contabilidade convencional como para o
sistema atual. Este plano possibilitará que sejam extraídos muitos
relatórios que fornecerão muitas informações, conforme as necessidades
da instituição.
Definidos os centros e o plano de contas, poderá ser iniciado o processo
de custeio, ou seja, o quanto cada curso ou aluno custa para a
instituição. Em seguida, determina-se um direcionador para cada
atividade. O quadro 2 nos mostra detalhes do levantamento dos
direcionados das atividades.
Quadro 2 – Levantamento dos direcionados das atividades
Fonte: Borges & Silva (2000)
Nestes termos temos condições de determinar o custo unitário do
direcionador e o custo dos produtos por atividade, conforme abaixo:
Custo unitário do direcionador = Custo da atividade ÷ Nº total de
direcionadores
Custo da atividade atribuído ao produto = Custo unitário do direcionador
x nº de direcionadores do produto
Custo atividade/unidade de produto = Custo da atividade atribuído ao
produto÷ quantidade produzida
Em seguida acha-se o custo total de cada curso (produto) e o custo de
cada aluno para a instituição.
Curso de Ciências Contábeis = Custo total do produto ÷ Nº de alunos
Logo após, através de um mapa de localização, alocam-se todos os custos
unitários dos direcionadores de atividades, formando-se o total dos
custos de cada cursos e de cada aluno. Após, a instituição poderá
detectar os cursos mais vantajosos e os mais onerosos.
Neste sentido, este sistema juntamente com um plano de contas elaborado,
originarão vários relatórios, sendo que estes oferecerão à diretoria,
condições para avaliar as informações quanto ao desempenho por cursos
oferecidos, através do resultado operacional e da lucratividade, podendo
comparar os resultados ocorridos em diversos períodos, favorecendo a
realização de planejamentos.
Considera-se então que a implantação de um sistema ABC envolve mudança
de paradigma, pois este sistema servirá de base para decisões
estratégicas e pedagógicas da instituição. Ela verificará que se em
determinado semestre um curso apresenta déficit, poderá trabalhar com
este resultado, verificando as suas origens e planejando metas para o
futuro.
Verifica-se, portanto, que a utilização do custeio ABC possibilitará aos
administradores a obtenção de informações mais detalhadas e mais
precisas, além de possibilitar a otimização dos recursos existentes na
instituição.
7 – Conclusão
Atualmente, a abordagem tradicional de custos não fornece informações
para cumprir suas finalidades de apoio à tomada de decisões e de
controle, neste novo contexto competitivo.
O custeamento baseado em atividades busca facilitar a implementação de
um processo de mudança de atitudes na organização, pois é uma ferramenta
que auxilia os gerentes a descobrirem as rotas do consumo dos recursos
da empresa, buscando colocar à sua frente uma informação muito
importante para suas decisões.
O sistema ABC pode representar um bom conjunto de ações para a melhoria
do processo de gestão em IES que, por certo, ampliará as possibilidades
de sucesso.
O início da identificação dos custos torna-se de grande importância, não
só para o conhecimento interno da própria instituição como também para
sua comparação com outras instituições que atuam na mesma área.
O cálculo do custo por atividade (atividade de ensino, pesquisa e
extensão) é uma alternativa nova e bem sucedida de apuração de custos no
sentido de mudar as atitudes dos gestores e pessoal envolvido (docentes,
alunos e funcionários) para a prática de questionamento e mudança
contínua, eliminação de desperdício, enfim, uma postura nova e dinâmica
de cálculo e gestão de custos.
Este cálculo de custo/aluno, pode apontar a possibilidade de
complementaridade dos métodos de custeio que permitam não apenas a
exatidão de cálculos (que permite a redução de custos considerados
irrelevantes), mas uma maior visibilidade do processo de formação do
próprio custo, no sentido de tornar claro as diferentes áreas envolvidas
em cada atividade (ensino, pesquisa e extensão) e como as áreas de apoio
contribuem com estes custos.
Portanto, o Sistema de Custo ABC em instituições de ensino superior é um
valioso instrumento de decisão, gerando vários relatórios, como apuração
de resultados por curso e por período.
Maria Elisabeth Pereira Kraemer beth.kraemerarrobaterra.com.br
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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